A luta permanente pela democracia
A «crença» no enriquecimento facilitado pelas ofertas de crédito fácil espalhou-se pelo mundo para dividir o histórico proletariado que constitui a força de trabalho necessária para manter a produção das nações independentes. Pescados com a isca dos princípios individualistas lançados pela estratégia da elite exploradora, muitos aceitaram as ofertas de empregos precários, com mais status social e menor esforço físico, seguindo os modelos visuais e mentais de um estrato social que esbanja recursos em inutilidades festivas e drogas destruidoras das condições de ser humano.
Os créditos facilitados para criar uma imagem de ascensão à invejada classe média criaram uma distância social em relação aos antigos colegas de trabalho e, aos poucos, levou-os insensivelmente a copiarem o comportamento e os vícios da velha classe média, que nascera de uma nobreza empobrecida e se fixara junto ao poder do Estado graças à formação intelectual e profissional proporcionada pelas conquistas democráticas mundiais da humanidade.
A mentira hoje campeia no mundo globalizado, difundida pelos media e a publicidade paga pelo setor financeiro. Os que trocaram as conquistas históricas das leis trabalhistas e dos princípios democráticos próprios dos que permanecem como a força produtiva nacional, e os valores éticos e humanistas da solidariedade que alimentam a consciência de cidadania, aderem insensivelmente ao oportunismo ganancioso e aos preconceitos de superioridade social discriminatórios. Aceitam a «crença» moderna que desorganiza famílias e associações populares onde é cultivada a filosofia humanista da igualdade e fraternidade.
Entraram de cabeça no consumismo de produtos da moda e das mensagens ideológicas que impregnam a cultura de uma classe dominante. Endividaram-se acreditando que o planeamento e a gestão apregoados pelos media garantiriam uma existência confortável sem as privações que sofreram na infância. Não sabiam que o poder financeiro criara esta ficção como um colchão de ar para se defender das crises do sistema e que lhes lançara uma escada de cordas onde os degraus são «prémios pontuais», corrupção, serviços políticos em troca de votos, promessas e mais promessas.
De um momento para outro, diante da crise, cortam empregos e salários, sobem taxas de crédito e impostos, impõem a austeridade, atiram a classe média na miséria, com o pretexto de salvar a economia nacional como se fosse um ato heroico e patriótico imprescindível. A mentira é moeda corrente para a elite dominante. Desculpada como «segredo de Estado», dá o dito por não dito, cria novas leis, conduz o país a um «regime de exceção» onde tudo fica subordinado aos interesses financeiros dos exploradores. A nova classe média torna-se lumpen sem capacidade de sobreviver como proletários.
Enquanto assistimos a este capítulo da história do sistema capitalista na Europa dominada pela troika – Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional e governos nacionais subordinados – os empresários europeus elogiam, através dos seus media, a «pujança» da economia brasileira que oferece um enorme mercado consumidor de produtos importados! Dizem eles que são «mais de cem milhões da classe média»! De ficção em ficção, abrem caminho para que as empresas multinacionais produzam em Portugal onde a «austeridade» reduziu os salários e acaba com os direitos trabalhistas, e que no Brasil uma classe média que aluga a sua imagem de consumidora abastada através de créditos bancários vai sustentá-las.
As consequências, regidas pelo imperialismo representado hoje pelos dois parceiros – FMI e União Europeia – apontam o precipício: Portugal, e outros países pobres da Europa, substituem a sua produção, raiz do seu desenvolvimento, pela transformação de produtos estrangeiros, e o Brasil (condicionado ainda pelos interesses do grande capital) compra o supérfluo sem investir nas suas forças produtivas, para girar o dinheiro das altas finanças, destruindo a consciência de classe e de cidadania de pobres trabalhadores vestidos de rico. A democracia no Brasil está a ser construída de baixo para cima com a grande vantagem de poder receber o apoio do governo eleito e de setores sociais que defendem uma ideologia democrática nacionalista.
Cresce a solidariedade
Esta realidade, da crise do sistema capitalista, é planetária. Para isto foi destruída a experiência socialista da União Soviética. No entanto, há contradições valiosíssimas para que a luta revolucionária prossiga com êxito: países que resistem mantendo os seus princípios socialistas – China, Cuba, Vietname, Laos e Coreia do Norte – e todos os países em desenvolvimento que afirmam a sua independência negando submissão aos programas imperiais – além dos BRICS, a Venezuela levantada por Hugo Chávez, que abriram caminho para oferecer uma alternativa progressista à catástrofe capitalista. No Brasil foi aberta por Lula uma fase histórica de construção da democracia com a participação popular. Temos assistido nesses 10 anos de ação governativa, segura e corajosa, à resistência férrea a todas as formas de sabotagem interna e pressão externa para impedir a consolidação da democracia por uma oposição que o povo aprendeu a repelir. Este é o caminho fora das «crenças e ilusões» criadas para o imperialismo ver e tirar proveito.
As recentes manifestações populares que denunciam o caótico sistema de transportes públicos herdado dos governos neocapitalistas, ao perceberem que estavam a ser manipulados pelas forças de direita que contratam redes criminosas para provocar acidentes, destruição e mortes com objetivos eleitorais contra o governo Dilma, contaram com a liderança dos partidos e organizações sociais de esquerda que exigiram rigorosos inquéritos para apurar os mandantes dos atos de violência e uma revisão, pelos poderes institucionais, da criação de um sistema de transporte público gratuito para estudantes e trabalhadores. Note-se que em todo o Brasil os idosos estão isentos de pagamento de transportes municipais, o que ainda não acontece na Europa.
Em todos os países da Europa, com a imposição da austeridade que deflagrou a miséria e ameaça liquidar as conquistas dos direitos no trabalho e da democracia nas instituições dos estados, crescem as manifestações populares. Os sindicatos viram-se fortalecidos como organização não só da massa trabalhadora, mas também dos desempregados e dos aposentados e pensionistas que formam as suas respetivas associações. Em uma sequência de marchas de protesto contra as medidas ditatoriais da troika, greves contra o desemprego e a cedência de recursos empresariais a multinacionais, manifestações para reunir toda a população oprimida, surgem novos aderentes vindos de setores antes acomodados na sua condição de classe média estável e até mesmo de igrejas e partidos à direita. Jornalistas dos grandes media filmam e recolhem depoimentos para os seus arquivos que nem sempre são vetados por seus patrões. Os sindicatos da Polícia e as associações de militares, que também fazem manifestações próprias, avisam os governantes que não terão condições de garantir a segurança se as razões de conflito forem insuportáveis.
Por motivos opostos ao dos empresários «exportadores de ilusões», os trabalhadores da Europa acompanham o desenvolvimento das forças democráticas no Brasil e em toda a América Latina. Não cobiçam a situação da nova classe média, consumista e imitadora dos potentados, que hoje aparece como «cem milhões de consumidores» (citado pela TV SIC) mas sim a liberdade democrática que estabeleceu uma relação direta entre todo cidadão que lute por um país melhor e o governo eleito pelo povo.
Reconhecem que esta condição é a única que oferece garantia de que as históricas conquistas dos trabalhadores, como os direitos humanos e a democracia, sejam defendidas incansavelmente. Veem na união entre as nações latino-americanas – Celac, Unasul e Alba – que o objetivo é a solidariedade para que cada uma seja independente e desenvolva com autonomia as suas forças produtivas, não para criar um governo único que comande o poder financeiro – como a União Europeia casada com o Fundo Monetário Internacional dirigido pelos Estados Unidos da América – contra os interesses normais dos povos.
A crise capitalista é planetária, mas a unidade entre os povos trabalhadores também o é, além de ser mais antiga e perene como a humanidade.
Publicado no "avante!" 09/01/14
Escrevo, comento, opino, analiso em busca de uma linguagem mais simples e direta, mais compreensível. Assumo as minhas idéias e gosto de discuti-las. Aceito as diferenças e recuso os preconceitos e o autoritarismo. Respeito a vida, a natureza, a humanidade, as culturas e as filosofias coerentes com a paz.
segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
quarta-feira, 15 de janeiro de 2014
A escravidão em democracia
A escravidão em democracia
O Brasil é um país democrático, em desenvolvimento, com um Governo progressista, eleito por maioria esmagadora desde 2002 quando Lula venceu as barreiras da oposição mantidas pelo poder da oligarquia. Tornou-se uma Nação respeitada no contexto internacional, admirada pela coragem e competência com que enfrenta as pressões do imperialismo e como pagou as dívidas externas e até empresta dinheiro para salvar economias falidas pelo garrote do FMI ou vitimadas por graves acidentes climáticos. Há 12 anos vem mudando as condições de miséria, fome e atraso em que vastas regiões eram mantidas há séculos com uma população de 50 milhões de brasileiros morrendo à mingua excluídos do sistema constitucional como se fossem animais selvagens.
Tudo isto é verdade e devemos aos presidentes Lula e Dilma o trabalho com permanente luta conduzido por um Governo patriótico, democrático, competente e corajoso para denunciar a continuada intromissão imperialista que nos seus estertores ousou invadir a privacidade das conversas telefônicas da Presidenta Dilma. O Brasil passou a integrar o grupo BRIC a nível internacional, tem presença marcante nos organismos da ONU, atrai profissionais qualificados que sofrem o desemprego nos países europeus, socorre emigrantes que fogem à miséria espalhada pelo planeta. Muito mais se pode falar dos êxitos alcançados no desenvolvimento cultural, científico, econômico, para orgulho dos cidadãos brasileiros e benefício à humanidade.
Contraditoriamente, o aparelho do Estado resiste aos direitos de cidadania e encontra maneiras de fraudar as leis e desrespeitar a Constituição. Interpõe uma oposição silenciosa entre o Governo e o povo anulando os direitos de cidadania. De tal maneira que o cidadão consciente dos programas inovadores criados para melhorar os serviços sociais é barrado por instrumentos burocráticos que o transformam em escravo da oligarquia pré-democrática. Sozinho, sem recursos para contratar advogado competente, menosprezado, humilhado, roubado, desespera e recorre aos métodos terroristas apregoados pelos filmes e pela televisão. Faz o que a oposição política precisa para se promover eleitoralmente.
Vou citar alguns dos métodos burocráticos mais frequentes que transformam o Estado Brasileiro em oposição ao Governo democrático destruindo o princípio da cidadania. Os sites dos serviços públicos dão endereços errados (ex: Setor Bancário Norte, que o correio devolve com a indicação de "mudou-se"); recebem carta registrada no Gabinete Pessoal da Presidência da República, assina e carimba, mas não dá seguimento; produz uma sentença a 16/12/2011 (para que seja paga a aposentadoria negada ha 9 anos) que só entrega ao cidadão interessado a 13/02/2012 dando tempo ao organismo faltoso de ser avisado internamente para pagar rapidamente evitando execução e multa; reduz a contagem de tempo de serviço prestado pelo cidadão para aplicar a lei que exige 90 e não 132 meses com constava de um primeiro documento; despreza documentos oficiais de países conveniados para o calculo do tempo de trabalho; omitem informações que permitem a quem emigre receber a sua pensão por via bancária sem pagamento de IOF, e tantas malandragens mais que desonram qualquer serviço público que se diga democrático.
Além dessas manobras vergonhosas, habitualmente recorrem a "falhas do sistema informático" para invalidarem o preenchimento de informações que o cidadão declara para corrigir problemas inexistentes alegados para a Receita Federal cancelar o uso do CPF no exterior, ou despreza a comunicação feita através dos Serviços Consulares sem qualquer justificação. O cidadão emigrado poderá processar os serviços públicos que o prejudicam recorrendo à Defensoria Pública. Mas, conhecendo as peripécias de um Presidente do Supremo Tribunal que permanecem impunes apesar de haver provas de falhas amplamente divulgadas pela mídia nacional e internacional, e tantos casos não punidos de crimes praticados por funcionários do sistema judicial, poderá confiar em alguém que faz parte do sistema oligárquico do Estado Brasileiro?
A consciência de cidadania tem por base a Constituição. Mas, quem a defende institucionalmente fechado em gabinetes longe da fiscalização popular? Há boas pessoas, honestas e democráticas que correm o risco de serem afastadas das suas funções públicas por defenderem os direitos do cidadão. Estamos no tempo dos primitivos cristãos crucificados ou as instituições democráticas podem ser geridas e fiscalizadas pelo Governo democraticamente eleito? A escravidão é oficial ?
Zillah Branco
O Brasil é um país democrático, em desenvolvimento, com um Governo progressista, eleito por maioria esmagadora desde 2002 quando Lula venceu as barreiras da oposição mantidas pelo poder da oligarquia. Tornou-se uma Nação respeitada no contexto internacional, admirada pela coragem e competência com que enfrenta as pressões do imperialismo e como pagou as dívidas externas e até empresta dinheiro para salvar economias falidas pelo garrote do FMI ou vitimadas por graves acidentes climáticos. Há 12 anos vem mudando as condições de miséria, fome e atraso em que vastas regiões eram mantidas há séculos com uma população de 50 milhões de brasileiros morrendo à mingua excluídos do sistema constitucional como se fossem animais selvagens.
Tudo isto é verdade e devemos aos presidentes Lula e Dilma o trabalho com permanente luta conduzido por um Governo patriótico, democrático, competente e corajoso para denunciar a continuada intromissão imperialista que nos seus estertores ousou invadir a privacidade das conversas telefônicas da Presidenta Dilma. O Brasil passou a integrar o grupo BRIC a nível internacional, tem presença marcante nos organismos da ONU, atrai profissionais qualificados que sofrem o desemprego nos países europeus, socorre emigrantes que fogem à miséria espalhada pelo planeta. Muito mais se pode falar dos êxitos alcançados no desenvolvimento cultural, científico, econômico, para orgulho dos cidadãos brasileiros e benefício à humanidade.
Contraditoriamente, o aparelho do Estado resiste aos direitos de cidadania e encontra maneiras de fraudar as leis e desrespeitar a Constituição. Interpõe uma oposição silenciosa entre o Governo e o povo anulando os direitos de cidadania. De tal maneira que o cidadão consciente dos programas inovadores criados para melhorar os serviços sociais é barrado por instrumentos burocráticos que o transformam em escravo da oligarquia pré-democrática. Sozinho, sem recursos para contratar advogado competente, menosprezado, humilhado, roubado, desespera e recorre aos métodos terroristas apregoados pelos filmes e pela televisão. Faz o que a oposição política precisa para se promover eleitoralmente.
Vou citar alguns dos métodos burocráticos mais frequentes que transformam o Estado Brasileiro em oposição ao Governo democrático destruindo o princípio da cidadania. Os sites dos serviços públicos dão endereços errados (ex: Setor Bancário Norte, que o correio devolve com a indicação de "mudou-se"); recebem carta registrada no Gabinete Pessoal da Presidência da República, assina e carimba, mas não dá seguimento; produz uma sentença a 16/12/2011 (para que seja paga a aposentadoria negada ha 9 anos) que só entrega ao cidadão interessado a 13/02/2012 dando tempo ao organismo faltoso de ser avisado internamente para pagar rapidamente evitando execução e multa; reduz a contagem de tempo de serviço prestado pelo cidadão para aplicar a lei que exige 90 e não 132 meses com constava de um primeiro documento; despreza documentos oficiais de países conveniados para o calculo do tempo de trabalho; omitem informações que permitem a quem emigre receber a sua pensão por via bancária sem pagamento de IOF, e tantas malandragens mais que desonram qualquer serviço público que se diga democrático.
Além dessas manobras vergonhosas, habitualmente recorrem a "falhas do sistema informático" para invalidarem o preenchimento de informações que o cidadão declara para corrigir problemas inexistentes alegados para a Receita Federal cancelar o uso do CPF no exterior, ou despreza a comunicação feita através dos Serviços Consulares sem qualquer justificação. O cidadão emigrado poderá processar os serviços públicos que o prejudicam recorrendo à Defensoria Pública. Mas, conhecendo as peripécias de um Presidente do Supremo Tribunal que permanecem impunes apesar de haver provas de falhas amplamente divulgadas pela mídia nacional e internacional, e tantos casos não punidos de crimes praticados por funcionários do sistema judicial, poderá confiar em alguém que faz parte do sistema oligárquico do Estado Brasileiro?
A consciência de cidadania tem por base a Constituição. Mas, quem a defende institucionalmente fechado em gabinetes longe da fiscalização popular? Há boas pessoas, honestas e democráticas que correm o risco de serem afastadas das suas funções públicas por defenderem os direitos do cidadão. Estamos no tempo dos primitivos cristãos crucificados ou as instituições democráticas podem ser geridas e fiscalizadas pelo Governo democraticamente eleito? A escravidão é oficial ?
Zillah Branco
quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
A decomposição do poder governamental
Publicado no Avante!
31/12/2013
Destacados economistas, incluindo alguns com Prémio Nobel, tanto com formação marxista como também conservadora ou social-democrata, têm divulgado as suas análises sobre as crise do sistema capitalista que atingiram de forma dramática os Estados Unidos provocando a recessão de 1929 e se repetiram ao longo do século XX sacrificando vários países até expandir os seus efeitos devastadores em função da globalização ao iniciar o século XXI.
As causas apontadas têm em comum a classificação de uma crise sistémica decorrente da financeirização da economia que criou um super poder do sistema bancário sombra(shadow banking system) que abrange várias empresas financeiras que ficam fora de qualquer regulamentação pelos bancos centrais dos respectivos países.
Grandes bancos – Lehman Brothers nos Estados Unidos em 2007, Barclays na Inglaterra entre 2005 e 2009 com envolvimento de operadores de bancos franceses Société Génerale e Credit Agricole, do alemão Deutsche Bank e do britânico HSBC (segundo reportagem do site Financial Times de 18/07/2012 – enfrentaram falências, casos de corrupção escandalosa, demissões de executivos de grandes corporações, roubalheiras explícitas e desmoralizadas publicamente, punidos pela Justiça ou não.
Trata-se, como explica Sérgio Barroso numa série de artigos divulgados pelo Portal Vermelho (PCdoB, Brasil), «de um processo que alia formas de ganância capitalistas nunca vistas, de braços dados à ideologia do darwinismo social; somados à gestão do Estado e da grande finança inteiramente a serviço do capital sem quaisquer veleidades». Ou seja, a implantação da lei da selva onde vence o mais forte, com a anulação de todas as conquistas da humanidade que a diferenciam do reino animal.
Esta situação de ganância absoluta e desprezo pelo seres humanos, que hoje faz uso das invasões militares e de espionagem para promover conflitos que desestabilizam as sociedades destruindo as estruturas produtivas e as populações civis, como bárbaros modernos ou bandidos vulgares, abriu um caminho de entendimento entre políticos que ainda exigem os antigos princípios humanos de dignidade, respeito, solidariedade para a sobrevivência das nações. O comportamento submisso de governos manipulados pela troika na Europa e pelo poder militar imperial nas áreas mais pobres do planeta envergonham os que, independentemente da ideologia que professam, assistem à degradação da história nacional e dos valores patrióticos.
As divergências teóricas e ideológicas entre os especialistas em economia que condenam a financeirização conduzida pelas empresas que detêm o poder globalizado acima de qualquer regulamentação institucional, nacional e internacional, situam-se na meta estabelecida para a organização de programas de desenvolvimento e distribuição de renda, capitalista ou socialista.
Discutem orçamentos, impostos, salários mínimos e pensões de sobrevivência e a estrutura de um «Estado Social», numa vã tentativa de salvar a Nação à beira da miséria. Mas recorrem ao crédito que os donos do poder financeiro oferecem com juros altíssimos sem exercerem o dever constitucional de regulamentarem as empresas que sobre-acumularam, por processos nem sempre lícitos, o dinheiro dos contribuintes. Para demonstrarem a sua noção de dignidade e patriotismo, explicam a necessidade moral de aplicar as condições de austeridade (que se traduz em desemprego, cortes salariais, privatização da saúde, da educação e de bancos nacionais, com o sacrifício exclusivo das camadas mais pobres da população e a destruição das empresas familiares de produção) sem referirem o dever ético de distribuir a renda nacional de forma equilibrada para assegurar a vida do seu povo e a dignidade de uma nação independente.
Diante dessa farsa política, não poderá haver acordo entre os partidos de esquerda e de direita, nem mesmo entre militantes da direita que conservam a noção de respeito pelos seres humanos e de que a riqueza nacional deve ser investida na produção e nas condições de vida do povo para garantir a integridade patriótica e a independência nacional.
O atual dirigente do PS gastou uma semana (que agravou o prejuízo financeiro do País e a credibilidade dos organismos responsáveis pela sua condução política) no falso cenário da «salvação nacional», com os líderes birrentos dos partidos de direita que competem entre si pelo beneplácito da troika.
Velhos socialistas ameaçaram sair do PS acompanhados por uma juventude que entende o socialismo para o crescimento económico em benefício da população, não da subordinação vergonhosa à «financeirização» dos agiotas. Adriano Moreira, antigo líder do CDS, denominou o termo «salvação nacional» de «esdrúxulo» nesta situação em que não há acordo possível no entendimento do caminho para evitar a derrocada do País entre pessoas com ambições pessoais opostas.
O bom senso começa a criar uma aproximação de antigos adversários com a proposta de esquerda (no Parlamento e em manifestações populares por todo o País) que vem sendo repetida desde o início da subordinação ao comando da troika, de que o programa do Governo está errado desde o seu nascimento (como confessou o seu ex-ministro das Finanças) por não levar em consideração a vida dos trabalhadores que produzem a salvação e a independência nacionais e só agir como agiota autoritário.
Qualquer criança é capaz de compreender que os governantes devem ser escolhidos pela maioria da populaçãose estiverem decididos e capacitados para organizar o trabalho produtivo que garante emprego para a população ativa, assegurar o funcionamento das escolas, dos serviços de saúde, as reformas para quem já não está em condições de trabalhar. E mais, defender a independência de Portugal que não será colónia de nenhum poder externo. Esta é a alternativa patriótica capaz de unir os portugueses que conservam o bom senso e o ato eleitoral é urgente.
domingo, 15 de dezembro de 2013
União para organizar a resistência
Portal Vermelho, 15/12/13
É urgente a união para resistir. Para isto as divisões formais de sigla partidária, religião, grupo, tribo e as pequenas vaidades, oportunismos e preconceitos, que disfarçam a alienação dos que "preferem ficar em cima do muro", precisam ser omitidas.
Por Zillah Branco*
Os especialistas das múltiplas áreas do conhecimento que vêm sendo abertas pela humanidade (há bem mais que um milênio), para a construção de um mundo melhor onde o ser humano e a natureza sejam respeitados - filósofos, artistas, missionários religiosos, militantes políticos, e sociais, médicos, juristas, economistas, sociólogos, professores, pais e mães, camponeses, pescadores e trabalhadores em geral - têm sido mantidos isolados uns dos outros por um modelo de sociedade traçado sempre de acordo com os interesses mesquinhos de um restrito grupo que manobra o poder.
A História registrada desde séculos antes da Era Cristã, acumula provas de que este caminho sempre foi (e continua a ser) seguido através dos tempos para manter uma elite dominante que escraviza toda a humanidade - dividida em categorias que se iludem com diferentes níveis de compensação e conforto entendidos como "formas de poder", que asseguram a divisão entre a enorme massa de explorados. As categorias ilusórias têm por base a vaidade pessoal, os preconceitos, o acesso à formação intelectual, a disponibilidade de recursos materiais que alimentam a estrutura organizada da sociedade em subpoderes onde se repete a dicotomia do explorador e o explorado. São as empresas, os títulos profissionais, a publicidade dos melhores ou dos mais belos, as hierarquias e as propriedades, os velhos e históricos conflitos entre tribos, grupos e clubes, religiões e filosofias, etnias, gêneros, opções de vida, muros que separam famílias e amigos, sempre manipulados com o único fim de dividir para dominar.
O modelo de dominação, visto no seu simples esqueleto, é transparente e sempre repetido. Complexo e confuso é o manto que o recobre traduzido em valores - financeiros, talentos específicos (meritocracia), beleza e força física, capacidade de liderança, ausência de escrúpulos para cumprir qualquer (sub)missão de comando, desumanização e individualismo absoluto. Exatamente o contrário dos valores humanitários que caracterizam os expoentes admirados pelos sacrifícios feitos para defender os explorados de todos os tempos (por exemplo, Nelson Mandela, e tantos outros que suportaram perseguições, torturas, campanhas de difamação, assassinatos) e só recebem menções oficiais honrosas depois de mortos. Inclusive de seus velhos inimigos que agora exibem falsos sentimentos para que os povos, que choram em multidões a perda do seu ídolo considerado pai por todos os que sempre lutaram, os aceitem como se fossem seres humanizados como a maioria.
Há, portanto, dois modelos de conduta humana, opostos nos seus objetivos e nos seus princípios filosóficos e ideológicos, representados pelos explorados cuja força reside na grande maioria quando se une, e pela elite exploradora cuja força está no controle econômico e no uso de armas, produtos mortíferos e meios de informação que manipula as culturas e ações da grande massa.
Não vou (para resumir a ideia essencial) citar autores, livros e filmes, que têm explicado ampla e profundamente este quadro que hoje torna mais visível a situação dramática em que a humanidade vive pressionada e escravizada por poderes nacionais que aceitam covardemente as ordens impostas por um império que estabeleceu a globalização mundial para governar o mundo anulando as diferenças entre os povos, destruindo as tradições culturais, transformando os seres humanos em robôs que não pensam mas cumprem ordens, deixando morrer à mingua milhões de crianças e adultos que fogem às guerras e à fome provocadas por agentes secretos pagos pelo império.
Diante deste panorama catastrófico é urgente a união para resistir. Para isto as divisões formais de sigla partidária, religião, grupo, tribo e as pequenas vaidades, oportunismos e preconceitos, que disfarçam a alienação dos que "preferem ficar em cima do muro", precisam ser omitidas. Vivemos um período de guerra sob uma capa pacífica cheia de imagens festivas para distrair os mais ingênuos. Usamos a internet para nos comunicarmos sem as limitações da mídia, mas somos vigiados de mil maneiras, não há privacidade e o sistema pode ser bloqueado a qualquer momento.
Encontremo-nos nas ruas, nos lugares possíveis para combinarmos formas de organização e de ação. Voltemos a agir como seres humanos sem o modelo moderno que "programam" a nossa linguagem e a nossa vida.
*Zillah Branco é cientista social, militante comunista, colaboradora do Vermelho e integrante do Conselho do Cebrapaz.
sexta-feira, 13 de dezembro de 2013
Confronto entre dois mundos
Confronto entre duas visões de mundo,
uma ingênua e outra perversa
O belíssimo discurso feito pelo Presidente do Uruguai - José Mujica -no Congresso da ONU em New. York em 2013, levantou uma questão que sempre dividiu a humanidade: entre exploradores e explorados, que os estudos da História e da Antropologia investigaram, com riqueza de análises, nos acontecimentos que cercaram os "Descobrimentos" no século XVI.
Sem reduzir as observações às questões meramente econômicas da apropriação pela força e o poder, do produto do trabalho individual ou coletivo, impõe-se hoje a partir das informações científicas já registadas pelos investigadores de todas as universidades mundiais, refletir sobre as formas de imposição de objetivos práticos, mesquinhos e criminosos, pelos que ocupam posição de domínio político sobre a humanidade que deles depende para desenvolver as suas capacidades humanas de vida, ou seja, do desenvolvimento físico, mental e material da população planetária.
Darcy Ribeiro, no livro "O Povo Brasileiro" (Companhia das Letras 1995, SP/Brasil), relata com maestria a confiança com que os indígenas receberam os "descobridores europeus", com a curiosidade ingênua e respeitosa de quem admira pessoas que agem com segurança e força devidas a formas de conhecimento diferentes das suas. Dentro das suas crenças míticas identificaram os homens brancos, com roupas e armas desconhecidas, como capazes de lhes ensinar a aperfeiçoar a vida, como os deuses ou os "mais velhos" faziam. A ingenuidade revela a confiança que a humanidade em sua pureza natural sempre tem, antes de conhecer a maldade e o egoísmo que fazem do visitante um inimigo. Corresponde ao sentimento de uma criança ou de quem viveu protegido pela solidariedade em sua comunidade isolada.
O autor refere as surpresas crescentes que despertaram o medo e o ódio dos indígenas, destruindo a ingenuidade e, portanto, a confiança naqueles seres que pretenderam escraviza-los, usa-los como objetos de uso pessoal, forma-los para que aceitassem sem contestação o novo modelo de crenças e de vida. Através do ensino praticado sob a forma de catequese e superação da condição de "selvagens", como era entendida a simplicidade natural, os "descobridores" acreditaram trazer a "civilização para aqueles seres inferiores" ao mesmo tempo em que recolhiam os lucros que enriqueciam primeiro os seus reis e senhores e depois a eles próprios que passavam de servidores a patrões e donos de escravos, como se fossem pequenos reis.
A preparação profissional estava entrelaçada com a criação de hábitos de vida e, sobretudo, de crenças que baniam as tradições tribais e introduziam um novo Deus que condenava como pecados os conceitos ancestrais de vida dos ancestrais ainda ligados à natureza. Assim, além de destruir a cultura daqueles povos, culpavam os seus "mais velhos" pelos males existentes que agora eram revelados na subordinação a que eram forçados. Modernamente poderíamos dizer que os indígenas foram "formatados" pelos novos ocupantes das suas terras. Isto no século XVI, com o peso da Idade Média obscurantista, na formação do Terceiro Mundo.
Que disse ao mundo o Presidente Mujica, do Uruguai, nos Estados Unidos em 2013, cinco séculos depois do povoamento "civilizado" no Terceiro Mundo?
"Sacrificamos os velhos deuses imateriais e ocupamo o templo com o Deus Mercado. Ele
Organiza a nossa economia, a Política, os hábitos, a vida e até nos financia com quotas e cartões, a aparência de felicidade. Parece que nascemos apenas para consumir e consumir, e se não o podemos, carregamos com a frustração, a pobreza e a auto-exclusão.
O certo, hoje, é que para gastar e enterrar detritos, a chamada mancha de carbono pela ciência, diz que se a humanidade inteira quiser viver como um norte-americano médio, seriam necessários três Planetas. Quer dizer: nossa civilização criou um desafío mentiroso e, tal como vamos, não é possível para que todos atinjam este “sentido da vida” que se impõe como cultura na nossa época dirigida pela acumulação e o Mercado. Prometemos uma vida de desperdícios e esbanjamentos que constitui uma conta regressiva contra la natureza, e contra a humanidade como futuro. Civilização contra a simplicidade, contra la sobriedade, contra todos os ciclos naturais, mas o pior, civilização contra la liberdade que supõe tempo para viver as relações humanas, amor, amizade, aventura, solidariedade, família. Civilização contra o tempo livre que não se paga e pode gozar esquadrinhando a natureza. Arrasamos as selvas verdadeiras, e implantamos selvas anónimas de cimento. Enfrentamos o descanso com caminhadas, a insónia com pastilhas, a solidão com electrónica…. E somos felizes alienados do eterno humano? Aturdidos, fugimos da nossa biologia que defende a vida pela própria vida como causa superior e a suplantamos pelo consumismo funcional e a acumulação. La política, eterna mãe do acontecer humano, ficou acorrentada à economia e ao Mercado."
Os povos latino-americanos aprenderam os usos e costumes dos europeus e mais, formaram-se como cientistas e profissionais em todas as matérias aplicadas ao desenvolvimento do sistema capitalista que define as bases do atual modelo global das sociedades. "Descobriram" a Europa e o resto do mundo, aprenderam que uma elite rica e poderosa governa o mundo e escraviza todos os trabalhadores nos países capitalistas impondo-lhes sacrifícios e misérias para que prolonguem a sua dependência e continuem a enriquecer o poder imperial, ameaçando com invasões e bombardeios os povos que lutam pela sua libertação, espionando como qualquer bandido os governos democráticos que conseguem desenvolver a consciência de cidadania dos seus povos.
A verdade relatada por Pepe Mujica, presidente do Uruguai, é dura e parece ser permanente, já que prolonga os efeitos nocivos da ignorância medieval por séculos. A História, no entanto, mostra que as transformações mundiais são lentas, com avanços e retrocessos, mas inexorável com o acumular de conhecimentos e a abertura democrática do acesso à informação e ao combate aos preconceitos que nega a igualdade de capacidade intelectual e de direitos entre todos os seres humanos.
Existe ainda a confiança e a aparente ingenuidade nos seres humanos que têm ideais e crêem nos valores éticos da humanidade. Não fosse assim, a ambição dos que detêm o poder teria produzido uma população desesperada e enlouquecida que hoje dominaria com crimes e violência todo o planeta. Caminha-se neste sentido e o terrorismo inspirado na ação autoritária e criminosa da elite imperial espalha-se por todos os continentes. A gravidade de tal situação, nos nossos dias, tem despertado a consciência em muita gente que estava alienada à sombra da elite.
O perigo é visível, mas as manifestações dos que lutam pela Paz e por uma vida mais justa para os povos, têm vencido a inércia dos que se acomodaram com as ilusões do consumismo e de um Deus Mercado criado para destruir a capacidade filosófica dos seres humanos. A democracia é um valor que penetra nas mentes ativas, permitindo que não exista o medo de pensar e dar opiniões baseadas nos princípios que a humanidade elaborou a partir da sensibilidade e do conhecimento adquirido em contato com a realidade natural e social.
Zillah Branco
uma ingênua e outra perversa
O belíssimo discurso feito pelo Presidente do Uruguai - José Mujica -no Congresso da ONU em New. York em 2013, levantou uma questão que sempre dividiu a humanidade: entre exploradores e explorados, que os estudos da História e da Antropologia investigaram, com riqueza de análises, nos acontecimentos que cercaram os "Descobrimentos" no século XVI.
Sem reduzir as observações às questões meramente econômicas da apropriação pela força e o poder, do produto do trabalho individual ou coletivo, impõe-se hoje a partir das informações científicas já registadas pelos investigadores de todas as universidades mundiais, refletir sobre as formas de imposição de objetivos práticos, mesquinhos e criminosos, pelos que ocupam posição de domínio político sobre a humanidade que deles depende para desenvolver as suas capacidades humanas de vida, ou seja, do desenvolvimento físico, mental e material da população planetária.
Darcy Ribeiro, no livro "O Povo Brasileiro" (Companhia das Letras 1995, SP/Brasil), relata com maestria a confiança com que os indígenas receberam os "descobridores europeus", com a curiosidade ingênua e respeitosa de quem admira pessoas que agem com segurança e força devidas a formas de conhecimento diferentes das suas. Dentro das suas crenças míticas identificaram os homens brancos, com roupas e armas desconhecidas, como capazes de lhes ensinar a aperfeiçoar a vida, como os deuses ou os "mais velhos" faziam. A ingenuidade revela a confiança que a humanidade em sua pureza natural sempre tem, antes de conhecer a maldade e o egoísmo que fazem do visitante um inimigo. Corresponde ao sentimento de uma criança ou de quem viveu protegido pela solidariedade em sua comunidade isolada.
O autor refere as surpresas crescentes que despertaram o medo e o ódio dos indígenas, destruindo a ingenuidade e, portanto, a confiança naqueles seres que pretenderam escraviza-los, usa-los como objetos de uso pessoal, forma-los para que aceitassem sem contestação o novo modelo de crenças e de vida. Através do ensino praticado sob a forma de catequese e superação da condição de "selvagens", como era entendida a simplicidade natural, os "descobridores" acreditaram trazer a "civilização para aqueles seres inferiores" ao mesmo tempo em que recolhiam os lucros que enriqueciam primeiro os seus reis e senhores e depois a eles próprios que passavam de servidores a patrões e donos de escravos, como se fossem pequenos reis.
A preparação profissional estava entrelaçada com a criação de hábitos de vida e, sobretudo, de crenças que baniam as tradições tribais e introduziam um novo Deus que condenava como pecados os conceitos ancestrais de vida dos ancestrais ainda ligados à natureza. Assim, além de destruir a cultura daqueles povos, culpavam os seus "mais velhos" pelos males existentes que agora eram revelados na subordinação a que eram forçados. Modernamente poderíamos dizer que os indígenas foram "formatados" pelos novos ocupantes das suas terras. Isto no século XVI, com o peso da Idade Média obscurantista, na formação do Terceiro Mundo.
Que disse ao mundo o Presidente Mujica, do Uruguai, nos Estados Unidos em 2013, cinco séculos depois do povoamento "civilizado" no Terceiro Mundo?
"Sacrificamos os velhos deuses imateriais e ocupamo o templo com o Deus Mercado. Ele
Organiza a nossa economia, a Política, os hábitos, a vida e até nos financia com quotas e cartões, a aparência de felicidade. Parece que nascemos apenas para consumir e consumir, e se não o podemos, carregamos com a frustração, a pobreza e a auto-exclusão.
O certo, hoje, é que para gastar e enterrar detritos, a chamada mancha de carbono pela ciência, diz que se a humanidade inteira quiser viver como um norte-americano médio, seriam necessários três Planetas. Quer dizer: nossa civilização criou um desafío mentiroso e, tal como vamos, não é possível para que todos atinjam este “sentido da vida” que se impõe como cultura na nossa época dirigida pela acumulação e o Mercado. Prometemos uma vida de desperdícios e esbanjamentos que constitui uma conta regressiva contra la natureza, e contra a humanidade como futuro. Civilização contra a simplicidade, contra la sobriedade, contra todos os ciclos naturais, mas o pior, civilização contra la liberdade que supõe tempo para viver as relações humanas, amor, amizade, aventura, solidariedade, família. Civilização contra o tempo livre que não se paga e pode gozar esquadrinhando a natureza. Arrasamos as selvas verdadeiras, e implantamos selvas anónimas de cimento. Enfrentamos o descanso com caminhadas, a insónia com pastilhas, a solidão com electrónica…. E somos felizes alienados do eterno humano? Aturdidos, fugimos da nossa biologia que defende a vida pela própria vida como causa superior e a suplantamos pelo consumismo funcional e a acumulação. La política, eterna mãe do acontecer humano, ficou acorrentada à economia e ao Mercado."
Os povos latino-americanos aprenderam os usos e costumes dos europeus e mais, formaram-se como cientistas e profissionais em todas as matérias aplicadas ao desenvolvimento do sistema capitalista que define as bases do atual modelo global das sociedades. "Descobriram" a Europa e o resto do mundo, aprenderam que uma elite rica e poderosa governa o mundo e escraviza todos os trabalhadores nos países capitalistas impondo-lhes sacrifícios e misérias para que prolonguem a sua dependência e continuem a enriquecer o poder imperial, ameaçando com invasões e bombardeios os povos que lutam pela sua libertação, espionando como qualquer bandido os governos democráticos que conseguem desenvolver a consciência de cidadania dos seus povos.
A verdade relatada por Pepe Mujica, presidente do Uruguai, é dura e parece ser permanente, já que prolonga os efeitos nocivos da ignorância medieval por séculos. A História, no entanto, mostra que as transformações mundiais são lentas, com avanços e retrocessos, mas inexorável com o acumular de conhecimentos e a abertura democrática do acesso à informação e ao combate aos preconceitos que nega a igualdade de capacidade intelectual e de direitos entre todos os seres humanos.
Existe ainda a confiança e a aparente ingenuidade nos seres humanos que têm ideais e crêem nos valores éticos da humanidade. Não fosse assim, a ambição dos que detêm o poder teria produzido uma população desesperada e enlouquecida que hoje dominaria com crimes e violência todo o planeta. Caminha-se neste sentido e o terrorismo inspirado na ação autoritária e criminosa da elite imperial espalha-se por todos os continentes. A gravidade de tal situação, nos nossos dias, tem despertado a consciência em muita gente que estava alienada à sombra da elite.
O perigo é visível, mas as manifestações dos que lutam pela Paz e por uma vida mais justa para os povos, têm vencido a inércia dos que se acomodaram com as ilusões do consumismo e de um Deus Mercado criado para destruir a capacidade filosófica dos seres humanos. A democracia é um valor que penetra nas mentes ativas, permitindo que não exista o medo de pensar e dar opiniões baseadas nos princípios que a humanidade elaborou a partir da sensibilidade e do conhecimento adquirido em contato com a realidade natural e social.
Zillah Branco
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
Os modelos do capitalismo e a destruição das nações
A criação de "modelos" - visuais e mentais - definidos pelos critérios impostos pela elite dominante, pretende uniformizar a população tornando-a mais facilmente controlável. É a "formatação" imprescindível para manter uma organização do poder, autoritária e inflexível, transmitida pelos meios sociais de informação e por variadas formas de publicidade.
A lógica do sistema capitalista, especialmente na sua fase de imposição do mercado a nível global, é intrínseca à acumulação centralizada do capital nas mãos de uma elite que exerce um poder discriminatório sobre os povos. Esta dinâmica foi despoletada na expansão colonialista com a descoberta do Terceiro Mundo, dando início à destruição progressiva de civilizações indígenas e seguiu, mesmo nos países colonizadores onde as antigas culturas ficaram marcadas pela pobreza e o atraso por falta de acesso à comunicação e desenvolvimento do conhecimento intelectual fechado nos cofres dos "escolhidos" pelo poder.
A estrutura administrativa deste tipo de poder define a sociedade como uma estratificação de acordo com a qualificação econômica dos que tiveram oportunidade de formação profissional e adquiriram conhecimento moderno e comportamento social consideradas "superiores". Os privilegiados atingem graus de chefia com autonomia para classificarem os seus subalternos, enquadrados de acordo com os seus próprios critérios eivados de preconceitos e má fé.
As instituições que dinamizam o Estado, formadas de cima para baixo reproduzem o "modelo" do poder central e garantem a sua permanência executando as "ordens" emitidas pelos seus superiores mesmo que contrárias aos conceitos específicos da matéria pela qual é responsável profissionalmente. Aqueles que se rebelarem apresentando argumentos alternativos às decisões superiores serão afastados da escala de poder administrativo ou mesmo demitidos.
O medo é o móbil do comportamento funcional para alcançar e conservar o emprego com os benefícios oferecidos pelas instituições do Estado e empresas. Em função do medo proliferam as formas de oportunismo que anulam os conceitos éticos básicos no comportamento humanista e independente que caracterizam a formação de personalidades criativas e solidárias com o desenvolvimento coletivo da sociedade, contrária às ambições individualistas e mesquinhas dependentes das estreitas metas oferecidas pelo poder de uma elite.
O sistema capitalista, hoje predominante em todo o planeta, nasceu pela via financeira que passou a servir as famílias da nobreza que dominavam nações, feudos e condados herdeiros da situação medieval. Financiaram confrontos, guerras de expansão territorial, intrigas palacianas, crimes que eliminam opositores, enquanto consolidavam as primeiras instituições que constituíam o eixo dos futuros Estados republicanos. As famílias reais passaram a coadjuvantes daqueles que haviam sido os seus antigos assessores e investidores.
Foram abandonados os punhos de renda e a roupagem pouco prática para os novos políticos e executivos que assumiram os trabalhos que o poder capitalista exige aos executivos do sistema. Conservaram a gravata distinguindo-se dos trabalhadores mais rudes, pertencentes a uma classe que apenas recebe para sobreviver. Entre as duas classes com condições de vida e interesses opostos, permaneceu uma classe média que tem capacidade de adquirir formação profissional e de consumir mantendo a dinâmica do mercado e recebendo benefícios do Estado como cidadãos. A perspectiva de futuro a faz adotar os modelos da classe dominante mesmo que construídos com matéria prima e técnica de qualidade inferior. São escolhidos pelo crivo político do alto poder tanto pelo talento de que são dotados como pela feição maleável com que aceitam o autoritarismo das instituições. Relativizam a ética esquecendo a riqueza da cultura e do humanismo das suas origens de classe trabalhadora diante do brilho e do conforto da modernidade com seus múltiplos privilégios.
A luta pela democracia está em curso
Disse Nelson Mandela, no discurso de posse na presidência da República na África do Sul em 1994, depois de passar 27 anos prisioneiro por liderar o movimento contra o appartheid : "Nosso medo mais profundo não é o de sermos inadequados. Nosso medo mais profundo é que somos poderosos além de qualquer medida. É a nossa luz, não as nossas trevas, o que mais nos apavora. Nós nos perguntamos: Quem sou eu para ser Brilhante, Maravilhoso, Talentoso e Fabuloso?
Na realidade, quem é você para não ser? Você é filho do Universo. Se fazer pequeno não ajuda o mundo. Não há iluminação em se encolher, para que os outros não se sintam inseguros quando estão perto de você. Nascemos para manifestar a glória do Universo que está dentro de nós. Não está apenas em um de nós: está em todos nós. E conforme deixamos nossa própria luz brilhar, inconscientemente damos às outras pessoas permissão para fazer o mesmo. E conforme nos libertamos do nosso medo, nossa presença, automaticamente, libera os outros".
Pontualmente vemos hoje as conquistas de um longo processo revolucionário para efetivar um Estado democrático apesar do poder capitalista controlar financeiramente as relações políticas em todo o planeta. Referimos líderes que caminharam não por uma ascensão pessoal, mas do coletivo humano que representam. Fidel Castro e seus companheiros, reviveram a liderança de Martí e sustentam, por mais de meio século, as conquistas de Cuba revolucionária apesar da permanente perseguição do vizinho império, Hugo Chavez introduziu na América Latina a luta traçada antes por Simon Bolívar e hoje a Alba, UNASUL e CELAC fortalecem a unificação das nações que carregam o peso da antiga colonização. Amilcar Cabral conseguiu criar um Estado Popular dentro de uma nação colonizada e venceu a guerra contra a ditadura de Salazar. São muitos os líderes revolucionários que abrem caminho para que os povos sigam o processo natural de desenvolvimento do espaço e da história dos seus territórios. A barreira a ser vencida é o modelo hegemônico do capitalismo criado para escravizar a humanidade. Modelo político, cultural, mental, comercial, que transforma as sociedades "enquadradas" em uma camisa de força que anula a criatividade e a participação dos povos.
O Brasil elegeu Lula, antigo metalúrgico que se construiu como grande estadista na defesa de uma real democracia dentro de um território minado pelo poder imperialista que ainda tenta anular os esforços revolucionários do Governo eleito. Dilma impôs o respeito à Presidenta, e às mulheres brasileiras, para prosseguir o caminho aberto por Lula. No seu governo uma conquista notável, entre muitas que consolidam a democracia, é simbolizada por um feito inédito: primeiro médico indígena formado na UNB (Universidade Nacional de Brasília) que trabalhará para seu povo - Josinaldo da Silva, representante da tribo Atikum, no sertão pernambucano, é o símbolo de um projeto de diversidade. "Meu objetivo é voltar para a aldeia tão logo termine a formação. É um acordo que faz parte do convênio da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), mas é mais do que isso, é um compromisso meu com o meu povo, com os Atikum, minha origem e minha razão de estudar. O índio é o que pode cuidar melhor da saúde do índio, compreende os costumes, conhece a tradição. Um índio tem todas as condições de cuidar de uma tribo, reunindo o saber da universidade com o saber tradicional. É esse o meu objetivo."
Europa colonizada
Curiosamente, enquanto os povos do Terceiro Mundo que lutam para implantar uma verdadeira democracia e aos poucos vão cortando as amarras lançadas pelo sistema colonialista que desde o século XVI afogou as suas características culturais e destruiu os seus recursos de desenvolvimento nacional, a moderna exploração imperialista voltou-se para antigas nações europeias colonizadoras. A criação da Troika pela União Européia e o FMI exerce hoje um poder que anula a existência de Governos nacionais e traça os programas de Estados, que eram independentes há dezenas de séculos, como se fossem suas colônias. Isto já ocorre em Portugal, Espanha e Grécia, avança na Irlanda e Itália, e invade com maior ou menor visibilidade todos os demais países do Velho Continente enquanto dilacera as nações do Oriente Médio. O valor cultural e humano das nações europeias hoje sofre o mesmo aniquilamento que as civilizações na África, nas Américas, no Oriente Médio e na Ásia imposto pela invasão colonial. Para além de ser um crime hediondo contra a humanidade é o retorno da barbárie fascista.
As grandes empresas farmacêuticas multinacionais substituíram o uso de cobaias nos laboratórios dos países ricos pelos testes feitos com pessoas que vivem na miséria a quem pagam uns tostões e, no melhor dos casos, dão uma "compensação" financeira à família quando a "cobaia humana" morre em consequência dos testes. Isto foi denunciado em filme (TVI em Portugal - programa Observatório) com entrevistas na Índia onde cresce a estatística de mortes por responsabilidade de laboratórios norte-americanos, franceses, suíços e alemães.
O colonialismo britânico, ao dominar aquela civilização milenar, abriu as portas à desagregação nacional e foi expulso em 1947 pelo movimento conduzido por Ghandi, deixando o território minado para a infiltração imperialista da qual faz parte. Este é um dos muitos exemplos que explicam as chacinas e os projetos "errados" aplicados pelo Banco Mundial que levou povos inteiros à fome na África.
Hoje os "projetos de desenvolvimento econômicos e organização de supostos Estados Sociais" são aplicados impunemente pelo FMI e a Troika nos paises mais pobres da Europa (como anteriormente em todo o Terceiro Mundo) e têm o desplante de reconhecerem que "não deu certo, por falhas técnicas dos governos subalternos de cada nação", e inventam outro programa. Portugal está aberto ao saque estabelecido pelo sistema de privatizações dos serviços públicos, especialmente saúde e educação, e a liquidação de empresas valiosas como os estaleiros de Viana do Castelo. O mundo todo está servindo de "cobaia" para os cérebros doentios de uma elite que só visa lucros financeiros imediatos para fortalecer o sistema bancário que lhes pertence.
Zillah Branco
quarta-feira, 6 de novembro de 2013
Congresso do Centenário de Álvaro Cunhal
Álvaro Cunhal deixou um legado de conhecimentos e esperança
Quem teve a oportunidade de conhecer e ouvir o camarada Álvaro Cunhal, ou que hoje estude os documentos da sua vida e procure entender a fusão alcançada por ele entre o ser humano, o intelectual, o artista, o militante e o dirigente comunista, assume o dever de participar e contribuir no processo de transformação que ocorre no presente fazendo uso do seu exemplo e do legado científico e filosófico que nos deixou.
Por Zillah Branco*, de Lisboa, especial para o Vermelho

Comemoração do aniversário de Àlvaro Cunhal dia 10 de novembro de 2013.
No calor do processo revolucionário os militantes comunistas amadureceram incorporando as qualidades humanas que abriram múltiplos caminhos de luta: pela democracia, pelos direitos trabalhistas, pela igualdade de direitos das mulheres, pela valorização dos idosos e das crianças, contra os preconceitos raciais, de crenças, de gênero, de condições de saúde e opções de vida.
A queda da URSS e do sistema socialista na Europa não destruiu as conquistas ideológicas que foram desenvolvidas com a Revolução de Outubro e absorvidas em todo o mundo.
O longo trabalho de formação nas escolas soviéticas e dos demais países socialistas - de quadros profissionais e militantes de todos os continente - assegurou o êxito das transformações revolucionária empreendidas por povos que lutavam contra a opressão colonialista e imperialista que os asfixiava.
O apoio à divulgação de textos teóricos e notícias das lutas de libertação em todo o mundo, para a formação de uma cultura livre do controle mediático capitalista, permitiu o esclarecimento de grandes massas sobre o caminho da emancipação social como base dos Direitos Humanos fundamentais.
A existência por 80 anos de uma sociedade socialista mudou o curso da história mundial abrindo caminhos de luta para que a humanidade não aceite a escravização imposta por elites que se apropriaram das riquezas nacionais.
O camarada Álvaro Cunhal defendeu sempre a necessidade de "ouvir
o outro", dialogar, compreender as diferenças, procurar o caminho para promover "alianças", com o objetivo de ampliar as bases de apoio ao caminho revolucionário e conquistar as massas trabalhadoras.
Foi assim que, na década de 1940 o jovem dirigente orienta o PCP no sentido de estimular a organização de setores democráticos não comunistas a desencadearem lutas contra o fascismo e a opressão ditatorial.
O resultado do longo percurso partidário permitiu, meio século depois, a eclosão do 25 de Abril com o êxito da ação do MFA, o fortalecimento do movimento sindical, o fim da guerra colonial e a queda do regime ditatorial em Portugal, com amplo apoio da população e de organismos internacionais defensores da Paz mundial.
Em 2003, Álvaro Cunhal enviou a sua reflexão para o Encontro Interna
Foi assim que, na década de 1940 o jovem dirigente orienta o PCP no sentido de estimular a organização de setores democráticos não comunistas a desencadearem lutas contra o fascismo e a opressão ditatorial.
O resultado do longo percurso partidário permitiu, meio século depois, a eclosão do 25 de Abril com o êxito da ação do MFA, o fortalecimento do movimento sindical, o fim da guerra colonial e a queda do regime ditatorial em Portugal, com amplo apoio da população e de organismos internacionais defensores da Paz mundial.
Em 2003, Álvaro Cunhal enviou a sua reflexão para o Encontro Interna

cional da "América Latina: sua potencialidade transformadora no mundo de hoje". Compreendeu que as diferentes culturas seguem cursos históricos específicos, alternativos às experiências europeias.
Naquele texto recomenda: "os trabalhadores, os povos e as nações não podem aceitar que a ofensiva global seja irreversível" e deverão organizar "as forças capazes de impedir que o imperialismo alcance o seu supremo objetivo".
Faz um alerta: "apesar de ser por caminhos diferenciados, complexos e sujeitos a extremas dificuldades, é essencial para a humanidade que alcancem com êxito tal objetivo".
Aponta as bases para a luta que continua e hoje exige a nossa decidida participação em todo o mundo:
"Primeiro: os países nos quais os comunistas no poder (China, Cuba, Vietname, Laos, Coreia do Norte) insistem em que o seu objetivo é a construção de uma sociedade socialista.
Segundo: os movimentos e organizações sindicais de classe, lutando corajosamente em defesa dos interesses e direitos dos trabalhadores.
Terceiro: partidos comunistas e outros partidos revolucionários, firmes, corajosos e confiantes.
Quarto: movimentos patrióticos, com as mais variadas composições políticas, atuando em defesa dos interesses nacionais e da independência nacional.
Quinto: movimentos pacifistas, ecologistas e outros movimentos progressistas de massas."
Na América Latina cresce o número de nações com governos progressistas que, apesar das pressões políticas ostensivas e das infiltrações imperialistas em setores de oposição que agem dentro dos Estados e através de redes do crime organizado, têm reunido um conhecimento aprofundado da realidade social que permite atender e valorizar populações antes marginalizadas integrando-as com os direitos de cidadãos na vida nacional. Retiram das condições desumanas de fome e miséria milhões de pessoas, integrando-as como cidadãos na sociedade.
Esta grandiosa tarefa só é possível com o apoio fundamental e revolucionário dos movimentos sociais, sindicais e de moradores, as iniciativas de participação popular organizadas e a efetiva aliança com partidos de esquerda. Os Partidos Comunistas levam a esses movimentos a experiência revolucionária centenária no mundo e a capacidade organizativa adquirida na luta.
Este vínculo direto de Governos democráticos com a realidade em que vive o povo, permite canalizar os recursos necessários ao desenvolvimento de novas atividades e usufruir da capacidade criativa na produção de bens e ideias construtivas.
A contribuição levada por professores e estudantes neste processo democrático de desenvolvimento estabelece uma aproximação do sistema educacional com a realidade profunda contribuindo para o enriquecimento intelectual e profissional das sociedades.
A militância organizada dos comunistas alimenta-se e contribui para o aprofundamento da educação social e da formação profissional nos múltiplos setores do desenvolvimento econômico e da organização das forças produtivas.
O camarada Álvaro Cunhal referiu-se em carta (de 28 de Fevereiro de 2003), ao processo de eleições presidenciais democráticas vitoriosas na América Latina como "grande acontecimento político positivo que não exclui contradições e dificuldades graves. Anoto também, (diz Álvaro Cunhal) que quaisquer comparações com acontecimentos em Portugal, antes e depois da revolução de Abril, com extrema prudência podem ser avançadas."
Hoje vemos que, não só na América Latina mas na Ásia e na África, caminhos revolucionários adequados às condições históricas e culturais que formaram nações e povos independentes, têm alcançado significativos êxitos nacionais e internacionais no processo democrático mundial.
Camaradas, unidos em todo o mundo, venceremos!
*Zillah Branco é cientista social, militante comunista, colaboradora do Vermelho e integrante do Conselho do Cebrapaz.
Naquele texto recomenda: "os trabalhadores, os povos e as nações não podem aceitar que a ofensiva global seja irreversível" e deverão organizar "as forças capazes de impedir que o imperialismo alcance o seu supremo objetivo".
Faz um alerta: "apesar de ser por caminhos diferenciados, complexos e sujeitos a extremas dificuldades, é essencial para a humanidade que alcancem com êxito tal objetivo".
Aponta as bases para a luta que continua e hoje exige a nossa decidida participação em todo o mundo:
"Primeiro: os países nos quais os comunistas no poder (China, Cuba, Vietname, Laos, Coreia do Norte) insistem em que o seu objetivo é a construção de uma sociedade socialista.
Segundo: os movimentos e organizações sindicais de classe, lutando corajosamente em defesa dos interesses e direitos dos trabalhadores.
Terceiro: partidos comunistas e outros partidos revolucionários, firmes, corajosos e confiantes.
Quarto: movimentos patrióticos, com as mais variadas composições políticas, atuando em defesa dos interesses nacionais e da independência nacional.
Quinto: movimentos pacifistas, ecologistas e outros movimentos progressistas de massas."
Na América Latina cresce o número de nações com governos progressistas que, apesar das pressões políticas ostensivas e das infiltrações imperialistas em setores de oposição que agem dentro dos Estados e através de redes do crime organizado, têm reunido um conhecimento aprofundado da realidade social que permite atender e valorizar populações antes marginalizadas integrando-as com os direitos de cidadãos na vida nacional. Retiram das condições desumanas de fome e miséria milhões de pessoas, integrando-as como cidadãos na sociedade.
Esta grandiosa tarefa só é possível com o apoio fundamental e revolucionário dos movimentos sociais, sindicais e de moradores, as iniciativas de participação popular organizadas e a efetiva aliança com partidos de esquerda. Os Partidos Comunistas levam a esses movimentos a experiência revolucionária centenária no mundo e a capacidade organizativa adquirida na luta.
Este vínculo direto de Governos democráticos com a realidade em que vive o povo, permite canalizar os recursos necessários ao desenvolvimento de novas atividades e usufruir da capacidade criativa na produção de bens e ideias construtivas.
A contribuição levada por professores e estudantes neste processo democrático de desenvolvimento estabelece uma aproximação do sistema educacional com a realidade profunda contribuindo para o enriquecimento intelectual e profissional das sociedades.
A militância organizada dos comunistas alimenta-se e contribui para o aprofundamento da educação social e da formação profissional nos múltiplos setores do desenvolvimento econômico e da organização das forças produtivas.
O camarada Álvaro Cunhal referiu-se em carta (de 28 de Fevereiro de 2003), ao processo de eleições presidenciais democráticas vitoriosas na América Latina como "grande acontecimento político positivo que não exclui contradições e dificuldades graves. Anoto também, (diz Álvaro Cunhal) que quaisquer comparações com acontecimentos em Portugal, antes e depois da revolução de Abril, com extrema prudência podem ser avançadas."
Hoje vemos que, não só na América Latina mas na Ásia e na África, caminhos revolucionários adequados às condições históricas e culturais que formaram nações e povos independentes, têm alcançado significativos êxitos nacionais e internacionais no processo democrático mundial.
Camaradas, unidos em todo o mundo, venceremos!
*Zillah Branco é cientista social, militante comunista, colaboradora do Vermelho e integrante do Conselho do Cebrapaz.
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