Escrevo, comento, opino, analiso em busca de uma linguagem mais simples e direta, mais compreensível. Assumo as minhas idéias e gosto de discuti-las. Aceito as diferenças e recuso os preconceitos e o autoritarismo. Respeito a vida, a natureza, a humanidade, as culturas e as filosofias coerentes com a paz.
quinta-feira, 30 de abril de 2015
Vitórias permanentes e derrotas pontuais
Os que lutaram, através de dezenas de anos, pelo fim da ditadura fascista em Portugal, enfrentando uma dura realidade de sacrifícios e perseguições políticas que impediram a fruição da vida familiar e profissional se houvesse liberdade social no país, certamente hoje se ressentem da "derrota" sofrida pela Revolução dos Cravos que floresceu em 1974.
Em menos de um ano, sob os Governos dirigidos por Vasco Gonçalves, foram abertos os caminhos iniciais de um processo democrático e de dignificação patriótica pela esquerda organizada: fim da colonização, reforma agrária, apoio aos pequenos e médios produtores, nacionalização da banca e das empresas fundamentais ao Estado, legislação em função dos direitos dos cidadãos, organização sindical, legislação trabalhista, escola pública, saúde pública, previdência social, salário mínimo e férias, que se compunham com a defesa ampla da liberdade de expressão, da defesa dos direitos de igualdade social entre homens e mulheres, proteção aos idosos e crianças, combate aos preconceitos raciais e de classe.
Durante este tempo o Partido Socialista, que se apresentara inicialmente como parceiro do PCP, bandeou-se para o combate ao comunismo sob a influência norte-americana e alemã (representadas por Kissinger e Helmut Kohl) e dividiu os militares que haviam dado o golpe fatal à ditadura marcelista. A direita sentiu-se fortalecida para sair das cinzas do fascismo, criou grupos terroristas como o ELP e outros com vestimentas multicoloridas de esquerda radical anti-comunista que serviram de ponta de lança para criar desordens e confundir a população recém saída de um longo período de repressão. À reboque do medo instilado naquele ambiente de liberdade, exigiram uma primeira eleição que os colocou à frente do Governo onde bloquearam as decisões democráticas.
As reformas começaram com a devolução das nacionalizações ao capital privado e estrangeiro, com o fim da reforma agrária e compensações aos proprietários do latifúndio absentista, com a redução do apoio aos serviços sociais. O Governo ficou entregue ao PS que passou a alternar os seus programas com o PSD que o sucedia, dando início na década de 80 à submissão ao projeto da União Europeia de centralizar o governo continental por meio da criação de um Banco Europeu e da moeda única, o Euro. Aos poucos a UE estendeu os seus tentáculos sobre as nações europeias substituindo os seus governos nacionais por verdadeiros "interventores" eleitos pelos povos agora conduzidos por uma imprensa anti-revolucionária, que despejou a cultura norte-americana disfarçada em europeia, para alimentar a fome de conhecimento de uma população que preparada para ser consumista podia comprar televisões e outros apetrechos da modernidade.
No início do século XXI desaparecera o ambiente de luta popular pelas conquistas de Abril, por um desenvolvimento nacional em que o povo era o principal sujeito, motor da produção nacional e da defesa da dignidade patriótica. Reduziu-se o espaço da liberdade com a imposição do modelo europeu de grandes superfícies de mercado e extensas estradas absolutamente inadequadas à vida nacional mas que favoreciam a entrada dos produtos e turistas vindos dos países ricos. O povo, este ficou à espera de algum emprego para os mais velhos, mandando os jovens para a emigração, vivendo nas velhas casas onde cuidam dos netos sem amparo social. Floresceram os agentes da prostituição internacional, do tráfico de drogas e da corrupção dos políticos com poder público. Sentiu-se o peso da derrota.
Os sociais-democratas de turno no governo, sendo eleitos com o apoio dos grupos económicos europeus e os órgãos de informação social orientados para selecionar temas de debate ou entrevistas com base no anti-comunismo ditado pelo Clube de Bildenberg onde são escolhidos os candidatos interventores na política nacional, passaram a esbanjar riquezas em obras faraónicas e a tolher o desenvolvimento de Portugal. O povo, levado pelo cabresto mediático e pelo medo de perder o emprego e a liberdade anunciada em tempos de revolução, votou nos que vestiam a capa do socialismo.
O Estado foi subordinado aos apadrinhados dos interventores que, abdicando de pensar em português foram contratar assessores estrangeiros para ditar modelos de conhecimento da realidade e de condução ao enriquecimento de uma elite superior que bebe o saber junto ao Conselho da Europa e FMI. Começaram a venda ao desbarato do património nacional, inclusive as velhas construções de Lisboa e os recantos aprazíveis do Alentejo e Algarve, e a privatização dos serviços sociais. A soberania nacional foi oferecida como brinde aos assessores que, para serem contratados, o país pediu créditos que o conduziram à banca-rota. A história do BES, com todo o malabarismo para roubar os contribuintes, estendeu-se à outras instituições. Temos um ex-primeiro ministro preso por crimes de peculato e improbidade administrativa, mas os outros vestiram-se de defensores de Abril em ano de eleições.
A vitória da Revolução dos Cravos, no entanto, prossegue o seu curso histórico no mundo. Como todas as revoluções, desde a revolta de Espártaco, antes da Era Cristã, e depois a Revolução Francesa que se manteve por 15 anos, a Comuna de Paris que durou semanas, a Revolução Soviética que aguentou quase 80 anos, a da China, a do Vietnam, a de Cuba, todas semearam conquistas que alteraram a história mundial fazendo avançar a humanidade contra o poder de uma elite que tem o poder do capital. As revoluções não morrem, deixam as brasas sob as cinzas da destruição causada pela ambição capitalista. Uma lufada de ar livre reacende o movimento histórico com a sua força imbatível.
A Revolução de Abril deixou em Portugal o sentido da justiça social gravado na Constituição e nas leis sociais do trabalho e da segurança social que os interventores da União Europeia fazem tudo para enterrar. Poucos são os países que têm sindicatos da polícia e que o movimento sindical reune operários, professores, artistas, médicos, funcionários públicos, juízes, pescadores, trabalhadores rurais, enfermeiros e todas as categorias de trabalhadores unidos nas reivindicações. A força revolucionária de Abril está viva e recebe a solidariedade de outros povos que cultivaram as sementes de 1974. A dignificação do trabalho, a defesa patriótica, formou a mentalidade popular com os valores políticos de esquerda que sempre está ao lado dos que sofrem e lutam pela sobrevivência de uma sociedade justa.
O importante é perceber quem vestiu a pele do revolucionário como o lobo a do cordeiro. Tornou-se hábito falar em democracia como um modelo a ser aplicado sobre a sociedade capitalista que mantém a estrutura de exploração de uma elite privilegiada sobre os que trabalham. Os Estados Unidos, que lidera o poder imperialista, escolheu um negro para Presidente demonstrando a ausência de preconceitos para ganhar os votos da população mestiça que predomina no seu território e elevou. Nada mudou na sua política de invasões e destruição para espoliar os povos indefesos, a miséria invadiu as casa da classe média norte-americana e a revolta dos jovens foi liderada pelo terrorismo que a CIA espalhou como modelo nas sociedades árabes para quebrar a sua estabilidade mantida pelos princípios tradicionais.
Na comemoração do 25 de Abril no Parlamento Português, os partidos de direita louvaram a Revolução dos Cravos substituindo o sentimento impregnado pela participação do povo pela "inteligência e eficiência" que julgam ser os únicos que as têm. Típico complexo de superioridade de uma elite que está longe de conhecer a realidade do seu povo expressa pelos políticos de esquerda. Vestirão a pele revolucionária para quem não conhece a falta de ética e de patriotismo que procuram ocultar. "Cuidado com as imitações!"
Zillah Branco
quinta-feira, 23 de abril de 2015
A crise do sistema capitalista é financeira e ética
O sistema capitalista foi gerado a partir das sementes plantadas nos primórdios da história, quando as moedas usadas na comercialização dos produtos começaram a ser acumuladas e emprestadas com o valor aumentado pela taxa de lucro. Eram os embriões dos Bancos que minaram o poder das aristocracias reinantes, financiando guerras de cá para lá e de lá para cá, e a compra e venda de escravos das regiões colonizadas. Especializaram-se na venda da força de trabalho dos povos vencidos.
Como antídoto a este caminho destruidor da construção humana das sociedades e da formação mental das populações que criavam aperfeiçoamentos tecnicos para os seus trabalhos, conhecimentos científicos, idéias filosóficas, manifestações artisticas, com o fim de melhorar as condições de vida dos povos, surgiu o conceito de um sistema socialista que condena a exploração de homem pelo homem
Naturalmente esta forma de agir contrariava as ambições de quem acumulava moedas para comprar o poder dos reis e subornar os pensadores. Foram criadas forças capazes de impedir o desenvolvimento de sociedades socialistas por meio de guerras, invasões, bloqueios, controle das informações e deturpação do conhecimento, proibição de divulgação de idéias contrárias aos interesses dos ricos que acumularam capital.
Mas o ser humano pensa e a sua realização na vida depende da coerência entre o que faz e o que deseja no interior do seu pensamento. Se ele deseja ser poderoso é fácil encontrar um comprador capitalista que pague bom preço. Se ele deseja melhorar as condições de vida da população que trabalha, das crianças que precisam de proteção, dos que sofrem por não terem plena autonomia na sua vida, dos idosos que já estão cansados de tanto trabalhar, então ele pensa nas questões gerais do atendimento social que todos precisam receber e contraria o uso do dinheiro em benefício particular dos que compram o poder.
Isto posto de maneira simples envolve uma história muito complicada que se desenvolveu do século XIII até ao XXI. De onde vem o dinheiro? Começou com a venda da mão de obra escrava. Mas hoje a estrutura do poder criada pelo sistema capitalista é extremamente complexa e muitos dos seus defensores começam a perceber que confiaram nas publicidades falsas que disfarçaram com uma pintura social os objetivos individualistas. A revelação das características essenciais do sistema veio com a crise que é financeira e ética. Desencadearam uma guerra contra a humanidade pacífica retirando a esperança de uma vida tranquila e produtiva, impondo uma cultura da alienação e do desespero que conduz a juventude ao uso de drogas e prática de actos de vandalismo, entregam armas e formam terroristas para abrirem caminho para invasões "pacificadoras".
Um grande exemplo deste despertar para a realidade anti-social do sistema capitalista está nas palavras e actos do Papa Francisco que, para salvar a Igreja Católica, não tem medo de que o considerem "comunista" e "marxista", quando defende os mais pobres, os mais fracos, os mais ameaçados, sem discriminar pessoas acusadas por terem cometido erros ou crimes. Mas não precisamos sair de Portugal para ver que pessoas que prezam a sua dignidade e o seu compromisso com a pátria sentem a necessidade de se afastar dos partidos ou grupos que estão agarrados ao poder capitalista. Ocorre em todo o planeta este despertar da consciência humanista. Há muitos exemplos de conhecidas personalidades de formação conservadora que se afastam dos novos líderes da direita para não serem confundidos com esta casta desprovida de princípios que não respeita a soberania do país a que pertencem.
O PCP, desde que foi desenhada a proposta de uma União Europeia, levantou argumentos apontando o risco de serem as nações mais pobres dominadas pelas mais ricas. Há farta bibliografia sobre este tema. Uma das objeções apontava a criação de uma moeda única - o euro - como o veículo da dominação das economias mais fracas diante das mais fortes. A sua posição foi vencida pelo deslumbramento dos partidos políticos, tendo à cabeça o PS que estava no Governo de Portugal onde alternava com o PSD, pela imagem de desenvolvimento e riqueza criada pela falsa publicidade das grandes estradas (por onde a Europa rica escoaria os seus produtos em troca de matéria prima e alimentos ou em busca de bela natureza para turismo), das empresas multinacionais de grande aparência (beneficiadas pelo salário baixo do país, descontos nas taxas de instalação e preços de terreno), pela modernização comercial (que liquidou o pequeno e valioso comércio português tradicional), pela moda na vestimenta e no comportamento social que revelava uma actualização a nível internacional dos costumes sociais (quebrando laços familiares entre pais e filhos sem tempo para entenderem as diferenças impostas), enfim, por terem coberto o histórico país com todos os seus valores com uma capa plástica cintilante de lantejoulas apregoada como riqueza e progresso. Típica propanda enganosa engolida sob o rufar dos tambores dos partidos da direita e afins. O povo, recem saído de uma ditadura fascista e condenado pela participação na Revolução dos Cravos, acreditou.
A adesão de Portugal à União Europeia, com a aceitação da moeda única e dos condicionamentos jurídicos coincidiu com a queda da União Soviética que, depois de uma brilhante experiência de realização socialista em quase 80 anos, ruiu corroida pelas pressões do capitalismo alimentadas desde a Grande Guerra. Mas a defesa do ideal comunista não sucumbiu no mundo. Analisam-se os erros, investigam-se as novas realidades, esclarecem-se os povos, sem desistir da luta para realizar com coerência as convicções de quem pensa no desenvolvimento social. Os comunistas são internacionalistas, lutam pela união dos trabalhadores em todo o mundo, mas os defensores do capitalismo construiram uma união do capital que deturpa a necessária unidade europeia mantendo a exploração dos mais ricos que colonializam as nações mais pobres.
Hoje, falidos os Bancos que mergulharam na especulação financeira e no desvio do dinheiro, depositado em confiança pelo povo, para contas pessoais, e os governantes subordinados às decisões do Banco Europeu e do FMI fizeram dívidas em nome do país e obrigam os contribuintes a pagarem como se a honra da pátria estivesse em causa. Apelam a um falso moralismo para acobertarem a responsabilidade de uma elite corrupta de maus gestores do bem público. Sacrificam o bem estar social, que é a base para o desenvolvimento nacional, para repor o capital que as instituições financeiras deixaram escoar para manter o poder capitalista.
A Inglaterra, a Suiça e os países nórdicos sobrevivem porque não sacrificaram a sua moeda para adotar o euro. Mas a UE ameaça a Grécia, que pretende renegociar a dívida para salvar o seu povo da miséria, com a expulsão da zona euro e consequente bloqueio económico que impediria o seu desenvolvimento.
A América Latina com a sua união de solidariedade entre nações soberanas - UNASUR - defendeu a Argentina que se negou a pagar uma dívida ao FMI imposta por razões imperialistas. As condições na Europa são diferentes, sobretudo porque a união europeia não é de solidariedade entre os povos, mas de capital financeiro controlado por um poder imperial. Esta falsa união, que só favorece o poder do capital sacrifificando os povos, tem sido denunciada pelas inúmeras manifestaços de massa dos trabalhadores dos vários sectores, assim como dos idosos reformados e pensionistas, os estudantes e desempregados, em todos os paises da Europa.
O PCP nas suas sessões de debate público sobre a questão da dívida expõe os caminhos alternativos para serem discutidos por todos, independentemente das ideologias: renegociação da dívida externa em função da dívida pública (que tem miserabilizado os povos e atrasado o desenvolvimento das nações), ou a criação da moeda nacional fora do euro e das contingências impostas pela UE, para garantir a defesa da soberania de Portugal e a sua independência para crescer sem tutelas.
O Governo a ser eleito pelo povo, para corrigir os erros cometidos pelo actual com o seu programa anti-patriótico, terá de enfrentar estas alternativas com a responsabilidade de salvar a sociedade da desagregação que já se assiste sem condições de atendimento: à saúde, à educação, à segurança social, às crianças em situação de risco de vida, aos idosos abandonados à miséria, aos jovens desorientados que se lançam em aventuras terroristas e semeiam a violência, aos pequenos empresários que perdem os seus negócios e as suas poupanças desviadas pelo sistema bancário, aos militares e forças policiais que sofrem cortes orçamentais e têm de enfrentar uma ameaça de caos social, às empresas de serviços públicos que são oferecidas como galinhas dos ovos de ouro à estrangeiros e apátridas que apenas visam o lucro.
Se pensarmos na situação do país com o mesmo sentido de responsabilidade que temos em relaçào à nossa casa e à nossa família, chegaremos a uma conclusão de que o preço a ser pago pela nossa soberania e dignidade será sempre melhor do que reduzir os juros de uma dívida eterna com o agravamento da austeridade.
Pela visível queda de qualidade humanista e ética dos actuais líderes da União Europeia e dos governos submissos, anuncia-se uma provável implosão da estrutura criada para controlar as políticas do continente. A incapacidade de gerir os problemas financeiros deriva da falta de objectivos sociais e patrióticos. Se analisarmos a história da humanidade sempre os poderosos com ambição de acumulação de riquezas para assegurar o poder de uma elite destruiram civilizações brilhantes que desenvolviam o conhecimento para fortalecer os povos e produzir o melhor. É a repetição da barbárie, agravada com um armamento capaz de destruir o planeta.
Zillah Branco
sábado, 11 de abril de 2015
Formatação do pensamento humano e silêncio cúmplice
Zillah Branco *As circunstâncias que envolveram a queda de um avião Germanwings, que, com tarifas mais baixas, transportava 148 pessoas de nível socioeconômico médio, inclusive estudantes em missão escolar, de Barcelona em direção à Alemanha com escala em Marselha, merecem um estudo filosófico, além de técnico, econômico e político. Merece um julgamento humanitário no nível da ONU.
O sistema capitalista vive a sua crise desde 2008. Nestes seis últimos anos promoveu uma mudança terrível no mundo, com origens anteriores, com o despoletar de um circuito de horrores que vão desde os grandes roubos ou desvios de bilhões de dólares dos bancos para outras instituições privadas e vice-versa, com a proliferação de construção e venda imobiliária especulativa, abertura de estradas desnecessárias para a população mas para servir ao escoamento das mega-indústrias multinacionais, criação de enormes centros comerciais que liquidam as pequenas empresas e os artesãos a elas ligados, tudo megalômano e promovido por uma publicidade enganosa cheia de promessas de felicidade, com um modelo estandardizado que despreza as tradições. Enfim, o fortalecimento do domínio econômico de uma elite que usa o dinheiro público a favor dos seus próprios negócios e burlas, sem qualquer respeito pela situação de vida de todo o povo e o desenvolvimento de nações soberanas.
Este ritmo enlouquecedor e desnecessário é acompanhado pelo incentivo ao consumo de produtos inventados para fazer circular o dinheiro de pessoas iludidas pelo mecanismo neurotizante que torna desejável qualquer inutilidade apresentada como símbolo de moderno. os meios de comunicação social, principalmente os canais televisivos servem de veículo para apresentar, com técnicas especializadas de publicidade que alimentam o medo ou a repulsa, de informações selecionadas com base em censuras e mentiras que vão formar a opinião pública. dessa forma a população vai sendo formatada para pensar como a elite que comanda o sistema deseja.
A humanidade foi conduzida a um estado de alienação e de semi-loucura que a afasta da realidade concreta em que vive, permanecendo desarmada perante um comando invisível e avassalador. Passou-se a viver em um mundo de ilusões que dominou a ação e o pensamento das populações, destroçando os seus hábitos de convívio familiar e social e a confiança nos princípios éticos e de justiça que serviram de base para a construção das sociedades.
Com programas maquiavélicos, o precário equilíbrio em que viviam as sociedades no século 20 desapareceu, deixando dúvidas sobre a ética dos governantes e a sua preocupação com a justiça. e, em conseqüência conduzindo ao abandono dos valores que dignificam a pessoa humana. As instituições dos Estados, assim como os seus dirigentes, foram equiparados às grandes empresas e seus donos que inventam projetos que visam apenas lucro de uns mesmo que cause o infortúnio da maioria.
Foi a perda de credibilidade total, com a conseqüente perda de confiança no futuro e de esperança na construção da vida. Tudo se tornou passível de substituição por novos produtos e mais espertos dirigentes, lançados ambos pelo Mercado Livre: de objetos a programas de estudo científico, de projetos de vida a formas de organização social, imposição de um idioma que deturpa o uso dos idiomas nacionais, os objetivos éticos e humanistas utilizados pela comunicação social dão lugar à promoção de vícios , escândalos, crimes, o desaparecimento total do respeito humano.
No caso do avião da Germanwinds alemã que foi despenhado no alto dos Pirineus por um co- piloto suicida, há a comentar a realidade vivida pelas grandes empresas de aviação e a ausência de responsabilidade dos Estados na Europa com a imposição de uma redução dos seus funcionários e da capacidade de manutenção técnica e mecânica, por razões de mesquinha
poupança financeira. Desemprego e utilização do material para além da sua validade tornam a empresa mais lucrativa e apetecível para os compradores privados. Exemplo: existiam obrigatoriamente 2 pilotos e 2 co-pilotos na cabine de vôo, mas foram reduzidos à metade. Por falta de salários compatíveis com as funções e carreiras (porque a legislação do trabalho deixou de ser cumprida) os profissionais de vôo e os de oficinas de manutenção foram em busca de melhores condições de vida e remuneração em outros países. Um caso, o mais absurdo, que agora é de conhecimento público, é que no exame médico obrigatório das condições de saúde dos pilotos foram suspensas as análises de foro psiquiátrico, o que dispensou médicos especialistas! Por tal decisão 148 pessoas foram assassinadas por um ato de loucura de um co- piloto transtornado. Mas, quem foi o responsável por este acidente? Não é imputável a uma pessoa com características de insanidade qualquer responsabilidade jurídica por falha profissional. Uma crueldade foi lançada sobre os familiares de um homem doente que carregou com a culpa de todo um sistema irresponsável porque só tem por objetivo o lucro empresarial.
O sistema capitalista, para sair da crise e manter a elite poderosa que governa o planeta, aliena as pessoas com drogas farmacêuticas ou produzidas por associações criminosas que circulam pelos países misturados aos que fazem o branqueamento do capital. O sistema não tem rosto nem nome, mas os seus agentes, sobretudo os altos dirigentes internacionais e nacionais, os seus defensores, estes têm cara, nome e endereço. São os responsáveis não só por este crime monstruoso, como pela desordem social que implantaram nos países em busca de lucro.
A falta de respeito pela legislação laboral conquistada e a instabilidade financeira das nações determinaram a quebra das forças produtivas, impuseram a austeridade que leva à miséria, o roubo milionário impune que leva os bancos à falência e faz desaparecer a poupança de pessoas honestas, o desemprego que prejudica tanto o setor da aviação, mas também o da saúde pública, da educação, da assistência social devida pela Previdência aos idosos e incapacitados de trabalhar para viver, o desespero que leva ao suicídio e à violência criando um mundo perverso para as crianças lançadas no caminho da marginalidade, da fome e da morte.
A responsabilidade pela queda do avião (e de vários aviões que têm desaparecido não se sabe como) e de todas as ações nefastas que foram desencadeadas para compensar a crise financeira, inclusive as sucessivas guerras para que os poderosos do sistema se apossem do petróleo, o incitamento aos atos terroristas até à criação de um chamado "Estado Islâmico" que serve de ponta de lança para a invasão pela Nato de países do Oriente Médio e do norte da África; a responsabilidade pela destruição da natureza e o enlouquecimento da cumanidade é dos atuais dirigentes dos organismos internacionais que comandam presidentes e Chanceleres das nações submissas.
Deveriam ser levados ao tribunal por estes crimes, enquanto há pessoas capazes de discernir as origens das calamidades sociais e baterem-se pela justiça social. Como disse o Papa Francisco com tristeza "somos cúmplices" se não denunciarmos e lutarmos para pôr fim a tal horror que ameaça a humanidade.
segunda-feira, 30 de março de 2015
A história do imperialismo na América Latina
Salvador Allende, ao ser entrevistado por Roberto Rossellini, fez um relato muito claro do seu perfil político e ideológico marcado pela ética e o humanismo que constituiram as raízes do seu comportamento como Presidente do Chile. De origem burguesa, fez parte do Partido Radical onde uma ala progressista era confrontada com a conservadora.
Jovem estudante de medicina, seguindo os passos do pai, procurou ser sempre excelente aluno tendo obtido as maiores notas em todos os concursos que abriam melhores condições no desenvolvimento da carreira profissional. No entanto, como com igual dedicação destacava-se no grupo de estudos de Marx e Engels, foi impedido de ocupar os lugares conquistados em concursos universitários.
Foi fundador do Partido Socialista distinguindo-se pela busca de aliança com o PCCh, o que lhe permitia adquirir um conhecimento mais amplo e profundo da realidade em que vivia o povo chileno. A sua história de vida é um caminho de evolução a partir dos valores humanistas de uma classe dominante para o da solidariedade e identificação com a cultura e a luta dos trabalhadores do seu país. Foi assim que, depois de ser candidato à Presidência por quatro vezes, conquistou um apoio sólido popular e de várias personalidades de diferentes tendências que admiravam a sua firmeza de princípios e tenacidade na luta. Venceu não só o pleito eleitoral mas as oposições civis e militares manipuladas pelas forças imperialistas.
Considerava como esteio econômico do Chile a produção agrícola, dando apoio à reforma agrária dirigida pelos camponeses organizados em Consejos Comunales, e a de cobre que tratou de nacionalizar dentro das condições legais existentes. Sabia que o percurso significava uma revolução à qual se opunham as empresas estrangeiras (controladas pela Inglaterra e pelos Estados Unidos) e as oligarquias nacionais proprietárias de latifúndios e do sistema financeiro que controlava as exportações de matérias primas e importações de produtos industrializados e tecnologia. Evitava adotar exemplos de luta dos países socialistas, defendendo sempre as peculiaridades e idiosincracias da história e da cultura do Chile.
Faltou-lhe o apoio unificado das nações latino-americanas que, naquele momento estavam afogadas em golpes militares desferidos com o apoio direto do imperialismo que já se instalara nos Estados Unidos em contradição com a história progressista, naquele país, de grandes figuras políticas e intelectuais que foram perseguidas e algumas até mesmo assassinadas, como os Presidentes Lincoln e Kennedy.
Allende revela o conhecimento das dificuldades nacionais e internacionais que o seu projeto de desenvolvimento para o Chile despertava nas elites que ainda dominavam o poder econômico, a comunicação social e a formação profissional e mental das populações, mantidas desde os primórdios da colonização, mas também pelo subdesenvolvimento imposto à América Latina para manter a distância cultural e financeira entre os trabalhadores explorados e a elite dominante.
Heróis da humanidade, como Allende e Che Guevara e tantos mártires das lutas revolucionárias latino-americanas, deixaram exemplos de conduta pessoal e de análises ideológicas que constituem as bases da consciência que anima os militantes dos partidos de esquerda e dos movimentos sociais que hoje contam com a unidade entre os povos do continente americano. Passo a passo, como escreveu em 2003 Alvaro Cunhal, "Outras revoluções socialistas tiveram lugar. Numerosos povos secularmente subjugados conquistaram a independência."
No século XXI são eleitos na América Latina vários governos progressistas identificados pela luta pela conquista da independência e da soberania nacionais, no caminho iniciado por Cuba, com Fidel Castro, e seguido pela Venezuela com Hugo Chavez.
"Com o seu poderio, alcançado pela construção do socialismo, a União Soviética alterou a correlação das forças mundiais" prossegue o texto de Alvaro Cunhal, que "manteve em respeito durante décadas o imperialismo, tornando a competição entre os dois sistemas um elemento dominante na situação mundial."
A História segue o seu curso, oscilando de acordo com as estratégias e as debilidades que se sucedem nos dois campos ideológicos, em função da consciência de luta dos povos face às imagens propagandeadas pelas elites dominantes de adesão à uma necessária democratização do sistema. O capitalismo, para alcançar a sua meta de sistema de pensamento único e final cria a "globalização" e afirma "o fim das ideologias". O seu poder cresce mas, como diz ainda Alvaro Cunhal, "o ser humano continua pensando. E o pensamento e a ideologia dos trabalhadores e dos povos oprimidos serão sempre inevitavelmente opostos aos das potências e classes exploradoras e opressoras".
A crise que abala hoje os países ricos alimentados pelo imperialismo, introduziu nos seus respectivos territórios nacionais a miséria e a desorganização social que antes caracterizava os países subdesenvolvidos. Sendo uma crise natural ao sistema capitalista, que destrói as forças de produção e dizima as populações para exercer o poder predador que o sustenta negando os valores éticos da humanidade, recorre às formas criminosas de terrorismo e de chacinas que provocam o desespero dos que se sentem isolados e corrompem os ambiciosos que se consideram acima dos seus povos para implantar novamente, através de golpes sobre os governos democráticos, o divisionismo nacional que é a arma fundamental dos poderosos. É um retrocesso histórico que contraria a evolução da humanidade consolidada nos últimos dois séculos de construção da democracia.
Zillah Branco
segunda-feira, 23 de março de 2015
Exportar pobres e importar ricos
O Vice do Primeiro Ministro em Portugal "descobriu a pólvora" com esta estratégia de import-export para salvar a economia nacional. Com os "vistos gold" criou o caminho para trocar quem trabalha e não tem emprego por quem não trabalha e, sendo milionário, vai certamente comprar uma bela casa e contratar empregados para trabalharem por ele. Depois vê-se o que fazer aos seus milhões em euros, se vieram de não se sabe onde e vão para um paraíso fiscal qualquer como fizeram os protegidos pelo Espírito Santo.
Afinal a vida privada é aqui respeitada. E como! Os jornais estão cheios de manchetes que explicam o inexplicável mistério da Justiça que condena altas personalidades do mundo financeiro e do Estado à prisão (por crimes de peculato, desvios de dinheiro público, abuso de poder, falsidade ideológica, corrupção e branqueamento de capital, além de erros crassos no planeamento de acções governativas que desorganizam o sistema judicial, o de educação e o da saúde) e, depois de embrulhadas discussões sobre a aplicação das leis, fica tudo na mesma santa paz do senhor, pairando a culpa sobre os funcionários que digitam as ordens.
Claro que a descoberta desta maneira de trocar pobres nacionais por ricos estrangeiros não foi de Portas. A patente é europeia e está a ser aplicada nos demais países unidos pela ambição da velha colonização. Coincide que nesses mesmos países que crescem à custa da mais-valia dos imigrantes de nações empobrecidas, os trabalhadores e suas famílias estão a exprimir a sua indignação com formidáveis manifestações para derrubar os espertos governantes que vendem a pátria com a mesma falta de pudor com que venderam a consciência, os princípios éticos, a família, a dignidade e a História dos povos.
Eleições em Portugal
Com a proximidade das eleições, o jogo político entre os partidos que se alternam no Governo desde 1975 (para impedir o prosseguimento da Revolução dos Cravos que instaurou o regime democrático dando voz e leis trabalhistas a todos os portugueses e, com as nacionalizações das empresas fundamentais que asseguravam a soberania nacional e a reforma agrária que garantia o auto-abastecimento alimentar do país), os partidos que se somam para calar a oposição de esquerda, viram-se levados a quebrar os laços íntimos (da direita que une a elite económica) e começaram a denunciar as mútuas falcatruas cometidas durante os turnos governamentais.
O ex-primeiro ministro Socrates foi preso antes do Natal de 2014 sob acusações de desvios milionários de dinheiro público e a imagem que a mídia divulga é de que para uns é "mártir heróico" que não consegue convencer os juízes da sua inocência, enquanto que para outros "será melhor que aguente sozinho a punição" de crimes que não são do conhecimento público e que envolvem personalidades da elite que disputa a nova eleição.
Em matéria de abusos de poder e fraudes financeiras, com o desvendar da história vergonhosa do centenário Banco Espírito Santo e mais as listas VIP que surgiram no Ministério das Finanças para proteger altas personalidades da elite mandante (invisíveis para os governantes e assumidas como hipóteses de erros informáticos por leais subalternos que dão, senão a vida, pelo menos a dignidade, para salvar os seus soberanos elegíveis), fica difícil imaginar o gráu de impunidade e conivência que une o mundo privado da direita. As eleções virão vestidas de democracia para que os "de baixo" escolham os seus candidatos influenciados pelas orientações da mídia (controlada pela direita) se não tiverem conhecimento da realidade que a esquerda luta por difundir de casa a casa, de pessoa a pessoa, sem o apoio financeiro que beneficia apenas a elite a serviço do sistema de poder financeiro e não da vida da população em geral.
Voltemos a pensar sériamente no significado profundo do 25 de Abril, quando o governo de Vasco Gonçalves nacionalizou a banca, promoveu a intervenção das empresas mal geridas, deu início à reforma agrária e ao apoio aos pequenos e médios agricultores, abriu caminho para a Escola Pública, para o Serviço Nacional de Saúde, para a Segurança Social e conseguiu manter as reservas de ouro sem contrair as dívidas escandalosas que hoje são pagas pelo povo com a miséria produzida pela austeridade opressora.
Era um tempo em que o Estado fortalecido defendia a economia nacional ao promover o trabalho produtivo para dar melhores condições de vida aos pobres e receber de volta os saudosos emigrantes. Era um tempo em que a Justiça não fechava os olhos às espertezas do poder financeiro. Era um tempo em que tudo se fazia pelo desenvolvimento do país e do povo. Era um tempo em que a OCDE reconhecia a capacidade de auto-abastecimento alimentar em Portugal e que seria possível defender a soberania nacional sem recorrer aos loteamentos hoje feitos para satisfazer as ambições de domínio estrangeiro.
Zillah Branco
22/03/15
sábado, 14 de março de 2015
Brasil: a crise da oligarquia
Zillah Branco *Florestan Fernandes, em "Poder e contra-poder na América Latina" (1981) chamava a atenção para a "evolução dos interesses conservadores, reacionários e contra-revolucionários de burguesias relativamente impotentes, que preferem a capitulação política ao imperialismo a ter que lutar pelas bandeiras tradicionais (ou clássicas) de um nacionalismo burguês revolucionário.
"( ) seus objetivos mais recentes estão relacionados com o "desenvolvimento com segurança", um "desdobramento da interferência das potências capitalistas hegemônicas e das empresas multinacionais com vistas a garantir a estabilidade política na periferia."
A manutenção do poder oligárquico foi o recurso utilizado pelas forças de direita que perderam em 2002 o Governo para Lula que soube lançar, desde o primeiro momento, os esteios da transformação democrática da sociedade: a inserção das camadas sociais mais pobres, e setores marginalizados, na vida institucional do país e no caminho do desenvolvimento como cidadãos de pleno direito; e a expansão de políticas de desenvolvimento territorial para o Brasil profundo que estava literalmente abandonado como feudos de oligarcas e jagunços.
Com a instauração do sistema neo-liberal em quase toda a América Latina, especialmente no Brasil na década de 1990 que já atraíra para a sua cômoda ideologia muitos ex-democratas alçados por situações de privilégios sociais e econômicos, reuniu-se uma nova direita com propostas de "reconfiguração da ordem política para estabelecer novas posições de força para garantir a continuidade e o aperfeiçoamento dos privilégios e o controle estável do poder (em todas as suas formas) a partir de cima. Florestan destaca: "primeiro o enfraquecimento da ordem política como fonte de dinamismo comunitários e societários de 'integração nacional' e de 'revolução nacional'; e, segundo: o uso estratégico do espaço político para ajustar o Estado e o governo a uma concepção nitidamente totalitária de utilização do poder."
Florestan Fernandes, em "Poder e contra-poder na América Latina" (1981) chamava a atenção para a "evolução dos interesses conservadores, reacionários e contra-revolucionários de burguesias relativamente impotentes, que preferem a capitulação política ao imperialismo a ter que lutar pelas bandeiras tradicionais (ou clássicas) de um nacionalismo burguês revolucionário."( ) seus objetivos mais recentes estão relacionados com o "desenvolvimento com segurança", um "desdobramento da interferência das potências capitalistas hegemônicas e das empresas multinacionais com vistas a garantir a estabilidade política na periferia."
A ausência de uma reforma política concomitante com as medidas de democratização social - que eliminou a fome de dezenas de milhões de brasileiros e procedeu à redescoberta do Brasil feudal elevando-o à condição de desenvolvimento como parte do território nacional, - impediu que houvesse a necessária mudança econômica para reduzir a criminosa distribuição de renda no país e a adoção de medidas sócio-culturais e políticas coerentes com o propósito democrático na estrutura do Estado. A dinâmica necessária para que o poder oligárquico fosse substituído pelo poder democrático com participação popular foi bloqueada pelas forças de direita situadas nos três poderes que limitam o do executivo.
Apesar de existir institucionalmente uma ordem política como sendo 'democrática, republicana e constitucional' , diz Florestan, "é permanentemente distorcida por e através de objetivos totalitários dos setores sociais dominantes", o que solapou e bloqueou a verdadeira democracia nacional que tem por ideal a igualdade de direitos para todo o povo - desde a criança em formação, aos adultos que constroem o setor produtivo e aos idosos que já deram o seu contributo à Nação.
Luis-Carlos Bresser Pereira escreveu (O Globo 12/03/15) "os ricos, inclusive a alta classe média, que não estavam satisfeitos com a clara preferência pelos pobres revelada pelo governo em um tempo de baixo crescimento, passaram a olhar o PT e a presidente não mais como adversários, mas como inimigos, e nos vimos diante de uma coisa surpreendente: o ódio substituindo o desacordo e a crítica.
Entretanto, não obstante o desgaste que estava sofrendo por boas e más razões, a presidente foi reeleita. Ganhou por uma pequena diferença, contando principalmente com o apoio dos pobres. Contou, portanto, com o apoio daqueles que têm um voto — e não com o apoio da sociedade civil, ou seja, da soma daqueles cujo poder é ponderado pelo dinheiro, pelo conhecimento e pela capacidade de comunicação e organização que cada um tem.
Ora, o poder real em uma sociedade moderna está na sociedade civil, não no povo, o que configura uma crise política grave. Mas uma crise que pode e deve ser administrada. A sociedade civil, em particular os ricos e a oposição política, precisa assumir sua responsabilidade para com a nação, aceitar a derrota nas eleições e voltar a ajudar o país a ser governado, em vez de falar em impeachment ou em tentar inviabilizar o governo. O próximo embate eleitoral é em 2018, não é agora."
A clareza da análise de Bresser-Pereira, que desmistifica os argumentos mesquinhos e vazios do pastel de ilustres professores (que se equilibram sobre o muro pontificando como donos da verdade que a ralé não alcança), corresponde a que tem sido exposta pelo Papa Francisco que não teme ser considerado marxista por afirmar que o capitalismo é essencialmente um sistema desumano que dá privilégios a uma classe dominante deixando que os trabalhadores e suas famílias sejam escravizados.
Vivemos um momento histórico de fundamentais mudanças em todo o mundo. Os discursos da direita com linguagens elaboradas como máscaras de santos em bandidos, tentam ocultar a realidade que determina o poder da riqueza e a escravização dos que trabalham em benefício de todos. Enquanto Obama e seus aliados reconhecem que Cuba tornou-se um país de heróis superando o sacrifício do isolamento imposto pelo seu nefasto Império durante meio século, tentam destruir nações do Oriente Médio para dominarem as jazidas de petróleo que lá existem. Sentem que a crise financeira derivada do esbanjamento das riquezas nacionais em produtos supérfluos e na indústria de guerra nas suas próprias Nações, impediu o aperfeiçoamento dos setores produtivos que deveriam alimentar o desenvolvimento das sociedades com o bem estar para todos.
A consciência dos povospopular evoluiu, descobriram que a superioridade depende da organização dos que lutam sem ambições pessoais por riquezas materiais. Não existem formas de superioridade raciais, de gênero, de condição de vida. A inteligência pertence aos que compreendem a realidade da vida e não perdem tempo com a pretensão de serem os escolhidos dos deuses. São os que assumem a responsabilidade de aplicarem os seus esforços no melhor aproveitamento e distribuição das riquezas com respeito pela solidariedade que engrandece o ser humano.
terça-feira, 10 de março de 2015
O lado certo da luta no Brasil e na Europa
Portal Vermelho
Zillah Branco *
Estes cenários ocorrem hoje no Brasil, Argentina e Venezuela, contra a integração revolucionária da América Latina pela independência dos povos e nos países pobres da Europa - Grécia, Portugal, Espanha, Irlanda, Itália - esmagados pela austeridade para pagar o crédito da Troika agiota, da União Europeia e FMI, com seus paraísos fiscais na falência.
Mia Couto, o grande escritor e pensador moçambicano, exprime com arte:
"Pobres dos Nossos Ricos"
A maior desgraça de uma nação pobre é que em vez de produzir riqueza, produz ricos. Mas ricos sem riqueza. Na realidade, melhor seria chamá-los não de ricos mas de endinheirados.
Rico é quem possui meios de produção. Rico é quem gera dinheiro e dá emprego.
Endinheirado é quem simplesmente tem dinheiro, ou que pensa que tem. Porque, na realidade, o dinheiro é que o tem a ele.
A verdade é esta: são demasiados pobres os nossos "ricos". Aquilo que têm, não detêm.
Pior: aquilo que exibem como seu, é propriedade de outros. É produto de roubo e de negociatas. Não podem, porém, estes nossos endinheirados usufruir em tranquilidade de tudo quanto roubaram.
Vivem na obsessão de poderem ser roubados. Necessitavam de forças policiais à altura. Mas forças policiais à altura acabariam por lançá-los a eles próprios na cadeia. Necessitavam de uma ordem social em que houvesse poucas razões para a criminalidade. Mas se eles enriqueceram foi graças a essa mesma desordem (...)"
A dialética promove um grande passo na História separando os exploradores - agarrados ao passado de fartura e privilégios - dos trabalhadores e jovens que hoje escolhem o lado certo da luta para construir um Estado Social onde a democracia será consolidada.
São dias de turbulência com as provocações histéricas como as que conhecemos em 1964 quando os militares no Brasil foram empurrados pelos fantoches do imperialismo a mancharem a função de defesa nacional com um golpe por ambição de poder que sacrificou milhares de heróis brasileiros; que ocorreu em 1973 quando mataram Allende que introduzia a Unidade Popular como esteio da democracia no Chile; que bloqueou Cuba dificultando o seu desenvolvimento econômico por 60 anos sem, no entanto, limitar a sua pujante Revolução que produziu conquistas sociais hoje louvadas pelos organismos internacionais pela solidariedade levada aos países pobres com a sua superior medicina e pedagogia que salva povos oprimidos nos vários continentes; que empobreceu e colonizou o continente Europeu que foi o berço da cultura e do progresso científico do mundo ocidental, desviando as riquezas nacionais transformadas em moedas de Tio Patinhas que perderam valor na crise financeira do sistema capitalista.
Os que sabem viver na pobreza sem deixar de trabalhar pela subsistência da família e que enfrentam dificuldades diárias para cultivarem o conhecimento da realidade e abrirem caminhos profissionais, permanecem no lado certo da luta pelo desenvolvimento nacional. Não se desviam por ambições mesquinhas e consumismos de inutilidades, não vão nas conversas falsas
de uma comunicação social vendida aos interesses do mercado, não sucumbem ao medo das ameaças e agressões de golpistas torturadores.
Uma nova geração se levanta para recuperar os princípios éticos e os valores humanos de integridade e dignidade ao lado de familiares e amigos que sobreviveram às discriminações do passado com o império do capital e o poder de oligarquias herdeiras de regimes coloniais. Não há conflitos de geração, mas há de classes, entre privilegiados e escravizados.
Os governos de Lula e de Dilma desbravaram o Brasil levando os benefícios de infra-estruturas e conhecimento ao interior de todo o território nacional, trouxeram para a vida moderna a maioria da população que vivia e morria na miséria, demonstrou o que significa democracia e respeito humano, abriram aos 200 milhões de brasileiros a possibilidade de refazerem o sistema político nacional com justiça e melhor distribuição de renda, com sistemas de saúde, educação e previdência social sem os privilégios que uma elite antes poderosa reservava apenas para os seus apaniguados.
Agora é a hora de realizar o programa democrático e calar os opositores com os seus ranços de um passado de escravidão. Os tempos mudaram e exigem força popular para prosseguir a caminhada libertadora com a união dos povos e o despertar da consciência de cidadãos de pleno direito no Brasil, na Grécia, em todos os países onde os povos defendem a soberania nacional e a verdadeira democracia.
O império capitalista estrebucha e os movimentos sociais de trabalhadores e juventudes estudantis vão para manifestações de protesto nas ruas pelo muito que já foram roubados. Enquanto isso os ricos, agarrados às suas propriedades e às voláteis ações bancárias, organizam golpes anti-democráticos e fomentam terrorismo que atrai psicopatas amigos.
Estes cenários ocorrem hoje no Brasil, Argentina e Venezuela, contra a integração revolucionária da América Latina pela independência dos povos e nos países pobres da Europa - Grécia, Portugal, Espanha, Irlanda, Itália - esmagados pela austeridade para pagar o crédito da Troika agiota, da União Europeia e FMI, com seus paraísos fiscais na falência.
Mia Couto, o grande escritor e pensador moçambicano, exprime com arte:
"Pobres dos Nossos Ricos"
A maior desgraça de uma nação pobre é que em vez de produzir riqueza, produz ricos. Mas ricos sem riqueza. Na realidade, melhor seria chamá-los não de ricos mas de endinheirados.
Rico é quem possui meios de produção. Rico é quem gera dinheiro e dá emprego.
Endinheirado é quem simplesmente tem dinheiro, ou que pensa que tem. Porque, na realidade, o dinheiro é que o tem a ele.
A verdade é esta: são demasiados pobres os nossos "ricos". Aquilo que têm, não detêm.
Pior: aquilo que exibem como seu, é propriedade de outros. É produto de roubo e de negociatas. Não podem, porém, estes nossos endinheirados usufruir em tranquilidade de tudo quanto roubaram.
Vivem na obsessão de poderem ser roubados. Necessitavam de forças policiais à altura. Mas forças policiais à altura acabariam por lançá-los a eles próprios na cadeia. Necessitavam de uma ordem social em que houvesse poucas razões para a criminalidade. Mas se eles enriqueceram foi graças a essa mesma desordem (...)"
A dialética promove um grande passo na História separando os exploradores - agarrados ao passado de fartura e privilégios - dos trabalhadores e jovens que hoje escolhem o lado certo da luta para construir um Estado Social onde a democracia será consolidada.
São dias de turbulência com as provocações histéricas como as que conhecemos em 1964 quando os militares no Brasil foram empurrados pelos fantoches do imperialismo a mancharem a função de defesa nacional com um golpe por ambição de poder que sacrificou milhares de heróis brasileiros; que ocorreu em 1973 quando mataram Allende que introduzia a Unidade Popular como esteio da democracia no Chile; que bloqueou Cuba dificultando o seu desenvolvimento econômico por 60 anos sem, no entanto, limitar a sua pujante Revolução que produziu conquistas sociais hoje louvadas pelos organismos internacionais pela solidariedade levada aos países pobres com a sua superior medicina e pedagogia que salva povos oprimidos nos vários continentes; que empobreceu e colonizou o continente Europeu que foi o berço da cultura e do progresso científico do mundo ocidental, desviando as riquezas nacionais transformadas em moedas de Tio Patinhas que perderam valor na crise financeira do sistema capitalista.
Os que sabem viver na pobreza sem deixar de trabalhar pela subsistência da família e que enfrentam dificuldades diárias para cultivarem o conhecimento da realidade e abrirem caminhos profissionais, permanecem no lado certo da luta pelo desenvolvimento nacional. Não se desviam por ambições mesquinhas e consumismos de inutilidades, não vão nas conversas falsas
de uma comunicação social vendida aos interesses do mercado, não sucumbem ao medo das ameaças e agressões de golpistas torturadores.
Uma nova geração se levanta para recuperar os princípios éticos e os valores humanos de integridade e dignidade ao lado de familiares e amigos que sobreviveram às discriminações do passado com o império do capital e o poder de oligarquias herdeiras de regimes coloniais. Não há conflitos de geração, mas há de classes, entre privilegiados e escravizados.
Os governos de Lula e de Dilma desbravaram o Brasil levando os benefícios de infra-estruturas e conhecimento ao interior de todo o território nacional, trouxeram para a vida moderna a maioria da população que vivia e morria na miséria, demonstrou o que significa democracia e respeito humano, abriram aos 200 milhões de brasileiros a possibilidade de refazerem o sistema político nacional com justiça e melhor distribuição de renda, com sistemas de saúde, educação e previdência social sem os privilégios que uma elite antes poderosa reservava apenas para os seus apaniguados.
Agora é a hora de realizar o programa democrático e calar os opositores com os seus ranços de um passado de escravidão. Os tempos mudaram e exigem força popular para prosseguir a caminhada libertadora com a união dos povos e o despertar da consciência de cidadãos de pleno direito no Brasil, na Grécia, em todos os países onde os povos defendem a soberania nacional e a verdadeira democracia.
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