segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Os crimes do governo PSD/CDS em Portugal





Um governo incompetente sempre tem a possibilidade de corrigir os erros antes das consequências cairem sobre o país, ouvindo os assessores, os outros partidos no Parlamento ou o Conselho de Estado. Um governo que apenas ouve um poder externo e, com ele decide como exercer o seu poder sobre o país e contra os interesses do povo é uma Ditadura ao serviço de forças estrangeiras.

Assim foi em Portugal, nos últimos quatro anos, sob a direção de Passos e Portas submissos à Troika. Os erros de gestāo não são desculpáveis por terem sido propositalmente cometidos para atender ao comando externo em prejuizo do desenvolvimento nacional e da vida dos portugueses. Não foram simples erros, foram crimes de lesa pátria. Poderão alegar que governos anteriores também os cometeram, mas isto não os redime. Antes, Portugal não pudera condenar os desmandos governamentais, agora pode porque o povo adquiriu uma consciência mais clara para eleger uma força de esquerda que o represente e defende.

Os crimes cometidos começam a ser denunciados. São gravíssimos, como a ocultação de prejuizos milionários de bancos falidos cobertos com dinheiro púbico, a venda apressada de empresas do Estado por valores baixos, negócios realizados quando já não detinham o poder governamental, que vieram a público denunciados pelo novo governo PS que agora age de maneira transparente perante o Parlamento.

Abre-se a "caixa de Pandora" com a morte de vários doentes que não puderam ser atendidos em tempo pelo sistema de saúde pública devido aos cortes impostos pelo anterior governo. São crimes sem perdão que abalam os médicos e responsáveis de serviços que ficaram impossibilitados de exercerem os seus deveres por desorganização estrutural imposta pelo anterior governo. Há crimes em relação a alunos e professores que não puderam estudar ou ensinar devido à desordem criada nas escolas de todo o país. Há prejuizos causados à produção que levaram milhares de empresários a perderem os seus investimentos e a mandarem os seus funcionários para o desemprego, devido ao favorecimento às importações de bens e serviços em prejuizo da sobrevivência de iniciativas criadas pelos portugueses, e muitos outros crimes que devem ser registados para julgamento pelo sistema judiciário nacional.

Acrescente-se a todos os crimes de burla e de omissão praticados, a falta de responsabilidade patriótica de pretensos representantes eleitos que traíram a confiança democrática do povo, roubaram a confiança que tinham no ser humano, retiraram a sua esperança de vida digna, destruiram o seu projeto de vida familiar.

Cabe analisar as vantagens auferidas com os crimes, desde o enfraquecimento político e económico de Portugal que beneficiou naçōes e grupos de poder estrangeiros, e compensações financeiras e de postos políticos e profissionais alcançados com a subserviência de políticos do governo eleito a uma elite transnacional. O pagamento das devidas indemnizações aos lesados pelo governo PSD/CDS deve recorrer primeiro às propriedades dos responsáveis diretos dos crimes. Este seria um exemplo da Justiça em qualquer sistema político que se preze.

Mas, para lhes oferecer uma oportunidade de apagar o remorso que deverão sentir, os réus poderão prestar serviços sociais visitando pessoalmente as casas onde vivem os idosos, os doentes, as crianças órfãs e os carenciados de modo geral, para levar esperança de vida e alimentos ou roupas às vítimas de um sistema sócio-político que enriquece os ricos e torna miseráveis os pobres. Que prestem este serviço acompanhando assistentes sociais que executam a tarefa rotineiramente, não como turistas que exibem a sua soberana riqueza deixando esmolas e roupas que lhes sobram. Não façam como as redes de supermercados que oferecem os alimentos no último dia da validade. Não pensem, talvez pela primeira vez na vida, que transformarão o sacrifício, de sentir de perto o que é a pobreza, em negócio. Não pretendam obter votos nas próximas eleições, mesmo porque a Justiça deverá deixá-los em quarentena por vários anos antes de voltarem a ocupar uma função pública de chefia.

Que os portugueses de bem tenham um Feliz 2016 e os que traíram o seu povo aprendam a ser patriotas, responsáveis socialmente, e a respeitarem a humanidade.

Zillah Branco

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

A lógica da esquerda é muito melhor do que a do sistema




Depois da surpresa com a eleição de uma maioria de esquerda em Portugal e do início das conversações do novo governo PS com os partidos PCP, Bloco de Esquerda, e Verdes, para atender às reivindicações recolhidas junto à população de todo o território, e os contínuos debates com sindicatos e associações empresariais para encontrar a viabilidade dos necessários aumentos salariais e de pensões, e reduções em impostos e taxas, e ainda observando os novos critérios com que os ministros da educação, da saúde e do mar olham para os problemas da população a serem resolvidos sem a imposição de modelos importados, sente-se uma descompressão social no relacionamento nas ruas.

Até que enfim, foi retirada a nuvem pesada que esmagava os portugueses que já não viam luz alguma no fundo do túnel. Ressurge a fraternidade, a confiança de que o governo tentará manter-se do lado do povo com um estreito relacionamento com as forças políticas e personalidades que sempre o defendem, não só em período eleitoral. A direita ou muda ou pode fazer as malas para emigrar, como Passos Coelho aconselhou à juventude em busca de emprego quando era governo.

Há quem continue agastado e insiste em combater "os sonhos e utopias" dos jovens que procuram formar-se em "empreendedorismo". Paulo Portas não muda, talvez emigre, seria bom. Mas que direito tem um adulto de cortar os sonhos e as utopias que alimentam as esperanças dos jovens? Bem se vê que P.P. nada sabe de futuro, nem pensa para além de si mesmo. Recomenda que estudem o "empreendedorismo" circunscrito nos conceitos autorizados pelo modelo da União Europeia.

Para alguém empreender, precisa ser capaz de sonhar, de olhar para lá dos limites de um modelo cristalizado, de abarcar com o pensamento a humanidade com a sua diversidade cultural e investigar a fundo a realidade do país onde vive e produz. Ou então ele será apenas mais uma maquina para manter em movimento o que outros empreenderam para obter o fim que buscam. E isso, pode ser uma insignificância humana que visa apenas o lucro financeiro dentro de uma situação pré-estabelecida, que não se sabe até quando vai durar. Então o que o ex-vice primeiro ministro comete é um crime por cortar as asas aos jovens que sonham para que eles fiquem iguais a tantos outros que mediocrizaram a sua existência embasbacados com a direita que está a caminho do brejo.

A Europa toda está a ser sacudida por uma nova consciência da necessidade de mudança: a Grécia levantou o povo no referendo à esquerda para combater a austeridade imposta pela UE, mas a liderança do Syrisa, que conta com a extrema direita, cedeu à Comissão Europeia e aumentou a dívida bancária. A França ainda não saiu do susto com a ameaça de vitória do fascismo, e Sarkosy recebe o apoio socialista que repudiara para não ter compromissos à esquerda. Vários países que adotaram o repúdio ao socialismo para poderem entrar na União Europeia também seguem o radicalismo da direita nacionalista que lembra a preparação da Segunda Guerra de má memória para todo o mundo. Na Espanha, depois da vitória do partido Ciudadanos no referendo popular a favor da independência da Catalunha, o bipartidarismo é vencido, dividindo o eleitorado em três partes com o crescimento do Podemos à esquerda, e vê surgir a Unidad Popular para reunir toda a esquerda. O líder do PSOE inaugura um discurso mais à esquerda do que sempre foi, para combater a direita enredada em erros de governação submissa e questões de corrupção mal contadas, e espera que a esquerda o apoie. Na Inglaterra também a esquerda aflora pondo o Partido Trabalhista em brios. O apelo popular é pela unidade das esquerdas, incluindo franjas descontentes de partidos de centro-direita.

A situação dos velhos líderes da União Europeia, que até agora se têm aguentado em cima do muro com o equilibrismo dos sociais-democratas antigos mais voltados para a direita, não está nada fácil. Ainda mais que têm de enfrentar a ameaça do fascismo que cresce diante da falência à vista e, para isso, terão de abrir espaço para as forças de esquerda, tal como ocorreu com os Aliados na Grande Guerra só vencida com o decisivo ataque do exército soviético que entrou na Alemanha de Hitler.

A grande mudança começa a ocorrer com a consciência social popular, de que a esquerda raciocina e luta a partir de uma lógica em que a população é o sujeito da governação (a sua vida e bem estar, formação e trabalho) e não, como impõe o sistema capitalista e seus defensores de direita, o lucro e a acumulação do capital que, teoricamente, garantiria o desenvolvimento nacional.

O exercício do poder pela social-democracia com os programas neo-liberais (em Portugal pelo PS ou pelo PSD desde 1976 até 2015, mas também em outros países da Europa e do continente americano) demonstrou a impossibilidade de promover benefícios sociais e desenvolvimento nacional quando a sua política acentuava a concentração do capital nas mão de uma elite e a pobreza no das classes trabalhadoras.

Zillah Branco

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

A desvalorização de políticos obnóxios que só têm ambição pessoal



O ex-ministro do Brasil, da Ciência e Tecnologia, Roberto Amaral, escreveu um excelente artigo sobre o baixo nível de alguns políticos que se agarram ao poder como os antigos cortesãos que viam a possibilidade de serem alguém aos olhos da nação, a que aplicou um adjetivo pouco conhecido de "obnóxio" (segundo o dicionário, "que se sujeita à punição, servil, funesto, nefasto"). Critica a ambição mesquinha que acaba por reduzir o valor do governo que lhes serviu de poleiro."Diz-se que a história forja os personagens de que necessita. Isso é injusto conosco, não merecemos Temer, Cunha e seus quejandos, ainda menos o vazio humano que possibilitou essa safra. A média brasileira é muito melhor. Portanto, ainda podemos confiar, com esperança, no papel da organização social, a sociedade reagindo mediante seus mecanismos de ação, intervindo no processo, ditando e corrigindo as lamentáveis rotas de hoje. "(Portal Vermelho, 11/12/15).

Penso que a mediocrização dos políticos de direita é um dos mecanismos do sistema capitalista, na sua fase imperialista como a que o mundo assiste hoje. A produção de políticos submissos à sua lógica (que chegam a ocupar postos de governo catapultados pelo movimento econômico que controla as eleições) tem início na criação de oportunidades de formação e de trabalho para determinados jovens que revelaram capacidade em busca de realização pessoal no mesmo sentido individualista dos interesses capitalistas. É a constituição de uma elite e a defesa da classe dominante que segue os caminhos do "empreendedorismo" sem visão social. Genericamente atribui-se à História em geral, mas é apenas à parte dominada pela lógica do capitalismo e da elite que se torna dominante, deixando de fora o outro lado da História que defende um sistema socialista com base na liberdade e na igualdade de direitos de todos os cidadãos.

Nos EU, o governo de Bush desvendou a subordinação de fantoche do Presidente que,  sendo obnóxio, nem se preocupava em disfarçar a representação que fazia com as suas fracas forças intelectuais. Mas muitos outros políticos norte-americanos ficaram conhecidos pelas palavras e atos que usavam, inadequados às situações e ao cargo que ocupavam. Até mesmo o Presidente Obama, escolhido por ser negro e ter um passado de jovem combativo e inserido na rebeldia de uma burguesia, serviu de porta-voz do imperialismo ao fazer o seu discurso "terrorista" em Oslo, ao receber contraditoriamente o prêmio Nobel da Paz.

Na Europa, paralelamente ao que ocorre nos EUA, começaram a surgir fracas personalidades nos postos mais elevados dos governos. Têm poucas informações sobre a humanidade e frágil formação intelectual que os torna tímidos e frágeis diante das oposições. Em alguns casos, parecem ter personalidade forte mas a fragilidade é denunciada por casos de corrupção tornados públicos. Nos países mais pobres, como Portugal por exemplo, a direita controlada pelo Clube Bildenberg preparou quadros formados tardiamente ou fraudulentamente em cursos controlados pelo sistema imperial, com a característica de fantoche disciplinado, obnóxio,  sob o comando da União Europeia. Neste sentido, o último primeiro ministro assumidamente de direita, Passos Coelho, desempenhou o papel de emissário das ordens da Troika em oposição ás reivindicações da população portuguesa, inclusive conservadora. Ficou clara a sua tendência apátrida e de sobrevalorização da acumulação de capital em prejuízo das necessidades dos humanos que compõem o povo. Um obnóxio como Bush e outros que tais.

Em consequência de um processo de conscientização do percurso imperialista e seus fantoches obnóxios, que se espalhou por várias nações, agravado pela visibilidade do caos humanitário (decorrente da destruição criada pelo braço armado terrorista ou por espiões dos órgão de segurança secreta, contra civilizações antigas do Oriente Médio e Norte da África) que produziu a fuga de centenas de milhares de pessoas que enfrentam o risco de navegação sem segurança no mar Mediterrâneo em busca de acolhimento na zona da UE, as últimas eleições em 2015 abriram um novo panorama político às forças políticas sociais-democratas que aceitam agora a influência da esquerda ou da extrema-direita.

A ação do imperialismo norte-americano assumiu a forma da infiltração dos elementos da CIA, em lugar do embate militar das suas forças armadas ou mesmo de exércitos mercenários, deixando a tarefa militar visível para os seus parceiros europeus que aceitaram a NATO como "sua" força continental. Hoje presenciamos a volta da ação de dominação imperialista na América Latina através de influências junto ás populações e pela corrupção de personalidades da alta política, para desestabilizar os governos progressistas. Esses ainda dependem financeiramente do sistema capitalista e são mantidos aprisionados pela política neo-liberal que é muito adequada ás condições oligárquicas herdadas de um passado  em todo o continente e que sobrevivem com maior força nas áreas menos desenvolvidas.

O momento político mundial encontra-se em uma fase decisiva de mudança, com riscos e oportunidades a serem utilizados pelas forças políticas opostas, a favor de um caminho para o socialismo ou de recrudescimento da exploração capitalista.  Assustador é o agravamento do terrorismo e da escravidão no trabalho e nas antigas formas de poder social que se manifestam como forma de superioridade cultural contra as minorias e os setores mais desprotegidos: pobres, trabalhadores, mulheres, crianças, carentes por problemas de saúde, imigrantes, diferenças étnicas, religiões ou ideologias praticadas por minorias, enfim todas as raízes dos preconceitos contra os quais a humanidade luta há séculos. Não podemos esquecer que a escravidão gera o medo que aniquila o ser humano.

Zillah Branco
12/12/15

sábado, 12 de dezembro de 2015

A DIREITA NÃO SERVE PARA GOVERNAR
Zillah Branco
(10/12/15)

A mídia tem revelado o seu espanto pelo ressurgimento da esquerda, eleita para o Parlamento  pelo povo nas últimas eleições e, como sempre oferece espaço com fartura para os políticos da direita que caíram como frutos apodrecidos do anterior governo, divulga uma ideia confusa para que a população não entenda o óbvio. Quanto mais choram a derrota eleitoral,(que permitiu ao PS aproximar-se em tempo da ideologia de esquerda dominante entre os eleitores), mais se enterram no desvendar de um raciocínio desleal com a população sacrificada pela austeridade e com o país, que caminhou para a perca da independência e da soberania sem preservar o património do Estado as suas capacidades produtivas.

Alguns porta-vozes dos destronados do poder chegam ao ponto ridículo de considerarem que foram criados dois governos em Portugal: o do PS que dialoga com a UE e o das forças de esquerda representadas no Parlamento. Não lhes entra na cabeça o princípio fundamental da democracia de que os cidadãos elegem os candidatos capazes de representar os seus interesses no Parlamento para impedir que um governo (como fez o de Passos e Portas) ditem um programa de vida para Portugal desenhado por uma entidade externa que se está borrifando para o que querem os povos de cada país. Os que comandam o sistema capitalista, global no planeta, consideram que todas as questões referentes ao crescimento das economias e sobrevivência das populações devem ser organizadas em função da concentração e aumento do capital nos bancos. Por esta razão só falam em exportação e turismo, voltados para o interesse externo e deixam morrer a pequena e média empresas que abasteciam o mercado interno além de exportar também e atrair os turistas.

A democracia, no entanto, impõe o contrário: primeiro são consideradas as forças produtivas dos países, os trabalhadores e suas famílias, para serem preparados com o apoio governamental e recebam investimentos. A gestão do governo de tais programas reune os recursos disponíveis para assegurar a possibilidade de satisfazer as necessidades nacionais de desenvolvimento, o que fortalece a independência nacional, e o bem-estar da população que produz e consome do mercado interno.

A eleição do governo PS deu-se com o apoio das forças democráticas eleitas, para com elas estudar os problemas a serem tratados no encontro com a UE. Não são dois governos, trata-se do encontro dos governantes com as mensagens democráticas levadas ao Parlamento pela esquerda, como porta-voz que é, dos interesses do povo. A surpresa da direita destronada é porque nunca levou em consideração os interesses populares. Elementar, para quem sabe o que é ser democrata.

O economista Eugenio Rosa, que ha décadas trabalha com a CGTP-IN, oferece a sua análise sempre em defesa do desenvolvimento de Portugal com o bem-estar do povo trabalhador, em sentido contrário à dos políticos da direita submissos aos objetivos da UE de enriquecimento de uma elite financeira. Ele explica: "utilizando dados divulgados pelo INE, a eventual correlação existente entre o aumento das exportações e crescimento económico  que, em Portugal, é fraca para não dizer que é nula,  mostro que existe uma correlação positiva forte entre crescimento económico e aumento da procura interna, e que a recuperação da economia passa pela promoção da procura interna, que exige uma melhor repartição da riqueza criada anualmente e um combate eficaz às desigualdades."

Claramente demonstra que se a população portuguesa recuperar o seu poder de compra, livre do empobrecimento causado pela austeridade (desemprego, emigração, taxas abusivas, cortes salariais e de pensões, etc.), poderá desenvolver a produção nacional (que foi destruída com a política imposta pela Troika) de modo a enriquecer as empresas e também o país.

Além de exigirmos que o governo respeite os interesses e as necessidades do povo trabalhador, devemos também exigir que a mídia não complique as suas análises para que os que a ouvem possam perceber com clareza qual o caminho que defendem.



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sábado, 5 de dezembro de 2015

Ressurgimento da Política de esquerda em Portugal




A vitória da esquerda nas eleições para o Parlamento em Outubro de 2015 em Portugal foi uma surpresa para os que se achavam bem instalados no exercício da sua vocação de direita na sociedade. Traduzindo em poucas palavras, aquela acomodação conservadora e anti-democrática que se espalhara, como uma virose, entre os mais bem remunerados que exerciam o poder económico e político com ambição desmedida e a perda total de qualquer sentimento patriótico que lembrasse o povo sacrificado e o desenvolvimento nacional abandonado, terminou para o bem do país. A realidade visível é de que Portugal está no fundo do poço, sem empregos, com as empresas falidas, em permanente sangria da mão de obra jovem, com uma enorme dívida externa (mais privada que pública), sem rumo dentro da desordem em que se transformou a União Europeia. Precisa de governantes com coragem de revelar a verdade para lutar pela sua superação da crise que é real e destruidora do planeta.

A direita, desenhada segundo o modelinho da União Europeia com o seu vezo norte-americano marcado pela NATO, deixou a aparente austeridade dos idos tempos de Salazar e adotou maneiras mais adequadas à moderna geração dos jovens "queques", liberais nos costumes sociais, no vestuário e na linguagem, curvados ao comando superior do mundo globalizado, formados como repetidores das ordens emanadas em inglês do Mercado dito Livre e do setor financeiro. Alçados às funções de governantes passaram a adotar em público um olhar de "peixe morto", que traduzia complacência com os reclamos da plebe ignorante, palavras de respeito humano como as das rezas avoengas, para não entrarem nos temas debatidos e explicarem as decisões tomadas de acordo com a cartilha da Troika. Assim, cercados por uma falsa aura de responsáveis pelo destino da nação, com aparentes princípios humanistas e formação científica ou técnica, representaram mais uma vez o teatro durante os últimos 4 anos.

Nesta alienação, a que se habituaram desde que deram início à destruição das conquistas de Abril, não perceberam que a esquerda perdera uma batalha mas encontrara o caminho do seu fortalecimento no estreito convívio com a dura realidade do país espoliado e do povo sacrificado para manter aquela elite enriquecida, modernizada e inebriada consigo mesma.

Com a certeza da vitória, bem estimulada pelos meios de comunicação na coleira, os partidos de direita formaram o PÀF e ... "PUM!", caíram do cavalo, perdendo 700 mil eleitores que entretanto se esclareceram junto à realidade, como ocorreu também com os mais lúcidos militantes e políticos do PS. A imagem da derrota de Passos Coelho e Paulo Portas não deixa dúvida da total ignorância em que viveu a iludida direita em Portugal.

Apesar do esforço paternal do Presidente da República, contra todas as regras de um sistema constitucional que ainda salva as origens democráticas da nação, o PÁF caiu mesmo. Ficou reduzido no Parlamento à sua minoria, a qual tenderá a aumentar na medida da crescente incapacidade de agir com alguma sobriedade e inteligência dos seus expoentes.

E aí vem a segunda surpresa da velha direita: os deputados de direita defendem o governo derrotado com a sua postura social de "jovens queques", mal educados, grosseiros, birrentos, querendo passar por heróis infantis com um palavreado próprio dos que levaram uma coça em praça pública.

Com este procedimento demonstram a incompetência para participarem do Parlamento que exige decoro e mais, exige que tenham consciência de que a função que exercem é para contribuir com seriedade para o desenvolvimento nacional e o bem estar da população. Ninguém está interessado nas frases agressivas que pretendem ser farpas para impedir o trabalho do Parlamento.

Nem se dão conta de que estão enterrando a velha direita hoje representada pela geração dos "queques". Não restam adultos por aí, no seu meio, para por cobro a esta falência social e política? Teremos de pedir uma ação judicial para que o Parlamento possa trabalhar a sério na defesa de Portugal diante da crise que é avassaladora?

Zillah Branco

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Saindo das nuvens da "boa intenção"

A definição habitual, que consta dos manuais escolares e é amplamente divulgada através dos meios de informação social, é de que a sociedade capitalista é liberal, tecnoburocrática, de bem estar social e democrática. 


Tais conceitos correspondem às conquistas populares dos cidadãos na história, desde o século XVIII com a formação dos Estados Nações, das empresas não familiares como unidade básica (século XIX) e a conquista do sufrágio universal para que as estruturas de poder fossem escolhidas pelo conjunto da população.

Bem sabemos que a lógica do capital privado impõe a existência de uma classe dominante que concentra os benefícios sociais do Estado e a maior parte da riqueza produzida, o que impede que a maioria da população tenha formação e condições de vida para obter os privilégios da elite que a explora. O liberalismo assegura que a meritocracia seja aplicada entre as famílias que manejam o capital para formar o estrato tecnoburocrático que responde pela organização das instituições sociais inclusive a aplicação das leis e a noção de democracia e bem estar social, tendo em consideração apenas os estratos superiores da sociedade que apoiam a elite. Portanto, para a grande maioria popular, a democracia e o bem estar social deixam de existir e só são aplicados mediante a expressão de força dos trabalhadores que exigem os seus direitos trabalhistas e melhores condições de vida garantidas pelo Estado de Direito.

O falso conteúdo democrático e de respeito pelos direitos humanos do sistema capitalista é apregoado como verdade através dos meios de informação social para impingir uma cultura artificial e desenvolver a submissão às falsas ideias e ainda uma moral patriótica que leva a assumir as dívidas e os erros cometidos pela elite na administração da vida nacional em benefício da classe dominante. O sufrágio universal também é uma bandeira manipulada pelos donos do capital e dos instrumentos de poder que, nas campanhas eleitorais, apresentam-se como democratas e prometem soluções para os problemas populares sem referir os planos tecnoburocráticos que impedem a transferência dos lucros empresariais para serviços públicos de um Estado Social.

Foi criado o conceito de "austeridade" para que toda a população aceite como um dever moral patriótico pagar os erros e desmandos da classe dominante no exercício do poder. Dessa forma a democracia é anulada, predominando o autoritarismo da elite que age ditatorialmente sempre de acordo com o apoio que a direita recebe nas eleições, concentrando em suas mãos o poder e o capital e aplicando as medidas de austeridade às camadas mais pobres da sociedade.

Portugal, que conserva a memória das conquistas de Abril assinaladas no texto da Constituição Nacional, e mantém um forte movimento sindical que defende o Estado de Direito intransigentemente, votou contra a política do governo (que cumpria as ordens da Troika na transação financeira do património) o que depauperou a economia portuguesa e empobreceu a classe trabalhadora. Criou uma maioria de esquerda que venceu a alternância de direita que controlava o poder desde 1976.

Resultados da eleição a 4/10/15 que os defensores da estabilidade da direita e do sofrimento popular fazem por desconhecer:

PÀF = 38,8% = PSD/CDS (direita) PS. = 32,4% (centro-esquerda) BE. = 10,2% (esquerda)
CDU=. 8,3% = PCP/ Verdes (esquerda) PAN= 1,4%
PDR=. 1,1%
Abstenção = 43,03% (desencanto com a política governamental)

O PS, aceitou desempenhar o papel de esquerda que consta do programa social- democrata formando uma maioria com o apoio dos partidos de esquerda para derrotar a coligação de direita desmoralizada pelo governo catastrófico que enfraqueceu Portugal nos últimos anos. Apesar das responsabilidades que a social-democracia teve nos obstáculos que levantou às conquistas de Abril, a Europa hoje está a perder força política e económica para o imperialismo invasor, liderado pelos Estados Unidos, o que promove um reajuste nos programas dos partidos nacionais que conservam um compromisso com a esquerda, diante da ameaça à integridade e independência de cada nação.

Os mitos criados pelos defensores do capitalismo - de uma elite democrática que divide a austeridade com todo o povo para salvar a honra nacional - cai por terra quando despreza os partidos de esquerda para que os governantes possam ter estabilidade (poder absoluto) para aplicar programas de interesse privados em nome da pátria, defendem uma lei que se aplica contra a classe trabalhadora e é omissa em relação aos frequentes crimes dos seus parceiros no poder, enriquecem enquanto o povo cai na miséria, curvam- se às imposições de agências financeiras estrangeiras que passam a dirigir a vida nacional, que raciocinam em termos de crescimento do capital e não do desenvolvimento das forças produtivas - tais mitos, amplamente promovidos pelos meios de comunicação social como verdades, caíram em descrédito diante das evidências que os representantes de forças de esquerda em Portugal, provaram infinitas vezes no Parlamento e deram a conhecer a toda a população no incansável trabalho militante que fazem nas ruas.

Em Portugal, um dos muitos casos reveladores dos privilégios de uma elite milionária que fala em nome de uma pátria que é de um povo trabalhador e pobre, foi o da família Espirito Santo proprietária de um banco centenário que fez péssimos negócios com o dinheiro dos seus depositantes e foi à falência. Os contribuintes do país viram os créditos estrangeiros serem desviados para ajudar as instituições financeiras privadas (como se fossem a pátria), não remuneraram os depositantes que confiaram as suas poupanças ao famoso banco e recheou os bolsos dos executivos que ficaram sem o emprego. O grande responsável da falência obteve uma reforma de 90 mil euros mensais, enquanto que o salário mínimo não consegue chegar a 500 euros mensais e o número de emigrantes jovens cresce para não aumentar o número de desempregados que se marginalizam na sociedade do "faz de conta" exibindo mega-eventos para distrair os tristes.

Neste ambiente de falsas festas e muita miséria, a juventude se afasta dos princípios sólidos de uma civilização que sempre trabalhou, e cai no desespero que promove as drogas e o terrorismo como solução. O terror assustou Paris, pouco depois de ter assustado o Líbano, e de ter sido abortado por sete vezes na Inglaterra (segundo declarou o Primeiro Ministro do país), e o Presidente francês depois de bombardear o chamado Exército Islâmico (com o vigor dos terroristas, disse) na destroçada Síria, reconhece que os terroristas de Paris eram franceses que viviam na marginalidade e aderiram a uma causa pretensamente religiosa estrangeira. E a responsabilidade pela marginalidade que impera nos países europeus é de quem?

Vamos rever a história moderna dando o nome aos bois. Chega de mitos porque a vida é séria para quem trabalha e cultiva princípios civilizatórios como a ética e a responsabilidade na educação social.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Estabilidade no Parlamento e nas ruas



O 10 de Novembro tornou-se um dia histórico de "Portugal à esquerda", dia em que o governo de direita caiu por força de uma maioria de esquerda formada nas últimas eleições do dia 4 de Outubro de 2015 e o apoio de milhares de trabalhadores, reformados e pensionistas, nas ruas sob a liderança da CGTP-Intersindical. Os remanescentes da velha direita que controlam a media, insistem em sonhar com a estabilidade de um governo que não respeita o mandato recebido da maioria que defende a soberania da nação.

Isto se deve às palavras do Presidente da República e á política do governo agora chumbado, que não reconhecem a esquerda parlamentar e popular, para manter a obediência á União Europeia. É para eles, difícil, com um pensamento cristalizado em que "o poder só pode ser de direita", aceitar a vigência da democracia, da igualdade de direitos dos eleitores, da soberania da Constituição nascida com a Revolução dos Cravos.

Devagar a Europa começa a sacudir os grilhões, abalada pelo susto provocado pela Grécia (que infelizmente sucumbiu às pressões da UE); da Catalunha que votou e luta judicialmente pela independência; e agora, da vitória incontestável da esquerda nas eleições nacionais e no Parlamento.

Diante do quadro dantesco da entrada de uma massa humana na Europa (515 mil até 29/09/15), desesperada e sem socorro, ao ritmo de 8 mil pessoas por dia, em busca de quem os acolha humanamente, são empurrados de um pais para outro pela desobediência dos países membros da UE que recusam as quotas atribuídas superiormente; as frequentes mortes (aos milhares) por afogamento dos refugiados ao tentar atravessar em barcos insufláveis o Mediterrâneo; a existência de gangues, (conhecidas desde 2012), que praticam o tráfico de refugiados sem segurança recebendo 2 mil ou mais euros por cabeça, a partir da Líbia ou da Turquia; diante dessa catástrofe, não foi uma grande surpresa ver na televisão a ameaça do Primeiro Ministro britânico de abandonar a UE devido à incompetência da UE, comprovada, para solucionar a terrível consequência das guerras onde a NATO participou.

De fato, até o velho continente mexe abrindo a porta à esquerda!

Mesmo assim, a direita continua preocupada com a "sua" estabilidade no poder. É incapaz de perceber que a estabilidade do país estará garantida com uma política de esquerda que defende os interesses do povo e do desenvolvimento produtivo nacional.

Como o raciocínio da direita é dogmaticamente centrado no enriquecimento de uma elite ligada à banca privada, à custa da austeridade que miserabiliza o povo trabalhador e a economia do país, a quebra deste circulo vicioso representará a instabilidade ... da direita no poder, é claro.

Zillah Branco