Escrevo, comento, opino, analiso em busca de uma linguagem mais simples e direta, mais compreensível. Assumo as minhas idéias e gosto de discuti-las. Aceito as diferenças e recuso os preconceitos e o autoritarismo. Respeito a vida, a natureza, a humanidade, as culturas e as filosofias coerentes com a paz.
terça-feira, 25 de agosto de 2015
Os estertores do velho sistema
A morte de um monstro impressiona pela soma desesperada das forças em declínio para a última tentativa de resistência à morte. Impressiona, assusta, amedronta, os que o conheceram vivo sempre a ameaçar de formas diferentes, parecendo muitas vezes inofensivo e até amigo para os que vivem o seu dia a dia de trabalho na luta pela sobrevivência e um pouco de alegria. Não se pode calcular o tempo que o estertor poderá durar, nem as agressões que ainda serão causados por aquela poderosa força que viveu da absorção de milhões de vidas sacrificadas em seu benefício.
Povos antigos criaram histórias que registam na figura de animais com o corpo misturado com características humanas, constituindo símbolos das forças do mal que permanentemente destruíram a paz entre os homens trabalhadores e entristeceram a vida das famílias e seus filhos que cresceram no medo. Alimentaram a idéia de que um dia surge um herói capaz de matar o monstro e salvar a humanidade. A forma mitológica não prepara os povos para uma compreensão de que o "mal" está presente nas ambições de uns sobre os outros, no oportunismo dos que enganam os mais ingénuos, no abuso das capacidades de quem é mais forte explorando e até escravizando os que dele dependem. Nem sempre o "mal" tem a cara de "mau", mesmo porque as suas capacidades empreendedoras lembram os heróis.
Com tais crenças tradicionais, o monstro maligno foi apoiado através dos tempos pelos povos que consideraram normal e cômodo submeterem-se ao comando de uma elite capaz de organizar a vida em sociedade distribuindo as migalhas da sua crescente riqueza produzida pelo trabalho de todos, como salários mínimos e algum apoio social para que o povo continue a viver e possa comprar produtos para que o dinheiro circule.
Mas as sociedades começaram a despertar e a pensar sem medo sobre as injustiças criadas por uma elite nem sempre respeitável nem admirável pelas suas qualidades pessoais - revelam pouca inteligência, desonestidade, luxúria, esbanjamento, oportunismo, mentiras, incompetência, mesmo na sua função de administrador e gestor das questões públicas - na defesa do sistema monstruoso que os mantém no poder.
Elite capitalista privilegiada
A descoberta de que a elite (que representava os heróis pelas suas qualidades pessoais e capacidades de proteger os que a ela se subordinavam) tem defeitos e ambições que a levam a explorar e trair os interesses dos povos, corresponde ao desenvolvimento de uma consciência democrática que desencadeia a participação popular na condução política da sociedade. Os trabalhadores e toda a população dependente, portanto a classe mais pobre, dá início á sua formação, ao seu desenvolvimento de cidadão, à luta contra os erros (para os que são escravizados) de administração e gestão impostos pela elite que acumulou as riquezas para seu uso pessoal. Inicia-se um período revolucionário de distribuição igualitária dos benefícios através dos serviços públicos de um Estado Social.
Na medida em que a elite luta pelo seu poder haverá confrontos com os que lutam pela democracia no estabelecimento dos princípios de igualdade e de liberdade social. A fraternidade será fruto da justiça com o fim da exploração dos mais carentes e dos preconceitos - de origem étnica, de opções ideológicas e religiosas, de gênero, de capacidade física, etc.
As mudanças não ocorrem de um dia para outro. A consciência de cidadania depende da formação mental, dos movimentos sociais, do esclarecimento sobre a informação que é deturpada pela mídia, por vencer os medos que os mais pobres têm de perder a capacidade de sobreviver. Há milênios que as elites controlam os povos com ameaças de fome e morte e distribuição de parcos recursos para que trabalhem sem contestar as condições. Criaram mitos que justificam tal situação como uma realidade insuperável. Controlam as mentes selecionando as informações divulgadas, limitam o ensino de acordo com a riqueza de cada um, também o atendimento à saúde é feito de acordo com os privilégios de classe. Vendem as casas, a água, a energia, o transporte, a segurança civil, a previdência social para os incapacitados, e cobram impostos sobre todos os produtos que circulam na sociedade.
A história das lutas, reveladas pelos livros e pelos militantes revolucionários, é permanentemente combatida pelas forças armadas da elite. Matam, prendem e destroem os registos, para que os povos não os sigam. As grandes descobertas científicas, feitas em benefício da humanidade, foram usadas para destruir inocentes, como: a bomba atômica, os aparelhos óticos de longa distância, os aviões, submarinos, os raios-X, a internet, os medicamentos e produtos químicos aplicados à natureza, a seleção dos vírus e bactérias. As diferentes idéias são utilizadas para promover conflitos sociais, e destes chegam às guerras que enfraquecem nações para que os mais fortes ocupem or ricos territórios com o pretexto de pacificação e roubem as riquezas lá existentes.
A crise do sistema
Falamos nos "estertores" do capitalismo ao assistir as crises que o sistema enfrenta chegando ao fim da sua fase de produção e mergulha na de concentração financeira como fruto da mesquinha tendência da usura que dominou a elite. Parece a morte de um monstro que devorou os que o construíram. É uma etapa da evolução de um processo que teve como ideal o enriquecimento. Cabe à humanidade, que foi explorada e se tornou a vítima da ambição usurária da elite, impor um novo processo construtivo com o ideal social, do bem comum para salvar os povos e o planeta.
A elite, para sobreviver como parte do coletivo social, deverá desenvolver a consciência de cidadania e as suas capacidades construtivas como todos, sem controlar o poder que será gerido democraticamente.
A América Latina tem caminhado neste sentido e várias nações despertaram para a necessidade de iniciar programas de democracia cidadã. Sem confrontos bélicos os partidos de esquerda conquistaram os Governos aliados aos setores produtivos da elite nacional. Deram maior importância ao desenvolvimento de áreas antes abandonadas e a populações até então marginalizadas e vivendo na miséria.
A semente deste comportamento político deve-se a Cuba, que suportou mais de meio século de bloqueio económico imposto pelo imperialismo que pretendia assim destruir o sistema socialista implantado. Além de sobreviver como nação independente Cuba desenvolveu a educação e a saúde a nível dos países mais ricos do mundo e manteve a sua produtividade de modo precário por falta de investimentos mas equilibrado para atender de forma igualitária as necessidades básicas de toda a população. Destacou-se no mundo como nação solidária com os povos em luta pela sua independência na África com as suas forças armadas que sempre garantiram a integridade nacional quando agredidas pelos Estados Unidos. Diante do caos que domina os países mais ricos e mais anti-democráticos do planeta, Cuba emerge com uma riqueza insubstituível de características éticas e humanista.
O surgimento de Hugo Chaves como um grande líder na Venezuela que abriu caminho para o que chamou "Revolução Bolivariana", reforçou o exemplo de Cuba que também foi buscar inspiração em heróis latino-americano, como José Marti, para congregar os seus apoiantes nas fileiras populares com tradição de luta histórica contra o colonialismo. Todas as nações da América do Sul e Central desenvolveram movimentos libertadores de ditaduras impostas pelo imperialismo e foram, uma a uma, elegendo para os Governos lideres de esquerda coligados com forças políticas defensoras de um capitalismo nacional que se via oprimido pela matriz mundial aliada ao imperialismo.
No Brasil a eleição do Presidente Lula foi de extrema importância por se tratar do maior país do continente que retomou a linha do nacionalismo aberta por Getúlio Vargas que criou as grandes empresas estatais e a legislação do trabalho. Em 12 anos, um presidente que tem apenas o diploma primário colocou mais estudantes na universidades e três vezes e meia mais estudantes em escolas técnicas do que antes foi feito em 100 anos. Este Presidente operário levou energia elétrica gratuita para 15 milhões de pessoas, não deixou que fosse privatizado o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e os bancos do Espírito Santo, de Santa Catarina e do Piauí. Nos últimos 12 anos 70 milhões de pessoas puderam ter conta bancária, gente que entrou numa agência bancária pela primeira vez sem ser para pagar conta (discurso no sindicato dos bancários do ABC no dia 24 de julho de 2015: Jornal do Brasil online de 25/07/2015). Some-se a isto a distribuição de Bolsa Família a 11 milhões de famílias que viviam na miséria e sem documentos de cidadão - certidão de nascimento, registo em qualquer instituição de Estado para ter acesso ao serviço de saúde, escolas e segurança social. O reconhecimento de que o Brasil deveria apoiar a independência das demais nações latino-americanas levou Lula a retirar a Petrobrás do território boliviano onde explorava as jazidas de gás e a pagar o justo valor pelo uso da energia elétrica fornecida pelo Paraguai. Lula deu voz aos pobres e aos habitantes da periferia de uma sociedade capitalista dependente. E isto assustou o grande império e seus vassalos nacionais.
A criação do Mercosul permitiu um intercâmbio fraterno entre as nações latino-americanas tanto ao nível das trocas comerciais como no apoio ás lutas de cada um contra o poder imperialista, as questões internas derivadas de guerrilhas contra governantes comandados pelos Estados Unidos (como a Colombia) ou as dívidas impagáveis contraídas com o FMI (como ocorreu com a Argentina). A criação da ALBA e da CELAC completaram as organizações de unificação das nações latino-americanas para a sua defesa perante o mercado internacional que é comandado pelo imperialismo e não para centralizar o poder nos países mais ricos que exploram os mais pobres (como faz a União Europeia).
A crise do sistema capitalista libertou da pressão imediata do imperialismo o continente latino-americano que cultivava e disseminava a luta vitoriosa de Cuba Socialista. A Nação líder, norte-americana, do imperialismo procurou fortalecer-se na Europa unida por organismos militares (NATO) e financeiro (Banco Central Europeu e FMI) e sugar as economias do Oriente Médio e da África já que não conseguia manter as garras na América do Sul como antes.
As nações mais pobres são as vítimas
De facto a UE com os Estados Unidos, reforçaram o sistema na sua função de domínio de tipo colonial sobre as nações europeias mais pobres, substituindo as guerras e invasões ( do Afeganistão, Iraque e Paquistão) por um trabalho secreto de provocação de conflitos internos contra os respectivos governos nacionais no Oriente Médio e Norte da África. Primeiro surgiram no leste os movimentos floridos, que destroçaram a antiga Iugoslávia e enfraqueceram as antigas repúblicas socialistas e a Ucrânia. Depois foi a Primavera Árabe que trucidou o Egito, a Líbia, a Eritreia, a Somália), e pela mão de Israel a guerra permanente contra o Estado Palestino. Com a formação do grupo terrorista "Estado Islâmico" (com militares remanescentes dos mercenários utilizados nas guerras) o imperialismo o usa como ponta de lança para atacar sobretudo a Síria. Mas a produção e organização de jovens terroristas foi um tiro no pé das sociedades mais ricas onde a juventude é mantida alienada para dar menos trabalho, mas que querem ser "heróis" como mostram os filmes da Fox e milhares de revistas de entretenimento perverso.
A presença forte e pacifista da China e a formação de uniões como BRICS e as que unem China, Vietnam, Rússia e outras nações da Ásia, é um forte anteparo ao avanço imperialista à oriente. Começam a ressurgir organismos de unificação dos países africanos que já têm presença na defesa internacional dos Direitos Humanos. E a América Latina é um exemplo que assusta a elite mundial.
Escravidão e genocídio
Desta guerra não declarada morrem milhares de civis e outros tantos, de uma classe média com alguma posse e formação escolar, fogem desesperados para a Europa através de um sistema criminoso de agentes que os metem em barcos para serem abandonados pela tripulação e ficam à deriva no Mediterrâneo. Como não surgem os que promovem a guerra, os países capitalistas assumem posições de falso humanismo para receberem os foragidos que, no melhor dos casos são alimentados e mantidos em campos provisórios com apoio voluntários das organizações de caridade. São os modernos "campos de concentração". As condições em que são conduzidos para os países ricos em busca de uma vida equilibrada, com risco de morte por afogamento e insolação/ desidratação, evidentemente é acompanhada (senão organizadas) pelas polícias secretas do imperialismo que criam um cenário confuso como filme de detetive. Salvos no Mediterrâneo são despejados na Itália e Grécia enquanto a União Europeia discute as "quotas" de "solidariedade" que cada país terá de suportar. Morrem milhares por afogamento e cansaço, então põem um super-barco e comboios nos caminhos de ferro para transportá-los para o interior da Europa mais à leste para proteger a Austria e a Alemanha. A face "humanista" aparece, mas não se sabe por quanto tempo, pois as guerras e o terrorismo criados para salvar o sistema prosseguem sem controle.
O panorama financeiro do sistema é contraditório porque serve para alimentar grandes fortunas pessoais e bancos privados por onde circula o "dinheiro podre" da especulação imobiliária que estoura periodicamente como "bolhas" e o resultado da "lavagem do dinheiro" obtido de maneira fraudulenta. Os poderes judiciários em algumas nações (Portugal, por exemplo) têm denunciado e levado à prisão renomados banqueiros e políticos corruptos, mas o dinheiro não retorna aos contribuintes lesados nem ao Estado que assume as dívidas e privatiza as empresas nacionais.
Visivelmente o sistema está falido, o que começa a ser reconhecido por altas personalidades conservadoras. Mas ainda não há força de esquerda capaz para criar uma alternativa socialista porque o sistema financeiro é mundial e amarra todas as medidas de produção e comercialização nas moedas padrão, dollar e euro. Os conservadores que defendem a dignidade do cidadão, afastam-se de uma camada de oportunistas que se apresentam como gestores políticos e prestam serviços ao imperialismo que os promove. É hora de aprofundar as discussões sobre as metas do capitalismo e as do socialismo e estabelecer um plano de trabalho para salvar a humanidade com dignidade.
Ignorância e ódio anti-revolucionários
A evolução da humanidade carrega conquistas positivas no pensamento científico e na produção económica e, ao mesmo tempo, fortalece uma elite privilegiada exploradora e autoritária que combate os princípios de liberdade, igualdade e fraternidade que são a base da democracia. Tal contradição corresponde às formulações políticas de direita, para a elite e seus subordinados, e de esquerda para os trabalhadores e militantes revolucionários. O antagonismo dessas duas forças sociais é insuperável.
A social-democracia demagogicamente se apresenta como "capitalista à esquerda" como se fosse possível defender ao mesmo tempo o explorador e o explorado, os ricos e os pobres, os que mandam e os que obedecem. Dependendo das condições históricas dominantes, podem ser feitas alianças nacionalistas, pelos social-democratas, com a esquerda (nas guerras contra o fascismo, no desenvolvimento nacional contra as oligarquias ou o poder externo colonizador, por exemplo) que serão transitórias. Mas, mesmo durante este período de alianças, o caminho da esquerda é pela defesa dos setores mais pobres da sociedade e o desenvolvimento de uma consciência de classe e de cidadania e o dos capitalistas é pela concentração do capital que sempre depende do poder financeiro mundial. A esquerda permanecerá na defesa das empresas nacionais e a direita favorecerá a privatização para obter capital em prejuízo do poder nacional que garante a independência.
Dinheiro não falta! Vergonha, sim!
Em Portugal as grandes empresas públicas privadas têm lucros milionários; os clubes de futebol pagam grossos salários e distribuem prêmios bilionários; o jogador de futebol Cristiano Ronaldo oferece uma ilha grega privada como presente de casamento ao amigo e compra um apartamento de mais de 16 milhões de dólares nos Estados Unidos; a medicina privada dá lucros; também o ensino privado é uma mina; a indústria do turismo faz hotéis de alto luxo em terras da Reforma Agrária; o povo miúdo e médio emigra em busca de emprego e amarga na austeridade, pois alguém tem de enfrentar o dever de pagar uma velha dívida feita em nome de Portugal. Um ex-Primeiro Ministro e um dos grandes gestores do centenário Banco Espírito Santo estão presos. Faltam outros que andam por aí inventando maneiras de ficarem com as poupanças de quem confiou no sistema capitalista para poder ter uma velhice tranquila depois de uma vida de trabalho pesado.
A União Europeia faz chantagem para dar à Grécia o dinheiro de sobrevivência e, aliada ao FMI desempenha as funções complementares para que o imperialismo provoque distúrbios internos em países do Oriente Médio, na África, na Ásia, na América Latina, com o Estado Islâmico como ponta de lança para justificar invasões, uso de drones mortíferos, ameaças militares em bases de países democráticos e festas para promover o turísmo em substituição à agricultura, a pesca, o pequeno artesanato, o comércio que foi espoliado pelos impostos.
O crime organizado espalha os seus produtos: drogas, prostitutas, medicamentos para desvarios sexuais, e agora, barcos para levarem os fugitivos, como escravos, do horror das guerras para o alto mar. E ninguém reclama dos organizadores desta chacina monstruosa!
A esperança ainda é a "Revolução dos Cravos"
Em 1979, Vasco Gonçalves divulgou um opúsculo sobre "uma nova doutrina da defesa nacional ajustada ao novo Estado democrático-constitucional". Refere as grandes transformações operadas nas estruturas sócio-económicas com a queda do fascismo e o fim do império colonial, as modificações das relações de força entre as classes sociais e a Constituição da República que recolhe e consagra essas transformações como conquistas irreversíveis do povo português, institucionalizando as bases de uma nova organização política e económica e as novas missões constitucionais, interna e externa, impostas às Forças Armadas.
"Com as grandes transformações (...) foram criadas condições para a superação das contradições antagónicas(...)" antes existentes sob o domínio de camadas sociais ligadas aos monopolistas e os latifundiários ligados ao grande capital internacional e o imperialismo que "são inimigos externos do novo regime democrático-constitucional".
Para recuperar a dignidade nacional daquele momento histórico é preciso assumir o dever ético de lutar pela integridade dos povos que hoje estão sendo engolidos pelo monstro. Que se abra uma nova fase de solidariedade real, histórica, de emancipação da humanidade com todas as suas diferenças postergadas pela urgência da libertação do caos a que as ambições mesquinhas criaram.
Zillah Branco
quarta-feira, 8 de julho de 2015
Democracia é palavra grega e mundial
A palavra e o seu conceito nasceram na Grécia antiga, depois passou a ser repetida em todo o planeta graças às lutas dos povos contra o domínio e a exploração impostos por elites que passaram a controlar o poder financeiro e militar.
Para não reconhecer as graduais derrotas, a elite (que controla os meios de comunicação e forma a opinião pública fazendo esquecer a cultura e a formação ideológica dos povos), adota palavras como democracia e liberdade deturpando o seu conteúdo histórico. Assim surgiu o conceito de capitalismo democrático, e os seus líderes imperialistas apresentam-se como democratas mesmo quando invadem os países independentes e chacinam as populações civis; quando dão armas a grupos terroristas e exércitos mercenários que desestabilizam o Oriente Médio e o norte da África; quando apoiam grupos de direita que preparam golpes na progressista América Latina. E, com a falsa democracia foi criada a União Europeia que desuniu os povos e uniu os capitais sob o controle do Banco Europeu que criou a moeda Euro.
A Grécia, que sofreu a ocupação alemã na última guerra (tendo um milhão de mortos e a produção nacional destruída) e recusa pagar esta imensa dívida, suportou décadas de pressões imperialistas que impuseram ditaduras que impediram o desenvolvimento nacional até ser admitida democráticamente como parceira da União Europeia.
O povo grego, cansado de ser traído por governantes que aceitaram os programas da UE e FMI que resultaram na austeridade para a população e o enriquecimento dos banqueiros e afins, elegeu um governo de esquerda chefiado por Alexis Tsipras. Os debates de surdos foram feitos durante cinco meses com os mandatários e especialistas da UE/FMI que insistem em comandar o novo governo sem mudar as suas táticas destrutivas até que Tsipras resolveu consultar o povo se devia ou não aceitar o comando externo. A resposta dada foi um rotundo NÃO (OXI em grego) que o mundo inteiro entendeu (com os parabéns escritos em todos os idiomas), menos os dirigentes do Conselho Europeu.
Com as suas gravatas e roupas finas, concederam uma nova reunião com o Primeiro Ministro da Grécia, Tsipras que lá foi com o renovado apoio popular (que os demais não têm, por isso compram roupas caras e gravatas para manter a falsa firmeza de governantes democraticamente eleitos). Explicou o que é democracia, desenvolvimento, produção, independência e soberania. Mas não deu a lista de despesas que fará com os 7 mil milhões de Euros necessários para sair do buraco em que a UE/FMI meteu o povo grego. Não cumpriu a exigência dos que se assenhorearam do capital europeu para colonizar os povos. E fez muito bem! Aplaude a humanidade que defende a dignidade dos povos e o Direito dos Homens.
Os dirigentes da UE sairam descontentes dizendo à mídia submissa que a Grécia não fez a lição e poderá ser expulsa da Zona Euro! Mas o mundo viu que a UE e o FMI não entenderam a resposta de Tsipras que qualquer cidadão do mundo entende, porque a questão é DEMOCRACIA!
Zillah Branco
segunda-feira, 6 de julho de 2015
Do medo à conivência
Medo, auto-defesa, conivência
A sociedade moderna, onde a pressa impõe decisões ultra-rápidas, retira ao ser humano a sua capacidade de pensar e refletir utilizando princípios éticos que vieram de tempos melhores. Eram tempos em que o convívio pausado permitia aprender com a experiência do outro, ouvir o que ensinavam os mais velhos, ponderar considerando a sua realidade e a de outros a quem teria o prazer de ajudar. Não se vivia sob a pressão de um mercado bem publicitado para convencer o cidadão a consumir produtos cuja utilidade pode ser desnecessária.
Se observarmos uma criança de 3 anos vemos que ela quer aprender, quer participar, quer colaborar. Tendo essas oportunidades, passará a ter idéias próprias e a criar soluções. Se for atropelada por uma "educação" autoritária, apenas vai repetir o que viu, como um robô. Terá sido amedrontada, alienada e transformada em um instrumento repetidor do comando que recebeu.
As conquistas da humanidade ao longo da sua experiência desde a Idade da Pedra, transformou aquele ser, que disputava o território com outros animais, em um pensador capaz de escolher as melhores condições de sobrevivência inserido na coletividade. Selecionou os princípios que propiciam um bom relacionamento social, solidário com os que têm alguma dificuldade, exemplar para formar bons parceiros de vida, firme para evitar eventuais erros de quem revela egoísmo, criativo para introduzir ou receber novas idéias, defensor da comunidade quando agredida.
Com a má divisão das riquezas, formou-se uma elite poderosa que passou a escravizar os que trabalhavam pela subsistência. Surgiram as classes sociais, uma explorando a outra, dando apenas os recursos para sobreviverem sem tempo para cultivarem o seu próprio desenvolvimento intelectual e tomarem conhecimento das idéias novas que promoviam o avanço das artes e ciências. Houve confrontos entre os que trabalhavam e os que mandavam, pois nem todos desistiram de pensar e de lutar pela liberdade. Ocorreram momentos revolucionários que impuseram as idéias de liberdade, igualdade, fraternidade, contidos na definição de democracia e direitos humanos nos regimes políticos de organização das sociedades.
Tudo isto leva tempo para ser concretizado em cada país, dependendo da história de cada povo e do poder militar da elite que o governa. O sistema denominado capitalista condiciona o poder do capital como o que forma a elite governante. Os poderosos eram as famílias que controlavam as riquezas produzidas pelo povo ou conquistadas a outros povos vencidos em batalhas. Durante muitos séculos os países mais ricos colonizaram os mais pobres, e as monarquias europeias enriqueceram com os produtos extraídos de outros continentes vencidos e escravizados. Ao serem organizadas as instituições financeiras - bancos, moedas, papéis de crédito - as monarquias passaram a ser dependentes desta nova elite que organizava o capital. Permaneceram aliadas as duas elites, uma burguesa e outra "nobre" para manter a imagem de "poder familiar tradicional" que fazia parte da cultura transmitida aos povos.
Surgiu a definição de um sistema de organização das sociedades em que a elite seria subordinada, como todo o povo, a um Estado Socialista que aplicaria os recursos em benefício da coletividade. Todos teriam direitos de cidadania - saúde, ensino, moradia, transporte, alimentação e vestimenta - e trabalhariam de acordo com as suas aptidões, para o desenvolvimento nacional. A primeira revolução socialista, definida por Marx e Engels no "Manifesto Comunista" em 1848 foi liderada por Wladimir I. lenine e seus camaradas, na Rússia em 1917. Foi criado o poder Soviético (do russo soviets=popular) que passou a ser combatido por todos os países capitalistas mesmo depois de vencer o exército de Hitler ao lado dos aliados europeus e norte-americanos. Uma guerra surda, sob o título de cortina de ferro, desenvolveu-se contra os 14 países socialistas que se uniram à Rússia Soviética para manter o regime socialista e apoiar todos os movimentos de libertação nacional e os partidos comunistas que surgiram em todos os continentes. A China, Vietnam, Laos, Coreia do Norte e Cuba realizaram as suas revoluções e instituíram o regime socialista nos seus territórios.
Grandes conquistas foram alcançadas em benefício de toda a humanidade que teve acesso ao conhecimento, que era propriedade apenas das elites, e que impôs os princípios democráticos e dos direitos humanos através da ONU, os direitos trabalhistas através da OIT, a defesa da saúde através da OMS, os direitos das crianças através da UNICEF, a orientação na produção de alimentos através da FAO e outros serviços internacionais de apoio às conquistas como a da igualdade de direitos das Mulheres, das diferentes etnias, etc. Não se pode esquecer que todas estas conquistas foram reconhecidas no plano jurídico e que só são impostas pela força política dos movimentos populares, pois mundialmente segue o poder capitalista que minou por dentro até mesmo o poder soviético que ruiu na década de 1990, depois de uma experiência de quase 80 anos que transformou a Rússia na segunda potência mundial. Mas, a luta continua, entre os que pensam e lutam e os que cumprem as ordens do modelo capitalista.
As crises periódicas do sistema capitalista mostram a sua fragilidade e desvendam as formas de comando exercidas para transformar os humanos em robôs. O título deste artigo refere a situação dramática em que os povos se vêm atualmente, ano 2015, submetidos ao poder imperial (que reune as elites capitalistas sob o comando dos EU) que promove invasões dos países árabes em busca de petróleo, assassinatos de governantes depois de promoverem conflitos sociais internos em cada país, formação de grupos terroristas (como o chamado Estado Islâmico) que são armados para destruir o equilíbrio social tanto no Oriente Médio como na Europa, controle da comunicação social e das técnicas de publicidade para formar opinião pública favorável aos interesses capitalistas (transformando o ser pensante em robôs para elegerem governantes da elite, mas também para sucumbirem ao medo dos perigos anunciados, à auto-defesa para preservarem os seus interesses pessoais, e tornarem-se coniventes com as orientações imperiais).
Esta despersonalização de cidadãos capazes de defender a humanidade é que cria uma inércia e um insensibilidade dominantes em populações que assistem sem aparente emoção que governantes incompetentes destruam as instituições do Estado instaurando o caos na Justiça, nas Finanças, na Previdência, na Economia, nas Escolas, nos Transportes, nas Forças Armadas e na Polícia e vendam o patrimônio nacional ao desbarato para fazer dinheiro, como fazem os ladrões comuns; que os que confiaram as suas poupanças a um banco nacional vejam que os donos usaram para si os seus depósitos e nada pagam; que as crianças cheias de fome queiram frequentar as escolas mesmo durante as férias onde comem alguma refeição; que os idosos só recebam o suficiente para comer ou comprar medicamentos; que todos os dias vejam as notícias de grandes barcos, carregados de refugiados dos países destroçados pelo imperialismo, flutuem sem tripulação pelo mar Mediterrâneo em busca de um porto europeu que os aceite; que os credores da Troika/FMI imponham aos países o programa de miséria que favorece os donos do capital; que desesperem uma geração de jovens que não podem pagar as propinas das escolas, ou não têm emprego com os diplomas nas mão, que não acreditam nos governantes nem nos adultos cheios de medo de perderem o pouco que têm, nem nos deuses tradicionais, nem nas drogas oferecidas em cada esquina, e que são capazes de se deixarem levar pelos terroristas para saciarem o ódio que lhes sobra de uma rebeldia amordaçada na alma de robôs.
Os fabricantes de terroristas, (que hoje são apresentados pelas revelações que a mídia recebe de redes de ex-funcionário da CIA e de hackers, como Assange, que usaram as suas capacidades para trazerem a público as decisões criminosas dos imperialistas) são os grandes culpados pelo sofrimento da humanidade e pela anulação da capacidade de pensar e de lutar que o ser humano tem. Mas cada um tem de lutar intimamente para compreender que não pode aceitar tornar-se um robô. Os que se desviaram do caminho bem pago da CIA ou dos hackers que roubavam informações em benefício próprio, deram um exemplo do despertar da razão humana na cabeça de um robô. Com mais razão um cidadão comum, trabalhador honesto, descobre em si o dever de lutar e a satisfação em participar numa luta coletiva para reabilitar a humanidade extirpando o caos agora instalado no planeta.
Zillah Branco
A sociedade moderna, onde a pressa impõe decisões ultra-rápidas, retira ao ser humano a sua capacidade de pensar e refletir utilizando princípios éticos que vieram de tempos melhores. Eram tempos em que o convívio pausado permitia aprender com a experiência do outro, ouvir o que ensinavam os mais velhos, ponderar considerando a sua realidade e a de outros a quem teria o prazer de ajudar. Não se vivia sob a pressão de um mercado bem publicitado para convencer o cidadão a consumir produtos cuja utilidade pode ser desnecessária.
Se observarmos uma criança de 3 anos vemos que ela quer aprender, quer participar, quer colaborar. Tendo essas oportunidades, passará a ter idéias próprias e a criar soluções. Se for atropelada por uma "educação" autoritária, apenas vai repetir o que viu, como um robô. Terá sido amedrontada, alienada e transformada em um instrumento repetidor do comando que recebeu.
As conquistas da humanidade ao longo da sua experiência desde a Idade da Pedra, transformou aquele ser, que disputava o território com outros animais, em um pensador capaz de escolher as melhores condições de sobrevivência inserido na coletividade. Selecionou os princípios que propiciam um bom relacionamento social, solidário com os que têm alguma dificuldade, exemplar para formar bons parceiros de vida, firme para evitar eventuais erros de quem revela egoísmo, criativo para introduzir ou receber novas idéias, defensor da comunidade quando agredida.
Com a má divisão das riquezas, formou-se uma elite poderosa que passou a escravizar os que trabalhavam pela subsistência. Surgiram as classes sociais, uma explorando a outra, dando apenas os recursos para sobreviverem sem tempo para cultivarem o seu próprio desenvolvimento intelectual e tomarem conhecimento das idéias novas que promoviam o avanço das artes e ciências. Houve confrontos entre os que trabalhavam e os que mandavam, pois nem todos desistiram de pensar e de lutar pela liberdade. Ocorreram momentos revolucionários que impuseram as idéias de liberdade, igualdade, fraternidade, contidos na definição de democracia e direitos humanos nos regimes políticos de organização das sociedades.
Tudo isto leva tempo para ser concretizado em cada país, dependendo da história de cada povo e do poder militar da elite que o governa. O sistema denominado capitalista condiciona o poder do capital como o que forma a elite governante. Os poderosos eram as famílias que controlavam as riquezas produzidas pelo povo ou conquistadas a outros povos vencidos em batalhas. Durante muitos séculos os países mais ricos colonizaram os mais pobres, e as monarquias europeias enriqueceram com os produtos extraídos de outros continentes vencidos e escravizados. Ao serem organizadas as instituições financeiras - bancos, moedas, papéis de crédito - as monarquias passaram a ser dependentes desta nova elite que organizava o capital. Permaneceram aliadas as duas elites, uma burguesa e outra "nobre" para manter a imagem de "poder familiar tradicional" que fazia parte da cultura transmitida aos povos.
Surgiu a definição de um sistema de organização das sociedades em que a elite seria subordinada, como todo o povo, a um Estado Socialista que aplicaria os recursos em benefício da coletividade. Todos teriam direitos de cidadania - saúde, ensino, moradia, transporte, alimentação e vestimenta - e trabalhariam de acordo com as suas aptidões, para o desenvolvimento nacional. A primeira revolução socialista, definida por Marx e Engels no "Manifesto Comunista" em 1848 foi liderada por Wladimir I. lenine e seus camaradas, na Rússia em 1917. Foi criado o poder Soviético (do russo soviets=popular) que passou a ser combatido por todos os países capitalistas mesmo depois de vencer o exército de Hitler ao lado dos aliados europeus e norte-americanos. Uma guerra surda, sob o título de cortina de ferro, desenvolveu-se contra os 14 países socialistas que se uniram à Rússia Soviética para manter o regime socialista e apoiar todos os movimentos de libertação nacional e os partidos comunistas que surgiram em todos os continentes. A China, Vietnam, Laos, Coreia do Norte e Cuba realizaram as suas revoluções e instituíram o regime socialista nos seus territórios.
Grandes conquistas foram alcançadas em benefício de toda a humanidade que teve acesso ao conhecimento, que era propriedade apenas das elites, e que impôs os princípios democráticos e dos direitos humanos através da ONU, os direitos trabalhistas através da OIT, a defesa da saúde através da OMS, os direitos das crianças através da UNICEF, a orientação na produção de alimentos através da FAO e outros serviços internacionais de apoio às conquistas como a da igualdade de direitos das Mulheres, das diferentes etnias, etc. Não se pode esquecer que todas estas conquistas foram reconhecidas no plano jurídico e que só são impostas pela força política dos movimentos populares, pois mundialmente segue o poder capitalista que minou por dentro até mesmo o poder soviético que ruiu na década de 1990, depois de uma experiência de quase 80 anos que transformou a Rússia na segunda potência mundial. Mas, a luta continua, entre os que pensam e lutam e os que cumprem as ordens do modelo capitalista.
As crises periódicas do sistema capitalista mostram a sua fragilidade e desvendam as formas de comando exercidas para transformar os humanos em robôs. O título deste artigo refere a situação dramática em que os povos se vêm atualmente, ano 2015, submetidos ao poder imperial (que reune as elites capitalistas sob o comando dos EU) que promove invasões dos países árabes em busca de petróleo, assassinatos de governantes depois de promoverem conflitos sociais internos em cada país, formação de grupos terroristas (como o chamado Estado Islâmico) que são armados para destruir o equilíbrio social tanto no Oriente Médio como na Europa, controle da comunicação social e das técnicas de publicidade para formar opinião pública favorável aos interesses capitalistas (transformando o ser pensante em robôs para elegerem governantes da elite, mas também para sucumbirem ao medo dos perigos anunciados, à auto-defesa para preservarem os seus interesses pessoais, e tornarem-se coniventes com as orientações imperiais).
Esta despersonalização de cidadãos capazes de defender a humanidade é que cria uma inércia e um insensibilidade dominantes em populações que assistem sem aparente emoção que governantes incompetentes destruam as instituições do Estado instaurando o caos na Justiça, nas Finanças, na Previdência, na Economia, nas Escolas, nos Transportes, nas Forças Armadas e na Polícia e vendam o patrimônio nacional ao desbarato para fazer dinheiro, como fazem os ladrões comuns; que os que confiaram as suas poupanças a um banco nacional vejam que os donos usaram para si os seus depósitos e nada pagam; que as crianças cheias de fome queiram frequentar as escolas mesmo durante as férias onde comem alguma refeição; que os idosos só recebam o suficiente para comer ou comprar medicamentos; que todos os dias vejam as notícias de grandes barcos, carregados de refugiados dos países destroçados pelo imperialismo, flutuem sem tripulação pelo mar Mediterrâneo em busca de um porto europeu que os aceite; que os credores da Troika/FMI imponham aos países o programa de miséria que favorece os donos do capital; que desesperem uma geração de jovens que não podem pagar as propinas das escolas, ou não têm emprego com os diplomas nas mão, que não acreditam nos governantes nem nos adultos cheios de medo de perderem o pouco que têm, nem nos deuses tradicionais, nem nas drogas oferecidas em cada esquina, e que são capazes de se deixarem levar pelos terroristas para saciarem o ódio que lhes sobra de uma rebeldia amordaçada na alma de robôs.
Os fabricantes de terroristas, (que hoje são apresentados pelas revelações que a mídia recebe de redes de ex-funcionário da CIA e de hackers, como Assange, que usaram as suas capacidades para trazerem a público as decisões criminosas dos imperialistas) são os grandes culpados pelo sofrimento da humanidade e pela anulação da capacidade de pensar e de lutar que o ser humano tem. Mas cada um tem de lutar intimamente para compreender que não pode aceitar tornar-se um robô. Os que se desviaram do caminho bem pago da CIA ou dos hackers que roubavam informações em benefício próprio, deram um exemplo do despertar da razão humana na cabeça de um robô. Com mais razão um cidadão comum, trabalhador honesto, descobre em si o dever de lutar e a satisfação em participar numa luta coletiva para reabilitar a humanidade extirpando o caos agora instalado no planeta.
Zillah Branco
sábado, 4 de julho de 2015
Crise de quê?
A crise, ou as crises, se instalaram. Isto ninguém pode negar. São tantas - financeira, ética, de competência administrativa, de caráter, de respeito humano, de sensibilidade, de percepção da inteligência popular e dos valores patrióticos, e outras mais - que a situação política na Europa sob a liderança da União Europeia de braços dados com o FMI e o Pentágono tem ministrado um curso intensivo de política que aponta metas contrárias às dos seus dirigentes. Saltando de galho em galho para corrigir as escorregadelas conseguiram aproximar o raciocínio de toda a gente honrada, seja de esquerda ou de direita. A dialética passou a gerir as consciências.
Fica claro que os tecnocratas de serviço só conseguem pensar em dinheiro sonante quando falam em desenvolvimento. São capazes de recomendar a uma família em dificuldade para sustentar 10 filhos que a solução é exportar 3 dos mais fortes, deixar morrer 4 dos mais débeis e manter sob controle austero os que restam para poder amealhar cada ano mais uns tostões. E com as oportunidades oferecidas pelo turismo e graças à paisagem e à culinária de origem rural, vende-se de tudo um pouco para aumentar o pé de meia a qualquer custo. A visão reduzida dos financistas dogmáticos impede que lembrem o que é um ser humano, os seus valores tradicionais, a sua sensibilidade e afeto, a criatividade comprovada, a história patriótica e o património herdado, a dignidade de um povo, a independência nacional.
Diante da catástrofe que é ter por dirigentes continentais e nacionais espécimes tão precários, naturalmente as pessoas normais se encontram no protesto apesar de divergências ideológicas ou de tendências menos drásticas. Em Portugal todos os dias alguém protesta e faz greve por falta de interlocutor governamental: os trabalhadores mal pagos, os desempregados, os pensionistas que morrem à mingua, os reformados com os cortes nos rendimentos, os espoliados das suas moradias por não poderem suportar as coimas, os doentes que não podem pagar os medicamentos, os que não são atendidos nos Centros de Saúde, os médicos contratados com salários de quem não tem formação superior, os enfermeiros que não têm descanso, os juízes que não têm condições de trabalho, os estudantes que não têm aulas, os professores que não são contratados, os comerciantes que depositaram os seus recursos e foram roubados por banqueiros sem escrúpulos, os pais de crianças especiais que não são mais recebidos na escola, idosos acamados que deixaram de ser atendidos apesar de viverem sozinhos, bombeiros que arriscam a vida com equipamentos inadequados e sem salários suficientes, polícias mal pagos que precisam fazer serviços remunerados incompatíveis, militares que afirmam não existirem mais condições para a defesa do país, autarcas que sentem as omissões do governo central pesarem sobre os concelhos como se fossem uma federação sem orçamento próprio, políticos conservadores que não suportam a vergonha de representarem os seus partidos que cumprem ordens externas, toda agente que vê o património empresarial do Estado a ser vendido a preço de saldo na feira. A lista é enorme. Ficamos à espera que entrem em greve os padres e freiras, assim como os voluntários e os recém nascidos.
E dizem que o caos está na Grécia onde o governo e o seu povo não aceitam mais os sacrifícios impostos pelos credores com seus modelos de crescimento do capital que insistem em chamar de desenvolvimento.
Zillah Branco
quinta-feira, 25 de junho de 2015
A discriminação contra o idoso e o assassinato "dos que não dão lucro"
Dizer hoje que não há luta de classes na sociedade capitalista é uma falácia. As elites impõem o seu domínio sobre os trabalhadores "flexibilizando as leis do trabalho" como declarou candidamente o Presidente de Portugal, Cavaco e Silva, em visita à Bulgária em Junho de 2015 ( e a seguir permitiu-se criticar o governo da Grécia por contestar as imposições escravizantes da Troika que manipula o crédito para empobrecer ainda mais a nação helênica).
Com governantes que desconhecem o sentido da soberania nacional e os direitos dos trabalhadores, o mundo está perdido.
Há classes sociais e classes nacionais sob o sistema capitalista. Os países pobres são dominados pelos mais ricos por força das armas ou do controle financeiro através dos investimentos, créditos, "ajudas humanitárias" (que são formas subtis de penetração no território, corrupção de agentes públicos, apropriação da soberania nacional e pessoal).
Dentro das classes há setores mais diretamente explorados por razões de gênero, etnia, e formas de dependência física, para além da financeira, que chega a ser excludente da sociedade civil considerada pelo sistema capitalista, e a situação explícita de escravidão. No século 21 tornou- se mais clara a relação de poder das elites em função das lutas travadas ao longo dos séculos pela emancipação dos oprimidos que conquistaram os seus direitos a nível jurídico que leva à aplicação institucional em regime democrático.
Justamente nos países europeus, que se consideram mais civilizados que as sociedades empobrecidas onde exerceram o domínio colonial, hoje destaca-se a exploração dos idosos que sofrem a perda dos seus direitos adquiridos na vida de trabalho e de criação familiar. O contraste das nações desenvolvidas com as sociedades mais pobres - que cultivam o afeto e o respeito pelos mais velhos, como depositários de um conhecimento tradicional a ser transmitido e uma referência pedagógica dos princípios humanistas a ser seguido pelos mais jovens - é a violência física crescente contra os idosos (13/1000 com mais de 65 anos são agredidos na Europa, sendo 120/1000 em Portugal), isto para não falar no tratamento depreciativo habitual, no abandono, no desprezo e, agora, na aplicação das leis de austeridade para enfrentar as dívidas externas criadas por governos neo-liberais, quando cortam as pensões e benefícios sociais de transporte e habitação, criam taxas moderadoras para o acesso aos serviços de saúde e atividades culturais, deixam no desemprego os filhos e netos que sobrevivem com a ajuda dos mais velhos.
Tais medidas, que condenam os idosos à pobreza depois de uma vida de trabalhos e pagamentos de taxas à Previdência Social, provocam depressões, suicídios, doenças mentais como fruto do desespero. Percebe-se, pela lógica do sistema dominante, que os poderosos criaram uma maneira de apressar a morte dessa parcela da população que é considerada improdutiva para a acumulação do capital. Paralelamente, e com o mesmo objetivo, bombardeiam populações pobres no Oriente Médio causando milhões de mortes, criam exércitos mercenários e terroristas como ponta de lança para invadirem territórios ricos em petróleo e outros minérios, incentivam grupos que organizam viagens de barcos no Mar Mediterrâneo para serem abandonados às tempestades ou ao eventual socorro de países europeus que encontrem com vida.
Há quem desenvolva uma teoria para explicar em termos de "ciclos históricos" as mortes de populações inteiras como se fossem "sangrias" que permitem a restauração do equilíbrio da humanidade no planeta. Se fosse algo tão natural e necessário, não escolheria os mais pobres (como o sistema capitalista sempre faz quando impõe a austeridade ou cobra o imposto que alimenta a Previdência Social, ao proteger a sua elite).
Como hoje está sendo denunciado com comprovação idônea, "um relatório dos Serviços de Informação dos EUA em Agosto de 2012 acompanhava a possibilidade de um "principado Salafita" no Leste da Síria e de um "Estado Islâmico" controlado pelo Al- Qaeda na Síria e Iraque (Guardian, 3.5.15). Estas forças terroristas agora são as que provocam os massacres e bombardeamentos responsáveis pela fuga de milhões de habitantes como emigrantes, assim como os bombardeamentos pela Nato nos países do norte da Africa com o assassinado do Presidente Kadafi da Libia e a prisão do presidente egípcio e tantos outros, desorganizaram a vida das populações que fogem aterrorizadas para uma suposta liberdade na Europa que os rejeita. Seria muito ingênuo pensar que os contrabandistas que oferecem viagens de barco pelo Mediterrâneo para os abandonar à morte por fome ou naufrágio não estivessem cumprindo uma "missão justificada pela teoria dos ciclos de sangria da humanidade".
Temos dificuldade em acreditar em tais factos reveladores de uma perversidade sem limites. Mas a União Europeia e o FMI têm demonstrado uma frieza criminosa ao rejeitarem os argumentos da Grécia que recusa continuar a ser empobrecida e a perder a sua soberania exigida pelo programa de enriquecimento construído por credores sem qualquer noção de decência e honestidade, básicos para a humanidade. Os defensores do sistema capitalista, que para salvar a riqueza acumulada mata milhões de seres humanos, não querem supor uma alternativa humanista que é indicada pela filosofia socialista onde não há uma elite privilegiada. Preferem fechar os olhos à todos os crimes que hoje horrorizam o mundo inteiro.
quarta-feira, 24 de junho de 2015
A importância do conhecimento da estrutura capitalista e seus mecanismos de dominação
O estudo sobre a evolução do sistema capitalista no Brasil, que aperfeiçoa a estrutura de poder econômico e financeiro ainda dominante, deixa à margem a dinâmica dos movimentos de esquerda assim como todos os fatos históricos relacionados com a população que se situa marginalmente à sociedade civil. Estes são objetos da análise socialista - os pobres, os grupos segregados, os movimentos de defesa e a luta pela inserção social plena, os partidos políticos de oposição ao sistema dominante, a não aplicação de leis sociais, os privilégios de classe sobre a justiça, e as formas de corrupção inerentes ao capitalismo.
Nas condições de um país subdesenvolvido, que carregou durante séculos o peso da colonização representada pela oligarquia rural ligada sempre à estrutura de poder nacional, que se adaptou ao neo-colonialismo e à sua expressão moderna de neo-liberalismo dependente das nações ricas e do mecanismo financeiro imperialista, o Brasil ultrapassou as economias vizinhas e recebeu ajuda externa para ser promovido como parceiro graduado no cenário internacional capitalista. Não só o extenso território tropical e as suas riquezas naturais atraíram a simpatia externa, mas também as suas características culturais e a sua expressão intelectual enriquecida pela miscigenação e abertura às influências das escolas estrangeiras. Apareceu como um enclave na América Latina susceptível de representar o sistema capitalista dos países mais ricos, ou ao contrário, liderar os povos vizinhos com um projeto de união dos Estados de Direito contra as pressões capitalistas para uma subordinação ao imperialismo com a perda da dignidade nacional de cada país.
A implantação do pensamento socialista revolucionário é lenta e difícil, sobretudo pelo êxito do capitalismo e a massiva publicidade enganosa facilmente divulgada pelo monopólio dos meios de comunicação e pelo uso indevido dos conceitos de democracia e desenvolvimento que visam exclusivamente as classes consideradas na escala civil do poder. As instituições de ensino de nível acadêmico que recorrem ao estudo de Marx e Engels sobre o capitalismo, e aos autores que contribuíram para o enriquecimento da sua obra, fazem-no de forma a não valorizarem a sua vertente militante, o que sacrifica a compreensão do antagonismo político entre as metas do capitalismo e a do socialismo.
Mais que os estudos teóricos, a militância capitalista se realiza como fonte do conhecimento histórico e das ciências sociais que condiciona a cultura dos povos através do monopólio dos meios de divulgação. Assim é formado um pensamento capitalista como se fosse o único válido sob o domínio do sistema imposto. É comum confundir-se a história nacional com a do sistema que domina aquele território há centenas de anos.
As Guerras Mundiais, iniciadas em 1918, alteraram o caminho da formação de um poder imperialista que pretendia impedir o surgimento de um sistema socialista como o que foi implantado na Rússia. O ímpeto com que se desenvolveu o fascismo de Mussolini e o nazismo de Hitler em busca do domínio de toda a Europa, levou os centros de desenvolvimento capitalista industrial a dependerem do apoio Soviético para vencerem o inimigo comum naquela guerra.
Apesar da permanente pressão que mantiveram contra o socialismo, inclusive levantando uma "cortina de ferro" para impedir a expansão do sistema soviético, antagónico nos seus ideais ao capitalismo, o êxito alcançado pela nova potência mundial, que além de manter fortalecidas as Forças Armadas e desenvolver pesquisas científicas ao nível dos antigos aliados capitalistas, deu apoio a todos os povos em luta pela independência nacional e contra as várias formas de exploração colonialista e feudal. A independência de várias nações colonizadas e a formação de uma consciência progressista e democrática nos países subdesenvolvidos foram fruto do apoio de um sistema socialista através de ampla formação universitária e debates internacionais sobre todos os temas referentes à emancipação do ser humano e de suas sociedades.
Os mentores do imperialismo criaram centros de estudo das idéias socialistas que conquistam os povos de todo o mundo, independente das origens culturais, para criarem antídotos que favorecessem o capitalismo. Somente com a divulgação alarmista do falso "perigo comunista" conseguiam que populações incultas e dominadas por medos religiosos recusassem o sistema socialista. Para incutirem a idéia de que o capitalismo pode ser humanizado e atender às necessidades socio-economicas das populações mais carenciadas, adotam medidas de "caridade" e palavras populistas que iludem os menos avisados das suas intenções de manipulação.
Tornando a comunicação social um monopólio do poder capitalista, passaram a controlar o cinema, as rádios e depois a televisão, para inocular uma cultura através da qual pudessem impor a sua lógica de pensamento na formação da opinião pública mundial. A queda do nível mental dos programas foi logo percebida por quem conhecera um cinema livre mesmo produzido nos Estados Unidos antes da repressão do "mackartismo", e em diferentes países surgiu um novo cinema que rompia o estreito controle ideológico com os filmes realistas do pós-guerra. O mesmo ocorreu nas rádios e na televisão, apoiados nas edições de livros e revistas que escapavam ao controle. Dialeticamente o controle policialesco e medíocre espicaçou os autores que, para defender a liberdade de expressão, tornaram-se militantes de uma cultura aberta.
Os centros de estudo criados com vista à criação de uma elite intelectual que serve de estrutura para a constituição de um governo mundial sob o controle imperial, aprofundaram os estudos sobre a essência do pensamento socialista e deram início a uma aparente adesão teórica aos textos de autores comunistas para produzirem idéias que tergiversam os fundamentos ideológicos sem os confrontar. Sobretudo através da publicidade enganosa escoa uma terminologia elaborada sobre falsos conceitos que confunde o entendimento do público desavisado. O termo "dialética" foi banido nos textos sobre desenvolvimento social e econômico. Quando não pode deixar de ser utilizado, referem o conceito de Hegel anterior à Marx. Recentemente foi banalizada a expressão "mais valia" equiparada à "lucro" ou até mesmo a "vantagem", omitindo o conceito que Marx definiu para "o valor não remunerado do trabalho". Este caminho de absorção dos conceitos socialistas para que sejam revestidos de um sentido capitalista hoje está de tal forma banalizado que líderes do sistema capitalista se apresentam despudoradamente como se fossem o seu contrário para conquistar votos. É a velha história do lobo vestido de cordeiro.
Na Europa, o Clube Bildenberg, que desenhou a estrutura e ambição da União Europeia (em busca da união do capital e não dos Estados independentes), formou uma geração de burocratas para atuarem como altos mandatários em todos os Governos e no sistema financeiro das diferentes nações. Hoje aparece claramente a origem da crise que determina a perda da independência nacional dos países que aceitaram (preconizado pelo neo-liberalismo) créditos desnecessários para o desenvolvimento das respectivas forças produtivas e que escoaram por meios ilícitos de corrupção para uma elite bilionária enquanto a população suporta o desemprego, a perda salarial, a fome e a dependência (como se fosse uma colônia dos mais ricos), imposta pelo regime de austeridade para pagar uma dívida que não é sua.
O importante será os defensores de um sistema alternativo, de ideologia socialista, aprofundarem os estudos sobre o sistema capitalista e suas falhas de modo a desmascarar as fraudes e preparar as lutas com objetividade e conhecimento da realidade em que vivem os povos. A meta do sistema socialista é a organização da sociedade tendo em vista o bem estar da população e a sua capacidade de desenvolvimento humano a partir do melhor aproveitamento das forças produtivas. O objetivo do sistema capitalista é a acumulação do capital nas mãos de uma elite exploradora que controle o poder sobre as sociedades.
Brasil
A ditadura de 64 no Brasil, coincidente com outras no continente latino-americano durante a década de 1960, e o despertar da consciência nacionalista de setores empresariais e intelectuais conservadores, somado ao repúdio aos vícios do autoritarismo que afrontavam uma formação religiosa e humanista, gerou condições favoráveis ao pensamento socialista e revolucionário inspirados na experiência e no êxito da sociedade cubana.
Mesmo durante o período ditatorial no Brasil, foram realizadas importantes experiências democráticas a nível de administração pública em várias cidades e incentivados múltiplos movimentos de ação social e política que semearam a resistência democrática por todo o país ao autoritarismo e à exploração dos trabalhadores. À margem da sociedade civil aprofundaram-se as idéias e as formas de organização da esquerda nacional que pesaram no combate à repressão e às forças mais conservadoras subordinadas ao imperialismo.
O fantasma do "anti-comunismo", conveniente ao pensamento capitalista em geral e ao domínio imperialista, abriu o caminho para o recurso à ajuda externa que minou a consciência nacionalista e propiciou a implantação do neo-liberalismo. A promoção no Brasil, de intelectuais cepalinos estudiosos da análise marxista do capital permitiu a introdução de novos conceitos na análise clássica do sistema capitalista sem o conteúdo militante ideológico do autor do Manifesto. A vida acadêmica de Florestando Fernandes ocultou a sua formação marxista, que se manifestou plenamente em atos de solidariedade com movimentos de esquerda mas só foi assumida militantemente quando expulso da USP pela ditadura.
No Brasil, o desgaste da política submissa ao imperialismo acentuou-se com o governo neo-liberal de FHC, o que levou ao poder um líder operário, sindicalista e identificado com as regiões menos desenvolvidas do país que sempre foram marginalizadas pelo sistema capitalista que prioriza a industrialização e a concentração do capital vinculado ao sistema financeiro internacional. A vitória de Lula fortaleceu a esquerda que integra várias tendência unidas até então sob a bandeira ampla da democracia e de contraditórios conceitos de Estado Social. A imagem de Getúlio Vargas, como republicano e nacionalista foi assumida pelo Presidente Lula que defendeu com grande coragem a independência nacional econômica e política, a integração de extensas faixas da população pobre nas condições de cidadania, a união com os povos vizinhos que lutam pelos mesmos objetivos e a solidariedade internacional com os processos de libertação de povos oprimidos. Não foi possível ainda criar um Estado de Direito devido à luta interna entre as tendências representadas por políticos que se apresentaram como aliados para preservarem algumas esferas de poder que levantam dificuldades no Congresso para aprovação das mudanças necessárias sobretudo nos organismos sociais.
Dentro do Brasil teve início, entre aliados de Lula, um conflito pela partilha do poder econômico e político, nos moldes do passado, com o apoio do imperialismo e do sistema capitalista mundial. A reeleição de Dilma só foi possível com "o voto dos pobres e do Nordeste". Cabe sublinhar que este eleitorado vitorioso traduz a força de esquerda cuja estrutura abrange movimentos e tendências diversificadas que têm como meta a construção de um sistema socialista de produção, livre da elite poderosa gerada pelo capitalismo. Este eleitorado apoia o Governo definido por Lula e seguido por Dilma mas manifesta permanentemente o seu desacordo com medidas neo-liberais que contrariam os princípios de independência e desenvolvimento das forças produtivas nacionais e da construção de um Estado de Direito que atenda democraticamente a população e distribua de maneira equilibrada a renda com investimentos que fortaleçam a nação e o seu povo.
Verifica-se, por outro lado, o crescimento de uma consciência de cidadania em toda a sociedade civil e nas camadas pobres e marginalizadas do sistema capitalista vigente. Dadas as dificuldades de integração social com o apoio das instituições do Estado devido às obstruções dos conservadores (que, acossados pela crise mundial do sistema capitalista, chamam o antigo fantasma do comunismo em sua defesa) mantém-se um vazio de poder manipulado por quem sabota os serviços do Estado, com os recursos da paralisação burocrática, as determinações diretas da Presidente.
Desenvolve-se, entretanto, de maneira crescente a ideologia que tem por meta o socialismo como a única capaz de criar um Estado de Direito, e a representação da esquerda em Partidos e Movimentos Sociais toma vulto nos processos eleitorais e de protestos objetivos contra tanto as decisões governamentais que vão contra os seus interesses, como o não funcionamento das instituições. Pela primeira vez o Partido Comunista do Brasil conquistou o cargo de Governador no Maranhão destronando a velha oligarquia da família Sarney com o apoio da maioria dos partidos locais. Cidades desenvolvidas, como Jundiaí por exemplo, no Estado de São Paulo e a Prefeitura de São Paulo têm uma orientação de esquerda, comunista ou petista.
A nível do Governo Federal assiste-se a um braço de ferro suportado pela presidente Dilma contra os conservadores que se apresentaram nas eleições como aliados, de onde saem resoluções defendidas nas ruas pelas forças sociais, como o aumento dos salários, o esclarecimento sobre os crimes cometidos durante a ditadura, o relacionamento com a China contrário aos mecanismos de crédito criadores de dependência nacional oferecido pelo imperialismo. Ao contrário do que a estabilidade capitalista necessita, a Presidência da República recebe diretamente o apoio popular para realizar importantes medidas de transformação na sociedade, inclusive através de investimentos em empresas nacionais e nas infra-estruturas necessárias ao desenvolvimentismo.
A evolução do sistema capitalista está interligada dialéticamente com a do sistema socialista que, tendo como objetivo o desenvolvimento das nações a partir da criação das melhores condições de vida e de formação pessoal dos cidadãos e não a acumulação do capital para o enriquecimento da elite no poder, envolve ações de oposição e aprofundamento da luta social. O conhecimento das características de aperfeiçoamento das formas de organização como base do desenvolvimento da sociedade nos dois sistemas tem beneficiado a humanidade nas suas experiências históricas apesar dos conflitos naturais entre metas antagônicas no plano político.
Zillah Branco
quarta-feira, 13 de maio de 2015
A luta de massas dos trabalhadores, desempregados e emigrantes
Os cérebros financiados pelo centro do poder mundial do sistema capitalista inventam e divulgam teorias que utilizam os conceitos desenvolvidos por Marx acerca da evolução dialética da História dos povos, mascarados com uma profusão de termos teóricos para esquecer o verdadeiro autor e a perspectiva revolucionária, e apresentam um momento da história como sendo a realidade global com a sua imagem paralisada e congelada que anula a dinâmica natural do seu desenvolvimento.
Em outras palavras, apropriam-se de uma idéia livre, transformando-a no seu contrário aprisionado como um roubo qualquer, e divulgando através dos órgãos de estudos universitários e de comunicação social, como "base do conhecimento formador da consciência e a cultura dos povos". Então consideram o sistema capitalista como o único possível e a sua crise financeira como uma fatalidade para toda a humanidade e até a natureza planetária.
Esquecem-se de que a liberdade real não está sujeita à prisão e que o empobrecimento da maioria dos cidadãos no mundo tem aumentado o número dos que são marginalizados dos benefícios sociais do sistema capitalista inclusive o da formação, o que os liberta também da influência nefasta do modelo de robotização veiculado para "congelar a dinâmica da evolução dialética da realidade" em que vive.
As massas trabalhadoras, organizadas em seus movimentos sociais - sindicatos, associações, grupos e partidos - assumem a condução de uma classe explorada, marginalizada, despojada do património da sua pátria e dos serviços do Estado nacional que tem sido vendida a retalho a empresas privadas estrangeiras, a constituírem um exército em defesa da liberdade humana, dos direitos adquiridos historicamente pelos trabalhadores e da soberania nacional do seu país, contra os desmandos de uma elite que se reune a nível internacional no clube dos ricos para forjar a imagem de uma falsa realidade que lhes permite exercer o poder.
"O chefe de Estado da Bolívia participou na inauguração da escola Aniceto Arce, na cidade de Oruro, e recordou que o neoliberalismo, instaurado no país desde 1985, só intensificou a profunda crise e deixou a maioria da população na pobreza.
"Essas políticas legaram-nos mais crise econômica, mais pobreza, mais desemprego. Custaram 20 anos para começar a recuperação do país: as empresas, os serviços básicos, as escolas, tudo estava privatizado. Em alguns países vizinhos tudo está privatizado, até o mar", recordou o Presidente Evo Morales."
A situação a que foram conduzidos os povos europeus pela crise sistémica que levou as instituições financeiras ao desequilíbrio e que a União Europeia tenta compensar com a aplicação da austeridade que retira o poder aquisitivo às camadas sociais mais pobres, levou as nações mais ricas a colonizarem as mais pobres, assim como permitiu à NATO destruir as sociedades em países ao norte da África que serviam como zona tampão para permitir o relativo isolamento das regiões árabes ricas em minérios.
Dessa situação de empobrecimento, surgiu uma grande massa de emigrantes que foge dos seus países em busca de sociedades mais livres onde possam sobreviver, uns com formação profissional que o sistema precisa e pode contratar em países ricos, e outros marginalizados e famélicos que fogem com suas famílias aos bombardeios, e caem nas
malhas de traficantes que os transportam ao oceano atlântico para que sejam "pescados caritativamente" pelos países costeiros como náufragos miseráveis ou cadáveres. Semelhante a esta situação passam do México pelo "Muro" dos Estados Unidos os emigrantes latino-americanos, também sujeitos aos crimes dos traficantes que prestam um serviço ao sistema eliminando fisicamente os indesejáveis. E em outras partes do mundo capitalista surgem esquemas semelhantes, como na Indonésia, resultantes dos conflitos tribais ou religiosos acirrados pelos agentes mercenários do sistema de poder.
Assistimos ao florescimento de povos que foram capazes de coordenar os movimentos sociais produzidos pela luta popular no seu desenvolvimento histórico. Assim como foi possível em Portugal a realização de um momento revolucionário em que criou a nacionalização dos bancos e das empresas fundamentais ao Estado, implantou a legislação do trabalho, deu início à Reforma Agrária com capacidade para gerir os serviços essenciais ao seu desenvolvimento com autonomia, lançou as bases de um sistema nacional de educação e de saúde pública (que levou o centro imperial de poder a destacar as suas figuras máximas no cenário político/ policial - o Secretário de Estado Kissinger e o diretor da CIA Carlucci) para levantar a direita portuguesa contra- revolucionária), na América Latina surgiu o caminho contra o neoliberalismo dominante no final do século passado que se difundiu pelo continente como um rastilho de consciência nacionalista e popular que tem vencido as pressões do imperialismo em crise.
"Por meio do método cubano de alfabetização para jovens e adultos intitulado “Sim, eu posso”, o MST conseguiu zerar o analfabetismo em sete assentamentos da Bahia. Uma comemoração foi realizada no último sábado (9) na Escola Popular de Agroecologia e Agrofloresta Egídio Brunetto, no Assentamento Jaci Rocha, e contou com a participação de mais de 300 famílias. "
Estes momentos revolucionário da História não podem ser congelados, apesar de poderem ser retardados pela força militar/criminosa ou pela sobreposição de falsas expectativas de enriquecimento oferecidas pelo "Clube dos Ricos" que promovem grandes eventos com a fantasia da liberdade faustosa e do êxito premiado com milhões e um caminho fácil e cor-de-rosa para os que aceitam a coleira da "dialética congelada".
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