Escrevo, comento, opino, analiso em busca de uma linguagem mais simples e direta, mais compreensível. Assumo as minhas idéias e gosto de discuti-las. Aceito as diferenças e recuso os preconceitos e o autoritarismo. Respeito a vida, a natureza, a humanidade, as culturas e as filosofias coerentes com a paz.
terça-feira, 17 de novembro de 2015
Estabilidade no Parlamento e nas ruas
O 10 de Novembro tornou-se um dia histórico de "Portugal à esquerda", dia em que o governo de direita caiu por força de uma maioria de esquerda formada nas últimas eleições do dia 4 de Outubro de 2015 e o apoio de milhares de trabalhadores, reformados e pensionistas, nas ruas sob a liderança da CGTP-Intersindical. Os remanescentes da velha direita que controlam a media, insistem em sonhar com a estabilidade de um governo que não respeita o mandato recebido da maioria que defende a soberania da nação.
Isto se deve às palavras do Presidente da República e á política do governo agora chumbado, que não reconhecem a esquerda parlamentar e popular, para manter a obediência á União Europeia. É para eles, difícil, com um pensamento cristalizado em que "o poder só pode ser de direita", aceitar a vigência da democracia, da igualdade de direitos dos eleitores, da soberania da Constituição nascida com a Revolução dos Cravos.
Devagar a Europa começa a sacudir os grilhões, abalada pelo susto provocado pela Grécia (que infelizmente sucumbiu às pressões da UE); da Catalunha que votou e luta judicialmente pela independência; e agora, da vitória incontestável da esquerda nas eleições nacionais e no Parlamento.
Diante do quadro dantesco da entrada de uma massa humana na Europa (515 mil até 29/09/15), desesperada e sem socorro, ao ritmo de 8 mil pessoas por dia, em busca de quem os acolha humanamente, são empurrados de um pais para outro pela desobediência dos países membros da UE que recusam as quotas atribuídas superiormente; as frequentes mortes (aos milhares) por afogamento dos refugiados ao tentar atravessar em barcos insufláveis o Mediterrâneo; a existência de gangues, (conhecidas desde 2012), que praticam o tráfico de refugiados sem segurança recebendo 2 mil ou mais euros por cabeça, a partir da Líbia ou da Turquia; diante dessa catástrofe, não foi uma grande surpresa ver na televisão a ameaça do Primeiro Ministro britânico de abandonar a UE devido à incompetência da UE, comprovada, para solucionar a terrível consequência das guerras onde a NATO participou.
De fato, até o velho continente mexe abrindo a porta à esquerda!
Mesmo assim, a direita continua preocupada com a "sua" estabilidade no poder. É incapaz de perceber que a estabilidade do país estará garantida com uma política de esquerda que defende os interesses do povo e do desenvolvimento produtivo nacional.
Como o raciocínio da direita é dogmaticamente centrado no enriquecimento de uma elite ligada à banca privada, à custa da austeridade que miserabiliza o povo trabalhador e a economia do país, a quebra deste circulo vicioso representará a instabilidade ... da direita no poder, é claro.
Zillah Branco
domingo, 15 de novembro de 2015
A metade de um Presidente
Portugal ficou abismado ao perceber que tinha apenas a metade, com um corte vertical,
do Presidente da República. E pior, a metade desprovida de coração, já que é
exclusivamente de direita, e todos sabem que aquele órgão que responde pela
sensibilidade humana fica do lado esquerdo.
Já o povo tinha esta impressão ao ouvir as suas consideraçōes expostas em público há
tantos anos, enquanto a nação empobrecia e a miséria dos trabalhadores aumentava
enquanto o número de milionários aumentava.
Mas agora foi afirmado pelo próprio Presidente, cujo conceito de democracia não admite a
voz da esquerda. É verdade que ele também não revela conhecer a existência de um
Parlamento que tem a função de aprovar ou não um governo de acordo com os votos de
direita e, já está, somados aos de esquerda. Parece confundir os tempos e decide como
se fosse um Imperador sem coroa mas com gravata, como manda a moda.
Se fosse só o Presidente, já era grave. Mas todos os governantes empossados por
desejo do Presidente, raciocinam da mesma maneira, pela metade vertical. Esta
descoberta é de tal maneira inesperada que muitos dos que se consideram "de direita",
sem negar que existem os "de esquerda", desvinculam-se publicamente dos que
assumem a sua metade orgulhosamente como se lhes bastasse. Afinal, ter coração
sempre foi uma necessidade física e mentalmente imprescindível aos seres humanos,
especialmente aos que assumem funções de responsabilidade na liderança dos povos.Temos visto que esta condição, que assolou a governação do país tem, alguns seguidores
que distraidamente andavam junto aos que, sendo normais, optam agora pela esquerda
que representa a maioria da população. Quem, depois de constatar que Portugal está no
plano inclinado, em vias de perder a sua independência e ver a sua dignidade
espezinhada pelos que só têm uma metade, na vertical, a direita, não escolhe o caminho
que sempre foi seguido pela esquerda?
Trata-se de uma epidemia? Há cura para tão estranha patologia? Urge combater esta
perversão do género humano, antes que seja tarde.
Zillah Branco
sexta-feira, 30 de outubro de 2015
A máquina de moer cultura
Zillah Branco *O sistema capitalista controla as suas graves crises com a imposição de uma cultura que é processada por uma poderosa máquina que moi tudo, como as que preparam hamburguers. À medida em que envelhecemos, temos a necessidade de nos afastarmos das agressões para nos defendermos, já que o corpo se fragiliza.
Este distanciamento permite perceber que, ao longo do tempo, durante todo o século 20 e os 15 anos neste, o uso das imagens e conhecimentos adquiridos pelas investigações técnicas e científicas mundiais, caminhou no sentido de alterar a cultura tradicional.
Hoje é clara esta intenção, com a alteração do comportamento social para além das modificações normais que são fruto de uma evolução histórica. Utilizam o recurso de impressionar o público com a manipulação de instrumentos que afirmam o poder de alguns sobre a maioria dos que recebem a mensagem: o uso de informações ocultas ao público, a elevação do som que impede a percepção de ruidos menores, o aumento da velocidade que supera qualquer movimento normal, a proliferação de cores que, somadas aos sons estridentes e á velocidade imprimida aos objetos, provocam a sensação da alegria próxima à histeria.
Com estes condimentos são criados os festivais, os grandes jogos e os espetáculos desportivos e artísticos, que se impõem à formação do gosto e do interesse que cada um tem pelas atividades culturais separadamente, a partir da sua percepção e a cultura em que se formou familiarmente. Criam modas que dominam os objetivos do público, assim como com o desenho de roupas, adereços, móveis e decorações domésticas, criam o padrão dominante que classifica quem o adota como se entrasse no caminho dos que comandam o desenvolvimento do país e da sociedade global.
Como se metessem as qualidades que impressionam os humanos em uma poderosa máquina de moer, destroem a possibilidade de apreciar detalhes, sensibilidades, diferenças, valores de pequenas características, identidades pessoais e culturais, que despertam interesses particulares e criatividades imprevisíveis, produzindo uma amálgama de conteúdos dispares, de caracrísticas positivas e negativas, como são as carnes moidas que não se conhecem as origens nem os elementos que a compõem, hoje condenadas como alimentos de consumo pela OMC, com o risco de provocarem cancer.
Para a defesa do consumo alimentar existe a nível internacional a OMC e em muitos países funcionam os setores de fiscalização sanitária. É verdade que essas denúncias vão entrar em choque com os dos produtores e vendedores dos produtos, assim como com o gende mercado exportador e importador que exercem o seu poder sempre maior que o dos consumidores.
Mas, para os produtos culturais e formadores dos hábitos e conhecimentos de cada pessoa, não ha defesa nacional e internacional. Com o passar dos anos a populacão adulta foi inoculada poe esses macro-produtos que dominam os meios de comunicação social há perto de um século e raros têm uma percepção crítica para defender seus filhos, netos, alunos e amigos que são engolidos sem julgamento prévio sobre as suas consequências. Mesmo que alguém perceba que há um autoritarismo ditatorial na criação de uma cultura acrítica e submissa aos que ocupam o poder mundial, não terá condições de se opor sozinho a mais esta forma de prejudicar a humanidade negando-lhe o direito elementar de escolha.
Assim como nos é impingida uma cultura, aceitamos passivamente a lógica do pensamento capitalista que se baseia na existência de duas classes, uma rica e liderada por uma elite poderosa, e outra empobrecida e mentalmente controlada para melhor servir. Mas, sabemos que existe outra lógica de pensamento para organizar um outro sistema que respeite a liberdade de pensamento e criatividade e a igualdade de direitos de todos os cidadãos, com um Estado social
que garante segurança social, educaçāo, saúde, habitação e infra-estruturas, igualente a todo o povo para que possa desenvolver as suas potencialidades pessoais e a produção nacional.
terça-feira, 20 de outubro de 2015
Europa, à esquerda volver!
As mudanças não ocorrem por acaso, não caem do céu nem com rezas fortes, nem dependem de idéias geniais ou do peso das leis e forças das armas. Sendo um processo de transformação, as mudanças resultam de paciente demonstração de que a humanidade evolue selecionando soluções para os erros de percurso e para as carências impostas aos povos para satisfazer ambições mesquinhas de poder de uma elite privilegiada e cruel.
Tomando os países mais pobres da Europa, vemos que eles carregam uma história marcada pelo exito da coragem e criatividade da sua gente - os grandes filósofos gregos, os grandes navegadores e geografos portugueses, os valentes guerreiros espanhóis - que além das ações práticas que abriram o mundo à toda a humanidade, aprofundaram conhecimentos científicos enriquecidos pelo desvendar de novas culturas consideradas exóticas, foram cruelmente explorados pelos mais ricos agarrados ao poder monárquico e clerical que deu origem ao sistema financeiro com a ganância do lucro e a frieza dos cálculos acima dos sentimentos humanistas.
Em 1974, como resultante de um longo processo tão claramente analisado por Alvaro Cunhal desde 1947, a mais velha e carcomida ditadura da Europa é derrubada por militares (com as suas razões específicas) apoiados pelo povo que descobria a injustiça do sofrimento que sempre sofre por não ter os privilégios da elite. Jovens de todos os países ricos da Europa ofereceram a sua solidariedade, mesmo aqueles que usufruiam dos privilégios de classe das elites. Despertava a consciência e o respeito pelos princípios fundamentais da humanidade.
Nascia uma nova esquerda, confusa e anárquica, que foi manipulada pelos políticos oportunistas que davam uma lágrima ao povo sofredor e um riso esperto à elite política aliada do imperialismo - os polícias do mundo. A esquerda esperiente chegou ao Governo por alguns meses em que fez nacionalizações, reforma agrária e definiu apoios aos pequenos agricultores e pescadores, abriu caminho para sistemas públicos de saúde, educação e previdência, mas não pode vencer a direita que através da hegemonia da informação, nacional e internacional, criou um ambiente de guerra civil e manipulou consciências recém-abertas ao conhecimento revolucionário. Deixou a sua marca na Constituição assinada por todas as forças políticas na época dos Cravos de Abril.
Vieram os governos de direita. Com duas coligações que se sucediam mas que igualmente mergulharam o país na dependência financeira que era delineada pelo projeto de unificação do capital armado de todo o continente europeu - CEE/NATO, UE - com seu banco e seus conselheiros técnicos. Os paises pobres foram submissos e os ricos coniventes com a implantação do modelo imperialista na Europa com uma moeda forte que compete com o dollar, irmão mais velho.
Mas o movimento das idéias seguiu o seu curso, alimentando as consciências despertas pelo tremer das estruturas do poder que deixaram à vista as rachaduras causadas pela força popular quando unida. O conhecimento democratizado das ciências sociais limou arestas, reduziu rompantes individualistas, corrigiu erros pessoais com os ensinamentos da realidade. A semente da esquerda ficou apta a crescer em solo fértil.
O imperialismo liderado pelos Estados Unidos aperfeiçoou o seu fortalecimento bélico e de informação midiática aproveitando os recursos da ciência e da tecnologia informatizada para avançar na destruição de civilizações milenares do oriente (onde foi parado pelo Vietnam, Coreia e China) e do Oriente Médio onde plantou suas bases em Israel e comprou monarquias árabes subalternas. Com o apoio da UE derrubou o muro de Berlim e provocou a derrota do socialismo na Europa, destruiu o Afeganistão, invadiu o Iraque, penetrou nas lutas intestinas dos árabes enfraquecendo nações fortes que se modernizavam, assassinou governantes e destruiu o equilíbrio da Libia, o Egito, a Somália e Etiopia minou o Estado das ex-nações socialistas assim como de países árabes que enfrentavam os apetites de Israel - Palestina, Líbano, Jordania, Síria, Irão, Pakistão e outros. Neste caminho sangrento deu-se a grande crise financeira do sistema, o que levou o império a comer das próprias bases o sangue dos pobres, a que chamou técnicamente de Plano de Austeridade. E criou o Estado Islâmico no bojo de uma mal explicada luta contra um terrorismo aparentemente árabe e muçulmano mas nascido dos jogos e filmes que o império usa como pedagogia das jovens gerações.
A esquerda em formação, seguindo mesmo a contra gosto o caminho revolucionário imparável dos Partidos Comunistas, amadureceu as suas análises e somada a uma franja de pessoas que são conservadoras por formação, mas que foram obrigadas a pisar a lama da "austeridade", organizou manifestações a favor de eleições democráticas - a Grécia contestou a UE e as suas sangrias para salvar a banca; a Espanha elegeu governos de esquerda em grandes municípios e passou a defender a independência da Cataluña; Portugal obteve a maiora de votos à esquerda contra o Governo submisso da direita tradicional. A própria direita, para não escorregar no falhanço dos seus partidos, começou a mostrar que sabe ser de esquerda para parecer inteligente.
A União Europeia, desmascarada pela defesa única do sistema financeiro contra o bem estar e desenvolvimento dos povos e suas forças produtivas, começa a receber a ponta-pés e com arame farpado as levas de emigrantes que fogem das guerras imperialistas. A crueldade de assistir paralisada os afogamentos de milhares de jovens, velhos e crianças, no mar Mediterrâneo - via especial do turismo - e a ocupação de praias italianas e gregas por uma humanidade escorraçada dos seus países de origem, para exibirem a sua miséria em locais de luxo, despertou a ira dos Hungaros, Austríacos, Alemães, Suiços e Nórdicos que pendem para a direita fascista contra a esquerda que germina nas suas próprias sociedades onde oferecem solidariedade humana para os emigrantes.
A "união europeia" deixou de existir dando lugar à " gestão do capital europeu", sugerida pela a Inglaterra de Pilatos que aconselha a dar dinheiro para países limitrofes dos guerreados para que segurem nos seus campos os que ameaçam a rica europa com a sua miséria. Esta proposta recebe o apoio da ex-humanista França e da equilibrista Alemanha de Merkel que oferece grandes somas até mesmo à Turquia para que aguentem longe dos "civilizados" as consequências das invasões feitas pela NATO e os amigos norte-americanos. Prometem tudo, até um lugar na UE desmoralizada. Enquanto isso os russos limpam a Siria dos esbirros do imperialismo, da CIA e seus alunos ao EI e os norte americanos aceitam dialogar com quem antes era inimigo a abater. Um falhanço rotundo da política expansionista no mundo árabe.
A direita fascista se distingue da outra, submissa, pois é nacionalista. Surge como mais consequente aos olhos de povos enriquecidos e ganham eleições. Há uma aliança anti-natura com alguma esquerda sem rumo, que substitui o impulso revolucionário do Siriza na Grécia (que havia dado um primeiro passo maior que as pernas) confundindo os apoiantes. Tudo isto serve de mostruário de hipóteses para os povos onde a consciência germina. Daí as surpresas quando as esquerdas se unem em Portugal e animam o resto da Europa.
Ninguem aceita mais os antigos bonecos vestidos de Presidentes. Não querem reis de gravata para fazer papel de autoridade sem voz nem vontade diante da austeridade que assola e das invasões que trucidam. Todos agora querem mostrar que são democratas e até aceitam alguma esquerda bem comportada. Vamos em frente com candidatos que ainda assustam os conservadores: um padre comunista, uma mulher que conhece e condena os podres da UE.
Dias melhores virão quando a ignorância medieval e a cobiça de riquezas e poder forem banidos das sociedades. Temos à vista outra experiência criadora, a da América Latina onde as Uniões respeitam a moeda e a história de cada nação, e unem esforços apenas para enfrentar inimigos comerciais, financeiros, que expoliam para invadirem depois. E estes exemplos vão germinando em continentes distantes, como a África e a Ásia.
Para terminar com um quadro real (que a TV exibe) para ilustrar a intenção otimista, refiro as manobras da NATO, com imensos barcos de guerra norte-americanos e armados até os dentes, na manhã do dia 20 de Outubro, descarrega dois jeeps todo-o-terreno que tentam invadir uma praia alentejana de Grândola (a Vila Morena) e ficam irremediavelmente atascados nas areias. Até as areias alentejanas resistem ao poder armado do imperialismo e sua aliada UE!
Zillah Branco
terça-feira, 29 de setembro de 2015
A falsa democracia da elite oligárquica
Michel Lowy, brasileiro e professor universitário em França, escreveu no portal galego do Diário da Liberdade, com absoluta clareza: "Os governos da Europa estão indiferentes aos protestos públicos, greves e manifestações maciças. Não se importam com a opinião ou os sentimentos da população; estão apenas atentos — extremamente atentos — à opinião e sentimentos dos mercados financeiros e seus funcionários, as agências de avaliação de risco.
Na pseudodemocracia europeia, consultar o povo em um referendo é uma heresia perigosa, ou pior, um crime contra o Deus Mercado. O governo grego, liderado pelo Syriza, a Coalizão da Esquerda Radical, foi o único que teve coragem para organizar tal consulta popular.
O referendo grego não tinha apenas a ver com questões fundamentais econômicas e sociais, foi também e acima de tudo sobre democracia. Os 61,3% de gregos que disseram não são uma tentativa de desafiar o veto real das finanças. Esse poderia ter sido o primeiro passo em direção à transformação da Europa, de monarquia capitalista a república democrática. Mas as atuais instituições da oligarquia europeia têm pouca tolerância à democracia. Imediatamente puniram o povo grego por sua tentativa insolente de recusar a austeridade. A “catastroika” está de volta à Grécia com uma vingança, impondo um programa brutal de medidas economicamente recessivas, socialmente injustas e humanamente insustentáveis. A direita alemã fabricou este monstro, e forçou ao povo grego com a cumplicidade de falsos “amigos” da Grécia (entre outros, o presidente francês, François Hollande, e o primeiro-ministro da Itália Matteo Renzi)."
Hoje podemos acrescentar a vitória da participação popular nas eleições para o parlamento Catalão, unidos no protesto contra a política "catastroika" da Espanha e com a ameaça de prosseguir no processo de independência nacional. Os eleitores europeus, de modo geral estavam à negar o seu voto nas eleições dominadas por um modelo anti-democrático que satisfaz a chamada União Europeia gerida por lobbies de experts do Deus mercado e entorpece as iniciativas populares. Para que votar se os governantes são escolhidos no Clube Bildenberg! Em uma alternância em que cada um é pior que o outro? Mas ao surgir uma proposta de mudança, como na Grécia e agora na Catalunha, o povo se pronuncia.
Lowy ainda explica no seu artigo citado : "De acordo com Giandomenico Majone, professor do Instituto Europeu de Florença, e um dos teóricos semioficiais da UE, a Europa precisa de “instituições não-majoritárias”. Ou seja, “instituições públicas que, propositalmente, não sejam responsáveis nem diante dos eleitores, nem de seus representantes eleitos”: essa é a única maneira de nos proteger contra “a tirania da maioria”. Em tais instituições, “qualidades tais quais expertise, discrição profissional e coerência […] são muito mais importantes que a responsabilidade democrática e direta”.
A crise do capitalismo revela-se a vários níveis: financeiro, de incompatibilidade com a democracia, de abandono dos princípios éticos e humanistas, de medo dos movimentos populares. Na progressista América Latina - que foi capaz de definir a União das várias nações com respeito e apoio à independência de cada uma e ao desenvolvimento social e económico dos respectivos povos, - o imperialismo agora tenta fechar as finanças nas mãos da elite e destruir a força dos movimentos sociais e políticos de esquerda que sairam da fome e entraram na sociedade civil no amplo momento histórico iniciado por Cuba, por Chaves na Venezuela, por Lula no Brasil, pelo casal Kirtchner na Argentina e tantos outros presidentes eleitos democraticamente nas Américas do Sul e Central.
A crise do sistema é global, e com os estertores da morte o monstro torna-se mais perigoso. Desencadeia a guerra disfarçada por um exército mercenário a que foi dado o nome de Estado Islãmico para justificar os bombardeios que já destruíram o Afeganistão, o Iraque, a Líbia, o Egito, e agora a Síria. Mente para parecer democrata com medo da população maioritária que exige os seus direitos conquistados através da história. A recente revelação da grande mentira dos responsáveis pela produção dos carros da Wolkswagen com um kit que encobre a emissão de gases poluentes (que há dois anos foi comunicado à União Europeia), hoje é um símbolo da elite poderosa que governa o sistema capitalista. Mentem para poderem permanecer nos altos cargos, para amealharem riquezas milionárias, mesmo que com isso adoeçam as pessoas, matem os mais débeis. Não há escrúpulos, não há moral, desconhecem a ética que garante o respeito humano.
Enquanto as instituições formais de poder - a União Europeia, os governos nacionais, a ONU, o presidente dos Estados Unidos, os reis e rainhas - vestem-se de democratas e solidários para assistir ao fluxo de fugitivos das guerras movidas pela NATO e seus aliados, que são conduzidos por máfias conhecidas que enriquecem com o tráfico de famílias atiradas em barcos à deriva no Mediterrâneo, e discutem horrorizados a forma de se livrarem da presença dos sobreviventes nas praias turísticas da Europa, a França bombardeia a cidade Síria de Homs deixando mais mortos e maior número de novos foragidos que acreditam que a Europa os acolherá. Parece absurdo este cenário onde se destaca a irresponsabilidade de altos dirigentes mundiais e o descaramento com que cometem crimes hediondos. Mas se verificarmos que essa elite do sistema habituou-se à mentira para enganar o povo ainda ingênuo e ao medo de que as populações despertem para os direitos de cidadania e se unam em torno de idéias próprias, só poderiam trair os princípios humanistas neste fim de linha a que o sistema os levou como oligarquia poderosa.
Assistimos à ignomínia de uma massa humana foragida e sobrevivente aos afogamentos, com velhos e crianças sendo empurrados de uma fronteira a outra cercadas por arame farpado que improvisa um muro terrorista. Caminhando em busca de socorro que recebem de voluntários que sofrem por eles enquanto os governantes negam em nome da proteção aos seus habitantes; recebendo documentos improvisados que os classifica como "refugiados", isto é, indesejáveis ao convívio com os famosos "civilizados"; sendo escolhidos de acordo com a necessidade de mão de obra dócil e barata do país de acolhimento; com o risco de serem acolhidos em velhos campos de concentração, como o de Dachau na Alemanha de Merkel ou serem devolvidos às ruínas do seu país de origem que continua a ser bombardeado.
O governo Inglês lava as mãos como Pilatos. Abre a carteira e dá uns trocos ao Libano, à Turquia e a outros países bem longe para que recebam os fugitivos dos bombardeios das terras vizinhas. Foi a idéia salvadora para os ricos da União Europeia. Com dinheiro resolvem tudo e não precisam sujar os seus territórios com miseráveis famintos e doentes e as redes de arame farpado que lembra terrorismo e cueldade fascista. Na reunião em que esta decisão salvadora imperou os altos dirigentes e lobbistas anexos riram como hienas, felizes e com caras de santos. Mais uma mentira com aparência democrática e fraterna.
Há boas pessoas no mundo, veem-se nos trabalhos voluntários e na organização de associações de socorro que superam a incompetência dos governantes e criam recursos para realmente acolherem essa massa humana tratada como gado pestilento. Em Portugal mais de uma centena de organizações aderiram ao plano de acolhimento nacional. Estão otimistas pela experiência que têm de apoiar o povo português miserabilizado pela famosa "austeridade" imposta pela "catastróika" e os refugiados de outras guerras mais antigas como a da Bósnia e da antiga Jugoslávia. Sabem que vão receber pessoas com culturas e religiões diferentes, vítimas de preconceitos além dos efeitos da guerra. Sabem que terão de tratar pessoas e muitas crianças com traumas difíceis de sanar.
Mas fica a dúvida angustiante: "não temos tido apoio institucional para tratar as crianças portuguesas mais carentes, seremos capazes de ajudar os que agora chegam?" E a resposta cheia de esperança de quem é porta-voz da Plataforma de Solidariedade: "Portugal tem mais democracia que os países ricos, com o aumento das necessidade sociais temos a oportunidade de levar o Estado a criar soluções que aperfeiçoarão o pouco que temos!"
É verdade, os portugueses são solidários com os refugiados talvez pela presença da cultura camponesa dominante, e têm uma Constituição democrática, a mais progressista da Europa, herdada da Revolução dos Cravos cujas sementes permanecem nos movimentos sociais e políticos de esquerda que seguem em luta incansável.
quinta-feira, 24 de setembro de 2015
A bandeira da esperança
O povo português, esmagado pela miséria gerida pela Troika (trazida pelos governos sociais-democratas do PS e do PSD na escalada contra as conquistas de Abril), faz um enorme esforço para reerguer a bandeira da esperança nestas eleições.
Enquanto os candidatos dos partidos responsáveis pela crise de um país atiram as culpas de um para o outro - quando o país havia caminhado para a independência económica em 1974 com a nacionalização da banca, a reforma agrária e o apoio a todos os setores da produção, à educação e a saúde públicas - os trabalhadores e os que perderam as suas economias engolidas pelo sistema bancário, acompanhados pelos estudantes e os idosos, sem empregos e sem recursos, protestam contra as injustiças e os erros administrativos que lhes rouba a esperança.
A esquerda luta por uma alternativa ao sistema de opressão, que a austeridade recaia sobre os milionários e essa elite de subservientes que obedecem as ordens estrangeiras para enriquecer os bancos privados; que seja cumprida a Constituição de Abril na defesa da produção nacional e a criação de empregos para todos os que realmente trabalham; que sejam respeitados os direitos dos reformados e pensionista à uma velhice digna acompanhada da solidariedade social; que Portugal assuma a sua dignidade nacional com a coragem de ser independente; que as nações europeias se apoiem e não percam o rumo da cultura íntegra de uma história de luta pelo desenvolvimento.
O quadro dantesco dos foragidos de uma guerra conduzida pelos Estados Unidos e a NATO no Oriente Médio e norte da África, atirados do mar para terra e de uma fronteira para outra, vendo serem levantadas barreiras de arame farpado e exércitos armados para os expulsarem com jatos d'agua e de gás de pimenta, comove e provoca a indignação de quem ainda conserva princípios humanos de respeito e solidariedade. Os mesmos líderes da União Europeia que estudam (muito tarde!) soluções para distribuírem os fugitivos da guerra que ajudaram a promover, despejam lágrimas de crocodilo e escolhem com lupa as famílias que poderão entrar nos seus ricos territórios: os Estados Unidos procuram famílias jovens que possam ser formadas no seu modelo para prestarem serviço sem questionar a política interna; a Alemanha prefere os mais pobres para irem para os seus campos de modelo caritativo; a Hungria recusa todos e ameaça defender à bala a sua fronteira; a Inglaterra prefere mandar esmolas para os campos no Líbano e outras paragens bem longe do seu reino. Enquanto isso os tentáculos britânicos da Austrália bombardeiam a Síria deixando mais mortos e foragidos desesperados. O famoso sistema capitalista em crise usa as armas do fascismo e aperfeiçoa a criação de grupos terroristas como ponta de lança para destruir a estabilidade dos povos.
Difícil é falar em esperança neste momento crucial da história da humanidade, mas os que sempre lutaram do lado dos que mais sofrem, na esquerda que transforma e revoluciona sempre em defesa dos seres humanos, continuam a levantar a bandeira da esperança feita com as cores da natureza e da liberdade. Somos muitos e defendemos o direito à vida digna para a maioria!
quarta-feira, 2 de setembro de 2015
Crise de solidariedade e de responsabilidade
O Secretário Geral da ONU descobriu agora que a crise principal que assola o planeta é de solidariedade. Esqueceu-se de referir que para haver solidariedade é imprescindível existir a consciência de responsabilidade social.
O drama dos fugitivos das guerras não é de hoje. Há mais de um ano são reveladas estatísticas dos que pagam um elevado preço às máfias que fazem o tráfico clandestino de seres humanos em busca de paz para sobreviverem. Se há estatísticas, inclusive dos que foram metidos em barcos e abandonados no Mediterrâneo, é sinal de que o crime de tráfico humano é bem mais antigo. Mas, durante este tempo uma letargia imperdoável dominou os mais altos mandatários de organismos internacionais e nacionais que só começam a despertar com o ruído das próximas eleições ou o protesto das populações que se tornaram miseráveis sob o peso da austeridade programados e impostos pela ditadura da União Europeia e FMI.
Não recordam a criação do programa belicista de Bush em 2001, "Liberdade Duradoura" para se vingar de um terrorismo, atribuído ao seu ex-amigo Bin Laden, que teria originado o "eixo do Mal" e os "Estados Bandidos". Em 2003 estabelece-se a "nova ordem" que se inicia com a invasão do Iraque pelos Estados Unidos e Inglaterra com o falso pretexto de buscarem armas químicas.
Agora querem demonstrar que os povos têm de ser solidários e que os governantes devem oferecer recursos para manter os campos de refugiados. E a responsabilidade de quem tem usado e abusado do poder político (bem remunerado) durante este sono profundo que não os deixou perceber que a Terceira Grande Guerra estava em curso no Médio Oriente e Norte da África desde que os Estados Unidos decidiram que o "eixo do mal" estava naquela região?
Mesmo durante o sono os governos Europeus, norte-americano e de Israel enviaram armas e soldados para darem apoio aos bombardeios executados pela NATO e ajudaram a promover e divulgar os distúrbios internos chamados de Primavera Árabe ou com nome de flores nas antigas repúblicas socialistas. Será que por mera incompetência administrativa não pensaram que os habitantes que não morreram nos ataques militares procurariam fugir para o apregoado paraíso enfeitado para os turistas? E a ONU, que acompanhou tudo expondo à morte os seus soldados e funcionários, também sofre dessa ignorância crassa?
E as polícias secretas, que brilham nos filmes e livros de detetives, a famosa CIA e o FBI que há tantos anos descobrem agulha em palheiro e conseguem matar terroristas em casa com uma perícia admirável para parecer morte natural, e que se especializaram em promover distúrbios entre seitas religiosas ou grupos políticos para criarem revoltas civis que justificam bombardeios, não conhecem as máfias que fazem o tráfico humano? Pensam que os povos são parvos ou distraídos para não perceberem que estão todos igualmente comprometidos na Terceira Guerra e nos crimes secretos que a humanidade suporta apavorada e impotente? O imperialismo existe e massacra globalmente o planeta. Ainda há quem duvide de tal evidência?
O assunto mais divulgado é o dinheiro nos bancos e no mercado. Nas ruas o povo reclama contra o desemprego e os cortes nos salários, o aumento de impostos e o calote de bancos que usaram indevidamente os créditos que eram para o Estado Social. Nas campanhas eleitorais os que "responsáveis" pelas crises, ou seja os que não sabiam que estavam desencadeando uma Terceira Guerra, aparecem com falas mansas de caridosos que recomendam à população que seja solidária com os foragidos.
Além das cenas de terror que a TV mostra todos os dias, de afogados no Mediterrâneo ou mortos por asfixia em camiões de congelados quando tentavam chegar aos campos de refugiados, a indignação causada pelo cinismo dos governantes mundiais e nacionais destrói a resistência mental dos humanos que prezam a dignidade e a responsabilidade. Caem em depressão, sofrem de angústia e desespero, acabam medicados com os medicamentos que enriquecem a indústria farmacêutica, ou cometem atos de loucura inspirados nos mercenários e terroristas criados pelo imperialismo no Médio Oriente.
Até onde vai continuar esta fraude globalizada que chacina milhões de pessoas, como se nada fosse, e desespera os povos que ainda querem conservar a esperança de construir a paz?
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