A DIREITA NÃO SERVE PARA GOVERNAR
Zillah Branco
(10/12/15)
A mídia tem revelado o seu espanto pelo ressurgimento da esquerda, eleita para o Parlamento pelo povo nas últimas eleições e, como sempre oferece espaço com fartura para os políticos da direita que caíram como frutos apodrecidos do anterior governo, divulga uma ideia confusa para que a população não entenda o óbvio. Quanto mais choram a derrota eleitoral,(que permitiu ao PS aproximar-se em tempo da ideologia de esquerda dominante entre os eleitores), mais se enterram no desvendar de um raciocínio desleal com a população sacrificada pela austeridade e com o país, que caminhou para a perca da independência e da soberania sem preservar o património do Estado as suas capacidades produtivas.
Alguns porta-vozes dos destronados do poder chegam ao ponto ridículo de considerarem que foram criados dois governos em Portugal: o do PS que dialoga com a UE e o das forças de esquerda representadas no Parlamento. Não lhes entra na cabeça o princípio fundamental da democracia de que os cidadãos elegem os candidatos capazes de representar os seus interesses no Parlamento para impedir que um governo (como fez o de Passos e Portas) ditem um programa de vida para Portugal desenhado por uma entidade externa que se está borrifando para o que querem os povos de cada país. Os que comandam o sistema capitalista, global no planeta, consideram que todas as questões referentes ao crescimento das economias e sobrevivência das populações devem ser organizadas em função da concentração e aumento do capital nos bancos. Por esta razão só falam em exportação e turismo, voltados para o interesse externo e deixam morrer a pequena e média empresas que abasteciam o mercado interno além de exportar também e atrair os turistas.
A democracia, no entanto, impõe o contrário: primeiro são consideradas as forças produtivas dos países, os trabalhadores e suas famílias, para serem preparados com o apoio governamental e recebam investimentos. A gestão do governo de tais programas reune os recursos disponíveis para assegurar a possibilidade de satisfazer as necessidades nacionais de desenvolvimento, o que fortalece a independência nacional, e o bem-estar da população que produz e consome do mercado interno.
A eleição do governo PS deu-se com o apoio das forças democráticas eleitas, para com elas estudar os problemas a serem tratados no encontro com a UE. Não são dois governos, trata-se do encontro dos governantes com as mensagens democráticas levadas ao Parlamento pela esquerda, como porta-voz que é, dos interesses do povo. A surpresa da direita destronada é porque nunca levou em consideração os interesses populares. Elementar, para quem sabe o que é ser democrata.
O economista Eugenio Rosa, que ha décadas trabalha com a CGTP-IN, oferece a sua análise sempre em defesa do desenvolvimento de Portugal com o bem-estar do povo trabalhador, em sentido contrário à dos políticos da direita submissos aos objetivos da UE de enriquecimento de uma elite financeira. Ele explica: "utilizando dados divulgados pelo INE, a eventual correlação existente entre o aumento das exportações e crescimento económico que, em Portugal, é fraca para não dizer que é nula, mostro que existe uma correlação positiva forte entre crescimento económico e aumento da procura interna, e que a recuperação da economia passa pela promoção da procura interna, que exige uma melhor repartição da riqueza criada anualmente e um combate eficaz às desigualdades."
Claramente demonstra que se a população portuguesa recuperar o seu poder de compra, livre do empobrecimento causado pela austeridade (desemprego, emigração, taxas abusivas, cortes salariais e de pensões, etc.), poderá desenvolver a produção nacional (que foi destruída com a política imposta pela Troika) de modo a enriquecer as empresas e também o país.
Além de exigirmos que o governo respeite os interesses e as necessidades do povo trabalhador, devemos também exigir que a mídia não complique as suas análises para que os que a ouvem possam perceber com clareza qual o caminho que defendem.
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Escrevo, comento, opino, analiso em busca de uma linguagem mais simples e direta, mais compreensível. Assumo as minhas idéias e gosto de discuti-las. Aceito as diferenças e recuso os preconceitos e o autoritarismo. Respeito a vida, a natureza, a humanidade, as culturas e as filosofias coerentes com a paz.
sábado, 12 de dezembro de 2015
sábado, 5 de dezembro de 2015
Ressurgimento da Política de esquerda em Portugal
A vitória da esquerda nas eleições para o Parlamento em Outubro de 2015 em Portugal foi uma surpresa para os que se achavam bem instalados no exercício da sua vocação de direita na sociedade. Traduzindo em poucas palavras, aquela acomodação conservadora e anti-democrática que se espalhara, como uma virose, entre os mais bem remunerados que exerciam o poder económico e político com ambição desmedida e a perda total de qualquer sentimento patriótico que lembrasse o povo sacrificado e o desenvolvimento nacional abandonado, terminou para o bem do país. A realidade visível é de que Portugal está no fundo do poço, sem empregos, com as empresas falidas, em permanente sangria da mão de obra jovem, com uma enorme dívida externa (mais privada que pública), sem rumo dentro da desordem em que se transformou a União Europeia. Precisa de governantes com coragem de revelar a verdade para lutar pela sua superação da crise que é real e destruidora do planeta.
A direita, desenhada segundo o modelinho da União Europeia com o seu vezo norte-americano marcado pela NATO, deixou a aparente austeridade dos idos tempos de Salazar e adotou maneiras mais adequadas à moderna geração dos jovens "queques", liberais nos costumes sociais, no vestuário e na linguagem, curvados ao comando superior do mundo globalizado, formados como repetidores das ordens emanadas em inglês do Mercado dito Livre e do setor financeiro. Alçados às funções de governantes passaram a adotar em público um olhar de "peixe morto", que traduzia complacência com os reclamos da plebe ignorante, palavras de respeito humano como as das rezas avoengas, para não entrarem nos temas debatidos e explicarem as decisões tomadas de acordo com a cartilha da Troika. Assim, cercados por uma falsa aura de responsáveis pelo destino da nação, com aparentes princípios humanistas e formação científica ou técnica, representaram mais uma vez o teatro durante os últimos 4 anos.
Nesta alienação, a que se habituaram desde que deram início à destruição das conquistas de Abril, não perceberam que a esquerda perdera uma batalha mas encontrara o caminho do seu fortalecimento no estreito convívio com a dura realidade do país espoliado e do povo sacrificado para manter aquela elite enriquecida, modernizada e inebriada consigo mesma.
Com a certeza da vitória, bem estimulada pelos meios de comunicação na coleira, os partidos de direita formaram o PÀF e ... "PUM!", caíram do cavalo, perdendo 700 mil eleitores que entretanto se esclareceram junto à realidade, como ocorreu também com os mais lúcidos militantes e políticos do PS. A imagem da derrota de Passos Coelho e Paulo Portas não deixa dúvida da total ignorância em que viveu a iludida direita em Portugal.
Apesar do esforço paternal do Presidente da República, contra todas as regras de um sistema constitucional que ainda salva as origens democráticas da nação, o PÁF caiu mesmo. Ficou reduzido no Parlamento à sua minoria, a qual tenderá a aumentar na medida da crescente incapacidade de agir com alguma sobriedade e inteligência dos seus expoentes.
E aí vem a segunda surpresa da velha direita: os deputados de direita defendem o governo derrotado com a sua postura social de "jovens queques", mal educados, grosseiros, birrentos, querendo passar por heróis infantis com um palavreado próprio dos que levaram uma coça em praça pública.
Com este procedimento demonstram a incompetência para participarem do Parlamento que exige decoro e mais, exige que tenham consciência de que a função que exercem é para contribuir com seriedade para o desenvolvimento nacional e o bem estar da população. Ninguém está interessado nas frases agressivas que pretendem ser farpas para impedir o trabalho do Parlamento.
Nem se dão conta de que estão enterrando a velha direita hoje representada pela geração dos "queques". Não restam adultos por aí, no seu meio, para por cobro a esta falência social e política? Teremos de pedir uma ação judicial para que o Parlamento possa trabalhar a sério na defesa de Portugal diante da crise que é avassaladora?
Zillah Branco
quinta-feira, 19 de novembro de 2015
Saindo das nuvens da "boa intenção"
A definição habitual, que consta dos manuais escolares e é amplamente divulgada através dos meios de informação social, é de que a sociedade capitalista é liberal, tecnoburocrática, de bem estar social e democrática.
Tais conceitos correspondem às conquistas populares dos cidadãos na história, desde o século XVIII com a formação dos Estados Nações, das empresas não familiares como unidade básica (século XIX) e a conquista do sufrágio universal para que as estruturas de poder fossem escolhidas pelo conjunto da população.
Bem sabemos que a lógica do capital privado impõe a existência de uma classe dominante que concentra os benefícios sociais do Estado e a maior parte da riqueza produzida, o que impede que a maioria da população tenha formação e condições de vida para obter os privilégios da elite que a explora. O liberalismo assegura que a meritocracia seja aplicada entre as famílias que manejam o capital para formar o estrato tecnoburocrático que responde pela organização das instituições sociais inclusive a aplicação das leis e a noção de democracia e bem estar social, tendo em consideração apenas os estratos superiores da sociedade que apoiam a elite. Portanto, para a grande maioria popular, a democracia e o bem estar social deixam de existir e só são aplicados mediante a expressão de força dos trabalhadores que exigem os seus direitos trabalhistas e melhores condições de vida garantidas pelo Estado de Direito.
O falso conteúdo democrático e de respeito pelos direitos humanos do sistema capitalista é apregoado como verdade através dos meios de informação social para impingir uma cultura artificial e desenvolver a submissão às falsas ideias e ainda uma moral patriótica que leva a assumir as dívidas e os erros cometidos pela elite na administração da vida nacional em benefício da classe dominante. O sufrágio universal também é uma bandeira manipulada pelos donos do capital e dos instrumentos de poder que, nas campanhas eleitorais, apresentam-se como democratas e prometem soluções para os problemas populares sem referir os planos tecnoburocráticos que impedem a transferência dos lucros empresariais para serviços públicos de um Estado Social.
Foi criado o conceito de "austeridade" para que toda a população aceite como um dever moral patriótico pagar os erros e desmandos da classe dominante no exercício do poder. Dessa forma a democracia é anulada, predominando o autoritarismo da elite que age ditatorialmente sempre de acordo com o apoio que a direita recebe nas eleições, concentrando em suas mãos o poder e o capital e aplicando as medidas de austeridade às camadas mais pobres da sociedade.
Portugal, que conserva a memória das conquistas de Abril assinaladas no texto da Constituição Nacional, e mantém um forte movimento sindical que defende o Estado de Direito intransigentemente, votou contra a política do governo (que cumpria as ordens da Troika na transação financeira do património) o que depauperou a economia portuguesa e empobreceu a classe trabalhadora. Criou uma maioria de esquerda que venceu a alternância de direita que controlava o poder desde 1976.
Resultados da eleição a 4/10/15 que os defensores da estabilidade da direita e do sofrimento popular fazem por desconhecer:
PÀF = 38,8% = PSD/CDS (direita) PS. = 32,4% (centro-esquerda) BE. = 10,2% (esquerda)
CDU=. 8,3% = PCP/ Verdes (esquerda) PAN= 1,4%
PDR=. 1,1%
Abstenção = 43,03% (desencanto com a política governamental)
O PS, aceitou desempenhar o papel de esquerda que consta do programa social- democrata formando uma maioria com o apoio dos partidos de esquerda para derrotar a coligação de direita desmoralizada pelo governo catastrófico que enfraqueceu Portugal nos últimos anos. Apesar das responsabilidades que a social-democracia teve nos obstáculos que levantou às conquistas de Abril, a Europa hoje está a perder força política e económica para o imperialismo invasor, liderado pelos Estados Unidos, o que promove um reajuste nos programas dos partidos nacionais que conservam um compromisso com a esquerda, diante da ameaça à integridade e independência de cada nação.
Os mitos criados pelos defensores do capitalismo - de uma elite democrática que divide a austeridade com todo o povo para salvar a honra nacional - cai por terra quando despreza os partidos de esquerda para que os governantes possam ter estabilidade (poder absoluto) para aplicar programas de interesse privados em nome da pátria, defendem uma lei que se aplica contra a classe trabalhadora e é omissa em relação aos frequentes crimes dos seus parceiros no poder, enriquecem enquanto o povo cai na miséria, curvam- se às imposições de agências financeiras estrangeiras que passam a dirigir a vida nacional, que raciocinam em termos de crescimento do capital e não do desenvolvimento das forças produtivas - tais mitos, amplamente promovidos pelos meios de comunicação social como verdades, caíram em descrédito diante das evidências que os representantes de forças de esquerda em Portugal, provaram infinitas vezes no Parlamento e deram a conhecer a toda a população no incansável trabalho militante que fazem nas ruas.
Em Portugal, um dos muitos casos reveladores dos privilégios de uma elite milionária que fala em nome de uma pátria que é de um povo trabalhador e pobre, foi o da família Espirito Santo proprietária de um banco centenário que fez péssimos negócios com o dinheiro dos seus depositantes e foi à falência. Os contribuintes do país viram os créditos estrangeiros serem desviados para ajudar as instituições financeiras privadas (como se fossem a pátria), não remuneraram os depositantes que confiaram as suas poupanças ao famoso banco e recheou os bolsos dos executivos que ficaram sem o emprego. O grande responsável da falência obteve uma reforma de 90 mil euros mensais, enquanto que o salário mínimo não consegue chegar a 500 euros mensais e o número de emigrantes jovens cresce para não aumentar o número de desempregados que se marginalizam na sociedade do "faz de conta" exibindo mega-eventos para distrair os tristes.
Neste ambiente de falsas festas e muita miséria, a juventude se afasta dos princípios sólidos de uma civilização que sempre trabalhou, e cai no desespero que promove as drogas e o terrorismo como solução. O terror assustou Paris, pouco depois de ter assustado o Líbano, e de ter sido abortado por sete vezes na Inglaterra (segundo declarou o Primeiro Ministro do país), e o Presidente francês depois de bombardear o chamado Exército Islâmico (com o vigor dos terroristas, disse) na destroçada Síria, reconhece que os terroristas de Paris eram franceses que viviam na marginalidade e aderiram a uma causa pretensamente religiosa estrangeira. E a responsabilidade pela marginalidade que impera nos países europeus é de quem?
Vamos rever a história moderna dando o nome aos bois. Chega de mitos porque a vida é séria para quem trabalha e cultiva princípios civilizatórios como a ética e a responsabilidade na educação social.

terça-feira, 17 de novembro de 2015
Estabilidade no Parlamento e nas ruas
O 10 de Novembro tornou-se um dia histórico de "Portugal à esquerda", dia em que o governo de direita caiu por força de uma maioria de esquerda formada nas últimas eleições do dia 4 de Outubro de 2015 e o apoio de milhares de trabalhadores, reformados e pensionistas, nas ruas sob a liderança da CGTP-Intersindical. Os remanescentes da velha direita que controlam a media, insistem em sonhar com a estabilidade de um governo que não respeita o mandato recebido da maioria que defende a soberania da nação.
Isto se deve às palavras do Presidente da República e á política do governo agora chumbado, que não reconhecem a esquerda parlamentar e popular, para manter a obediência á União Europeia. É para eles, difícil, com um pensamento cristalizado em que "o poder só pode ser de direita", aceitar a vigência da democracia, da igualdade de direitos dos eleitores, da soberania da Constituição nascida com a Revolução dos Cravos.
Devagar a Europa começa a sacudir os grilhões, abalada pelo susto provocado pela Grécia (que infelizmente sucumbiu às pressões da UE); da Catalunha que votou e luta judicialmente pela independência; e agora, da vitória incontestável da esquerda nas eleições nacionais e no Parlamento.
Diante do quadro dantesco da entrada de uma massa humana na Europa (515 mil até 29/09/15), desesperada e sem socorro, ao ritmo de 8 mil pessoas por dia, em busca de quem os acolha humanamente, são empurrados de um pais para outro pela desobediência dos países membros da UE que recusam as quotas atribuídas superiormente; as frequentes mortes (aos milhares) por afogamento dos refugiados ao tentar atravessar em barcos insufláveis o Mediterrâneo; a existência de gangues, (conhecidas desde 2012), que praticam o tráfico de refugiados sem segurança recebendo 2 mil ou mais euros por cabeça, a partir da Líbia ou da Turquia; diante dessa catástrofe, não foi uma grande surpresa ver na televisão a ameaça do Primeiro Ministro britânico de abandonar a UE devido à incompetência da UE, comprovada, para solucionar a terrível consequência das guerras onde a NATO participou.
De fato, até o velho continente mexe abrindo a porta à esquerda!
Mesmo assim, a direita continua preocupada com a "sua" estabilidade no poder. É incapaz de perceber que a estabilidade do país estará garantida com uma política de esquerda que defende os interesses do povo e do desenvolvimento produtivo nacional.
Como o raciocínio da direita é dogmaticamente centrado no enriquecimento de uma elite ligada à banca privada, à custa da austeridade que miserabiliza o povo trabalhador e a economia do país, a quebra deste circulo vicioso representará a instabilidade ... da direita no poder, é claro.
Zillah Branco
domingo, 15 de novembro de 2015
A metade de um Presidente
Portugal ficou abismado ao perceber que tinha apenas a metade, com um corte vertical,
do Presidente da República. E pior, a metade desprovida de coração, já que é
exclusivamente de direita, e todos sabem que aquele órgão que responde pela
sensibilidade humana fica do lado esquerdo.
Já o povo tinha esta impressão ao ouvir as suas consideraçōes expostas em público há
tantos anos, enquanto a nação empobrecia e a miséria dos trabalhadores aumentava
enquanto o número de milionários aumentava.
Mas agora foi afirmado pelo próprio Presidente, cujo conceito de democracia não admite a
voz da esquerda. É verdade que ele também não revela conhecer a existência de um
Parlamento que tem a função de aprovar ou não um governo de acordo com os votos de
direita e, já está, somados aos de esquerda. Parece confundir os tempos e decide como
se fosse um Imperador sem coroa mas com gravata, como manda a moda.
Se fosse só o Presidente, já era grave. Mas todos os governantes empossados por
desejo do Presidente, raciocinam da mesma maneira, pela metade vertical. Esta
descoberta é de tal maneira inesperada que muitos dos que se consideram "de direita",
sem negar que existem os "de esquerda", desvinculam-se publicamente dos que
assumem a sua metade orgulhosamente como se lhes bastasse. Afinal, ter coração
sempre foi uma necessidade física e mentalmente imprescindível aos seres humanos,
especialmente aos que assumem funções de responsabilidade na liderança dos povos.Temos visto que esta condição, que assolou a governação do país tem, alguns seguidores
que distraidamente andavam junto aos que, sendo normais, optam agora pela esquerda
que representa a maioria da população. Quem, depois de constatar que Portugal está no
plano inclinado, em vias de perder a sua independência e ver a sua dignidade
espezinhada pelos que só têm uma metade, na vertical, a direita, não escolhe o caminho
que sempre foi seguido pela esquerda?
Trata-se de uma epidemia? Há cura para tão estranha patologia? Urge combater esta
perversão do género humano, antes que seja tarde.
Zillah Branco
sexta-feira, 30 de outubro de 2015
A máquina de moer cultura
Zillah Branco *O sistema capitalista controla as suas graves crises com a imposição de uma cultura que é processada por uma poderosa máquina que moi tudo, como as que preparam hamburguers. À medida em que envelhecemos, temos a necessidade de nos afastarmos das agressões para nos defendermos, já que o corpo se fragiliza.
Este distanciamento permite perceber que, ao longo do tempo, durante todo o século 20 e os 15 anos neste, o uso das imagens e conhecimentos adquiridos pelas investigações técnicas e científicas mundiais, caminhou no sentido de alterar a cultura tradicional.
Hoje é clara esta intenção, com a alteração do comportamento social para além das modificações normais que são fruto de uma evolução histórica. Utilizam o recurso de impressionar o público com a manipulação de instrumentos que afirmam o poder de alguns sobre a maioria dos que recebem a mensagem: o uso de informações ocultas ao público, a elevação do som que impede a percepção de ruidos menores, o aumento da velocidade que supera qualquer movimento normal, a proliferação de cores que, somadas aos sons estridentes e á velocidade imprimida aos objetos, provocam a sensação da alegria próxima à histeria.
Com estes condimentos são criados os festivais, os grandes jogos e os espetáculos desportivos e artísticos, que se impõem à formação do gosto e do interesse que cada um tem pelas atividades culturais separadamente, a partir da sua percepção e a cultura em que se formou familiarmente. Criam modas que dominam os objetivos do público, assim como com o desenho de roupas, adereços, móveis e decorações domésticas, criam o padrão dominante que classifica quem o adota como se entrasse no caminho dos que comandam o desenvolvimento do país e da sociedade global.
Como se metessem as qualidades que impressionam os humanos em uma poderosa máquina de moer, destroem a possibilidade de apreciar detalhes, sensibilidades, diferenças, valores de pequenas características, identidades pessoais e culturais, que despertam interesses particulares e criatividades imprevisíveis, produzindo uma amálgama de conteúdos dispares, de caracrísticas positivas e negativas, como são as carnes moidas que não se conhecem as origens nem os elementos que a compõem, hoje condenadas como alimentos de consumo pela OMC, com o risco de provocarem cancer.
Para a defesa do consumo alimentar existe a nível internacional a OMC e em muitos países funcionam os setores de fiscalização sanitária. É verdade que essas denúncias vão entrar em choque com os dos produtores e vendedores dos produtos, assim como com o gende mercado exportador e importador que exercem o seu poder sempre maior que o dos consumidores.
Mas, para os produtos culturais e formadores dos hábitos e conhecimentos de cada pessoa, não ha defesa nacional e internacional. Com o passar dos anos a populacão adulta foi inoculada poe esses macro-produtos que dominam os meios de comunicação social há perto de um século e raros têm uma percepção crítica para defender seus filhos, netos, alunos e amigos que são engolidos sem julgamento prévio sobre as suas consequências. Mesmo que alguém perceba que há um autoritarismo ditatorial na criação de uma cultura acrítica e submissa aos que ocupam o poder mundial, não terá condições de se opor sozinho a mais esta forma de prejudicar a humanidade negando-lhe o direito elementar de escolha.
Assim como nos é impingida uma cultura, aceitamos passivamente a lógica do pensamento capitalista que se baseia na existência de duas classes, uma rica e liderada por uma elite poderosa, e outra empobrecida e mentalmente controlada para melhor servir. Mas, sabemos que existe outra lógica de pensamento para organizar um outro sistema que respeite a liberdade de pensamento e criatividade e a igualdade de direitos de todos os cidadãos, com um Estado social
que garante segurança social, educaçāo, saúde, habitação e infra-estruturas, igualente a todo o povo para que possa desenvolver as suas potencialidades pessoais e a produção nacional.
terça-feira, 20 de outubro de 2015
Europa, à esquerda volver!
As mudanças não ocorrem por acaso, não caem do céu nem com rezas fortes, nem dependem de idéias geniais ou do peso das leis e forças das armas. Sendo um processo de transformação, as mudanças resultam de paciente demonstração de que a humanidade evolue selecionando soluções para os erros de percurso e para as carências impostas aos povos para satisfazer ambições mesquinhas de poder de uma elite privilegiada e cruel.
Tomando os países mais pobres da Europa, vemos que eles carregam uma história marcada pelo exito da coragem e criatividade da sua gente - os grandes filósofos gregos, os grandes navegadores e geografos portugueses, os valentes guerreiros espanhóis - que além das ações práticas que abriram o mundo à toda a humanidade, aprofundaram conhecimentos científicos enriquecidos pelo desvendar de novas culturas consideradas exóticas, foram cruelmente explorados pelos mais ricos agarrados ao poder monárquico e clerical que deu origem ao sistema financeiro com a ganância do lucro e a frieza dos cálculos acima dos sentimentos humanistas.
Em 1974, como resultante de um longo processo tão claramente analisado por Alvaro Cunhal desde 1947, a mais velha e carcomida ditadura da Europa é derrubada por militares (com as suas razões específicas) apoiados pelo povo que descobria a injustiça do sofrimento que sempre sofre por não ter os privilégios da elite. Jovens de todos os países ricos da Europa ofereceram a sua solidariedade, mesmo aqueles que usufruiam dos privilégios de classe das elites. Despertava a consciência e o respeito pelos princípios fundamentais da humanidade.
Nascia uma nova esquerda, confusa e anárquica, que foi manipulada pelos políticos oportunistas que davam uma lágrima ao povo sofredor e um riso esperto à elite política aliada do imperialismo - os polícias do mundo. A esquerda esperiente chegou ao Governo por alguns meses em que fez nacionalizações, reforma agrária e definiu apoios aos pequenos agricultores e pescadores, abriu caminho para sistemas públicos de saúde, educação e previdência, mas não pode vencer a direita que através da hegemonia da informação, nacional e internacional, criou um ambiente de guerra civil e manipulou consciências recém-abertas ao conhecimento revolucionário. Deixou a sua marca na Constituição assinada por todas as forças políticas na época dos Cravos de Abril.
Vieram os governos de direita. Com duas coligações que se sucediam mas que igualmente mergulharam o país na dependência financeira que era delineada pelo projeto de unificação do capital armado de todo o continente europeu - CEE/NATO, UE - com seu banco e seus conselheiros técnicos. Os paises pobres foram submissos e os ricos coniventes com a implantação do modelo imperialista na Europa com uma moeda forte que compete com o dollar, irmão mais velho.
Mas o movimento das idéias seguiu o seu curso, alimentando as consciências despertas pelo tremer das estruturas do poder que deixaram à vista as rachaduras causadas pela força popular quando unida. O conhecimento democratizado das ciências sociais limou arestas, reduziu rompantes individualistas, corrigiu erros pessoais com os ensinamentos da realidade. A semente da esquerda ficou apta a crescer em solo fértil.
O imperialismo liderado pelos Estados Unidos aperfeiçoou o seu fortalecimento bélico e de informação midiática aproveitando os recursos da ciência e da tecnologia informatizada para avançar na destruição de civilizações milenares do oriente (onde foi parado pelo Vietnam, Coreia e China) e do Oriente Médio onde plantou suas bases em Israel e comprou monarquias árabes subalternas. Com o apoio da UE derrubou o muro de Berlim e provocou a derrota do socialismo na Europa, destruiu o Afeganistão, invadiu o Iraque, penetrou nas lutas intestinas dos árabes enfraquecendo nações fortes que se modernizavam, assassinou governantes e destruiu o equilíbrio da Libia, o Egito, a Somália e Etiopia minou o Estado das ex-nações socialistas assim como de países árabes que enfrentavam os apetites de Israel - Palestina, Líbano, Jordania, Síria, Irão, Pakistão e outros. Neste caminho sangrento deu-se a grande crise financeira do sistema, o que levou o império a comer das próprias bases o sangue dos pobres, a que chamou técnicamente de Plano de Austeridade. E criou o Estado Islâmico no bojo de uma mal explicada luta contra um terrorismo aparentemente árabe e muçulmano mas nascido dos jogos e filmes que o império usa como pedagogia das jovens gerações.
A esquerda em formação, seguindo mesmo a contra gosto o caminho revolucionário imparável dos Partidos Comunistas, amadureceu as suas análises e somada a uma franja de pessoas que são conservadoras por formação, mas que foram obrigadas a pisar a lama da "austeridade", organizou manifestações a favor de eleições democráticas - a Grécia contestou a UE e as suas sangrias para salvar a banca; a Espanha elegeu governos de esquerda em grandes municípios e passou a defender a independência da Cataluña; Portugal obteve a maiora de votos à esquerda contra o Governo submisso da direita tradicional. A própria direita, para não escorregar no falhanço dos seus partidos, começou a mostrar que sabe ser de esquerda para parecer inteligente.
A União Europeia, desmascarada pela defesa única do sistema financeiro contra o bem estar e desenvolvimento dos povos e suas forças produtivas, começa a receber a ponta-pés e com arame farpado as levas de emigrantes que fogem das guerras imperialistas. A crueldade de assistir paralisada os afogamentos de milhares de jovens, velhos e crianças, no mar Mediterrâneo - via especial do turismo - e a ocupação de praias italianas e gregas por uma humanidade escorraçada dos seus países de origem, para exibirem a sua miséria em locais de luxo, despertou a ira dos Hungaros, Austríacos, Alemães, Suiços e Nórdicos que pendem para a direita fascista contra a esquerda que germina nas suas próprias sociedades onde oferecem solidariedade humana para os emigrantes.
A "união europeia" deixou de existir dando lugar à " gestão do capital europeu", sugerida pela a Inglaterra de Pilatos que aconselha a dar dinheiro para países limitrofes dos guerreados para que segurem nos seus campos os que ameaçam a rica europa com a sua miséria. Esta proposta recebe o apoio da ex-humanista França e da equilibrista Alemanha de Merkel que oferece grandes somas até mesmo à Turquia para que aguentem longe dos "civilizados" as consequências das invasões feitas pela NATO e os amigos norte-americanos. Prometem tudo, até um lugar na UE desmoralizada. Enquanto isso os russos limpam a Siria dos esbirros do imperialismo, da CIA e seus alunos ao EI e os norte americanos aceitam dialogar com quem antes era inimigo a abater. Um falhanço rotundo da política expansionista no mundo árabe.
A direita fascista se distingue da outra, submissa, pois é nacionalista. Surge como mais consequente aos olhos de povos enriquecidos e ganham eleições. Há uma aliança anti-natura com alguma esquerda sem rumo, que substitui o impulso revolucionário do Siriza na Grécia (que havia dado um primeiro passo maior que as pernas) confundindo os apoiantes. Tudo isto serve de mostruário de hipóteses para os povos onde a consciência germina. Daí as surpresas quando as esquerdas se unem em Portugal e animam o resto da Europa.
Ninguem aceita mais os antigos bonecos vestidos de Presidentes. Não querem reis de gravata para fazer papel de autoridade sem voz nem vontade diante da austeridade que assola e das invasões que trucidam. Todos agora querem mostrar que são democratas e até aceitam alguma esquerda bem comportada. Vamos em frente com candidatos que ainda assustam os conservadores: um padre comunista, uma mulher que conhece e condena os podres da UE.
Dias melhores virão quando a ignorância medieval e a cobiça de riquezas e poder forem banidos das sociedades. Temos à vista outra experiência criadora, a da América Latina onde as Uniões respeitam a moeda e a história de cada nação, e unem esforços apenas para enfrentar inimigos comerciais, financeiros, que expoliam para invadirem depois. E estes exemplos vão germinando em continentes distantes, como a África e a Ásia.
Para terminar com um quadro real (que a TV exibe) para ilustrar a intenção otimista, refiro as manobras da NATO, com imensos barcos de guerra norte-americanos e armados até os dentes, na manhã do dia 20 de Outubro, descarrega dois jeeps todo-o-terreno que tentam invadir uma praia alentejana de Grândola (a Vila Morena) e ficam irremediavelmente atascados nas areias. Até as areias alentejanas resistem ao poder armado do imperialismo e sua aliada UE!
Zillah Branco
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