Escrevo, comento, opino, analiso em busca de uma linguagem mais simples e direta, mais compreensível. Assumo as minhas idéias e gosto de discuti-las. Aceito as diferenças e recuso os preconceitos e o autoritarismo. Respeito a vida, a natureza, a humanidade, as culturas e as filosofias coerentes com a paz.
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
Contradições geridas pelo Governo e pelas organizações de massa
Vivemos um momento de aproximação política em torno de um conceito de democracia que tem sido salutar no combate aos preconceitos, sobretudo raciais, contra as mulheres, os idosos, as crianças, os homossexuais e os portadores de necessidades físicas. Somam-se as vozes de professores de economia e política, que sempre defenderam o sistema capitalista, afirmando ser a democracia, a única saída para a crise. Agora citam Marx como autor de um método de análise insuperável apesar de continuarem anti-comunistas como sempre foram. Substituem a referência ao proletariado, para considerarem o cidadão e não o trabalhador. É uma formula social-democrata que abre caminho para alianças sem supor a luta de classes.
O Brasil tem investido exemplarmente na formação de uma nova consciência de cidadania comprometida com a defesa intransigente de direitos iguais na inclusão social. Tanto os programas de ação política emanados do Governo, como as ações concretas organizadas pela participação popular e militante que se multiplicam na base formando cursos para jovens nas favelas, cooperativas de artesãos rurais, micro-empresas nas periferias das grandes cidades, grupos de músicos ou esporte para atraírem meninos de rua para uma função social, e tantas outras formas de organização que levam os brasileiros antes marginalizados a fazerem parte do povo com consciência dos seus direitos de cidadão, convergem no sentido da inserção nacional e do desenvolvimento.
Governo e movimentos de base, no Brasil, são dois pólos com o mesmo objetivo, ambos sabendo que a distribuição de renda ainda favorece uma elite que acumula riquezas, defende a propriedade privada e os seus negócios voltados para o lucro, a competição com os seus pares nacionais ou estrangeiros e controlam o sistema financeiro aliados aos seus parceiros multinacionais. Ambos sabem que o sistema é capitalista, subordinado ao grande capital, e que há um grande caminho a ser feito com alianças para superar a miséria e o atraso que em cinco séculos negou a cidadania à maioria dos brasileiros.
A partir de um movimento militante, de várias tendências políticas, essas ideias humanistas, de levar a democracia à prática em todos os momentos da vida social, foram produzindo os melhores agentes formadores que encontraram nas organizações de comunidades e municípios, onde existiram condições democráticas mesmo durante a ditadura e sob governos que ignoraram as necessidades populares de desenvolvimento, condições para semearem o caminho que foi adotado pelo Governo brasileiro desde 2002. Hoje, através dos programas televisivos NBR, Escola e Saúde, Senado, Câmara e Justiça, qualquer pessoa pode reconhecer que o atendimento social no Brasil está sendo trabalhado a partir de princípios democráticos que humanizam a prestação dos serviços públicos em todo o território brasileiro, enfrentando a enorme diversidade geográfica e cultural que caracteriza as populações locais.
A implantação desta nova tendência histórica, democrática, depende do compromisso de todas as forças sociais que, naturalmente, apresentam pontos de vista diferentes devido aos seus interesses sociais e políticos específicos. Coincide com o despertar de vários grandes empresários para os riscos de destruição da natureza e das populações que fornecem ou consomem os seus produtos, anulando o mítico poder do "mercado livre". A crise do sistema clarificou para muito empresários que as multinacionais devoram os parceiros mais fracos e que a sua produção depende dos trabalhadores preparados e alimentados e de populações com poder aquisitivo para dinamizarem o consumo. Um Estado com instituições organizadas, que vence a miséria do seu povo e defende a independência e autonomia da Nação, é um esteio para a sua consolidação e a única defesa contra os abusos imperialistas. Descobrem que a cidadania cerra fileiras e que o nacionalismo fortalece os laços patrióticos em todo o território brasileiro. A conjunção dos valores humanistas, cidadãos, ecológicos, uniu os brasileiros ricos e pobres que têm em mira a produção e o trabalho para garantir a independência.
Orgulhosos do seu espírito realista e prático, os empresários de sucesso, sem aceitar a ideologia que considera em primeiro plano a sobrevivência e o desenvolvimento do ser humano, recomendam ao Governo (como fez Jorge Gerdau, grande proprietário de empresas siderúrgicas) aperfeiçoar a gestão dos serviços públicos e a educação da população tendo em vista o aumento da produtividade que concorre com os demais países. O seu apoio e as recomendações que faz para que o Brasil tenha uma governança competente, são de grande valia apesar de circunscrever o seu ponto de vista aos objetivos empresariais da produção econômica. O seu êxito empresarial ensina métodos úteis "para fazer mais com menos" , como disse.
O mesmo fenômeno - de utilizar um conceito importante para a evolução social como uma forma de degrau para aperfeiçoar o sistema capitalista, ou como máscara populista quando há ambição eleitoral - ocorre com a apregoada defesa da natureza que hoje se expande mundialmente. Há empresários que honestamente percebem a importância da economia sustentada cujos interesses estão ligados indissoluvelmente com a sobrevivência do planeta, enquanto que outros não se inibem de usar a propaganda enganosa de produtos que recebem um atestado falso de "ecológico".
Nos Estados Unidos surgiu uma séria denúncia contra o "green washing", divulgada por Bret Malley que integra um conjunto de profissionais ligados ao setor da comunicação, que tem feito um trabalho de denúncia dos crimes políticos cometidos dentro do sistema no seu pais. A TV globonews, com a vela que acende a Deus, acaba de divulgar ("Cidades e Soluções" 03/09/12) a denúncia feita por Malley e as analises que já são feitas no Brasil apontando as empresas que se dizem falsamente "verdes" e são fiscalizadas pelo CONAR que classifica a fraude como "propaganda enganosa". Assim, separam, entre os empresários, os que realmente defendem o planeta dos que cuidam apenas dos seus bolsos.
Governança e gestão têm diferentes responsabilidades
O uso dos conceitos, tanto de valor democrático como de ecológico, merece ser aprofundado para distinguir os que têm a intenção da fraude (como mostra Malley em entrevistas com empresários que compram falsos certificados para tornar "verdes" os seus produtos nocivos), dos que acreditam honestamente nas qualidades anunciadas. No caso da democracia não é possível uma análise física comprovativa da inadequação do método proposto para a sua viabilização quando a intenção é enganar. As divergências são demonstradas com recurso a informações históricas complexas e controversas, fundamentadas ideologicamente.
Este conhecimento, da organização do trabalho e da gestão de recursos, recomendado por Gerdau, faz parte da cultura dos povos, sobretudo na vida rural e comunitária tradicional, sem o que os seres humanos não teriam sobrevivido com as tremendas carências que sempre os cercou. A vida urbana e o poder dos mercados, de trabalho e de consumo, apresentados paternalísticamente como generosidade das elites, é que diluiu esta percepção dos indivíduos que esperam que as estruturas, empresariais e do Estado, assegurem a sua formação e a organização da sua vida. Na vida doméstica e mesmo nas brincadeiras das crianças a disciplina da organização e a gestão dos recursos é essencial para a sua continuidade.
Ao nível de políticas sociais sob um regime democrático, a organização e gestão familiar ou empresarial combatem as angústias geradas pelo consumismo, ensinam o caminho da reciclagem e da poupança para a criação de novos meios de produção e da investigação que anima a criatividade. Tais ensinamentos deverão estar no conteúdo de todos os níveis da educação escolar e cidadã.
Um empresário que não reduz o seu pensamento à busca apenas do lucro, que "tem uma utopia", como afirmou Gerdau no Forum de Políticas Públicas organizado pelo Governo Dilma, tem o ponto de vista de uma elite, necessariamente conservador do seu status, mas mantendo "uma inconformidade que promove o desenvolvimento". Será parceiro de programas democráticos eficientes que beneficiem a formação de profissionais que têm por meta a excelência na produção.
Mas, gestão empresarial, por mais democrática que seja, não é equivalente à da governação nacional. O conceito de democracia não se reduz à busca da eficiência do trabalho, há outras preocupações de um Governo que ultrapassam a meta do desenvolvimento econômico, principalmente em um país que sofreu atrasos no seu desenvolvimento por mais de quinhentos anos de exploração por forças externas, colonialistas e imperialistas. Tem objetivos militantes que apontam um ideal a ser construído.
Os empresários não incluem nas suas preocupações com a educação a solução de problemas comuns a uma família que sobrevive com salário mínimo ou pouco mais, carências alimentares, de roupas adequadas, de condições de habitação, de acesso a tratamentos médicos, à formação cultural, ao lazer, ao respeito social por uma elite egoísta e exploradora que usa os mais pobres como escravos. E todos estes problemas e muitos mais, terão de ser resolvidos ao mesmo tempo em que se organiza o Estado com capacidade de gestão e consciência de cidadania. Os que defendem um sistema democrático, tendo pontos de vista diferentes, conforme as condições em que vivem e os objetivos imediatos das suas tarefas produtivas, deixam de perceber as contradições que o enunciado vago do conceito de democracia, assim como de ecológico, encerra.
Os programas de educação de base desvendam contradições ainda existentes nas políticas públicas do Governo que precisam ser discutidas na sociedade democrática. Assim é o estímulo ao consumismo popular, com a oferta de créditos facilitados e redução de impostos para escoar os produtos comercializados (por exemplo a venda de carros e da linha branca de eletrodomésticos em 2012), que o próprio Ministério da Fazenda lançou. Os pedagogos e psicólogos vêm o consumismo como uma forma de vício derivado de ansiedade patológica que merece tratamento médico-social para que o indivíduo não perca o seu auto-controle pondo em risco a gestão dos seus recursos e o sacrifício de escolhas mais importantes para a sua vida. Este é apenas um dos muitos exemplos de contradição.
As contradições em todos os serviços públicos institucionalizados estão sendo apontadas pelos movimentos sociais e os estudiosos das matérias específicas, para que sejam encontradas soluções que não recaiam sobre as camadas mais pobres da população. No âmbito judicial são reconhecidas as contradições entre leis (cuja vigência é as torna negativas hoje) que nasceram em outros contextos históricos, quando não existia a exigência da democracia apresentada pela sociedade. Em todos os níveis do sistema judicial assistimos ao permanente debate fundamentado no texto da Constituição de 1988 considerado o mais avançado em defesa da cidadania e da democracia.
No setor da Saúde são debatidas as recomendações médicas que confrontam bloqueios sociais presos aos preconceitos culturais ou às pressões internacionais da indústria de medicamentos. A Previdência Nacional carrega ainda leis absolutamente injustas (como a do "fator previdenciário") que penaliza na aposentadoria os trabalhadores que trabalharam algum tempo em outros países) determinadas por Governos anteriores que retiraram abusivamente aos idosos os recursos que destinavam a outros fins.
O papel dos movimentos sociais
As editoras e todo o sistema midiático procuram mostrar que nesta fase em que todos precisam de um sistema democrático, por um passe de mágica tornamo-nos irmãos, não há luta de classes, a classe média absorveu a antiga pobreza. As poderosas contradições desaparecem sob o título da cidadania brasileira que canta as mesmas músicas e luta pelo desenvolvimento nacional. Mas a realidade no dia a dia divide os interesses mais profundos, a distribuição de renda é absurdamente injusta, a propriedade privada determina a importância social de cada cidadão e a capacidade de acumular riquezas, e os cidadãos "de sorte" defendem com unhas e dentes o seu poder na sociedade (tal como antes, quando era a burguesia e o proletariado). Mudam-se os nomes, mas a realidade nua e crua quem conhece é o povo e as suas organizações de luta: os sindicatos, as associações de mulheres, de etnias, de deficientes físicos, de trabalhadores sem terra, de moradores sem teto, de estudantes, de profissionais, de desempregados, de pequenos camponeses, de artesãos, de todos os setores que são prejudicados pela ganância dos ricos organizados como elite.
Com as repetidas crises mundiais do sistema capitalista e a queda da União Soviética - que chegou a constituir uma potência socialista e serviu de suporte a um formidável movimento internacional pela democracia -, hoje predominam as teorias econômicas que procuram equilibrar a eficiência empresarial do capitalismo com as conquistas sociais do socialismo adotadas pela ideologia social democrata. No interessante livro "O Universo Neoliberal em Desencanto", de J.Carlos de Assis e Francisco A. Dória, é referida a importância do método de Marx - a dialética - seu método, explica que a marcha da história é uma sucessão progressiva de conflitos e sínteses no mundo real, refletida no mundo das ideias, algo tão certo quanto o mundo que se desenrola diante de nós". O autor não adota a ideologia de Marx e diz: "mesmo depois de anos e décadas em que gastei quilos de papel e de saliva criticando o imperialismo norte-americano" hoje recomendo aos formuladores de políticas: "alinhem-se, pelo menos quanto ao aspecto fiscal, à política norte-americana comandada pela ala progressista do Partido Democrata contra a Europa".
Diverge da meta comunista apontada por Marx, e implantada por Lenin no sistema de produção socialista que sobreviveu por 80 anos tornando-se uma potência mundial que fez face ao poder imperialista mundial enquanto deu apoio a todos os movimentos democráticos (contra preconceitos e no respeito pela igualdade racial, de mulheres, de classe social, e as lutas pela independência nos países dominados pelo colonialismo). O autor defende uma forma de capitalismo (ainda utópica) "uma política econômica sob o comando da cidadania ampliada, é fundamental para o progresso econômico justo e a paz social".
Diante do caos planetário anunciado pelos defensores da natureza e da falência visível do sistema financeiro nos países mais ricos (cujos Governos oscilam entre as tendências social democrata e a de direita), e ao som dos bombardeios sobre uma série de nações árabes apoiados pelos responsáveis mundiais pelo sistema capitalista, cabe aos povos refletir sobre as metas mais seguras para toda a população, a iluminarem as decisões concretas a serem tomadas, eliminando necessariamente as contradições objetivas que constituem obstáculos ao processo de desenvolvimento democrático das sociedades. Defender o êxito da produção, dentro do princípio democrático universal, implica em criar simultaneamente condições sociais igualitárias para os trabalhadores e suas famílias sobreviverem formando-se profissionalmente e exercendo a sua cidadania.
O olhar da elite, à qual Gerdau reconhece pertencer, idealiza a condição de vida do trabalhador ou é míope devido à distância em que se situa em relação à realidade nacional. Investir na formação dos trabalhadores brasileiros obriga a criar condições de vida para ser efetivamente um gesto de solidariedade, base da democracia, e não apenas uma operação empresarial de modernização dos meios de produção.
As organizações de massa não podem ficar à espera dos projetos nacionais elaborados ou financiados pela elite financeira. Devem apresentar os seus, fundamentados pelo conhecimento da realidade concreta e com a responsabilidade que exigem ao Governo para alcançar as condições de viabilidade e de equilíbrio face as necessidades nacionais de produção, trabalho, formação, desenvolvimento. Como diz Manuel Carvalho da Silva ex-dirigente da CGTP-Intersindical em Portugal e hoje professor universitário e investigador na área de Sociologia e Ciências da Educação, " os sindicatos têm novos desafios, sobretudo ligados ao tempo de trabalho, aos salários, à segurança e estabilidade, e à contratação coletiva"... que "foi o instrumento de trabalho mais útil e eficaz na distribuição da riqueza na segunda metade do século XX e hoje está a ser posta em causa". Podemos pensar que, em um área específica do trabalho rural, a reforme agrária, também impõem-se desafios como aos sindicatos, relativos ao trabalho, e mais: à organização da produção tendo em vista o mercado nacional e internacional, como base do seu projeto que reivindica terras disponíveis que o Estado pode destinar à produção necessária ao país.
Zillah Branco
terça-feira, 9 de outubro de 2012
Desserviço ao Judiciário revela o poder midiático
Portal Vermelho, 07/10/12
Não sobram dúvidas de que o "mensalão", apregoado como "o julgamento do século"
pela midia, foi um golpe político com objetivos eleitorais imediatos. O mais triste resultado
do evento que substituiu programas televisivos durante mais de um mês, foi a quebra da
confiança cidadã na Justiça e na estrutura superior do sistema judiciário no Brasil.
Recolhendo opiniões populares percebe-se a surpresa com a visível intenção política de
juízes que, antes de desvendarem (como em uma novela cansativa) as suas fragilidades
humanas e o aparato antiquado e de formalismo que soa como falsidade, eram
considerados como verdadeiros sábios capazes da necessária imparcialidade para não se
deixarem contaminar (corromper) pelas mazelas dos simples viventes. A decepção foi
agravada pela indignação com os altos salários e privilégios, financeiros e sócio-políticos,
extraídos de uma Nação que ainda usufrui da miséria da maioria dos cidadãos.
"Talvez seja o momento de se rever este terceiro poder que está totalmente do lado de fora
do sistema democrático brasileiro", diz um idoso, e "integrar o sistema judiciário no
serviço público onde faz falta para adequar as leis às realidades". Temos encontrado
promotores e mesmo juízes que constroem caminhos democráticos para combater os
crimes e apoiar os cidadãos nas dificuldades burocráticas que emperram as soluções
justas no relacionamento com as instituições. São a versão progressista do sistema
judiciário que, devagar, chega a organismos superiores como o CSJ e a Polícia Federal
que estão ao alcance, e sintonizados com as necessidades, do cidadão comum.
A distância que a elite cria com os seus privilégios e um padrão de comportamento
rebuscado é um invencível obstáculo aos programas de democratização da sociedade. O
conceito de "justiça" é compreendido por qualquer cidadão interessado, mesmo que não
tenha tido a oportunidade de fazer cursos escolares e de conhecer o jargão jurídico. O
povo suporta as injustiças criadas históricamente pela oligarquia dominante desde que
possa acreditar que os poderes políticos trabalham para superá-las. Depois de assistir a
exibição midiática a que se prestou o STJ, em que condenou militantes do PT (vitimados
pelas condições do sistema político criado pela elite brasileira há dezenas de anos) como
se fossem corruptos, perdeu a confiança nos juízes que, afinal, fizeram o jogo da
oposição em período eleitoral.
Que justiça é essa alheia aos verdadeiros problemas que empobrecem milhôes de
brasileiros sem moradia, sem atendimento médico suficiente, com creches e escolas
precárias para os filhos, sem as infra-estruturas necessárias para assegurar a higiene e a
segurança pública, com a ameaça permanente de agressões e acidentes nas ruas, com
salários, bolsas ou pensões insuficientes, e que mesmo assim acreditam e apoiam os
programas governamentais que abrem um caminho democrático que oferecerá um futuro
melhor para os seus filhos?
Este povo dá lições de solidariedade e de construção de justiça social. Não exibe o seu
saber através da mídia, não exige pagamentos de cinquenta vezes o salário mínimo e
mais ajudas de custo, tem paciência e aguenta o sacrifício para superar os erros da elite
cometidos em séculos de desmandos até que seja instaurada a democracia no Brasil, não
confunde militantes que lutam sujeitando-se às condições criadas pelas oligarquias com
os banais corruptos, nem soldados com assassinos, sabe que atravessamos um
momento difícil de luta por mudanças decisivas pela independência nacional e o
desenvolvimento da população, tem consciência de cidadania, por isso constrói um futuro
melhor para os brasileiros.
* Zillah Branco é socióloga, militante comunista e colaboradora do Vermelho
domingo, 23 de setembro de 2012
Ping-pong da responsabilidade pela educação
23 DE SETEMBRO DE 2012 - 10H31
Zilah Branco: Pingue-pongue da responsabilidade pela educação
Os atos de violência de jovens nas escolas se sucedem como uma onda nova de comportamento social descontrolado entre estudantes considerados normais. Os pais culpam as escolas e os professores "que não educam" e os responsáveis pela educação atiram as "culpas" para o Estado e o governo "que não cria condições adequadas para evitar vandalismos e proteção policial", mas também para as famílias "que não educam nem controlam os filhos".
Por Zillah Branco*, especial para o Vermelho
Trata-se de um pingue-pongue absolutamente irresponsável enquanto a juventude é vista como uma peteca em uma sociedade caótica onde ninguém quer assumir a responsabilidade vista como "culpa".
Em primeiro lugar, será interessante discutir alguns conceitos de origem cultural-religiosa muito repetidos em uma análise "paternalista" das questões sociais. A "culpa"corresponde a um "juízo moral" dos que estão em uma situação "superior" à população em geral e aos seus filhos e "dependentes familiares".
Não há "culpas", mas sim responsabilidade humana e social. Não se pode falar na responsabilidade familiar sem referir as instituições disponíveis no Estado e coordenadas pelos poderes políticos - Executivo, Legislativo e Judiciário -, que organizam a sociedade e apoiam os cidadãos e suas famílias.
E os poderes - Executivo e Legislativo - são formados pela via das eleições democráticas que depende do voto do cidadão adulto.
A democracia deveria abranger também o terceiro poder, Judiciário, e garantir aos cidadãos a capacidade de escolha dos seus candidatos sem fazer uso de recursos promocionais (de altíssimo custo financeiro que onera os recursos públicos) e não informam com isenção sobre os reais compromissos do candidato. Mas isto ainda não acontece, o que limita a educação social dos cidadãos e reforça o poder da elite que é mais organizada e dispõe de propriedades, recursos financeiros e acesso às técnicas e instrumentos de informação.
Diante deste quadro, as reações individuais aos problemas sociais dividem-se em dois campos: o dos conservadores que são beneficiados e dos submissos que desanimam diante da necessidade de mudar a situação social, por um lado; e dos que trabalham por mudanças onde a democracia é a referência fundamental, buscando informação e formação para participar com determinação. A formação cívica será decorrente dos passos deste segundo lado. Entre os descontentes, principalmente os mais jovens, muitos resolvem agir pessoalmente e com as suas forças para impor as mudanças.
Frequentemente é detonada a violência entre os dois lados. A responsabilidade por tais ações voluntaristas é da situação social onde a democracia não foi implantada devidamente.
Começar por onde? Não há uma ponta inicial, o processo de mudança depende de todos os participantes. O lado conservador sofreu dois abalos no seu antigo poder: os atuais poderes governamentais receberam elementos não conservadores e apresentaram programas de mudança democrática para as instituições do Estado e, a nível internacional, o sistema capitalista sofre uma profunda crise que só será superada se aceitar a democracia como base de atuação.
Objetivamente estamos perante o caos que abre a possibilidade de mudança. Deixemos de lado a ideia de "punir os culpados" e vamos promover a participação dos cidadãos e a colaboração entre todos os que desejam realmente a democracia.
Os que agem ao nível das famílias vão perceber que a criança ao nascer encontra uma mãe em luta pela sua emancipação para não ser dominada pela velha cultura machista. Mas não há estrutura de apoio para esta mãe tornar-se uma educadora. Ela não tem tempo para se dedicar maternalmente ao filho e recorre às fórmulas de "compra" do sorriso da criança (que se tornará manhosa e exigente, em consequência, e angustiada como se fosse órfã). O pai, privado das condições do machismo que liberavam o homem das tarefas domésticas e de criação dos filhos, perde também a sua autoconfiança baseada no poder.
A família hoje está desestruturada pela mudança cultural da sociedade e não pode solucionar os problemas que enfrenta, sem o apoio institucional e coletivo que a sociedade cria. A disciplina, como instrumento de equilíbrio, deixou de ser considerada com a quebra dos valores conservadores, tanto nas famílias como na sociedade em geral.
Os poderes políticos que coordenam o Estado têm a função de legitimar a disciplina para garantir a segurança pública e a liberdade de crescimento saudável das crianças e jovens. Impedir os abusos e imposições dos que se consideram "superiores" não se confunde com autoritarismo nem com o paternalismo dos conservadores que protegem os "inferiores", pois é a defesa da democracia que assegura a liberdade de todos e não de uma elite.
É na educação coletiva da creche que a criança começa a ser educada. Ali existe uma disciplina que é comum para todos e aparece como um recurso para gerir o tempo e os recursos e não como um privilégio de alguns ou uma limitação ao que cada criança deseja. Mas há poucas creches no país, faltam estruturas e a formação profissional é deficiente em todo o país.
Com os mesmos problemas educativos e sociais segue o sistema escolar, o que vai ser agravado pela educação e cultura veiculados pela mídia sem qualquer controle democrático e institucional. Existem sérias contradições entre a educação transmitida pela mídia, a publicidade, os eventos culturais, os abusos da elite poderosa, e a orientação pedagógica do sistema escolar. A criminalidade crescente nas ruas cerca a juventude nas escolas, criando a necessidade da defesa civil fora dos muros da escola e também dentro, entre os alunos.
O atual governo prossegue a criação de uma política pública de educação e a criação de uma rede escolar. Grandes passos foram dados com a implantação da alimentação e com a compreensão holística da educação ligada ao esporte e ao ambiente. Os temas das aulas conduzem à consciência de cidadania, portanto ao civismo. A distância que ainda existe entre uma riquíssima base pedagógica que no Brasil foi legada por brilhantes educadores desde o início do século 20 (Lourenço Filho, Anísio Teixeira, Paulo Freire e tantos outros) e a implantação de uma moderna política educacional em todo o território
nacional, depende da participação dos cidadãos e da interligação entre todos os níveis administrativos e dos três poderes nacionais.
O processo de democratização de um país não está isolado no mundo. A luta travada pela população brasileira passa pela defesa em relação às ameaças externas que estão presentes nos meios de informação, como no aprendizado diante da realidade de outros povos. O cidadão forma-se politicamente fortalecendo a solidariedade que faz parte do civismo.
A violência como moda internacional
A falta de estabilidade familiar e social cria o ambiente propício para a formação da criança individualista, fechada em si, egoísta por não reconhecer o outro como seu complemento na vida. Estas características coincidem com o estímulo do sistema capitalista no indivíduo, na elite, na apropriação dos recursos naturais, na escravização da população mediante a diferenciação de renda, na criação de corporações e multinacionais poderosas cujo poder é maior que o do Estado.
Solitária no seu casulo antissocial, a criança elabora uma personalidade agressiva e violenta que vai se espelhar no modelo de força mundial que predomina nos jogos, vídeos, músicas, novelas, cenários de guerra, notícias de invasões, políticas terroristas e toda uma forma publicitária de ameaças de vírus e doenças para subordinar as pessoas aos produtos defensivos oferecidos pelos donos do poder planetário.
Qualquer pessoa capaz de observar com afeto uma criança no seu desenvolvimento percebe a necessidade urgente de lutar pela sua defesa.
Desde a primeira infância ela está exposta ao egoísmo de adultos que a tratam como objeto lúdico sem qualquer preocupação com os efeitos das suas atitudes sobre a saúde física e mental do bebê. O comportamento será o reflexo deste "uso" feito pelo adulto que, quando se desinteressa do jogo exerce autoridade para inibir respostas e lágrimas.
A sociedade, através das imagens transmitidas repete o modelo onde os heróis (que se identificam com os primeiros adultos que despertaram o seu amor e medo) comandam os mais fracos. Nas escolas os adolescentes se confrontam diretamente com a situação que define a humanidade dividida em superiores e fortes ou inferiores e fracos. As duas opções deformam psicologicamente o ser humano e deixam a violência como solução de sobrevivência.
A alteração social desse comportamento destrutivo que se consolida na cultura nacional exige a interação institucional e a participação cidadã para aplicar uma política educacional amplamente analisada à luz dos princípios éticos democráticos que a pedagogia encerra. Os meios de informação devem assumir as suas responsabilidades para corroborar como instrumento de cidadania. O entendimento da liberdade de expressão supõe bom senso e respeito pela sociedade com seus valores e políticas educacionais. Os temas impactantes, como, por exemplo, os de promoção do herói-vilão, não devem estar ao alcance das crianças como espectadoras, apesar da sua importância como reveladores de uma realidade. Assim como as críticas a posições religiosas ou características culturais de seitas e setores raciais, não devem ser divulgadas como formas de preconceitos e armas políticas de conflito social.
A elaboração de imagens e textos que respeitem os princípios estabelecidos a nível nacional enfrentará contradições com a violência dominante no palco internacional onde atua o império agressor sobre povos enfraquecidos pela miséria e infiltrações criminosas.
Socióloga, militante comunista e colaboradora do Vermelho
terça-feira, 11 de setembro de 2012
Datas marcadas pelas forças do imperialismo
Estava com meus filhos em Santiago do Chile há 39 anos atrás, quando o navio norte-americano que transportava uma "orquestra militar" e aportara em Valparaiso, revelou-se como base da CIA que apoiava o golpe de Pinochet. A primavera chilena, que era anunciada pelo florescimento das amendoeiras em toda a cidade, foi abafada por um dia cinzento fechando as suas flores. A população chilena, que construía a democracia com Allende, teve as suas esperanças esmagadas.
Sob o cruzamento de bombas descarregadas sobre o Palácio de la Moneda e a residência de Allende, agarrei-me aos meus filhos com a força do instinto materno diante da perda do socorro humano. A violência da invasão terrorista daquela sociedade humanista e valorosa assemelhou-se ao grande terremoto que um ano antes nos havia deixado com a mesma sensação de desamparo absoluto. Uma criança de 10 anos perguntou: "Matam a esquerda na América Latina?" Respondi como educadora apesar de estar gelada de medo: "Não, meu filho, os povos latino-americanos vão expulsar o imperialismo".
A luta continua, agregando novos contingentes sociais. A destruição de populações que sobrevivem à miséria com a esperança de militantes dos movimentos pela paz e pela liberdade do ser humano espalhou-se por todo o mundo condenando à morte a natureza planetária. Hoje, a defesa da democracia, assim como da natureza, penetra a consciência política de setores mais ricos da sociedade que percebem a necessidade de dividir os seus lucros empresariais com a salvação e educação da humanidade trabalhadora.
Em outro dia 11 de Setembro, no ano de 2001, as forças terroristas do Império usaram como alvo da sua escalada as Torres Gêmeas de Nova Yorque. O objetivo seria destruir o caminho democrático que penetrou na consciência da nova geração de empresários que acordam para a necessidade de respeito pelo planeta e pela humanidade? Se foi, não conseguiu impedir que as crises do sistema continuassem a esclarecer a elite que começa a perceber que se a sua classe continuar como parasita na sociedade estará condenada a afundar no desastre planetário sem utilizar os seus recursos acumulados e o seu conhecimento para criar soluções para a humanidade da qual faz parte.
A evolução do pensamento da elite passa pela subordinação cultural que têm em relação ao mercado e às ferramentas que alteram o seu comportamento - como, por exemplo, a publicidade e a grande mídia. É diferente da maneira como os trabalhadores vêm o caminho do desenvolvimento a partir da produção e a formação que liberta a inteligência e a criatividade.
A elite mais progressista hoje usa modelos que "impactam" a sociedade de modo global. As formulas que os idealistas, filósofos e revolucionários sempre incentivaram - solidariedade, trabalho voluntário, cooperação, criação de recursos de vida saudável para os mais pobres - passam a ser considerados como não prejudiciais aos princípios do lucro empresarial. É um grande passo para um estrato social anteriormente parasita e predador do planeta com a sua humanidade.
domingo, 9 de setembro de 2012
Realidade e esperança ou ficção alienante
9 DE SETEMBRO DE 2012 - 9H08
Informação sobre realidade e esperança com participação popular
As grandes empresas midiáticas combatem a censura e defendem, como sua, a liberdade de expressão. O que isto acoberta é a censura que fazem às informações que contrariam seus interesses políticos, negando a liberdade de expressão aos que não caem em suas graças. Essas empresas dominam os meios de informação social que atingem a maioria dos cidadãos brasileiros e formam a opinião pública que se mantém subordinada aos interesses políticos da velha elite.
Por Zillah Branco*
Um exemplo recente foi, depois da divulgação massiva, e repetida anos a fio até à exaustão, de um tanque chinês ameaçando um estudante que protestava na Praça Tienamem, apenas deu uma rápida imagem de um trator de Israel que matou em agosto de 2012, uma jovem norte-americana que protestava contra a destruição de casas palestinas.
No Brasil pode-se fazer uma experiência saudável substituindo na TV, durante uma semana, os canais da grande mídia considerada informativa, pelos canais abertos NBR, Brasil, Escola, Senado, Câmara e Justiça. O efeito é o de um tratamento rápido de desintoxicação mental, como os SPAs vendem, para higienização cerebral. O bem estar imediato é propiciado pela ausência das promoções dos produtos e ideias dos senhores do mercado, e o desfilar de crimes e acidentes que animam o que a mídia considera ser o noticiário.
Ficamos livres de uma pressão diária que neurotiza a população com o medo de sair à rua. Esta tensão amedrontadora desperta, em quem sofre de algum desequilíbrio mental, a vontade de revidar com violência. O número de atos de loucura nas ruas são crescentes no Brasil, tal como já era nos Estados Unidos.
Longe da fabricação da neurose coletiva reduz-se o acumulo perverso de informações indevidas e mal orientadas - uma espécie de celulite cerebral - que imperceptivelmente vamos assimilando com a ficção da realidade nacional transmitida pela mídia interessada em mostrar o encanto de uma classe social que, do alto da sua riqueza, não conhece as necessidades de sobrevivência que o povo suporta; que paga para ser servida dentro e fora da própria casa evitando pensar e cumprir tarefas "menores" diariamente; que contrata médicos famosos e tecnologias avançadas para tratar qualquer doença; que não toma chuva carregando a criança e mais os pacotes com as compras do supermercado; que dispõem de transporte aéreo para não se sujeitar ao trânsito quando vai gozar dias de férias em mansões de veraneio ou hotéis de luxo; que não se preocupa com a "baixa" que o INSS deve dar por dias de trabalho perdidos quando adoece; enfim, este rol de tragédias que compõem a vida de quem trabalha para viver e dar de comer à família.
Assistimos, na TV bem orientada, a descrição dos problemas reais e concretos que a maioria esmagadora dos brasileiros suporta - seca que destrói as lavouras e mata o gado, desaparecimento das fontes de água potável, intempéries que derrubam as casas matando e ferindo famílias inteiras, distâncias que impedem as crianças de frequentarem a escola e a família ser vacinada ou tratada no Posto de Saúde, desemprego, analfabetismo, desconhecimento dos direitos de cidadania, e por aí vai que a lista é enorme.
Mas também vemos que o Governo já criou soluções para todos os problemas e está tirando da miséria os milhões de brasileiros que foram sacrificados para que uma elite seja rica e parasita, que os jovens das escolas públicas concorrem à olimpíada de matemática e vários milhares têm alcançado medalhas de bronze, prata e ouro todos os anos e recebem bolsas para fazerem os cursos universitários nacionais e internacionais, que médicos discutem como melhorar o atendimento à saúde pública e vencer as imposições comerciais de medicamentos pela indústria farmacêutica, que os professores do Brasil inteiro recebe apoio direto da TV Escola para preparar as suas aulas com informações sobre todas as matérias sempre atualizadas, que os projetos de desenvolvimento estão sendo levados pela Secretaria de Defesa Civil a todas as Prefeituras para que sejam resolvidos os problemas estruturais de todas as comunidades brasileiras, e que estão sendo aperfeiçoados os serviços públicos para que cada cidadão seja ouvido e apoiado na sua solicitação sem a secura e o desinteresse com que antes era recebido por alguém que parecia estar fazendo um favor e perdendo o seu precioso
tempo.
Essa é uma informação imparcial, verdadeira, tanto dos problemas existentes como da forma proposta de superação.
Todas essas matérias são apresentadas de maneira interessante e, como se trata da realidade que conhecemos e queremos conhecer, relatadas de maneira simples que toda a família compreende, a televisão torna-se uma utilidade e não um vício alienante como a da grande mídia. Há programas infantis, juvenis, artísticos e culturais que distraem e informam animando a criatividade da nossa gente e libertando a formação cultural dos brasileiros.
Comparando as "duas realidades" informadas, que correspondem às dos "dois brasis", percebe-se com clareza a diferença de cultura e de intenções entre os governantes que lutam pelo desenvolvimento do país e pelo atendimento público da maioria esmagadora dos brasileiros, e os "formadores de opinião pública" com a criação de ilusões sobre a facilidade na ascensão social pela via do consumismo e da quebra dos valores humanos, e com a seleção da criminalidade como panorama dominante na sociedade.
O sociólogo norte americano Richard Sennett, autor de "Trabalho e Cooperação no Capitalismo Moderno", refere o despertar da sua intuição em 1996 para a crise do sistema, quando em Davos assistiu às discussões entre os financistas (que diziam "porque discutir por causa de um bilhão de dólares?") que eram considerados pelos políticos mundiais como "gurus" na orientação dos governantes. Para eles a realidade era representada pelos "bilionários" e não pelas nações e seus povos.
Os critérios financistas criados pelo neoliberalismo, que conduziram o sistema ao "Estado Mínimo" e ao poder das corporações, está no cerne da destruição planetária da natureza e dos valores humanos dos povos.
Onde está a liberdade de expressão: no retrato da realidade com seus problemas reais que o Governo enfrenta ou na ficção novelística que ressalta os crimes que assolam as sociedades onde a saída é individual pela via da minoritária elite?
Que formação mental e cultural está sendo oferecida aos cidadãos brasileiros e, principalmente, às crianças e jovens que estão formando a sua personalidade?
Na defesa da liberdade de expressão - ficções sociais e falsear a realidade nacional sem mostrar os passos dos governantes que inspiram confiança na construção de um Brasil desenvolvido e humanizado com a implantação da democracia nas instituições e no processo educacional -, a mídia comete um crime que deve ser analisado urgentemente.
Para mascarar a responsabilidade por fragilizar a sociedade e o Estado, a grande mídia contrata bons profissionais para apresentar fatias da realidade onde são destacados os talentos e a criatividade de alguns brasileiros que serão apoiados por créditos bancários para terem êxito no mercado "livre". A ideia de benefício coletivo vai apenas até uma cooperativa, quase sempre coordenada por uma organização maior, mas não se expande pela sociedade como semente do desenvolvimento nacional.
* Socióloga, militante comunista e colaboradora do Vermelho.
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