terça-feira, 30 de abril de 2019

Lula é o Brasil, que se quer LIVRE e soberano !

Publicado no Portal Vermelho
30/04/19

O mundo acompanhou emocionado a entrevista do ex-Presidente Lula, sequestrado pelos golpistas que se curvam ao poder imperialista dos Estados Unidos. Cresceu o respeito e a admiração pelo operário que se tornou o mais importante Presidente da República do Brasil, que com a sua maneira de ser dá um exemplo de HONRA, DIGNIDADE e INTEGRIDADE a todo e qualquer ser humano.

Ele sofre as injustiças, ele chora a morte dos seus entes queridos, ele se indigna com os traidores da pátria que martirizam o povo trabalhador, ele recusa o ódio e busca nos que dele se afastam um resquício de respeito humano para poder dialogar. Nesta entrevista à Folha de S.Paulo e ao El País da Espanha divulgada mundialmente, assim como na que foi divulgada pela mídia progressista gravada em 1981 no início da sua trajetória política, Lula revela a mesma essência que orgulhosamente mantém 38 anos depois. De quem fez uma carreira de lutador sindicalista à Presidente do país com imenso exito nos contactos internacionais do mais alto nível político, solidário com outros povos em luta aos quais transmitia o seu plano para a recuperação econômica e a superação da miséria e da fome de milhões de brasileiros a partir dos investimentos sociais para promover os trabalhadores e a produção interna. Segue os conceitos desenvolvimentistas alimentados pelos cursos da CEPAL na década de 60 mas atualizados à luz das experiências socialistas de Cuba e outros países latino-americanos independentes da ganância do império norte-americano.

Os seus estudos são feitos sem livros, ouvindo explanações de quem estuda, fazendo perguntas, observando a realidade. Confessa ter preguiça de ler. Com a inteligência viva e metódica que tem utiliza a intuição como baliza do conhecimento. Mantem-se como todo o povo na formação da consciência, e utiliza a mesma linguagem para ser melhor compreendido.

Lula se revê nas lutas populares que fizeram a história do Brasil. É mais um herói como os que foram vencidos através dos séculos passados. A diferença é que chegou a ser Presidente da República durante 8 anos de governo e apoiou mais 8 anos da presidenta Dilma. A diferença é que com a evolução histórica, o herói popular assumiu o merecido lugar no governo e pode afirmar a soberania nacional perante o mundo, retirar da fome 40 milhões de pessoas, legalizar 6 milhões de micro-empresas, entregar 20 milhões de novas carteiras de trabalho assinadas, fortalecer a investigação científica e criar universidades que permitiram integrar os estudantes mais pobres e os cidadãos discriminado por preconceitos racistas, de gênero ou opção sexual, fortalecer empresas públicas de grande importância internacional, participar de reuniões mundiais e levar o Brasil a uma projeção nunca antes alcançada no mundo. Com os recursos criados internamente pagou a dívida com o FMI criada por governos anteriores e elevou a riqueza nacional fazendo do Brasil uma potência em desenvolvimento.

Além de criar condições para a independência do Brasil, Lula conquistou amizades em muitas regiões do planeta, sendo sempre solidário com os que lutam pela soberania dos seus países e pela criação de melhores condições de vida para todo o povo. Tal como Mandela na Africa do Sul, despertou a admiração de politicos conservadores que reconheceram o valor da luta popular para vencer os obstáculos que as elites levantam por egoismo e crueldade. A grandeza interior de Lula, como ser humano, potencializa os seus planos de ação política sempre a favor das camadas mais desprotegidas da sociedade.

Caracteriza-se pela busca da unidade de esforços mesmo que a maneira de pensar e agir dos governantes seja diferentes da sua. Assim também procura o diálogo com os que são contrários a ele. Confia na justiça, na lógica da realidade, com auto-suficiência. Se reconhecer que o outro erra por fragilidade pessoal, fica com pena. Como diz de Palocci: "ele não tinha o direito de destruir a sua própria vida, como fez". E lembra o valor da mãe de Palocci, "que amassou barro para construir o PT em Sorocaba". A sua visão cristã da mãe se sobrepõe para revelar a profundidade da dor pelo ato do ex-companheiro de lutas. O humanismo de Lula é determinante na sua conduta e impõe o respeito pela pessoa do "outro". Isto o leva a não recusar nunca o diálogo, a considerar que para governar um país deverá ouvir e dar espaço aos que lhe são contrários.

Sequestrado e preso por razões meramente políticas, quer dialogar com seus algozes para provar o erro deles e, talvez, convencê-los - como tem a certeza de que ocorrerá "na hora da extrema-unção". Quer dialogar com os membros do poder judicial, com os militares, com os empresários, com os que antes o aceitaram como Presidente e receberam apoio às suas reivindicações.

Sobretudo Lula quer dialogar com o povo que foi traido por Temer e por todos os entreguistas que são lacaios do imperialismo! Para isso tem incentivado a união de todos os brasileiros em uma frente progressista para lutar pela vitória de um programa que fortaleça o povo e retome o caminho do desenvolvimente nacional.

Que a força da personalidade de Lula estimule todas as organizações partidárias e dos movimentos sociais a seguirem o seu exemplo de dignidade pela reconquista da soberania nacional e da defesa dos direitos humanos e de cidadania para todos os brasileiros.

Zillah Branco

quarta-feira, 10 de abril de 2019

A libertação da consciência popular

Artigo publicado nos portais
Resistência e  Vermelho
10/04/19


O mundo vive um momento alto da emancipação popular que coincide com o agravamento da crise sistémica e a maior, e mais pérfida, agressão do imperialismo. São os polos opostos do confronto entre os explorados e os exploradores.

As migrações forçadas em busca de melhores condiçōes de vida, que sempre existiram ao longo da história da humanidade em função de catástrofes naturais que provocavam a fome e a morte, ou de agressões de grupos mais fortes em busca de escravos ou de territórios mais ricos. Com o surgimento de conceitos "civilizacionais" foram sendo definidas as castas e classes dominantes dentro de impérios e Estados que deram origem a instituições que atribuiam o poder (com alegações religiosas e de superioridade cultural)   imposto como uma fatalidade (garantida pela violência armada) aos povos trabalhadores privados das condições de desenvolvimento físico e cultural. Eram os nobres ricos que tinham o direito de escravizar os que precisavam serví-los para sobreviver.

Para reforçar a distância que separavam ricos de pobres, foi afirmada como indiscutível a superioridade com que nasciam os nobres em relação aos seus subordinados. Foram milênios de imposição desta fraude que só pode ser contestada a partir do desenvolvimento científico. Vamos encontrar "descobertas", louváveis na época e "óbvias" hoje, nas primeiras décadas do século XX, de observadores europeus, portanto brancos, de que os povos negros da África, ou os "amarelos" do Oriente, ou os "escuros" da Índia, da Polinésia e os indígenas dos países do Terceiro Mundo eram tão humanos como os brancos. Lentamente a ciência foi comprovando que todos têm as mesmas aptidões e capacidades para o desenvolvimento mental e físico desde que respeitadas as suas condições de vida e compreendidas as suas respectivas culturas, que eram destruídas nos processos de colonização.

As ciências foram multiplicando as provas da igualdade entre os seres humanos, mas os preconceitos raciais, de gênero, de opção sexual, e de opinião contestatária, foram cristalizados pelos "donos" do poder assegurado pela estrutura de propriedade e de acumulação das riquezas do sistema capitalista. Foi a partir da Revolução Soviética - que levou à criação de uma potência mundial a partir de sociedades que adotaram o sistema socialista de vida para os seus povos - que ficou patente a fraude dos preconceitos que são usados pelo capitalismo como armas segregacionistas. Surgiram os movimentos feministas e anti-racistas, fortaleceu-se o sindicalismo operário, inspirando o associativismo estudantil, de artistas, de profissões liberais, de moradores, para a defesa dos seus direitos usurpados pelo corporativismo de elite colado ao poder.

A história do colonialismo transformou a escravização (de africanos, asiáticos e os povos  nativos do continente americano, da Austrália e outras regiões isoladas) em uma forma mercantil, assim como as injustiças inerentes do sistema desenvolveram a mercantilização do sexo pela prostituição imposta às jovens de origem pobre, e outros comércios de jovens competidores em lutas consideradas esportivas, ou tornados criminosos a serviço de patrões (jagunços, seguranças pessoais e gangues criminosas até chegar aos "terroristas" que são utilizados nas guerras modernas como mercenários que substituem exércitos regulares de países invasores).



Emigrantes ou fugitivos do caos social?

Com o surgimento do neo-liberalismo a migração interna nos países mais pobres foi dinamizada pela rápida projeção de alguns centros urbanos em sociedades mais ricas tornadas polos de um desenvolvimento de serviços onde proliferam pequenas indústrias têxteis e a valorização de imagens exóticas integradas nas artes populares. Grande número de jovens nativos de regiões onde a população indígena não encontra trabalhos fora da agricultura, emigra para zonas urbanizadas mais modernas dos países vizinhos onde enfrentam duras condições de trabalho sem regulamentação (que se assemelham à escravidão) e procuram evoluir com a apresentação das formas de arte dos seus ancestrais que, além de enriquecerem e diversificarem os núcleos artísticos populares, fortalecem uma identidade nacional que os ajuda no processo de identidade a suportarem os preconceitos que os  obriga à submissão nas relações de trabalho e no confronto com os demais trabalhadores de origens nacionais diversas concorrentes no mercado de mão de obra barata.

Os estudos antropológicos nas universidades promovem um elo entre os estudiosos com os trabalhadores de origens étnicas variadas, promovendo a valorização da consciência nacional e étnica desses trabalhadores e suas famílias e combatendo o preconceito que é a arma maior da exploração patronal.

As contradições do sistema capitalista, agravadas com a sobre-exploração dos trabalhadores pela não aplicação da legislação trabalhista que destrói a segurança contratual, são o grande incentivo para que as forças partidárias de esquerda, os sindicatos e as associações solidárias com os setores marginalizados, divulguem os protestos contra todos os preconceito tornados ferramentas discriminatórias para o exercício da exploração patronal.

Ameaça global

O agravamento da expansão imperialista com o uso da OTAN para invadir países com reservas de petróleo e outros minerais de alto valor, para derrubar governos que aplicam os princípios democráticos de tipo socialista visando um maior equilíbrio da renda nacional e o desenvolvimento das alavancas sociais para tirar o povo do atraso herdado da exploração centenária do colonialismo e do neo-liberalismo (dando-lhe um sistema universal de saúde, ensino em todos os níveis, emprego e previdência social, transporte e habitação condigna), ao provocar genocídios e destruição de cidades que horrorizam o mundo, destrói as instituições jurídicas em defesa dos Direitos Humanos criadas a nível nacional e internacional, tem despertado um panorama favorável ao desenvolvimento da consciência cidadã de esquerda. As pessoas que não sucumbem ao desespero da aparente impotência diante do poder nefasto descobrem caminhos de união para salvar a civilização.

A eleição de uma figura grotesca e pre-potente como Trump nos Estados Unidos e outra como Bolsonaro (que não tem as condições mínimas para ser dirigente de coisa nenhuma e foi feito Presidente do Brasil), provocam o despertar até mesmo de uma burguesia que não foi totalmente engolida pelo egoísmo desumano para a necessidade de impedir que o planeta seja destruído pela ganância diabólica de uma elite criminosa.

O exemplo dado por Lula - que estoicamente aguentou uma perseguição sem tréguas e sem justiça, estando há um ano em prisão política por ter colocado o Brasil ao lado dos grandes países por sua grandeza econômica e capacidade de superar o atraso herdado historicamente, que introduziu serviços sociais que salvaram 40 milhões de brasileiros da fome e criaram universidades e instituições técnicas e científicas para formar os profissionais capazes de aproveitar as jazidas de petróleo do Pré-sal, a Amazonia, as bases científicas de Alcantara e toda a inteligência brasileira para afirmar a soberania nacional e as melhores condições de vida para mais de 200 milhões de cidadãos - há de semear a unidade de todo o povo com o apoio mundial para reverter o desastre que o imperialismo norte-americano introduziu pelas mãos dos traidores da pátria que forjaram uma eleição graças ao desespero em que os eleitores se viram afundados iludidos por fake news veiculados pela mídia hegemônica e uma falsa igreja pentecostal.

É um novo caminho a ser construído a partir da realidade em que vivem os 220 milhões de brasileiros, com 40 milhões de volta à fome, 46 milhões de desempregados, estudantes sem escola, doentes sem médicos, o rico patrimônio nacional entregue ao usurpador imperial, o crime e a violência incentivados por um governo submisso e vendido ao capital estrangeiro, um Estado com os serviços institucionais destroçados e a Justiça violada por profissionais acovardados.

Lula Livre! Um comité de luta em cada município, uma célula familiar em cada casa para unir as gerações! O povo unido jamais será vencido!

Zillah Branco

segunda-feira, 1 de abril de 2019

A ONU ainda funciona como mediadora nos conflitos internacionais?



Zillah Branco
01/04/2019 
Pubicado pelo  Portal Resistência 

Como é possível que a ONU - criada para manter o mundo em equilíbrio político - não impõe um paradeiro à exibição de poder supranacional liderado pelos Estados Unidos, governo que promove o roubo das riquezas nacionais e a indignidade dos traidores da pátria eleitos por processos fraudulentos com base em fake news e corrupção, aprisionando os heróis dos povos e exterminando a justiça institucionalizada que os povos tinham?

Como os povos - que acreditam no Estado de Direito - podem se defender da sanha criminosa dos bandidos que ocuparam o poder no sistema capitalista?

Vamos continuar a enumerar, impotentes, os continuados atos de prepotência e violência praticados pela elite financeira e militar do sistema, sem receber o apoio solidário da ONU que foi criada e mantida exatamente para equilibrar as forças globais?

De falas mansas e sentimentos generosos o mundo está farto! De debates jurídicos sobre leis que ficam escritas e não são aplicadas estamos todos cansados! Indignados!

É preciso que cada responsável - por organismos internacionais e nacionais - para garantirem a integridade das nações assumam as suas responsabilidades (pessoais e dos cargos que ocupam), ao nível dos heróis que têm enfrentado a opressão e a morte pela defesa da humanidade e dos princípios morais e éticos que ela conserva há pelo menos dois mil anos. Está em causa a Civilização e a Natureza no planeta Terra!

Desliguem os programas da mídia hegemônica, que são novelas para turistas e rentistas dependentes da Bolsa, e acompanhem a realidade através dos canais de informação que revelam os sofrimentos reais dos povos mas também a capacidade de resistência que inspiram apoiados na militância política e social e na solidariedade internacionalista. Todas as associações se manifestam, até os idosos e os adolescentes, dispostos a impedir o avanço dos criminosos que poluem a humanidade e destrõem o solo e até o clima, para não falar no patrimônio resultante da criatividade científica, artística e filosófica nos últimos dois mil anos de história.

Quando se vê que o império britânico entrega ilhas inteiras, como forma de transação financeira, para servirem de bases estratégicas no arquipélago de Chagos, situado no oceano Índico (pertencente às Ilhas Maurício que são independentes desde 1968) aos Estados Unidos e expulsa milhares de habitantes nativos para as favelas das grandes cidades; que o fantoche Bolsonaro dá como prenda a Trump a base militar e científica de Alcantara além de prometer as jazidas de petróleo do Brasil; que o jornalista Julian Assange está fechado e ameaçado de prisão ha 7 anos na embaixada do Equador em Londres, por ter divulgado notícias verdadeiras para informar os povos; que a destruição militar de países no oriente médio e norte da África que têm petróleo, produziu milhões de emigrantes que circulam pelos mares para se tornarem mão de obra barata em países  organizados; que os povos que enfrentam a miséria para serem independentes sofrem ataques com armas, venenos ou energia cibernética (como ocorreu com a Siria e agora com a Venezuela); e tudo isso é realizado pelo imperialismo norte-americano às claras e com divulgação midiática, com a submissão de escroques de vários países latino-americanos e da Europa rica, além da complascência dos organismos internacionais. Esperam que os humanos que sobreviverem aguardem a proteção divina?

Pergunta ingênua

Coloquei as perguntas que qualquer pessoa indignada com os acontecimentos mundiais poderá fazer por desespero. Já há muitos casos de suicídio ou de refúgio na alienação como recurso para aguentar o absurdo de toda a humanidade depender de fascinoras, covardes ou cúmplices corruptos.

Mas, ao analisar a história do imperialismo, que já é antiga e passou pela utilização do fascismo e do nazismo, que foram registados como iniciativas de loucos como Mussoline e Hitler, sem revelar o poder imperial que os utilizou como ponta de lança para quebrar as resistências, que centralizou a política financeira para manipular os rumos do sistema capitalista no mundo, e cautelosamente estimulou a comunicação social para dirigir os interesses das nações e a cultura das populações de modo a se deixarem escravizar pela ambição de poder que tanto enferma os indivíduos como os setores políticos esvaziando-os dos princípios humanistas. Um vasto plano maquiavélico de construção de sociedades onde a ambição de lucro e poder social substituiu a fé no divino. Isto ocorreu nos anos 30 e 40 do século XX.

Foram criados cursos universitários aparentemente abertos para colher todas as idéias e capacidades dos estudantes e pesquisadores de ciência, tecnologia e arte, foram investidos os dolares necessários em bolsas de estudo, equipamentos, publicações de teses e livros de divulgação, foram estimulados todos os conhecimentos - de armas a medicamentos, de filosofia a manuais de treinamento físico e mental, de levantamento das realidades da vida à criação de modas de vestuário e de objetos de consumo, de energias à produção de carros, iluminação pública e doméstica à produção de bombas e misseis, enfim tudo o que se desenvolveu rápidamente no século XX permitindo que fosse atenuada a miséria dos trabalhadores nas cidades e a classe explorada fosse dividida em degráus de desenvolvimento onde vê, no topo o modelo cobiçado de luxo e poder. Restaram os muito pobres que foram considerados "os miseráveis" que por escolha própria ou inércia se conservam como os "indígenas" que devem representar a face folclórica das sociedades organizadas.

E este mito só começou a ser quebrado pela experiência vitoriosa da revolução soviética, e as demais que seguiram o seu exemplo, onde se conservou o respeito pelo humanismo e a ética como parâmetros fundamentais da humanidade.

Para interromper o caminho desvairado de violência e maldades que caracterizaram os governos fascistas que cultivam os dotes psicológicos mais negativos, o imperialismo salvou os sionistas ricos e empreendedores que aceitaram integrar o poder econômico e cultural dos Estados Unidos deixando milhões de judeus e de civis de várias origens e de esquerda serem dizimados nos campos de concentração e nas guerras enfrentadas pelos "aliados" que se viram forçados a pedirem socorro ao exército criado pela União Soviética que venceu militarmente aquele governo cruel e anti-humano no seu território e fora dele até alcançar a vitória esmagando o poder fascista em Berlim. Isto criou um sério problema para o comando imperialista que teve de "engolir" a solidariedade dos defensores de um sistema socialista oposto ao capitalismo de que depende o seu poder.

A divisão da humanidade para facilitar o domínio fascista

Com o ressurgimento da figura fascista criada pelo imperialismo, reascendem os preconceitos que sempre foram utilizados para opor grupos classificados racialmente, ideológicamente ou pelas opções de vida, apregoados fartamente pela mídia bem remunerada. O anti-semitismo só existe insuflado por motivos políticos e mantido pelo Estado de Israel que para este fim foi criado pelos paises "aliados" ao império liderado pelos Estados Unidos.

A manutenção dos conceitos de raça pura superior é aplicada apenas pela elite conservadora pois os povos convivem como iguais em todo o mundo no contexto do trabalho e da sobrevivência. Mas, depois que Trump dobrou a espinha dorsal da União Europeia com a questão de abrir embaixadas em Jerusalém para impedir que os Palestinos sejam respeitados, então a mídia francesa promove os baderneiros "coletes amarelos" que detonaram críticas várias a Macron, a anti-semitas. E voltam à mitologia do anti-semitismo para dar ao rascismo um papel provocador de conflitos que oculta as razões de exploração dos pobres pelos ricos.

Os protestos de rua estão multiplicados por todos os países contra a política social-democrata imposta pela UE que disfarça a defesa dos bancos com falsos orçamentos para destruir as conquistas dos direitos trabalhistas. Pintando de anti-semitismo os protestos populares serão mais facilmente reprimidos pelos governos já comprometidos com o fascismo coordenado por Trump.

Guerra fria em curso

A marcha do imperialismo para preparar o domínio fascista sob a sua tutela repete a situação vivida no século passado. Em relação à esquerda retomam o anti-comunismo nas formas insidiosas dos preconceitos culturais que a mídia hegemónica introduz nas suas informações, o que muitas vezes é repetido inconscientemente nos canais de internet e mesmo em artigos de autores progressistas. Analisam situações históricas a partir da "simpatia" pelos governantes e caem em julgamentos superficiais acerca dos que defendem territórios ameaçados pelas invasões "pacificadoras" do imperialismo.

É claro que a ONU deveria agir para evitar a catástrofe anunciada! Mas, os seus responsáveis estarão com o "rabo preso", assim como os da União Europeia, nas tramas do mercado e da política financeira do sistema capitalista em crise?

Poderemos esperar que os princípios humanistas e o conhecimento dos crimes imperdoáveis ocorridos nas Grandes Guerras a partir de um quadro semelhante ao que agora se desenha, darão coragem e dignidade aos atuais responsáveis pelo equilíbrio das forças no mundo?

Até agora, ao que parece, vários governantes no Conselho da Europa assumiram a covardia aos olhos do mundo deixando que o imperialismo destruisse povos e paises em benefício do capital que é gerido pela elite financeira; que os Estados Unidos impedissem o cumprimento das regras de mercado mundial com países como Cuba e Venezuela; que fosse imposta através dos seus emissários terroristas a sabotagem nos centros de energia e nomeassem um traidor como "presidente auto-proclamado" para provocar conflitos entre os venezuelanos; apoiaram Netanyhau para vencer as eleições em Israel apesar de acusado internamente por corrupção; façam campanha internacional contra a Siria - que reivindica as colinas do Golã a que tem direito - depois de terem tentado destruir o país por meio de ações terroristas causando milhões de mortos e feridos além de um problema mundial de migração massiva.

O exemplo do Papa Francisco na defesa da Paz e da dignidade das instituições nacionais e internacionais, que tem obtido apoio das demais organizações religiosas e a adesão de milhões de pessoas mesmo sem crenças metafísicas, não é suficiente para despertar o sentido da integridade nos altos escalões da política internacional?

O desenvolvimento cultural dos povos que hoje se solidarizam pelos laços humanistas aceitando as diferenças de opção como características históricas, não promove o respeito pela elite dominante?

O caminho é a resistência de todos os que vivem pelo fortalecimento da humanidade dignificada!

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terça-feira, 19 de março de 2019

Luta permanente pelo
desenvolvimento democrático

Zillah Branco
19/03/19

"Todas as sugestões serão benvindas, nunca a ingerência", como referiu Wang Yi, Ministro das Relações Externas da China ao apresentar plano para solucionar políticamente os conflitos. Na tradição do pensamento milenar oriental, esta afirmação deve ser adotada como um ditado popular e filosófico.

O cidadão que enfrenta a vida de pobre e sobrevive com ânimo para buscar novos conhecimentos que sirvam como alavanca para progredir e transmitir aos seus filhos e companheiros de luta, compreende e enriquece a sabedoria milenar. Precisa é ser respeitado pelo coletivo que empreende as ações de organização e desenvolvimento nacional, tendo por base a das forças produtivas - materiais e humanas.

A tarefa solidária desempenhada por quem teve o privilégio de estudar e aprender a organizar um plano de luta gradual que atraia todo o povo trabalhador e a juventude em formação para reconstruir o Estado democrático, é reunir todas as sugestões que não abram caminho às ingerências inimigas.

O egoísmo é uma doença anti-social

Vivemos um momento caótico de egoismo desesperado de uma elite política selvagem e cruel, que não tem saída para o caminho truculento e criminoso que pretende manter o poder sobre a humanidade. Não satisfeita com o monopólio sobre as riquezas naturais utilizadas para o seu conforto, destrói as conquistas dos trabalhadores e populações pobres de todo o mundo que criaram as condições mínimas de sobrevivência baseadas em leis e conhecimentos fundamentais para manterem a evolução da civilização no planeta.

Diante do poder ocupado por vândalos desequilibrados como Trump, Bolsonaro e tantos outros que a eles se submetem entregando as riquezas nacionais e os conhecimentos técnicos e científicos expoliados aos povos, é urgente a criação de um plano de ação para salvar a civilização com as suas características nacionais e históricas que traduzem os valores mentais, éticos e patrimoniais da humanidade no seu conjunto.

Basta de mentiras e fórmulas especiais de "democracia privada" oferecida como solução pré-eleitoral para evitar que os pobres morram e desapareça o necessário mercado interno de consumo de bens essenciais. O ser humano não é rico nem pobre, é um ser capaz de sobreviver, criar soluções para o desenvolvimento, defender os direitos de cidadania, valorizar o meio ambiente, aplicar a inteligência natural no progresso da civilização.

Inteligência artificial para escravização cultural

Através da internet está sendo criada uma "inteligência artificial" que é recolhida e processada por robôs sob a condução da elite dirigente do imperialismo. Ou seja, através do conhecimento das pessoas que utilizam whatzap, face book ou instagram, os "donos do mundo" constroem um pensamento com as características dos grupos que se intercomunicam, o qual vai aparecer como uma "conclusão" ou "modelo inteligente" a ser seguido. Criam, portanto uma "fórmula" para bitolar o pensamento humano excluindo a sua dinâmica natural que é evolutiva.

A partir desse modelo, revelado por pessoas e grupos com determinadas características históricas, sociais e políticas, os donos dos robôs vão vender às empresas que criam produtos atrativos para os grupos ou classes definidos. Isto significa que a inteligência de cada um fica amarrada, sem vontade própria, à resposta oferecida pelo produto oferecido comercialmente ou políticamente. Assim agiram os promotores das campanhas eleitorais para convencerem os eleitores de Trump, de Bolsonaro, dos apoiantes de Guaidó. Transformaram os eleitores em uma "manada" irracional conduzida por um "inteligente criminoso".

Além, dessa mesma elite imperialista, roubar as propriedades nacionais que são a base do trabalho produtivo - as terras, as ferramentas, as máquinas, o conhecimento profissional, etc. - dos povos, agora destroem o sistema judicial de defesa dos cidadãos e impõem limites ao tratamento da saúde, à formação escolar, à previdência social, às descobertas tecnológicas e científicas que existem em cada nação e passam a controlar a inteligência das pessoas como se fossem débeis mentais para que cumpram dentro de normas aparentemente "democráticas" um falso papel de "liberdade de escolha" dos governantes que vão impor um regime adequado aos objetivos do imperialismo expoliador.

O imperialismo, através de magnatas (como Soros e outros) e grandes empresas que dão prêmios estimulantes aos jovens que se dedicam à humanidade - na defesa da natureza, no amor aos cães domésticos, na informação social, na divulgação dos problesmas graves em que os pobres tropeçam - desde que façam a apologia do indivíduo como vítima e não da classe trabalhadora e expoliada que representa. Preconiza a superação das ideologias, de esquerda e direita, promovendo a dúbia social-democracia que se equilibra sobre o muro com o olhar enevoado por falsas informações para não distinguir o óbvio: rico no poder e pobre na miséria = direita e esquerda.

Assistimos desalentados ou desesperados à uma crise completa de valores que nega, em primeiro lugar a inteligência das elites mais poderosas que inventaram uma "democracia" privada a ser distribuida de acordo com o gráu de submissão que os grupos ou classes humanas revelam. É sabido, para quem estuda a história dos povos, que a escravidão destrói com violência e crueldade a capacidade de defesa do ser humano. Como recurso de sobrevivência ele foge ou passa a defender os seus "donos" tornando-se corrupto e oportunista.

Mas a Antiguidade revelou casos de confronto na defesa da dignidade humana de quem foi dominado pela força e as armas por uma elite. As elites, assim confrontadas, são vencidas e têm de fugir ou submeter-se aos lutadores. Essas foram as sementes revolucionárias que a história acumulou para definir as condições necessárias para que os trabalhadores oprimidos não sucumbam diante do uso da força e do poder econômico contra as populaçôes mantidas na miséria, sem assistência médica e acesso à formação profissional. A condição inicial é o sentimento de solidariedade e respeito humano,  sem preconceitos divisionistas, seguido da capacidade de organização e ação coletiva em defesa de direitos sociais e econômicos que criam condições para atingirem uma representação política - sindical, partidária, intelectual, parlamentar até chegar ao governo e à administração do Estado.

O socialismo define o regime que deriva deste percurso da classe trabalhadora contra o domínio de uma elite que utiliza o sistema capitalista para impor a sua força derivada do acúmulo do capital privado e do controle das forças armadas e do mercado nacional e internacional. Até o recente movimento de adolescentes que se levanta no mundo (com apoio controverso, como é moda hoje na ação social-democrata) a partir da projeção da jovem suéca Greta Thumberg, reconhece que é preciso mudar os parâmetros da vida política e também "o sistema" que os condiciona. Com a inteligência natural, o espírito de solidariedade, a força de vontade, a saúde e o conhecimento da história de vida, a humanidade afirma a sua condição revolucionária e supera a manipulação dos retrógrados imperialistas. Organizam-se os que lutam pela Paz e expulsam a elite opressora que ocupa o poder.

A repulsa do imperialismo aos revolucionários

A elite do sistema atribuiu à jovem Greta Thunberg um "sindroma de autismo" para explicar a excepcionalidade da sua análise objetiva, lúcida e revolucionária do sistema capitalista falido. Não querem aceitar que a lógica de uma humanidade sadia leva ao conhecimento da ciência da vida que permite a todos sobreviverem e desenvolverem as suas capacidades mentais e físicas em benefício de todos os que não pretendem usar o poder ccom o egoísmo expoliador.

Com firmeza e paciência, sem perder a coerência do objetivo revolucionário, este caos criado pelas crises cíclicas do sistema capitalista será superado por um sistema democrático e responsável pela defesa da natureza e da humanidade no planeta.

Na América Latina a velha batalha dos povos contra a dominação colonial que se foi transformando em imperialista, tem dado provas do esforço dos seus povos na criação de nações independentes. Cuba fez a sua revolução com o apoio histórico da União Soviética, descobriu o seu próprio caminho de desenvolvimento socialista e suportou seis décadas de embargos impostos pelos Estados Unidos na liderança do império capitalista globalizado. A presença desta semente revolucionária demonstrou o caminho para a libertação de um povo capaz de organizar a sua luta, a sua sobrevivência e desenvolver as suas capacidades. Inspirou outros povos a lutarem contra a opressão.

O Chile de Allende, na década de setenta, deu um paço gigantesco que trouxe a esperança ao mundo do capitalismo globalizado. Foi cruelmente destroçado depois de três anos de luta em que abriu caminhos inovadores de fusão popular de populações nativas e imigradas da Europa que se irmanaram como chilenos revolucionários. Ficou o exemplo da firmeza de Allende e milhares de líderes revolucionários assassinados por não abandonarem a dignidade e a defesa revolucionária da sua nação.

Outras experiências se sucederam na América Central - Nicarágua, São Salvador - que sofreram a pressão imperial dos Estados Unidos. No entanto, na Ásia o exercito imperialista foi vencido no Vietnam de onde foi expulso pelo povo liderado por Ho Chi Minh que deixou importantes ensinamentos sobre a organização da resistência popular que foram divulgados pelo mundo em luta. Na Africa do Sul o férreo combate ao "appartheid" racista superou a força dos antigos dominadores que impunham a "superioridade racial dos brancos" e elegeu o herói Mandela como o primeiro Presidente negro no país.
Apesar dos vários governos de orientação neo-capitalista que o imperialismo apoiou na América Latina e das ditaduras militares que foram impostas para vencer a resistência popular, o século XXI assistiu à redemocratização de vários países latino-americanos que se expandiram através de organismos de convívio político e trocas comerciais: ALBA substituiu a OEA unindo o continente com exceção dos Estados Unidos e Canadá que representavam o império ameaçador. A Venezuela, liderada pelo presidente Chaves e apoiada por Cuba foi a grande força revolucionária de apoio aos governos democráticos eleitos no Brasil, Argentina, Bolívia, Uruguai, Paraguai, Chile, Nicarágua. Cada nação seguiu as suas condições históricas e os caminhos adotados por seus líderes.

Os Estados Unidos também sofrem a ebulição interna de sua população que acordou sobretudo na derrota militar no Vietnam e que, explorada nas várias crises financeiras do sistema, entendeu a necessidade de mudança para alcançar a verdadeira democracia e a identidade com os demais povos em luta pela independência. Dentro do espaço nacional mantém a contradição entre o poder imperialista e o governo nacional que reflete os anseios populares. O poder supra-nacional escolheu Trump como fantoche para ocupar o Governo e comandar os ataques externos. Assiste às manifestações internas de solidariedade com a Venezuela, com os imigrantes que chegam de outros continentes vitimados pela ação imperial, com o Brasil onde a submissão do traidor Temer e agora do fantoche Bolsonaro destroem o património e o desenvolvimento alcançados pelos governos de Lula, com as lutas mundias contra o machismo, o racismo, os direitos de opção sexual e a liberdade de pensamento.

O momento é de resistência e de solidariedade internacionalista. O apoio é trazido pela China socialista que em aliança com a Russia e outros países que compõem uma força geopolítica antagônica à do bloco capitalista dirigido pelo imperialismo. Em causa está a sobrevivência do planeta - natureza e humanidade - ameaçada pelo aquecimento global , as armas atômicas e a tecnologia aplicada pela "inteligência artificial" na deformação da cultura divulgada pelos meios de comunicação social.

A campanha por Lula Livre unifica a esquerda brasileira em torno do programa em benefício do povo e não da política financeira que apenas enriquece uma elite traidora e desumana. Ela repercute em todos os países que sofrem a destruição imposta pelo imperialismo catastrófico e ensina as novas gerações a defenderem o seu futuro que é o dos povos livres.


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quarta-feira, 13 de março de 2019

A decadência dos governos submissos

Império do mau carater

Zillah Branco
08/03/19

Assim como nos séculos XVIII e XIX houve uma valorização na percepção da classe trabalhadora explorada pelas elites por filósofos humanistas com pensamentos religiosos ou ateus que defendiam os princípios éticos e valorizavam a dignidade, apesar de divergirem na ação social generosa em lugar da solidáriedade, no século XX o sistema capitalista fortaleceu-se com a imposição de ações falsas vestidas de princípios democráticos e humanistas. Para alcançarem o poder político em cada nação passaram a escolher pessoas que aceitaram a corrupção para representarem o papel dúbio de "democratas" condicionados aos interesses do sistema financeiro que prioriza claramente o fortalecimento da elite exploradora, que tem acesso a todos os privilégios, em detrimento do povo que inclui desempregados, trabalhadores braçais e os com formação profissional média.

A ética foi banida e substituida pela generosidade pontual em casos extremos, com o título de "democracia social". Com a supremacia dos Estados Unidos da América como potência econômica capaz de gerir a fase imperialista mundial, concentrando o capital no controle do sistema financeiro e do mercado externo, que se tornou um poder acima do governo naquela nação, deu início à escolha de presidentes que aceitavam qualquer imposição da lógica capitalista que feria os básicos princípios de idoneidade. Foi o caso de Trumam que se responsabilizou pelo bombardeamento de Dresde, quando a Alemanha já havia sido vencida, e de Hiroshima e Nagazaki, com bombas atômicas quando o Japão já reconhecera a derrota. Só mesmo um homem capaz de executar atos de traição às populações civis para demonstrar o poder militar do imperialismo, ou seja, despido de qualquer dose de sentimento humano e de respeito pelos povos, poderia desempenhar este nefasto papel. Estava lançado o modelo de presidente nacional susceptível de controle superior.

Aos poucos foi sendo aperfeiçoado este modelo ideal, que era vinculado aos partidos de direita, deixando a máquina do governo sem espaço para alternativas que os de centro -  que se diziam democratas - tentavam quando eleitos. E, se insistiam, sofriam atentados, como ocorreu com Kennedy. O nível mental dos presidentes entrou em declinio tanto nos EUA como nos países mais ricos da Europa algumas vezes substituidos por mulheres com melhor formação mas que sofriam os preconceitos machistas somados às restrições criadas pelas super-estruturas imperialistas.

O mundo foi surpreendido pela visível ignorância de Bush, mas acabou por se acostumar com o que também via nos "ingênuos" democratas tipo Clinton, ou no esperto mas máu carater, Tony Blair na Inglaterra, ou no pasmado François Hollande da França. Foi então que surgiu o indefensável Trump que aceita fazer qualquer papel, mesmo contraditório com o que afirma, e depois Bolsonaro que é visivelmente um boneco de ventríloquo. São os presidentes "uteis" ao imperialismo que, por trás do governo formal, altera leis, desmonta instituições do Estado, controla as forças policiais treinadas a utilizarem recursos de bandidos com isenção de responsabilidade pessoal, vende o patrimônio nacional a preço de feira. A corrupção resolve tudo e qualquer problema.

Diante dessa falência humana no poder nacional as ditaduras militares surgem como defensoras do território e do equilíbrio social mantido com armas e muita violência, pois também foram formadosela moda anti-ética do imperialismo.

Formação cultural massificada

Paralelamente a este processo que impede a realização de governos realmente democratas, a mídia hegemônica semeia o combate aos princípios éticos como "superados históricamente" e promove a "esperteza nos jogos políticos" em lugar da inteligência criadora aplicada em liberdade. Este caminho da formação mental das novas gerações invadiu organismos universitários, igrejas e instituições sociais criadas para defenderem os povos das ambições políticas dos poderosos corrompidos. Como refere J.M. Goulão no livro "O Labirinto da Conspiração" (editora Caminho, 1986, Lisboa) os tentáculos do imperialismo norte-americano invadiram a Máfia, a Opus Dei e a Loja Maçônica (o que ficou comprovado no fim da década de 1970 e até 1986 no rumoroso caso relativo ao assassinato do juiz italiano Aldo Moro), instituições com prestígio na ação religiosa e política em defesa de maior justiça social.

Hoje ocorre a denúncia contra a Igreja Evangélica Pentecostal que tem uma ramificação invadida pelo imperialismo com aparente "democracia" nos costumes e age ligada à emigração, ao tráfico de crianças órfãs, ao abastecimento de mão de obra para trabalhos domésticos ou eventuais, e que promoveu a eleição de Bolsonaro de acordo com o projeto de Steve Bannon, assessor de Trump.

A CIA passou a exportar gabinetes de assessorias para qualquer matéria administrativa para atender organismos do Estado. Foi a moda da terceirização que substituiu os funcionários públicos que iam para a prateleira por terem opinião própria inconveniente aos comandos externos, ou foram despedidos por não terem contrato. Estes assessores entram em toda a estrutura institucional do Estado e do próprio Governo e orgãos de soberania como "piolho por costura". Isto forma uma mentalidade que nega os princípios éticos e de responsabilidade social como "questões fora de moda". O moderno, para eles, é ser "egoista" e "esperto" para enganar Deus e o mundo.

O mau funcionamento do sistema jurídico, com processos que caducam deixando o infrator privilegiado sem penalidades ou livres graças às interpretações pessoais de juizes "amigos do réu", alimentaram os "espertos" (sem princípios morais e éticos) a também criarem gabinetes de "consultoria" para fiscalizarem administrações públicas. É corrente a explicação de que ao descobrirem falhas pedem parte do prejuizo causado para darem o aval de que está correto. Se não, denunciam o erro ou crime. Assim, forma-se uma mentalidade venal que se alastra pela sociedade ligando a elite a uma camada social capaz de eleger Trumps e Bolsonaros, que manobra as leis e usa a corrupção como ponta de lança para qualquer negócio ou jogada política.

Este apagamento de princípios baseados na dignidade e na solidariedade instrumentaliza a dissolução dos costumes e das instituições que devem ser pilares do Estado. Com a privatização de serviços de utilidade pública - saúde, educação, segurança social, transportes - e das empresas públicas que além de constituirem um patrimônio nacional gerem a comunicação e o mercado - correios, produção de energia e petróleo, rádio e televisão, indústria farmaceutica e alimentar, que asseguram a capacidade de manter a democracia interna e a soberania nacional.

A quebra dos princípios éticos e morais desarma a população que aceitará fácilmente a imbecilização transmitida pelas propagandas através de jogos, vídeos, sons que perturbam o equilíbrio nervoso, velocidades alucinantes e drogas de todo tipo que são incluidas em pastilhas e liquidos que distraem sobretudo as crianças e jovens, nos esquemas de corrupção e do crime organizado que foram criados de fora para dentro para destruir a democracia social que se desenvolvia no Brasil projetando-o a nível mundial.

Resistência e luta popular

Resistir à esta demolição demoníaca exige uma decisão bem pensada, balanceada com o conhecimento da história da nossa civilização, sobretudo no que toca à formação da boa gente brasileira com as suas diferenças na forma de caminhar pela vida sempre em busca de solução para os mil problemas da vida, sobretudo a dos outros mais abandonados. A responsabilidade dos que recomendam a resistência a este caos programado pelo imperialismo é imensa, não pode resvalar em aparentes facilidades, em oportunidades que parecem cair do céu. Resistir exige a tarefa de construir uma sólida estrutura de sentimentos patrióticos, éticos, humanistas, que despertem o entusiásmo nos que têm os mesmos anseios e que ainda têm medo de se expor nesta selva que envolve a humanidade proibindo a justiça e vendendo a alma. Para isso é preciso aprender com o povo como sobreviver sem aceitar a escravidão, como manter a dignidade e conservar a idéia própria para ensinar aos filhos o caminho da solidariedade e da busca do saber.

A resistência popular exige a definição da meta social e o compromisso de todos na construção de uma nova sociedade fraterna e igualitária, sem privilégios, sem preconceitos, com lideranças sem patrões. Ainda temos uma Constituição que prevê a realização de novas eleições diante do fracasso do atual governo que comprovou em dois meses ser absolutamente incompetente para dirigir o país e manter a sua soberania política e econômica ameaçada pelo imperialismo norte-americano. 0s eleitores de Bolsonaro têm a oportunidade de corrigirem o erro cometido sob a pressão dos traidores submissos ao imperialismo, e de somarem aos milhões que querem defender a dignidade do Brasil e os direitos democráticos do povo trabalhador!

Sigamos o exemplo de Lula na sua vida, da fome à luta sindical, do trabalho operário à Presidência da República com o apoio popular e o aplauso internacional, herói do povo brasileiro e da Paz mundial!

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sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Imperialismo manipula instituições secretas




Artigo divulgado em OLadoOculto 28/12/18

A história do sistema capitalista repete-se, nas várias regiões do planeta, variando em função das diferenças estruturais entre os países. Dialéticamente produz os anti-corpos com que as nações se defendem da submissão ao imperialismo - a forma superior do capitalismo - fortalecendo o seu próprio desenvolvimento social e econômico e afirmando a soberania nacional no contexto mundial.

No chamado "terceiro mundo" (quando não havia a preocupação em disfarçar com uma  máscara  de desenvolvimento que envolvia a elite nacional como se fosse uma semente a ser "democratizada" com a "evolução" do povo), o controle imperialista agia despudoradamente aplicando as decisões tomadas nos países mais ricos como imposições às nações que "por serem pobres" cumpriam obedientes. Viviam como "colonias" ou "agregados", conforme os termos assinados pelas respectivas elites que detinham o poder.

Depois da Grande Guerra, pacificada graças à necessária aliança dos países ricos capitalistas com a recém-formada URSS - União das Repúblicas Socialistas Soviéticas - que vencera o exercito de Hitler com o apoio do seu povo revolucionário e a força militar do Exército Vermelho, a linguagem política foi alterada para evitar os preconceitos utilizados relativos à dependência dos "pobres", ou "subdesenvolvidos", como se fosse uma fatalidade. Com uma substituição de títulos, o "terceiro mundo" passou a ser considerado "em via de desenvolvimento" e a "democracia" (privilégio da burguesia rica) passou a escoar como esmolas para as classes trabalhadoras, em pílulas cosméticas traduzidas em leis laborais.

A ONU, definida com base nos princípios dos Direitos Humanos e da Igualdade entre todos os povos, desenvolveu as suas funções no sentido do reconhecimento das lutas nacionais contra o domínio colonizador e a presença estrangeira que impunha medidas aos governantes subalternos. Com o apoio do sistema socialista muitos povos puderam organizar os movimentos de libertação nacional e expulsaram os seus colonizadores criando governos autonomos que a ONU reconheceu. O vocabulário político mudou, sendo banidos os termos "colonia", "subdesenvolvido" e "terceiro mundo", assim como "imperialismo" (este sendo considerado um "chavão" dos comunistas) e os governantes dos países ricos viram-se obrigados a apertar as mãos dos seus antigos "colonizados", como seus iguais, de várias etnias reveladas pelas vestes e pelos idiomas.

Só as palavras mudaram
Porém, a realidade do domínio e opressão continuou.
Mas, a maneira de poder intervir na vida de cada país - que continuava a lutar pela sua independência e soberania nacional desenvolvendo as suas forças produtivas que permaneciam oprimidas nas relações com o mercado externo e as taxas relativas a transporte, utilização de portos, sistema cambial etc., pertencentes aos países ricos - tornou-se apenas mais discreta para o imperialismo.

Em 1986, na Europa, foram divulgados os processos jurídicos, que se multiplicaram na Itália, a partir do sequestro e assassinato de Aldo Moro. Desvendaram uma teia complicadíssima do relacionamento entre forças imperialistas que se introduziram na Loja Maçonica dos Estados Unidos, na OPUS DEI (vinculada ao Vaticano) e na Máfia Italiana, manipulando destacados membros de cada uma dessas instituições para penetrar nas estruturas governativas e impedir qualquer tipo de aliança com forças de esquerda.()

Todas essas instituições têm em comum o "secretismo" imposto aos seus membros e uma função "protetora dos que trabalham pelo bem comum na sociedade". Esta imagem humanista e generosa reconhecida nas sociedades através dos tempos era o aval de uma conduta sempre positiva e respeitável, independente das oscilações políticas ocasionais  causadas históricamente. Nada melhor para o imperialismo que utilizar as estruturas seculares de tais organizações espalhadas pelo mundo, introduzindo através de novos participantes que transmitiam objetivos de ação política junto a competentes membros (mediante convencimento ideológico e aporte financeiro), que garantiam o secretismo mesmo dentro da instituição e escolhiam os executantes contratados para atuarem no interior da estrutura dos Estados.

Jornalismo com coragem
O autor de "O Labirinto da Conspiração" (1) explicita que os textos tratados são sobre política porque as seitas referidas (a maçonaria norte-americana à qual pertencem destacados quadros das empresas multinacionais, a Logia Propaganda Due P-2 que foi desmantelada na Itália, a tentacular Opus Dei liderada pelo padre José Maria Escrivá de Balaguer, e a Máfia) foram objeto de apurados estudos jurídicos na Itália que fundamentaram processos onde foi revelada a interligação entre elas para forjar caminhos aparentemennte legais na prática dos serviços públicos ou eliminar físicamente os quadros que ousaram opor-se a eles.

Aquele trabalho não contém um ataque a instituições como a Igreja Católica ou à Maçonaria: "Limita-se a denunciar as organizações e as pessoas que se aproveitam do prestígio dessas entidades para tentarem atingir objectivos que nada têm a ver com a religião ou a procura de uma maior justiça social". O que denuncia é a constituição de um sistema supra-nacional que as articulou e manipulou com recursos internacionais de uma rede subversiva secreta.

"As seitas secretas inserem-se transversalmente na sociedade, ignorando partidos e fronteiras. Os interesses aglutinadores são os do grande capital e a imposição de soluções políticas conservadoras que assegurem o afastamento das forças progressistas das áreas do poder".

Os Tribunais registaram
Na sequência de inúmeros escândalos financeiros com aparentes vínculos com assassinatos de personalidades como o dirigente democrata cristão Aldo Moro em 1978  e o do juiz Emílio Alessandrini que apurou irregularidades no Banco Ambrosiano em 1979, seguido por vários assassinatos de quem investigava as irregularidades de Michele Sindona, (entre outros o juiz Giorgio Ambrosoli) que comprara a Banca Privata Finanziaria em 1964 tornando-a a base de todo o sistema financeiro.

É longa a lista de processos, prisões, assassinatos e falências bancárias que culmina em Fevereiro de 1986 em Palermo, com o julgamento de 467 réus da Máfia. Em Março Michele Sindona é condenado à prisão perpétua por envolvimento no assassinato do juiz Giorgio Ambrosoli, sendo envenenado quatro dias depois com cianeto.

"As seitas de que aqui se fala fazem parte de um todo, são instrumentos mais ou menos coordenados de um sistema de opressão que, sentindo-se ameaçado, cria exércitos na sombra, preparados para eventualidades possíveis e prováveis (...) Os homens da velha ordem recorrem a tudo para deter a marcha inexorável do tempo porque sabem não lhes pertencer o futuro. De tal modo se enredam nas suas próprias teias que os seus enredos acabam por ser conhecidos", afirma o jornalista de "o diário", Villaverde Cabral.

Entretanto, diante da crise do sistema capitalista, essa forma de manipulação de instituições que de alguma maneira preservam a sua independência dentro do chamado Estado de Direito prossegue, como no Chile de Allende com a infiltração nas forças armadas que executaram o golpe de Pinochet, e agora no Brasil com a manipulação da Igreja Evangélica Pentecostal, o domínio incontestável do sistema judicial, para não falar no controle global dos meios de informação e comunicação social.

Servindo-se das redes sociais expandidas pela internet, conforme o plano de Steve Bannon assessor de Trump, levaram a sua falsa mensagem de combate à corrupção promovendo uma figura de valentão e torturador como lider dos cidadãos que sofrem a opressão do sistema. E conseguem formar um governo que pretente destruir todas as conquistas sociais alcançadas sob a orientação de Lula (não sendo improvável encontrar os mesmos intervenientes imperialistas do processo italiano, no golpe e no resultado eleitoral ocorrido agora no Brasil).


1) Em 1986 o jornal "o diário" criado por Miguel Urbano Rodrigues em Portugal divulgou, segundo o depoimento do jornalista A.Villaverde Cabral "uma série de reportagens-dossier(…) em "o diário", por certo o único jornal português com coragem para o fazer". Foi a base da edição de "O Labirinto da Conspiração" de J.M.Goulão.



Zillah Branco
29/12/18

domingo, 16 de dezembro de 2018

Ha melhores caminhos para a humanidade



Publicado no O Lado Oculto
15/12/18

A humanidade tem sofrido as consequências da crise do sistema capitalista que estrebucha no mundo inteiro, agravando a miséria que derivou da ganância criminosa das elites imperialistas. Novamente ressurgem grupos fascistas que agravam as situações caóticas com o seu habitual vandalismo, utilizando as manifestações pacíficas das populações que reivindicam os seus direitos já consignados (nem sempre cumpridos pelos Governos) nas Constituições nacionais e nos Princípios da ONU. O grande exemplo, recente, explode agora em Paris, em plena época natalícia, quando o comércio exibe a beleza luminosa das suas convidativas promoções como incentivo ao descontrolado consumismo.

É a época do caos que lembra Nero na decadência do Império Romano. Os fugitivos de regiões mantidas na miséria pelas políticas colonialistas, somam milhões de cidadãos expulsos dos seus países assaltados por invasores organizados em exércitos ou grupos terroristas (armados pelo imperialismo) que além de matarem impiedosamente, provocam o aumento imparável das condições de miséria impostas a países que perderam a sua soberania e são escravizados por um poder estrangeiro que pretende ser unipolar.

Os atos de agressões são "justificados" pela mídia global com base em farta documentação que segue o modelo das leis, com extensas análises jurídicas e fundamentações em linguagem científica, forjadas por burocratas altamente remunerados para defenderem as elites e condenarem os trabalhadores. E, dessa forma, divulgam os desígnios dos que promovem a comercialização dos produtos de maneira a obterem lucros com os sistemas de extração das riquezas do subsolo, compra e venda do produto bruto, transporte, embalagem, promoções, autorizações e proibições que regulam a dependência de nações pobres e o domínio por grandes empresas acima da soberania de qualquer pátria. E formam a opinião pública treinada  como papagaios.

A missão da ONU

Mas, afinal, este desgoverno quase planetário, tem uma organização criada depois da Grande Guerra - a ONU - para manter o equilíbrio multipolar. Com a paciência proverbial dos orientais foi um embaixador da China no Reino Unido, Liu Xiaoming, quem divulgou a mensagem lúcida: "O Grupo dos Vinte (G20) deve enviar uma mensagem clara de defesa do multilateralismo para conduzir a globalização econômica pela direção correta", disse antes da cúpula do G20 na Argentina em um recente artigo, assinado, publicado pela revista britânica “First”.

Liu disse que o G20 é um “importante campo de batalha” para proteger o multilateralismo por ser um local importante para que os países desenvolvidos e em desenvolvimento participem de consultas e tomem decisões em pé de igualdade sobre assuntos de desenvolvimento e governança global. Chama a atenção para que a ONU "defenda o espírito de associação, reforce a confiança global e trabalhe por um crescimento econômico mundial robusto, sustentável, equilibrado e inclusivo".

Ao indicar que a metade dos membros do G20 é constituída por países em desenvolvimento, Liu comentou: (o G20) “tem a obrigação de criar mais oportunidades para eles, promovendo o crescimento econômico mundial, e lhes oferecer mais apoio com o impulso da cooperação internacional para o desenvolvimento”. Ao referir a necessidade dos países conquistarem a sua soberania mediante a organização dos seus próprios planos internos com base no "desenvolvimento sustentável e estabelecendo políticas associativas preferenciais", o embaixador Liu revela: "Na China, 40 anos de reforma e abertura não só criaram um milagre de desenvolvimento mas também oportunidades enormes para o mundo”.

O Presidente da China, Xi Jinping, no encontro do G20, observou a necessidade de promover condições de crescimento da produtividade e de associativismo para todas as nações em desenvolvimento com vistas ao futuro das relações de produção. "Neste processo, os países estão se tornando cada dia mais, uma comunidade com interesses compartilhados, responsabilidades compartilhadas e um futuro compartilhado", observou Xi, enfatizando que "a cooperação de ganhos recíprocos será a única escolha no futuro."

As pontas de lança do imperialismo

Enquanto a ONU promove debates no G20 onde a preocupação com a paz e a possibilidade de desenvolver as forças produtivas dos países por meio da colaboração global, o ideólogo de Trump, Steve Banon, forma um instituto universitário na Itália para formar especialistas em tecnicas digitais para invadirem as redes sociais consideradas "alternativas" à mídia hegemônica e apoiarem a direita fascista no assalto ao poder até agora ocupado pela social-democracia. As suas experiências expandem-se pelas nações europeias, como se assiste em Paris, e ameaça outras capitais, depois de terem sido iniciadas na América Latina contra as forças progressistas que, ha duas décadas, formaram governos e promoveram associações regionais que abriram caminho para a recuperação da soberania nacional e a promoção do desenvolvimento das respectivas forças produtivas nacionais.

Este novo caminho para um futuro de liberdade e democracia, que surgira no Brasil com a eleição de Lula - como na Venezuela, Nicaragua, Argentina, Bolívia, Uruguai, Paraguai - foi cortado brutalmente pelo processo fascizante de Trump e Banon, conjugado com a iniciativa de promover o golpe através de Temer e sua camarilha (com apoio das forças da ditadura militar adormecidas desde 1985) para eleger Bolsonaro. Antes mesmo da sua posse no governo, este fantoche do moderno fascismo promove um encontro com os seus colegas reacionários em uma Cúpula Conservadora das Américas,"a primeira do gênero, uma iniciativa bolsonarista que tentará aproximar reacionários do continente para ações políticas conjuntas. A “fauna” a se reunir no dia 8/12 em Foz do Iguaçu, no Paraná, será variada e terá como estrela bolsonarista o filho caçula do ex-capitão, Eduardo, uma espécie de chanceler paralelo do futuro governo do pai.

Com ele estarão: um presidenciável chileno admirador de Augusto Pinochet, um exilado cubano acusado de terrorismo nos anos 1980 e uma senadora colombiana que nega ter havido um fato histórico reconhecido por historiadores de seu país, a matança de mil e oitocentos camponeses grevistas em 1928. Também da Colômbia, falará, mas por videoconferência, um ex-presidente que renunciou ao Senado neste ano por acusação de suborno e fraude e depois voltou atrás na renúncia, embora o processo contra ele siga na Suprema Corte. Trata-se de Álvaro Uribe, presidente de 2002 a 2010, que participará de debate sobre segurança, um dos quatro temas do evento."(como revela a mídia 'alternativa', canal 247, no Brasil).

E a mídia global, amarrada aos financiamentos do sistema imperialista, prossegue nos "fakes news" habituais que repudiam as nações que ousam defender o caminho da democracia e da soberania dos povos, ocultando as revelações dos chineses que apoiam a reforma necessária da Organização Mundial do Comércio, e acreditam que "é crucial defender os valores essenciais e princípios fundamentais da OMC como abertura, abrangência e não discriminação, e garantir os interesses de desenvolvimento e espaço de política dos países em desenvolvimento", como frisou o presidente chinês.

É importante ressaltar o esforço de um país dirigido pelo Partido Comunista (e, por esta razão ser alvo de ataques preconceituosos pela forças retrógradas que orientam a mídia global) que defende "as três ferramentas definidas pelo sistema capitalista para o organismo internacional: políticas fiscais, monetárias e reforma estrutural, a serem aplicadas de modo holístico para garantir um crescimento forte, equilibrado, sustentável e inclusivo da economia mundial," como disse Xi Jinping pedindo que  "esteja comprometido com a cooperação de ganhos recíprocos para promover o desenvolvimento mundial inclusivo."

Êxitos de governos progressistas

É importante acompanhar os êxitos de governos progressistas, como os da Venezuela e da Bolívia, que marcaram as suas trajetórias no combate sem tréguas ao neoliberalismo e fortaleceram a política governamental voltados para as características dos seus povos e traçando planos para satisfazer as necessidades prementes de sobrevivência e desenvolvimento. Os projetos desses governos priorizam o crescimento forte, equilibrado, sustentável e inclusivo da sua população, além de participar da troca de produtos e de experiências com os demais, a nível tegional e internacional. Aplicam os princípios que foram teorizados pela ONU, tornando-os uma realidade humanista, além de política.

Apesar das falsidades que a mídia global despeja sobre o mundo, a Venezuela constrói desde 1998 o caminho traçado por Hugo Chaves na defesa dos Direitos Humanos, com liberdade de expressão, melhor distribuição de rendas, redução do analfabetismo, ensino e saúde gratuitos, democracia participativa que inclui o referendo revogatório para leis nacionais. São análises internacionais (International Consulting) que registam 80,9% de apoio popular ao Presidente  Maduro, 85,4% condenam os atos de violência e 80% da mídia no país é privada. Enquanto Trump ameaça invadir a Venezuela e estimula a fuga de uma burguesia que lamenta a impossibilidade de explorar os trabalhadores naquela nação, o governo de Nicolas Maduro promoveu, dia 9/12, uma eleição da estrutura de poder local que abrange 2.489 cargos municipais, alcançando o apoio de 92,8% dos resultados para o Grande Polo Patriótico que reune várias organizações, o que comprova a realidade de um povo que continua a ser soberano.

A Bolívia era um dos países mais pobres da América Latina quando as suas riquezas minerais - gás, petróleo e estanho - eram exportadas em bruto por empresas multinacionais associadas às velhas famílias oligárquicas do país. Com a eleição de Evo Morales, líder indígena, que formou um governo disposto a combater o neo-liberalismo e estabelecer um equilíbrio plurinacional com reconhecimento das identidades indígenas, estatizou as empresas de exportação e passou a ter um crescimento anual do PIB em 5%. Assumiu o controle das terras e redistribuiu em propriedades privadas pequenas e médias, estabelecendo um controle sobre a cadeia produtiva de modo a garantir o auto-abastecimento alimentar. Esta experiência que tem permitido o reconhecimento internacional dos seus êxitos abre importante campo de estudo antropológico da riquesa cultural indígena, a começar pela capacidade de organização comunitária para assegurar a sobrevivência com recursos limitados em condições climáticas adversas, devido ás elevadas altitudes e baixas temperaturas, e pelo uso de produtos naturais com qualidades medicinais. O primeiro exemplo é o da folha verde de coca - que não deve ser confundida com a branca, da cocaina, utilizada pelo narco-tráfico combatido na Bolívia.

Com a preocupação de "superar 500 anos de desprezo, ódio, escravidão e exterminio pelos colonialistas", como disse Evo Morales na Assembleia da ONU, traçaram um caminho de "refundação" do Estado, de modo a priorizar os serviço públicos sociais para eliminar as carências e taxaram as grandes fortunas e os elevados lucros para manterem alianças apenas com empresas privadas adequadas. A Constituição de 2009 estabelece que os serviços públicos devem ser considerados como Direitos Humanos. Para a sua plena aplicação, reduzem contínuamente os preços da água, do gás e da energia elétrica. Já foi eliminado o analfabetismo e feitos investimentos em centros culturais e desportivos, construídas estradas e teleféricos, e promovida a construção de um porto no Perú para atender ao movimento de importação e exportação boliviano. O gráu de pobreza que era de 63% da população em 2004 foi reduzido para 39% em 2015. É um processo gradual, principalmente pelas pressões do imperialismo e da mídia hegemônica, mas que tem evoluido permanentemente, segundo as avaliações da ONU.

E, no mesmo caminho aberto pela Venezuela e Bolívia, agora surge o México que elegeu Lopez Obrador - incentivador, em 2012, do Movimiento de Regeneración Nacional que promoveu a coligação das forças de esquerda. A sua vitória ficou assinalada pelas fortes palavras com que definiu o programa de governo "contra a corrupção e os abusos de privatização que constituem a marca do neoliberalismo". Anunciou o corte dos mais elevados salários do Estado, a começar pelo seu, como Presidente, o aumento em 100% do salário mínimo nacional e a cobrança de impostos sobre fortunas e rendimentos de grandes empresas.

Nesta fase crítica do capitalismo, os conceitos teóricos que sempre fizeram parte da definição de princípios da ONU e dos discursos populistas utilizado para conquistar o apoio eleitoral das populações - direitos humanos, democracia, previdência social, saúde universal, educação gratúita para todos, solidariedade com povos vitimados por catástrofes - com as promessas de criação de Estados Sociais e de laços de amizade sem discriminações face às diferenças econômicas e culturais, assumem uma condição única e urgente para a superação do caos que envolve também o continente europeu e os países mais ricos de outras áreas geográficas. Exige-se discernimento e coragem cívica para dignificar os altos cargos das estruturas políticas a nível nacional e internacional. É o momento da unidade com respeito pelas nações soberanas em um mundo multipolar.

Zillah Branco