Escrevo, comento, opino, analiso em busca de uma linguagem mais simples e direta, mais compreensível. Assumo as minhas idéias e gosto de discuti-las. Aceito as diferenças e recuso os preconceitos e o autoritarismo. Respeito a vida, a natureza, a humanidade, as culturas e as filosofias coerentes com a paz.
sábado, 24 de setembro de 2016
Tirar o Estado da lama
O Brasil é um extenso e rico país com uma população de mais de duzentos milhões de habitantes herdeiros de DNA das mais variadas etnias que compõem a humanidade. Absurdamente tem um Estado Mínimo e é dirigido por uma oligarquia. Realmente a democracia passa ao largo. Mas é pior, tem um governo golpista que só não cai porque os dirigentes do sistema judicial não aplicam a Constituição e agem como coniventes e irresponsáveis contra as seguidas manifestações populares. Não sou só eu quem diz isto, tenho o prazer de secundar o eminente jurista Fábio Comparato que fez uma honrada declaração pública e o ex-presidente da OAB do Rio de Janeiro, hoje deputado federal, Wadih Damous que põe a defesa da Justiça e da dignidade acima do mar de lama que invadiu a administração do pobre e mínimo Estado brasileiro.
É difícil conter a indigação, para eles e para nós, depois do espetáculo midiático organizado para denunciar fraudulentamente o ex-Presidente Lula com base em "convicções" e "acho que" de um bando de delinquentes que representaram o MPF impunemente. Uma vergonha nacional comentada em todo o planeta que só não atinge os milhões de brasileiros que vão trazer Lula ao seu lugar de "melhor Presidente da história do Brasil" em 2018. Conseguimos conter a indignação para tranquilamente organizar as formas de participação popular na recontrução de um Estado Social, que não será "Mínimo" como gosta a elite oligárquica.
Um Estado que não é subserviente ao mercado dirigido pelo império capitalista, que investe na produção nacional e nos trabalhadores do Brasil, que equilibra a distribuição de renda para acabar com a miséria e também com o enriquecimento ilícito, que defende a Justiça que emana da Constituição, que não aceita ser representado por bandidos e covardes, que garante os Direitos humanos e de cidadania, que é solidário com os povos em luta contra a exploração e o fascismo.
Temos a "convicção" de que as ações de Fora Temer, de mister Meirelles e do eterno ex-candidato Serra, somadas ao retumbante fracasso de Eduardo Cunha e a bruxa Janaina que o defendia, mais o "atentado fascista" perpretado em nome do MPF, foram um tiro-no-pé da quadrilha e reforçaram a consciência popular de que só alguem com as qualidades heróicas e patrióticas de Lula poderá retomar a condução do Brasil democrático que queremos. E será dado um passo adiante com a participação permanente do povo na defesa das conquistas democráticas e da defesa da dignidade nacional.
Hoje está claro que a raiz histórica dos problemas administrativos do país está no poder de uma oligarquia que mina 500 anos de história do Brasil. Os seus agentes simulam defender o povo e a democracia mas escamoteiam as verdadeiras intenções que são ditadas pelos seus chefes internacionais que só raciocinam em função do capital que circula pelos seus bancos e nos altos juros obtidos com as transações. Os partidos que usam a democracia no seu nome devem extirpar os maus elementos que se revelaram golpistas e reciclar os que se acovardaram e pretendem vir a ser democratas. É uma questão de honra.
Os brasileiros têm condições de impor um regime democrático depois de quatro governos com um programa de Fome Zero, Minha Casa Minha Vida, Luz para Todos, defesa da saúde pública, melhoria da educação, combate ao desemprego, apoio à investigação científica e à produção cultural, infra-estruturas para o desenvolvimento do Brasil profundo, integração latino-americana, participação na política internacional e agora o impulsionamento das Cidades Humanizadas. O Estado Mínimo, um "faz de conta" para o povo e instrumento de poder para a elite submissa às exigência do imperialismo, contraria a democratização da sociedade que reduz o fosso das desigualdades entre classes e impede o desenvolvimento nacional independente.
Não queremos que o modelo imposto na Europa - pela União Europeia casada com o FMI - que afundou os países na austeridade que poupa no desenvolvimento nacional e na vida dos trabalhadores para enriquecer milionários. A crise europeia está à vista de todos e sem solução enquanto os "golpistas de lá" se defrontam com o perigo de fazer ressurgir o fantasma da guerra e do fascismo que só foi derrotado em 1945 porque havia um Estado Socialista para agir em defesa da humanidade.
O programa de Fora Temer e sua quadrilha é a fotocópia do que foi implantado pela União Europeia para empobrecer os países que trocaram a independência por créditos mal aplicados, com um ajuste fiscal que congela os orçamentos das áreas sociais, altera a legislação laboral retirando direitos dos trabalhadores, reduz a segurança estabelecida na Previdência Social e abre caminho para um regime de exceção que é ditatorial. Ainda está presente no Brasil os efeitos de 21 anos de ditadura com o rol de crimes ainda por punir. Também não foram apagadas as ações positivas de democratas como Ulisses Guimarães e Tancredo Neves, que dirigiam o antigo MDB e morreram cedo deixando espaço para que os atuais dirigentes dos partidos herdeiros emporcalhem a sua memória.
Vamos retomar o rumo aberto por Lula e limpar a estrutura administrativa do Estado que abriu caminho para o golpe que subalterniza o Brasil.
Zillah Branco
sexta-feira, 16 de setembro de 2016
A faxina é agora indispensável
Mister Henrique Meirelles, Ministro da Fazenda de Fora Temer, diz que "no Brasil há muito para ser privatizado", acrescentando que no mundo há muito dinheiro e que os Governadores dos Estados poderão também privatizar as suas empresas. Parece anunciar uma liquidação das riquezas que o povo brasileiro trabalhou para financiar o desenvolvimento da Nação independente. É daqueles que se puder colocar umas rodinhas na própria mãe anuncia a senhora como carro usado.
Sabemos que esta peça foi formada por WallStreet, mais diretamente o Banco de Boston. O seu comparsa na destruição do país (que pertence a mais de 200 milhões de brasileiros) é o ex-democrata José Serra, feito Ministro da Defesa, que fecha embaixadas como se fossem balcões de negócios em países sem compradores dos produtos oferecidos. O chefe Fora Temer, campeão Olímpico de vaias, revela-se incompetente para gerir a liquidação prometida aos Estados Unidos na sua antiga função, denunciada pelo Wiki Leaks, de serviçal informador.
Parece aos humanos, dignos deste título, de muito mau gosto tal governo para um país que cresceu e se humanizou com a sofrida resistência aos 21 anos de ditadura desde 1964 e que elegeu Lula e Dilma com um programa de crescimento econômico prestigiado internacionalmente promovendo o fim da Fome e a integração popular nas condições de cidadania. Não fosse a fragilidade do sistema judicial, com as suas contradições internas, e do sistema de alianças partidárias descomprometidas com os votos democráticos, este golpe criminoso não teria ocorrido.
O país avançou, a economia cresceu, o povo adquiriu consciência dos seus direitos de cidadania, as áreas esquecidas do Brasil profundo receberam infraestruturas, os brasileiros antes marginalizados foram alimentados e introduzidos na sociedade, milhares de iniciativas aperfeiçoaram os serviços públicos da saúde e da educação, organizaram a Petrobrás que hoje atrai a cobiça dos eternos colonizadores e ladrões das riquezas nacionais. Ainda falta muito para poder defender os criadores das riquezas e impedir os assaltantes inescrupulosos, mas a possibilidade de instalar um regime democrático foi provada.
A oposição alimentou as redes criminosas que pareciam agir por conta própria provocando acidentes, matando a esmo, iniciando distúrbios nas ruas e nas favelas; alimentou com formas de corrupção um setor ganancioso e desonesto com funções dentro do Estado enfraquecendo a coesão dos que lutam pela democracia; minou o sistema financeiro que condiciona a entrega de recursos para o desenvolvimento e favorecendo o enriquecimento ilícito que aumentou o fosso entre ricos e pobres.
E aí estão os golpistas com os pés amarrados em processos por fraudes e com a garantia institucional de que a Justiça não se faz. Eduardo Cunha, que além de todas as falcatruas usou a religião de uma Igreja Pentecostal para encenar no Congresso um teatro que desmoralizou a política brasileira, agora ameaça: "se me afastarem levo 150 deputados, um senador, um ministro"....provavelmente grande parte do governo interino. Tomara. Um bando de delinquentes, da pior espécie subiu como piolho por costura nos meandros do Estado. Não é a primeira vez que isto ocorre no Brasil dominado por oligarquias que se vendem na feira do imperialismo. Mas, pela falta de pudor, com uma sem-sem-vergonhice que ofende batedor de carteira, despertaram a revolta social e o desprezo mundial.
Foram cometidos erros por ignorância de quem nunca havia chegado ao poder governamental e que usou de boa fé para buscar alianças em cova de ladrões. Hoje sabemos que WallStreet preparou os que, sendo brasileiros antipatriotas, serviram de ponta de lança para dominar as finanças favoravelmente aos donos do Dollar. Foi o professor universitário Chossudowsky, do Canadá, que revelou a cilada em que os governos de Lula e Dilma cairão. Com a ajuda de boa gente que trabalha junto aos Estados imperiais ( felizmente está atenta e tem brio), vamos sendo alertados sobre os espiões tupiniquins que nos cercam. É que o problema que supurou no Brasil existe como câncer em todo o mundo. É um mal do sistema capitalista.
Mas não desanimemos, a ciência e o conhecimento objetivo dos fatos e das manigâncias evoluíram e há tratamentos que curam os organismos fortes. É preciso extirpar as células nefastas e limpar os tecidos sociais e institucionais. Vamos à faxina com a experiência que temos de lavar as escadarias, afastar os males, arrancar as pragas do jardim, esfregar com força as manchas mais profundas, raspar a porcaria que se infiltra nos cantos.
Fora Temer e sua quadrilha, que o Brasil é um país rico, feliz, solidário com os povos oprimidos, e é nosso - mais de duzentos milhões de brasileiros patriotas! Tem riqueza suficiente para organizar um Estado Social e aumentar o salário mínimo para que todos vivam como merecem e tenham emprego sem escravidão. Fora o ranço oligárquico da história nacional que impede a igualdade de condições de vida e a democracia!
quinta-feira, 8 de setembro de 2016
O golpe canalha
Os gritos contra as ditaduras multiplicam-se pelo mundo, o "terceiro mundo" que se escondeu atrás do termo "em desenvolvimento" para manter a esperança de acompanhar os países "mais organizados" que orientam o sistema capitalista no planeta. A globalização abriu portas de vai e vem, o que serve aos povos que aprenderam a lutar pelos seus direitos com as revoluções socialistas que ha 200 anos fazem escola mundial.
Enquanto as elites mais ricas exibem prepotentemente as suas habilidades em acumular o capital roubado aos que são permanentemente explorados (não só no terceiro mundo mas nas suas próprias nações), os trabalhadores e suas famílias unem-se mundialmente fazendo uso das informações que escapam ao funil da mídia restritiva especializada em imbecilizar populações distraídas. A elite especializa-se em gerir os recursos, as pessoas e os capitais, sem lembrar que estão a escravizar a humanidade e a destruir os últimos valores éticos que herdaram de uma história comum a todos. Acanalham-se aceitando formas de corrupção que os identificam como ladrões da sociedade e, vendendo a consciência, tornam-se escravos do sistema de exploração da humanidade que é ditatorial e terrorista.
A preparação de golpe, pela via da montagem de um caminho financeiro para enfraquecer a economia brasileira subordinada a forte dolarização, foi construída por WallStreet através de seus subordinados : Henrique Meirelles, Ilan Goldfnju e Armínio Fraga. Trabalham para provocar a desestabilização da economia brasileira que sofre uma sangria com o aumento da dívida externa. Quem afirma isto é o conhecido professor universitário Chossudowsky, do Canadá, referindo o "consenso de Washington" de fins da década de 90.
Mesmo podendo atuar no controle do Banco Central que Henrique Meirelles tentou tornar independente do poder governamental, não foi possível levar o Brasil a ser engolido pela crise do sistema que promoveu a destruição de vários bancos nos Estados Unidos e Europa, dada a pujança de empresas estatais como a Petrobrás e as múltiplas soluções para que a população que passava fome tivesse apoio direto do Estado e pudesse participar de um desenvolvimento nacional que construía passo a passo o caminho da capacitação popular para garantir a independência do Brasil. Convivíamos com os ladrões que sugavam as veias da nação e compravam consciências de candidatos a traidores da Pátria.
Mesmo nessas condições o Brasil foi reconhecido mundialmente pelo promissor caminho de desenvolvimento econômico, tornando-se membro do BRICS e do G20, cooperando com o progresso das instituições Latino-Americanas e afirmando a possibilidade dos governos combaterem o flagelo da fome e da discriminação social das populações autóctones no terceiro mundo.
Foi o momento que detonou a tendência golpista da oposição política dirigida pelos eternos candidatos vencidos em eleições democráticas, como José Serra e Aécio Neves que se reaproximaram de alguns elementos com cargos no Governo onde chegaram na carona das alianças. Liderados por Temer, seus prováveis cúmplices assumiram a vergonhosa condição de abrir caminho para um golpe político que desestabilizava o país permitindo o derrube da sua fortaleza econômica e social aguentada pelos milhões de trabalhadores e uma juventude estudantil que empenhara a vida na defesa da democracia. Foi um golpe canalha, vil, subalterno ao imperialismo, traidor da Pátria. Ecoou na memória dos democratas que assistiram o golpe de 1964 as palavras (repetidas agora pelo senador Requião) de Tancredo Neves: "Canalhas! Canalhas! Canalhas!"
Voltou à memória do povo brasileiro também a sua coragem de ir às ruas exigir novas eleições "diretas, já! " para não perder os frutos da transformação democrática tão sofridamente construída pelos brasileiros descentes e patriotas.
Fora Temer empossado às pressas como Presidente pelo hábil senador Renan Calheiros, que o substituiu enquanto tentava apresentar-se nos lugares de Dilma Rousseff no G20 e junto ao BRICS, confrangido pelas declarações internacionais que lamentam o golpe e recusam o golpista. Em São Paulo, Estado-feudo da reação (apesar de cidade aberta de luta jovem), a PM exerce a velha função terrorista de 64. Não têm pejo de recordar as torturas dos anos cinzentos que enlutaram o Brasil e os democratas de todo o mundo.
Mas a realidade mundial hoje é outra. No mesmo encontro do G20 (onde fora Temer), Obama foi repudiado pelo Presidente das Filipinas, e nada conseguiu em um diálogo com o Presidente da Rússia; as populações de Myamar, assim como de vários países do Oriente Médio e do Norte da Africa destroçados pelas invasões imperialistas, enfrentam policias para gritarem o seu direito à vida e à independência; os milhares de fugitivos das guerras terroristas financiadas pelos Estados Unidos e Israel, levam a sua imagem dantesca que lembra os extermínios fascistas da grande guerra pela Europa rica em busca de um socorro inexistente.
Frente a tais misérias, divulgam-se as listas dos depositantes em Paraisos Fiscais, veem à tona as maracutaias dentro de administrações públicas de corrupções na venda de submarinos, aviões e helicópteros de combate a incêndios, ou no investimentos a Bancos que desconhecem os direitos dos seus clientes de recuperarem as suas magras poupanças. O sistema capitalista vive da corrupção e ainda quer escravizar os trabalhadores fazendo pó das leis democráticas conquistadas. Os Direitos Humanos são desrespeitados sem que a ONU possa fazer valer a sua autoridade em nome da humanidade.
Qualquer protesto social hoje ecoa pelo mundo. Mesmo que a mídia fique muda, as redes criadas nas ruas e na net estabelecem o contato necessário para que o seu efeito seja multiplicado. Só mesmo a pequenez das pessoas ambiciosas e vendáveis leva alguns a reconhecerem Temer fora do contexto da sociedade brasileira. A canalhice não tem pátria, está à venda em qualquer lugar do mundo. Mas quem pisa a linha ouve o recado do seu povo e detona as guerras intestinas que ainda só borbulham.
O Primeiro Ministro de Portugal foi saudar o Presidente do Brasil. Diz ter ido a negócio entre Estados. Esqueceu-se da solidariedade internacional contra o impeachment forjado pelos golpistas que afastaram a legítima Presidenta do Brasil, Dilma Rousseff. Os negócios são prioritários, o som do capital é mais alto que o da consciência. O povo português tem boa memória do que pagou pelas missões de colonização e nas guerras para defender os negócios feitos em nome do Estado. Hoje enfrenta os incêndios com o apoio de aviões Russos, por solidariedade, que a União Europeia deixou de cultivar.
sexta-feira, 26 de agosto de 2016
Um século de história sob o controle imperial
Opinião
Brasil: Um século de história sob o controle imperial
25 DE AGOSTO DE 2016
A condição do Brasil é, apesar da sua riqueza incontestável e das conquistas a nível científico, artístico e técnico, de subdesenvolvimento. Permanece sujeito à exploração neocolonial como o foi na fase colonialista. E isto se deve a uma elite que circula pelo poder político subordinada ao domínio do sistema financeiro nacional e internacional. Não cabe uma análise moralista dos que intervêm na vida nacional, mas a imagem do país terá de ser ética, para ser respeitado como formador íntegro da cidadania.
Por Zillah Branco
Boas pessoas quando jovens, recusam uma dedicação patriótica que os animou quando ainda tinham sonhos de heroísmo em que entregavam a vida para defender a independência nacional e o desenvolvimento do seu povo, como se fosse expressão de fraqueza ou ingenuidade, coisas de criança. Justificam a mudança de rumo ideológico com o pretexto de que o momento é dos espertos para, depois, poderem caridosamente “ajudar os necessitados”. Despem a pesada capa de valores éticos que um dia vestiram e vendem a consciência e a alma, por atacado ou no varejo, a quem der mais. Passam, de uma “alucinação positiva para outra negativa”, referida por Flávio Aguiar (blog Boitempo).
Assim, ex-democratas que imitaram heróis de verdade, trocaram os objetivos pessoais e os princípios herdados que os obrigavam a ser íntegros, honestos, solidários, responsáveis e progressistas, pela perfídia, o desprezo autoritário, a crapulice, o prazer da traição, o gozo da maldade. Sentem-se, talvez, livres de um peso que os tornava gente comum. A meta é o poder que compra prazeres cobiçados.
É uma minoria, entre os que se agarram ao topo do muro, como se não participassem da traição visível. Esta segunda corja não se sente vendida, apenas mantêm os cargos de confiança com as regalias que as leis autorizam e esperam que a tempestade passe e que a inércia os proteja. Aceitam a acusação de “fracos”, pensando que merecem ajuda e compreensão.
Nada têm a ver com os que erraram e percebem que têm alguma responsabilidade no êxito dos traidores. “Só não erra quem não faz” e “errar é humano”, são velhos provérbios. Mas este respeito pelo direito a ter errado só vale para os que reconhecem o erro e procuram maneira de o corrigir. Perigosa é a aceitação passiva de “erros habituais”, abrindo um caminho permissivo sem volta. Quem procura justificações atirando os erros para outros, ou culpa alguém pela sua ignorância anterior, cai na situação dos fracos que se autodesculpam ou se promovem, por oportunismo.
Os que descobrem os erros e não se escondem merecem confiança, pois ajudam a revelar as falhas que aparecem com a transformação das condições sociais. E assim evolui a história, desvendando novas possibilidades de superação dos erros.
A história do Brasil é rica em heróis. Sem ultrapassar um século, vemos surgir a República destronando o monarca que, por ingenuidade popular e ignorância comandada, merecia confiança permitindo vagarosamente que fosse decretado o fim da escravidão e a expansão das ideias positivistas que abriram o caminho republicano e democrático. É verdade que a Primeira República foi dominada pelos senhores rurais e o fim da escravidão africana deveu-se também à pressão da Inglaterra. Tudo boa gente? Nem tanto.
As verdades começaram a ficar mais claras com o movimento tenentista, depois o sacrifício dos 18 do Forte de Copacabana, a seguir a Coluna Prestes que teve como dirigentes heroicos os jovens militares Luís Carlos Prestes, Miguel Costa, Siqueira Campos, mas também Eduardo Gomes e Juarez Távora e outros que seguiram depois por caminhos políticos ideologicamente contrários. Não traíram, apenas se divorciaram no desenrolar da história. Cada um dos heroicos dirigentes da Grande Marcha que desvendou a realidade vivida e sofrida, do sul ao norte do Brasil, pelo povo explorado e miserável, desenvolveu teorias diferentes para buscar corrigir os graves problemas nacionais.
“Não há solução possível para os problemas brasileiros dentro dos quadros legais vigentes. A questão não é de homens, mas de fatos, isto é, de sistema e de regime. Nenhum governo, mesmo animado das melhores intenções desse mundo, poderá, nos limites da legalidade normal, resolver os problemas nacionais em equação. A solução tem de vir de uma transformação radical em tudo, não apenas na superfície política, é preciso reorganizar o país sobre bases novas. É preciso criar novas bases econômicas e sociais de relações entre os homens que habitam e trabalham nesta grande terra. É preciso quebrar, resolutamente, as cadeias que oprimem o Brasil e impedem seu desenvolvimento ulterior, sua expansão fecunda e gloriosa.” (Luís Carlos Prestes, entrevistado no final da Grande Marcha por Astrogildo Pereira, 1928)
“Estas coisas ditas por Prestes têm uma importância fundamental. Elas mostram que a Revolução, para Prestes, não é um mero motim militar. Ela é um fenômeno social infinitamente mais complexo. Para resolver os problemas nacionais, a Revolução tem que ser um vasto e profundo movimento popular em que o elemento militar desempenhe o papel – já de si imenso – de dínamo propulsor. Evidentemente, movimento dessa natureza, assim amplo e difícil, não pode ser obra de um simples momento de exaltação. Ele exige, ao contrário, longa, paciente, laboriosa preparação. E a esta preparação, devem consagrar-se, coordenadamente, todas as forças progressistas do país.” (Astrogildo Pereira, transcrição da entrevista citada para o Jornal “Diário da Manhã” do Recife)
Eduardo Gomes e Juarez Távora lideraram partidos políticos que defendiam o sistema capitalista “humanizado” e eram admirados pela crescente burguesia nacional que ligava a oligarquia rural ao empresariado urbano animado pelo apoio da Inglaterra ou dos Estados Unidos sem ver que aquele povo miserável do Brasil profundo era cada vez mais explorado e afastado da condição de cidadãos brasileiros.
E assim seguiu a história do Brasil subdesenvolvido cobiçado pelo imperialismo por um caminho cheio de curvas até 1964 quando foi dado um golpe sob a cobertura dos militares. A repressão ditatorial promoveu a aproximação dos progressistas que levantaram uma bandeira “democrática”. Surgiu o Movimento Democrático Brasileiro, única porta aberta à esquerda pois os comunistas e todos os que agissem como militantes de uma causa socialista foram para a clandestinidade perseguidos, torturados ou mortos. Passaram-se 21 anos cinzentos que deram origem à formação de novos caminhos para a reconquista da liberdade de expressão. Os que se consideravam “democratas” e defendiam o neoliberalismo formaram os primeiros governos. O governo de FHC aproximou-se das forças dominantes definindo a direita nacional submissa ao poder financeiro internacional.
Com a formação do PT foram aglutinadas diferentes forças de esquerda que impulsionavam movimentos sociais e sindicatos operários, contando com iniciativas de setores da população que militam independentes de organizações partidárias junto a igrejas, universidades, associações várias. Lula é eleito com um programa contra a Fome que merece a admiração internacional, e pela integração popular cidadã com o apoio de partidos de várias tendências acobertadas pelo termo genérico da “social democracia”. O governo abre caminhos contraditórios entre si, desconhecendo a luta de classes que se agrava à medida em que a injusta distribuição de rendimentos sacrifica o atendimento social às camadas mais pobres, antes marginalizadas, e favorece a acumulação do capital da elite empresarial que põe em prática o sistema de corrupção, de promoção de privilégios salariais e impunidade judicial, fortalecidos pelo controle da mídia que funciona como um quarto poder no país. Aparentemente o Brasil é fortalecido pela autonomia na exploração das suas riquezas e na redução visível da miséria que assolava um terço da sua população, o que promove a ilusão de que estava livre das crises do sistema capitalista.
A linguagem política dos liberais altera-se à medida em que crescem as reivindicações, de base democrática e de respeito por categorias antes desprezadas – mulheres e trabalhadores – de modo a distanciar-se do discurso e dos partidos revolucionários. Aparentemente desaparece a luta entre classes e emerge uma classe média que tem como objetivo identificar-se com a alta burguesia a começar pela aparência e o comportamento modelado sob o comando da mídia. A indústria lança produtos de qualidade inferior com o desenho das marcas mais caras e investe na propaganda do “consumismo” como padrão de modernização. Este novo estrato social repudia os mais pobres e a consciência do proletariado que exerce a pressão para obter as conquistas da legislação do trabalho, e adere à ideologia liberal defendida pelo patronato. A democracia reduz-se, praticamente, ao combate à fome, às medidas corajosas de um Governo enfraquecido apoiado pelo povo, ao direito universal ao voto que é condicionado pelas campanhas eleitorais sob efeito de grandes somas de dinheiro, corrupção e a condução midiática sob o olhar cauteloso dos Estados Unidos dedicado a estraçalhar os países do Oriente Médio e da África onde vai buscar o petróleo com a parceria da União Europeia.
Paralelamente a nível mundial
As instituições de ensino superior e investigação científica, criadas ou apoiadas pelo imperialismo, aprofundaram os estudos do marxismo para poder combater o método dialético utilizado pelos revolucionários, com forte propaganda política embalada em linguagem democrática com sentido contrário. Com uma perspectiva de direita estudaram o marxismo e o percurso do socialismo realizado pela URSS e demais países revolucionários para se apropriarem dos êxitos incontestáveis da ideologia de esquerda tergiversando sobre os conceitos. Deram origem a novas interpretações teóricas que serviram de estímulo ao combate aos comunistas que referem a linguagem dos revolucionários do século XIX e início do XX quando o sistema socialista foi introduzido com a formação da União Soviética e os movimentos de libertação por ela apoiados em todo o planeta. Dessa maneira a direita apropriou-se da forma dos conceitos esvaziando do conteúdo revolucionário.
A Guerra Fria alcançou a sua meta antirrevolucionária depois de 70 anos de espionagem, terrorismo, fabuloso investimento em armas, invasões de países com movimentos de libertação em todo o planeta, formação de investigadores de todo o mundo para se apropriar do “know how” de todas os povos. Mas também com a apropriação de uma cultura que substitui a consciência da realidade social pela ambição pessoal de vencer a qualquer custo como fazem os animais selvagens facilmente controlados por sons e luzes que os encantam.
Como bem observam os chineses, agora que alcançaram o estatuto de grande potência e fazem sombra aos países mais desenvolvidos do sistema capitalista, hoje os que emigraram para estudar, deixando a sua produção científica nos países ricos, despertam para o necessário combate ao imperialismo e voltam atraídos pelas suas nações de origem em luta pelo desenvolvimento e com capacidade para aplicar as qualidades do sistema socialista em sociedades mais humanas e efetivamente democráticas. Deslumbrada com o brilho ofuscante do capitalismo fica uma população embrutecida sob o controle mecanizado do método antirrevolucionário para consumir qualquer novo produto que alimente a elite dominante (de que foi expoente máximo a sessão que aprovou o impeachment contra Dilma no Congresso Federal do Brasil).
O caminho foi aberto
A evolução se dá aos saltos e sofre retrocessos pontuais como os golpes que germinam na América Latina alimentados pela pressão de grupos contrarrevolucionários que alcançaram o controle de países ricos através da centralização de poder financeiro e domínio do chamado Mercado Livre no planeta. Os nichos criados pela política de direita reacionária aproveitam-se dos erros cometidos sob a pressão das necessárias alianças partidárias e usam os potenciais traidores da sua pátria mediante corrupção financeira e promoção institucional que são os pontos vulneráveis abertos pelo liberalismo, como assinalou Luis Carlos Prestes em 1928:
“É preciso quebrar, resolutamente, as cadeias que oprimem o Brasil e impedem seu desenvolvimento ulterior, sua expansão fecunda e gloriosa.”
E Astrogildo Pereira, que divulga este pensamento de Prestes, formula o caminho de luta:
“Para resolver os problemas nacionais, a Revolução tem que ser um vasto e profundo movimento popular (…) Evidentemente, movimento dessa natureza, assim amplo e difícil, não pode ser obra de um simples momento de exaltação. Ele exige, ao contrário, longa, paciente, laboriosa preparação. E à esta preparação, devem consagrar-se, coordenadamente, todas as forças progressistas do país.”
Lula assumiu, com êxito inegável, o papel heroico de líder popular ao ser eleito em 2002 por dezenas de milhões de brasileiros que repudiaram o programa neoliberal resultante, mais uma vez no Brasil, da combinação de tendências anti-ditatoriais apoiadas pelo vizinho imperialista que se considera dono do continente americano. O processo histórico desencadeado não se ateve às curtas rédeas do sistema capitalista vigente. Criou uma dinâmica para atender a grande massa popular com o produto do trabalho e das riquezas nacionais, o que levou a elite a abandonar a vestimenta democrática que envergara para contrastar com a ditadura falida.
Além de ser urgente a reconstrução da Nação – com a sua força produtiva voltada para o aproveitamento do patrimônio em benefício de uma população de mais de duzentos milhões de habitantes e do desenvolvimento das instituições sociais e de produção científica e artística, – impõe-se a reposição dos valores abandonados pelo sistema legislativo que mostrou a sua fragilidade na defesa do equilíbrio patriótico posto em causa por um ato golpista.
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Brasil: Um século de história sob o controle imperial
25 DE AGOSTO DE 2016
A condição do Brasil é, apesar da sua riqueza incontestável e das conquistas a nível científico, artístico e técnico, de subdesenvolvimento. Permanece sujeito à exploração neocolonial como o foi na fase colonialista. E isto se deve a uma elite que circula pelo poder político subordinada ao domínio do sistema financeiro nacional e internacional. Não cabe uma análise moralista dos que intervêm na vida nacional, mas a imagem do país terá de ser ética, para ser respeitado como formador íntegro da cidadania.
Por Zillah Branco
Boas pessoas quando jovens, recusam uma dedicação patriótica que os animou quando ainda tinham sonhos de heroísmo em que entregavam a vida para defender a independência nacional e o desenvolvimento do seu povo, como se fosse expressão de fraqueza ou ingenuidade, coisas de criança. Justificam a mudança de rumo ideológico com o pretexto de que o momento é dos espertos para, depois, poderem caridosamente “ajudar os necessitados”. Despem a pesada capa de valores éticos que um dia vestiram e vendem a consciência e a alma, por atacado ou no varejo, a quem der mais. Passam, de uma “alucinação positiva para outra negativa”, referida por Flávio Aguiar (blog Boitempo).
Assim, ex-democratas que imitaram heróis de verdade, trocaram os objetivos pessoais e os princípios herdados que os obrigavam a ser íntegros, honestos, solidários, responsáveis e progressistas, pela perfídia, o desprezo autoritário, a crapulice, o prazer da traição, o gozo da maldade. Sentem-se, talvez, livres de um peso que os tornava gente comum. A meta é o poder que compra prazeres cobiçados.
É uma minoria, entre os que se agarram ao topo do muro, como se não participassem da traição visível. Esta segunda corja não se sente vendida, apenas mantêm os cargos de confiança com as regalias que as leis autorizam e esperam que a tempestade passe e que a inércia os proteja. Aceitam a acusação de “fracos”, pensando que merecem ajuda e compreensão.
Nada têm a ver com os que erraram e percebem que têm alguma responsabilidade no êxito dos traidores. “Só não erra quem não faz” e “errar é humano”, são velhos provérbios. Mas este respeito pelo direito a ter errado só vale para os que reconhecem o erro e procuram maneira de o corrigir. Perigosa é a aceitação passiva de “erros habituais”, abrindo um caminho permissivo sem volta. Quem procura justificações atirando os erros para outros, ou culpa alguém pela sua ignorância anterior, cai na situação dos fracos que se autodesculpam ou se promovem, por oportunismo.
Os que descobrem os erros e não se escondem merecem confiança, pois ajudam a revelar as falhas que aparecem com a transformação das condições sociais. E assim evolui a história, desvendando novas possibilidades de superação dos erros.
A história do Brasil é rica em heróis. Sem ultrapassar um século, vemos surgir a República destronando o monarca que, por ingenuidade popular e ignorância comandada, merecia confiança permitindo vagarosamente que fosse decretado o fim da escravidão e a expansão das ideias positivistas que abriram o caminho republicano e democrático. É verdade que a Primeira República foi dominada pelos senhores rurais e o fim da escravidão africana deveu-se também à pressão da Inglaterra. Tudo boa gente? Nem tanto.
As verdades começaram a ficar mais claras com o movimento tenentista, depois o sacrifício dos 18 do Forte de Copacabana, a seguir a Coluna Prestes que teve como dirigentes heroicos os jovens militares Luís Carlos Prestes, Miguel Costa, Siqueira Campos, mas também Eduardo Gomes e Juarez Távora e outros que seguiram depois por caminhos políticos ideologicamente contrários. Não traíram, apenas se divorciaram no desenrolar da história. Cada um dos heroicos dirigentes da Grande Marcha que desvendou a realidade vivida e sofrida, do sul ao norte do Brasil, pelo povo explorado e miserável, desenvolveu teorias diferentes para buscar corrigir os graves problemas nacionais.
“Não há solução possível para os problemas brasileiros dentro dos quadros legais vigentes. A questão não é de homens, mas de fatos, isto é, de sistema e de regime. Nenhum governo, mesmo animado das melhores intenções desse mundo, poderá, nos limites da legalidade normal, resolver os problemas nacionais em equação. A solução tem de vir de uma transformação radical em tudo, não apenas na superfície política, é preciso reorganizar o país sobre bases novas. É preciso criar novas bases econômicas e sociais de relações entre os homens que habitam e trabalham nesta grande terra. É preciso quebrar, resolutamente, as cadeias que oprimem o Brasil e impedem seu desenvolvimento ulterior, sua expansão fecunda e gloriosa.” (Luís Carlos Prestes, entrevistado no final da Grande Marcha por Astrogildo Pereira, 1928)
“Estas coisas ditas por Prestes têm uma importância fundamental. Elas mostram que a Revolução, para Prestes, não é um mero motim militar. Ela é um fenômeno social infinitamente mais complexo. Para resolver os problemas nacionais, a Revolução tem que ser um vasto e profundo movimento popular em que o elemento militar desempenhe o papel – já de si imenso – de dínamo propulsor. Evidentemente, movimento dessa natureza, assim amplo e difícil, não pode ser obra de um simples momento de exaltação. Ele exige, ao contrário, longa, paciente, laboriosa preparação. E a esta preparação, devem consagrar-se, coordenadamente, todas as forças progressistas do país.” (Astrogildo Pereira, transcrição da entrevista citada para o Jornal “Diário da Manhã” do Recife)
Eduardo Gomes e Juarez Távora lideraram partidos políticos que defendiam o sistema capitalista “humanizado” e eram admirados pela crescente burguesia nacional que ligava a oligarquia rural ao empresariado urbano animado pelo apoio da Inglaterra ou dos Estados Unidos sem ver que aquele povo miserável do Brasil profundo era cada vez mais explorado e afastado da condição de cidadãos brasileiros.
E assim seguiu a história do Brasil subdesenvolvido cobiçado pelo imperialismo por um caminho cheio de curvas até 1964 quando foi dado um golpe sob a cobertura dos militares. A repressão ditatorial promoveu a aproximação dos progressistas que levantaram uma bandeira “democrática”. Surgiu o Movimento Democrático Brasileiro, única porta aberta à esquerda pois os comunistas e todos os que agissem como militantes de uma causa socialista foram para a clandestinidade perseguidos, torturados ou mortos. Passaram-se 21 anos cinzentos que deram origem à formação de novos caminhos para a reconquista da liberdade de expressão. Os que se consideravam “democratas” e defendiam o neoliberalismo formaram os primeiros governos. O governo de FHC aproximou-se das forças dominantes definindo a direita nacional submissa ao poder financeiro internacional.
Com a formação do PT foram aglutinadas diferentes forças de esquerda que impulsionavam movimentos sociais e sindicatos operários, contando com iniciativas de setores da população que militam independentes de organizações partidárias junto a igrejas, universidades, associações várias. Lula é eleito com um programa contra a Fome que merece a admiração internacional, e pela integração popular cidadã com o apoio de partidos de várias tendências acobertadas pelo termo genérico da “social democracia”. O governo abre caminhos contraditórios entre si, desconhecendo a luta de classes que se agrava à medida em que a injusta distribuição de rendimentos sacrifica o atendimento social às camadas mais pobres, antes marginalizadas, e favorece a acumulação do capital da elite empresarial que põe em prática o sistema de corrupção, de promoção de privilégios salariais e impunidade judicial, fortalecidos pelo controle da mídia que funciona como um quarto poder no país. Aparentemente o Brasil é fortalecido pela autonomia na exploração das suas riquezas e na redução visível da miséria que assolava um terço da sua população, o que promove a ilusão de que estava livre das crises do sistema capitalista.
A linguagem política dos liberais altera-se à medida em que crescem as reivindicações, de base democrática e de respeito por categorias antes desprezadas – mulheres e trabalhadores – de modo a distanciar-se do discurso e dos partidos revolucionários. Aparentemente desaparece a luta entre classes e emerge uma classe média que tem como objetivo identificar-se com a alta burguesia a começar pela aparência e o comportamento modelado sob o comando da mídia. A indústria lança produtos de qualidade inferior com o desenho das marcas mais caras e investe na propaganda do “consumismo” como padrão de modernização. Este novo estrato social repudia os mais pobres e a consciência do proletariado que exerce a pressão para obter as conquistas da legislação do trabalho, e adere à ideologia liberal defendida pelo patronato. A democracia reduz-se, praticamente, ao combate à fome, às medidas corajosas de um Governo enfraquecido apoiado pelo povo, ao direito universal ao voto que é condicionado pelas campanhas eleitorais sob efeito de grandes somas de dinheiro, corrupção e a condução midiática sob o olhar cauteloso dos Estados Unidos dedicado a estraçalhar os países do Oriente Médio e da África onde vai buscar o petróleo com a parceria da União Europeia.
Paralelamente a nível mundial
As instituições de ensino superior e investigação científica, criadas ou apoiadas pelo imperialismo, aprofundaram os estudos do marxismo para poder combater o método dialético utilizado pelos revolucionários, com forte propaganda política embalada em linguagem democrática com sentido contrário. Com uma perspectiva de direita estudaram o marxismo e o percurso do socialismo realizado pela URSS e demais países revolucionários para se apropriarem dos êxitos incontestáveis da ideologia de esquerda tergiversando sobre os conceitos. Deram origem a novas interpretações teóricas que serviram de estímulo ao combate aos comunistas que referem a linguagem dos revolucionários do século XIX e início do XX quando o sistema socialista foi introduzido com a formação da União Soviética e os movimentos de libertação por ela apoiados em todo o planeta. Dessa maneira a direita apropriou-se da forma dos conceitos esvaziando do conteúdo revolucionário.
A Guerra Fria alcançou a sua meta antirrevolucionária depois de 70 anos de espionagem, terrorismo, fabuloso investimento em armas, invasões de países com movimentos de libertação em todo o planeta, formação de investigadores de todo o mundo para se apropriar do “know how” de todas os povos. Mas também com a apropriação de uma cultura que substitui a consciência da realidade social pela ambição pessoal de vencer a qualquer custo como fazem os animais selvagens facilmente controlados por sons e luzes que os encantam.
Como bem observam os chineses, agora que alcançaram o estatuto de grande potência e fazem sombra aos países mais desenvolvidos do sistema capitalista, hoje os que emigraram para estudar, deixando a sua produção científica nos países ricos, despertam para o necessário combate ao imperialismo e voltam atraídos pelas suas nações de origem em luta pelo desenvolvimento e com capacidade para aplicar as qualidades do sistema socialista em sociedades mais humanas e efetivamente democráticas. Deslumbrada com o brilho ofuscante do capitalismo fica uma população embrutecida sob o controle mecanizado do método antirrevolucionário para consumir qualquer novo produto que alimente a elite dominante (de que foi expoente máximo a sessão que aprovou o impeachment contra Dilma no Congresso Federal do Brasil).
O caminho foi aberto
A evolução se dá aos saltos e sofre retrocessos pontuais como os golpes que germinam na América Latina alimentados pela pressão de grupos contrarrevolucionários que alcançaram o controle de países ricos através da centralização de poder financeiro e domínio do chamado Mercado Livre no planeta. Os nichos criados pela política de direita reacionária aproveitam-se dos erros cometidos sob a pressão das necessárias alianças partidárias e usam os potenciais traidores da sua pátria mediante corrupção financeira e promoção institucional que são os pontos vulneráveis abertos pelo liberalismo, como assinalou Luis Carlos Prestes em 1928:
“É preciso quebrar, resolutamente, as cadeias que oprimem o Brasil e impedem seu desenvolvimento ulterior, sua expansão fecunda e gloriosa.”
E Astrogildo Pereira, que divulga este pensamento de Prestes, formula o caminho de luta:
“Para resolver os problemas nacionais, a Revolução tem que ser um vasto e profundo movimento popular (…) Evidentemente, movimento dessa natureza, assim amplo e difícil, não pode ser obra de um simples momento de exaltação. Ele exige, ao contrário, longa, paciente, laboriosa preparação. E à esta preparação, devem consagrar-se, coordenadamente, todas as forças progressistas do país.”
Lula assumiu, com êxito inegável, o papel heroico de líder popular ao ser eleito em 2002 por dezenas de milhões de brasileiros que repudiaram o programa neoliberal resultante, mais uma vez no Brasil, da combinação de tendências anti-ditatoriais apoiadas pelo vizinho imperialista que se considera dono do continente americano. O processo histórico desencadeado não se ateve às curtas rédeas do sistema capitalista vigente. Criou uma dinâmica para atender a grande massa popular com o produto do trabalho e das riquezas nacionais, o que levou a elite a abandonar a vestimenta democrática que envergara para contrastar com a ditadura falida.
Além de ser urgente a reconstrução da Nação – com a sua força produtiva voltada para o aproveitamento do patrimônio em benefício de uma população de mais de duzentos milhões de habitantes e do desenvolvimento das instituições sociais e de produção científica e artística, – impõe-se a reposição dos valores abandonados pelo sistema legislativo que mostrou a sua fragilidade na defesa do equilíbrio patriótico posto em causa por um ato golpista.
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Um século de história sob o controle imperial
Opinião
Brasil: Um século de história sob o controle imperial
25 DE AGOSTO DE 2016
A condição do Brasil é, apesar da sua riqueza incontestável e das conquistas a nível científico, artístico e técnico, de subdesenvolvimento. Permanece sujeito à exploração neocolonial como o foi na fase colonialista. E isto se deve a uma elite que circula pelo poder político subordinada ao domínio do sistema financeiro nacional e internacional. Não cabe uma análise moralista dos que intervêm na vida nacional, mas a imagem do país terá de ser ética, para ser respeitado como formador íntegro da cidadania.
Por Zillah Branco
Boas pessoas quando jovens, recusam uma dedicação patriótica que os animou quando ainda tinham sonhos de heroísmo em que entregavam a vida para defender a independência nacional e o desenvolvimento do seu povo, como se fosse expressão de fraqueza ou ingenuidade, coisas de criança. Justificam a mudança de rumo ideológico com o pretexto de que o momento é dos espertos para, depois, poderem caridosamente “ajudar os necessitados”. Despem a pesada capa de valores éticos que um dia vestiram e vendem a consciência e a alma, por atacado ou no varejo, a quem der mais. Passam, de uma “alucinação positiva para outra negativa”, referida por Flávio Aguiar (blog Boitempo).
Assim, ex-democratas que imitaram heróis de verdade, trocaram os objetivos pessoais e os princípios herdados que os obrigavam a ser íntegros, honestos, solidários, responsáveis e progressistas, pela perfídia, o desprezo autoritário, a crapulice, o prazer da traição, o gozo da maldade. Sentem-se, talvez, livres de um peso que os tornava gente comum. A meta é o poder que compra prazeres cobiçados.
É uma minoria, entre os que se agarram ao topo do muro, como se não participassem da traição visível. Esta segunda corja não se sente vendida, apenas mantêm os cargos de confiança com as regalias que as leis autorizam e esperam que a tempestade passe e que a inércia os proteja. Aceitam a acusação de “fracos”, pensando que merecem ajuda e compreensão.
Nada têm a ver com os que erraram e percebem que têm alguma responsabilidade no êxito dos traidores. “Só não erra quem não faz” e “errar é humano”, são velhos provérbios. Mas este respeito pelo direito a ter errado só vale para os que reconhecem o erro e procuram maneira de o corrigir. Perigosa é a aceitação passiva de “erros habituais”, abrindo um caminho permissivo sem volta. Quem procura justificações atirando os erros para outros, ou culpa alguém pela sua ignorância anterior, cai na situação dos fracos que se autodesculpam ou se promovem, por oportunismo.
Os que descobrem os erros e não se escondem merecem confiança, pois ajudam a revelar as falhas que aparecem com a transformação das condições sociais. E assim evolui a história, desvendando novas possibilidades de superação dos erros.
A história do Brasil é rica em heróis. Sem ultrapassar um século, vemos surgir a República destronando o monarca que, por ingenuidade popular e ignorância comandada, merecia confiança permitindo vagarosamente que fosse decretado o fim da escravidão e a expansão das ideias positivistas que abriram o caminho republicano e democrático. É verdade que a Primeira República foi dominada pelos senhores rurais e o fim da escravidão africana deveu-se também à pressão da Inglaterra. Tudo boa gente? Nem tanto.
As verdades começaram a ficar mais claras com o movimento tenentista, depois o sacrifício dos 18 do Forte de Copacabana, a seguir a Coluna Prestes que teve como dirigentes heroicos os jovens militares Luís Carlos Prestes, Miguel Costa, Siqueira Campos, mas também Eduardo Gomes e Juarez Távora e outros que seguiram depois por caminhos políticos ideologicamente contrários. Não traíram, apenas se divorciaram no desenrolar da história. Cada um dos heroicos dirigentes da Grande Marcha que desvendou a realidade vivida e sofrida, do sul ao norte do Brasil, pelo povo explorado e miserável, desenvolveu teorias diferentes para buscar corrigir os graves problemas nacionais.
“Não há solução possível para os problemas brasileiros dentro dos quadros legais vigentes. A questão não é de homens, mas de fatos, isto é, de sistema e de regime. Nenhum governo, mesmo animado das melhores intenções desse mundo, poderá, nos limites da legalidade normal, resolver os problemas nacionais em equação. A solução tem de vir de uma transformação radical em tudo, não apenas na superfície política, é preciso reorganizar o país sobre bases novas. É preciso criar novas bases econômicas e sociais de relações entre os homens que habitam e trabalham nesta grande terra. É preciso quebrar, resolutamente, as cadeias que oprimem o Brasil e impedem seu desenvolvimento ulterior, sua expansão fecunda e gloriosa.” (Luís Carlos Prestes, entrevistado no final da Grande Marcha por Astrogildo Pereira, 1928)
“Estas coisas ditas por Prestes têm uma importância fundamental. Elas mostram que a Revolução, para Prestes, não é um mero motim militar. Ela é um fenômeno social infinitamente mais complexo. Para resolver os problemas nacionais, a Revolução tem que ser um vasto e profundo movimento popular em que o elemento militar desempenhe o papel – já de si imenso – de dínamo propulsor. Evidentemente, movimento dessa natureza, assim amplo e difícil, não pode ser obra de um simples momento de exaltação. Ele exige, ao contrário, longa, paciente, laboriosa preparação. E a esta preparação, devem consagrar-se, coordenadamente, todas as forças progressistas do país.” (Astrogildo Pereira, transcrição da entrevista citada para o Jornal “Diário da Manhã” do Recife)
Eduardo Gomes e Juarez Távora lideraram partidos políticos que defendiam o sistema capitalista “humanizado” e eram admirados pela crescente burguesia nacional que ligava a oligarquia rural ao empresariado urbano animado pelo apoio da Inglaterra ou dos Estados Unidos sem ver que aquele povo miserável do Brasil profundo era cada vez mais explorado e afastado da condição de cidadãos brasileiros.
E assim seguiu a história do Brasil subdesenvolvido cobiçado pelo imperialismo por um caminho cheio de curvas até 1964 quando foi dado um golpe sob a cobertura dos militares. A repressão ditatorial promoveu a aproximação dos progressistas que levantaram uma bandeira “democrática”. Surgiu o Movimento Democrático Brasileiro, única porta aberta à esquerda pois os comunistas e todos os que agissem como militantes de uma causa socialista foram para a clandestinidade perseguidos, torturados ou mortos. Passaram-se 21 anos cinzentos que deram origem à formação de novos caminhos para a reconquista da liberdade de expressão. Os que se consideravam “democratas” e defendiam o neoliberalismo formaram os primeiros governos. O governo de FHC aproximou-se das forças dominantes definindo a direita nacional submissa ao poder financeiro internacional.
Com a formação do PT foram aglutinadas diferentes forças de esquerda que impulsionavam movimentos sociais e sindicatos operários, contando com iniciativas de setores da população que militam independentes de organizações partidárias junto a igrejas, universidades, associações várias. Lula é eleito com um programa contra a Fome que merece a admiração internacional, e pela integração popular cidadã com o apoio de partidos de várias tendências acobertadas pelo termo genérico da “social democracia”. O governo abre caminhos contraditórios entre si, desconhecendo a luta de classes que se agrava à medida em que a injusta distribuição de rendimentos sacrifica o atendimento social às camadas mais pobres, antes marginalizadas, e favorece a acumulação do capital da elite empresarial que põe em prática o sistema de corrupção, de promoção de privilégios salariais e impunidade judicial, fortalecidos pelo controle da mídia que funciona como um quarto poder no país. Aparentemente o Brasil é fortalecido pela autonomia na exploração das suas riquezas e na redução visível da miséria que assolava um terço da sua população, o que promove a ilusão de que estava livre das crises do sistema capitalista.
A linguagem política dos liberais altera-se à medida em que crescem as reivindicações, de base democrática e de respeito por categorias antes desprezadas – mulheres e trabalhadores – de modo a distanciar-se do discurso e dos partidos revolucionários. Aparentemente desaparece a luta entre classes e emerge uma classe média que tem como objetivo identificar-se com a alta burguesia a começar pela aparência e o comportamento modelado sob o comando da mídia. A indústria lança produtos de qualidade inferior com o desenho das marcas mais caras e investe na propaganda do “consumismo” como padrão de modernização. Este novo estrato social repudia os mais pobres e a consciência do proletariado que exerce a pressão para obter as conquistas da legislação do trabalho, e adere à ideologia liberal defendida pelo patronato. A democracia reduz-se, praticamente, ao combate à fome, às medidas corajosas de um Governo enfraquecido apoiado pelo povo, ao direito universal ao voto que é condicionado pelas campanhas eleitorais sob efeito de grandes somas de dinheiro, corrupção e a condução midiática sob o olhar cauteloso dos Estados Unidos dedicado a estraçalhar os países do Oriente Médio e da África onde vai buscar o petróleo com a parceria da União Europeia.
Paralelamente a nível mundial
As instituições de ensino superior e investigação científica, criadas ou apoiadas pelo imperialismo, aprofundaram os estudos do marxismo para poder combater o método dialético utilizado pelos revolucionários, com forte propaganda política embalada em linguagem democrática com sentido contrário. Com uma perspectiva de direita estudaram o marxismo e o percurso do socialismo realizado pela URSS e demais países revolucionários para se apropriarem dos êxitos incontestáveis da ideologia de esquerda tergiversando sobre os conceitos. Deram origem a novas interpretações teóricas que serviram de estímulo ao combate aos comunistas que referem a linguagem dos revolucionários do século XIX e início do XX quando o sistema socialista foi introduzido com a formação da União Soviética e os movimentos de libertação por ela apoiados em todo o planeta. Dessa maneira a direita apropriou-se da forma dos conceitos esvaziando do conteúdo revolucionário.
A Guerra Fria alcançou a sua meta antirrevolucionária depois de 70 anos de espionagem, terrorismo, fabuloso investimento em armas, invasões de países com movimentos de libertação em todo o planeta, formação de investigadores de todo o mundo para se apropriar do “know how” de todas os povos. Mas também com a apropriação de uma cultura que substitui a consciência da realidade social pela ambição pessoal de vencer a qualquer custo como fazem os animais selvagens facilmente controlados por sons e luzes que os encantam.
Como bem observam os chineses, agora que alcançaram o estatuto de grande potência e fazem sombra aos países mais desenvolvidos do sistema capitalista, hoje os que emigraram para estudar, deixando a sua produção científica nos países ricos, despertam para o necessário combate ao imperialismo e voltam atraídos pelas suas nações de origem em luta pelo desenvolvimento e com capacidade para aplicar as qualidades do sistema socialista em sociedades mais humanas e efetivamente democráticas. Deslumbrada com o brilho ofuscante do capitalismo fica uma população embrutecida sob o controle mecanizado do método antirrevolucionário para consumir qualquer novo produto que alimente a elite dominante (de que foi expoente máximo a sessão que aprovou o impeachment contra Dilma no Congresso Federal do Brasil).
O caminho foi aberto
A evolução se dá aos saltos e sofre retrocessos pontuais como os golpes que germinam na América Latina alimentados pela pressão de grupos contrarrevolucionários que alcançaram o controle de países ricos através da centralização de poder financeiro e domínio do chamado Mercado Livre no planeta. Os nichos criados pela política de direita reacionária aproveitam-se dos erros cometidos sob a pressão das necessárias alianças partidárias e usam os potenciais traidores da sua pátria mediante corrupção financeira e promoção institucional que são os pontos vulneráveis abertos pelo liberalismo, como assinalou Luis Carlos Prestes em 1928:
“É preciso quebrar, resolutamente, as cadeias que oprimem o Brasil e impedem seu desenvolvimento ulterior, sua expansão fecunda e gloriosa.”
E Astrogildo Pereira, que divulga este pensamento de Prestes, formula o caminho de luta:
“Para resolver os problemas nacionais, a Revolução tem que ser um vasto e profundo movimento popular (…) Evidentemente, movimento dessa natureza, assim amplo e difícil, não pode ser obra de um simples momento de exaltação. Ele exige, ao contrário, longa, paciente, laboriosa preparação. E à esta preparação, devem consagrar-se, coordenadamente, todas as forças progressistas do país.”
Lula assumiu, com êxito inegável, o papel heroico de líder popular ao ser eleito em 2002 por dezenas de milhões de brasileiros que repudiaram o programa neoliberal resultante, mais uma vez no Brasil, da combinação de tendências anti-ditatoriais apoiadas pelo vizinho imperialista que se considera dono do continente americano. O processo histórico desencadeado não se ateve às curtas rédeas do sistema capitalista vigente. Criou uma dinâmica para atender a grande massa popular com o produto do trabalho e das riquezas nacionais, o que levou a elite a abandonar a vestimenta democrática que envergara para contrastar com a ditadura falida.
Além de ser urgente a reconstrução da Nação – com a sua força produtiva voltada para o aproveitamento do patrimônio em benefício de uma população de mais de duzentos milhões de habitantes e do desenvolvimento das instituições sociais e de produção científica e artística, – impõe-se a reposição dos valores abandonados pelo sistema legislativo que mostrou a sua fragilidade na defesa do equilíbrio patriótico posto em causa por um ato golpista.
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Brasil: Um século de história sob o controle imperial
25 DE AGOSTO DE 2016
A condição do Brasil é, apesar da sua riqueza incontestável e das conquistas a nível científico, artístico e técnico, de subdesenvolvimento. Permanece sujeito à exploração neocolonial como o foi na fase colonialista. E isto se deve a uma elite que circula pelo poder político subordinada ao domínio do sistema financeiro nacional e internacional. Não cabe uma análise moralista dos que intervêm na vida nacional, mas a imagem do país terá de ser ética, para ser respeitado como formador íntegro da cidadania.
Por Zillah Branco
Boas pessoas quando jovens, recusam uma dedicação patriótica que os animou quando ainda tinham sonhos de heroísmo em que entregavam a vida para defender a independência nacional e o desenvolvimento do seu povo, como se fosse expressão de fraqueza ou ingenuidade, coisas de criança. Justificam a mudança de rumo ideológico com o pretexto de que o momento é dos espertos para, depois, poderem caridosamente “ajudar os necessitados”. Despem a pesada capa de valores éticos que um dia vestiram e vendem a consciência e a alma, por atacado ou no varejo, a quem der mais. Passam, de uma “alucinação positiva para outra negativa”, referida por Flávio Aguiar (blog Boitempo).
Assim, ex-democratas que imitaram heróis de verdade, trocaram os objetivos pessoais e os princípios herdados que os obrigavam a ser íntegros, honestos, solidários, responsáveis e progressistas, pela perfídia, o desprezo autoritário, a crapulice, o prazer da traição, o gozo da maldade. Sentem-se, talvez, livres de um peso que os tornava gente comum. A meta é o poder que compra prazeres cobiçados.
É uma minoria, entre os que se agarram ao topo do muro, como se não participassem da traição visível. Esta segunda corja não se sente vendida, apenas mantêm os cargos de confiança com as regalias que as leis autorizam e esperam que a tempestade passe e que a inércia os proteja. Aceitam a acusação de “fracos”, pensando que merecem ajuda e compreensão.
Nada têm a ver com os que erraram e percebem que têm alguma responsabilidade no êxito dos traidores. “Só não erra quem não faz” e “errar é humano”, são velhos provérbios. Mas este respeito pelo direito a ter errado só vale para os que reconhecem o erro e procuram maneira de o corrigir. Perigosa é a aceitação passiva de “erros habituais”, abrindo um caminho permissivo sem volta. Quem procura justificações atirando os erros para outros, ou culpa alguém pela sua ignorância anterior, cai na situação dos fracos que se autodesculpam ou se promovem, por oportunismo.
Os que descobrem os erros e não se escondem merecem confiança, pois ajudam a revelar as falhas que aparecem com a transformação das condições sociais. E assim evolui a história, desvendando novas possibilidades de superação dos erros.
A história do Brasil é rica em heróis. Sem ultrapassar um século, vemos surgir a República destronando o monarca que, por ingenuidade popular e ignorância comandada, merecia confiança permitindo vagarosamente que fosse decretado o fim da escravidão e a expansão das ideias positivistas que abriram o caminho republicano e democrático. É verdade que a Primeira República foi dominada pelos senhores rurais e o fim da escravidão africana deveu-se também à pressão da Inglaterra. Tudo boa gente? Nem tanto.
As verdades começaram a ficar mais claras com o movimento tenentista, depois o sacrifício dos 18 do Forte de Copacabana, a seguir a Coluna Prestes que teve como dirigentes heroicos os jovens militares Luís Carlos Prestes, Miguel Costa, Siqueira Campos, mas também Eduardo Gomes e Juarez Távora e outros que seguiram depois por caminhos políticos ideologicamente contrários. Não traíram, apenas se divorciaram no desenrolar da história. Cada um dos heroicos dirigentes da Grande Marcha que desvendou a realidade vivida e sofrida, do sul ao norte do Brasil, pelo povo explorado e miserável, desenvolveu teorias diferentes para buscar corrigir os graves problemas nacionais.
“Não há solução possível para os problemas brasileiros dentro dos quadros legais vigentes. A questão não é de homens, mas de fatos, isto é, de sistema e de regime. Nenhum governo, mesmo animado das melhores intenções desse mundo, poderá, nos limites da legalidade normal, resolver os problemas nacionais em equação. A solução tem de vir de uma transformação radical em tudo, não apenas na superfície política, é preciso reorganizar o país sobre bases novas. É preciso criar novas bases econômicas e sociais de relações entre os homens que habitam e trabalham nesta grande terra. É preciso quebrar, resolutamente, as cadeias que oprimem o Brasil e impedem seu desenvolvimento ulterior, sua expansão fecunda e gloriosa.” (Luís Carlos Prestes, entrevistado no final da Grande Marcha por Astrogildo Pereira, 1928)
“Estas coisas ditas por Prestes têm uma importância fundamental. Elas mostram que a Revolução, para Prestes, não é um mero motim militar. Ela é um fenômeno social infinitamente mais complexo. Para resolver os problemas nacionais, a Revolução tem que ser um vasto e profundo movimento popular em que o elemento militar desempenhe o papel – já de si imenso – de dínamo propulsor. Evidentemente, movimento dessa natureza, assim amplo e difícil, não pode ser obra de um simples momento de exaltação. Ele exige, ao contrário, longa, paciente, laboriosa preparação. E a esta preparação, devem consagrar-se, coordenadamente, todas as forças progressistas do país.” (Astrogildo Pereira, transcrição da entrevista citada para o Jornal “Diário da Manhã” do Recife)
Eduardo Gomes e Juarez Távora lideraram partidos políticos que defendiam o sistema capitalista “humanizado” e eram admirados pela crescente burguesia nacional que ligava a oligarquia rural ao empresariado urbano animado pelo apoio da Inglaterra ou dos Estados Unidos sem ver que aquele povo miserável do Brasil profundo era cada vez mais explorado e afastado da condição de cidadãos brasileiros.
E assim seguiu a história do Brasil subdesenvolvido cobiçado pelo imperialismo por um caminho cheio de curvas até 1964 quando foi dado um golpe sob a cobertura dos militares. A repressão ditatorial promoveu a aproximação dos progressistas que levantaram uma bandeira “democrática”. Surgiu o Movimento Democrático Brasileiro, única porta aberta à esquerda pois os comunistas e todos os que agissem como militantes de uma causa socialista foram para a clandestinidade perseguidos, torturados ou mortos. Passaram-se 21 anos cinzentos que deram origem à formação de novos caminhos para a reconquista da liberdade de expressão. Os que se consideravam “democratas” e defendiam o neoliberalismo formaram os primeiros governos. O governo de FHC aproximou-se das forças dominantes definindo a direita nacional submissa ao poder financeiro internacional.
Com a formação do PT foram aglutinadas diferentes forças de esquerda que impulsionavam movimentos sociais e sindicatos operários, contando com iniciativas de setores da população que militam independentes de organizações partidárias junto a igrejas, universidades, associações várias. Lula é eleito com um programa contra a Fome que merece a admiração internacional, e pela integração popular cidadã com o apoio de partidos de várias tendências acobertadas pelo termo genérico da “social democracia”. O governo abre caminhos contraditórios entre si, desconhecendo a luta de classes que se agrava à medida em que a injusta distribuição de rendimentos sacrifica o atendimento social às camadas mais pobres, antes marginalizadas, e favorece a acumulação do capital da elite empresarial que põe em prática o sistema de corrupção, de promoção de privilégios salariais e impunidade judicial, fortalecidos pelo controle da mídia que funciona como um quarto poder no país. Aparentemente o Brasil é fortalecido pela autonomia na exploração das suas riquezas e na redução visível da miséria que assolava um terço da sua população, o que promove a ilusão de que estava livre das crises do sistema capitalista.
A linguagem política dos liberais altera-se à medida em que crescem as reivindicações, de base democrática e de respeito por categorias antes desprezadas – mulheres e trabalhadores – de modo a distanciar-se do discurso e dos partidos revolucionários. Aparentemente desaparece a luta entre classes e emerge uma classe média que tem como objetivo identificar-se com a alta burguesia a começar pela aparência e o comportamento modelado sob o comando da mídia. A indústria lança produtos de qualidade inferior com o desenho das marcas mais caras e investe na propaganda do “consumismo” como padrão de modernização. Este novo estrato social repudia os mais pobres e a consciência do proletariado que exerce a pressão para obter as conquistas da legislação do trabalho, e adere à ideologia liberal defendida pelo patronato. A democracia reduz-se, praticamente, ao combate à fome, às medidas corajosas de um Governo enfraquecido apoiado pelo povo, ao direito universal ao voto que é condicionado pelas campanhas eleitorais sob efeito de grandes somas de dinheiro, corrupção e a condução midiática sob o olhar cauteloso dos Estados Unidos dedicado a estraçalhar os países do Oriente Médio e da África onde vai buscar o petróleo com a parceria da União Europeia.
Paralelamente a nível mundial
As instituições de ensino superior e investigação científica, criadas ou apoiadas pelo imperialismo, aprofundaram os estudos do marxismo para poder combater o método dialético utilizado pelos revolucionários, com forte propaganda política embalada em linguagem democrática com sentido contrário. Com uma perspectiva de direita estudaram o marxismo e o percurso do socialismo realizado pela URSS e demais países revolucionários para se apropriarem dos êxitos incontestáveis da ideologia de esquerda tergiversando sobre os conceitos. Deram origem a novas interpretações teóricas que serviram de estímulo ao combate aos comunistas que referem a linguagem dos revolucionários do século XIX e início do XX quando o sistema socialista foi introduzido com a formação da União Soviética e os movimentos de libertação por ela apoiados em todo o planeta. Dessa maneira a direita apropriou-se da forma dos conceitos esvaziando do conteúdo revolucionário.
A Guerra Fria alcançou a sua meta antirrevolucionária depois de 70 anos de espionagem, terrorismo, fabuloso investimento em armas, invasões de países com movimentos de libertação em todo o planeta, formação de investigadores de todo o mundo para se apropriar do “know how” de todas os povos. Mas também com a apropriação de uma cultura que substitui a consciência da realidade social pela ambição pessoal de vencer a qualquer custo como fazem os animais selvagens facilmente controlados por sons e luzes que os encantam.
Como bem observam os chineses, agora que alcançaram o estatuto de grande potência e fazem sombra aos países mais desenvolvidos do sistema capitalista, hoje os que emigraram para estudar, deixando a sua produção científica nos países ricos, despertam para o necessário combate ao imperialismo e voltam atraídos pelas suas nações de origem em luta pelo desenvolvimento e com capacidade para aplicar as qualidades do sistema socialista em sociedades mais humanas e efetivamente democráticas. Deslumbrada com o brilho ofuscante do capitalismo fica uma população embrutecida sob o controle mecanizado do método antirrevolucionário para consumir qualquer novo produto que alimente a elite dominante (de que foi expoente máximo a sessão que aprovou o impeachment contra Dilma no Congresso Federal do Brasil).
O caminho foi aberto
A evolução se dá aos saltos e sofre retrocessos pontuais como os golpes que germinam na América Latina alimentados pela pressão de grupos contrarrevolucionários que alcançaram o controle de países ricos através da centralização de poder financeiro e domínio do chamado Mercado Livre no planeta. Os nichos criados pela política de direita reacionária aproveitam-se dos erros cometidos sob a pressão das necessárias alianças partidárias e usam os potenciais traidores da sua pátria mediante corrupção financeira e promoção institucional que são os pontos vulneráveis abertos pelo liberalismo, como assinalou Luis Carlos Prestes em 1928:
“É preciso quebrar, resolutamente, as cadeias que oprimem o Brasil e impedem seu desenvolvimento ulterior, sua expansão fecunda e gloriosa.”
E Astrogildo Pereira, que divulga este pensamento de Prestes, formula o caminho de luta:
“Para resolver os problemas nacionais, a Revolução tem que ser um vasto e profundo movimento popular (…) Evidentemente, movimento dessa natureza, assim amplo e difícil, não pode ser obra de um simples momento de exaltação. Ele exige, ao contrário, longa, paciente, laboriosa preparação. E à esta preparação, devem consagrar-se, coordenadamente, todas as forças progressistas do país.”
Lula assumiu, com êxito inegável, o papel heroico de líder popular ao ser eleito em 2002 por dezenas de milhões de brasileiros que repudiaram o programa neoliberal resultante, mais uma vez no Brasil, da combinação de tendências anti-ditatoriais apoiadas pelo vizinho imperialista que se considera dono do continente americano. O processo histórico desencadeado não se ateve às curtas rédeas do sistema capitalista vigente. Criou uma dinâmica para atender a grande massa popular com o produto do trabalho e das riquezas nacionais, o que levou a elite a abandonar a vestimenta democrática que envergara para contrastar com a ditadura falida.
Além de ser urgente a reconstrução da Nação – com a sua força produtiva voltada para o aproveitamento do patrimônio em benefício de uma população de mais de duzentos milhões de habitantes e do desenvolvimento das instituições sociais e de produção científica e artística, – impõe-se a reposição dos valores abandonados pelo sistema legislativo que mostrou a sua fragilidade na defesa do equilíbrio patriótico posto em causa por um ato golpista.
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sábado, 13 de agosto de 2016
Portugal vive dias de horror sob o fogo que invade casas, cultivos, oficinas artesanais, empresas industriais. Todos os concelhos, mas principalmente as regiões de centro e norte e a capital da Ilha da Madeira, a cidade do Funchal, estão com focos de fogo ativo. Os bombeiros já somam quatro mil e são poucos diante da magnitude da tragédia que aumenta e abre novos caminhos conduzida pelos fortes ventos e intenso calor do verão.
A polícia tem descoberto alguns responsáveis por "fogo posto". São pirômanos, alguns reincidentes, que revelam problemas psicológicos, comuns na nossa época de promoção de terrorismos, em que os grandes responsáveis pela administração pública escondem a sua responsabilidade social atrás de carências pessoais que não receberam o apoio médico ou educacional devidos. É fácil provocar o ódio entre os desesperados, apontando um que será o alvo da condenação. O ladrão esperto é o primeiro a gritar para pessoas distraidas: "pega o ladrão!" apontando um rumo imaginário por onde a multidão corre como gado, animada por suas tendências psicológicas de vingança.
Comparo este incêndio devastador em Portugal, pressionado permanentemente pela União Europeia para cortar as verbas orçamentárias e enriquecer os bancos onde o capital é acumulado nas mão de uma elite financeira, com a situação sofrida no Brasil, com o detonar do golpe por grandes corruptos "contra a corrupção sistêmica" atribuida políticamente à Presidente Dilma que tentava equilibrar um governo formado por forças antagônicas, algumas democráticas e outras oportunistas e corruptas.
Quem sofre e morre é o povo - os mais pobres, os que labutaram toda a vida e sobrevivem mal, os que conseguiram com muito trabalho e poupança construir uma casa e uma mini-empresa, os que são solidários e lutam contra a opressão, os bombeiros e militantes de esquerda que dão a vida por uma sociedade melhor e mais humanizada. Os grandes (ir)responsáveis pela organização das condições sociais e econômicas - os que acumulam o capital em benefício do seu próprio poder; as grandes empresas multinacionais que inventam mecanismos para que a poluição gerada por seus produtos não seja descoberta pelos fiscais do Estado; a mídia que divulga falsidades em defesa das elites e oculta a realidade que o povo enfrenta; os que gerem o mercado mundial controlando a riqueza de uns e a miséria da maioria; o poder imperial que invade países fragilizados para dominar as suas riquezas naturais; os políticos oportunistas e covardes que se oferecem para executar golpes ou "matar terroristas" em defesa dos interesses dos imperiais; enfim, os que têm o poder para organizar as sociedades mais humanizadas mas, ao contrário, destroem a capacidade popular de produzir para todos e acumulam o ouro como grandes ladrões assassinos.
Com a austeridade exigida pelos banqueiros da UE e FMI o povo português - que fez uma Revolução dos Cravos livrando-se de uma ditadura que esmagava países colonizados e a sua própria população empobrecida, elevou a produção, criou empregos, atraiu os que haviam emigrado para sobreviverem, desenvolveu a saúde e o ensino públicos - foi traído por políticos que se diziam democratas (o filme "Fora Temer"?) mas na verdade eram submissos aos gananciosos do ouro, contrários à humanização da sociedade. O país viu-se diante do desemprego, os jovens emigraram deixando suas casas e seus idosos tomando conta de animais e cultivos; viu a produção nacional passar para mãos estrangeiras; os eucaliptos substituiram os carvalhos tradicionais e os pastos de grandes rebanhos de antes, por ser mais fácil vender para as grandes indústrias de papel de paises mais ricos; as aldeias históricas foram transformadas em atração para turistas e, assim, a vida rural portuguesa passou a ser cenário da indústria multinacional do turismo que é predadora e incapaz de manter a limpeza dos campos que no verão secam.
O fogo queima o restolho, as ervas, as árvores, a produção agrícola, os animais doméstico e o gado, mata os idosos sem forças para manter a pequena produção, e anima os doentes mentais que anseiam por atividades que reunam o povo como em festas.
Os bombeiros dão a vida, acompanhados pelos administradores dos serviços locais que não receberam o apoio financeiro para prevenir os incêndios, e os populares que tentam salvar pessoas e propriedades ou cultivos. Mas o vento empurra o fogo para todos os lados, como os donos do império capitalista fazem com os equipamentos militares que despejam bombas sobre populações indefesas.
Ao mesmo tempo milhares de fugitivos das guerras no Oriente Médio e Norte da África morrem afogados no mar Mediterrâneo ou no percurso a pé pelas fronteiras europeias em busca de ajuda pelos governos que mandaram a OTAN destruir os seus países.
O mundo hoje enfrenta um terrivel impasse:
Acumulação do ouro ou uma sociedade humanizada.
QOs povos sabem que para terem casas precisam construí-las e para comerem precisam cultivar e criar. Organizam-se com os vizinhos, ensinam as crianças a manterem o arranjo doméstico e a limpeza. Os que administram os serviços públicos zelam pelo abastecimento, pela segurança, pelo transporte, pelos cuidados de saúde e educação. O dinheiro penas serve para facilitar os cálculos do valor das coisas - produtos e trabalhos. É secundário diante da vontade e da inteligência humana.
O que será preciso acumular é a vontade de ajudar, a solidariedade, as boas idéias para resolver problemas e encaminhar soluções melhores. Só um povo autonomo e patriota, de um país independente e soberano, poderá vencer e criar a Justiça para assegurar um futuro humanizado.
Zillah Branco
Ódio e moralismo desviam o conhecimento dos erros
Portugal vive dias de horror sob o fogo que invade casas, cultivos, oficinas artesanais, empresas industriais. Todos os concelhos, mas principalmente as regiões de centro e norte e a capital da Ilha da Madeira, a cidade do Funchal, estão com focos de fogo ativo. Os bombeiros já somam quatro mil e são poucos diante da magnitude da tragédia que aumenta e abre novos caminhos conduzida pelos fortes ventos e intenso calor do verão.
A polícia tem descoberto alguns responsáveis por "fogo posto". São pirômanos, alguns reincidentes, que revelam problemas psicológicos, comuns na nossa época de promoção de terrorismos, em que os grandes responsáveis pela administração pública escondem a sua responsabilidade social atrás de carências pessoais que não receberam o apoio médico ou educacional devidos. É fácil provocar o ódio entre os desesperados, apontando um que será o alvo da condenação. O ladrão esperto é o primeiro a gritar para pessoas distraidas: "pega o ladrão!" apontando um rumo imaginário por onde a multidão corre como gado, animada por suas tendências psicológicas de vingança.
Comparo este incêndio devastador em Portugal, pressionado permanentemente pela União Europeia para cortar as verbas orçamentárias e enriquecer os bancos onde o capital é acumulado nas mão de uma elite financeira, com a situação sofrida no Brasil, com o detonar do golpe por grandes corruptos "contra a corrupção sistêmica" atribuida políticamente à Presidente Dilma que tentava equilibrar um governo formado por forças antagônicas, algumas democráticas e outras oportunistas e corruptas.
Quem sofre e morre é o povo - os mais pobres, os que labutaram toda a vida e sobrevivem mal, os que conseguiram com muito trabalho e poupança construir uma casa e uma mini-empresa, os que são solidários e lutam contra a opressão, os bombeiros e militantes de esquerda que dão a vida por uma sociedade melhor e mais humanizada. Os grandes (ir)responsáveis pela organização das condições sociais e econômicas - os que acumulam o capital em benefício do seu próprio poder; as grandes empresas multinacionais que inventam mecanismos para que a poluição gerada por seus produtos não seja descoberta pelos fiscais do Estado; a mídia que divulga falsidades em defesa das elites e oculta a realidade que o povo enfrenta; os que gerem o mercado mundial controlando a riqueza de uns e a miséria da maioria; o poder imperial que invade países fragilizados para dominar as suas riquezas naturais; os políticos oportunistas e covardes que se oferecem para executar golpes ou "matar terroristas" em defesa dos interesses dos imperiais; enfim, os que têm o poder para organizar as sociedades mais humanizadas mas, ao contrário, destroem a capacidade popular de produzir para todos e acumulam o ouro como grandes ladrões assassinos.
Com a austeridade exigida pelos banqueiros da UE e FMI o povo português - que fez uma Revolução dos Cravos livrando-se de uma ditadura que esmagava países colonizados e a sua própria população empobrecida, elevou a produção, criou empregos, atraiu os que haviam emigrado para sobreviverem, desenvolveu a saúde e o ensino públicos - foi traído por políticos que se diziam democratas (o filme "Fora Temer"?) mas na verdade eram submissos aos gananciosos do ouro, contrários à humanização da sociedade. O país viu-se diante do desemprego, os jovens emigraram deixando suas casas e seus idosos tomando conta de animais e cultivos; viu a produção nacional passar para mãos estrangeiras; os eucaliptos substituiram os carvalhos tradicionais e os pastos de grandes rebanhos de antes, por ser mais fácil vender para as grandes indústrias de papel de paises mais ricos; as aldeias históricas foram transformadas em atração para turistas e, assim, a vida rural portuguesa passou a ser cenário da indústria multinacional do turismo que é predadora e incapaz de manter a limpeza dos campos que no verão secam.
O fogo queima o restolho, as ervas, as árvores, a produção agrícola, os animais doméstico e o gado, mata os idosos sem forças para manter a pequena produção, e anima os doentes mentais que anseiam por atividades que reunam o povo como em festas.
Os bombeiros dão a vida, acompanhados pelos administradores dos serviços locais que não receberam o apoio financeiro para prevenir os incêndios, e os populares que tentam salvar pessoas e propriedades ou cultivos. Mas o vento empurra o fogo para todos os lados, como os donos do império capitalista fazem com os equipamentos militares que despejam bombas sobre populações indefesas.
Ao mesmo tempo milhares de fugitivos das guerras no Oriente Médio e Norte da África morrem afogados no mar Mediterrâneo ou no percurso a pé pelas fronteiras europeias em busca de ajuda pelos governos que mandaram a OTAN destruir os seus países.
O mundo hoje enfrenta um terrivel impasse: UAcumulação do ouro ou uma sociedade humanizada.
Os povos sabem que para terem casas precisam construí-las e para comerem precisam cultivar e criar. Organizam-se com os vizinhos, ensinam as crianças a manterem o arranjo doméstico e a limpeza. Os que administram os serviços públicos zelam pelo abastecimento, pela segurança, pelo transporte, pelos cuidados de saúde e educação. O dinheiro penas serve para facilitar os cálculos do valor das coisas - produtos e trabalhos. É secundário diante da vontade e da inteligência humana.
O que será preciso acumular é a vontade de ajudar, a solidariedade, as boas idéias para resolver problemas e encaminhar soluções melhores. Só um povo autonomo e patriota, de um país independente e soberano, poderá vencer e criar a Justiça para assegurar um futuro humanizado.
Zillah Branco
A polícia tem descoberto alguns responsáveis por "fogo posto". São pirômanos, alguns reincidentes, que revelam problemas psicológicos, comuns na nossa época de promoção de terrorismos, em que os grandes responsáveis pela administração pública escondem a sua responsabilidade social atrás de carências pessoais que não receberam o apoio médico ou educacional devidos. É fácil provocar o ódio entre os desesperados, apontando um que será o alvo da condenação. O ladrão esperto é o primeiro a gritar para pessoas distraidas: "pega o ladrão!" apontando um rumo imaginário por onde a multidão corre como gado, animada por suas tendências psicológicas de vingança.
Comparo este incêndio devastador em Portugal, pressionado permanentemente pela União Europeia para cortar as verbas orçamentárias e enriquecer os bancos onde o capital é acumulado nas mão de uma elite financeira, com a situação sofrida no Brasil, com o detonar do golpe por grandes corruptos "contra a corrupção sistêmica" atribuida políticamente à Presidente Dilma que tentava equilibrar um governo formado por forças antagônicas, algumas democráticas e outras oportunistas e corruptas.
Quem sofre e morre é o povo - os mais pobres, os que labutaram toda a vida e sobrevivem mal, os que conseguiram com muito trabalho e poupança construir uma casa e uma mini-empresa, os que são solidários e lutam contra a opressão, os bombeiros e militantes de esquerda que dão a vida por uma sociedade melhor e mais humanizada. Os grandes (ir)responsáveis pela organização das condições sociais e econômicas - os que acumulam o capital em benefício do seu próprio poder; as grandes empresas multinacionais que inventam mecanismos para que a poluição gerada por seus produtos não seja descoberta pelos fiscais do Estado; a mídia que divulga falsidades em defesa das elites e oculta a realidade que o povo enfrenta; os que gerem o mercado mundial controlando a riqueza de uns e a miséria da maioria; o poder imperial que invade países fragilizados para dominar as suas riquezas naturais; os políticos oportunistas e covardes que se oferecem para executar golpes ou "matar terroristas" em defesa dos interesses dos imperiais; enfim, os que têm o poder para organizar as sociedades mais humanizadas mas, ao contrário, destroem a capacidade popular de produzir para todos e acumulam o ouro como grandes ladrões assassinos.
Com a austeridade exigida pelos banqueiros da UE e FMI o povo português - que fez uma Revolução dos Cravos livrando-se de uma ditadura que esmagava países colonizados e a sua própria população empobrecida, elevou a produção, criou empregos, atraiu os que haviam emigrado para sobreviverem, desenvolveu a saúde e o ensino públicos - foi traído por políticos que se diziam democratas (o filme "Fora Temer"?) mas na verdade eram submissos aos gananciosos do ouro, contrários à humanização da sociedade. O país viu-se diante do desemprego, os jovens emigraram deixando suas casas e seus idosos tomando conta de animais e cultivos; viu a produção nacional passar para mãos estrangeiras; os eucaliptos substituiram os carvalhos tradicionais e os pastos de grandes rebanhos de antes, por ser mais fácil vender para as grandes indústrias de papel de paises mais ricos; as aldeias históricas foram transformadas em atração para turistas e, assim, a vida rural portuguesa passou a ser cenário da indústria multinacional do turismo que é predadora e incapaz de manter a limpeza dos campos que no verão secam.
O fogo queima o restolho, as ervas, as árvores, a produção agrícola, os animais doméstico e o gado, mata os idosos sem forças para manter a pequena produção, e anima os doentes mentais que anseiam por atividades que reunam o povo como em festas.
Os bombeiros dão a vida, acompanhados pelos administradores dos serviços locais que não receberam o apoio financeiro para prevenir os incêndios, e os populares que tentam salvar pessoas e propriedades ou cultivos. Mas o vento empurra o fogo para todos os lados, como os donos do império capitalista fazem com os equipamentos militares que despejam bombas sobre populações indefesas.
Ao mesmo tempo milhares de fugitivos das guerras no Oriente Médio e Norte da África morrem afogados no mar Mediterrâneo ou no percurso a pé pelas fronteiras europeias em busca de ajuda pelos governos que mandaram a OTAN destruir os seus países.
O mundo hoje enfrenta um terrivel impasse: UAcumulação do ouro ou uma sociedade humanizada.
Os povos sabem que para terem casas precisam construí-las e para comerem precisam cultivar e criar. Organizam-se com os vizinhos, ensinam as crianças a manterem o arranjo doméstico e a limpeza. Os que administram os serviços públicos zelam pelo abastecimento, pela segurança, pelo transporte, pelos cuidados de saúde e educação. O dinheiro penas serve para facilitar os cálculos do valor das coisas - produtos e trabalhos. É secundário diante da vontade e da inteligência humana.
O que será preciso acumular é a vontade de ajudar, a solidariedade, as boas idéias para resolver problemas e encaminhar soluções melhores. Só um povo autonomo e patriota, de um país independente e soberano, poderá vencer e criar a Justiça para assegurar um futuro humanizado.
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