Escrevo, comento, opino, analiso em busca de uma linguagem mais simples e direta, mais compreensível. Assumo as minhas idéias e gosto de discuti-las. Aceito as diferenças e recuso os preconceitos e o autoritarismo. Respeito a vida, a natureza, a humanidade, as culturas e as filosofias coerentes com a paz.
quinta-feira, 14 de abril de 2016
Escravos do sistema capitalista
O sistema capitalista é anti-ético e habilidoso desde o seu nascimento. No início escravizava as crianças e as mulheres como trabalhadores, para financiar a exploração organizada de uma classe operária nascente que precisava ser formada técnicamente para a produção industrial.
Com o movimento comunista mundial, que no século XIX conduziu as lutas por direitos trabalhistas da classe operária e desvendou a exploração das mulheres atravez dos movimentos específicos que até hoje reivindicam a igualdade de direitos trabalhistas para as mulheres e o respeito pela formação e proteção das crianças, e o mundo recebeu um grande apoio da Revolução Soviética que introduziu o sistema socialista como modêlo antagónico ao capitalista.
Durante quase 80 anos, a União Soviética aguentou todas as envestidas destruidoras dos capitalistas, no que se somam guerras, crimes de toda ordem, espionagens, sabotagens e mentiras espalhadas pelos órgãos de comunicação social para formar uma cultura anti-comunista, e novas formas de escravidão aplicadas nos países colonizados. O princípio da escravidão, garantidos por leis aprovadas a nível internacional pela ONU, foi sendo adaptado aos setores da humanidade que ainda não podiam conquistar os seus direitos, trabalhistas e de cidadania das nações dependentes.
Libertadas as antigas colónias, ainda com forte apoio da URSS, dos países socialistas e dos partidos comunistas existentes em todas as nações, cresceram as reivindicações por uma legislação avançada que, apoiada nas Constituições Nacionais, defendem palmo a palmo os Direitos Humanos especificados em termos relativos à necessidade de criação de empregos com remuneração condigna e todos os atendimentos sociais devidos à população no que se refere às condições de vida e de formação.
Os cérebros que dirigem o sistema capitalista, limitados pelas leis que impõem o respeito social em países desenvolvidos, aperfeiçoaram as entidades financeiras mundiais de modo a escravizarem os sistemas bancários de todos os países estabelecendo a moeda única - dollar - e depois a sua parceira - euro - para controlarem todas as operações financeiras internacionais. Assim ficavam acima das Constituições que asseguram a soberania dos povos.
A globalização, sob o poder das empresas transnacionais que vão produzir nas regiões mais pobres onde os salários são baixos e os investimentos externos são recebidos como um "maná dos céus", estabeleceu os novos eixos da escravidão, agora dos países, usando os bancos nacionais que são os veículos das transações financeiras.
Criam-se teorias sobre o "capitalismo humanizado" e o "neo-liberalismo", mantendo a mesma lógica da exploração dos que trabalham pelo bem comum e dos lucros crescentes que enriquecem uma elite escolhida pela sua flexibilidade ética diante de corrupções e escravidão consideradas como "fatalidades".
Com todas estas formas de domínio do capital, o insaciável sistema capitalista entra em crises cíclicas. Sendo um sistema contrário ao socialismo da vida cidadã (que é fundamental ao desenvolvimento da humanidade) e anti-ético por natureza, precisa escravizar as populações que trabalham e comem menos para sustentar as elites serviçais ao controle supra-nacional. Não lhes custa dizimar grande parte dos seres humanos através da fome, das doenças (experimentadas nos seus laboratórios e nos medicamentos produzidos), das guerras com falsos pretextos e, modernamente, das migrações de refugiados em busca de socorro. Mas precisam suprir as necessidades básicas dos que trabalham e consomem os produtos que faz girar o capital, por isso oferecem créditos e obrigam os mais pobres a pagar altos juros com a austeridade. Como diz Jeronimo de Souza, "não se pode dar ao luxo de gastar todos os anos, só em juros da dívida, quase tanto ou mais do que se gasta com a saúde ou com a educação dos portugueses".
As sociedades evoluem, os povos adquirem consciência de seus direitos, os trabalhadores lutam e formam Estados sociais. As elites deformam as instituições sob gerências incompetentes e criminosas onde a burocracia serve de biombo para impedir o atendimento à população. Surge a teoria do Estado Mínimo apoiada na falsa idéia de que só o setor privado entende de gestão. Vendem as empresas básicas para a manutenção e progresso econômico e social das nações para os abutres do sistema. Empobrecem os países que, sem soberania são escravizados, e compensam os corruptos com a possibilidade de esconderem as suas fortunas em paraisos fiscais sem pagar os impostos que devem aos Estados para manter o desenvolvimento nacional.
As tentativas de golpe nos países emergentes, onde o Estado é fortalecido para atender socialmente a população, manter um sistema jurídico que garante a democracia, e zelar pelo desenvolvimento das forças produtivas e o controle soberano da economia, multiplicam-se na América Latina recém saida do subdesenvolvimento e da escravidão. As elites corrompem os fracos de mil maneiras para destruirem a unidade democrática que se fortalece nas conquistas essenciais pela independência nacional.
Zillah Branco
sexta-feira, 1 de abril de 2016
Não ao golpe no Brasil
O Juiz do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio Mello, afirmou: "O Judiciário é a última trincheira da cidadania. E pode ter um questionamento para demonstrar que não há fato jurídico, muito embora haja fato político, suficiente ao impedimento. E não interessa de início ao Brasil apear esse ou aquele chefe Executivo nacional ou estadual. Porque, a meu ver, isso gera até mesmo muita insegurança. O ideal seria o entendimento entre os dois poderes, como preconizado pela Constituição Federal para combater-se a crise que afeta o trabalhador, a mesa do trabalhador, que é a crise econômico-financeira. Por que não se sentam à mesa para discutir as medidas indispensáveis nesse momento? Por que insistem em inviabilizar a governança pátria? Nós não sabemos."
E a provocação de um golpe, como foi constatado com a proposta de empeachement sem prova de crime, pelo PMDB e outros partidos, Eduardo Cunha e outros, juizes que nada entendem de ética, não é crime suficiente para ser punido com o afastamento de cargos públicos? Pode o Brasil depender da vontade irresponsável de quem perturbe a ordem nacional e provoque clamores internacionais, como até o Papa e o Secretário Geral da ONU registraram?
O mundo sofre os efeitos da crise cíclica do sistema capitalista e a elite dominante tudo faz para que os mais pobres, que constituem a maioria da população, pague as dívidas criadas pelo esbanjamento em que os ricos vivem. Isto só não ocorre quando os governantes impõem o respeito pela democracia que equilibra a distribuição de renda para que todos tenham condições de vida e desenvolvimento.
A Europa sofre as consequências das guerras que ajudaram o imperialismo a promover no Oriente Médio e Norte da Africa; a Africa sofre a fome herdada do pêso colonialista que ainda carrega; o Brasil, graças ao Governo Lula em 2002, criou condições para eliminar a fome de 50 milhões de brasileiros e desenvolveu programas de saúde, ensino, criação de empregos, construção de infra-estruturas para levar energia e água às populações de todos os Estados nacionais.
Foi pouco o que se alcançou no Brasil? Comparado com o resto do planeta foi muito, mas os ambiciosos da burguesia brasileira sentiram-se prejudicados porque a democracia não favorece o poder de uma elite privilegiada. Por isso a idéia de golpe e a enxurrada de formas de corrupção que atingiu os egoistas novos ricos. Mas houve um outro tipo de corrupção, o da quebra dos valores éticos, que atingiu a mídia e muitos altos funcionários do Estado além de personalidades com poder político, econômico e social - juizes, Presidente da Câmara de Deputados Federais, responsáveis por partidos políticos, e arrastou uma parte da população que tem os olhos fechados pelo egoísmo individualista e se deixa enganar.
A preocupação em salvar o Brasil das garras dos abutres, para que seja possível prosseguir os programas sociais pioneiros deste mundo em crise, é do povo brasileiro todo, dos responsáveis políticos e profissionais que defendem a democracia, dos altos dirigentes internacionais como o Papa e o Secretário Geral da ONU e de todos os que estão empenhados em colaborar com a humanidade em busca de um caminho de vida saudável.
A punição dos promotores do golpe não é uma vingança popular, é um dever ético do sistema judicial brasileiro. A depuração de golpistas nos partidos democráticos é uma necessidade dos seus militantes que preservam a história de luta democrática pela qual muitos deram a sua vida. Se algum brio existe na consciência do Vice-Presidente da República, Michel Temer, ele deve apresentar a sua demissão do Governo. Só então poderá ser encetado uma revisão dos problemas reais no Brasil para evitar as consequências da crise financeira e desenvolver a produção nacional e o Estado social no país.
Este será um passo revolucionário com a participação de todos os que defendem a pátria unificada em torno de princípios elevados e sem discriminação.
Zillah Branco
E a provocação de um golpe, como foi constatado com a proposta de empeachement sem prova de crime, pelo PMDB e outros partidos, Eduardo Cunha e outros, juizes que nada entendem de ética, não é crime suficiente para ser punido com o afastamento de cargos públicos? Pode o Brasil depender da vontade irresponsável de quem perturbe a ordem nacional e provoque clamores internacionais, como até o Papa e o Secretário Geral da ONU registraram?
O mundo sofre os efeitos da crise cíclica do sistema capitalista e a elite dominante tudo faz para que os mais pobres, que constituem a maioria da população, pague as dívidas criadas pelo esbanjamento em que os ricos vivem. Isto só não ocorre quando os governantes impõem o respeito pela democracia que equilibra a distribuição de renda para que todos tenham condições de vida e desenvolvimento.
A Europa sofre as consequências das guerras que ajudaram o imperialismo a promover no Oriente Médio e Norte da Africa; a Africa sofre a fome herdada do pêso colonialista que ainda carrega; o Brasil, graças ao Governo Lula em 2002, criou condições para eliminar a fome de 50 milhões de brasileiros e desenvolveu programas de saúde, ensino, criação de empregos, construção de infra-estruturas para levar energia e água às populações de todos os Estados nacionais.
Foi pouco o que se alcançou no Brasil? Comparado com o resto do planeta foi muito, mas os ambiciosos da burguesia brasileira sentiram-se prejudicados porque a democracia não favorece o poder de uma elite privilegiada. Por isso a idéia de golpe e a enxurrada de formas de corrupção que atingiu os egoistas novos ricos. Mas houve um outro tipo de corrupção, o da quebra dos valores éticos, que atingiu a mídia e muitos altos funcionários do Estado além de personalidades com poder político, econômico e social - juizes, Presidente da Câmara de Deputados Federais, responsáveis por partidos políticos, e arrastou uma parte da população que tem os olhos fechados pelo egoísmo individualista e se deixa enganar.
A preocupação em salvar o Brasil das garras dos abutres, para que seja possível prosseguir os programas sociais pioneiros deste mundo em crise, é do povo brasileiro todo, dos responsáveis políticos e profissionais que defendem a democracia, dos altos dirigentes internacionais como o Papa e o Secretário Geral da ONU e de todos os que estão empenhados em colaborar com a humanidade em busca de um caminho de vida saudável.
A punição dos promotores do golpe não é uma vingança popular, é um dever ético do sistema judicial brasileiro. A depuração de golpistas nos partidos democráticos é uma necessidade dos seus militantes que preservam a história de luta democrática pela qual muitos deram a sua vida. Se algum brio existe na consciência do Vice-Presidente da República, Michel Temer, ele deve apresentar a sua demissão do Governo. Só então poderá ser encetado uma revisão dos problemas reais no Brasil para evitar as consequências da crise financeira e desenvolver a produção nacional e o Estado social no país.
Este será um passo revolucionário com a participação de todos os que defendem a pátria unificada em torno de princípios elevados e sem discriminação.
Zillah Branco
terça-feira, 22 de março de 2016
O valor de Lula
É preciso alguém ser muito alienado pela mídia e não fazer uso da sensibilidade humana e social, para deixar de reconhecer o valor de Lula na história do Brasil.
Como se o facto de superar a fome de 50 milhões de pessoas fosse fácil para qualquer governante, assim como reduzir a distância social entre pobres e ricos, e transformar milhões de pessoas abandonadas em cidadãos sem discriminação, e investir na infra-estrutura de regiões marginalizadas durante séculos, e criar condições do ensino básico ao universitário para receber qualquer brasileiro a ser formado, e abrir a consciência popular para participar no desenvolvimento nacional ultrapassando todo o atraso do subdesenvolvimento imposto por colonizadores e imperialistas por mais de 500 anos, e afastar a pressão do FMI e criar 22 milhões de novos empregos, e criar o programa da Luz para Todos, e levar água canalizada para populações que morriam na seca.
Lula reúne as condições pessoais para simbolizar o Brasil pobre, consciente da necessidade de mudança para tornar efetiva a democracia no país, e tem a coragem de enfrentar a luta pelo controle dos programas governamentais. E foi eleito Presidente da República com amplo apoio de setores da produção e de intelectuais defensores da liberdade para propiciar o desenvolvimento social e econômico livre dos constrangimentos impostos pelo imperialismo. Ao terminar o segundo mandato ainda contava com um apoio de 80% dos eleitores. A sua figura de herói popular, que encarna a consciência da realidade dos oprimidos no sistema capitalista dominante, marca a história do Brasil para sempre.
Que os Tios Patinhas do sistema financeiro não queiram que os pobres tenham os mesmos direitos dos ricos, entende-se, pois os seus lucros terão de ser divididos com a sociedade brasileira e eles são o símbolo do egoísmo. Mas que os seus empregados, que têm familia para formar como gente honesta integrada na vida democrática de um país desenvolvido e com esperança de um futuro bom para todos, só sendo humilhados como subordinados ao dinheiro sujo é que poderão preferir o golpe contra a democracia. Acorda pessoal! A crise do sistema capitalista está aí para ser paga por banqueiros que nada produzem e vivem como agiotas, e não pelos trabalhadores! O único produto do setor financeiro no sistema capitalista é a corrupção !
A maioria dos brasileiros é pobre, porque até agora foi sempre afastada dos seus direitos de cidadania, e classificada como classe média porque é explorada como os "escravos de ganho" do período colonial. É com eles que o Brasil conta para desenvolver a produção e elevar o nível de vida nacional. É com eles que teremos um aprofundamento do conhecimento científico para criar soluções para os problemas de saúde e fertilização do solo para não usarmos os remédios-envenenados que os laboratórios da indústria multinacional que nos vendem caríssimo. É com eles, os pobres, que o Brasil conquistará um lugar de destaque nas organizações internacionais que lutam pela Paz mundial. É com eles que será implantada a justiça no sistema judicial para afastar os privilégios de alguns que impedem a vigência da democracia.
Lula nasceu pobre e fez um curso de "realidade social" a partir da fome que sofreu em criança e da vida de metalúrgico que lhe deu mais luzes que a muitos professores promovidos como gênios. Com esta formação tornou-se líder sindicalista e elegeu-se Presidente da República para dar o maior passo histórico no Brasil, estendendo à maioria a condição de cidadania e de vida. Nem tudo conseguiu fazer devido aos boicotes de uma camada social interessada apenas em "ter poder para enriquecer". Hoje temos de impedir que destruam o muito que já se fez e criar condições para afastar os obstáculos que ainda estão agarrados ao Estado como carrapatos.
O seu exemplo de lutador incansável inspira e recebe o apoio de outros que seguem igual caminho revolucionário nos demais países latino-americanos despertados por Fidel Castro em 1958. Mas também em outras regiões mais desenvolvidas, da Europa por exemplo, também deram o seu apoio a Lula que rompeu o domínio estrito da política financeira imposta em todo o mundo e afirmou a noção de dignidade nacional.
As lutas políticas não se definem exclusivamente pela existência da miséria crescente em contraposição ao poder de uma elite milionária. São múltiplas as questões derivadas de tal condição sistêmica, tanto políticas, econômicas como sociais, e afetam o comportamento das instituições governamentais, sobretudo no que se refere às leis que são aplicadas por setores com alguma autonomia dentro do Estado de Direito, e à dinâmica das ações financeiras que são conduzidas pelo poder das instituições financeiras subordinados a um comando supra-nacional definido pela moeda norte-americana, o dollar.
Este super poder estabeleceu constrangimentos ao desenvolvimento dos programas democráticos no Brasil, assim como na maioria dos países, cerceando a autonomia necessária para que o governo, sucessor ao de Lula, pudesse estabelecer a prioridade na efetiva instauração da democracia. Uma das armas desse poder estrangeiro é a corrupção de altos funcionários que hoje é endêmica no mundo. Outra arma é a comunicação social que divulga informações falsas em mistura com fatos reais de modo a quebrar a confiança nos que lutam em defesa dos pobres e da democracia.
A Frente Brasil pela Democracia, que congrega sindicatos e associações de massa, ou de estudantes e intelectuais, tem mantido uma crescente adesão ao apoio vindo das ruas, com uma variedade de tendências que têm em comum o patriotismo e a solidariedade com os que ainda são privados dos benefícios sociais devidos a todo o povo. É um exemplo de consciência de luta para todo o mundo que se reflete em toda a Amèrica Latina ameaçada pelo imperialismo e atrai a atenção de todos os povos que têm problemas semelhantes nos seus países.
Como se o facto de superar a fome de 50 milhões de pessoas fosse fácil para qualquer governante, assim como reduzir a distância social entre pobres e ricos, e transformar milhões de pessoas abandonadas em cidadãos sem discriminação, e investir na infra-estrutura de regiões marginalizadas durante séculos, e criar condições do ensino básico ao universitário para receber qualquer brasileiro a ser formado, e abrir a consciência popular para participar no desenvolvimento nacional ultrapassando todo o atraso do subdesenvolvimento imposto por colonizadores e imperialistas por mais de 500 anos, e afastar a pressão do FMI e criar 22 milhões de novos empregos, e criar o programa da Luz para Todos, e levar água canalizada para populações que morriam na seca.
Lula reúne as condições pessoais para simbolizar o Brasil pobre, consciente da necessidade de mudança para tornar efetiva a democracia no país, e tem a coragem de enfrentar a luta pelo controle dos programas governamentais. E foi eleito Presidente da República com amplo apoio de setores da produção e de intelectuais defensores da liberdade para propiciar o desenvolvimento social e econômico livre dos constrangimentos impostos pelo imperialismo. Ao terminar o segundo mandato ainda contava com um apoio de 80% dos eleitores. A sua figura de herói popular, que encarna a consciência da realidade dos oprimidos no sistema capitalista dominante, marca a história do Brasil para sempre.
Que os Tios Patinhas do sistema financeiro não queiram que os pobres tenham os mesmos direitos dos ricos, entende-se, pois os seus lucros terão de ser divididos com a sociedade brasileira e eles são o símbolo do egoísmo. Mas que os seus empregados, que têm familia para formar como gente honesta integrada na vida democrática de um país desenvolvido e com esperança de um futuro bom para todos, só sendo humilhados como subordinados ao dinheiro sujo é que poderão preferir o golpe contra a democracia. Acorda pessoal! A crise do sistema capitalista está aí para ser paga por banqueiros que nada produzem e vivem como agiotas, e não pelos trabalhadores! O único produto do setor financeiro no sistema capitalista é a corrupção !
A maioria dos brasileiros é pobre, porque até agora foi sempre afastada dos seus direitos de cidadania, e classificada como classe média porque é explorada como os "escravos de ganho" do período colonial. É com eles que o Brasil conta para desenvolver a produção e elevar o nível de vida nacional. É com eles que teremos um aprofundamento do conhecimento científico para criar soluções para os problemas de saúde e fertilização do solo para não usarmos os remédios-envenenados que os laboratórios da indústria multinacional que nos vendem caríssimo. É com eles, os pobres, que o Brasil conquistará um lugar de destaque nas organizações internacionais que lutam pela Paz mundial. É com eles que será implantada a justiça no sistema judicial para afastar os privilégios de alguns que impedem a vigência da democracia.
Lula nasceu pobre e fez um curso de "realidade social" a partir da fome que sofreu em criança e da vida de metalúrgico que lhe deu mais luzes que a muitos professores promovidos como gênios. Com esta formação tornou-se líder sindicalista e elegeu-se Presidente da República para dar o maior passo histórico no Brasil, estendendo à maioria a condição de cidadania e de vida. Nem tudo conseguiu fazer devido aos boicotes de uma camada social interessada apenas em "ter poder para enriquecer". Hoje temos de impedir que destruam o muito que já se fez e criar condições para afastar os obstáculos que ainda estão agarrados ao Estado como carrapatos.
O seu exemplo de lutador incansável inspira e recebe o apoio de outros que seguem igual caminho revolucionário nos demais países latino-americanos despertados por Fidel Castro em 1958. Mas também em outras regiões mais desenvolvidas, da Europa por exemplo, também deram o seu apoio a Lula que rompeu o domínio estrito da política financeira imposta em todo o mundo e afirmou a noção de dignidade nacional.
As lutas políticas não se definem exclusivamente pela existência da miséria crescente em contraposição ao poder de uma elite milionária. São múltiplas as questões derivadas de tal condição sistêmica, tanto políticas, econômicas como sociais, e afetam o comportamento das instituições governamentais, sobretudo no que se refere às leis que são aplicadas por setores com alguma autonomia dentro do Estado de Direito, e à dinâmica das ações financeiras que são conduzidas pelo poder das instituições financeiras subordinados a um comando supra-nacional definido pela moeda norte-americana, o dollar.
Este super poder estabeleceu constrangimentos ao desenvolvimento dos programas democráticos no Brasil, assim como na maioria dos países, cerceando a autonomia necessária para que o governo, sucessor ao de Lula, pudesse estabelecer a prioridade na efetiva instauração da democracia. Uma das armas desse poder estrangeiro é a corrupção de altos funcionários que hoje é endêmica no mundo. Outra arma é a comunicação social que divulga informações falsas em mistura com fatos reais de modo a quebrar a confiança nos que lutam em defesa dos pobres e da democracia.
A Frente Brasil pela Democracia, que congrega sindicatos e associações de massa, ou de estudantes e intelectuais, tem mantido uma crescente adesão ao apoio vindo das ruas, com uma variedade de tendências que têm em comum o patriotismo e a solidariedade com os que ainda são privados dos benefícios sociais devidos a todo o povo. É um exemplo de consciência de luta para todo o mundo que se reflete em toda a Amèrica Latina ameaçada pelo imperialismo e atrai a atenção de todos os povos que têm problemas semelhantes nos seus países.
domingo, 20 de março de 2016
A classe média se divide
Diante da ameaça de golpe, imperialista e universal, representado por esbirros que galgaram posições políticas criadas por alianças governamentais para atender os interesses da classe média no Brasil, Lula assumiu heroicamente o seu papel de defensor do Brasil no governo de Dilma.
Como disse, "estava tranquilo no canto" tentando gozar o merecido repouso do guerreiro com a sua família e tratando da saúde, quando foi atacado traiçoeiramente pelo ódio de quem não suporta que "pobre seja gente, com igualdade de direitos de cidadania".
A classe média é hoje, em todo o mundo, a grande massa que engole desde os trabalhadores sem profissão definida até novos ricaços que passeiam nos seus jatinhos.
O sistema capitalista teve necessidade de combater a classe operária definida no século XIX, que se organizou em fortes sindicatos para conquistarem uma legislação de trabalho pondo fim às várias formas de escravidão. Este movimento deu origem à formação de partidos comunistas e outros também de esquerda que passaram a exigir dos governos a democracia dando início ao aparecimento dos sistemas de saúde e de educação gratuitos dos Estados capitalistas.
A classe média pobre luta, contando os tostões e poupando para poder formar os filhos um degrau acima dos pais. Muitos conseguem manter os princípios éticos com que foram criados e seguem com dificuldades financeiras mas a cabeça levantada pela honestidade pessoal e a solidariedade com a luta social por melhores condições de vida; outros, formados pela mídia imperial e outras instituições universais que manipulam a consciência popular, abandonam os princípios éticos e são corrompidos pelo sistema do capital e do consumismo - estes sobem de elevador a escala social prestando vênias ao patronato explorador e ocupando cargos para os quais não tem formação, ou elevam-se em helicópteros falando inglês para servir a patrões estrangeiros.
Lula ao ser eleito afirmou que lutaria para que todos os pobres no Brasil tivessem três refeições por dia e que a classe média pudesse comprar eletrodomésticos e viajar de avião pelo Brasil. Generoso como é não pensou que há pessoas mal formadas que aceitariam os benefícios distribuídos pelo Estado Social e exigiriam os privilégios dos ricos que o sistema capitalista mantem.
O resultado foi que desde 2002, as ações a favor dos mais pobres e contra as formas de discriminação social (Bolsa Família, quotas para frequentarem universidades, baixo custo de transportes urbanos, merenda escolar, refeições populares, casa própria, etc) começaram a ser boicotadas pelos desonestos infiltrados nas estruturas de poder e combatidas pelos que se colocaram ao lado da oposição política. Hoje, com os elevadores e os helicópteros parados com a crise financeira do capitalismo, vêm-se nas manifestações contra Dilma e Lula, os patrões batendo em novíssimas panelas de aço inox, patroas saídas dos tratamentos de beleza carregando bandeiras e suas empregadas e empregados domésticos transportando faixas reacionárias, além dos protegidos devidamente corrompidos para lutarem contra a democracia. É o lado podre da classe média, que sempre se omite na hora da luta por melhores condições de vida para todos e só aparece para defender os seus interesses pessoais.
No entanto, dentro da classe média formada eticamente, grandes personalidades trouxeram o seu apoio à luta contra o golpe e em defesa de Lula. Ofereceram ajuda profissional para o governo resolver as questões econômicas e financeiras que derivam da crise sistêmica e condenaram os abusos que têm ocorrido na área judicial. Esta é uma ajuda inestimável não apenas no plano profissional, mas sobretudo no exemplo de integridade humana e responsabilidade patriótica. É a demonstração de que a democracia precisa ser mantida a todo custo.
Como disse, "estava tranquilo no canto" tentando gozar o merecido repouso do guerreiro com a sua família e tratando da saúde, quando foi atacado traiçoeiramente pelo ódio de quem não suporta que "pobre seja gente, com igualdade de direitos de cidadania".
A classe média é hoje, em todo o mundo, a grande massa que engole desde os trabalhadores sem profissão definida até novos ricaços que passeiam nos seus jatinhos.
O sistema capitalista teve necessidade de combater a classe operária definida no século XIX, que se organizou em fortes sindicatos para conquistarem uma legislação de trabalho pondo fim às várias formas de escravidão. Este movimento deu origem à formação de partidos comunistas e outros também de esquerda que passaram a exigir dos governos a democracia dando início ao aparecimento dos sistemas de saúde e de educação gratuitos dos Estados capitalistas.
A classe média pobre luta, contando os tostões e poupando para poder formar os filhos um degrau acima dos pais. Muitos conseguem manter os princípios éticos com que foram criados e seguem com dificuldades financeiras mas a cabeça levantada pela honestidade pessoal e a solidariedade com a luta social por melhores condições de vida; outros, formados pela mídia imperial e outras instituições universais que manipulam a consciência popular, abandonam os princípios éticos e são corrompidos pelo sistema do capital e do consumismo - estes sobem de elevador a escala social prestando vênias ao patronato explorador e ocupando cargos para os quais não tem formação, ou elevam-se em helicópteros falando inglês para servir a patrões estrangeiros.
Lula ao ser eleito afirmou que lutaria para que todos os pobres no Brasil tivessem três refeições por dia e que a classe média pudesse comprar eletrodomésticos e viajar de avião pelo Brasil. Generoso como é não pensou que há pessoas mal formadas que aceitariam os benefícios distribuídos pelo Estado Social e exigiriam os privilégios dos ricos que o sistema capitalista mantem.
O resultado foi que desde 2002, as ações a favor dos mais pobres e contra as formas de discriminação social (Bolsa Família, quotas para frequentarem universidades, baixo custo de transportes urbanos, merenda escolar, refeições populares, casa própria, etc) começaram a ser boicotadas pelos desonestos infiltrados nas estruturas de poder e combatidas pelos que se colocaram ao lado da oposição política. Hoje, com os elevadores e os helicópteros parados com a crise financeira do capitalismo, vêm-se nas manifestações contra Dilma e Lula, os patrões batendo em novíssimas panelas de aço inox, patroas saídas dos tratamentos de beleza carregando bandeiras e suas empregadas e empregados domésticos transportando faixas reacionárias, além dos protegidos devidamente corrompidos para lutarem contra a democracia. É o lado podre da classe média, que sempre se omite na hora da luta por melhores condições de vida para todos e só aparece para defender os seus interesses pessoais.
No entanto, dentro da classe média formada eticamente, grandes personalidades trouxeram o seu apoio à luta contra o golpe e em defesa de Lula. Ofereceram ajuda profissional para o governo resolver as questões econômicas e financeiras que derivam da crise sistêmica e condenaram os abusos que têm ocorrido na área judicial. Esta é uma ajuda inestimável não apenas no plano profissional, mas sobretudo no exemplo de integridade humana e responsabilidade patriótica. É a demonstração de que a democracia precisa ser mantida a todo custo.
sexta-feira, 18 de março de 2016
As sementes voam e crescem, mas é preciso cuidá-las
Na Europa o processo de conscientização política se desenvolve tropeçando em contradições que uma história mal contada criou, baseada em antigos poderes e modernas exibições de riqueza. A Irlanda, amarrada ao império britânico claudica e recebe bonus para permanecer atada, a Grécia assusta-se com o peso da vontade popular e aceita novo empréstimo para manter a pobreza crescente, Portugal sai de uma eleição em que a direita teve mais votos mas foi formada no Parlamento uma maioria de esquerda que somada ao PS renovado impõe o novo governo. Foi com gentileza e sabedoria (herdada de Alvaro Cunhal), que se deu início ao pensamento político de uma união de esquerda, reconhecido com ar de espanto pela média reacionária e a velha direita atónita.
Explica-se a partir das sementes deixadas pelo processo revolucionário do 25 de Abril plantadas na Constituição, nos conceitos de democracia que circulam no interior do sistema judiciário, na memória do povo, na formação de professores e do potente movimento sindical. Estas sementes, semeadas contínuamente pelo PCP que vence as imensas dificuldades e prossegue a luta militante, a produção de uma literatura sobre a história de vida na clandestinidade e de conhecimento intelectual de nível universitário sobre as contradições do sistema dominante, a Festa do Avante que é um acontecimento nacional de cultura que atrai pessoas de todos os quadrantes políticos, e mantém viva a esquerda que atrai a atenção dos humanistas, especialmente os jovens, que querem um mundo melhor.
No interior dos partidos conservadores estas sementes valorizaram os princípios éticos de tradições religiosas ou familiares contrariando a modernidade ambiciosa e despudorada de uma direita comandada pelo imperialismo desumanizado e anti-ético. No seio do PS quando combateu as conquistas de Abril, perdendo antigos quadros que permaneceram com os princípios humanistas de origem, as contradições insuperáveis abalaram os seus jovens. A eleição de Sócrates como Primeiro Ministro pelo PS, (tendo ele sido dirigente da juventude do PSD e promovido pela média como comentador político, acentuava os compromissos dos socialistas sob o comando da direção da UE), acirrou também as contradições internas. Em um dos ùltimos Congressos, em 2013, um jovem deputado abriu os trabalhos e recomendou que "fosse feita uma auto-crítica do caminho seguido pelo PS", tendo sido muito aplaudido, enquanto que a direção da mesa tentava cortar-lhe a palavra. O site do PS, que divulgou o Congresso, omitiu o discurso inicial, deixando aos observadores a visão do problema interno de luta ideológica entre gerações.
Mesmo nas hostes da velha direita a percepção de que para superar a crise financeira os centros de poder no mundo desligaram-se dos princípios humanitários, éticos e de honra - que se constata na tortura imposta aos que fogem à destruição dos seus países e são deixados à chuva cercados por arame farpado, sejam doentes, velhos ou bebês, para que morram e não criem problemas aos mais ricos. Os abusos de poder ditatorial da Troika com intervenções direta nas decisões de governos que se mostraram subservientes ao poder externo com total desrespeito pela autonomia das nações, também chamaram a atenção de alguns políticos conservadores que preservam a dignidade nacional e a coerência humanista. A crise ética da política dominante, sempre denunciada pela esquerda, impôs-se à crise financeira contrariando a unidade da direita.
O novo Presidente de Portugal, que já vinha anteriormente como comentador político da média televisiva apontando os erros mais graves da direita, elegeu-se com a imagem de humanista em busca da coesão nacional. As suas palavras, que a média divulga até à exaustão como se fosse da sua principal estrela, parecem saídas de um conto de fadas ou da visão idílica do Paraiso. E Portugal respira ao sol da primavera que se anuncia, animando o PR a distribuir afetos de forma populista e a assumir um papel de "governante".
Sejam benvindas as expressões de fraternidade e o reconhecimento de que a esquerda existe e tem força no Portugal democrático. Já tinha quando se organizou na clandestinidade sob a ditadura de Salazar e o Marcelo daquela època, tanto foi assim que construiu a Revolução dos Cravos detonada no 25 de Abril para derrubar a ditadura. Não nos esqueçamos dos sacrifícios imensos sofridos pelos combatentes da clandestinidade enquanto os conservadores gozavam a sua liberdade alheios à história de Portugal e do seu povo. A primavera é atraente deixando atrás o inverno que cruelmente mata os bebês das famîlias que fugiram às guerras na Síria, no Afganistão, no Iraque, na Líbia, e caem no mar gelado ou ficam nas praias gregas rechassados pela Europa rica. Mas a causa de tantos sofrimentos não é o frio, mas as guerras promovidas por ambição de poder.
Os problemas deixados em Portugal pelo anterior governo submisso à Troika existem e são graves: desemprego, baixos salários, corte de pensões, serviços públicos sem recursos para atender na saúde, na educação, nos transportes, no desenvolvimento da produção. Portugal de Abril precisa ser reconstruido. Não há tempo para ficar ao sol primaveril como lagarto ouvindo os cantos de sereia do populismo. É preciso continuar a apontar as necessidades dos trabalhadores e a manifestar a exigência de um melhor governo à altura do povo que Portugal tem.
Zillah Branco
segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016
O conceito de austeridade e a responsabilidade pela vida
Agarrada à austeridade como palavra mágica para jogar a crise do poder financeiro sobre os trabalhadores e suas famílias, a direita sob o comando externo da Comissão Europeia, agora empenha-se em defender os privilégios dos ricos como se fossem os criadores do desenvolvimento da produção, dos empregos e da independência nacional. Não entendeu que a austeridade nacional com adequada distribuição dos meios de sobrevivência terá de acabar com os privilégios de uma elite apátrida. Qualquer pessoa que faça poupança, qualquer gestor(a) da economia familiar, entende o que é austeridade e a diferença em relação à exploração.
Surpreende a cegueira mental de Passos Coelho que diz ter o atual governo "dado com uma mão o que tirou com a outra, para manter a austeridade". Deixa de ver que a população tem dois lados: ricos e pobres, que a política tem dois lados: esquerda e direita, e que a opção de favorecer a maioria dos portugueses e não uma elite privilegiada, ou seja a nação como um todo e não o poder financeiro gerido por uma elite sob o comando de Bruxelas, é uma mudança fundamental no Governo de Portugal. A esquerda no Parlamento abriu o único caminho para que Portugal possa reconstruir as forças produtivas nacionais e superar a via do atolamento em créditos e corrupções adotada como mão única pela direita submissa à União Europeia.
Mas há muitas outras questões que a direita representada pelo PSD de Passos Coelho reduziu à expressão mais mediocre da submissão às ordens da Troika. A formação da União Europeia tem também duas faces: a da solidariedade entre nações e a unificação do poder financeiro nas mãos das elites dos países mais ricos. Com o aprofundamento da crise sistémica a união começou a desvendar as suas contradições que foram cobertas pelo asfalto das grandes estradas, o uso da lingua inglesa como idioma predominante, os mega-shows de uma suposta arte global, a transformação do futebol em primeira notícia, a exportação de bens e de mão de obra qualificada em troca do turismo como fonte de renda, tudo com moderna tecnologia em substituição à produção das riquezas e ao desenvolvimento nacionais. Enfim, veio à tona com as consequências das guerras promovidas pela NATO, as verdadeiras intenções da elite mundial que se reuniu em Bildemberg para traçar o caminho da subordinação das nações europeias a um poder financeiro imperial que deu à luz o Euro como simbolo de uma falsa união dos povos, que funciona como algema.
À face rica da UE, que apresenta planos aos governos para aperfeiçoar a gestão económica e financeira e condicionar a administração pública das nações dependentes, que autoriza financiamentos e créditos aos bons alunos, que paga régios salários aos assessores, opõe-se a dramática realidade da escolha oportunista, dentre os que fogem à guerra em busca de socorro, dos que convém serem reconhecidos como sobreviventes nas sociedades europeias. O volume descomunal da emigração desesperada dos refugiados, criada pelas guerras apoiadas pela UE, deixou visível a incapacidade de organizar recursos para salvar pessoas e o desinteresse pelos seres humanos que não se oferecem apenas como mão de obra qualificada e barata aos paises de acolhimento, ou seja, a face criminosa e pobre de humanismo que arrasta as nações para um abismo.
Os dois lado da realidade, a direita e a esquerda na ação política, as duas faces de quem exerce o poder, existem sempre para que os seres humanos escolham o seu caminho na vida. Os disfarces para iludir os mais distraidos acabam por cair quando a crise atropela os que se agarram ao poder. Não é novidade para ninguém, a não ser para os distraidos como Passos Coelho e seus seguidores, ou os que julgam que os povos são cegos.
Em Portugal hoje está claro que os créditos recebidos foram aplicados principalmente em bancos que, mal geridos e protegidos pelo Banco de Portugal (que assina em cruz o que Bruxelas manda), pagaram grandes salários aos seus executivos, congelaram os depósitos de clientes populares e foram à falência. A austeridade deveria ter sido aplicada no setor financeiro e nos rendimentos dos mais ricos. Austero quer dizer responsável, controlado, capaz de bem gerir os recursos existentes. E a favor de Portugal independente, não de uma Troika que anda experimentando planos de desenvolvimento financeiro sem conhecer os efeitos econômicos e sociais sobre a população portuguesa, como hoje fazem os laboratórios da indústria química internacional inventando medicamentos que matam e fertilizantes que destroem o solo produtivo.
Zillah Branco
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016
Como entender a abstenção de metade do eleitorado
Para quem participou da campanha eleitoral e disputou a escolha democrática a ser feita pelo povo, a decepção leva a pensar que "a metade do número de eleitores não assumiu a sua responsabilidade de cidadão para escolher quem o irá representar" ao nível da política nacional.
Para quem tenta compreender porque esta maioria recusa dar o seu voto, fica a dúvida sobre a confiança que têm no processo eleitoral como uma realização democrática.
Cabe a dúvida quando vemos o pêso determinante da comunicação social na preparação dos "seus" candidatos, na promoção meticulosa com filmagem que destaca a qualidade de uns e os defeitos de outros. Cabe ainda a descrença em todos os partidos que aceitam as regras pré-estabelecidas para participarem deste jogo, que se diz democrático, espelhando apenas as posições aceitáveis no equilíbrio entre os partidos que se confrontam. Não são tocadas as divergências de fundo que os separam.
Havendo um acordo que estabelece os limites temáticos a serem abordados e um controle na manutenção do respeito formal pelos opositores, alem dos pressupostos iniciais sobre os que dirigem o jogo, grande parte dos eleitores sentem-se postos para fora do combate, ou seja, foi destruida a democracia real. E mais, os que se confrontam não são reconhecidos como lideranças dos setores que se abstêm.
Outra razão para negarem o seu voto é a experiência de eleições anteriores que não corresponderam ao que os seus eleitores esperavam: seja por não conseguirem eleger os seus escolhidos, seja por terem sido iludidos por falsas promessas, ou ainda por alegarem outros poderes mais altos que impediram a realização do prometido.
A realidade vivida é nua e crúa, para qualquer pessoa entender, mas as explicações sobre as crises mundiais, os ciclos económicos, as exigências de um poder externo, o mercado internacional e suas oscilações, assim com as falências bancárias e os processos que se arrastam contra os respondáveis pelas fraudes milionárias que não cumprem penas, estas variáveis que são explicadas quase como fatalidades, poucos entendem e aceitam.
Uma parcela cada vez maior do eleitorado não acredita nas explicações políticas porque não vê, ao longo de décadas, qualquer caminho para resolver os seus problemas que são cada vez mais graves. Deixou de acreditar até mesmo nos argumentos contrários que os partidos usam nos seus debates. Passou a olhar a todos como pertencentes a outra sociedade diferente da sua, a uma elite média.
Para agravar esta descrença, que muitas vezes projetam para a humanidade, o mundo moderno vive uma contradição inaceitável de evolução no conhecimento e retrocesso no comportamento dos poderosos: guerras injustas, invasões, massacres, tráfico de mão de obra barata, de crianças para prostituição ou venda de órgãos, emigração forçada, venda de drogas, produção de adubos tóxicos, sementes e virus que destroem a natureza para que comprem produtos substitutivos às empresas exploradoras, uso de pessoas como cobaias pela indústria farmaceutica, filmes e lívros didáticos para ensinar técnicas de violência aos jovens, organização de grupos terroristas, enfim o caos que liquida a paz e a estabilidade no planeta.
As instituições políticas não tratam tais assuntos, apenas fazem alguns pronunciamentos como protestos e pedem aos povos que manifestem a sua solidariedade. E ano a ano crescem os crimes formando as novas gerações no desespero, na oposição aos princípios éticos, na descrença. O esvaziamento por abstenção não é só na corrida às urnas, è na possível ação política de todos os quadrantes. Democracia é utopia?
Para arejar este ambiente bafiento e depressivo distribui-se alegria empacotada, em pilulas ou doces, mas principalmente em grandes eventos cheios de brilho e ruido ensurdecedor para que não haja espaço e tranquilidade para as pessoas pensarem e sentirem com os seus recursos humanos mais elementares. Tudo bem planeado para dar lucros aos investidores e distrair a opinião pública dos problemas mais graves, com aparente espírito democrático.
Zillah Branco
Assinar:
Postagens (Atom)