quinta-feira, 29 de setembro de 2011

A cultura nacional e o Estado


Publicado no Vermelho
28/09/2011

A modernização das instituições nacionais abre caminho para um novo comportamento social, mas será apenas uma alteração cosmética e formal se não for acompanhada de uma mudança cultural efetiva, registrada historicamente.


Isto se conclui da leitura da “Formação do pensamento político brasileiro”de Francisco C. Weffort, onde fica bastante claro o caminho histórico pelo qual foi conduzida a formação do Estado brasileiro durante o Primeiro Reinado e a Independência, com raízes conservadoras levadas de Portugal em 1808, mas incluindo novos conteúdos com características liberais que despontaram na história dinâmica do povoamento que revelou um povo miscigenado que constituiu a base da nova nação.

Esta análise conduziu o autor a esmiuçar a história do ISEB nas décadas de 1950 e 60 onde as tendências culturalistas e economistas foram confrontadas instalando o debate intelectual sobre o desenvolvimento e a ideologia que deveriam presidir as políticas nacionalistas no Brasil. Citando Hélio Jaguaribe e Celso Furtado, identifica no processo histórico brasileiro duas datas (1850 – a repressão ao tráfico de escravos e 1930 – em que o país foi compelido a produzir internamente o que antes importava) que abrem o caminho para que o Brasil deixasse de ser um país semi-colonial para buscar o seu caminho de desenvolvimento considerando a realidade social marcada pela “igualdade entre os indivíduos” como pressuposto para o Estado adequado à sociedade.

Do desenho de modelos institucionais ao exercício de uma ideologia coerente com os seus pressupostos democráticos, provavelmente transcorrerá mais um século se seguirmos o ritmo do passado. Da constatação da igualdade entre os cidadãos, no plano das ideias, vai um passo revolucionário para a criação de mecanismos constitucionais capazes de reconhecer e servir de instrumento de superação das desigualdades mantidas pela estrutura de poder político, econômico e social vigente, apesar da vestimenta democrática que a história vai criando. Deve-se reconhecer que o pensamento politico brasileiro que inclui o discurso sobre a democracia, ainda reflete uma ideologia paternalista da elite que detém o poder.

Distância entre o estático (teoria) e a dinâmica (prática)

A cultura nacional estabelece limites que o pensamento político denuncia mas que só vai ultrapassar depois de criar todo um sistema jurídico que o proíba. E ainda levará tempo para que tal sistema seja implantado e a sua execução possa ser fiscalizada em todo o território (onde as desigualdades sociais existem e as regionais persistem). Exemplo visível desta marcha lenta foi o abandono do preconceito racial que durante a colônia foi denunciado, serviu de referência para condenar a escravidão no século 18, mas só no século 21 deu origem a uma lei que proíbe a discriminação. E é preciso o povo estar atento para não deixar passar as frequentes arbitrariedades que grupos com algum poder cometem confiantes na sua impunidade.

Neste momento delicado que vivemos no Brasil, em que os governantes, o pensamento político nacional e todo o sistema jurídico estabelecem os princípios democráticos como base institucional do Estado e alteram os procedimentos da função pública para que sejam respeitados em todas as instâncias os direitos humanos, ainda presenciamos cenas de autoritarismo, de petulância, de desprezo, de superioridade, de pequenos “oligarcas” que não se coíbem de negar os mínimos direitos de reivindicação que os cidadãos mais pobres (e culturalmente mais humildes) apresentam. Quanto mais atrasada socialmente é a comunidade, mais “pequenos chefes” sabotam, em nome da burocracia, o andamento de processos individuais. Isto acontece principalmente nas agências de previdência social, em postos de saúde, em locais de segurança pública onde os cidadãos mais pobres recorrem ao Estado como se fosse a uma benesse, já que não têm recursos para utilizarem um intermediário particular.

A burocracia serve de cortina para a sabotagem ideológica

Os obstáculos atribuídos à burocracia pelos próprios servidores públicos, chegam a ser uma afronta à inteligência popular, tal é a burrice da sua existência. O cidadão deverá conhecer antecipadamente todos os seus direitos e mais os hábitos dos serviços público para não ficar em filas para obter informações que se somam às do atendimento de cada caso. As informações serão dadas como respostas aos pedidos e nunca são anunciadas para prevenir ou antecipar os resultados. O doente recebe um documento para realizar em outro local um exame complementar, apresenta ao balcão e é avisado de que deve voltar mais tarde para buscá-lo. Ao chegar mais tarde o funcionário diz que não está assinado pelo médico porque o doente não solicitou. No dia seguinte recebe mas não poderá inscrever-se no outro local porque deveria ter um cartão estadual ou nacional para o que são necessários documentos comprovativos. Volta mais tarde para preencher os dados e deverá esperar 15 dias pelo cartão. Só então faz a inscrição que levará um mês para ser marcada. E. assim por diante, a cada passo. Meses e anos para receber um atendimento que para ele deveria ser urgente.

À vista do sistema de obstáculos, “explicado” por se tratar de um serviço do Estado (que os políticos neoliberais querem reduzir ao mínimo exatamente por causa da famosa incompetência burocrática que cultivam), deixa-se de constatar que faltam as noções mínimas de organização e uma crítica observação sobre o menosprezo com que são tratados os cidadãos mais pobres dependentes dos serviços públicos enquanto os ricos têm as suas instituições privadas de gestão moderna. Então nasce a ideia da corrupção e do compadrio, típica da velha oligarquia, para buscar soluções mais eficientes. Os prejuízos causados pela perda de tempo, idas e voltas com despesas de transporte, o sacrifício de quem está doente, com todas as consequências na vida familiar e no emprego, fazem com que uma taxa extra pareça barata se encurtar caminho.

Temos assistido às tentativas do ooverno para acabar com o escândalo de políticos corruptos que é questão tradicional no Brasil como em muitos países de cultura oligárquica. É importante denunciar juridicamente estes casos de modo a servirem de exemplo para toda a sociedade, mas devemos reconhecer que a corrupção, mesmo em pequenos valores, é uma praga que inviabiliza a organização de um Estado democrático. Os movimentos sociais e políticos devem exigir o fim da impunidade para todo o tipo de obstáculo à democratização da vida social e pressionar por uma mudança cultural.

Sem educação e saúde não há desenvolvimento

O problema da educação é apontado em todos os setores da sociedade como sendo fundamental para o desenvolvimento nacional. Será útil distinguir a educação do cidadão através da cultura (cuja grande responsabilidade cabe aos políticos e funcionários de alto escalão no Estado e mais a comunicação social), o ensino desde as creches até o final do curso secundário (que compete às instituições de ensino público e privado com o acompanhamento de instituições especializadas) e a formação profissional (nos cursos médios e superiores, com o devido acompanhamento das indústrias e serviços que constituem o mercado de trabalho).

Depois da formação superior ainda precisamos obter das associações de classe respectivas um compromisso claro com a democracia, eliminando os traços elitistas que o povo tem que aguentar dos profissionais que, antes de saberem afirmam a sua pose de mando com frases em latim ou receitas comerciais que não têm lógica para o entendimento direto do cidadão. A OAB tem feito um grande esforço para superar várias décadas de multiplicação de maus profissionais, muitos deles apoiados por organizações criminosas e outros apenas incompetentes beneficiados pela incompetência do país dos bacharéis.

Mas a Ordem dos Médicos ainda nos deixa com fornadas de médicos que lêem apenas o que os laboratórios escrevem e fazem dos doentes cobaias sem acompanhamento. O sistema médico social encontra-se sempre à beira da falência, apesar de excelentes profissionais que aceitam as condições precárias de salário e de avalanches de doentes sem lugar, enquanto os convênios (sistema financeiro de seguros) e as clínicas particulares recolhem mensalidades pequenas ou grandes sem capacidade para que os seus médicos tenham mais que 5 minutos para ver, de raspão, um doente e fazer um diagnóstico que o laboratório divulga amplamente e ainda mandam para utilizarem os equipamentos do SUS a que não têm direito por serem do setor privado. Quem paga o pato é o cidadão, tanto o que tem convênio como o que não o tem. O sistema conveniado de assistência médica só funciona para os ricos que acabam utilizando os melhores médicos e equipamentos através dos compadrios e corrupções (como manda a velha cultura oligárquica). A disponibilidade de atendimento em consultas ou exames nos convênios é uma fraude financeira, com as mesmas dificuldades do setor público gratuito. Por que não investir o correspondente pago às clínicas que oferecem convênios, diretamente para o SUS ampliando os seus recursos com mais equipamentos e médicos? É assim que. mesmo os países mais pobres da Europa, garantem um atendimento normal e de qualidade para toda a população. Só os ricos compram o atendimento que preferem, que apenas tem mais luxo e conforto que o da população. A qualidade médica é igual. E a questão da seriedade e competência profissional pode ser supervisionada pela sua corporação, livre da comercialização dirigida por grandes laboratórios e empresas de seguro.

A sociedade brasileira tem dado passos gigantescos na correção dos seus problemas tradicionais. Hoje assistem-se a debates sobre o comportamento social e alguns vícios culturais - na midia, nas escolas, em assembleias, em manifestações sociais – revelando a existência de preconceito, e ações anti-democráticas, em todas as instituições oficiais. Evolui um pensamento político democrático que precisa ser regulamentado. Os que não tomam conhecimento dessas mudanças e até desvirtuam o comportamento do servidor público constituem uma minoria antidemocrática que segue a oposição política à democracia implantada no bojo da dinâmica histórica. Mas essa minoria tem força e precisa ser corrigida exemplarmente, como criminosa, para não contaminar os que se formam. Como é o caso dos que se deixam corromper.





domingo, 18 de setembro de 2011

A nova classe é média? Onde?

No Brasil o “mercado livre”, especialmente os seus propagandistas através da comunicação social midia, celebra o surgimento de uma nova “classe média C”. A Globo classifica o fato como um aumento do poder aquisitivo da população trabalhadora e exagera prevendo que comprarão casas e carros, frequentarão lojas de roupas finas e restaurantes e todas as “maravilhas” que sempre foram reservadas para a burguesia rica

Um sonho, se não fosse aplicado ao Brasil, seria o estafado sonho americano que hoje acorda no buraco com 46 milhões de pobres no país rico Estados Unidos da América. Sonhar faz bem à saúde porque relaxa e, dizem, não paga imposto. Não tenho certeza disso. Mas a alienação da realidade histórica que nos circunda pode levar ao buraco imprevisto e os meios de comunicação devem servir para alertar sobre os riscos e perigos mais que para enganar os cidadãos.

Os vocábulos têm um significado original que deve ser respeitado para não desvirtuar o idioma já tão combalido. "Classe média" é a que fica no meio, entre os ricos e os pobres, portanto a que tem o poder aquisitivo mediano. Entre os salários existentes no Estado (menores do que o dos executivos do mundo financeiro e das empresas a ele ligadas fraternalmente) vão dos R$ 500 aos que chegam a mais de 50 vezes aquele mínimo. "Classe média", no âmbito do Estado, deveria ter uns 25 vezes 500. Nada disso, já é promovido ao C da "classe média", o que chega a uns 4 salários mínimos. Então o sonho de aumentar o conforto e o consumo, é mentira deslavada (que a Globo deve rever através do simpático Lessa).

Mas os cálculos estatísticos que refletem o poder aquisitivo de um povo são mais complicados ainda. Não basta ver se podem comprar a cesta básica, tratar a saúde pelo SUS, levar os filhos à escola pública e se divertir vendo novelas, jogo de futebol no campinho, dançando um forró, bebendo refrigerante ou cerveja, e por aí vai a vida alegre de muitos brasileiros. Os ricos, dentro dos limites salariais do Estado, têm convênios médicos (dos bons, com médicos e hospitais à disposição), transportam-se com carros à porta, os filhos vão às melhores escolas, o seu divertimento passa por teatros, espetáculos de balé, viagens ao exterior, esporte de alto custo, descansos na praia ou no campo, boa comida (cada uma dando para pagar uma cesta básica), bebidas finas, drogas, e tratamentos de recuperação, e sei lá mais o quê, além da impunidade para os excessos. Sei menos ainda onde se situa a media do poder aquisitivo deles.

Mais complicado ainda será calcular dentro da riqueza nacional, como se dá a distribuição – tanto em salários como em benefícios oferecidos pelas instituições (teoricamente de todo o povo, incluindo a elite) – para todos os cidadãos brasileiros.

Antigamente, havia uma classe rica (detentora do poder de usar os recursos tanto privados como públicos), uma classe média que somava remediados (com heranças familiares que garantiam pelo menos a habitação e a escola) com os que labutavam duramente pela ascensão social através da formação profissional, e os pobres que seriam mais pobres se desempregados ou afundados na marginalidade social. Agora, com as especializações do famoso mercado livre surgiram divisões, principalmente para a "classe média" que vai de A (rica, vista de baixo para cima) a E (vista de cima para baixo, com um pé fora da miséria). Os produtos de consumo procuram ter preços para cada nível, assim uma blusa simples custa R$ 300 para o A, R$ 30 para o C e uns R$ 7 na feira ou no brechó para o E. Todos vestem dando visibilidade á sua sorte social. Claro que nem todos podem frequentar os mesmos lugares com tais trapos que vão do luxo ao lixo.

Talvez os mais entendidos na adaptação do mercado livre (quer dizer, livre dentro dos respectivos limites de posse) sejam os chineses que conseguem abarrotar as “classes médias” de A a C nas suas lojas na Europa e Estados Unidos, e do novo C ao E em qualquer país em desenvolvimento. São os orientais que cuidam das “classes médias” e lucram com os seus consumos aparentemente parecidos, mas de qualidade, também aparentemente, muito diferente. As diferenças de poder aquisitivo são determinadas pelos países com as suas piores ou melhores distribuições de renda institucionalizada. Por isso é que o pobre na França vive com apenas R$ 900, o pobre norte-americano com mais ou menos o mesmo, mas sem o serviço de saúde e outros benefícios básicos que a Europa já tinha no século 20 e em parte conserva apesar dos cortes iniciados pelos neo-liberais nas últimas décadas, e o pobre brasileiro que precisa ser salvo da fome e da marginalidade com o sistema de bolsa família que, felizmente, funciona.

Mundo globalizado ou "classe média" que consome como rico é conversa para quem segue a midia sem pensar, quem engole as belas frases de propaganda do mercado livre sem mastigar. Ascensão social que mereça respeito é a que se dá pelo aprimoramento cultural e a formação profissional com duríssimo trabalho, isto sempre foi e será assim. Outro caminho, tipo milagre rapidinho, é caminho perigoso e o fim da ilusão é dolorosa.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

As revelações do 11 de Setembro

Quando eu era criança, ainda na década de 40, aprendi com meus pais a ler as notícias nos jornais – Estadão e Folha da Manhã – com um “coador” para eliminar as intenções políticas conservadoras e compreender nas “entre linhas” a realidade. Foi uma boa escola que hoje me permite acompanhar na TV o que vai pelo Brasil e o mundo com maior objetividade, graças também ao conhecimento direto que adquiri na vida como militante comunista.

Acompanhei a avalanche de comentários, entrevistas e filmes que a Globo News fez a propósito do 10º aniversário do ataque feito às Torres Gêmeas em New York. A primeira lembrança que me ocorreu foi pensar como o Iraque, o Afeganistão, assim como a Bósnia, o Vietnam, a Coreia do Norte, agora a Líbia, e outros mais, como Hiroshima e Nagazaqui, gravaram os atos terroristas que os Estados Unidos e seus aliados praticaram nos seus países quando os invadiram deixando centenas de milhares de mortos e uma destruição que retardou o desenvolvimento daqueles povos e minou a natureza com produtos químicos letais por décadas.

Com isto não minimizo o sofrimento do povo norte-americano quando foi atacado perdendo três mil cidadãos inocentes em condições de terror inaceitável em um mundo que sabe o que é a Paz e os Direitos Humanos. Em alguns livros escritos por norte-americanos, como por exemplo “Sonhando com a Guerra” de Gore Vidal em 2002, eu já havia lido que a história estava mal contada pelo FBI e pelo Governo de Bush, pois antes do ataque a CIA já revelara indícios de um plano terrorista. Agora, em algumas entrevistas apresentadas pela Globo, alguns interlocutores levantam esta hipótese e mais: que o ataque da Al Caeda foi uma resposta” ao terrorismo desencadeado pelos Estados Unidos quando inventaram pretextos falsos para provocar novas guerras de conquista.

Então, o que agora se promove com o luto por três mil cidadãos inocentes e um impacto na história da humanidade (que passou a temer o terrorismo atribuído aos árabes e muçulmanos), nada mais é do que um falso registro histórico que transforma os verdadeiros terroristas, imperialistas, em vítimas. Vítimas são os cidadãos civis nos Estados Unidos ou em outros países, terroristas são os que desenham estratégias de guerra e inventam falsos motivos, como a construção de armas químicas ou atómicas pelos países que têm riquezas minerais muito cobiçadas pelos que lutam pelo poder mundial.

A frieza e o cinismo imperial ficou visível em um vídeo, apresentado pela Globo News, onde Bush aparece  no momento em que deve tomar uma atitude em relação ao ataque do 11 de Setembro (atribuído ao seu antigo amigo Bin Laden, filho do rei da Arábia Saudita, apoiado pelos EUA para expulsar os soviéticos do Afeganistão), e com aparente segurança e tranquilidade diz: ”Quero lá saber das leis internacionais, vamos fazer o que precisamos”. Em outra oportunidade é o seu vice Dick Cheney que comenta : “Obama quis condenar os agentes da CIA que torturaram, isto é um absurdo” pois sem tortura não se obtem informação. E alguns agentes entrevistados por Gineton Morais confirmam a “necessidade de torturar para obter confissões úteis” como uma prática da formação na CIA. Explicam, como se fosse uma receita, a técnica para desmontar a percepção do torturado que acaba sem saber quem é e o que fez e confessa o que os agentes querem ouvir. Ouvindo isto, constatando o cinismo cruel que é adotado nos EUA como uma norma legal, qualquer ser humano fica convicto de que o imperialismo é forjado por animais tenebrosos que vivem com a consciência em outro mundo tenebroso que precisamos combater de todas as maneiras.

Cérebros deformados pela cultura imperialista, estão em pessoas aparentemente normais, como um agente da CIA, Robert Baer, que justifica as guerras que destroem o Afeganistão e o Iraque, e ameaçam todo o mundo árabe, dizendo: “No Oriente Médio estão 60% das reservas mundiais de petróleo necessários à economia ocidental”. Ele tentou matar Sadam Husseim antes do início da invasão e “arrepende-se por não ter conseguido para evitar a Guerra do Golfo.” Até parece ter algo de pacifista apesar do cálculo financeiro frio e alheio a qualquer sentimento humano.

Junte-se a formação mental doentia imposta aos jovens norte-americano que se divertem com filmes de violência e jogos de guerra com a falta de segurança nos aeroportos onde os terroristas sem treino suficiente (segundo os instrutores de voo entrevistados) conseguiram pilotar os grandes Boeing que derrubaram as Torres Gêmeas e o Pentágono, apesar de avisos ao FBI de que havia perigo de terrorismo em Setembro, e ficamos com a quase certeza de que tudo aconteceu de acordo com os interesses dos administradores da estratégia imperialista (que continua atuante e mandante no planeta).
                                               Zillah Branco

sábado, 10 de setembro de 2011

As contradições da Globo News

Publicado no Portal Vermelho
                                                                                            08/09/2011

No mesmo dia (5 de Setembro de 2011) este importante canal de comunicação social, que deve ter uma conduta honesta e confiável, apresenta dois programas que se contradizem: 1º, a denúncia de um soldado norte-americano, que se tornou pacifista depois de descobrir na guerra do Iraque em 2007 que o terrorismo não era produzido pelos árabes mas sim era praticado pelos norte-americanos, iludidos pelo seu Governo com palavras patrióticas e de falsa solidariedade humana, e 2º, o habitual Painel semanal conduzido por William Waack que propõe a falsa questão: “os árabes poderão ter a democracia que existe no Ocidente?”.

Se o erudito grupo de convidados tivesse assistido ao programa de Gineton Morais, com a entrevista ao soldado pacifista norte-americano, poderia (com informações da mesma TV Globo) pôr em dúvida a existência de uma democracia ocidental.

O soldado revela que foi deformado culturalmente, como os demais cidadãos norte-americanos, para que a sua boa fé fosse utilizada transformando-os em terroristas e agressores dos países árabes que têm petróleo (Afeganistão, Iraque, Líbia, e outros que se seguirão nesta escalada imperialista). As ordens militares obrigam o soldado a abandonar crianças feridas “porque a sua função é matar”, o soldado que se rebela contra as ordens terroristas dadas pelos oficiais do exército norte-americano “é imediatamente preso”. O veterano torturado pelo sentimento de culpa por ter matado inocentes árabes “é considerado louco e recebe ameaças de morte dos seus filhos quando se torna pacifista e pede perdão ao povo iraquiano”.

Onde existe democracia ocidental se não é permitido aos cidadãos pensarem humanamente e recusarem um comando terrorista? Na nação que se considera democrática e modelo para as nações ocidentais?

Pode-se supor que a Globo adote uma postura de dupla face, habitual no mercado “livre” acendendo uma vela a Deus e outra ao Diabo (apresentando os dois lados da realidade dos Estados Unidos que a Weekleaks desvendou pela internet). Éticamente não se pode aceitar tal oportunismo em uma instituição responsável pela comunicação social que forma culturalmente os cidadãos brasileiros, justamente em um momento histórico em que o Governo no Brasil se identifica com a defesa da democracia e combate às discriminações.

Por que os árabes são menos capazes de construir um regime democrático que os ocidentais que convivem com o terrorismo dentro de casa, aplicado pelos imperialistas? Por que os muçulmanos não serão capazes de separar a religião da administração política democrática, como o fizeram os cristãos? Onde está a superioridade ocidental do caminho cristão que passou pela idade média com todo o peso do obscurantismo e da barbárie e, teoricamente, atingiu uma racionalidade imparcial e democrática?

Afinal, de que lado está a Globo quanto aos crimes cometidos pelos Estados Unidos contra os povos agredidos e os seus cidadãos enganados? Liberdade de imprensa é colocar um pé em cada lado do muro? Não se envergonham de “formar uma opinião” covarde e alienada em relação ao que se passa com a humanidade?

A responsabilidade dos que comunicam é enorme, basta ver o que o soldado pacifista dos EUA revela sobre a sua formação social deformada para ir invadir e matar em outros países. Ele conta que o número de suicídios de veteranos das guerras contra o Iraque (onde morreram 4.000 norte-americanos e mais de cem mil iraquianos) é colossal e outros nunca mais se recuperam dos traumas de consciência ao se descobrirem enganados pelo seu “país democrático”.

Não se trata apenas do que já passou, mas do futuro também. Na escalada imperialista pelo domínio das fontes de petróleo as “hienas”aliadas dos EUA (Sarkosy, Cameron, Merkel e Berlusconi), babam só de planejar invadir também a Siria depois de ter acampado no Bahrein com a Quinta Frota dos EUA.

Já que a Globo teve coragem para reproduzir as revelações secretas do wheekleaks (cujo responsável é perseguido pela “justiça imperial”) conte também o resto, por exemplo as ações da CIA em todo o mundo árabe para promover manifestações internas que ameacem os seus governos. A famosa “primavera árabe” tem a mãozinha “ciática” que nem sempre consegue controlar as rédeas dos manifestantes que, mais que aos seus próprios ditadores, odeiam os imperialistas com o seu séquito de urubus de olho no petróleo.

Liberdade de imprensa serve para informar sobre a realidade árabe, como tentaram fazer os debatedores convocados pelo Painel da Globonews, (Salem Nasser, Jayme Pinsky e Creomar Lima de Sousa) explicando que existe no mundo árabe uma cultura diferente da ocidental que forma os seus cidadãos com dignidade, solidariedade e humanismo.

E, acrescento eu, no mundo ocidental há uma pregação social contrária a estes valores baseada na ideia de que o mundo islâmico ainda vive o obscurantismo medieval que nega aos povos o direito de pensar com liberdade. Além de ignorante esta afirmação é tacanha porque quem a faz imagina que aqui também os que sofrem a pressão dos meios de comunicação embrutecedores não conseguem conhecer a realidade humana. Há outras fontes, limpas, de informação social que respeitam a liberdade e divulgam a realidade objetiva da vida humana no planeta.

A Globo tem bons profissionais e poderia ser uma empresa confiável, mas o poder que tem de cometer desvios na formação cultural é ainda um acidente de percurso na história do desenvolvimento brasileiro.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

BASTA DE HIPOCRISIA E ALIENAÇÃO !



Alguns bilionários norte-americanos convidam os “ricos” do planeta a aceitarem que as suas fortunas sejam taxadas de forma especial para que sejam pagos impostos que se convertam em melhoria das condições de vida da população trabalhadora. Estão preocupados em salvar o mercado livre que consome os seus produtos. Um belo e generoso gesto protela uma distribuição igualitária dos rendimentos enquanto alivia momentaneamente a fome e a vida trágica da maioria dos cidadãos, e garante o equilíbrio dos “ricos” na crise gerada por eles.

O pensamento de esquerda tem evoluído com a conquista de alguns aspectos dos princípios democráticos debatidos principalmente nos países em desenvolvimento. A direita vai lendo as análises marxistas do sistema capitalista e descobrindo que tem apoiado uma gestão catastrófica do patrimônio natural da humanidade e acobertado fraudes e corrupção de todo o tipo na administração das finanças mundiais. Daí a proposta dos bilionários preocupados com o Juizo Final.

O panorama planetário é muito pior do que se consegue ver hoje com os desmandos terroristas das forças imperiais na sua escalada contra os países árabes produtores de petróleo, e a continuação dos esbulhos que mantêm a África prisioneira da fome e da miséria. O eixo imperialista de países ricos já não tem pejo em realizar todo o tipo de vilania e truculência (bombardeamento de países em conflito interno, sequestro e assassinato político, torturas para construir confissões oportunas, chantagem sobre os mais pobres, etc) “justificadas” com mentiras históricas que devem ser qualificadas como “crimes contra a humanidade” que o Tribunal de Haia não tem coragem de condenar.

O responsável pela Agência de Controle das Armas Atômicas da ONU, o egípcio Elbaradei, revelou sob o título original de “A Era da Mentira”, a ação autoritária e irresponsável dos Estados Unidos para impedir que não se desenvolva a energia atômica para fins pacíficos em países independentes do seu domínio direto. O prêmio Nobel de economia, Stiglitz escreve a reveladora análise do “modelo de capitalismo selvagem” dos Estados Unidos que é responsável pelo “Mundo em queda livre” (título do seu livro) constatada pela crise financeira de 2008 que se prolonga até hoje e mais. Muitos outros intelectuais, que nunca foram de esquerda, reconhecem que o capitalismo provoca crises, injustiças insanáveis contra os povos, destruição da natureza com terríveis consequências climáticas que desencadeiam tsunames e devastações incontroláveis, e apenas os mais conservadores ousam afirmar que será “idealista” pretender inverter a ordem das coisas que caracterizam as instituições do Estado como instrumentos de poder de uma classe poderosa e exploradora.

De modo geral, vivemos um momento de susto, surpresa de muitos, despertar da coragem de vários para enfrentar com dignidade a necessidade inadiável de salvar o mundo deste caos que a esquerda há muito tempo vem anunciando.

Nas ruas de São Paulo, para além das cenas diárias de banditismo que o crime organizado pratica em todo o Brasil, surgiu um problema novo que nem a polícia, nem os educadores sabem como enfrentar: um bando de crianças, de 12 anos e menores, roubam o comércio, assaltam as pessoas nas ruas, depredam hotéis e depois os recintos das delegacias e casas de abrigo para onde são levados. A lei protege as crianças menores de idade que não podem ser presas nem sofrer sanções e detém os menores de 14 anos abandonados para oferecer apenas abrigo, sem penas ou prisão. Na verdade o que a lei assegura é a impunidade das gerações mais jovens que o sistema capitalista não consegue educar. E a impunidade tem sido a saída para criminosos da elite e, através das crianças, pode servir aos mais pobres também.

Os pais dessas crianças já perderam a capacidade de controle sobre a sua educação devido às próprias carências de quem vive em situação de marginalidade, ou mesmo são os que formam os filhos para agirem como bandidos no lugar dos adultos que correm riscos de sanções penais. Quantos jovens bandidos existem no Brasil nas categorias de crianças em formação criminosa, crianças abandonadas, crianças e adolescentes controlados pelo crime organizado, adolescentes emancipados e pais de família? Para só falar das duas gerações mais novas que não ultrapassam os 20 anos, considerando que ainda poderiam ser encaminhadas de maneira saudável por educadores competentes munidos de muitos recursos do Estado.

Podemos pensar o que ocorre, nesta nossa época de loucuras, desmandos e abandono das tradições éticas, no Afeganistão, no Iraque, agora na Libia, e nos países onde a fome enfraquece a vontade de viver dos seres humanos, comparando com o Brasil que começa a ser o dono do seu destino e cresce economicamente mas ainda vive semelhante miséria? E quais são as origens deste problema terrível que transforma em bandidos as nossas crianças?

Não se trata mais de procurar uma teoria inteligente, uma técnica moderna, profissionais super-competentes. É hora de unir esforços, com humildade e coragem, de todos os cidadãos que já perceberam que o caos existe porque os grandes senhores do mundo ainda são como os de antes, e os crimes e a escola da violência cresce diariamente com a permanência de uma elite criminosa no comando das culturas, dos tratamentos de saúde, dos meios de comunicação social, sempre em busca do maior lucro, do combate aos movimentos sociais, da acusação de terrorismo sobre os que defendem a dignidade dos povos.

Basta de hipocrisia e alienação! O momento exige ação responsável de todos!

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Alianças políticas pela dignidade nacional


A história das instituições no Brasil carrega um peso de quase 500 anos de irresponsabilidade e oportunismo das elites dirigentes. Esta marca transformou-se em cultura generalizada na sociedade, de modo a deixar elites com a certeza de que podem cometer qualquer infração, mesmo crime, com a garantia da impunidade, e os cidadãos trabalhadores com o hábito de aceitar qualquer forma de domínio e exploração que seja exercida pela elite. Esse fatalismo cultural convive, ainda hoje, com o desenvolvimento de uma consciência de cidadania que só existe ligada à luta permanente pela dignidade (individual e nacional) e pela democracia real.

Devido a estas diferenças conceituais, o senso comum, a lógica dos que falam e pensam democraticamente, considera uma elementar falta de respeito explicitar e exigir a um representante do povo ou aos altos funcionários das instituições públicas e privadas, que garantam que a sua atuação será honesta, digna, responsável, e leal aos princípios éticos que estão registrados constitucionalmente. Como vivemos em processo de desenvolvimento, saindo de condições de colonialismo e dominação imperialista, este senso comum deve ser alertado para a compreensão de que o que é óbvio para um cidadão democrata, pode não ser para um remanescente da formação elitista herdada do antigo poder oligárquico.
Por exemplo, quando falamos em aliança política, esperamos que exista um ponto comum a unir pessoas diferentes que se traduza no mesmo entendimento de ética. Se não for assim, aliança seria o mesmo que uma relação de compra e venda sem referência a princípios éticos, o que é a negação da responsabilidade política e social que invalida qualquer instituição.

O grande salto político introduzido por Lula no Governo do Brasil foi o da necessidade e possibilidade de alianças políticas entre Partidos e representantes de diferentes ideologias que contêm aspectos antagônicos na formulação do sistema de poder na sociedade mas que tenham um mesmo objetivo em relação ao desenvolvimento do país. Com a eleição de alguém que representa fielmente o povo trabalhador brasileiro, impondo a sua diferença pessoal relativamente ao padrão exigido pela elite tradicional, e trazendo consigo a exigência da ética e da democracia que sempre estiveram embrulhadas na fraseologia demagógica dos políticos, começaram a surgir novos aderentes à mudança profunda que a sociedade exigia. Empresários bem sucedidos, políticos de peso, opositores partidários, muita boa gente que estava aculturado pela oligarquia, despertou para a revolução ética semeada com a quebra do velho padrão do poder na gestão da vida nacional.

O processo naturalmente foi difícil e tortuoso. Como se tratava de uma limpeza, muita gente se vestiu de faxineiro para dar a vassourada antes de recebê-la. Foi a época das denúncias espertas, dos mensalões, dos processos por fraude, abuso de poder, desvio do dinheiro público, toda uma gama de banditismos que deixou a população mais ingênua assustada com a realidade dos desmandos que a elite mantinha sob o manto da responsabilidade instituicional. Foi um forte abanão no coqueiro que derrubou coco maduro e verde, além de algum coletor distraído. Os mais espertos resolveram impedir que o processo institucional avançasse reduzindo-o a alguns nomes escolhidos para a berlinda que, habitualmente, oferecia saída pela porta da impunidade controlada pela velha elite. Mas o cerne do governo Lula resistiu defendendo acima das cabeças que rolaram o impulso a favor da ética como base do sistema de poder.

O dia-a-dia da política nacional divulgado pela midia passou a registrar cenas de degola política alternadas com as do crime organizado e mais os acidentes de uma sociedade secularmente desorganizada. Aparentemente um caos, mas dentro dele, as limpezas institucionais foram sendo percebidas pelo povo trabalhador e muita gente boa que deixou a oposição e somou o seu voto no apoio de 80% com que os eleitores se despediram de Lula no segundo mandato, abraçando Dilma e fazendo dela Presidente do Brasil.

O processo continuou no interior das instituições como na consciência dos cidadãos. E na gestão de Dilma assiste-se ao segundo grande passo na dignificação das instituições. A extinção dos maus hábitos que apodrecem as elites é comandada em uníssono pelo Governo, pelo Judiciário, pela Polícia Federal. A midia precisou deixar o tédio da sua lista de acidentes que com fatalismo atribui ao atraso brasileiro, e lançar apostas no jogo das alianças responsabilizando os Partidos da base aliada pelos casos pessoais de má conduta administrativa que condenam ministros, diretores de grandes empresas, secretários de confiança nas instituições do Estado. Como se o Governo tivesse a sua estrutura amarrada por laços de um mercado livre que usa a corrupção como moeda corrente, apostam na cedência da Presidente ou no comprometimento dos partidos com os crimes denunciados.

O segundo passo na consolidação do processo de dignificação do país, conduzido pela Presidente Dilma, é a unificação dos aliados em torno dos mesmos princípios éticos que os identifica e os mesmos objetivos democráticos que os move. Com as denúncias relativas à corrupção nos ministérios do Transporte e, depois, o da Agricultura, a midia promoveu uma torcida organizada pelo rompimento das alianças com os Partidos, mas houve maturidade política bastante para que os aliados se unissem contra a praga da corrupção no país. Caíram os ministros que não souberam evitá-la nos seus territórios.

As intrigas palacianas articuladas nos cafezinhos da mídia não garantem o êxito dos programas medíocres, o brasileiro não tem tempo para novelas de baixa categoria e aprendeu a ver na sua comunidade, no seu bairro, nas instituições que contata, que há sinais de uma transformação positiva. Será benéfico à midia descobrir que as fofocas não têm mais prestígio que as análises sérias com fatos verdadeiros que atrai o grande
público.

As transformações são lentas para atender a todos os 190 milhões de cidadãos com as suas múltiplas carências, mas cada um deixa o egoísmo de lado e olha para os lados mais frágeis da sociedade que hoje são atendidos, são procurados na imensidão do território, recebem as sementes da integração nacional por meio de um investimento em infra-estrutura, do ensino e do serviço médico implantados, da energia e fornecimento de água instalados, da comercialização dos produtos locais que geram empregos. A sociedade amadurece e ultrapassa a cultura da subserviência e do medo que a obrigava a aceitar com fatalismo o domínio de uma elite criminosa sempre impune.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Foco mundial de corrupção nos EUA

10/08/2011

A nação norte-americana guardou, da história pioneira do seu povo, o “título de pátria da democracia” e a “estátua da liberdade” no seu porto de entrada. 

Alguns dos seus grandes escritores – como Haward Fast e Irving Stone, traduzidos no Brasil – revelaram desde a década de 1930 a sua preocupação com o tipo de sociedade que se formava a partir de uma elite dominante oportunista, sem escrúpulos, que abandonava os velhos princípios de cidadania e de integridade individual, além dos conceitos de responsabilidade social e honra patriótica, para defender a sua desmedida e egoísta ambição de lucro pessoal.

Os que leram aqueles autores sofreram solidariamente com os valorosos norte-americanos que recordavam o exemplo dos antepassados pioneiros que construíram com sacrifício os primeiros acampamentos em uma terra desconhecida para onde fugiram das perseguições religiosas e da falta de condições de trabalho na velha Inglaterra. Lembravam o heroísmo de alguns na Guerra de Independência que livrou a nova nação do jugo colonial imposto pela Europa, e os primeiros profissionais juristas, engenheiros ou médicos, que sem títulos universitários adquiriram auto-formação para lançar as melhores sementes da jovem pátria democrática e moderna.

Lamentavelmente os valorosos norte-americanos foram vencidos pela elite que usou como arma cultural a sua esperteza de bandidos sem lei e sem escrúpulos e liquidou os indígenas, escravizou os africanos, humilhou os homens e mulheres brancos que pretenderam manter a dignidade humana acima do lucro material e do poder das armas assassinas. Em pleno século 21 a crise do sistema capitalista global desvenda a triste realidade do “império norte-americano dirigido por uma elite, verdadeira corja de bandidos inescrupulosos, que faz guerras de conquista em países menos desenvolvidos para roubar-lhes as riquezas naturais e impedir a concorrência comercial, utiliza instituições internacionais – Otan, Banco Mundial, FMI – para falsear um apoio mundial às suas invasões, chacinas, sequestros, destruição de economias em desenvolvimento, e despreza o próprio povo norte-americano com medidas financeiras que tanto servem para corromper os mais fracos como para empobrecer os que confiam no Estado que foi transformado em instrumento de poder privado da gangue elitista”.

O que eu afirmo aqui, muitos intelectuais norte-americanos têm divulgado em livros – como por exemplo o Premio Nobel de Economia Joseph Stiglitz e outros – e em filmes – como “Trabalho Interno” de Charles Ferguson ou “Captalismo: uma história de amor” de Michel More. Nasce um grupo de bons profissionais que põem em risco a própria condição e mesmo a vida para se tornarem militantes do conceito honesto de pátria democrática e de povo livre no combate à degenerescência do sistema de poder que usurpou o comando dos Estados Unidos transformando-o em arma imperialista. As adesões se multiplicam em todo o mundo a esta militância saneadora do sistema capitalista. Acreditou-se que Obama teria capacidade de liderar esta transformação dentro do Governo dos Estados Unidos, mas ele não teve coragem para tal heroísmo, empalideceu e fez um discurso imperialista ao receber o Prêmio Nobel da Paz, assumindo o papel de traidor da humanidade militante da paz, da dignidade humana e do desenvolvimento independente das nações.
Traduzindo a linguagem financeira

O livro de Stiglitz “O mundo em queda livre – os Estados Unidos, o mercado livre e o naufrágio da economia mundial /Companhia das Letras, 2010” explica com clareza popular as fraudes cometidas sistematicamente pelos bancos e instituições financeiras (com conivência de Banco Centrais e governantes) com o jogo dos empréstimos, transações de hipotecas, venda de produtos financeiros que são reconhecidas, por eles próprios, como lixo tóxico. As consequências comprovadas nos Estados Unidos é o empobrecimento de uma classe média que investe as suas economias na compra de habitações, e, comprovadas nos países em desenvolvimento que empobrecem ao seguirem as receitas fraudadas do FMI e do Banco Mundial para cortarem as despesas sociais para compensar os erros dos bancos na gestão da riqueza nacional. Um caso de polícia - se o Estado fosse o instrumento de desenvolvimento nacional e dos cidadãos.

Internacionalmente os EU prosseguem a velha política colonialista, agora modernizada com o modelo imperialista, invadindo os países pobres para destruir a sua economia e promover conflitos internos - os países da Ásia que há 190 anos produzia 60% do PIB mundial e hoje não passa de 18%, a África com as suas populações a morrerem de fome, o Afganistão e o Iraque destruídos, os bombardeios contra o povo Líbio, a América Latina que só agora liberta-se do cerco imperial e entra no caminho da independência elegendo governos populares que fortalecem o seu desenvolvimento. Um caso de revolução, se os povos recusarem a submissão ao comando das elites poderosas.

Stiglitz, defensor do sistema capitalista condena o modelo capitalista dos Estados Unidos e explica como válida a oposição histórica dos defensores do socialismo contra o sistema capitalista. Não se trata de discutir aqui as razões ideológicas que fundamentam os que militam por melhores condições de vida no planeta inspirados na meta do socialismo, mas sim de reconhecer onde estão os usurpadores de um poder nacional e internacional. Exige-se que, necessariamente, o sistema válido deverá corresponder aos valores éticos, democráticos, de respeito humano, sem preconceitos, sem discriminações. Diante de uma visão humanista apenas, o modelo capitalista norte-americano corresponde à hipocrisia de uma elite sem dignidade que sacrifica a vida da humanidade como fazem os criminosos que ambicionam o maior poder.

Quando nos Estados Unidos um juiz pergunta ao banqueiro “se ele vendeu lixo tóxico ao seu cliente como se fosse uma forma para enriquecimento mas que o levou a uma falência prevista, e ele responde que sim”, toda a sociedade fica enlameada pela aceitação sem punição da convivência com tal bandido. Pior ainda quando o Governo perdoa e concede um resgate para restaurar o poder do ladrão. É um ato de vandalismo com a riqueza nacional, com as instituições de justiça e de todo o Estado, e um assalto aos direitos dos cidadãos. Um crime imperdoável que mancha a história do país e fica como mau exemplo cultural para toda a humanidade.

Quando o Governo dos Estados Unidos confessa que desencadeou a guerra contra o Iraque porque acreditou na falsa informação de que aquele país preparava-se para uma guerra biológica, ocultando a verdadeira causa que era a ambição do controle da produção de petróleo, a sociedade planetária sente que não foi capaz de impedir mais um grande crime contra a humanidade por ter confiado em um Governo que mente para o seu povo e para o mundo inteiro, e mancha a história global com a sua perversidade execrável que deve ser banida.

As teorias sobre o mercado livre, que apregoam a desregulamentação da economia e a privatização das empresas fundamentais de uma sociedade independente, para reduzir a capacidade de um Estado dos cidadãos de manter a justiça social e garantir o desenvolvimento de toda a população e permitir que uma elite irresponsável e criminosa trace o rumo nacional, serviram de máscara intelectual para deformar a cultura globalizada. A função das instituições criadas ao longo da história humana – do Estado para organizar a sociedade e garantir os direitos iguais da população e dos Bancos criados para fazer depósitos financeiros, facilitar transações e propiciar empréstimos de acordo com as estratégias de desenvolvimento traçadas pelos governos democráticos – estas funções foram desvirtuadas pelas elites que usurparam o poder democrático e passaram a servir como instrumento de poder privado que enriquece com a miséria dos povos e com a escravização dos trabalhadores.

Traduzindo a confusão que os economistas (que ainda confundem economia com finanças) apregoam pela midia e até nas escolas universitárias, enquanto um pouco por todo o mundo cresce a exigência dos povos pela transformação do Estado (que sempre foi instrumento de dominação da elite) em Estado Cidadão, portanto democrático, nos Estados Unidos a democracia é poesia e ficção e o poder é comandado explicitamente pela elite dominante que prioriza os seus interesses e a maior ganância por lucros que já se viu no planeta. Em nome desta sede de poder e riqueza inventam métodos de espoliar o seu próprio povo com mentiras refinadas pela esperteza financeira que corrompe os políticos, os professores, e quem quiser vender a alma por um prêmio em dólares, e lutam no parlamento para que os ricos não paguem impostos enquanto os pobres apertam mais os cintos. O conceito de cidadania não existe naquela sociedade desigual e desumana. Como se não bastasse o sacrifício de milhos de famílias norte-americanas que perdem os seus empregos, as suas casas, o nível de vida de classe média já conquistado, a elite imperial comanda invasões de países que defendem a sua independência, mata e oprime povos que lutam pelo próprio desenvolvimento.

O erro está no modelo ou no sistema?
Stiglitz preocupa-se em assegurar que “o modelo capitalista norte-americano “tem uma forma licenciosa de ação”, exerce “o fundamentalismo do mercado”, a “falta de controle”, “é falho” e “fracassou”. Ele acredita que todos esses erros “minaram a credibilidade no sistema capitalista e na democracia”, mas que poderiam ser corrigidos.

Ao mesmo tempo, o autor chama a atenção para o “modelo chinês” que tem investido em vários países da África na construção de infra-estruturas que “promove o desenvolvimento com a abertura de novas estradas que ligam cidades antes isoladas, criando uma nova geografia económica, propiciando o crescimento económico, como o comércio, o desenvolvimento de recursos, a criação de empresas e a agricultura”. Dessa forma, “a China investiu mais que a soma dos recursos aplicados pelo Banco Mundial e o Banco Africano juntos”.

Stiglitz reconhece que tais fatos permitem aos que condenam o capitalismo como um “ sistema que beneficia a elite em prejuízo do povo em geral”, que defendam com bons e comprovados argumentos dados pela realidade histórica, o sistema socialista.

Pessoalmente penso, como dizem os chineses, que o “modelo ocidental de capitalismo não deu certo, e que a revolução comunista na China ensinou a administrar com equilíbrio o desenvolvimento gradual do país de modo a extinguir a miséria de 400 milhões de pessoas, criar infra-estruturas que asseguram o desenvolvimento geral nacional, introduzindo sistemas de educação, saúde, esporte e cultura de primeiro mundo e levando uma nação que saiu da condição feudal para competir e vencer os países capitalistas que enriqueceram com o colonialismo e o imperialismo.

A história dos Estados Unidos demonstra que, apesar do grande esforço dos bons norte-americanos e inclusive de Presidentes como Roosevelt combaterem os malefícios do sistema capitalista – monopólios, corrupção, mentiras políticas, escravidão, opressão sobre outros povos, chacinas como as causadas pela bomba atómica, e tantos outros crimes contra a humanidade dentro e fora do país, - o sistema capitalista é dirigido por uma elite mais forte que o Governo. O mandato de Obama comprova este fato e o assassinato de Kennedy e de Lincoln registraram esta verdade.

O mundo globalizado, com esta crise do sistema capitalista e com a vitória da estratégia socialista de investir no desenvolvimento de toda a sociedade e não apenas no crescimento da riqueza monopolizada pelas elites, abre um novo caminho onde os preconceitos não têm lugar e as mentiras históricas são crimes contra a humanidade. Será necessário falar e escrever com clareza para que a população que mergulha a vida na realidade possa contribuir com a sua sabedoria e para que as elites que têm privilégios culturais não utilizem falsas teorias para dar crédito, como esmola, enganando a iludida classe média que pretende evoluir por si sem a solidariedade com todo o povo e a regulação institucional fiscalizada pelo Estado.


* Publicado no Vermelho