Tenho respeito por todas as análises doutorais que explicam: a crise do sistema capitalista, os golpes que levam setores oligárquicos a ocuparem os governos em total desrespeito com a democracia, os desvios de imensas quantias financeiras que decorrem de negócios entre Estados e empresas para contas pessoais e aplicações em paraisos fiscais,
a crescente despesa com os setores sociais com o aumento das populações e com o aperfeiçoamento dos serviços prestados, a incapacidade dos PIB nacionais de comportarem despesas e roubos bilionários, tendo de recorrer aos impostos como solução de facilidade, sobretudo aplicados à população mais pobre cujos salários são pagos pelo patronato rico.
Aliás esta história foi contada minuciosamente por Marx e Engels no século XIX e repetida por seus seguidores ao longo de quase 200 anos.
Faço empenho em não complicar a explicação linear de que o sistema capitalista, defendido com unhas e dentes por aqueles que enriquecem de uma ou outra maneira:
- por herança, por grandes negócios que fazem com quem se vê em apertos, por fazerem parte da elite dominante, por prestarem importantes ajudas ao fortalecimento da elite, por não terem escrúpulos em aplicar a seu favor uma parte da transação feita entre o Estado e grandes empresas, por disporem de predicados que encantam a elite compondo um ambiente atraente e relaxante em que os ricos refocilam, e tantas outras indignidades que todos conhecem;
- é o mesmo sistema que cria a miséria para os explorados, que provoca guerras que destroem civilizações inteiras (como recentemente no Oriente Médio e Norte da África), que assiste aos milhares de mortes de populações que fogem aos bombardeios em busca de socorro, que cria empresas privadas com o apoio do Estado para concorrerem com os serviços públicos (nas áreas de saúde, escolas e previdência social), que protege os importantes corruptos e criminosos com um complicado sistema jurídico apoiado pela comunicação social conivente para que sejam intocáveis pela justiça, que sobrecarrega os mais pobres com impostos e cortes salariais para compensar os furtos bilionários... e tantas outras maldades que os povos estão cansados de conhecer.
A história caminha devagar, e os povos souberam defender-se para obrigar os ricos a deixarem uma parcela, depois de obterem seus lucros, para montarem a máquina do Estado de modo a garantir as condições de sobrevivência para os que fazem parte da classe que trabalha para desenvolver a produção. Formaram partidos de esquerda e movimentos sociais para exigirem as melhorias, e criaram quadros políticos que foram eleitos para representar os interesses populares dentro do aparelho do Estado e do próprio Governo. Impuseram o regime democrático e começaram a exigir que a Justiça não proteja os ricos e só condene os da classe pobre.
Contra esta participação de igualdade democrática a elite produziu um grupo de defesa dos seus interesses que se mantivesse acima dos poderes nacionais, um império
- um super poder mundial que organiza o setor financeiro nos países ricos para explorar os países pobres, ou seja, para criar nações colonizadoras e colonizadas, de modo a deixar que os povos sigam a sua história com as duas classes em conflito habitual, enquanto que a centralização do poder financeiro se dá fora dos territórios e longe da vista nacional. Daí a circulação de grossas quantias de dinheiro, maiores do que os PIB, favorecem pessoas e grupos para que impeçam a instauração da democracia conquistada através de lutas graduais.
Com o mau uso de tanto dinheiro que não é aplicado no desenvolvimento nacional para fortalecer a produção interna e a melhora das condições de vida dos que vivem do seu trabalho, fomentado o roubo crescente e o desvio da ação responsável pelo funcionamento da estrutura governativa pelas formas de corrupção, o sistema capitalista entrou em uma crise que exige a revisão da organização das nações e o combate a todas as formas de especulação do capital.
Até agora os grandes responsáveis pelos erros que minaram o mundo e anularam o equilíbrio fiscal das nações, como o FMI e o Banco Mundial, defendiam o neoliberalismo que está na origem da submissão das nações ao poder financeiro que fortaleceu o império. Mas o crescimento da miséria, as chacinas e guerras que se repetem, a revolta que anima lutas terroristas, anunciam o fim do mundo criado pela humanidade. Os mandantes imperialistas foram obrigados a reconhecer o óbvio: sem trabalhadores em condições de vida não haverá produção, sem uma população sem meios de consumo não há mercado.
Por esta descoberta é que o FMI começa a recomendar cautela, os paraisos fiscais começam a denunciar os milhares de ladrões que esconderam longe dos seus paises os biliões sobre os quais deveriam pagar impostos, os bancos que esconderam operações por baixo da mesa foram à falência, os corruptos que sugaram a Petrobrás começam a ser denunciados (e organizaram o golpe para poderem ser protegidos em cargos governamentais que a Justiça no Brasil respeita).
A situação é similar em todo o mundo. Ao perceber que as populações defendem a esquerda nos governos para garantir o Estado Social e obrigar os ricos a sofrerem a austeridade e pagar impostos, os ladrões banqueiros a irem para a cadeia e devolverem o fruto dos roubos e corrupções, a União Europeia, unida ao FMI, também lembrou frases de arrependimento como: "nós causamos sofrimentos aos pobres com a imposição da austeridade", "a cobrança dos créditos impediu a sobrevivência dos empregos". Lágrimas de crocodilo e abandono dos ex-amigos que se deixaram corromper. Assim pensam que vão salvar o capitalismo, ou adiar por mais tempo o seu fim.
No que toca aos brasileiros, fora Temer e toda a quadrilha que o acompanha!
Escrevo, comento, opino, analiso em busca de uma linguagem mais simples e direta, mais compreensível. Assumo as minhas idéias e gosto de discuti-las. Aceito as diferenças e recuso os preconceitos e o autoritarismo. Respeito a vida, a natureza, a humanidade, as culturas e as filosofias coerentes com a paz.
sexta-feira, 10 de junho de 2016
domingo, 29 de maio de 2016
A história é imparável
Paralelamente ao desenvolvimento de todas as áreas do conhecimento que fortalecem a capacidade do ser humano assumir a liberdade individual com consciência da sua responsabilidade social - integridade, coerência, ética e respeito pelos outros, solidariedade -, o sistema capitalista privilegia o poder de uma elite que controla o capital e desenvolve meios de comunicação para difundir massivamente o antídoto aos princípios de equilíbrio que integra indivíduo e sociedade no percurso evolutivo que os aperfeiçoa.
A existência de um poder centralizado que impõe pela força o crescimento da riqueza como meta do desenvolvimento descurando as necessidades humanas da população que realiza os trabalhos produtivos e suporta os sacrifícios, deforma o caminho trilhado pela humanidade com a meta da liberdade e da igualdade.
O combate ao sistema capitalista que domina a economia mundial é realizada por caminhos ainda possíveis que tocam os indivíduos, preservando os seus valores, e aproveita condições estratégicas em que a elite poderosa é obrigada a ceder às exigências dos que são o esteio da produção - os trabalhadores e suas famílias.
A história mundial, na evolução das forças que se unem ou se separam na expansão das conquistas - descobertas de territórios, povoamento, colonização, movimentos de libertação, independências nacionais e desenvolvimento de uma nova sociedade - obriga a elite a ceder para depois retomar o poder, criando brechas estratégicas para os que têm por meta o sistema socialista.
No segundo milênio verificou-se na América Latina uma etapa histórica em que governos progressistas abriram as portas das universidades para os mais pobres de todas as etnias, formados com apoios especiais para os que revelam os seus talentos em busca de maiores conhecimentos. A criação de empresas de comunicação social, como a EBC e os canais de TV internacional pelos Estados evita o monopólio da mídia privada controlada pela elite do sistema transnacional.
Devemos redefinir o que se entende por sociedade civil para encararmos o verdadeiro significado de democracia real. E os políticos terão de assumir compromissos com os que os elegem sem o distanciamento classista que antes separou os que "debatem a teoria" dos que "vivenciam a prática" para, juntos, defenderem a nação do determinismo capitalista.
Os governos que seguiram os programas sociais lançados no Brasil por Lula em 2003, permitiram que a juventude desabrochasse como cidadã. Basta ver o comportamento dos estudantes organizados do ensino secundário e superior, dos jovens trabalhadores do MST, dos milhares de professoras e professores que enfrentam os problemas de carência nas escolas e de violência nos alunos e buscam, incansáveis, os cursos de capacitação que ajudem a perceber como enfrentar as mudanças sociais, dos "Sem Teto", dos imigrantes, de sindicalistas, de intelectuais, de artistas.
A ameaça de golpe desencadeou uma participação adulta dessa juventude na defesa da democracia e contra as máfias que estão por detrás de políticos proeminentes e com poder no Estado. Os protestos foram enriquecidos pela coragem e criatividade dos jovens que, ao mesmo tempo promovem a união de todos com as suas diferenças. As expressões revelam uma certa anarquia de costumes mas que distingue os opressores dos oprimidos, com identidades de classe e de cultura patriótica. Não cabem nas estruturas partidárias, transbordam qualquer limite. Mas têm metas coincidentes com os objetivos de esquerda e humanistas: querem o país melhor, combatem os corruptos, repudiam os que usam as leis para simular um Governo que não passa de um grupo assaltante. Exigem políticos à altura do país formado pela sua evolução histórica, decentes, honestos, capazes, dignos dos cargos de Estado. Um novo Estado, democrático de verdade.
No Brasil, a Frente Brasil Popular e outros movimentos sociais que vão surgindo como retalhos da sociedade brasileira para lutar pela integração na sociedade civil, na perspectiva de limpar o Estado desta gangue assaltante PMDB/PSDB e aliados, reproduz o caminho inovador que levou Lula ao governo em 2002, no combate à ignorância das forças políticas que veem apenas a necessidade de chegar à Presidência de um país sempre dirigido por oligarquias, poderes de classes exploradoras, sem questionarem o determinismo do sistema capitalista. Dizem um rotundo não às cedências aos ambiciosos que vendem o seu eventual apoio, porque conhecem os que construíram a própria dignidade, como o povo trabalhador, diferentes dos que herdaram altas posições e riquezas e só pensam na acumulação do capital.
Este lutadores têm consciência de que, mesmo dentro dos estreitos limites do sistema capitalista que beneficia uma elite mandante com a exploração dos que trabalham, é possível abrir caminho para uma democracia que se consolida através da luta de massas e do esclarecimento de quadros políticos sobre o papel das instituições públicas no desenvolvimento das forças produtivas e dos direitos de cidadania para todos. Um governo democrático tem o povo organizado como parceiro e discute com os vários setores sociais as formas possíveis de ação dos agentes privados e o Estado; fiscaliza a aplicação das leis constitucionais e a comunicação social que forma a consciência e a cultura nacional; estuda a evolução da sociedade e o surgimento de problemas condicionados pelo sistema envolvente para defender a democracia real e impedir a segregação de cidadãos marginalizados; fomenta o conhecimento da história nacional, das etapas da sua evolução, da integridade patriótica e do papel do país em relação aos seus vizinhos no continente, e aos demais a nível internacional.
Toda a esquerda, os democratas, os humanistas, reconhecem que o fundamental hoje é fortalecer a união para vencer a direita golpista que é dirigida pelo imperialismo. A união com o povo brasileiro e com os povos latino-americanos que lutam pelo mesmo objetivo: a democracia real. Todos conheceram o perigo do neoliberalismo que impõe aos setores mais pobres das sociedades o custo da crise sistêmica que deve ser paga pelos ricos que acumularam o capital nas empresas financeiras. Todos sabem que as riquezas naturais constituem o patrimônio nacional que garante o emprego e o Estado social para toda a população se for gerido por patriotas em contato permanente com os movimentos sociais representativos.
Respeitem a Constituição e os princípios jurídicos criados para servirem a Pátria dos brasileiros como uma Nação independente onde floresce a dignidade. Que o povo, livre das pressões golpistas, manifeste a sua escolha através de uma nova eleição, antes que o Brasil seja completamente delapidado e mais de 200 milhões de cidadãos sofram as consequências do saque! O golpe foi um crime e continua impune!
A existência de um poder centralizado que impõe pela força o crescimento da riqueza como meta do desenvolvimento descurando as necessidades humanas da população que realiza os trabalhos produtivos e suporta os sacrifícios, deforma o caminho trilhado pela humanidade com a meta da liberdade e da igualdade.
O combate ao sistema capitalista que domina a economia mundial é realizada por caminhos ainda possíveis que tocam os indivíduos, preservando os seus valores, e aproveita condições estratégicas em que a elite poderosa é obrigada a ceder às exigências dos que são o esteio da produção - os trabalhadores e suas famílias.
A história mundial, na evolução das forças que se unem ou se separam na expansão das conquistas - descobertas de territórios, povoamento, colonização, movimentos de libertação, independências nacionais e desenvolvimento de uma nova sociedade - obriga a elite a ceder para depois retomar o poder, criando brechas estratégicas para os que têm por meta o sistema socialista.
No segundo milênio verificou-se na América Latina uma etapa histórica em que governos progressistas abriram as portas das universidades para os mais pobres de todas as etnias, formados com apoios especiais para os que revelam os seus talentos em busca de maiores conhecimentos. A criação de empresas de comunicação social, como a EBC e os canais de TV internacional pelos Estados evita o monopólio da mídia privada controlada pela elite do sistema transnacional.
Devemos redefinir o que se entende por sociedade civil para encararmos o verdadeiro significado de democracia real. E os políticos terão de assumir compromissos com os que os elegem sem o distanciamento classista que antes separou os que "debatem a teoria" dos que "vivenciam a prática" para, juntos, defenderem a nação do determinismo capitalista.
Os governos que seguiram os programas sociais lançados no Brasil por Lula em 2003, permitiram que a juventude desabrochasse como cidadã. Basta ver o comportamento dos estudantes organizados do ensino secundário e superior, dos jovens trabalhadores do MST, dos milhares de professoras e professores que enfrentam os problemas de carência nas escolas e de violência nos alunos e buscam, incansáveis, os cursos de capacitação que ajudem a perceber como enfrentar as mudanças sociais, dos "Sem Teto", dos imigrantes, de sindicalistas, de intelectuais, de artistas.
A ameaça de golpe desencadeou uma participação adulta dessa juventude na defesa da democracia e contra as máfias que estão por detrás de políticos proeminentes e com poder no Estado. Os protestos foram enriquecidos pela coragem e criatividade dos jovens que, ao mesmo tempo promovem a união de todos com as suas diferenças. As expressões revelam uma certa anarquia de costumes mas que distingue os opressores dos oprimidos, com identidades de classe e de cultura patriótica. Não cabem nas estruturas partidárias, transbordam qualquer limite. Mas têm metas coincidentes com os objetivos de esquerda e humanistas: querem o país melhor, combatem os corruptos, repudiam os que usam as leis para simular um Governo que não passa de um grupo assaltante. Exigem políticos à altura do país formado pela sua evolução histórica, decentes, honestos, capazes, dignos dos cargos de Estado. Um novo Estado, democrático de verdade.
No Brasil, a Frente Brasil Popular e outros movimentos sociais que vão surgindo como retalhos da sociedade brasileira para lutar pela integração na sociedade civil, na perspectiva de limpar o Estado desta gangue assaltante PMDB/PSDB e aliados, reproduz o caminho inovador que levou Lula ao governo em 2002, no combate à ignorância das forças políticas que veem apenas a necessidade de chegar à Presidência de um país sempre dirigido por oligarquias, poderes de classes exploradoras, sem questionarem o determinismo do sistema capitalista. Dizem um rotundo não às cedências aos ambiciosos que vendem o seu eventual apoio, porque conhecem os que construíram a própria dignidade, como o povo trabalhador, diferentes dos que herdaram altas posições e riquezas e só pensam na acumulação do capital.
Este lutadores têm consciência de que, mesmo dentro dos estreitos limites do sistema capitalista que beneficia uma elite mandante com a exploração dos que trabalham, é possível abrir caminho para uma democracia que se consolida através da luta de massas e do esclarecimento de quadros políticos sobre o papel das instituições públicas no desenvolvimento das forças produtivas e dos direitos de cidadania para todos. Um governo democrático tem o povo organizado como parceiro e discute com os vários setores sociais as formas possíveis de ação dos agentes privados e o Estado; fiscaliza a aplicação das leis constitucionais e a comunicação social que forma a consciência e a cultura nacional; estuda a evolução da sociedade e o surgimento de problemas condicionados pelo sistema envolvente para defender a democracia real e impedir a segregação de cidadãos marginalizados; fomenta o conhecimento da história nacional, das etapas da sua evolução, da integridade patriótica e do papel do país em relação aos seus vizinhos no continente, e aos demais a nível internacional.
Toda a esquerda, os democratas, os humanistas, reconhecem que o fundamental hoje é fortalecer a união para vencer a direita golpista que é dirigida pelo imperialismo. A união com o povo brasileiro e com os povos latino-americanos que lutam pelo mesmo objetivo: a democracia real. Todos conheceram o perigo do neoliberalismo que impõe aos setores mais pobres das sociedades o custo da crise sistêmica que deve ser paga pelos ricos que acumularam o capital nas empresas financeiras. Todos sabem que as riquezas naturais constituem o patrimônio nacional que garante o emprego e o Estado social para toda a população se for gerido por patriotas em contato permanente com os movimentos sociais representativos.
Respeitem a Constituição e os princípios jurídicos criados para servirem a Pátria dos brasileiros como uma Nação independente onde floresce a dignidade. Que o povo, livre das pressões golpistas, manifeste a sua escolha através de uma nova eleição, antes que o Brasil seja completamente delapidado e mais de 200 milhões de cidadãos sofram as consequências do saque! O golpe foi um crime e continua impune!
sexta-feira, 20 de maio de 2016
Destruição dos princípios éticos e das instituições do Estado democrático
A sala da Casa do Alentejo, em Lisboa, foi pequena para receber os deputados latino-americanos e o caloroso abraço de velhos e novos comunistas, sindicalistas, amigos, militantes das causas populares que nunca abandonam a luta solidária. Os presentes comentavam: "Para receber todo um Continente deveriamos ter organizado um comício em praça pública para trazer os mais de 100 mil que em Portugal sempre oferecem a sua solidariedade à luta revolucionária que estes deputados da América Latina estão representando".
Os portugueses superam as suas dificuldades impostas pela UE - fração do imperialismo - para darem o apoio solidário aos latino-americanos e receberem o impulso da luta que aqueles povos hoje desenvolvem para evitar que a democracia social e a independência nacional, criadas por tantos governos progressistas, sejam destruidas pelas diferentes formas de golpe alimentadas pelo impérialismo.
Cada um dos mais de 20 deputados e senadores da América do Sul, Central e Caraibas, relatou com cores vivas as diferentes condições que herdaram dos 500 anos de colonialismo e exploração neo-capitalista que as oligarquias subservientes ao sistema financeiro internacional insistem em manter, contra a força dos povos na defesa por melhores condições de vida que conduza ao desenvolvimento da cidadania e à independência da pátria em que nasceram. Desde a ameaça militar que a Venezuela sofre, o bloqueio económico que persiste em Cuba, ao retrocesso imposto à Argentina com a eleição do amigo de Obama, às pressões da midia e de um sistema de corrupção dirigido pelas multinacionais para romperem o poder judicial em todos os países e conduzir as campanhas eleitorais, até ao "golpe branco", que afastou a Presidente Dilma com um falso processo de empeachment, e criar um governo não eleito com ministros da oposição, crimes que se somam à prática de incapacitação de mulheres camponesas para a procriação no Perú durante o governo Fugimori, foram expostos as várias faces da violência fascista que uma elite poderosa no sistema capitalista vem utilizando como arma política contra a humanidade.
Tal como foram provocadas as "primaveras" que destruiram sociedades do leste europeu, do Oriente Médio e Norte da Africa, o imperialismo volta-se contra a América Latina que tem provado a capacidade dos povos de sairem da miséria e desenvolverem a sua economia independente das traiçoeiras ajudas financeiras oferecidas pelas instituições bancárias multinacionais que destroem as nações atoladas na austeridade assassina.
Querem voltar no tempo em que as nações eram mantidas como subdesenvolvidas para servirem de "quintal" para os ricos norte-americanos. Não percebem que a História não gira para trás, que as consciências de luta dos povos não se apagam, que as novas gerações que hoje estão nas ruas defendendo as escolas públicas e os colegas que puderam vencer os preconceitos raciais, de gênero, de classe, de etnia, não aceitarão um governo de traidores pérfidos e covardes mesmo que os seus pais lá estejam por ambição mesquinha de um poder falido.
O maquiavelismo do poder instaurado no cerne do sistema capitalista não tem limites no uso meticuloso de uma deformação psicológica imposta através dos meios de comunicação social que ha dezenas de anos conduz a informação levada às populações através da televisão e de livros para alterar a cultura e inocular a consciência individualista e alienada. Nos meios mais pobres a prática psicológica é substituida pelo bisturí que aleija o aparelho reprodutor das mulheres (como foi feito durante o governo Fugimori no Perú) ou por medicamentos venenosos que dizimam populações nos continentes africano e asiático ainda hoje, como cobaias humanas de uma indústria farmacêutica corrompida. Estas iniciativas tornaram-se conhecidas logo após a Segunda Guerra nas missões norte-americanas à que deram o nome de "Paz e Progresso". Distribuiam leite em pó e medicamentos nos continentes do então chamado "Terceiro Mundo".
No entanto, a guerra liderada por Hitler foi vencida pelos soldados soviéticos que foram seguidos pelos "aliados ocidentais" inimigos da Revolução Socialista que expandiu a luta pelos direitos humanos, pela legislação do trabalho, pela igualdade de gênero e de raças, pela democracia social e a distribuição de rendimentos. E cada povo criou as suas organizações e passou a lutar pelos seus direitos e pela independência da sua pátria. O poder imperialista definiu-se em torno da acumulação do capital e do sistema financeiro transnacional e não desiste de combater o sistema socialista.
Mas há muito por fazer. Em primeiro lugar, para compreender as falsas ofertas feitas pela elite. Assim como oferece ajuda financeira com baixos juros até conseguir que os clientes percam a independência de viver por conta própria, produzem uma literatura ou notícias e filmes com aparência de solidárias com quem luta contra as garras do sistema. Aos poucos vão destruindo os princípios éticos - para justificar traições, roubos e todo tipo de crime - e a confiança nos que continuam a lutar mesmo suportando sacrifícios e risco de vida, apontando-os como ingênuos ou simplórios. Tentam demonstrar que a elite capitalista é que entende a realidade e sabe como conduzir a gestão da economia para salvar a humanidade (pobre e escravizada, claro). Assim fala o agora ministro da Fazenda no governo golpista como porta-voz dos bancos internacionais, como também os que dirigem o Banco Central Europeu que pretendem dar ordens a todas as nações europeias desconhecendo a soberania nacional de cada povo. Fazem de conta que não existe soberania nacional e que a democracia é autorizada pela elite por caridade.
Não lhes passa pela cabeça que os povos quando libertam a consciência da sua força, percebem que os poderosos inventam uma lógica de pensamento que nada tem com a realidade em que vive a maioria. É a lógica dos ricos que vivem da exploração e não deixam tempo para os escravos pensarem e conhecerem a sua realidade, a verdadeira realidade que permite a vida à toda a humanidade. Não é a riqueza acumulada que garante a sobrevivência dos seres humanos, é o trabalho produtivo de todos os adultos a partir dos recursos naturais que nos cercam. O sistema capitalista impõe a lógica do dinheiro para ocultar a lógica da liberdade de trabalhar que vence todas as formas de exploração. A função do Estado é Social, e o sistema do futuro é socialista para dar oportunidade a todos os cidadãos de terem boas condições de vida sem exploração.
Um exemplo, entre muitos, de literaturas enganosas como créditos de juros baixos: O autor britânico John Le Carré, que pertenceu ao corpo diplomático do seu país, escreve livros com denúncias contra organismos de segurança do Reino Unido que funcionam em permanente conluio com as gangues e mafias assassinas que sustentam instituições ligadas à investigação científica e á produção de medicamentos. Constroi com habilidade romances em que os movimentos de solidariedade envolvem pessoas ingénuas que dão a vida por causas humanitárias e sórdidos oportunistas que vendem informações às máfias sob a vista complacente dos funcionários da segurança britânica. Com uma bela estória denuncia como inoperantes duas esperanças para quem luta pela humanidade: os "ingênuos" e "ineficazes" movimentos de solidariedade e as "instituições do Estado democrático". Falso, como o processo de empeachment inventado contra Dilma! O objetivo das mentiras políticas é liquidar as bases do regime democrático existente, as instituições sociais, as leis e justiça, as organizações de luta popular.
Quando uma sociedade amadurece os seus conceitos de democracia e as suas organizações políticas e sociais, como ocorreu com o Brasil, e começa a consolidar um Estado democrático que combate a exclusão social com os direitos de cidadania, com educação, saúde, cultura, infra-estrutura para o desenvolvimento social e economico, habitação, salário, previdência social, distribuição de renda, sistema judicial, o golpe assumiu a função de desacreditar as instituições para que a democracia desapareça de cena deixando o povo perdido em um território vazio de leis em que os golpistas assumem o papel de salvadores do caos.
Entramos na órbita de um programa comandado por ETs? Não, reunimos as massas populares e tomamos a iniciativa de reorganizar um governo brasileiro, democrático, patrióta, unido aos demais governos progressistas que existem na América Latina e no mundo, como foi proposto pelos representantes recebidos em Lisboa nondia 17 de Maio.
Zillah Branco
segunda-feira, 16 de maio de 2016
O Governo "Zika"
Temer é do tipo "zica", inocula a peçonha no cerne do Estado para impedir que o Brasil se desenvolva. Pegou carona na eleição de Dilma, por 54 milhões de brasileiros que querem os Programas Sociais iniciados por Lula em 2002, e tornou-se Vice.
Maneiroso, recatado, um passo atrás de quem foi eleita, manteve a figura insignificante de sempre, movendo-se no escuro, deixando ouvir aquele murmúrio monótono que não forma um pensamento e chateia como qualquer mosquito pedindo tapa. Consultou os especialistas norte-americanos e, quando a crise do sistema capitalista atingiu o Brasil, agarrou-se à idéia de golpe como de um passe de mágica para tornar-se presidente.
Usou o PMDB que fora democrático no passado, servindo-se de um grupo ambicioso que se apoderou do céu e da terra para iludir os distraidos eleitores, fez cara de macho-machista, corrompeu esbirros de apoio (como consta de processos crime em curso), foi defendido pela velha oposição de direita cheia de ódio aos pobres no Senado, e assumiu o cargo interino. Dizem que o "zica" se agarra às paredes uterinas para reduzir o cérebro e as defesas orgânicas dos que dali nascem.
Basta ver os ministros de direita pró-imperialista que escolheu, que têm pressa em declarar guerra à democracia e à unidade latino-americana construtora da independência nacional e defensora dos povos com os seus direitos de cidadania. O mal que este governo fará precisa ser evitado a todo custo, antes que o seu virus se instale irremediavelmente.
Quem não sabe que desde 2002 o Brasil salvou 55 milhões de brasileiros da fome endemica? Que criou postos de trabalho que hoje salvam os jovens desempregados da Europa e permitem uma elevação nas condições de vida do trabalhador brasileiro? Leiam as informações do IPEA sobre a melhoria dos índices de Desenvolvimento Humano que já constam dos documentos da ONU para servirem de exemplo ao resto do mundo. Deslumbrem-se com o recente estudo que mostra a redução em 2% no número de homicídios para cada 1% de mais jovens nas escolas!
O exemplo do Brasil, que integra o Brics com capacidade para formar um banco mundial de desenvolvimento ao serviço dos povos; que desenvolveu uma invejável empresa petrolífera que alimenta a cobiça dos vizinhos do norte da América e seus parceiros europeus; que em dois anos transformou o empobrecido e atolado em dívidas Maranhão, no modelo de desenvolvimento que atrai professores para suas escolas e investigadores científicos para aprenderem o que ainda parece milagre de gestão e crescimento; que leva a sua cultura em música, cores e inteligência como a mensagem da esperança e alegria para inspirar outros povos na construção democrática que liberta a humanidade das garras dos predadores que sempre oprimiram os pobres - tudo isto está em risco se os programas de "zika" que Temer anuncia forem aplicados. O compromisso financeiro do ministro da Fazenda é com os bancos e os mercados internacionais; o do ministro redutor da cultura e da educação é com as empresas privadas de exploração; o da saúde é com as empresas de seguro médico; o da ciência è com o criacionismo medieval. Nenhum pensa e fala com os brasileiros, com o povo que trabalha, com os pobres que foram marginalizados, com as mulheres que esperam um futuro humanizado para os seus filhos.
Não poderemos esperar que em 180 dias o Brasil tenha o seu caminho de desenvolvimento interrompido por ação de um governo "zika". Todos à rua nas grandiosas manifestações de jovens e adultos, mulheres e homens, de todas as etnias, de diferentes idéias mas unidos na mesma Pátria, para exigir que o Brasil seja devolvido sem virus ao seu povo !

segunda-feira, 9 de maio de 2016
A "Direita"rancorosa
Os revolucionários incentivam as pessoas a participarem nas transformações que levam as sociedades a definirem os caminhos democráticos. É uma luta permanente para criar melhores condições de vida para todos: os que trabalham, os que estudam, os que desenvolvem a ciência e as artes, os idosos, as crianças, os que precisam de apoio.
As elites, que se servem do poder para explorar os mais pobres, vivem folgadamente acima da realidade em que mal sobrevivem os oprimidos. Não vêm as desigualdades e os sofrimentos. Alguns percebem e inventam teorias que explicam como uma fatalidade ou o destino a existência de ricos e pobres, fortes e fracos. Outros deixam-se ficar, alheios a uma maioria de cidadãos que se amontoam em bairros periféricos, dos quais se afastam com medo de assaltos ou do lixo acumulado.
As forças da ordem ao serviço da elite perseguem os revolucionários e ameaçam as populações oprimidas que os acolhem. Mas a História não pára; modifica-se contínuamente disseminando as sementes do percurso revolucionário que voam com as idéias por todo o mundo levando as imagens de movimentos de libertação de classes oprimidas e de países colonizados que plantam a democracia no seu solo.
Das elites surgem pensadores que admiram as mudanças ocorridas e o surgimento de Estados que atendem as populações com serviços sociais - de saúde, ensino, transporte, habitações - que promovem o desenvolvimento das suas indústrias, serviços e comércios. Acreditam que podem criar uma sociedade democrática onde uma elite benfeitora poderá gerir o Estado de maneira democrática. Esta elite é conservadora (quer continuar com as vantagens de gerir o poder) mas reconhece que o povo tem direitos humanos para se desenvolver.
O papel desumano dos que impedem que a democracia seja implantada em benefício de todos os cidadãos hoje é mais visível, um pouco por todo o mundo, devido ao conhecimento maior das ciências humanas e a crise que estrangula o sistema capitalista. Veja-se a filosofia social pregada pelo Papa Francisco que se aproxima de uma ideologia até agora defendida exclusivamente pela esquerda militante.
Nem todos os da elite aceitam sacrificar as suas riquezas sempre crescentes para financiar um Estado Social. Começam a corromper pessoas que ocupam lugares na estrutura do Estado para desviar a riqueza nacional para os bancos da elite e legisladores para que os direitos já conquistados não sejam respeitados. Criam dificuldades para que se instale a democracia promovendo conflitos sociais incentivando a prática de crimes e o hábito da corrupção. Torna-se cada vez mais difícil gerir o poder e manter a democracia. Destaca-se na elite uma "direita rançosa" que revela o seu instinto cruel contra a democracia. Ela odeia os pobres e todos os oprimidos, quer a riqueza produzida pelo país à sua disposição para escravizar trabalhadores e corromper serviçais. Inventa um "golpe de Estado" que acabe com a democracia e destrua as iniciativas revolucionárias.
Assim aconteceu no Brasil, dando início à oposição política que perdeu as eleições em 2015 quando Dilma foi eleita por 54 milhões de cidadãos que apoiaram o programa democrático defendido pelos partidos de esquerda. Fizeram uso da mídia, dos que foram processados por corrupção, de fanáticos da Igreja Pentecostal manipulada por políticos inescrupulosos, de juizes e advogados que desrespeitam a Constituição, de defensores da ditadura militar e sua prática de tortura, o que provocou uma indignação que se alastrou trazendo o povo brasileiro para as ruas e um movimento internacional de solidariedade à construção democrática iniciada no Governo de Lula em 2002.
Tal movimento permitiu a compreensão de que a democracia só existe se incluir os explorados e destituir os exploradores do poder. É a visível luta de classes que sempre inspirou os revolucionários e os leva a enfrentar a violência dos golpistas com a coragem de quem oferece a vida pela vitória.
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* Cientista Social, consultora do Cebrapaz. Tem experiência de vida e trabalho no Chile, Portugal e Cabo Verde.
sexta-feira, 22 de abril de 2016
Os passos da História no Brasil
Os graves problemas que geraram a iniciativa de golpe contra o Governo de Dilma no Brasil, desvendam os problemas de alianças partidárias feitas em torno de um programa de ação. O oportunismo para ocupar o poder é moeda corrente em todo o mundo. Com um pé no Governo os oportunistas usam o seu próprio poder no sistema (económico, mediático, religioso ou outros) para alterar o programa que norteara as alianças. Na Europa temos acompanhado a falência do Syriza na Grécia e do PS na Espanha, com a tentativa de promover uma aliança governamental entre os polos opostos: a esquerda e a ultra direita.
Lula, em 2002, tinha um programa de desenvolvimento necessário para consolidar a independência do país (sempre amarrado aos abutres imperialistas) e salvar da fome 50 milhões de brasileiros que sofriam a habitual austeridade que enriquece os representantes da elite capitalista. Em um primeiro momento aquela contradição, do capital e o trabalho, ficava atenuada pela necessidade dos empresários brasileiros sairem da coleira imperialista representada pelo FMI.
A esquerda brasileira que apoiou aquela aliança foi criticada por muitos teóricos como sendo "reformista" e "traidora dos princípios marxistas". Distantes do conhecimento da realidade histórica, alguns intelectuais pontificaram sem compreender o que Alvaro Cunhal afirmou em 2003 no texto "América Latina: sua potencialidade transformadora no mundo de hoje":
"os trabalhadores, os povos e as nações não podem aceitar que a ofensiva global seja irreversível"(...)"e deverão organizar as forças capazes de impedir que o imperialismo alcance o seu supremo objectivo". Faz um alerta: "apesar de ser por caminhos diferenciados, complexos e sujeitos a extremas dificuldades, é essencial para a humanidade que alcancem com êxito tal objectivo".
Os partidos aliados com o PT no Governo, à medida em que se assenhorearam de importantes postos no Estado, abandonaram o programa essencial que era o de consolidarem a democracia com uma perspectiva patritótica de independência. Surgiram várias legendas partidárias saídas da direita, cuja matriz era o PSDB e forças radicais herdeiras da ditadura de 1964, que se transvestiram em populistas à esquerda e até mesmo partidos que desempenharam importante papel no combate à ditadura fascista, como o PMDB, decidiram somar forças para expulsar o PT com um empeachment contra a Presidente Dilma que fora eleita por 54 milhões de votos.
O que ficou claro era que o apoio eleitoral estimulado por partidos revolucionários e movimentos sociais organizados, era do povo pobre e trabalhador e de grande parte da classe média patriótica e democrata, que não controlava mais o Estado e suas instituições de poder. A corrupção se espalhara como endemia natural ao sistema capitalista e os programas de apoio à democracia - Bolsa Família, Casa Própria, bolsas de estudo universitário, distribuição de energia elétrica nas regiões pobres, médicos para todos, abastecimento de água na zonas de seca, e tantos programas que foram sendo criados com o apoio governamental para reduzir as diferenças entre pobres e ricos - tudo isso foi sendo sabotado pelos falsos aliados do programa criado por Lula. O Brasil havia dado um passo histórico da luta anti-imperialista para a luta de classes que exige uma reformulação das forças governativas que não podem mais aceitar alianças com os defensores do capital contra o trabalho.
Neste clima de traição à democracia, a direita perdeu muitos militantes que não abandonam os princípios éticos que os norteiam diante da falência moral da prática do capitalismo. Apesar de conservadores e acreditarem no capitalismo, perceberam que a democracia é o esteio do humanismo e fora posta em perigo. Mesmo alguns governantes de países que colaboram com o imperialismo recusaram assumir uma postura contra o êxito de um programa humanista contra a fome que ainda flagela o planeta. Então os traidores inveterados e inexcrupulosos da direita brasileira vestiram-se com as fantasias da Igreja política-pentecostal, para reunir frágeis pessoas malformadas politicamente e dar um golpe com a ajuda dos meios de comunicação social vendidos ao império.
Agora as massas estão nas ruas acompanhadas e apoiadas por todos os que compreendem o processo histórico e defendem com unhas e dentes a democracia institucional. Não é hora de ficar em cima do muro !
Vivam os brasileiros patriotas , democratas, éticos, corajosos e exemplares!
Viva o Brasil!
Zillah Branco
terça-feira, 19 de abril de 2016
O Brasil não está à venda!
Segundo André Singer, cientista político, "é muito significativo que a luta de classes tenha voltado à cena "trazida pela direita e pelo capital". "Isso é surpreendente. Por que essa ofensiva diante de um projeto, de um governo que o tempo todo tentou conciliar, desde 2003 até agora, e jamais apostou na ruptura e no enfrentamento?"
Pois é, exatamente por falar em nome do povo e, ao mesmo tempo tentar conciliar com os exploradores, é que desmobilizou a fibra da resistência que não reconheceu os seus princípios nas ofertas de uma socialização burguesa.
"Se você desmantela a alternativa popular, ela vai demorar mais dez, vinte anos para se reconstruir. Talvez seja isso que esteja em jogo. Se for isso, estamos não no fim, mas no começo de um novo processo de luta de classes selvagem", acrescentou Singer.
A história exige tempo para amadurecer as condições de mudança. As organizações políticas que compreendem o processo que é revolucionário e trabalham incansavelmente para despertar a consciência de cidadania em todas as camadas populares. Lula levou ao seu primeiro Governo, a proposta de desenvolvimento econômico que necessitava o apoio do empresariado brasileiro que estava asfixiado pelos programas imperiais do FMI e amarrou o compromisso de tirar mais de 50 milhões de brasileiros da tortura da fome e de integrar todos na sociedade sem discriminação. Foi uma tarefa gigantesca que se realizou com exito tornando-se um modelo para todos os países em desenvolvimento.
Mas o caminho nunca foi fácil, pois os esbirros do poder elitista do sistema capitalista se infiltraram, aplicando a cunha da corrupção que enfraquece os elementos menos dotados de seriedade e patriotismo. Quando Dilma termina o seu primeiro mandato o panorama das alianças está envolto em uma teia de oportunismo e de traição (como prova o ex-democrata Temer candidato a Vice-Presidente) que lembra bem a situação que levou Getúlio Vargas, depois de assinar conquistas populares de criação de grandes empresas estatais, ao suicídio.
Felizmente o povo refletiu a formação de consciência obtida ao longo de 13 anos, empurrando para o lixo da história os que se empenhavam em criar problemas e falsas denúncias contra cidadãos heróicos que lutaram com coragem pela superação do lado podre do processo político.
Desenhou-se o "golpe" tendo como expoentes o que há de pior e mais sórdido da situação política - traidores dos antigos partidos democráticos, corruptos já denunciados mas protegidos por altos cargos no Estado, políticos oportunistas e mesquinhos sem idoneidade moral - que tentaram exibir-se na Europa e Estados Unidos sem conseguir qualquer apoio, inclusive sendo contestados por muita gente séria e até o diretor-geral da OEA, Luis Almagro; o secretário-geral da Unasul, Ernesto Samper; os escritórios da Cepal, do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH); as declarações como a do Prêmio Nobel da Paz, Adolfo Perez Esquivel, e os líderes mundiais Massimo D’Alema (Itália), Ricardo Lagos (Chile), Felipe González (Espanha), José Mujica (Uruguai), Tabaré Vasquez (Uruguai), o secretário Geral da ONU entre tantos outros.
Nas ruas o povo se uniu em torno das lideranças de trabalho e luta, sindicatos, movimentos de massas e partidos de esquerda, e criou novas frentes de combate em torno de músicos, cineastas, atores, juristas, professores em diferentes expressões do trabalho intelectual com a combativa juventude estudantil de todo o país. Assim nasceu uma nova composição para apoiar o governo que só poderá aliar-se com as forças comprometidas com o desenvolvimento nacional e o fortalecimento do Estado social para atender ás necessidades de saúde, escolas, emprego, habitação, transporte e segurança pública para construir um Brasil democrático e livre.
Não há conciliação com os defensores do capital contra o trabalho. Sabemos que quinhentos anos de dependência das nações ricas e seus representantes no aparelho do Estado deu origem a uma "democracia sob controle", que atende aos laços das interpretações legais e não ao espírito das leis em defesa dos interesses nacionais. Assistimos, na sessão parlamentar onde foi votado o impeachmen ao governo Dilma, à formação prévia de uma ameaça de pressão organizada atrás da mesa do Presidente da Camara que tem vários processos por corrupção suspensos devido á imunidade parlamentar que o protege. O clima para a votação foi alimentado pela histeria pentescostal da maioria dos participantes que impõe a emoção e anula a razão, como nas torcidas futebolísticas. A democracia ficou do lado de fora, nas ruas, onde o povo aguardava cívicamente animados com a sua natural alegria de quem tem a consciência limpa.
A luta continua, não apenas no Brasil mas em todo o mundo!
Zillah Branco
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