Escrevo, comento, opino, analiso em busca de uma linguagem mais simples e direta, mais compreensível. Assumo as minhas idéias e gosto de discuti-las. Aceito as diferenças e recuso os preconceitos e o autoritarismo. Respeito a vida, a natureza, a humanidade, as culturas e as filosofias coerentes com a paz.
domingo, 11 de março de 2018
A falência humana do sistema capitalista
O sistema capitalista entrou em colapso com a perda dos princípios éticos e humanistas que caracterizam a humanidade. Criou uma selva sem natureza, de cimento e aço, que não serve aos seres naturais que habitam o planeta. Aos poucos extende o seu poder destruidor sobre as nações que pretenderam ser soberanas.
A Justiça foi banida deixando em seu lugar sistemas repetidores de leis que perseguem e obrigam os cidadãos a agirem como automatos sem alma; o ensino cortou o diálogo para adaptar os alunos à uma fôrma que servirá à produção prèviamente escolhida pela elite poderosa; o sistema de saúde aplica tratamentos e medicamentos produzidos por laboratórios especializados em armas químicas e substitui o médico por instrumentos eletrônicos; a previdência social torna-se uma dependência do sistema financeiro; as cidades amontoam as famílias em poleiros ou gavetas; os trabalhadores são escravizados e empobrecidos para melhor serem explorados; a solidariedade humana é substituida pela caridade dos que têm mais poder; o transporte é feito em maior velocidade; as músicas são ensurdecedoras; o idioma reduz-se para ceder lugar aos termos técnicos em inglês; os servidores públicos são treinados como robôs para que não pensem nem entendam o que os usuários dizem; os líderes do sistema são autistas imbecilizados para servirem aos desígnios do poder financeiro e militar supremo; as eleições "democráticas" não podem ser realizadas com o candidado escolhido pelo povo.
O Brasil é um rico país miserabilizado. Como ele tantos outros que permanecem neo-colonizados. Os que defendem a sua soberania são atacados por emissários terroristas financiados pela elite dominante do sistema capitalista. Fecha-se o cerco.
A lógica adoptada pelo sistema capitalista exclui qualquer consideração ética e humanista, impondo como realidade apenas a condição financeira para resolver problemas pessoais ou sociais. Isto vemos até nas nações mais desenvolvidas, na Europa, que supomos serem independentes. Esta lógica define as condições da independência para as nações e, dentro delas, nos sectores controlados pelo Estado. São independentes para cumprirem as exigências que o sistema capitalista a todos os níveis. A realidade criada pela dinâmica histórica da vida de um povo foi descartada pelos que aplicam as "ordens" do jogo capitalista.
A lógica dominante no sistema capitalista indica o desempenho exigido.
No artigo (1) Jorge Seabra analisa o sistema de avaliação profissional que vem sendo aplicado na Europa e, portanto, aos países membros da UE que submissamente aderem. Diz ele: "Os trabalhadores não se revoltam por serem avaliados. Revoltam-se contra critérios que servem apenas de pretexto para excluir os menos bem aceites pelas chefias. O actual «sistema avaliador», perverso e empapado de ideologia neoliberal, serve para tudo – menos para avaliar."
"É difícil precisar a data em que a sociedade portuguesa foi atingida pelo novo paradigma «da avaliação do desempenho», que se infiltrou por todos os poros, por todas as frinchas da actividade laboral, extravasando os proletários do campo e da ferrugem, atingindo trabalhadores de escolas, hospitais e centros de Saúde infectando investigadores de humanidades ou de ciências exactas, artistas, empregados dos shopping’s, de agências imobiliárias ou de viagens, vendedores de automóveis ou de latas de conserva. O inimaginável acontece: treinar «avaliadores» como psicopatas".
"Abordando o tema na sua vertente clínica, Christophe Dejours (2), que analisou maus-tratos graves passados na Renault e na France Telecom, numa entrevista dada ao Público de 1/2/20101 (em plena «crise» financeira que acentuou a desregulação do trabalho em Portugal), falou do sofrimento da avaliação, do assédio, do suicídio nas empresas:
«A avaliação individual é uma técnica extremamente poderosa que modificou totalmente o mundo do trabalho porque pôs em concorrência os serviços, as empresas, as sucursais – e também os indivíduos. E se estiver associada a prémios ou promoções, quer a ameaças em relação à manutenção do emprego, isso gera o medo. E como as pessoas estão agora a competir entre elas, o êxito dos colegas constitui uma ameaça, o que altera completamente as relações de trabalho: O que quero é que os outros não consigam fazer bem o seu trabalho!...».
"Quanto ao perfil dos que são alvo preferencial da agressão das chefias, Christophe Dejours, precisa:
«São justamente pessoas que acreditam no seu trabalho, que estão envolvidas e que quando começam a ser censuradas de forma injusta, são muito vulneráveis. Por outro lado, são pessoas muito honestas e algo ingénuas. Portanto, quando lhes pedem coisas que vão contra as regras da profissão, contra a lei e os regulamentos, contra o código do trabalho, recusam a fazê-lo…».
«A ausência de um debate sério sobre o conteúdo e a imposição de «avaliações» irracionais (...) tem mostrado o seu carácter instrumental ao serviço de objectivos alheios à justa valorização do trabalhador e à sua progressão e aperfeiçoamento profissionais.»
Segundo Dejours há técnicas organizadas com o apoio de psicólogos para ensinar chefias e responsáveis de recursos humanos a fazerem o assédio. E cita um exemplo:
«No início de um estágio de formação em França, cada um dos quinze participantes, todos eles quadros superiores, recebeu um gatinho. O estágio durou uma semana e cada participante tinha de tomar conta do seu gatinho. No fim, o director do estágio deu a todos a ordem… de matar o seu gato». Catorze mataram o gatinho e a única participante que se recusou, adoeceu e foi tratada por Christophe Dejours que, assim, ficou a conhecer o caso. «O estágio era para ser impiedoso, uma aprendizagem de assédio», explica o psiquiatra."
A lógica apresentada na formação profissional, economicista e desumana, é a que se exige aos trabalhadores com contratos precários. Isto verificamos hoje em muitos sectores das instituições do Estado, incluive às da área de atendimento social, onde é maior o número de trabalhadores precários. O objectivo de tornar o trabalhador "impiedoso" é fundamental para anular a sensibilidade humana e, portanto, de pensar sobre os efeitos negativos que vão produzir sobre o "outro" (seja o colega ou o utente do serviço onde trabalha).
Isto explica a quantidade de trabalhadores burocratas que são insensíveis às alegações dos utentes aos quais são impostas condições inaceitáveis. Os exemplos são muitos: hospitais efectuam cobranças sem fundamento legal, dão indicações imprecisas do lugar onde o utente deverá aguardar uma consulta, indicação de outro estabelecimento para obter exames prévios; serviços de finanças que não explicam quais os direitos do utente ou dão orientações orais que mais tarde serão negadas, fazem ameaças de expoliação dos bens pessoais para pagar uma multa que o utente não tem como pagar; serviços de segurança social que não apresenta as informações sobre o tempo de trabalho cumprido pelo utente ou elimina dados referentes a países conveniados, transfere um utente desempregado que tem alta por doença para o fundo referente ao do seu (inexistente) trabalho que ao ser esgotado fica suspensa o seu pagamento, e assim por diante...para não falar nos que atendem por telefone (call center) transmitindo as imposições limitativas aos benefícios que o utente necessita. O filme inglês "Eu, Daniel Blake" mostra claramente esta situação na Inglaterra, que hoje se expande por todos os países que se associam à UE ou que adotam o seu modelo neo-liberal.
São conhecidos os relatos médicos sobre trabalhadores que depois de praticarem as imposições patronais para não perderem o emprego, entram em depressão por contrariarem a sua própria ética e solidariedade humana, e muitos se suicidam desesperados.
Um cidadão que se solidariza com os trabalhadores na luta pelo direito ao trabalho fica em dúvida se deve ou não denunciar as suas falhas que dificultam o atendimento aos utentes. Mas, sabe que o trabalhador que cumpre uma determinação criminosa (matar o gatinho ou impedir um socorro) deverá adquirir consciência da sua carência ética como respeito à sua função social. O combate ao oportunismo impõe-se.
O governo de Portugal informa que as vítimas de incêndios nos campos, que foram imensos em 2017, só receberão apoio financeiro para reconstruir a sua habitação se mudarem para perto de povoações densas onde existirá protecção civil por bombeiros. A medida é a da capacidade financeira de agir e a incapacidade de obrigar os proprietários das florestas de as protegerem. Ou seja, reconhecem que o governo é incapaz de gerir a produção florestal e programar a defesa da agricultura e pecuária necessárias à alimentação nacional. É a perspectiva capitalista de colocar os cidadão apertados nas cidades e entregar a produção rural às grandes empresas privadas. Aos poucos esvaziam as funções de gestão social e deixam os cidadão entregues à responsabilidade de empresários. A democracia foi desfeita assim como as forças produtivas que ficam fora do âmbito governamental. Só sabem organizar empresas, a lógica não abrange questões humanas. Por isso apostam na substituição de "gente" por robôs.
Zillah Branco
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Notas:
(1) "Revisitação à perversidade da «avaliação de desempenho»", (https://www.abrilabril.pt/sites/default/files/styles/node_aberto_vp768/public/assets/img/tim_1.jpg?itok=ql4h7sUP)
(2) Psiquiatra, psicanalista e director do Laboratório de Psicologia do Trabalho e da Acção do Conservatoire National des Arts et Métiers, de Paris
terça-feira, 27 de fevereiro de 2018
Os donos do poder constroem a depressão
Os laboratórios farmacêuticos transnacionais empurram a medicina moderna para desenvolver conceitos que classificam as doenças mais frequentes na sociedade moderna desviando a atenção da construção política de um imenso vírus, pelos donos do poder mundial, para liquidar a humanidade e a natureza no planeta. O problema não está apenas no âmbito da medicina, a qual é usada como um dos meios de comunicação social, está em todos os que detêm alguma forma de poder e se tornam coniventes com a missão destruidora negando-se a fazer a denúncia das origens dos males e a buscar o antídoto. Trata-se de uma questão de consciência da realidade e do compromisso ético de combater a catástrofe.
Os casos mais graves de terrorismo político, hoje ocupando a chefia dos Estados Unidos, através de Trump (que, diante das trajédias escolares que aumentam, recomenda que os professores saibam usar armas e ensinar aos alunos) e de Israel, por Netanyahu (que persegue os palestinianos e ameaça outros povos árabes, impedidos de viver em paz), não recebem o tratamento psiquiátrico necessário e dirigem poderosas máquinas militares e financeiras em nome dos seus povos a caminho do desastre planetário com as ameaças de guerra atômica. Os seus respectivos povos tornam-se coniventes com os crimes na medida em que não os substituem no governo nacional. Também a ONU, ao se manter calada a espera de "apoios legais" diante do risco imposto à humanidade, vê-se impotente e conivente com a ameaça de terrorismo planetário que paira sobre todos.
Com a imagem das invasões externas trazidas pela mídia internacional, do terrorismo mercenário, da mortandade de civis, de crianças órfãs sujeitas ao tráfico de escravos, de jovens estupradas, de legiões de famélicos expulsos de suas terras, da rejeição dos países ricos aos imigrantes de diferentes etnias, das prisões superlotadas por quem roubou para alimentar a família, das mães com bebês ao colo ou grávidas atiradas em cárceres imundos, das crianças que crescem nas ruas tendo por heróis os bandidos espertos e cruéis, e os abusos de poder contra os mais fracos, ou a despudorada corrupção que compra políticos venais e os elege forjando uma aparente democracia, qualquer pessoa que tenha um dia conhecido a esperança de viver em paz está sujeito a entrar em depressão. Mas há níveis de depressão a combater antes de se tornar uma doença: a decepção, a tristeza, a frustração, a raiva, a impotência, o desânimo, a alienação. Alguns recorrem às utopias, aguardam "milagres", outros confiam nas reformulações das leis deixando a responsabilidade dos sofrimentos alheios a prováveis erros processuais cometidos por outros. Sendo verdadeiramente honesto consigo mesmo e com a humanidade, ainda estará em tempo de redefinir a sua capacidade de sentir e fazer e encontrar o caminho do trabalho e da luta.
O jornal espanhol, "El país", divulgou as palavras do secretário-geral da ONU, António Guterres, recolhidas na cerimônia em que a Universidade de Lisboa fez a entrega do título de "doutor honoris causa" ao ex-Primeiro Ministro de Portugal que hoje ocupa o cargo de Secretário Geral da ONU.
António Guterrez "defendeu a criação de regras globais para minimizar o impacto da ciberguerra sobre os civis."
“Já existem episódios de guerra cibernética entre Estados. E o pior é que não há um esquema de regulamentação para esse tipo de guerra, não está claro se aí se aplica a Convenção de Genebra ou se o Direito Internacional pode ser aplicado nesses casos”, reconheceu o principal dirigente da ONU mostrando-se preocupado com os novos desafios do mundo, como a mudança climática e a revolução tecnológica. E também com os novos sistemas de fazer guerras no mundo.
“Ao contrário das grandes batalhas do passado, que se iniciaram com um bombardeio de artilharia ou aéreo, a próxima guerra começará com um ciberataque maciço para destruir a capacidade militar, sobretudo do comando, do controle e da comunicação, com a finalidade de paralisar as tropas e a infraestrutura básica, como as redes elétricas”, disse, “para evitar riscos reais”. “Estamos totalmente desprotegidos de mecanismos regulatórios que garantam que esse novo tipo de guerra obedeça àquele progressivo desdobramento de leis de guerra, que garanta um caráter mais humano naquilo que é sempre uma tragédia de proporções extraordinariamente dramáticas”, afirmou.
Guterres ofereceu a ONU como mediadora de Governos e empresas, cientistas e universidades para estabelecer protocolos de modo que o uso da web seja feito com benefícios para a humanidade. “Nós todos temos de nos unir, não só os Estados, para garantir que a Internet seja um bem para a humanidade. As normas tradicionais, por intermédio de Estados ou convenções internacionais, não estão hoje adaptadas à nova realidade porque são lentas.”
Tais pronunciamentos, feitos por uma personalidade que está na cúpula visível do poder político mundial, define um quadro depressivo grave que não se resolve com medicamentos tranquilizadores. Tem o mérito de associar Guterres ao comum dos mortais que, por consciência política já há anos vem denunciando, na luta pelos direitos humanos e sociais sustentada pela esquerda internacional militante, a ação destruidora erguida meticulosamente pelo domínio imperialista contra os povos e a humanidade em geral.
Mas, é preciso aguardar que a lucidez do alto dignitário da ONU seja somada à coragem de reconhecer que os que lutam por uma sociedade realmente justa o antecederam na descoberta do lado certo do combate, à esquerda. E foram duramente perseguidos e desprezados por defenderem a classe trabalhadora e condenarem a elite exploradora que ocupa o poder onde ele se situa. Esta é a função dos que ocupam um poder nacional ou internacional.
Esta mudança na percepção da raiz dos crimes na organização do poder em cada Estado e no Mundo, que o sistema capitalista define pelo controle das finanças e propriedades econômicas, decorre da crise sistêmica que se tornou avassaladora nos últimos anos, com a sucessão de invasões militares com o falso pretexto da "defesa dos princípios democráticos" ou de "pacificação de grupos religiosos ou etnias" que se confrontam em um território em que convivem forçados historicamente por pressões colonialistas seculares.
A mídia só recentemente passou a dar alguma divulgação às comprovadas formas de apoio, por Governos de nações ricas, aos grupos terroristas que agem na promoção de conflitos internos nos países cobiçados, destacando-se a criação, treinamento e armamento do grupo criminoso intitulado Estado Islâmico (nome visivelmente criado com a intenção de condenar os adeptos do islamismo). Durante anos a mídia ocultou a raiz da propaganda imperialista contra nações do Oriente Médio e norte da África que foram invadidas por forças da NATO, que era a existência de riquezas minerais como o petróleo e outras, ou no caso de antigas repúblicas soviéticas onde o interesse maior é o domínio de áreas geopolíticas. Curiosamente foram divulgadas informações políticas e militares a partir de jovens agentes da CIA que, tal como Guterres, despertaram para a compreensão do perigo planetário que representa o poder imperial, mas que agiram corajosamente e com perda da liberdade pessoal, utilizando a internet para se sobreporem ao bloqueio midiático e informarem a humanidade sobre a perversidade da polícia do Mundo.
São mudanças pontuais, de profundo valor ético e político, que comprovam a existência das leis dialéticas e, exigem cada vez maior esclarecimento científico para a formação de uma consciência da realidade social que condiciona a vida no planeta. Este caminho encontrou um grande impulso nas transformações processadas no Vaticano que hoje encontrou no Papa Francisco um elemento capaz de corroborar com o valor da Teologia da Libertação que germinara anteriormente na Igreja Católica mas encontrava fortes obstáculos internos à sua difusão.
Que cada um, ao assumir uma consciência da realidade em que vivemos (e em que muitos milhões de inocentes estão morrendo), desenvolva com coragem e objetividade as suas capacidades de defesa da sociedade humana, seja animado por crenças religiosas, solidariedade fraterna ou convicções científicas.
A maioria das formas de depressão (sentidas como frustração) não precisam ser dopadas como processo de cura alienante, não são uma doença para quem pode agir e ainda tem força para pensar com respeito no ser humano e no benefício da fraternidade em sua defesa. Muitas formas de aparente "depressão" podem ser superadas com a participação em movimentos sociais que agem contra as raízes dos problemas políticos e sociais que hoje vivemos, deixando de lado as "leis engessadas" e os "medos" que, pela sua imobilidade, impedem acções dinâmicas que correspondem ao momento histórico do processo de vida.
Zillah Branco
quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018
Utopias tecnológicas do capitalismo
A situação mundial parece ter chegado a um nível caótico de organização das Nações, do poder financeiro e militar, de destruição da natureza, de controle do crime organizado, de conflitos étnicos ou religiosos, de sobrevivência para os que foram sendo empurrados para as margens das sociedades onde nunca existiu um Estado Social.
Vemos na mídia surgirem matérias sobre o futuro da humanidade na dependência das tecnologias, espacial, cibernética, etc. Sempre na dependência de uma elite poderosa que manipula a história dos povos.
Regendo a ciência e a técnica, as elites financeiras transnacionais almejam um Novo Mundo a partir dos robôs que substituirão a "classe trabalhadora" no futuro (sem sindicatos, sem reivindicações, sem famílias, sem doenças, sem habitações, sem escolas, sem salários). A quem interessa este panorama? Aos grandes empresários e à elite financeira investidora.
E o que fazer dos atuais humanos que oscilam entre a classe média baixa, o operariado e o lumpem desempregado e esfomeado? Juntá-los aos milhões que emigraram dos seus países e hoje enfrentam o repúdio de chefes de Estado (também eles descendentes dos antigos emigrantes da Europa ou do Oriente Médio em séculos passados) para povoarem outras paragens. Multiplicam-se as utopias de cientistas "salvadores da humanidade" ou, talvez, da elite que restar com espaço para as suas farras, sem pobres à vista, com lindos robôzinhos trabalhando calados e sem descanso. Talvez assim consigam evitar a crise final do sistema capitalista (pensam os mandantes).
Tais ideias estimulam a mídia na sua função seguidista de informação e formação social ao serviço dos defensores do sistema capitalista "sem povo" que tentam arrumar as sociedades com prédios modernos, equipamentos eletrônicos e chefes de equipe treinados na submissão calada. Não será necessário fazer eleições nem gastar o bestunto inventando aparências democráticas. Mas, um detalhe: Quem serão os consumidores de tal sociedade terráquea?
Somos sete biliões de indesejados pela elite soberana do mundo capitalista. A realidade que nos cerca é outra e outro é o ponto de vista dessa maioria de humanos. Mais fácil seria exportar a minoria elitista com as suas companhias robotizadas e seus hábitos defensivos de classe mandante e darmos início a uma boa faxina social com a justa distribuição da renda.
É ilusória a ideia de criar-se um Estado Social para os desempregados substituídos por robôs e desrespeitoso para qualquer ser humano querer extinguir a possibilidade de trabalhar que significa a única forma positiva de inserção na dinâmica produtiva da vida social. Marx já havia sublinhado que "o trabalho é uma necessidade de vida e de formação social do ser humano". Que a alienação fique para os robôs e seus donos, e que emigrem para Marte ou outro planeta mais distante.
quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018
Leis Engessadas
Samuel Johson em 1801, antes da "Lei da União" entrar em vigor para permitir que a Irlanda fosse admitida no Império Britânico, aconselhou cavalheirescamente a um irlandês: "Não se una a nós...( )... Só nos uniremos a vós para vos roubar".
Esta foi uma medida habitual, tomada pelas nações colonizadoras para impor a sua cultura ao povo dominado, tornando os seus elementos de identidade - a língua e as leis - obrigatórias e prioritárias. Gandhi, na luta pacífica pela independência da India, propôs a desobediência civil à Lei que proibia a produção nacional do sal indiano para que fosse importado o do Império Britânico.
A história dos Supremos Tribunais é muito esclarecedora do poder das leis usado como armas de dominação. Assim foi a do Tribunal da Inquisição, no final da Idade Média, que condenou à fogueira, entre tantos outros que contestaram os dogmas (leis engessadas) da Igreja, a Giordano Bruno, em 1600, quem dava um grande impulso à ciência universal minando o poder retrógrado da religião. Esta eliminação produziu um atraso, em anos e séculos, ao desenvolvimento da ciência retomada por Galileu, Kepler, Espinoza, Bacon, Descartes, Newton, Kant e uma plêiade de filósofos, físicos e matemáticos que desvendaram o conhecimento propiciando a evolução da humanidade. Giordano Bruno terá dito ao juiz que o condenou à morte: "Certamente você tem agora mais medo que eu!" E a história provou que sim (se é que o juiz tinha consciência da traição à Justiça que estava a ser cometida).
A Justiça hoje paira como uma exigência suprema, mas os elementos de que se compõe são as leis, cujas interpretações, feitas no interessa da elite, abrem caminhos diversificados e dependentes de condições alheias ao princípio inicial. Vemos hoje, em muitos paises, que as discussões jurídicas se eternizam anos a fio, são esquecidas pelo povo e os processos empoeiram-se nas gavetas sob o acúmulo de milhões de novos casos, até prescreverem. Ao contrário, um furto de alimento por alguém desempregado e pobre enfrenta uma lei férrea que não admite interpretações porque contraria princípios éticos ou leis morais eternas.
O sistema capitalista, à medida em que se torna dominante e imperial, defende os seus interesses com a mentira repetida várias vezes até parecer verdade. A mídia multiplica a sua difusão acrescentando dados ilusórios que criam um contexto aparentemente verídico. Isto permite que um juiz de primeira instância faça a condenação sem provas concludentes de um personagem "a ser abatido politicamente". O processo segue o seu curso - que se supõe imparcial, de investigação dos fatos para comprovar a condenação com Justiça - até chegar ao Supremo Tribunal que enfrenta o dilema de desacreditar o sistema judicial vigente e liberar o personagem a ser abatido por contrariar os interesses da elite dominante. Nessa altura a Justiça fecha os olhos e a boca.
Um antigo filme italiano de Pepino de Felipe apresentava com grande realismo "Um dia na vida de um juiz". Ele passara o dia tendo de condenar: uma velha prostituta por atentado à moral, um idoso famélico que matara o gato do vizinho para comer, e outros casos derivados da miséria e da incapacidade de arranjar emprego ou socorro social. No fim do dia o juiz volta ao seu gabinete onde havia um busto de Cícero e uma frase lapidar sobre a Justiça gravada a ouro no mármore. O juiz, transtornado pelas condenações historicamente "injustas" que pronunciou, brada a Cícero: "Você andava de biga, tinha escravos, nada entende da Justiça em um mundo que se pretende democrático!
Zillah Branco
domingo, 28 de janeiro de 2018
Lula é o expoente da eleição presidencial
Zillah Branco *Esta é a conclusão do "julgamento" do, ex e sempre, Presidente dos brasileiros quando houver liberdade de escolha popular no Brasil. Lamento pelos dignos juristas que, no mundo inteiro no dia 23/01/18, assistiram à tragédia que enterrou o sistema judicial brasileiro vitimado por um golpe meticuloso que minou o esqueleto do Estado além de colocar farsantes nas funções políticas dominantes no governo.
"Lula voltará!", é o brado mundial das pessoas que lutam continuamente pela democracia e o respeito pelos direitos e a dignidade humanas. É um grito que vem da alma, acompanhado de lágrimas pelo sofrimento de um símbolo da soberania nacional que deu e seguirá dando a sua vida pela libertação do Brasil, que continuará estimulando a luta em defesa dos oprimidos em todo o mundo. É o eco que a história repete através dos 500 anos de colonização e escravidão que forja consciências na população lutadora produzindo novos heróis para a defesa da unidade do povo, da nação, da América Latina. Assisti ao mesmo fenomeno no Chile, de Allende, e no Portugal de Abril, de Vasco Gonçalves. Tal como no Brasil surgiram os arautos da "ameaça de guerra civil", a direita contratou terroristas vestidos de povo e promoveu desordens, o medo da burguesia à verdadeira democracia alastrou-se com as exibições da falsa origem dos conflitos.
O sistema está em crise institucional enquanto o dinheiro voa alimentando um mercado de quinquilharias e drogas para não financiar a saúde, a educação, a previdência social, a ciência, o ambiente. Trump, Presidente dos Estados Unidos, é criticado pelos seus concidadãos por exibir a imagem da mediocridade e da desonestidade nos quatro cantos do mundo. E ele o faz acintosamente, por saber que é a imagem que corresponde ao quadro político sustentado pelo capital.
Antes usavam as armas e desgastaram os militares que se prestavam à triste figura de impor ditaduras. Agora usam as leis, eternamente interpretadas pela elite, e corromperam as instituições jurídicas cujas carreiras se perpetuam como as dos antigos monarcas. Resta a dignidade de cada um, e a coragem de contestar. Começamos do zero neste mundo político de escombros. Daí a vitória de Lula, que semeou consciências, que despertou associações de luta popular para onde convergem intelectuais honrados, gente que recusa a destruição das conquistas institucionais em séculos de luta.
A direita conservadora vai-se reduzindo e buscando vestir-se de uma democracia "menos agreste" para os seus interesses de elite, uma democracia que se case com os seus privilégios e as suas idiosincrazias culturais. Reconhece que o povo sofre e multiplica as "sopas dos pobres" e as campanhas "caridosas". Toca o sino da matriz quando os acidentes climáticos desalojam populações, queimam propriedades, provocam mortes. São os primeiros a clamarem pela salvação e os últimos a enfrentarem as responsabilidades por terem desprotegido as florestas onde cultivam eucaliptos para suas empresas de celulose ou por terem deixado a limpeza das suas terras por conta dos velhotes que são uma espécie de zeladores sem salário. São os arautos da provável "guerra civil" se houver a vitória popular.
Ilustres intelectuais chamam a atenção para o "perigo" de termos o povo revoltado. Alguns chegam a louvar o sistema judicial que "cumpriu a sua função" condenando, sem provas, o herói nacional! Preferem culpabilizar alguma "esquerda inexperiente" para fazer valer a cautela e o caldo de galinha que aquece a burguesia e alguns cérebros bem pagos que até leram os clássicos do pensamento revolucionário. E culpam o país pela violência, o racismo e o sexismo, como uma característica congênita, sem revelar que tais conflitos sempre foram criados para manter a elite no poder em todo o mundo.
O medo ao "povo que pensa e exige" tira o sono a muita gente que passa a vida jogando dados com hipóteses políticas alternativas. Não percebem que o mundo mudou, que Trump faz papel de idiota para receber financiamentos de última hora, que Rajoy assume um poder fascista para impedir que os que lutam pela independência possam tê-la na Cataluña, que a UE tenta construir sua base de apoio longe do tradicional Império, que a consciência e a ação das massas é imparável.
segunda-feira, 22 de janeiro de 2018
O falso desenvolvimento sem Direitos Humanos
O problema principal do Brasil é ter muitas riquezas naturais que despertam a cobiça dos bandidos e dos políticos menos dotados de inteligência natural e de sensibilidade humana. Desde a colonização o "pau-brasil", madeira nobre, atraiu a atenção e a cobiça de vários países europeus que concorreram com Portugal. Os Estados Unidos, com o falso pretexto de defenderem a independência brasileira ameaçada pela neocolonização promovida pela Inglaterra na primeira metade do século 20, assumiram a dinâmica da produção de energia elétrica e gás com empresas privadas e levaram o Estado a proibir a investigação da existência de petróleo no território nacional para que não se tornasse concorrente na América.
Ha 500 anos o Brasil atrai cobiças de todos os lados do planeta que investem na extração das riquesas naturais sem que sejam criadas empresas estatais (Getúlio criou-as e matou-se para não continuar uma luta contra o império norte-americano). O produto bruto deixa a população marginalizada, sem a sua capacitação para a indústria transformadora. A elite dominante no Brasil, que serve de intermediária para a invasão estrangeira, promove alguma modernização na superfície social para o seu próprio conforto, e da sua classe, mas impede que a grande massa de trabalhadores, à quem interessa afirmar a soberania nacional, usufrua dos benefícios da modernização da pátria.
Para rompermos este domínio de sucessivos "donos" do Brasil visto como um "depósito de riquezas naturais", urge reconhecer e defender que a maior riqueza é o povo, que não pode ser traído e que garante, com o seu trabalho e talento, o desenvolvimento econômico da nação com soberania.
Queremos um governo capaz de impor como meta do desenvolvimento nacional a elevação do nível de vida e de formação dos mais de duzentos milhões de brasileiros para usufruirem do patrimônio existente, sem cair na atração histérica do "mercado" com o seu modelo de existência dominado por futilidades e venenos.
Queremos governantes capazes de impor o respeito pela soberania da pátria brasileira, e de gerir o aproveitamento das nossas riquezas em proveito dos cidadãos que constituem a força de trabalho e o talento para transformar os produtos naturais em elementos de dinamização da ciência, da técnica e da indústria nacionais.
Quando pensarmos nos Direitos Humanos antes de almejar o mercado (chamado livre) que impõe o guilhão das elites financeiras, estaremos em condições de abrir o caminho para o real desenvolvimento das forças produtivas e o aproveitamento dos talentos brasileiros na consolidação da soberania brasileira.
O exemplo da vitória popular existe em Cuba, dentro da América Latina, que tem em comum com os demais países, como o Brasil, a herança colonial, a escravidão de africanos e indígenas, o subdesenvolvimento que mantém o povo asfixiado para favorecer elites exploradoras, a cobiça do estrangeiro invasor e as oligarquias subservientes.
A pequena ilha de Cuba, tornada importante nação, enfrentou a luta pelo desenvolvimento das suas forças produtivas e, apesar do isolamento imposto pelos Estados Unidos e paises seus subordinados durante quase 60 anos, alcançou índices de desenvolvimento socioeconômicos que faltam às nações mais ricas: menor mortalidade infantil, extinguiu o analfabetismo, criou o atendimento gratúito à saúde, a formação escolar universal, a administração a partir dos bairros com participação cidadã em todos os níveis até o Conselho de Estado. A formação de milhares de médicos permitiu diversificar em institutos especializados uma medicina socialista que supera os limites da comercialização capitalista. Daí surgem investigações científicas que beneficiam a população corrigindo hábitos alimentares inadequados e dificuldades na formação de crianças especiais, alem de oferecer solidariedade a outros povos vitimados por catástrofes.
O investimento na formação do povo abre caminho para a superação das raizes do atraso, que condena milhões de pessoas à miséria, e para a construção do desenvolvimento econômico nacional. Da investigação científica, Cuba criou o caminho para a produção no campo da biotecnologia, fundamental para modernizar a agricultura e a extração de petróleo assim como o aproveitamento de outros minerais. E assim, a pequena ilha consolidou a semente da sua resistência aos sucessivos atos de bandidagem do império do capital.
Nenhum país no mundo pode afirmar, como Cuba, que no seu território não existe nem uma criança abandonada nas ruas, nenhuma criança esfomeada, nenhuma pessoa doente sem tratamento, nenhum idoso sem apoio social, nenhum cidadão sem emprego ou pensão de sobrevivência. Ali não ocorrem os crimes de tráfico de pessoas, ou de órgãos, nem mesmo o comércio sexual que nos demais países existe como condição de trabalho e de vida. É um exemplo da maior defesa dos Direitos Humanos que abre caminho para o desenvolvimento econômico e cultural.
O panorama que o nosso rico Brasil oferece com os altíssimos índices de assassinatos de jovens, de mulheres estrupadas, de crianças comercializadas, de crime organizado, de roubo de terras dos indígenas e dos quilombos herdeiros da escravidão, da exploração e martírio das famílias camponesas, da invasão estrangeira das terras produtivas e florestas nacionais, da promoção das drogas e perversões através dos meios de informação social, da privatização do ensino e da saúde, da transformação das cidades em campo de guerra sem segurança, de uma elite política corrompida para manter o povo na miséria, impõe a defesa dos Direitos Humanos para além da mera caridade pessoal que mal corrige os efeitos locais dos crimes. A única defesa eficaz dos Direitos Humanos é o combate às suas causas que se enraizam na miséria em que os ricos mantêm a maioria do povo para garantirem os seus privilégios de classe.
Zillah Branco
segunda-feira, 15 de janeiro de 2018
A democracia e o ornitorrinco
É preciso clarificar o conceito de "democracia" dentro do sistema capitalista. Para melhor compreender o que significa, em termos sociais e econômicos a democracia capitalista reconhece os direitos humanos e garante os privilégios da classe dominante. Corresponde, no reino animal, ao estranho "ornitorrinco" que existe na Austrália e na Tasmânia. Tem uma pitada de cada interesse, por mais contraditórios que sejam.
O bichinho tem pelo, bico de pato, bota ovo e amamenta sem ter mamilos, chega a viver 17 anos se o protegerem. Assim é a social-democracia. O povo não pode tirar o olho de cima, para evitar que desapareça.
No planeta em que vivemos, por enquanto existem experiências na construção do sistema socialista - Cuba, China, Vietnam, Coreia do Norte e Laos - que conseguiram desenvolver os países com maior igualdade de direitos sociais para todos os cidadãos, sempre condicionados pelo capitalismo no relacionamento externo. E convivem com os "ornitorrincos" como podem, improvisando soluções que permitem o equilíbrio, sempre com otimismo sem deixar ser realistas.
A elite imperialista que controla o sistema através do capital e das ações militares prossegue a sua política de bloqueios e de intimidação e, como simboliza o presidente Trump, ameaça com "fúria e fogo" para travar as iniciativas de solidariedade e de apoio às nações mais frágeis. No entanto, as crescentes ameaças revelam uma crise sem precedentes da política financeira que está centralizada nos bancos, desestabilizam os países conservadores do capitalismo social-democrata onde a conscientização dos trabalhadores se manifesta contra os privilégios impeditivos da verdadeira igualdade de direitos. Surgem formas progressistas que buscam atender democraticamente às necessidades populares ao contrário das exigências das elites enfraquecendo-as apesar das ameaças.
Com o fim do bloqueio contra Cuba, declarado "inútil" pelo ex-presidente Obama, 75 paises entraram em contacto com a Ilha revolucionária para estabelecer laços comerciais e de troca de conhecimentos. Nas áreas científicas e técnicas, no inicio de 2018, a União Europeia assinou em Cuba um protocolo de parceria. Isto demonstra que existem características multipolares dentro do sistema capitalista que pretendem um convívio fraterno com as experiências socialistas.
As nações mais pobres querem aprender como Cuba superou o subdesenvolvimento herdado de uma colonização expoliadora que foi a causadora das suas próprias misérias. Mesmo as nações mais ricas do continente Europeu precisam conhecer o caminho que Cuba seguiu para levar toda a população a frequentar escolas formando a mão de obra necessária para desenvolver a educação e mais a produção agrícola e industrial em todo o país, e formar os quadros universitários que assumiram as funções no Estado que alcançou um nível de organização invejável. Têm de reconhecer, como demonstram os estudos da ONU, que Cuba está à frente de nações ricas na defesa do seu povo, pondo fim à fome, ao analfabetismo, impulsionando a criatividade da sua gente na produção industrial e no aproveitamento dos produtos naturais para a alimentação, na elevação do nível da saúde e da formação cultural, na garantia dos recursos de habitação e emprego para todos.
Enquanto os defensores do capital multiplicam as imagens de riqueza com alta tecnologia, muitas luzes e som alto, as pessoas normais se dão conta de que lhes falta sossego, tranquilidade para apreciar a beleza natural e a arte. Começam a dar atenção ao ser humano, inclusive ele próprio, e decidem conhecer a simplicidade cubana onde encontram um produto, escasso no "mundo desenvolvido", que é a fraternidade e a disposição de lutar pela pátri e por uma democracia sem contradições de classe.
O território brasileiro é bastante rico em terras, minérios, gado, além de ter mão de obra competente para transformar os produtos naturais em industriais de boa qualidade devido aos conhecimentos tecnológicos e científicos que concorrem com os dos países mais desenvolvidos. E, não se pode esquecer, este patrimônio pertence a todos os brasileiros, pobres e ricos. O problema nacional não está na capacidade de desenvolvimento mas sim na cobiça de alguns que trabalham no sentido da desnacionalização das empresas e da associação com estrangeiros ligados ao capital financeiro e às multinacionais para impor o agro-negócio que polui o mundo com tóxicos e escravisa os trabalhadores sem qualquer princípio humanista.
No sentido de se definir um projeto de desenvolvimento será necessário superar a dinâmica existente que aponta para uma "regressão colonial", como diz o professor Luiz Bernardo Pericás (artigo "Desnacionalização e Violência", Jan/2018, blog Boitempo).
"Não há nenhum projeto para levar o Brasil a superar seus dilemas históricos e fazer avançar um processo de desenvolvimento autônomo e soberano, com a elevação material, intelectual e cultural da maior parte da população. Pelo contrário, temos uma dinâmica econômica baseada na desindustrialização, na desnacionalização e na privatização, no fim dos assentamentos rurais, na reconstrução da estrutura fundiária, na desestatização e no aumento dos oligopólios e transnacionais em nosso território".
segunda-feira, 8 de janeiro de 2018
Feliz Brasil Novo !
FeliFeliz Brasil Novo!
Manuela d'Avila surge como uma lufada de ar puro acima do hábito repetitivo de velhos discursos. Atrai pela serenidade e firmeza com que enfrenta o desafio de abrir um panorama novo para varrer o lixo criado pelo golpe e toda a execrável corja que, atrás de Temer, defendeu o seu preço e o seu posto no Estado devastado pela indignidade dos corruptos e pela sanha de um "cupinzeiro" que se tornou "dono dos destinos dos brasileiros".
É preciso mesmo ter muita firmeza e serenidade para, com o apoio do povo trabalhador, fazer uma faxina completa que liquide a praga imperial. Ela vem de terras que produziram destacados lutadores: Getúlio, conhecido como "pai dos pobres" e que morreu depois de nacionalizar as empresas de energia, Prestes, o "Cavaleiro da Esperança" que desvendou a vida do povo brasileiro do sul ao norte, e outros que também deram a vida pela democracia no país dos coronéis.
Sem qualquer presunção Manu conversa com profissionais respeitados que levantam problemas econômicos, sociais e políticos sem amarras às viciadas forças políticas nacionais ou internacionais; consulta essa juventude inovadora que tomou para si a tarefa de defender a educação com a valentia necessária; debate com os movimentos sindicais as questões trabalhistas e com as várias associações que combatem os preconceitos contra as mulheres, os negros, as etnias que povoam o Brasil, os que defendem a própria independência sexual, enfim, todos os que levantam a cabeça para afirmar os seus direitos de cidadãos; acompanha os trabalhos da Frente Brasil Popular e Povo Sem Medo, estuda o longo caminho do MST em defesa da reforma agrária e da formação técnica e cultural dos que vivem esquecidos nos campos; visita o Maranhão tornado livre da família ex-proprietária do governo, que retardou o seu desenvolvimento agora plenamente visível; visita indústrias onde ouve as questões apresentadas pelos seus trabalhadores; enfim, estuda o Brasil a partir do conhecimento dos estudiosos e da gente brasileira que constrói de baixo para cima esta imensa riqueza natural e cultural que está sendo esbanjada pelos "vende-pátria" desonrados.
Manuela está fazendo um curso intensivo da realidade brasileira porque, como diz, "mudar o sistema político sem debater com o povo, é golpe". Quer aprofundar o conhecimento das carências que mantêm um país, com o enorme (e cobiçado) patrimônio natural, científico e artístico, na condição de subdesenvolvimento periférico.
Esta é a base para traçar um sistema político que garanta uma política pública de desenvolvimento social e econômico. Esta é a causa que incentiva a unidade de todas as tendências de esquerda a se integrarem, dos que defendem os oprimidos contra a exploração, dos que sentem a responsabilidade por criar uma sociedade melhor para os seus filhos e netos, dos que ainda acreditam ser possível um futuro digno para os povos.
O exemplo de Cuba que, para aguentar 60 anos de bloqueio do sistema capitalista mundial e superar o atraso (imposto pelos Estados Unidos e herdado da sua condição de subdesenvolvimento para enriquecer milionários escravocratas), construiu uma nação livre e soberana onde não há analfabetismo e nem crianças com fome. A sequência da sua história inicial pode ser sintetizada nas grandes linhas no programa nacional seguido pelo governo revolucionário para criar bases do desenvolvimento democrático: 1959 - Ano da Libertação; 1960 - Ano da Reforma Agrária; 1961 - Ano da Educação; 1962 - Ano da Planificação; 1963 - Ano da Organização; 1964 - Ano da Economia.
Apesar da demolição dos setores sociais do Estado no Brasil, que com a eleição de Lula criou serviços públicos que estenderam à toda a sociedade equipamentos escolares e de centros de saúde, criando empregos e distribuindo Bolsas Família, a situação nacional aqui tem muito menos problemas que Cuba enfrentou. Pelo menos neste ano de eleições.
Se o povo escolher quem merece a sua participação entusiástica na retomada da democracia, um novo Brasil poderá ser construído.
Zillah Branco Brasil Novo!
Manuela d'Avila surge como uma lufada de ar puro acima do hábito repetitivo de velhos discursos. Atrai pela serenidade e firmeza com que enfrenta o desafio de abrir um panorama novo para varrer o lixo criado pelo golpe e toda a execrável corja que, atrás de Temer, defendeu o seu preço e o seu posto no Estado devastado pela indignidade dos corruptos e pela sanha de um "cupinzeiro" que se tornou "dono dos destinos dos brasileiros".
É preciso mesmo ter muita firmeza e serenidade para, com o apoio do povo trabalhador, fazer uma faxina completa que liquide a praga imperial. Ela vem de terras que produziram destacados lutadores: Getúlio, conhecido como "pai dos pobres" e que morreu depois de nacionalizar as empresas de energia, Prestes, o "Cavaleiro da Esperança" que desvendou a vida do povo brasileiro do sul ao norte, e outros que também deram a vida pela democracia no país dos coronéis.
Sem qualquer presunção Manu conversa com profissionais respeitados que levantam problemas econômicos, sociais e políticos sem amarras às viciadas forças políticas nacionais ou internacionais; consulta essa juventude inovadora que tomou para si a tarefa de defender a educação com a valentia necessária; debate com os movimentos sindicais as questões trabalhistas e com as várias associações que combatem os preconceitos contra as mulheres, os negros, as etnias que povoam o Brasil, os que defendem a própria independência sexual, enfim, todos os que levantam a cabeça para afirmar os seus direitos de cidadãos; acompanha os trabalhos da Frente Brasil Popular e Povo Sem Medo, estuda o longo caminho do MST em defesa da reforma agrária e da formação técnica e cultural dos que vivem esquecidos nos campos; visita o Maranhão tornado livre da família ex-proprietária do governo, que retardou o seu desenvolvimento agora plenamente visível; visita indústrias onde ouve as questões apresentadas pelos seus trabalhadores; enfim, estuda o Brasil a partir do conhecimento dos estudiosos e da gente brasileira que constrói de baixo para cima esta imensa riqueza natural e cultural que está sendo esbanjada pelos "vende-pátria" desonrados.
Manuela está fazendo um curso intensivo da realidade brasileira porque, como diz, "mudar o sistema político sem debater com o povo, é golpe". Quer aprofundar o conhecimento das carências que mantêm um país, com o enorme (e cobiçado) patrimônio natural, científico e artístico, na condição de subdesenvolvimento periférico.
Esta é a base para traçar um sistema político que garanta uma política pública de desenvolvimento social e econômico. Esta é a causa que incentiva a unidade de todas as tendências de esquerda a se integrarem, dos que defendem os oprimidos contra a exploração, dos que sentem a responsabilidade por criar uma sociedade melhor para os seus filhos e netos, dos que ainda acreditam ser possível um futuro digno para os povos.
O exemplo de Cuba que, para aguentar 60 anos de bloqueio do sistema capitalista mundial e superar o atraso (imposto pelos Estados Unidos e herdado da sua condição de subdesenvolvimento para enriquecer milionários escravocratas), construiu uma nação livre e soberana onde não há analfabetismo e nem crianças com fome. A sequência da sua história inicial pode ser sintetizada nas grandes linhas no programa nacional seguido pelo governo revolucionário para criar bases do desenvolvimento democrático: 1959 - Ano da Libertação; 1960 - Ano da Reforma Agrária; 1961 - Ano da Educação; 1962 - Ano da Planificação; 1963 - Ano da Organização; 1964 - Ano da Economia.
Apesar da demolição dos setores sociais do Estado no Brasil, que com a eleição de Lula criou serviços públicos que estenderam à toda a sociedade equipamentos escolares e de centros de saúde, criando empregos e distribuindo Bolsas Família, a situação nacional aqui tem muito menos problemas que Cuba enfrentou. Pelo menos neste ano de eleições.
Se o povo escolher quem merece a sua participação entusiástica na retomada da democracia, um novo Brasil poderá ser construído.
Zillah Branco
Manuela d'Avila surge como uma lufada de ar puro acima do hábito repetitivo de velhos discursos. Atrai pela serenidade e firmeza com que enfrenta o desafio de abrir um panorama novo para varrer o lixo criado pelo golpe e toda a execrável corja que, atrás de Temer, defendeu o seu preço e o seu posto no Estado devastado pela indignidade dos corruptos e pela sanha de um "cupinzeiro" que se tornou "dono dos destinos dos brasileiros".
É preciso mesmo ter muita firmeza e serenidade para, com o apoio do povo trabalhador, fazer uma faxina completa que liquide a praga imperial. Ela vem de terras que produziram destacados lutadores: Getúlio, conhecido como "pai dos pobres" e que morreu depois de nacionalizar as empresas de energia, Prestes, o "Cavaleiro da Esperança" que desvendou a vida do povo brasileiro do sul ao norte, e outros que também deram a vida pela democracia no país dos coronéis.
Sem qualquer presunção Manu conversa com profissionais respeitados que levantam problemas econômicos, sociais e políticos sem amarras às viciadas forças políticas nacionais ou internacionais; consulta essa juventude inovadora que tomou para si a tarefa de defender a educação com a valentia necessária; debate com os movimentos sindicais as questões trabalhistas e com as várias associações que combatem os preconceitos contra as mulheres, os negros, as etnias que povoam o Brasil, os que defendem a própria independência sexual, enfim, todos os que levantam a cabeça para afirmar os seus direitos de cidadãos; acompanha os trabalhos da Frente Brasil Popular e Povo Sem Medo, estuda o longo caminho do MST em defesa da reforma agrária e da formação técnica e cultural dos que vivem esquecidos nos campos; visita o Maranhão tornado livre da família ex-proprietária do governo, que retardou o seu desenvolvimento agora plenamente visível; visita indústrias onde ouve as questões apresentadas pelos seus trabalhadores; enfim, estuda o Brasil a partir do conhecimento dos estudiosos e da gente brasileira que constrói de baixo para cima esta imensa riqueza natural e cultural que está sendo esbanjada pelos "vende-pátria" desonrados.
Manuela está fazendo um curso intensivo da realidade brasileira porque, como diz, "mudar o sistema político sem debater com o povo, é golpe". Quer aprofundar o conhecimento das carências que mantêm um país, com o enorme (e cobiçado) patrimônio natural, científico e artístico, na condição de subdesenvolvimento periférico.
Esta é a base para traçar um sistema político que garanta uma política pública de desenvolvimento social e econômico. Esta é a causa que incentiva a unidade de todas as tendências de esquerda a se integrarem, dos que defendem os oprimidos contra a exploração, dos que sentem a responsabilidade por criar uma sociedade melhor para os seus filhos e netos, dos que ainda acreditam ser possível um futuro digno para os povos.
O exemplo de Cuba que, para aguentar 60 anos de bloqueio do sistema capitalista mundial e superar o atraso (imposto pelos Estados Unidos e herdado da sua condição de subdesenvolvimento para enriquecer milionários escravocratas), construiu uma nação livre e soberana onde não há analfabetismo e nem crianças com fome. A sequência da sua história inicial pode ser sintetizada nas grandes linhas no programa nacional seguido pelo governo revolucionário para criar bases do desenvolvimento democrático: 1959 - Ano da Libertação; 1960 - Ano da Reforma Agrária; 1961 - Ano da Educação; 1962 - Ano da Planificação; 1963 - Ano da Organização; 1964 - Ano da Economia.
Apesar da demolição dos setores sociais do Estado no Brasil, que com a eleição de Lula criou serviços públicos que estenderam à toda a sociedade equipamentos escolares e de centros de saúde, criando empregos e distribuindo Bolsas Família, a situação nacional aqui tem muito menos problemas que Cuba enfrentou. Pelo menos neste ano de eleições.
Se o povo escolher quem merece a sua participação entusiástica na retomada da democracia, um novo Brasil poderá ser construído.
Zillah Branco Brasil Novo!
Manuela d'Avila surge como uma lufada de ar puro acima do hábito repetitivo de velhos discursos. Atrai pela serenidade e firmeza com que enfrenta o desafio de abrir um panorama novo para varrer o lixo criado pelo golpe e toda a execrável corja que, atrás de Temer, defendeu o seu preço e o seu posto no Estado devastado pela indignidade dos corruptos e pela sanha de um "cupinzeiro" que se tornou "dono dos destinos dos brasileiros".
É preciso mesmo ter muita firmeza e serenidade para, com o apoio do povo trabalhador, fazer uma faxina completa que liquide a praga imperial. Ela vem de terras que produziram destacados lutadores: Getúlio, conhecido como "pai dos pobres" e que morreu depois de nacionalizar as empresas de energia, Prestes, o "Cavaleiro da Esperança" que desvendou a vida do povo brasileiro do sul ao norte, e outros que também deram a vida pela democracia no país dos coronéis.
Sem qualquer presunção Manu conversa com profissionais respeitados que levantam problemas econômicos, sociais e políticos sem amarras às viciadas forças políticas nacionais ou internacionais; consulta essa juventude inovadora que tomou para si a tarefa de defender a educação com a valentia necessária; debate com os movimentos sindicais as questões trabalhistas e com as várias associações que combatem os preconceitos contra as mulheres, os negros, as etnias que povoam o Brasil, os que defendem a própria independência sexual, enfim, todos os que levantam a cabeça para afirmar os seus direitos de cidadãos; acompanha os trabalhos da Frente Brasil Popular e Povo Sem Medo, estuda o longo caminho do MST em defesa da reforma agrária e da formação técnica e cultural dos que vivem esquecidos nos campos; visita o Maranhão tornado livre da família ex-proprietária do governo, que retardou o seu desenvolvimento agora plenamente visível; visita indústrias onde ouve as questões apresentadas pelos seus trabalhadores; enfim, estuda o Brasil a partir do conhecimento dos estudiosos e da gente brasileira que constrói de baixo para cima esta imensa riqueza natural e cultural que está sendo esbanjada pelos "vende-pátria" desonrados.
Manuela está fazendo um curso intensivo da realidade brasileira porque, como diz, "mudar o sistema político sem debater com o povo, é golpe". Quer aprofundar o conhecimento das carências que mantêm um país, com o enorme (e cobiçado) patrimônio natural, científico e artístico, na condição de subdesenvolvimento periférico.
Esta é a base para traçar um sistema político que garanta uma política pública de desenvolvimento social e econômico. Esta é a causa que incentiva a unidade de todas as tendências de esquerda a se integrarem, dos que defendem os oprimidos contra a exploração, dos que sentem a responsabilidade por criar uma sociedade melhor para os seus filhos e netos, dos que ainda acreditam ser possível um futuro digno para os povos.
O exemplo de Cuba que, para aguentar 60 anos de bloqueio do sistema capitalista mundial e superar o atraso (imposto pelos Estados Unidos e herdado da sua condição de subdesenvolvimento para enriquecer milionários escravocratas), construiu uma nação livre e soberana onde não há analfabetismo e nem crianças com fome. A sequência da sua história inicial pode ser sintetizada nas grandes linhas no programa nacional seguido pelo governo revolucionário para criar bases do desenvolvimento democrático: 1959 - Ano da Libertação; 1960 - Ano da Reforma Agrária; 1961 - Ano da Educação; 1962 - Ano da Planificação; 1963 - Ano da Organização; 1964 - Ano da Economia.
Apesar da demolição dos setores sociais do Estado no Brasil, que com a eleição de Lula criou serviços públicos que estenderam à toda a sociedade equipamentos escolares e de centros de saúde, criando empregos e distribuindo Bolsas Família, a situação nacional aqui tem muito menos problemas que Cuba enfrentou. Pelo menos neste ano de eleições.
Se o povo escolher quem merece a sua participação entusiástica na retomada da democracia, um novo Brasil poderá ser construído.
Zillah Branco
Feliz Brasil Novo!
Manuela d'Avila surge como uma lufada de ar puro acima do hábito repetitivo de velhos discursos. Atrai pela serenidade e firmeza com que enfrenta o desafio de abrir um panorama novo para varrer o lixo criado pelo golpe e toda a execrável corja que, atrás de Temer, defendeu o seu preço e o seu posto no Estado devastado pela indignidade dos corruptos e pela sanha de um "cupinzeiro" que se tornou "dono dos destinos dos brasileiros".
É preciso mesmo ter muita firmeza e serenidade para, com o apoio do povo trabalhador, fazer uma faxina completa que liquide a praga imperial. Ela vem de terras que produziram destacados lutadores: Getúlio, conhecido como "pai dos pobres" e que morreu depois de nacionalizar as empresas de energia, Prestes, o "Cavaleiro da Esperança" que desvendou a vida do povo brasileiro do sul ao norte, e outros que também deram a vida pela democracia no país dos coronéis.
Sem qualquer presunção Manu conversa com profissionais respeitados que levantam problemas econômicos, sociais e políticos sem amarras às viciadas forças políticas nacionais ou internacionais; consulta essa juventude inovadora que tomou para si a tarefa de defender a educação com a valentia necessária; debate com os movimentos sindicais as questões trabalhistas e com as várias associações que combatem os preconceitos contra as mulheres, os negros, as etnias que povoam o Brasil, os que defendem a própria independência sexual, enfim, todos os que levantam a cabeça para afirmar os seus direitos de cidadãos; acompanha os trabalhos da Frente Brasil Popular e Povo Sem Medo, estuda o longo caminho do MST em defesa da reforma agrária e da formação técnica e cultural dos que vivem esquecidos nos campos; visita o Maranhão tornado livre da família ex-proprietária do governo, que retardou o seu desenvolvimento agora plenamente visível; visita indústrias onde ouve as questões apresentadas pelos seus trabalhadores; enfim, estuda o Brasil a partir do conhecimento dos estudiosos e da gente brasileira que constrói de baixo para cima esta imensa riqueza natural e cultural que está sendo esbanjada pelos "vende-pátria" desonrados.
Manuela está fazendo um curso intensivo da realidade brasileira porque, como diz, "mudar o sistema político sem debater com o povo, é golpe". Quer aprofundar o conhecimento das carências que mantêm um país, com o enorme (e cobiçado) patrimônio natural, científico e artístico, na condição de subdesenvolvimento periférico.
Esta é a base para traçar um sistema político que garanta uma política pública de desenvolvimento social e econômico. Esta é a causa que incentiva a unidade de todas as tendências de esquerda a se integrarem, dos que defendem os oprimidos contra a exploração, dos que sentem a responsabilidade por criar uma sociedade melhor para os seus filhos e netos, dos que ainda acreditam ser possível um futuro digno para os povos.
O exemplo de Cuba que, para aguentar 60 anos de bloqueio do sistema capitalista mundial e superar o atraso (imposto pelos Estados Unidos e herdado da sua condição de subdesenvolvimento para enriquecer milionários escravocratas), construiu uma nação livre e soberana onde não há analfabetismo e nem crianças com fome. A sequência da sua história inicial pode ser sintetizada nas grandes linhas no programa nacional seguido pelo governo revolucionário para criar bases do desenvolvimento democrático: 1959 - Ano da Libertação; 1960 - Ano da Reforma Agrária; 1961 - Ano da Educação; 1962 - Ano da Planificação; 1963 - Ano da Organização; 1964 - Ano da Economia.
Apesar da demolição dos setores sociais do Estado no Brasil, que com a eleição de Lula criou serviços públicos que estenderam à toda a sociedade equipamentos escolares e de centros de saúde, criando empregos e distribuindo Bolsas Família, a situação nacional aqui tem muito menos problemas que Cuba enfrentou. Pelo menos neste ano de eleições.
Se o povo escolher quem merece a sua participação entusiástica na retomada da democracia, um novo Brasil poderá ser construído.
Zillah Branco
Manuela d'Avila surge como uma lufada de ar puro acima do hábito repetitivo de velhos discursos. Atrai pela serenidade e firmeza com que enfrenta o desafio de abrir um panorama novo para varrer o lixo criado pelo golpe e toda a execrável corja que, atrás de Temer, defendeu o seu preço e o seu posto no Estado devastado pela indignidade dos corruptos e pela sanha de um "cupinzeiro" que se tornou "dono dos destinos dos brasileiros".
É preciso mesmo ter muita firmeza e serenidade para, com o apoio do povo trabalhador, fazer uma faxina completa que liquide a praga imperial. Ela vem de terras que produziram destacados lutadores: Getúlio, conhecido como "pai dos pobres" e que morreu depois de nacionalizar as empresas de energia, Prestes, o "Cavaleiro da Esperança" que desvendou a vida do povo brasileiro do sul ao norte, e outros que também deram a vida pela democracia no país dos coronéis.
Sem qualquer presunção Manu conversa com profissionais respeitados que levantam problemas econômicos, sociais e políticos sem amarras às viciadas forças políticas nacionais ou internacionais; consulta essa juventude inovadora que tomou para si a tarefa de defender a educação com a valentia necessária; debate com os movimentos sindicais as questões trabalhistas e com as várias associações que combatem os preconceitos contra as mulheres, os negros, as etnias que povoam o Brasil, os que defendem a própria independência sexual, enfim, todos os que levantam a cabeça para afirmar os seus direitos de cidadãos; acompanha os trabalhos da Frente Brasil Popular e Povo Sem Medo, estuda o longo caminho do MST em defesa da reforma agrária e da formação técnica e cultural dos que vivem esquecidos nos campos; visita o Maranhão tornado livre da família ex-proprietária do governo, que retardou o seu desenvolvimento agora plenamente visível; visita indústrias onde ouve as questões apresentadas pelos seus trabalhadores; enfim, estuda o Brasil a partir do conhecimento dos estudiosos e da gente brasileira que constrói de baixo para cima esta imensa riqueza natural e cultural que está sendo esbanjada pelos "vende-pátria" desonrados.
Manuela está fazendo um curso intensivo da realidade brasileira porque, como diz, "mudar o sistema político sem debater com o povo, é golpe". Quer aprofundar o conhecimento das carências que mantêm um país, com o enorme (e cobiçado) patrimônio natural, científico e artístico, na condição de subdesenvolvimento periférico.
Esta é a base para traçar um sistema político que garanta uma política pública de desenvolvimento social e econômico. Esta é a causa que incentiva a unidade de todas as tendências de esquerda a se integrarem, dos que defendem os oprimidos contra a exploração, dos que sentem a responsabilidade por criar uma sociedade melhor para os seus filhos e netos, dos que ainda acreditam ser possível um futuro digno para os povos.
O exemplo de Cuba que, para aguentar 60 anos de bloqueio do sistema capitalista mundial e superar o atraso (imposto pelos Estados Unidos e herdado da sua condição de subdesenvolvimento para enriquecer milionários escravocratas), construiu uma nação livre e soberana onde não há analfabetismo e nem crianças com fome. A sequência da sua história inicial pode ser sintetizada nas grandes linhas no programa nacional seguido pelo governo revolucionário para criar bases do desenvolvimento democrático: 1959 - Ano da Libertação; 1960 - Ano da Reforma Agrária; 1961 - Ano da Educação; 1962 - Ano da Planificação; 1963 - Ano da Organização; 1964 - Ano da Economia.
Apesar da demolição dos setores sociais do Estado no Brasil, que com a eleição de Lula criou serviços públicos que estenderam à toda a sociedade equipamentos escolares e de centros de saúde, criando empregos e distribuindo Bolsas Família, a situação nacional aqui tem muito menos problemas que Cuba enfrentou. Pelo menos neste ano de eleições.
Se o povo escolher quem merece a sua participação entusiástica na retomada da democracia, um novo Brasil poderá ser construído.
Zillah Branco
quarta-feira, 3 de janeiro de 2018
Os dilemas da luta
Este artigo foi peblicado no Portal Vermelho
e no blog Foicebook
Escrever sobre as conquistas democráticas e revolucionárias de um processo de luta, nem sempre permite o reconhecimento das contradições e dos dilemas enfrentados pelos seus construtores. Tais contradições abrem caminhos que podem, ou não, serem opostos à meta fundamental que define o caminho na sua essência "revolucionária" ou "reformista".
O conhecimento aprofundado da realidade vivida pelo povo, desde as camadas mais pobres até as mais abonadas, detectando as variações intermédias que definem os estratos sociais pelas suas carências, ambições e propriedades dão, pelos registros da sua importância numérica e pelas funções sociais e econômicas que exercem, a magnitude das questões políticas que representam. Não basta, a quem analisa a população, classificar em termos gerais e tradicionais a dependência de uns, a capacidade de outros, a exploração da elite. Além da posição de cada estrato social dentro da escala de prestação de serviços, a remuneração pelo trabalhos, as propriedades adquiridas, assim como a escala do usofruto dos beneficios oferecidos pelo Estado e o acesso aos privilégios de classe dominante, que geram uma determinada consciência social, existe o peso cultural com que foram marcados os princípios morais e éticos pela história nacional e pela imposição de valores pela elite governante.
O livro clarificador da "História Agrária da Revolução Cubana" (Alameda Casa Editora, 2016), extraido da tese que Joana Salem Vasconcelos apresentou à FAPESP, indica, ainda na sua capa, "0s dilemas do socialismo na periferia". O leitor mergulha em um relato da história épica daquele povo que, liderado pelo grupo revolucionário que desceu a Sierra Maestra conduzido por Fidel Castro que derrotou a ditadura de Baptista apoiado pelos Estados Unidos, e transformou a pequena ilha caribenha explorada como colónia do grande império em uma nação socialista independente. Mas o relato não é apresentado como uma ficção de êxitos e vitórias sucessivas. Ao contrário, e aí está o seu maior valor, desvenda os dilemas enfrentados e debatidos árduamente pelos dirigentes revolucionários cubanos com o apoio de inúmeros intelectuais estrangeiros e nacionais que participavam de organismos internacionais como a CEPAL, o Banco Mundial e universidades de vários países.
Diante do cerco imperialista, - que impôs o "bloqueio" econômico e político internacional por quase 60 anos para impedir o desenvolvimento de Cuba - a tarefa de superar o subdesenvolvimento de um país periférico e criar as bases para uma estrutura socialista que extinguiu os privilégios dos mais ricos e garantiu à toda a população o direito à habitação, à alimentação, à saúde, aos níveis fundamentais do ensino escolar, ao emprego, foi possível graças à solidariedade do bloco de nações socialistas e aos que ultrapassavam a fiscalização imperialista e conseguiam levar o seu apoio ao povo cubano. O resultado está à vista, um país sem analfabetismo e com índices de proteção à saúde mais elevados que em muitos países capitalistas considerados ricos, com um serviço médico que tem ajudado muitos outros povos a enfrentarem carências dos seus sistemas ou as catástrofes causadas pelo clima.
Os problemas enfrentados por Cuba para superar os seus problemas de subdesenvolvimento, de país periférico em relação ao centro capitalista que domina o mercado e detém o poder financeiro e o militar, tem muita semelhança com a de todas as nações latino-americanas, inclusive o Brasil apesar do seu tamanho e de ter vivido experiências democráticas que o destacaram no conjunto internacional representado no G20, no BRICS, no MERCOSUL, na UNASUL, na CELAC, inspiraram a ONU na divulgação da Bolsa Família para o combate mundial à fome.
O que explica o retrocesso golpista que hoje é imposto pelo imperialismo no Brasil - através dos políticos e profissionais com elevados cargos públicos que assumiram a função subalterna de traidores da pátria e corruptos - foi a escolha de caminhos inseguros e dúbios nas alianças governamentais que não respeitaram os princípios éticos de um programa democrático e de independência nacional, que esteve na base das propostas de desenvolvimento social, econômico e político de todos os brasileiros. Foi dada atenção ao desenvolvimento material do país, ao seu crescimento financeiro, ao seu prestígio no sistema capitalista global, mas não ao povo brasileiro que deve ocupar a função motora do desenvolvimento e de proteção do patrimônio nacional.
Foram muitas as iniciativas de professores universitários e de outros níveis escolares, assim como de profissionais de outras carreiras (advogados, médicos, enfermeiros, engenheiros, cineastas, músicos, e tantas outras áreas do conhecimento científico e artistico) de levarem às populações que vivem à margem da cidadania formas de apoio para os incluirem na sociedade e abrirem caminhos para o desenvolvimento daqueles brasileiros que estavam esquecidos nos programas políticos. Podemos dizer que houve participação efetiva dos autores de tais iniciativas, mas não houve tempo para que os brasileiros mais desprovidos de recursos chegassem a participar da democratização anunciada. Faltaram políticas complementares para criar uma estrutura que fiscalizasse e criasse os caminhos para transformar os que estavam excluidos em trabalhadores qualificados para desenvolver a indústria e a agricultura modernas. O golpe cortou este caminho emancipador, e antes dele, a ausência de uma reforma das instituições do Estado que abolisse o carater burguês dominante e o poder da burocracia, impeditivos da implantação da democracia de maneira plena.
A abertura ao poder financeiro internacional e ao agro-negócio, com a entrega de cargos e funções governamentais a funcionários de instituições estrangeiras, foi um dos principais fatores de anulação das políticas progressistas que os partidos e militantes de esquerda levavam à prática sem o apoio institucional. A aceitação governamental de um poder judiciário como poder paralelo e de uma mídia igualmente independente do programa nacional, foram contradições que impediram que os eleitos pelo povo pudessem efetivamente corresponder à confiança que lhes foi confiada por mais de 50 milhões de eleitores e de milhões de jovens adolescentes que refletiam a inovadora cultura democrática que o Brasil respirou a partir de 2003.
A consciência cidadã não se forma a partir de discursos ou da leitura de cartilhas. Ao contrário do pensamento preconceituoso dos conservadores, o trabalhador e sua família são inteligentes e estão atentos à comprovação das promessas com a acuidade de quem tem fome de um alimento bom para a sua alma. Não aceitam falsificações e deslealdades, não aceitam jogos políticos como os que são praticados nos encontros formais entre elites. Os que pensam poder manipular as grandes massas populares que se apresentam nas ruas para um convívio animado com bandeiras e músicas, devem prever que a atração da ação coletiva sobre as populações não se prende a um compromisso político mas sim uma integração social. Não se pode confundir "participação social" com "presença massiva". Basta ver que o carnaval e os grandes jogos de futebol são mais mobilizadores que os comícios.
A longa luta pela reforma agrária dirigida há mais de duas décadas pelo Movimento dos Sem Terra tem demonstrado a capacidade de formar consciências de cidadania levando-os a exercitar uma vida democrática que organiza várias formas de produção e escolas para superar o analfabetismo e desvendar a história do Brasil e da América Latina. O conhecimento tem início nas condições em que vivem (e sobrevivem às perseguições violentas) para depois abordarem os fatos da história nacional e regional passada que explicam porque enfrentam as condições de dificuldade existentes. Então podem compreender as histórias dos países vizinhos e dos povos irmãos, assim como o de outros continentes de civilizações mais antigas ou de países mais ricos. É um exemplo de formação a ser utilizado para outros setores ainda marginalizados no Brasil.
Ao pensarmos na construção de um programa político capaz de dar origem a uma proposta governamental de restauração da democracia nacional não podemos deixar de considerar tudo o que o Brasil produziu com características progressistas como eixo fundamental. E devemos rever os erros cometidos, como alertas para serem evitadas as portas abertas ao domínio imperial.
Zillah Branco
Bibliografia:
História Agrária da Revolução Cubana - Joana Salem Vasconcelos - Alameda Casa Editora,2016
Oficina das Fundações: Perseu Abramo, Maurício Grabois, Leonel Brizola-Alberto Pasqualini
www.anitagaribaldi.com.br. /. www.grabois.org.br
quarta-feira, 6 de dezembro de 2017
Virando a casaca?
O canal "Odisseia", dos Estados Unidos passou a divulgar no primeiro aniversário da morte de Fidel Castro - comemorado em todo o mundo pelos partidos e movimentos de esquerda - um filme de John Hedge, sobre o Comandante da Revolução Cubana . Ao contrário da sanha com que sempre procuraram demonstrar com injúrias o herói gigante que enfrentaram, sempre vencendo as perfídias do grande império ianque, o filme adoçou a linguagem com algum respeito pela figura histórica que "sempre defendeu o povo cubano da fome e da miséria instaladas em Cuba por governantes corruptos e a máfia". Arranjaram uma maneira de deixar o imperialismo, que bloqueou o desenvolvimento de Cuba durante 60 anos, de fora.
Até Kissinger deu um depoimento tranquilo, sem salivar veneno como de hábito. E referem a boa opinião que alguns políticos norte-americanos tinham da capacidade de diálogo e de compreensão de Fidel, como foi o caso de Kennedy, (depois de colocar navios de guerra diante da Ilha para apoiar a invasão norte-americana à Baía dos Porcos e receber a visita do Presidente da URSS avisando que dotaria Cuba de mísseis para se defender), em entrevista referiu Fidel como um homem que não temia a morte e lutava ao lado do povo com enorme coragem.
O filme nem mesmo deixou de mostrar o assassinato do presidente Kennedy, ocorrido em seguida à suspensão da invasão da Baía dos Porcos, dentro do território norte-americano. Ao ter que renunciar àquela invasão que destruiria a pequena ilha e sua grande revolução socialista, Kennedy pagou caro aos donos do império. O filme não entrou nas confusas explicações, deixando para o bom entendedor tirar as suas ilações.
Enfim, depois de morto, Fidel foi reconhecido como tendo algumas boas qualidades pessoais e de bom governante pelos que o perseguiram tenazmente durante seis décadas (e tentaram centenas de vezes assassiná-lo) sem qualquer capacidade para impedir que, nas barbas dos Estados Unidos, sobrevivesse com êxito político imbatível uma sementeira revolucionária que sempre esteve presente junto aos movimentos de libertação da América Latina e África.
A habilidade dos defensores do sistema capitalista de adotarem uma posição contrária a que sempre tiveram de antagonismo com as características do socialismo na promoção do desenvolvimento social com condições igualitárias de vida - saúde, educação, habitação, transporte e emprego remunerado - para toda a população trabalhadora. Começam a chamar a divulgar agora algumas mudanças ocorridas no comportamento das suas elites imperiais. Estudam a maneira de aumentar as esmolas para que as populações possam sobreviver e consumir o seu mercado tóxico, dos alimentos às quinquilharias e aos grandes eventos anti-culturais, como se fosse um arremedo de socialismo sem revolução.
Em Portugal, referem o apoio da esquerda ao PS no Governo como uma "geringonça" inexplicável e, certamente, de pouca duração. Mas, passados dois anos em que foi atenuado o sacrifício da população miserabilizada pela austeridade imposta pela política da União Europeia e FMI para concentrar o capital nos Bancos privados, defendida a Caixa Geral de Depósitos sob a responsabilidade estatal, desenvolvidos processos que desvendaram desvios bilionários (que enriqueceram alguns banqueiros e políticos corruptos) resultante de depósitos pessoais que "desapareceram" devido ás convenientes falências bancárias, cresceu o prestígio do PS na Europa e tem atraído políticos dos grandes países para analisarem os bons efeitos da sua aliança com a esquerda que não exige cargos no Governo mas, sim, o respeito pela legislação trabalhista conquistada ao longo do século XX, e pelos protocolos de apoio democrático e social a todo o povo assinados com os organismos específicos da ONU para a Previdência Social.
Será que, diante da crise irreversível dos bancos, os defensores do capital resolveram abrir um pouquinho a mão para reduzir a distância quilométrica entre pobres e ricos? Surgem até discussões abertas para combater o consumismo que impede as classes médias de gerir com equilíbrio os seus parcos recursos.
Dá para acreditar que as elites criam vergonha, - apesar das longas listas de depositantes em paraísos fiscais para lesar o fisco - ou começam a se preocupar com o Juízo Final que ameaça o sistema capitalista e sua elite? Ou é apenas uma manobra para reduzir o excesso de "carrapatos" que aderiram como "especialistas tecnocratas" à elite e, com a recuperação dos "desvios" e outras falcatruas, a elite poderosa pode aumentar as esmolas sociais e reduzir o peso da austeridade?
Interessante a distância que a mídia internacional vai criando entre os impérios - liderado por Trump ou pela União Europeia - na defesa do sistema capitalista. Na Europa, que ainda recorda o horror da Segunda Guerra, preocupam-se em falar na humanidade sem descartar o capitalismo com o poder da elite, enquanto Trump recusa qualquer "desvio humanitarista". E foi o ministro das finanças de Portugal, pela capacidade de um governo PS apoiado pela esquerda, que foi eleito para liderar o Eurogrupo onde aplicará a sua tese de que "há uma disfunção na moeda única que prejudica os países do sul da Europa". Habilidade para manobrar com palavras caras não lhes falta.
De qualquer modo os combatentes revolucionários não acreditam que os direitos democráticos caem do céu e que os lobos de antes tornaram-se cordeirinhos. Este processo de "virar a casaca" não convence, pois permanecem os mesmos grandes senhores, mesmo sem gravata, agarrados ao poder globalizado.
Igualdade com os pobres nunca a elite poderá aceitar, pois são totalmente incompetentes para enfrentar a vida e a realidade dos comuns mortais sem os seus privilégios de classe e escravos domésticos.
Zillah Branco
quarta-feira, 29 de novembro de 2017
Respeitar o povo, para a direita, é uma questão "comezinha"
O Partido Socialista em Portugal, ao formar governo apoiado pela esquerda com a qual alcançou a maioria eleitoral em 2015, abriu um novo percurso ao país europeu tratado como um dos mais pobres do continente europeu. A elite de direita que comandava o governo desde a eleição de Mario Soares em 1976 quando aceitou as orientações de Kissinger, pelos Estados Unidos, e da Democracia Social europeia, procurou apagar as conquistas da Revolução do 25 de Abril que permitira ao povo organizado na reforma agrária e nos sindicatos construir um caminho verdadeiramente democrático para toda a nação.
Em alternados governos do antigo PS e do PSD, Portugal foi diluindo o respeito pelas questões sociais que atendiam ao desenvolvimento humano e social da sua gente, e prestando vénias à elite europeia filiada ao imperialismo estadunidense com a criação da União Europeia. Tais vénias tornaram-se visíveis pelos gestos de política subserviente nas acções invasoras da NATO no Oriente Médio e Norte da Africa, além da participação na destruição da Jugoslávia, e no recurso a créditos vorazes do Banco Europeu para obras megalómanas que serviram interesses estrangeiros no "pobre" país enfeitado com recursos de luxo para receber turistas e favorecer mercados externos. Enfim, a conhecida fórmula da colonização que destrói as forças produtivas nacionais e importa os maus hábitos do consumismo das sociedades ricas vestidos de "modernidade desenvolvimentista".
Mas a história caminha com a dialética como parceira. As crueldades contra os dominados despertam as consciências éticas e valorizam as associações para a luta do povo unido. O pensamento progressista disseminou-se tanto pela via política de esquerda como pela noção de dignidade e solidariedade dos que não se satisfazem com riquezas supérfluas e costumam olhar com interesse a realidade social que os cerca. E o grande partido de direita em Portugal, os aliados PSD e CDS-PP ficou menor que a soma dos progressistas e perdeu a condição de governar. Dois anos são passados e o PSD não perde a "dor de cotovelo" nem adquire lucidez política. Empacou.
Segundo o porta-voz do PSD no Parlamento, deputado Hugo Soares, o Governo PS está refém da esquerda - PCP e BE - "para resolver apenas questões menores, comezinhas, de reformas conjunturais" e precisa do apoio do PSD para realizar "o mais importante para o país, que são as reformas estruturais". Traduzindo em "bom português", as questões "menores e comezinhas" dizem respeito à legislação trabalhista para repor salários e condições de carreira para a maioria dos trabalhadores a todos os níveis, ao apoio ao sistema de saúde nacional e ao do ensino público ameaçados pelos privilégios da privatização, ao desenvolvimento de condições de sobrevivência com dignidade aos pensionistas, ao fortalecimento da capacidade de sobrevivência da Caixa Geral de Depósitos sob gestão do Estado, ao reordenamento das florestas de modo a reduzir a destruição causada pelos incêndios, a redefinir as formas de segurança social para defender com competência as populações surpreendidas por acidentes climáticos e de origem criminosa, enfim a organizar o país para que a população seja respeitada e tenha garantia de proteção social.
O que o partido de direita, PSD, supõe ser "o mais importante, por referirem as reformas estruturais", tem a ver com o favorecimento aos lucros dos empresários nacionais e seus parceiros estrangeiros, ao reforço pelo Estado, dos capitais em bancos privados, à submissão incontestável aos (des)mandos da Troika que minou a soberania de Portugal e proporcionou o endividamento responsável pela austeridade que foi suportada pela população mais pobre com o desemprego, a emigração, a fome e a miséria em índices gravíssimos registados pelas organizações internacionais.
Até quando irá a capacidade do PS, no Governo de Portugal, de suportar a pressão dos políticos de direita que estão na União Europeia e dentro de cada país membro, a favor da acumulação do capital e contra os interesses dos povos pelo desenvolvimento humano e nacional? A dúvida paira em relação à sobrevivência da humanidade e da natureza em todo o planeta.
Os processos de colonização hoje repetem-se, executados por elites nacionais de cada país onde a democracia tornou-se uma ficção. Não só ocorre no Brasil, que vai sendo oferecido em feira de saldos pelos traidores enquistados no Governo, mas em outros paises onde as conquistas populares foram esmagadas a mais tempo ou não chegaram a se instalarem como vitórias. É a moda da direita ocidental que usa um discurso democrático e movimenta as armas através de mercenários ou da NATO antecedida por uma falsa campanha em "defesa" do povo a ser vitimado. Puras falsidades a encobertarem perfídia, como Gandhi responsabilizava o Império Britânico, na luta pela independência da Índia ha quase 70 anos.
Foram aperfeiçoadas as formas de exploração e de escravidão, mas a perversidade das elites atingiu níveis que ultrapassam a normalidade do ser humano. Passou a ser mais que um mero egoísmo, ou uma simples alienação dos que vivem acima das dificuldades da vida, é um fenómeno patológico que requer atenção, médica como o gosto pela violência, pela visão do sofrimento alheio, pela extinção dos que os contrariam simplesmente por existirem. O ódio aos pobres e às minorias étnicas, o desprezo pelas questões sociais, revela-se na incapacidade da elite de distinguir povo de clientela, de confundir desenvolvimento nacional com aumento de capital.
Povos em luta, uni-vos!
Que a solidariedade internacionalista desvende as diferentes formas de ameaças que mascaram o novo colonialismo!
Zillah Branco
quinta-feira, 23 de novembro de 2017
Heróis/Bandidos
A história da humanidade passa por fases que acrescentam, vagarosamente expandidas, conquistas pessoais dos indivíduos que fortuitamente puderam conjugar a percepção sentimental e racional às condições de realização de actos de efeito social. Assim, foi fruto de uma época denominada do "romantismo", a figura de Robin Hood (que teria vivido no século XII e descrito como herói mítico na Inglaterra em meados do século XIX) como o esperto rebelde de uma classe poderosa que "roubava para dar aos pobres".
A comunicação social, ha quase dois séculos, divulga e promove este modelo, adaptando a sua imagem às modas mais prestigiadas nas sociedades modernas. Dessa maneira a cultura social do sistema capitalista mundial elogia a "coragem individual de quem contraria os princípios que fundamentam a estrutura jurídica institucional, para proteger os cidadãos marginalizados na sociedade".
É de notar o fomento do "individualismo" e da "protecção caridosa" dos "heróis defensores" dos que constituem os "marginais" da sociedade, ao contrário dos conceitos de "solidariedade humana e social" que justificam o "valor ético da luta colectiva em defesa dos direitos democráticos de uma classe social explorada por uma elite financeira politicamente poderosa".
Com as várias crises, próprias ao desenvolvimento do sistema capitalista como previsto por Marx e economistas de diversas tendências teóricas, e com as crescentes conquistas no âmbito da democracia e da justiça social alcançadas pelos trabalhadores unidos em sindicatos, no segundo milénio surgem alterações na forma de imposição do domínio imperialista no moderno processo de "colonização" de nações menos desenvolvidas por aquelas que participam da elite do poder financeiro e militar. Aos poucos desvenda-se a "utilidade do individualismo" para uma afirmação do poder elitista contra a realidade em que sobrevivem os povos.
Os habituais "golpes" para derrubar governos que, de alguma maneira defendem a soberania das suas nações frente às exigências dos "donos do mundo", dão-se através da corrupção de agentes destacados dentro da estrutura dos Estados e da formação mental de membros do sistema judicial, militar, policial. São os agentes golpistas que se sobrepõem aos seus colegas profissionais, com capacidade financeira e política vindas do exterior para anular critérios democráticos instituídos e adotarem medidas de exceção. Dessa forma, aparentemente legal, validam um efectivo golpe sobre os governantes que recusam as formas de corrupção oferecidas para atraiçoar a pátria. Evitam a violência das anteriores acções armadas dirigidas pelas forças armadas do país visado.
Na América Latina, onde depois da chamada "década perdida" em que as economias nacionais foram destruídas pelo neo-liberalismo introduzido por Pinochet no Chile e pela acção do FMI nos demais países "em desenvolvimento", desencadeou-se um movimento de classe média com objectivo nacionalista mas também de unidade continental. Sob a liderança da Venezuela com Chaves e o exemplo de Cuba socialista, vários governos progressistas enfrentaram a oposição de direita para afirmar a soberania das suas nações perante o mercado e as pressões políticas e midiáticas imperiais, desenvolvendo um Estado Social para melhor distribuir a riqueza e combatendo as discriminações derivadas de um poder oligárquico escravista herdeiro do período colonialista no século XVI.
A fase das ditaduras militares que culminaram com o assassinato de Allende no Chile, deixando um saldo de chacinas e prisões políticas em todos os países latino-americanos, transitou para o Oriente Médio e Africa em busca de petróleo e minérios de alto valor, na promoção das chamadas "Primaveras" resultante das invasões pela OTAN e consequentes assassínios de governantes que resistiram à corrupção. A tarefa destruidora ficou a cargo do "terrorismo" abastecido em armas por Israel e Estados Unidos, evitando comprometer directamente as Forças Armadas nacionais.
Combatido internacionalmente, o "terrorismo" (atribuído aos grupos com denominações árabes, treinamento e armas imperialistas) e fortalecida a participação social na América Latina, a pretexto de salvar o sistema capitalista das crises que minaram os governos ricos, voltaram-se contra os frágeis governos democráticos e progressistas com um novo modelo de golpe "legalizado" mediante farta corrupção. No Brasil Michel Temer e seus seguidores baixaram a cabeça a preços variáveis e minaram o sistema judicial e policial para destroçarem as instituições sociais e, por seu lado, agradarem aos poderes internacionais que os apoia, vendendo ao desbarato as riquezas nacionais.
Em outros países foram colocados, com apoio midiático (na função de ponta-de-lança dos invasores) expoentes milionários, tal como Trump nos Estados Unidos, cumpridores de ordens do poder financeiro mundial. Estes figurantes, se o movimento de massas manifesta a sua força reivindicativa, vestem a fantasia de Robin Hood e passam a distribuir esmolas aos pobres, carinhos às crianças, beijocas às velhinhas, caçarolas às "madames". E vendem a pátria às fatias na feira internacional. Circulam pelo mundo como caixeiros viajantes das industrias de armas, químicos e farmacêuticas, repetindo ameaças de um poder militar mítico com frases desconexas de baixo QI que desperta sorrisos dúbios nos interlocutores.
Na Europa, onde o Estado tem tradição milenar com feição social, a dança é outra. Levam à cadeia ex-governantes (como o ex-primeiro ministro Sócrates, em Portugal, e alguns outros destacados políticos acusados como corruptos com abuso de poder) e aplicam multas bilionárias ao banqueiro Salgado (do centenário Banco Espirito Santo) pelas fraudes fiscais e outras, em processos que não terminam nunca e dão matérias para manter a mídia ocupada em confundir os espectadores e leitores dos jornais e livros, enquanto desmoralizam, aos olhos do povo que exige justiça, as instituições judiciais, militares e policiais que resistem à dissolução moral que, entretanto, vai "comendo pela borda" políticos e agentes administrativos incautos.
De modo geral esta "virose corruptora" não respeita fronteiras. Basta ver a lista de ilustres personalidades que, para fugir ao fisco, colocam as suas reservas financeiras nos "paraísos fiscais", como reis e rainhas (do Império Britânico, por exemplo) que passam por respeitáveis e são sustentados pelos contribuintes que mal têm o salário mínimo para escapar à marginalidade social.
Os noticiários sobre crimes (que alternam as notícias dominantes dos grandes clubes de futebol e grandes "shows" de altos sons, cores e roupas caras, como se a realidade do dia a dia fosse assunto só para os pobres) revelam que os mais pobres vão para a cadeia e os ricos para as suas mansões com direito a múltiplas entrevistas (sempre em feição de Robin Hood) e promoção das suas pretensas qualidades, como vítimas do Estado que ameaça todo e qualquer bandido, como se um milionário pudesse ser um "qualquer". Herói-bandido vá lá.
Zillah Branco
quinta-feira, 9 de novembro de 2017
Qual é a lógica do capitalismo?
Zillah Branco *Esta pergunta está na mente da humanidade, da maioria dos seres humanos que não se beneficiam da acumulação do capital nem dos privilégios do acesso à riqueza, nem mesmo da proteção do sistema judiciário institucionalizado. A maioria dos seres humanos hoje está na periferia do sistema.
Se a democracia realmente fosse aplicada no mundo, não seria possível assistirmos os despropósitos declamados pelo Presidente dos Estados Unidos no Japão sugerindo que aquele povo fosse amistoso com ele porque no passado a inimizade não deu bom resultado. Referia-se monstruosamente às duas bombas atômicas que mataram centenas de milhares de civis em Hiroshima e Nagasaki? E ninguém o levou para um manicômio? Nem protestou? O consolo que o mundo tem é ouvir programas divertidos criticando com ironia o Presidente, os políticos norte-americanos a discordarem das grosserias do Presidente, mas que continua a ser "O Presidente" de uma nação que se diz democrática. E que ameaça o mundo com a sua violência e prepotência.
Se a justiça social fosse aplicada de acordo com os princípios democráticos, o golpista Temer, e toda a corja que o apoia, não teria conseguido empobrecer o Brasil vendendo as riquezas patrimoniais como saldo aos amigos oportunistas, e cortado a bolsa família e as leis trabalhistas, além de congelar os orçamentos da saúde, da educação, da segurança social, destruindo a vida e as esperanças dos brasileiros que povoam esta nação!
Se a ética fosse respeitada dignificando os governantes poderosos do mundo desenvolvido, não continuavam a morrer afogados no Mediterrâneo ou no mar Egeu os milhares ou milhões de foragidos dos seus países invadidos pelos terroristas armados pelos imperialistas norte-americanos e europeus que abriram caminho com a OTAN em busca das jazidas de petróleo.
Se a solidariedade não fosse rejeitada como um princípio fora de moda, os milhões de africanos perseguidos por terroristas insuflados pela política capitalista não continuavam a morrer de fome arrastando a sua miséria pelos campos improvizados pela ONU.
Se houvesse no mínimo pudor, vergonha na cara, os monarcas britânicos não aplicavam milhões de euros nos bancos do Panamá e outros paraisos fiscais para fugir ao fisco no país que os sustenta. Nem o rei da república (?) espanhola colaborava com o sucessor de Franco na prisão de quem luta pelo respeito à autonomia da Catalunia! Afinal, reis e rainhas só deviam existir no baralho, pois saem mais caro que um orçamento de serviços sociais para atender as familias dos que trabalham.
Se a força e o poder do sistema capitalista só persiste matando e escravizando a maior parte da humanidade, roubando os Estados para lavar o dinheiro de drogas e corruptos, depravando a cultura tradicional para transformar em robôs as novas gerações, porque assistimos calados e coniventes sem capacidade de unir os povos para abrir o caminho para o socialismo?
Há um século os soviéticos provaram que existe uma alternativa real ao sistema capitalista que só busca a ganância e o poder explorador. É possivel, como provou Cuba, desenvolver com pobreza um povo culto, trabalhador e solidário, exemplo na formação de médicos que ajudam todos os países que necessitam apoio. É possivel, como provou o Vietnam ao vencer na guerra de extermínio a potência norte-americana super armada e com agentes químicos. É possivel, como prova a populosa China que tirou da miséria 400 milhões de camponeses e desenvolve o país que supera os limites da produção capitalista.
A Revolução Soviética, que criou escolas para formar militantes dos movimentos de libertação de todos os continentes e desenvolveu a ciência para chegar à Lua antes dos países ricos, aguentou quase 80 anos sob a pressão constante da Guerra Fria mantida pelos inimigos, ditos democráticos, que hoje exibem a sua crueldade, para quem quiser ver, na destruição dos seres humanos, da natureza, das noções de dignidade e de respeito humano, para quê? Para juntar dinheiro sujo e impor o seu poder nefasto.
Deixemos as diferenças e as vaidadezinhas que hoje são mesquinhas face à luta principal. A nossa união com os povos sacrificados é a única alternativa contra a barbárie que assola a humanidade, o único caminho da esperança de reconquistar as qualidades civilizatórias, criando as bases de um Estado social que garanta a vida de todos.
segunda-feira, 6 de novembro de 2017
A manipulação jurídica substitui as armas
Zillah Branco *O sistema capitalista tenta superar a sua crise final mascarando a realidade com a ficção da democracia e do respeito pelo Estado de Direito.
Ao contrário dos inúmeros golpes militares que chacinaram sanguinariamente populações em todo o mundo, hoje fazem uso das leis para matarem as populações mais pobres pela fome e a miséria social, destruirem as riquezas que garantem soberania nacional, adoecerem as novas gerações pela promoção das drogas e de uma cultura anti-ética que as torna alienadas, e pela corrupção financeira que elimina figuras públicas que poderiam atuar construtivamente na transição da sociedade para uma melhor distribuição dos rendimentos a caminho do socialismo. Assim, os golpistas aparentemente não mancham as mãos com o sangue, e a consciência com o peso da traição à pátria e à humanidade. Pensam poder passar por "pessoas respeitáveis", eternizando a sua posição na elite dominante.
Para que isto seja possível, tentam idiotizar as populações com mega-shows que esbanjam a riqueza roubada aos sistemas públicos de saúde, de educação e segurança social, dando a impressão de que a população tem acesso a espetáculos de gente rica e é feliz; promovem campanhas de apoio alimentar e de roupas para os que perderam a sua casa e trabalho, da qual desviam grandes negócios paralelos de venda de produtos usados ou fora de validade e aplicam impostos sobre as esmolas entregues às vitimas; vendem produtos inùteis com imagens de "alta moda" e material de baixa qualidade para que os que têm algum salário o gaste em quinquilharias perecíveis e não no próprio desenvolvimento cultural; divulgam processos judiciais contra algumas figuras dispensáveis depois dos crimes e fraudes com o capital, para convenceremm a opinião pública de que a justiça atinge a todos da mesma maneira; enfim, de mil maneiras tentam transformar os trabalhadores em burros de carga e a população miserabilizada em paisagem exótica, para além de uma classe média manipulável para manter o mercado interno e a política de submissão aos interesses financeiros.
No entanto o povo é inteligente e desenvolve a sua consciência de classe explorada. Conta com pessoas que têm o privilégio da formação escolar e de uma saudável base cultural e ética que os apoia formando escolas, divulgando em música, filmes e depoimentos escritos as informações sobre a necessidade de organizar os trabalhadores e toda a sociedade para transformá-la em benefício da maioria e do desenvolvimento da produção.
As formas de associação popular têm sido alteradas pela conquista de novos conhecimentos que eliminam velhos preconceitos e ignorâncias convenientes à elite dominante. A linguagem compreensível para a maioria vence o formalismo acadêmico redutor e os preconceitos culturais. A compreensão da análise dialética permite distinguir na ação política a identidade de propósitos de tradições aparentemente opostas. Novas alianças serão feitas para abranger diferentes grupos que necessariamente compartem com honestidade os objetivos éticos e revolucionários. Não ha contratos com promessas improvizadas. Os princípios que deram origem a leis não se confundem com as rebuscadas interpretações de um pretenso "dono do saber jurídico". A realidade da vida popular condiciona os principais interesses de luta social, adequada ao caminho histórico da sua formação cultural.
A primeira condição é a coragem de pensar e agir com liberdade. A segunda é a formação de um coletivo atento aos possíveis enganos e capaz de, no debate, defender as melhores condições de luta. Não ha submissão oportunista ao comando elitista, mas sim debate exaustivo para escolher o passo revolucionário que todo povo pode dar desde que unido.
Recusa terminante à corrupção; às prisões arbitrárias; às multas milionàrias para manter a liberdade condicional; à chacina dos líderes populares; às torturas psicológicas impostas aos defensores do povo marginalizado; às perseguições aos que defendem o ensino de qualidade e os direitos dos trabalhadores; aos abusos de poder praticados por funcionários e agentes do Estado; à pratica de salários dezenas ou centenas de vezes maiores que o salário mínimo.
Unidos, venceremos!
quarta-feira, 1 de novembro de 2017
Individualismo, egoismo, alienação
O sistema capitalista vem trabalhando ha mais de um século para destruir a cordialidade entre as pessoas, a solidariedade natural que fortalece o convívio, para despertar o individualismo que se sobrepõe à qualquer partilha comum aos afetos. O objetivo é vencer e ultrapassar todos, ser admirado e até invejado pelas suas conquistas, pela segurança com que fala de cima para baixo, pela capacidade de usar o seu poder em qualquer lugar e ver o medo em quem o serve. O mundo está aos seus pés, a humanidade vive para serví-lo e para isto deve ser útil e prestável.
A quem serve esta postura autoritária e de superioridade em relação aos que se subordinam? Certamente a quem já detém um poder: económico, político, social ou militar. Ou seja, a quem tem o privilégio de mandar nos cidadãos que dele dependem. A dependência de uns (a maioria dos cidadãos) por outros (uma elite que concentra o poder), devido à desigual distribuição das riquezas, da formação, da saúde, das condições de vida e trabalho. Portanto, a inexistência de um regime democrático.
Os psicologos e psiquiatras deviam divulgar os males causados pela formação individualista, que tem sido globalmente manipulada pelos "donos do poder" através dos meios de comunicação social e variadas formas de publicidade enganosa. As maiores vítimas de tal pressão social são as crianças e adolescentes, mas também adultos que cresceram com medo dos seus "superiores" e ainda os idosos e pessoas com carências orgânicas que reduzem a capacidade de se defenderem dos abusos dos prepotentes.
Por um lado, esta idéia de "superioridade" deforma o caracter da pessoa afastando-a do relacionamento normal com o outro que é considerado "inferior" por não ter tido os mesmos privilégios na sua formação; por outro lado, o conceito de superioridade deriva da sobrevalorização da riqueza ou da força, desconhecendo os valores éticos e filosóficos do outro. Quem se considera "superior" torna-se egoista, para não ajudar os demais que pretende dominar ou simplesmente despreza.
Em torno do egoista surgirão os mais débeis (que aceitam a proteção de um "superior", e os falsos amigos que o vão bajular para receber esmolas), mas dele se afastarão os que defendendem os seus direitos e a sua dignidade humana. É o quadro que as sociedades modernas hoje apresentam com maior visibilidade.
Esta é a imagem do próprio sistema capitalista que pretendeu abrandar a violência do comando anterior, medieval, de reis e chefes de Estado que condenavam à morte quem ousasse contrariar o seu poder ou à miséria os que não eram úteis às suas pretensões. Foi desenhada uma imagem com traços de democracia e de humanismo para permitir que os "inferiores" sobrevivessem com algum recurso financeiro para movimentar o mercado que alimenta o poder instituido. Em lugar da solidariedade que une os humanos por afeto, foi generalizada a "caridade" que distribui esmolas e promove o doador, mais uma vez definindo o "superior" que doa e o "inferior" que recebe. A violência física anterior foi substituida pela aparente benevolência dos poderosos, com a força da ilusão do respeito humano.
À medida em que o sistema capitalista aperfeiçoa a sua falsa imagem democrática, os individualistas fechados no seu egoismo alienam-se da capacidade de relacionamento afetivo. Muitos passam a sofrer do medo de se humanizarem, reconhecendo aí o seu ponto frágil para desmoronar aquela fortaleza aparente criada pelo seu ego e pelo poder que sabe exercer. Na verdade sabem que não construiram a auto-estima que só é sólida quando fazem parte de um coletivo que mantém laços de afeto e respeito mútuo - a família ou o grupo com que convive em igualdade de condições.
Se analisarmos os líderes populares que despontaram no mundo no último século e os Chefes de Governos que têm sido eleitos nas repúblicas de todos os continentes, vemos que o sistema capitalista sempre perseguiu e sacrificou os que assumiram valores humanistas e defenderam o caminho democrático e, ao contrário, tem apoiado um modelo perverso de Chefe de Estado, capaz de renunciar aos seus valores éticos e representar o papel de fantoche manipulado por um poder oculto, para esmagar o humano e promover o capital. O resultado tem sido traduzido na "austeridade" do povo trabalhador e no enriquecimento de alguns bilionários, com ar de mecenas para salvar náufragos, e de uma elite que domina as finanças controladoras da produção e da vida nacional.
É natural que os Presidentes ou Chefes de Governo eleitos ou golpistas sejam, cada vez mais, carentes de valores humanos essenciais (Bush, Temer, Trump, Rajoy, Theresa May, e tantos outros) para cumprirem o que o super-poder imperialista determine sem qualquer interferência de inteligência natural ou emoção humana. São "papagaios" que repetem o que lhes mandam dizer e evitam pensar para não sairem da linha. Burrificam-se e pensam que o povo é como eles, estupido também. O problema é que impõem decisões estúpidas que destroem as sociedades, provocam guerras, matam os mais pobres de fome, doenças e os crimes que divulgam como tema principal dos meios de comunicação.
Zillah Branco
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