sábado, 2 de julho de 2016

Virus imperialista ameaça a humanidade

Está à vista uma ação combinada para pressionar mais fortemente os vários países que foram contaminados pela "doença política" do neo-liberalismo. Esta doença minou os Estados que defendem os interesses exclusivos do mercado capitalista, mais preocupados em aumentar os depósitos financeiros nos bancos de que investir na produção nacional e nos serviços sociais para atender as populações com bons serviços de saúde, ensino, previdência, transportes, habitação e emprego.


Na América Latina, onde floresceu a democracia desde o início do milênio, inspirada nas conquistas da Cuba revolucionária, os governos eleitos pelo povo tentaram promover uma melhor distribuição dos recursos cobrando impostos aos ricos e investindo no desenvolvimento da produção nacional e na melhoria de condições de vida dos trabalhadores e suas famílias. Então começaram os movimentos de direita, manipulados por partidos de elite que controlam os meios de comunicação, para derrubar os bons governos democráticos fazendo campanhas com falsas denúncias contra os políticos de esquerda ou dando golpe como aconteceu contra o presidente Chaves na Venezuela e no Brasil com a proposta de impeachment contra Dilma. Chaves pode resistir com o apoio do seu povo e no Brasil crescem as manifestações sociais em defesa de Dilma com o apoio dos mais pobres que hoje têm os benefícios da cidadania.

Na Europa os países ricos ligados ao imperialismo criaram a União Europeia que controla o poder financeiro de todas as nações do continente impondo o sacrifício dos mais pobres que perdem os seus empregos e caem na miséria para que os bancos beneficiem as elites mais ricas, de acordo com os princípios do neo-liberalismo. Ao mesmo tempo os Estados Unidos exigiram - que a OTAN - formada pelas forças armadas de todos os países membros da União Europeia - desencadeassem invasões e bombardeios terroristas em vários países do Oriente Médio e do Norte da Africa que têm reservas de petróleo e minérios de grande valor. Destas destruições fugiram milhões de pessoas em busca de socorro na Europa, formando um movimento de emigração de pessoas desesperadas que enfrentam os riscos de naufrágio no mar Mediterrâneo (já morreram afogados mais de 10 mil, principalmente crianças e idosos) ou de morrerem de fome e exaustão nos percursos feitos a pé onde os países da UE levantam obstáculos para que não possam ultrapassar as suas fronteiras nacionais.

Em vários países europeus, onde os partidos de esquerda e os movimentos sindicais chegaram a desenvolver fortes organizações quando enfrentaram as grandes guerras contra o fascismo, a esquerda começa a se reestruturar unindo democratas para defender os povos agora ameaçados pelos governos neo-liberais. A moderna "guerra" realiza-se pela subordinação dos governos nacionais ao comando reacionário da União Europeia que não reconhece a soberania de cada nação e impõe um regime de austeridade e de adesão às práticas terrorista da OTAN.

Abaixo reproduzimos um comunicado produzido pelos comunistas de Portugal através do seu partido, que deixa clara a luta que vai sendo travada na Europa, tal como a que estamos enfrentando na América Latina.

PCP divulga aos órgãos de informação:


Sobre as imposições, a possibilidade de “sanções” a Portugal pela União Europeia e a proposta de realização de um referendo

O PCP repudia qualquer possibilidade de aplicação de medidas de chantagem econômica e extorsão a Portugal. Impõe-se que o Governo português defenda a soberania e os interesses nacionais e rejeite de forma firme e decidida a possibilidade de aplicação de sanções a Portugal. A questão que está colocada é a da imediata suspensão e revogação, ou desvinculação de Portugal, de todos os instrumentos de que as sanções são corolário. A proposta do Bloco de Esquerda de um referendo “para tomar posição contra as sanções” significa admitir que por essa via possam ser legitimadas as sanções ou outras imposições da União Europeia.

1 - O PCP repudia qualquer possibilidade de aplicação de medidas de chantagem econômica e extorsão a Portugal, seja sob a forma de “sanções”, ilegítimas e atentatórias do interesse e soberania nacionais, seja sob qualquer outra forma. A pressão que está a ser exercida sobre Portugal constitui um inaceitável ataque à soberania nacional, aos direitos dos portugueses e à democracia tal como consagrada na Constituição da República Portuguesa.

Mas essa pressão não se resume a uma mediatizada e manipulada ameaça de “sanções”. Ela tem sido constante e é agora renovada com a aprovação das recomendações específicas pelo Conselho Europeu que repetem as mesmas receitas e políticas que foram impostas a Portugal nos últimos anos. O que Portugal deve rejeitar é toda a teia de imposições e mecanismos de policiamento de que as “sanções” são uma expressão e corolário.

2 - O PCP recorda que a Assembleia da República já se pronunciou contra a possibilidade de aplicação de “sanções” a Portugal. Assim, o Governo português não só está mandando como tem todas as condições e obrigação de rejeitar firmemente esses ataques contra o povo e o País. Simultaneamente o PCP alerta para a possibilidade de manobras que, por via de matizações ou mesmo não aplicação das “sanções”, persigam o objectivo da “legitimação” e “naturalização” dos mecanismos a que estas estão associadas, tentando assim manter intactos os objetivos de domínio econômico e político do diretório de potências da União Europeia.

3 – Impõe-se assim que o Governo português defenda a soberania e os interesses nacionais e rejeite de forma firme e decidida a possibilidade de aplicação de sanções a Portugal, bem como de quaisquer outras imposições que procurem condicionar opções soberanas do Estado português, designadamente a coberto dos mecanismos do Pacto de Estabilidade, da Governação Econômica ou do Tratado Orçamental.

Avançar neste quadro, como fez o BE, com uma proposta de referendo “para tomar posição contra as sanções” significa admitir a possibilidade de capitulação perante a União Europeia, admitindo que por via de referendo podem ser legitimadas as sanções ou outras imposições europeias.

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Pátria amada, BRASIL !

Bresser-Pereira, professor emérito da Fundação Getúlio Vargas e exemplo de dignidade cidadã, explica ao ser entrevistado em França (RFI 10/06/16): "de 1930 e 1980, que chamo de nação e desenvolviment, é o momento da revolução capitalista brasileira, com a figura marcante de Getúlio Vargas. Depois, de 1980 até 2014, temos o ciclo democracia e justiça social. Tivemos a transição democrática, que foi alcançada, e a justiça social, que foi modestamente melhorada.(...) A grande tentativa política dos governos Lula-Dilma tinha sido de fazer um pacto político e de classes, desenvolvimentista. Um pacto que juntasse os trabalhadores e a burocracia pública aos empresários industriais, aos empresários produtivos. Foi o que ocorreu na era de Getúlio Vargas(...)

"O capitalismo em qualquer país do mundo é : ou desenvolvimentista, ou liberal. Se for liberal, é um capitalismo dos rentistas e dos financistas, como vimos nos Estados Unidos e na França, a partir de 1980. Nós, com a chegada do Collor à presidência, teremos um ciclo que chamo de liberal-dependente. O governo Fernando Henrique foi neoliberal no plano econômico, mas não no plano social. E agora, neste novo governo que surgiu após este impeachment absolutamente inaceitável, vemos uma tentativa de desmontar o nosso Estado de bem estar social no Brasil.

O que eu vi, depois que saí do governo, é que a guinada do PSDB para a direita era muito forte. Acontecera não só na política econômica, de privatizações e liberalização, como na política externa, dependente dos Estados Unidos e de políticas ortodoxas.

As outras razões foram essencialmente que a direita, a classe capitalista rentista e financista brasileira, resolveu que não queria mais ser governada pelo PT. Eles nunca quiseram – o Brasil entrou em uma crise em 2002, por causa da eleição do Lula. Mas, depois, o Lula tentou de todas as maneiras fazer compromissos e acordos, que eram necessários, e a coisa foi indo. Mas depois a economia começou a derrapar fortemente, em 2012, e a taxa de lucro dos empresários industriais caiu de maneira dramática, para 5% e depois para 4% ao ano, muito abaixo da taxa de juros, nesse momento essa direita se uniu.

Os economistas passaram a fazer uma gritaria a respeito do “pibinho” e a respeito dos erros de política econômica que ela de fato cometeu, vários. Mas, para a surpresa dessa direita, a presidente foi reeleita, e num quadro muito curioso: nunca vi um presidente ser reeleito no Brasil sem nenhum apoio das classes dirigentes. Até no caso do Lula, havia algum apoio. Dessa vez, não havia nada, de forma que, em seguida, os derrotados imediatamente começaram a pedir o impeachment."(...)

Revendo o período em que o Brasil sofreu um golpe que durou 21 anos, as forças democráticas se aproximaram para encontrar solução. Para que o Brasil saisse da alternância de governos oligarcas e entrasse em um ciclo democrático com participação popular efetiva nas medidas governamentais, foi lançado um partido diretamente ligado aos trabalhadores sem a tutela ideológica explícita da esquerda tradicional. Não se propunha o socialismo e acreditava-se na aliança entre as classes com a superação do seu natural antagonismo.

Os programas políticos do PT, que começaram a ser debatidos em 1978, atraindo diferentes grupos que se opunham à ditadura militar, teve o mérito de criar um foco de ação parlamentar e institucional nos anos 80, para as mais diversas tendências que lutavam contra a opressão no país e pela abertura de caminhos a nível da participação política dos cidadãos em movimentos sociais, organizações sindicais e junto aos poderes locais.

Antecedentes históricos

A sociedade brasileira onde muitos exemplos de lutas populares ocorreram desde a fase colonial, era dominada pela letargia imposta por governantes vinculados às oligarquias que tinham o controle econômico, institucional e cultural, dispondo de um Estado criado segundo o modelo europeu, submisso às pressões comerciais e políticas exercidas por poderes extrangeiros.

Os exemplos heróicos de luta por uma pátria independente foram alvo de feroz repressão deixando gravadas com sangue na história do Brasil o grito de protesto contra a miséria em que viviam os trabalhadores e suas famílias, escravizados pelas famílias oligárquicas que tinham acesso aos benefícios sociais que asseguravam à elite a perpetuação no domínio da nação. As idéias libertárias eram também assumidas por elementos dessa camada privilegiada que entravam em contato com os movimentos independentistas, humanistas e das nascentes idéias democráticas que abalavam a Europa e penetravam nas novas colônias criadas na América do Norte e nas mais antigas, povoadas por ibéricos, no centro e no sul, do continente americano.

Assim, no início do século XX, chegaram os reflexos das formações partidárias e dos debates ideológicos acerca dos eventos históricos que sacudiram a Europa, como a Revolução Russa e o desenvolvimento industrial nos Estados Unidos que conferia àquela nação a liderança do sistema capitalista implantado em todo o mundo sob a ação colonizadora da Europa.

Importação de idéias e criação de movimentos nacionais

O Brasil refletia nos seus debates políticos as experiências transmitidas por outras realidades nacionais que procurava adaptar às suas condições. Surgiam movimentos comunistas e anarquistas que se confrontavam com a polícia repressora de uma sociedade predominante agrária sob o domínio da cultura religiosa implantada desde o início colonial, governos fracos que aceitavam a ação dos Estados Unidos em substituição ao poder da Inglaterra que criara as empresas básicas de energia elétrica e gás, e proibiam a localização de petróleo e outros minérios em todo o território nacional. A dependência era visível, apenas mudara o dono mais moderno que comandava fora da Europa a revolução industrial.

É o momento que Bresser-Pereira chama de "revolução capitalista" que traz um modelo moderno de organização econômica e social a abrir caminho para a integração dos trabalhadores no que se considera a "sociedade civil" com acesso às instituições do Estado. A criação de uma produção industrial, no entanto modesta, não absorvia cerca de dois terços da totalidade do povo trabalhador, que até aos anos 70, vivia como podia à margem de qualquer condição oferecida pelo Estado. Até 1958 o número de eleitores era de apenas 15 milhões, pois eram impedidos os analfabetos.

Quando nasce o PT em 1978,  apenas os antigos partidos da classe média que se identificavam com o pensamento democrático burguês atuavam institucionalmente através do MDB em oposição à ARENA onde se reuniam as forças de direita. Partidos Comunistas e demais tendências de esquerda sobreviviam na ilegalidade sob forte perseguição policial com muita tortura e assassinatos.

As tendências formadas em função das posições teóricas que se confrontavam na União Soviética ou em paises onde os partidos comunistas eram legalizados, reproduziam-se no Brasil dividindo a esquerda em grupos dentro ou fora dos Partidos Comunistas ilegais. Lincoln Secco na "História do PT" (Ateliê Editorial 2011) refere a dificuldade na organização do PT que atraiu militantes com as mais variadas tendências que projetavam as suas idéias relativas às experiências em outras sociedades, e punham em causa os partidos comunistas que também reproduziam orientações vindas de revoluções ou movimentos de libertação estrangeiros.

Na verdade, a chamada "revolução capitalista" que cria o sistema econômico e social ligado à indústria e os serviços burocráticos privados, assim como os do Estado, seguia modelos vindos do exterior. A dinâmica geradora de contradições internas criava um proletariado consciente que ainda era inexpressivo em relação à população trabalhadora no Brasil. A classe empresarial formava-se pelo modelo europeu ou norte-americano. Todos tinham fraco conhecimento e inserção na realidade brasileira, apesar de muito estudarem as teorias e tentarem adaptá-las. Para mais, a economia nacional era dependente do sistema capitalista estruturado nos países desenvolvidos que viveram a evolução histórica da fase colonialista, de controle do comercio internacional e do sistema financeiro, no qual o Brasil participava como cliente.

A esquerda brasileira, dos partidos comunistas ilegalizados, dos grupos dissidentes, somados aos partidos democráticos e às bases da Igreja Católica, que acolhiam os militantes envolvidos na oposição direta á ditadura, mergulharam na realidade do Brasil e entraram em contacto com aqueles dois terço do povo que vivia marginalizado. Nesta área da militância política, com as suas diferentes "tendências" é que surgiu o processo de transformação no conhecimento e na ligação com o Brasil profundo, a "Pátria amada" e a sua gente (que é povo e não podia votar por ser analfabeta), que se aproximou do PT que prometia romper com as tradições de clientelismo da política oligárquica e de submissão ao modelo socio-econômico externo.

Com o fim da ditadura em 1988 fez-se uma nova Constituição que garantiu alguns direitos aos cidadãos - como o de votar - e abriu um caminho jurídico para estabelecer melhores garantias para Governos democráticos aperfeiçoarem as instituições do Estado. Foi um começo para enfrentar os problemas que a história apresenta ao país, ao continente Latino Americano e ao mundo internacional com o qual o Brasil se relaciona. A partir de então os políticos democratas entenderam que deveriam lutar por um governo que desenvolvesse a produção nacional e assumisse a responsabilidade pela economia e a sociedade capaz de melhorar as condições do povo, principalmente dos mais abandonados.

Apesar das várias diferenças teóricas que existiam, o PT sob a liderança de Lula - operário e grande conhecedor da miséria no Brasil, - conseguiu atrair além do povo, também empresários que queriam desenvolver a produção nacional e pessoas que acreditaram que o Brasil poderia ser independente e caminhar democraticamente com o trabalho de todos os brasileiros. A vitória alcançada em 2002 pelo povo marcou uma nova fase na vida nacional. A surpresa e a admiração mundial pela formação de um Governo dirigido por um trabalhador metalúrgico com um programa democrático permitiu que muito fosse realizado com êxito no primeiro mandato.

O peso do eleitorado com a participação de maior parte do povo, assustou os antigos dirigentes que se consideravam democráticos e sempre estiveram no poder controlado pelas oligarquias. O apoio dado pelos empresarios assustou os poderes externos que sempre viram naqueles uma clientela passiva. O historiador Nelson Werneck Sodré, no livro "Quem é o povo no Brasil"(Ed.Civilização Brasileira, 1962) disse que "assim como no campo internacional o imperialismo preferiria conflagar o mundo, com a guerra atômica, a ceder as suas posições, no campo nacional aquelas forças preferem conflagar o País a ver derrotados os seus interesses".

Parecia advinhar o que se tramaria contra o Governo PT ao longo de tres mandatos, durante os quais a oposição representada pelo PSDB, conquistando antigos pretensos democratas e comprando os mais renitentes, minou os trabalhos do Governo utilizando meios inexcrupulosos, mentiras e falsas denúncias, e pressionou para que fosse entregue o controle do sistema econômico a especialistas neo-liberais subordinados ao imperialismo como preço para cederem em algumas formas de apoio para combater a fome de mais de 50 milhões de trabalhadores brasileiros, construir infra-estruturas e moradias para poderem usufruir da condição de cidadãos.

Além de controlar o sistema financeiro no Estado, a direita levou a mídia a crescer como um quarto poder nacional, sempre ao serviço do imperialismo. Aos poucos agravaram os problemas no setor da Previdência Social, da Saúde, da Educação, sob pressão de privados com empresas concorrentes. Aos poucos verificava-se que esta oposição dentro do Estado alimentava ambições pessoais contrárias á solidariedade social que constituia o fundamento da formação do PT.

Em 2014 uniram-se os direitistas e traidores para tentar vencer a candidata Dilma nas eleições e sofreram a maior surpresa de sempre ao ver que 54 milhões de brasileiros, vindos do povo que passou a poder se alimentar e ter seus filhos na escola, e dos lutadores que continuam fiéis ao Brasil que constroem, elegeram a Presidente Dilma na primeira volta. Quase 4 vezes o total de eleitores que havia em 1958! Foi a grandiosa participação da população mais pobre, a que antes ficava fora da vida política nacional liderada pelos militantes de sempre, com as suas diferentes "tendências" mas identificados por um conceito únido de democracia e de pátria.

Volto a utilizar as expressões de Bresser-Pereira na entrevista dada na França, à RFI, dia 10/06/16: "Mas, para a surpresa dessa direita, a presidente foi reeleita, e num quadro muito curioso: nunca vi um presidente ser reeleito no Brasil sem nenhum apoio das classes dirigentes. Até no caso do Lula, havia algum apoio. Dessa vez, não havia nada, de forma que, em seguida, os derrotados imediatamente começaram a pedir o impeachment."

O povo brasileiro viveu um processo revolucionário que o Governo não pode refletir plenamente, para além da implantação de um programa de atendimento democrático no Estado social, por ter sucumbido às alianças "contra natura" com forças reacionárias. A liderança desse povo participante seguirá com a força política que for capaz de gerir as multiplas tendências, teóricas e práticas que povoam a cultura nacional brasileira, mantendo acima o farol que ilumina a "pátria amada" e seu povo.


Zillah Branco
























sexta-feira, 10 de junho de 2016

O FMI perdeu o controle da sua mágica

Tenho respeito por todas as análises doutorais que explicam: a crise do sistema capitalista, os golpes que levam setores oligárquicos a ocuparem os governos em total desrespeito com a democracia, os desvios de imensas quantias financeiras que decorrem de negócios entre Estados e empresas para contas pessoais e aplicações em paraisos fiscais,

a crescente despesa com os setores sociais com o aumento das populações e com o aperfeiçoamento dos serviços prestados, a incapacidade dos PIB nacionais de comportarem despesas e roubos bilionários, tendo de recorrer aos impostos como solução de facilidade, sobretudo aplicados à população mais pobre cujos salários são pagos pelo patronato rico.

Aliás esta história foi contada minuciosamente por Marx e Engels no século XIX e repetida por seus seguidores ao longo de quase 200 anos.

Faço empenho em não complicar a explicação linear de que o sistema capitalista, defendido com unhas e dentes por aqueles que enriquecem de uma ou outra maneira:

- por herança, por grandes negócios que fazem com quem se vê em apertos, por fazerem parte da elite dominante, por prestarem importantes ajudas ao fortalecimento da elite, por não terem escrúpulos em aplicar a seu favor uma parte da transação feita entre o Estado e grandes empresas, por disporem de predicados que encantam a elite compondo um ambiente atraente e relaxante em que os ricos refocilam, e tantas outras indignidades que todos conhecem;

- é o mesmo sistema que cria a miséria para os explorados, que provoca guerras que destroem civilizações inteiras (como recentemente no Oriente Médio e Norte da África), que assiste aos milhares de mortes de populações que fogem aos bombardeios em busca de socorro, que cria empresas privadas com o apoio do Estado para concorrerem com os serviços públicos (nas áreas de saúde, escolas e previdência social), que protege os importantes corruptos e criminosos com um complicado sistema jurídico apoiado pela comunicação social conivente para que sejam intocáveis pela justiça, que sobrecarrega os mais pobres com impostos e cortes salariais para compensar os furtos bilionários... e tantas outras maldades que os povos estão cansados de conhecer.

A história caminha devagar, e os povos souberam defender-se para obrigar os ricos a deixarem uma parcela, depois de obterem seus lucros, para montarem a máquina do Estado de modo a garantir as condições de sobrevivência para os que fazem parte da classe que trabalha para desenvolver a produção. Formaram partidos de esquerda e movimentos sociais para exigirem as melhorias, e criaram quadros políticos que foram eleitos para representar os interesses populares dentro do aparelho do Estado e do próprio Governo. Impuseram o regime democrático e começaram a exigir que a Justiça não proteja os ricos e só condene os da classe pobre.

Contra esta participação de igualdade democrática a elite produziu um grupo de defesa dos seus interesses que se mantivesse acima dos poderes nacionais, um império

- um super poder mundial que organiza o setor financeiro nos países ricos para explorar os países pobres, ou seja, para criar nações colonizadoras e colonizadas, de modo a deixar que os povos sigam a sua história com as duas classes em conflito habitual, enquanto que a centralização do poder financeiro se dá fora dos territórios e longe da vista nacional. Daí a circulação de grossas quantias de dinheiro, maiores do que os PIB, favorecem pessoas e grupos para que impeçam a instauração da democracia conquistada através de lutas graduais.

Com o mau uso de tanto dinheiro que não é aplicado no desenvolvimento nacional para fortalecer a produção interna e a melhora das condições de vida dos que vivem do seu trabalho, fomentado o roubo crescente e o desvio da ação responsável pelo funcionamento da estrutura governativa pelas formas de corrupção, o sistema capitalista entrou em uma crise que exige a revisão da organização das nações e o combate a todas as formas de especulação do capital.

Até agora os grandes responsáveis pelos erros que minaram o mundo e anularam o equilíbrio fiscal das nações, como o FMI e o Banco Mundial, defendiam o neoliberalismo que está na origem da submissão das nações ao poder financeiro que fortaleceu o império. Mas o crescimento da miséria, as chacinas e guerras que se repetem, a revolta que anima lutas terroristas, anunciam o fim do mundo criado pela humanidade. Os mandantes imperialistas foram obrigados a reconhecer o óbvio: sem trabalhadores em condições de vida não haverá produção, sem uma população sem meios de consumo não há mercado.

Por esta descoberta é que o FMI começa a recomendar cautela, os paraisos fiscais começam a denunciar os milhares de ladrões que esconderam longe dos seus paises os biliões sobre os quais deveriam pagar impostos, os bancos que esconderam operações por baixo da mesa foram à falência, os corruptos que sugaram a Petrobrás começam a ser denunciados (e organizaram o golpe para poderem ser protegidos em cargos governamentais que a Justiça no Brasil respeita).

A situação é similar em todo o mundo. Ao perceber que as populações defendem a esquerda nos governos para garantir o Estado Social e obrigar os ricos a sofrerem a austeridade e pagar impostos, os ladrões banqueiros a irem para a cadeia e devolverem o fruto dos roubos e corrupções, a União Europeia, unida ao FMI, também lembrou frases de arrependimento como: "nós causamos sofrimentos aos pobres com a imposição da austeridade", "a cobrança dos créditos impediu a sobrevivência dos empregos". Lágrimas de crocodilo e abandono dos ex-amigos que se deixaram corromper. Assim pensam que vão salvar o capitalismo, ou adiar por mais tempo o seu fim.

No que toca aos brasileiros, fora Temer e toda a quadrilha que o acompanha!

domingo, 29 de maio de 2016

A história é imparável

Paralelamente ao desenvolvimento de todas as áreas do conhecimento que fortalecem a capacidade do ser humano assumir a liberdade individual com consciência da sua responsabilidade social - integridade, coerência, ética e respeito pelos outros, solidariedade -, o sistema capitalista privilegia o poder de uma elite que controla o capital e desenvolve meios de comunicação para difundir massivamente o antídoto aos princípios de equilíbrio que integra indivíduo e sociedade no percurso evolutivo que os aperfeiçoa.

A existência de um poder centralizado que impõe pela força o crescimento da riqueza como meta do desenvolvimento descurando as necessidades humanas da população que realiza os trabalhos produtivos e suporta os sacrifícios, deforma o caminho trilhado pela humanidade com a meta da liberdade e da igualdade.

O combate ao sistema capitalista que domina a economia mundial é realizada por caminhos ainda possíveis que tocam os indivíduos, preservando os seus valores, e aproveita condições estratégicas em que a elite poderosa é obrigada a ceder às exigências dos que são o esteio da produção - os trabalhadores e suas famílias.

A história mundial, na evolução das forças que se unem ou se separam na expansão das conquistas - descobertas de territórios, povoamento, colonização, movimentos de libertação, independências nacionais e desenvolvimento de uma nova sociedade - obriga a elite a ceder para depois retomar o poder, criando brechas estratégicas para os que têm por meta o sistema socialista.

No segundo milênio verificou-se na América Latina uma etapa histórica em que governos progressistas abriram as portas das universidades para os mais pobres de todas as etnias, formados com apoios especiais para os que revelam os seus talentos em busca de maiores conhecimentos. A criação de empresas de comunicação social, como a EBC e os canais de TV internacional pelos Estados evita o monopólio da mídia privada controlada pela elite do sistema transnacional.

Devemos redefinir o que se entende por sociedade civil para encararmos o verdadeiro significado de democracia real. E os políticos terão de assumir compromissos com os que os elegem sem o distanciamento classista que antes separou os que "debatem a teoria" dos que "vivenciam a prática" para, juntos, defenderem a nação do determinismo capitalista.

Os governos que seguiram os programas sociais lançados no Brasil por Lula em 2003, permitiram que a juventude desabrochasse como cidadã. Basta ver o comportamento dos estudantes organizados do ensino secundário e superior, dos jovens trabalhadores do MST, dos milhares de professoras e professores que enfrentam os problemas de carência nas escolas e de violência nos alunos e buscam, incansáveis, os cursos de capacitação que ajudem a perceber como enfrentar as mudanças sociais, dos "Sem Teto", dos imigrantes, de sindicalistas, de intelectuais, de artistas.

A ameaça de golpe desencadeou uma participação adulta dessa juventude na defesa da democracia e contra as máfias que estão por detrás de políticos proeminentes e com poder no Estado. Os protestos foram enriquecidos pela coragem e criatividade dos jovens que, ao mesmo tempo promovem a união de todos com as suas diferenças. As expressões revelam uma certa anarquia de costumes mas que distingue os opressores dos oprimidos, com identidades de classe e de cultura patriótica. Não cabem nas estruturas partidárias, transbordam qualquer limite. Mas têm metas coincidentes com os objetivos de esquerda e humanistas: querem o país melhor, combatem os corruptos, repudiam os que usam as leis para simular um Governo que não passa de um grupo assaltante. Exigem políticos à altura do país formado pela sua evolução histórica, decentes, honestos, capazes, dignos dos cargos de Estado. Um novo Estado, democrático de verdade.

No Brasil, a Frente Brasil Popular e outros movimentos sociais que vão surgindo como retalhos da sociedade brasileira para lutar pela integração na sociedade civil, na perspectiva de limpar o Estado desta gangue assaltante PMDB/PSDB e aliados, reproduz o caminho inovador que levou Lula ao governo em 2002, no combate à ignorância das forças políticas que veem apenas a necessidade de chegar à Presidência de um país sempre dirigido por oligarquias, poderes de classes exploradoras, sem questionarem o determinismo do sistema capitalista. Dizem um rotundo não às cedências aos ambiciosos que vendem o seu eventual apoio, porque conhecem os que construíram a própria dignidade, como o povo trabalhador, diferentes dos que herdaram altas posições e riquezas e só pensam na acumulação do capital.

Este lutadores têm consciência de que, mesmo dentro dos estreitos limites do sistema capitalista que beneficia uma elite mandante com a exploração dos que trabalham, é possível abrir caminho para uma democracia que se consolida através da luta de massas e do esclarecimento de quadros políticos sobre o papel das instituições públicas no desenvolvimento das forças produtivas e dos direitos de cidadania para todos. Um governo democrático tem o povo organizado como parceiro e discute com os vários setores sociais as formas possíveis de ação dos agentes privados e o Estado; fiscaliza a aplicação das leis constitucionais e a comunicação social que forma a consciência e a cultura nacional; estuda a evolução da sociedade e o surgimento de problemas condicionados pelo sistema envolvente para defender a democracia real e impedir a segregação de cidadãos marginalizados; fomenta o conhecimento da história nacional, das etapas da sua evolução, da integridade patriótica e do papel do país em relação aos seus vizinhos no continente, e aos demais a nível internacional.

Toda a esquerda, os democratas, os humanistas, reconhecem que o fundamental hoje é fortalecer a união para vencer a direita golpista que é dirigida pelo imperialismo. A união com o povo brasileiro e com os povos latino-americanos que lutam pelo mesmo objetivo: a democracia real. Todos conheceram o perigo do neoliberalismo que impõe aos setores mais pobres das sociedades o custo da crise sistêmica que deve ser paga pelos ricos que acumularam o capital nas empresas financeiras. Todos sabem que as riquezas naturais constituem o patrimônio nacional que garante o emprego e o Estado social para toda a população se for gerido por patriotas em contato permanente com os movimentos sociais representativos.

Respeitem a Constituição e os princípios jurídicos criados para servirem a Pátria dos brasileiros como uma Nação independente onde floresce a dignidade. Que o povo, livre das pressões golpistas, manifeste a sua escolha através de uma nova eleição, antes que o Brasil seja completamente delapidado e mais de 200 milhões de cidadãos sofram as consequências do saque! O golpe foi um crime e continua impune!

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Destruição dos princípios éticos e das instituições do Estado democrático


A sala da Casa do Alentejo, em Lisboa, foi pequena para receber os deputados latino-americanos e o caloroso abraço de velhos e novos comunistas, sindicalistas, amigos, militantes das causas populares que nunca abandonam a luta solidária. Os presentes comentavam: "Para receber todo um Continente deveriamos ter organizado um comício em praça pública para trazer os mais de 100 mil que em Portugal sempre oferecem a sua solidariedade à luta revolucionária que estes deputados da América Latina estão representando".

Os portugueses superam as suas dificuldades impostas pela UE - fração do imperialismo - para darem o apoio solidário aos latino-americanos e receberem o impulso da luta que aqueles povos hoje desenvolvem para evitar que a democracia social e a independência nacional, criadas por tantos governos progressistas, sejam destruidas pelas diferentes formas de golpe alimentadas pelo impérialismo.

Cada um dos mais de 20 deputados e senadores da América do Sul, Central e Caraibas, relatou com cores vivas as diferentes condições que herdaram dos 500 anos de colonialismo e exploração neo-capitalista que as oligarquias subservientes ao sistema financeiro internacional insistem em manter, contra a força dos povos na defesa por melhores condições de vida que conduza ao desenvolvimento da cidadania e à independência da pátria em que nasceram. Desde a ameaça militar que a Venezuela sofre, o bloqueio económico que persiste em Cuba, ao retrocesso imposto à Argentina com a eleição do amigo de Obama, às pressões da midia e de um sistema de corrupção dirigido pelas multinacionais para romperem o poder judicial em todos os países e conduzir as campanhas eleitorais, até ao "golpe branco", que afastou a Presidente Dilma com um falso processo de empeachment,  e criar um governo não eleito com ministros da oposição, crimes que se somam à prática de incapacitação de mulheres camponesas para a procriação no Perú durante o governo Fugimori, foram expostos as várias faces da violência fascista que uma elite poderosa no sistema capitalista vem utilizando como arma política contra a humanidade.

Tal como foram provocadas as "primaveras" que destruiram sociedades do leste europeu, do Oriente Médio e Norte da Africa, o imperialismo volta-se contra a América Latina que tem provado a capacidade dos povos de sairem da miséria e desenvolverem a sua economia independente das traiçoeiras ajudas financeiras oferecidas pelas instituições bancárias multinacionais que destroem as nações atoladas na austeridade assassina.

Querem voltar no tempo em que as nações eram mantidas como subdesenvolvidas para servirem de "quintal" para os ricos norte-americanos. Não percebem que a História não gira para trás, que as consciências de luta dos povos não se apagam, que as novas gerações que hoje estão nas ruas defendendo as escolas públicas e os colegas que puderam vencer os preconceitos raciais, de gênero, de classe, de etnia, não aceitarão um governo de traidores pérfidos e covardes mesmo que os seus pais lá estejam por ambição mesquinha de um poder falido.

O maquiavelismo do poder instaurado no cerne do sistema capitalista não tem limites no uso meticuloso de uma deformação psicológica imposta através dos meios de comunicação social que ha dezenas de anos conduz a informação levada às populações através da televisão e de livros para alterar a cultura e inocular a consciência individualista e alienada. Nos meios mais pobres a prática psicológica é substituida pelo bisturí que aleija o aparelho reprodutor das mulheres (como foi feito durante o governo Fugimori no Perú) ou por medicamentos venenosos que dizimam populações nos continentes africano e asiático ainda hoje, como cobaias humanas de uma indústria farmacêutica corrompida. Estas iniciativas tornaram-se conhecidas logo após a Segunda Guerra nas missões norte-americanas à que deram o nome de "Paz e Progresso". Distribuiam leite em pó e medicamentos nos continentes do então chamado "Terceiro Mundo".

No entanto, a guerra liderada por Hitler foi vencida pelos soldados soviéticos que foram seguidos pelos "aliados ocidentais" inimigos da Revolução Socialista que expandiu a luta pelos direitos humanos, pela legislação do trabalho, pela igualdade de gênero e de raças, pela democracia social e a distribuição de rendimentos. E cada povo criou as suas organizações e passou a lutar pelos seus direitos e pela independência da sua pátria. O poder imperialista definiu-se em torno da acumulação do capital e do sistema financeiro transnacional e não desiste de combater o sistema socialista.

Mas há muito por fazer. Em primeiro lugar, para compreender as falsas ofertas feitas pela elite. Assim como oferece ajuda financeira com baixos juros até conseguir que os clientes percam a independência de viver por conta própria, produzem uma literatura ou notícias e filmes com aparência de solidárias com quem luta contra as garras do sistema. Aos poucos vão destruindo os princípios éticos - para justificar traições, roubos e todo tipo de crime - e a confiança nos que continuam a lutar mesmo suportando sacrifícios e risco de vida, apontando-os como ingênuos ou simplórios. Tentam demonstrar que a elite capitalista é que entende a realidade e sabe como conduzir a gestão da economia para salvar a humanidade (pobre e escravizada, claro). Assim fala o agora ministro da Fazenda no governo golpista como porta-voz dos bancos internacionais, como também os que dirigem o Banco Central Europeu que pretendem dar ordens a todas as nações europeias desconhecendo a soberania nacional de cada povo. Fazem de conta que não existe soberania nacional e que a democracia é autorizada pela elite por caridade.

Não lhes passa pela cabeça que os povos quando libertam a consciência da sua força, percebem que os poderosos inventam uma lógica de pensamento que nada tem com a realidade em que vive a maioria. É a lógica dos ricos que vivem da exploração e não deixam tempo para os escravos pensarem e conhecerem a sua realidade, a verdadeira realidade que permite a vida à toda a humanidade. Não é a riqueza acumulada que garante a sobrevivência dos seres humanos, é o trabalho produtivo de todos os adultos a partir dos recursos naturais que nos cercam. O sistema capitalista impõe a lógica do dinheiro para ocultar a lógica da liberdade de trabalhar que vence todas as formas de exploração. A função do Estado é Social, e o sistema do futuro é socialista para dar oportunidade a todos os cidadãos de terem boas condições de vida sem exploração.

Um exemplo, entre muitos, de literaturas enganosas como créditos de juros baixos: O autor britânico John Le Carré, que pertenceu ao corpo diplomático do seu país, escreve livros com denúncias contra organismos de segurança do Reino Unido que funcionam em permanente conluio com as gangues e mafias assassinas que sustentam instituições ligadas à investigação científica e á produção de medicamentos. Constroi com habilidade romances em que os movimentos de solidariedade envolvem pessoas ingénuas que dão a vida por causas humanitárias e sórdidos oportunistas que vendem informações às máfias sob a vista complacente dos funcionários da segurança britânica. Com uma bela estória denuncia como inoperantes duas esperanças para quem luta pela humanidade: os "ingênuos" e "ineficazes" movimentos de solidariedade e as "instituições do Estado democrático". Falso, como o processo de empeachment inventado contra Dilma! O objetivo das mentiras políticas é liquidar as bases do regime democrático existente, as instituições sociais, as leis e justiça, as organizações de luta popular.

Quando uma sociedade amadurece os seus conceitos de democracia e as suas organizações políticas e sociais, como ocorreu com o Brasil, e começa a consolidar um Estado democrático que combate a exclusão social com os direitos de cidadania, com educação, saúde, cultura, infra-estrutura para o desenvolvimento social e economico, habitação, salário, previdência social, distribuição de renda, sistema judicial, o golpe assumiu a função de desacreditar as instituições para que a democracia desapareça de cena deixando o povo perdido em um território vazio de leis em que os golpistas assumem o papel de salvadores do caos.

Entramos na órbita de um programa comandado por ETs? Não, reunimos as massas populares e tomamos a iniciativa de reorganizar um governo brasileiro, democrático, patrióta, unido aos demais governos progressistas que existem na América Latina e no mundo, como foi proposto pelos representantes recebidos em Lisboa nondia 17 de Maio.

Zillah Branco

segunda-feira, 16 de maio de 2016

O Governo "Zika"

Temer é do tipo "zica", inocula a peçonha no cerne do Estado para impedir que o Brasil se desenvolva. Pegou carona na eleição de Dilma, por 54 milhões de brasileiros que querem os Programas Sociais iniciados por Lula em 2002, e tornou-se Vice. 


Maneiroso, recatado, um passo atrás de quem foi eleita, manteve a figura insignificante de sempre, movendo-se no escuro, deixando ouvir aquele murmúrio monótono que não forma um pensamento e chateia como qualquer mosquito pedindo tapa. Consultou os especialistas norte-americanos e, quando a crise do sistema capitalista atingiu o Brasil, agarrou-se à idéia de golpe como de um passe de mágica para tornar-se presidente.

Usou o PMDB que fora democrático no passado, servindo-se de um grupo ambicioso que se apoderou do céu e da terra para iludir os distraidos eleitores, fez cara de macho-machista, corrompeu esbirros de apoio (como consta de processos crime em curso), foi defendido pela velha oposição de direita cheia de ódio aos pobres no Senado, e assumiu o cargo interino. Dizem que o "zica" se agarra às paredes uterinas para reduzir o cérebro e as defesas orgânicas dos que dali nascem.

Basta ver os ministros de direita pró-imperialista que escolheu, que têm pressa em declarar guerra à democracia e à unidade latino-americana construtora da independência nacional e defensora dos povos com os seus direitos de cidadania. O mal que este governo fará precisa ser evitado a todo custo, antes que o seu virus se instale irremediavelmente.

Quem não sabe que desde 2002 o Brasil salvou 55 milhões de brasileiros da fome endemica? Que criou postos de trabalho que hoje salvam os jovens desempregados da Europa e permitem uma elevação nas condições de vida do trabalhador brasileiro? Leiam as informações do IPEA sobre a melhoria dos índices de Desenvolvimento Humano que já constam dos documentos da ONU para servirem de exemplo ao resto do mundo. Deslumbrem-se com o recente estudo que mostra a redução em 2% no número de homicídios para cada 1% de mais jovens nas escolas!

O exemplo do Brasil, que integra o Brics com capacidade para formar um banco mundial de desenvolvimento ao serviço dos povos; que desenvolveu uma invejável empresa petrolífera que alimenta a cobiça dos vizinhos do norte da América e seus parceiros europeus; que em dois anos transformou o empobrecido e atolado em dívidas Maranhão, no modelo de desenvolvimento que atrai professores para suas escolas e investigadores científicos para aprenderem o que ainda parece milagre de gestão e crescimento; que leva a sua cultura em música, cores e inteligência como a mensagem da esperança e alegria para inspirar outros povos na construção democrática que liberta a humanidade das garras dos predadores que sempre oprimiram os pobres - tudo isto está em risco se os programas de "zika" que Temer anuncia forem aplicados. O compromisso financeiro do ministro da Fazenda é com os bancos e os mercados internacionais; o do ministro redutor da cultura e da educação é com as empresas privadas de exploração; o da saúde é com as empresas de seguro médico; o da ciência è com o criacionismo medieval. Nenhum pensa e fala com os brasileiros, com o povo que trabalha, com os pobres que foram marginalizados, com as mulheres que esperam um futuro humanizado para os seus filhos.

Não poderemos esperar que em 180 dias o Brasil tenha o seu caminho de desenvolvimento interrompido por ação de um governo "zika". Todos à rua nas grandiosas manifestações de jovens e adultos, mulheres e homens, de todas as etnias, de diferentes idéias mas unidos na mesma Pátria, para exigir que o Brasil seja devolvido sem virus ao seu povo !

segunda-feira, 9 de maio de 2016

A "Direita"rancorosa



Os revolucionários incentivam as pessoas a participarem nas transformações que levam as sociedades a definirem os caminhos democráticos. É uma luta permanente para criar melhores condições de vida para todos: os que trabalham, os que estudam, os que desenvolvem a ciência e as artes, os idosos, as crianças, os que precisam de apoio.

As elites, que se servem do poder para explorar os mais pobres, vivem folgadamente acima da realidade em que mal sobrevivem os oprimidos. Não vêm as desigualdades e os sofrimentos. Alguns percebem e inventam teorias que explicam como uma fatalidade ou o destino a existência de ricos e pobres, fortes e fracos. Outros deixam-se ficar, alheios a uma maioria de cidadãos que se amontoam em bairros periféricos, dos quais se afastam com medo de assaltos ou do lixo acumulado.

As forças da ordem ao serviço da elite perseguem os revolucionários e ameaçam as populações oprimidas que os acolhem. Mas a História não pára; modifica-se contínuamente disseminando as sementes do percurso revolucionário que voam com as idéias por todo o mundo levando as imagens de movimentos de libertação de classes oprimidas e de países colonizados que plantam a democracia no seu solo.

Das elites surgem pensadores que admiram as mudanças ocorridas e o surgimento de Estados que atendem as populações com serviços sociais - de saúde, ensino, transporte, habitações - que promovem o desenvolvimento das suas indústrias, serviços e comércios. Acreditam que podem criar uma sociedade democrática onde uma elite benfeitora poderá gerir o Estado de maneira democrática. Esta elite é conservadora (quer continuar com as vantagens de gerir o poder) mas reconhece que o povo tem direitos humanos para se desenvolver.

O papel desumano dos que impedem que a democracia seja implantada em benefício de todos os cidadãos hoje é mais visível, um pouco por todo o mundo, devido ao conhecimento maior das ciências humanas e a crise que estrangula o sistema capitalista. Veja-se a filosofia social pregada pelo Papa Francisco que se aproxima de uma ideologia até agora defendida exclusivamente pela esquerda militante.

Nem todos os da elite aceitam sacrificar as suas riquezas sempre crescentes para financiar um Estado Social. Começam a corromper pessoas que ocupam lugares na estrutura do Estado para desviar a riqueza nacional para os bancos da elite e legisladores para que os direitos já conquistados não sejam respeitados. Criam dificuldades para que se instale a democracia promovendo conflitos sociais incentivando a prática de crimes e o hábito da corrupção. Torna-se cada vez mais difícil gerir o poder e manter a democracia. Destaca-se na elite uma "direita rançosa" que revela o seu instinto cruel contra a democracia. Ela odeia os pobres e todos os oprimidos, quer a riqueza produzida pelo país à sua disposição para escravizar trabalhadores e corromper serviçais. Inventa um "golpe de Estado" que acabe com a democracia e destrua as iniciativas revolucionárias.

Assim aconteceu no Brasil, dando início à oposição política que perdeu as eleições em 2015 quando Dilma foi eleita por 54 milhões de cidadãos que apoiaram o programa democrático defendido pelos partidos de esquerda. Fizeram uso da mídia, dos que foram processados por corrupção, de fanáticos da Igreja Pentecostal manipulada por políticos inescrupulosos, de juizes e advogados que desrespeitam a Constituição, de defensores da ditadura militar e sua prática de tortura, o que provocou uma indignação que se alastrou trazendo o povo brasileiro para as ruas e um movimento internacional de solidariedade à construção democrática iniciada no Governo de Lula em 2002.

Tal movimento permitiu a compreensão de que a democracia só existe se incluir os explorados e destituir os exploradores do poder. É a visível luta de classes que sempre inspirou os revolucionários e os leva a enfrentar a violência dos golpistas com a coragem de quem oferece a vida pela vitória.

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* Cientista Social, consultora do Cebrapaz. Tem experiência de vida e trabalho no Chile, Portugal e Cabo Verde.