quinta-feira, 20 de junho de 2019

O jovem Marx

Os disfarces subtis da escravidão moderna

(Publicado no Portal Vermelho)

Vivemos um tempo de afirmação do domínio capitalista com a imposição de formas de exploração
que reduzem os trabalhadores à condição de escravos. Os Estados ditos democráticos jogam
com as leis de modo a solapar os direitos antes alcançados por movimentos sindicais e
manipulam as informações através da média que divulga as "fake news" como verdades sempre
convenientes à elite no poder. Para aprimorar a (de)formação da consciência dos cidadãos,
justificam a redução dos recursos para salários e prestação de serviços sociais alegando o "dever
de honra" do país saldar as dívidas contraídas com os bancos credores!. Além das mentiras que
ocultam o desvio dos recursos nacionais (capitalizados como lucros por uma minoria), criam uma
"falsa moral" que vai completar a ignorância da realidade, transformada em educação social que
aliena a consciência dos indivíduos.
A semente transformadora do sentimento humano radica no incentivo ao egoísmo para que, ao
ficar alienado da sua condição gregária natural, a pessoa deixe de se preocupar com o bem-estar
dos que compõem a sociedade, apenas cuidando da forma de relacionamento para utilizar os
serviços que lhe prestam como escravos, clientes ou protetores. Teoricamente o Estado
capitalista deve assegurar essas condições de bem-estar aos cidadãos (egoístas ou não), mas as
instituições oficiais tendem sempre a considerar apenas os privilegiados da classe dominante que
pagam ou mandam.
Em campanha eleitoral a elite social-democrata e demais partidos de direita vestem-se de
democratas ou de generosos irmãos de caridade e repetem discursos sobre o Estado de
Direito, a igualdade entre cidadãos e o respeito pelas diferenças étnicas, de género, de opções
religiosas, políticas ou sexuais, enquanto anunciam grandes projetos de desenvolvimento dos
serviços sociais de saúde, ensino, previdência, transporte e habitação social, para os quais
precisam de investidores para privatizar os serviços que o Estado tem a obrigação de oferecer a
todos os cidadãos. Tratam as questões sociais como negócios que fazem crescer as dívidas que
o povo terá de pagar submetido a um regime de austeridade.

A história evolui e transforma

No século XVIII, como resultado do desenvolvimento filosófico e científico na Europa, germinava o
pensamento humanista em busca da justiça social (esteve na base da Revolução Francesa que
condenou as aristocracias governantes e delineou o Estado democrático), assim como na origem
das várias correntes religiosas que orientavam as investigações filosóficas e a formação cultural
dos povos.
Naquele século os trabalhadores e os pensadores humanizados despertaram para a descoberta
de que a exploração que escravizava uma maioria de seres e enriquecia uma camada privilegiada
não poderia continuar a ser uma fatalidade imposta por lei divina. As correntes religiosas
confrontavam-se e as observações metódicas da natureza por estudiosos, desenvolvia a
curiosidade científica libertada das proibições clericais e do medo de assumirem a condução do
próprio pensamento. O século XIX leva os estudiosos a recuperarem o conhecimento e as
indagações feitas na antiguidade para serem aplicadas aos novos tempos, e os trabalhadores a
serem colectivizados na nascente indústria e nas cidades onde ficam amontoados ao serem
expulsos do campo. O diálogo impõe-se como compensação e revela identidades e diferenças
que suscitam interpretaçōes racionais e gestos afetivos de solidariedade.
A guilhotina era insuficiente para acabar com os donos do poder político, económico e social, e a
miséria agravada nas casas insalubres das cidades exigia soluções científicas e técnicas. O
sistema capitalista era organizado de modo a deixar o trabalhador sobreviver para produzir nas
suas fábricas, manter em ordem as cidades, servir nos exércitos e junto às famílias de classe mais
elevada, deixando os poderosos acumularem a riqueza e gozar a vida prazerosamente.
Os objectivos da Revolução Francesa apontavam caminhos para libertarem os cidadãos das
misérias e da ignorância que constituíam as peias do seu desenvolvimento. A promoção dos
princípios de Liberdade, Igualdade e Fraternidade exigia a superação do egoísmo naqueles que
tinham privilégios de vida e de formação.

Os contestatários criam associações

O autor do filme "O Jovem Karl Marx", Raoul Peck (que fora premiado em 1993 ao apresentar o
filme sobre Lumumba "Eu não sou o seu negro"), nasceu no Haiti, onde foi Ministro da Cultura,
migrou para o Congo e estudou nos EUA, na França e na Alemanha. Neste novo filme
desenvolveu um projeto para apresentar o lado humano de quem hoje é conhecido como um
gênio intelectual e criador de uma doutrina imbatível sobre o sistema capitalista - o marxismo -
que é estudada até pelos seus oponentes por expor minuciosamente os fundamentos da
organização capitalista que domina o relacionamento internacional mundial mesmo com países
socialistas ou que mantêm um regime feudal.
Procurou destacar na história pessoal - de Marx, Jenny, Engels e Mary Burns - o caminho seguido
por jovens imbuídos do desejo de transformar o mundo com a superação da ignorância e das
injustiças, revoltados mas firmes nas suas ideias, sem medo de enfrentar os debates, que não
medem palavras mas ouvem o outro, abertos à discussão, que radicalizam mas fazem a sua auto-
crítica ao conhecerem a realidade em que vive a humanidade. Apresenta as semelhanças com
outros jovens que a história vai produzindo, com idêntica responsabilidade social e princípios
éticos, que desenvolvem a capacidade de pensar e conhecer a realidade do seu
tempo para participar na luta pela transformação mundial. Destaca os traços de caracter e de
formação ideológica de quem foi tornado mito por muitos, que existe na realidade vivida pela
humanidade desde os seus primórdios nas variadas condições históricas produzindo líderes e
gênios intelectuais, como um exemplo a ser conhecido e seguido.
O primeiro texto reflexivo de Marx, aos 18 anos, é sobre a escolha do caminho profissional que
"exige uma ponderação sobre os objetivos do próprio desenvolvimento que assegure o respeito
pelos princípios com que foi formado e o interesse maior de realização, sem incorrer em decisões
apressadas, entusiasmos fugazes, ambições mesquinhas e egoístas". Busca a essência da sua
própria definição como membro da humanidade e investiga a realidade e a história da sua
formação. Chega a uma primeira conclusão: de que pretende forjar em si um lutador competente
para transformar a sociedade de modo a que todos sintam o bem-estar necessário ao
desenvolvimento de cada um.
Nessa altura, ainda recém saído da adolescência, revela ter na sua consciência a crença no divino
e os princípios morais fundamentais das religiões cristãs, herdada da cultura de seu pai - um
advogado judeu tornado protestante, estudioso da filosofia francesa na época dominada por
correntes humanistas em busca de caminhos abertos pela Revolução Francesa e pelas ações
renovadoras de Napoleão (até ser derrotado em 1815 pela Santa Aliança encabeçada pelo Czar
da Rússia e o Governo da Prússia). Neste contexto o jovem revela a aspiração de: formar-se
para ser útil à humanidade. "Como podemos reconhecer essa ilusão sem rastrear a fonte
da própria inspiração?"escreveu Marx em 1836.(1)
Descobre no idealismo de Hegel e no conceito de dialética, reforço para assumir convicções
ideológicas de esquerda ao serviço da emancipação social da humanidade, abrindo caminho para
a compreensão de teorias não religiosas e revolucionárias que vão ser aprofundadas quando
conhece, em 1843, a obra de L.Feuerbach sobre "A essência do Cristianismo" onde a crítica à
teologia conduz ao materialismo.

À medida em que o estudioso jovem consolida a sua percepção intelectual teórica, vai
descobrindo divergências com os grandes professores em que se baseia, quando mergulha no
conhecimento da realidade em que vive a classe trabalhadora. Ao mesmo tempo que analisa as
suas próprias características culturais, que têm consonância com os autores que admira, percebe
que não correspondem às condições de vida e formação da classe trabalhadora e dá um passo à
frente criticando as raízes das divergências. Está sempre preocupado em não seguir um
"entusiasmo repentino" sem conhecer as causas. "Nós não analisamos, não consideramos os
seus encargos totais, a grande responsabilidade que nos impõe, a vimos apenas a uma
grande distância; e a distância é algo enganoso."
Com tais princípios, Marx aceita como natural os sacrifícios do seu bem-estar para estar junto aos
"seus iguais", e aponta os erros do socialismo utópico, assim como dos anarquistas de esquerda,
que formam associações onde realizam debates intelectuais sem agir pela transformação
concreta da sociedade que só seria possível pela ação dos próprios trabalhadores contra
os que exploram e detêm o poder.

O filme "O Jovem Marx" mostra a evolução dos jovens comunistas

Utilizando a correspondência pessoal entre Marx e seus amigos, para além de estudar a extensa
obra teórica posteriormente escrita, Raoul Peck abre ao espectador uma via que lhe permite
mergulhar nas figuras humanas que enfrentaram as suas próprias contradições na vida para
debaterem conceitos teóricos confrontados com os detalhes da realidade que os cerca.
Os diálogos entre Marx e Jenny revelam a cumplicidade e o amor profundo que os uniu, sendo ela
herdeira de uma família aristocrática ligada ao governo da Prússia. Colega de Marx na escola e
também humanista e rebelde, reflete o crescente movimento feminista na Europa. Casa-se com "o
judeu converso", como referia rindo a opinião do seu irmão ligado ao governo da Prússia, e
enfrenta uma vida difícil, com frequente miséria, para alimentar e tratar da saúde dos filhos sem
abandonar a participação política. Juntos suportam as perseguições desencadeadas pelas elites
governantes, e participam de acalorados debates ideológicos com pensadores da esquerda
burguesa e socialistas utópicos na França, na Bélgica e em Londres, depois de terem sido
expulsos da Alemanha.
Com o entusiasmo de jovens que dão a vida por uma causa em benefício de toda a humanidade,
vão deixando de lado as crenças abstratas, os privilégios de classe, a vaidade egoísta, a noção de
superioridade herdada de uma elite econômica e intelectual, os objetivos individualistas. Estudam
a realidade social com recursos da ciência para evitarem os erros de interpretação, buscam a
linguagem simples e direta dos trabalhadores e incentivam a participação deles nas reuniões para
ficarem integrados no movimento de ideias e ação transformadora.
Junto a eles, como grande amigo, segue Engels, filho de um rico proprietário de indústria em
Londres, onde trabalha junto à administração. Mary Burns - operária na sua empresa, lidera uma
greve em defesa da colega que perdeu os dedos na máquina têxtil, e é demitida pelo patrão.
Engels protesta e é admoestado pelo pai. Sai e vai ao "gueto" dos trabalhadores nos subúrbios de
Londres onde descobre e se apaixona por Mary. Assim detona o precário equilíbrio da familia
patronal.
O jovem Engels já era um estudioso da economia e autor de um texto sobre a exploração da mão
de obra de mulheres e crianças tornados escravos na indústria nascente na Inglaterra, que Marx
já havia lido com admiração. Passam a estudar juntos e, com o apoio de Jenny e de Mary que
participam na discussão sobre as realidades opostas da aristocracia e da classe trabalhadora,
constroem as bases teóricas da luta de classes que é sintetizado no "Manifesto Comunista",
publicado em 1848, escrito em linguagem simples e objetiva.

A dinâmica geradora do "homem novo"

Os debates provocados por Marx e Engels com os intelectuais humanistas, utópicos ou
anarquistas, que representavam a esquerda na época e promoviam as associações para onde
afluía o proletariado que buscava formação teórica para a sua consciência espontânea de rebeldia
contra a classe exploradora, propunham uma visão objetiva da realidade sem a versão caritativa
e protetora dos que defendiam a igualdade entre todos "porque somos irmãos". Aí residia o
problema que dava origem ao conceito social-democrata, proposto como oferta de condições de
vida para a classe trabalhadora sobreviver e ser explorada por uma elite intelectual detentora do
poder político e económico a que chamavam "democracia".
Marx e Engels lutavam pela classe trabalhadora dos "nossos iguais", para que partilhassem a
renda nacional distribuída pela sociedade como estrutura de saúde, escolas, seguridade social,
transportes, habitações, empregos, ou seja um Estado Democrático efetivamente, socialista.
Com tais argumentos conquistaram a chamada "Liga dos Justos" transformando-a em "Movimento
Comunista". A visão romântica dos humanistas era substituída pelo materialismo científico.(2
Este foi o primeiro passo para dar início ao propósito revolucionário da Revolução Soviética que
disseminou a luta mundial pelo socialismo e a formação do que Che Guevara chamou "homem
novo", reconhecendo que a Revolução em Cuba criara condições para que viesse a existir em
um futuro mais próximo. Portanto um ideal a ser trabalhado pelos povos de todo o planeta.(3
A evolução do pensamento revolucionário que sempre existiu entre os homens e mulheres desde
os primórdios da História da Humanidade, deu o passo científico ha 200 anos com os trabalhos de
Marx e Engels e seguiu com o desencadear de processos revolucionários que ficaram assinalados
pela Revolução Russa em 1917 e a formação de países que conservaram o sistema socialista -
China, Vietnam, Laos, Coreia do Norte e Cuba - e têm suportado as arremetidas permanentes do
imperialismo a partir dos Estados Unidos, Israel e os países da Europa que se uniram em torno da
NATO e invadem países que tentam alcançar a soberania nacional através do desenvolvimento
das riquezas dos seus territórios inclusive com a formação técnica e social do seu povo.
Cada povo tem a sua história e absorveu uma cultura específica, que definem as condições de
luta que o processo revolucionário exige face à permanente pressão do sistema capitalista e da
agressão imperialista. As novas gerações têm um árduo trabalho de formação para contribuírem
com o lado honrado da história. Os seus pais e avós têm o dever de manter as condições éticas
da educação familiar e social evitando e denunciando a perversão imposta pelo imperialismo
aos órgãos de comunicação social que tentam, de todas as maneiras, alienar as populações para
que se tornem egoístas e defensores de privilégios individuais que sustentam uma elite
exploradora, perversa e criminosa como a que se vê hoje liderada por chefes de governo como
Trump, Nathanyahu e Bolsonaro.

Zillah Branco
02/02/2019

Notas:
1 cit. in Buonicore, A., "Uma redação do estudante Karl Marx", (Portal Vermelho, 05/05/2018)
2 Lenine, V.I. "Breve nota biográfica" (portal Vermelho13/05/1918)
3 Guevara, Ernesto, in "El socialismo y el hombre en Cuba" (1965)

terça-feira, 4 de junho de 2019

O povo brasileiro sempre lutou pela justiça e a democracia




As aulas sobre os muitos heróis que surgiram ao longo da história do Brasil, organizando Quilombos, promovendo greves nas Forças Armadas, e enfrentando como guerrilheiros os militares armados do exército das oligarquias (sobretudo quando nasceu a República ainda em mãos dos grandes proprietários rurais), são formadoras de uma consciência nacional necessária hoje para orientar a luta nacional. É fundamental conhecer a história brasileira para compreender os seus problemas e a sua orientação popular que tem sido desvirtuada pela elite poderosa.

Os temas das lutas repetem-se ao longo de vários séculos e a consciência popular é a mesma, com variações de interpretação cultural e de linguagem que correspondem ao conhecimento da época. Mas, para prejuizo da nação brasileira, foi promovida uma versão elitista que não deu o devido valor às lutas populares afogadas em sangue pelas forças militares dos governantes colonialistas ou mesmo republicanos. A resistência contra a opressão sempre foi considerada um crime pelos governos opressores. Assim também o anti-comunismo foi fomentado para impedir que as idéias revolucionárias fossem divulgadas livremente. O Brasil continua dominado por uma elite de base oligárquica e até os livros que divulgam hoje a história omitem as raízes da escravidão permanente mantida pelo sistema capitalista dependente que impede o desenvolvimento dos brasileiros e dos meios de produção para defender a soberania nacional.

A história caminha devagar enquadrada pelo poder imperialista que é mundial. Mesmo durante os 15 anos de governo do PT com o apoio de partidos de esquerda, não foi possível ultrapassar os limites impostos pelo neo-liberalismo que travou o desenvolvimento social privilegiando a acumulação do capital e a divulgação de uma cultura alienante. A infiltração no Estado dos subordinados ao comando golpista irradiado dos Estados Unidos minou a ação dos governos progressistas e abriu as portas do poder institucional a pessoas covardes e corruptas que paralisaram a justiça e a defesa do patrimônio econômico fortalecido pela produção nacional, as exportações, as explorações do Pré-sal, a bolsa-família, a integração dos cidadãos vitimados por preconceitos nas escolas e nos direitos humanos assegurados pela Constituição.

Importante é conhecer os objetivos que Lula pretendeu implantar no seu governo sem conseguir o apoio suficiente do conjunto de membros ou que foram impossibilitados pela ação do imperialismo na imposição de condições de funcionamento do sistema capitalista. A vontade e a orientação de Lula foram suficientemente fortes para fundamentar um Estado Social que combatesse a fome e to integrasse a população mais pobre nos direitos de cidadania; que ampliasse as instituições de ensino e os serviços médicos com soluções para a plena integração do povo independente das características de gênero, etnia e opções sexuais; que priorizasse o desenvolvimento das forças produtivas e a industrialização nacionais; que reduzisse drásticamente a dependência financeira e garantisse a soberania da Nação integrada no conjunto latino-americano e relacionado com África, Oriente Médio e Ásia, participante do G8 e do G20. Provou que é possivel ao Brasil atender às necessidades vitais e de desenvolvimento do seu povo.

Mas, é verdade que tendo conseguido exercer  os princípios democratizantes na sociedade, não se chegou à instituir as linhas mestras como definição do Estado, permanecendo dependente dos poderes judicial e parlamentar que se opuseram claramente à democratização da sociedade. Hoje vemos que o Estado permaneceu como interessa à elite, um desenho alheio ao país real. Foi idealizada e criada uma superestrutura que não criou raizes porque, de fato, o povo não pode assumir os seus direitos com as garantias de proteção pelo próprio Estado e a Constituição. Faltou a participação popular que virá com a consciência de cidadania como força política.


Combate aos preconceitos

Evoluiu em todo o mundo, e no Brasil durante os governos de Lula e Dilma, o combate aos preconceitos contra as mulheres, as diferentes etnias, as pessoas com diferentes opções de sexo. É a defesa da igualdade de direitos cidadãos, o fim das discriminações, das diferenças salariais, o direito a participarem sem restrições de todos os benefícios sociais. Mas, em muitos setores da vida nacional, principalmente nas empresas privadas, tais preconceitos prosseguiram através de salários inferiores ou ofertas de empregos temporários sem a aplicação da legislação laboral. A luta pela igualdade de direitos dos cidadãos - de emprego, de salário e de carreira profissional - fortalece o combate aos preconceitos que derivam de uma cultura elitista e colonialista, e que é contra os mais pobres.

Na Europa e em países ricos de outros continentes multiplicaram-se os movimentos em defesa dos indivíduos discriminados mas sem integrá-los como classe explorada. Grandes investidores mundiais têm promovido a inclusão de elementos representativos desses movimentos como belezas folclóricas na imagem de uma burguesia rica e moderna servindo-se da mídia especializada em fake news. Vemos nos desfiles da grande moda, no uso de carros de luxo, nas atividades artísticas e intelectuais promovidas por setores privados da cultura. Mas não vemos na vida dos trabalhadores, no acolhimento aos emigrantes, nas escolas privadas, no atendimento médico social, na habitação urbana, na ação da polícia que mantém a ordem pública.

Aos poucos surge uma consciência, nos paises mais pobres, de que são usados como folclore para distrair os ricos. E esta percepção atrai os que, sendo conservadores, têm um resto de dignidade humana. A direita tradicional está estilhaçada por dentro. Começam a surgir "resistentes defensores da ética" dentro da bolha reacionária que usufrue egoísticamente os lucros do sistema. Ha quem confesse ter descoberto que "é bom ser rico, ter uma carreira garantida, mas é melhor participar de uma comunidade igualitária que, mesmo pobre, é mais humana e feliz". Vemos atitudes animadoras de rebeldia contra o domínio neo-colonialista, como a do governo das Filipinas que devolveu as toneladas de lixo enviadas pelo Canadá, o que animou a Malásia a fazer o mesmo. O prestígio da riqueza como forma de poder começa a cair. Ser pobre é um valor, não uma vergonha.

No Brasil e em outros países em desenvolvimento, esses movimentos sociais de combate às discriminações agregam-se à luta de classes, popular e de esquerda, por perceberem que as nações sub-desenvolvidas são também discriminadas. Os preconceitos são uma arma dos exploradores contra os dependentes, pessoas, coletivos e nações. Mas, os exploradores que armazenam o capital, são minoria perante a humanidade escravizada e não podem ser os "donos do poder". O programa de governo que Lula criou de estímulo à participação de todos na educação para a classe trabalhadora seguir as carreiras profissionais e universitárias integrados na nação soberana, é o modelo universal a ser adotado.

O mundo hoje vê que Lula foi preso porque o imperialismo tem medo que o seu exemplo seja expandido por todos os continentes. O Papa o defende e em todos os países da Europa rica surgem movimentos que acusam o governo debochado que é mantido no Brasil por Bolsonaro que não passa de um boneco ao serviço de Trump. Mesmo a direita conservadora não aceita a desmoralização de um Estado com as suas instituições judiciárias que é enxovalhado por um grupo de delinquentes traidores da pátria. A crise do imperialismo chegou a um impasse criminoso e até mesmo os ratos querem saltar do barco da elite exploradora.

Os povos do mundo perceberam que a maioria, entre os biliões de pessoas que povoam o planeta, são pobres. Olham para as suas burguesias e sentem que, mesmo os defensores do sistema capitalista (que ainda acreditam nos Direitos Humanos), começam a temer o cáos que o imperialismo gera para manter uma elite corrupta agarrada ao dinheiro e aderem à criação de soluções sociais para a sobrevivência da humanidade. É hora de unir esforços para salvar o Brasil, a América Latina, o Terceiro Mundo, o planeta.

Zillah Branco

segunda-feira, 13 de maio de 2019

Os heróis ns história do Brasil contra o domínio do imperialismo



Lula é o herói que hoje é apoiado pelo povo brasileiro porque a ele pertence. A sua cultura tem as mesmas raízes que germinaram na construção do Arraial de Belo Monte no final do século XIX -  refletem a formação humanista cristã e recusam a escravidão imposta por quem quer que seja: o dono das terras, os seus jagunços, a elite no governo, as estruturas que comandam as Igrejas como hierarquias políticas. Mas Lula absorveu a cultura do século XX quando se realizou a grande Revolução Socialista expandindo as mais valiosas conquistas da humanidade na formação da consciência dos trabalhadores e trabalhadoras. A sua proposta enfrenta a degradação do capitalismo.

Com a evolução política ocorrida mundialmente no século XX (com o aprofundamento do conhecimento científico e a luta pelos Direitos Humanos) no Brasil dominado ainda pelo atraso colonial e pela violência ditatorial, foi possível a criação de um Partido dos Trabalhadores que uniu várias correntes de esquerda, a que se aliaram empresários nacionalistas neo-liberais. Em 2002 elegeu, pela primeira vez, um operário para a Presidência da República. Lula, com a experiência adquirida na luta sindical que passou a ser organizada a partir das bases nas fábricas, desenvolveu e aprofundou os seus conhecimentos políticos no convívio estreito com intelectuais militantes de esquerda e aplicando a sua inteligência e sensibilidade na recolha de imagens da realidade vivida em todo o território pelo seu povo despossuido no Brasil.

No governo, as suas grandes obras logo iniciadas foram contra a Fome e pela Saúde e a Educação de todos os cidadãos. Com dificuldades pela presença de defensores do neo-liberalismo no seu governo, lutou pela formação dos trabalhadores, melhor remuneração para darem uma vida condigna ás suas famílias e pelo desenvolvimento da produção interna nacional. Elevou a capacidade econômica do Brasil que foi parceiro de outros países da América Latina, Africa e Ásia, impondo a sua presença nos organismos internacionais e expandiu o patrimônio econômico brasileiro com o fortalecimento de empresas nacionais, principalmente da Petrobrás com a descoberta do Pré-Sal, mas também o BNDE através do qual investia na produção nacional e no desenvolvimento das forças produtivas. Criava as condições de um Brasil soberano.

A existência do núcleo responsável pela ditadura militar que ocupou o governo de 1964 a 1985, fora do poder governamental e ocultada da vida pública por um acordo realizado com as forças mundiais da social-democracia (representadas por Mário Soares em 1979, Presidente de Portugal, em visita ao general Geisel, que ocupava a Presidência no Brasil), encolheu as garras para permitir que uma eleição democrática, "sob vigilância", tranquilizasse a população oprimida e perseguida durante 21 anos fosse levada a reduzir a sua capacidade de resistência civil.

O PT, coligado com outros partidos, governou durante quatro mandatos criando um caminho para que o Estado de Direito se tornasse uma realidade. As contradições existentes permitiu, no entanto, que o imperialismo aplicasse o seu sistema de corrupção para quebrar alguns poucos quadros políticos inconsequentes e muitos funcionários destacados no Estado e com poder nas hostes empresariais com ligações ao poder financeiro, midiático e judicial.

Predominou o regime neo-liberal, à sombra de uma aparente redemocratização, que abriu caminho ao golpe de 2016 com a decorrente eleição de Bolsonaro - um capitão do exército ligado às torturas perpetradas pela Ditadura Militar, lacaio do imperialismo e sem qualificação para qualquer função política, o que o tornam um títere ao serviço da invasão estrangeira.

Em 2018 Lula foi sequestrado com a conivência de responsáveis pelo poder judicial e sua prisão  determinada por um Juiz de Primeira instância - Sérgio Moro - ao serviço da CIA e de Trump, para não poder ser reeleito pelo povo que nele acredita e por ele luta. Ficou claro que um Estado de Direito garantiria a instauração de uma verdadeira democracia - que garantiria melhores condições de vida para todo o povo, sem preconceitos de gênero, de etnia, de opções sexuais, e a possibilidade de acesso à educação em todos os níveis incluindo as especializações pós-universitárias - o que provocou a adesão de uma classe média com alguns privilégios à direita de tradição oligárquica que se submeteu ao poder imperialista para combater o que lhes parecia o "socialismo" no Brasil. Tornaram-se "vendem pátrias" sem qualquer escrupulos pessoais e cívicos, negando a própria dignidade e a noção de independência nacional. Multiplicaram-se os traidores a partir da onda de corrupção e do apoio prestado pela fração da Igreja Evangélica Pentecostal preparada nos Estados Unidos dentro do programa de invasão subliminar elaborado pelos assessores de Trump.

Surgem novos heróis

Diante de tais traições aos princípios elementares de Justiça e às conquistas democráticas que permitiram ao povo ser integrado como cidadão com igualdade de direitos à sociedade, a esquerda nacional passou a trabalhar arduamente pela sua unidade organizativa e de apoio aos movimentos sindicais e sociais. Com o objetivo de  manter o povo informado sobre a realidade dos golpistas e sabujos do imperialismo que estão destruindo as conquista democráticas implantadas nos serviços públicos, entregando o patrimônio nacional aos Estados Unidos e apoiando as iniciativas do imperialismo contra outros povos latino-americanos,  foi implementada a mídia progressista com a união de vários canais de qualidade profissional e técnica que faz o trabalho a que se recusa a mídia hegemônica, e desfaz os fake news que circulam mundialmente em defesa do imperialismo.

Com entusiasmo e criatividade os vários canais assumiram a função de informar o povo para vencer este desastre histórico que levou o Brasil a perder a sua riqueza e a soberania política.
Unem-se em torno da campanha Lula Livre e seguem a sua proposta de promover a educação como arma para salvar o Brasil deste tsuname imperialista que faz parte da grande crise do sistema capitalista. Com diferentes tendências - espirituais, musicais, filosóficas, ativistas, investigadores universitários - fazem bom jornalismo para entrevistar políticos, professores, representantes de movimentos sociais e sindicais, dão aulas de história moderna e divulgam a história das lutas do povo brasileiro no passado. Criaram uma escola que se expande através de videos para muitos paises onde estão os brasileiros emigrantes.

Este acervo de educação e conscientização pode servir a todos os municípios que já têm um núcleo em defesa de Lula Livre se os videos forem projetados em um telão para os que não têm internet. Assim esta mídia progressista servirá como escola popular pelo Brasil afora. É a ação dos novos heróis formando uma população que limpará a Pátria dessa corja de bandidos mercenários subalternos ao imperialismo que invadiu o Estado Brasileiro.

Zillah Branco
13/05/19











terça-feira, 30 de abril de 2019

Lula é o Brasil, que se quer LIVRE e soberano !

Publicado no Portal Vermelho
30/04/19

O mundo acompanhou emocionado a entrevista do ex-Presidente Lula, sequestrado pelos golpistas que se curvam ao poder imperialista dos Estados Unidos. Cresceu o respeito e a admiração pelo operário que se tornou o mais importante Presidente da República do Brasil, que com a sua maneira de ser dá um exemplo de HONRA, DIGNIDADE e INTEGRIDADE a todo e qualquer ser humano.

Ele sofre as injustiças, ele chora a morte dos seus entes queridos, ele se indigna com os traidores da pátria que martirizam o povo trabalhador, ele recusa o ódio e busca nos que dele se afastam um resquício de respeito humano para poder dialogar. Nesta entrevista à Folha de S.Paulo e ao El País da Espanha divulgada mundialmente, assim como na que foi divulgada pela mídia progressista gravada em 1981 no início da sua trajetória política, Lula revela a mesma essência que orgulhosamente mantém 38 anos depois. De quem fez uma carreira de lutador sindicalista à Presidente do país com imenso exito nos contactos internacionais do mais alto nível político, solidário com outros povos em luta aos quais transmitia o seu plano para a recuperação econômica e a superação da miséria e da fome de milhões de brasileiros a partir dos investimentos sociais para promover os trabalhadores e a produção interna. Segue os conceitos desenvolvimentistas alimentados pelos cursos da CEPAL na década de 60 mas atualizados à luz das experiências socialistas de Cuba e outros países latino-americanos independentes da ganância do império norte-americano.

Os seus estudos são feitos sem livros, ouvindo explanações de quem estuda, fazendo perguntas, observando a realidade. Confessa ter preguiça de ler. Com a inteligência viva e metódica que tem utiliza a intuição como baliza do conhecimento. Mantem-se como todo o povo na formação da consciência, e utiliza a mesma linguagem para ser melhor compreendido.

Lula se revê nas lutas populares que fizeram a história do Brasil. É mais um herói como os que foram vencidos através dos séculos passados. A diferença é que chegou a ser Presidente da República durante 8 anos de governo e apoiou mais 8 anos da presidenta Dilma. A diferença é que com a evolução histórica, o herói popular assumiu o merecido lugar no governo e pode afirmar a soberania nacional perante o mundo, retirar da fome 40 milhões de pessoas, legalizar 6 milhões de micro-empresas, entregar 20 milhões de novas carteiras de trabalho assinadas, fortalecer a investigação científica e criar universidades que permitiram integrar os estudantes mais pobres e os cidadãos discriminado por preconceitos racistas, de gênero ou opção sexual, fortalecer empresas públicas de grande importância internacional, participar de reuniões mundiais e levar o Brasil a uma projeção nunca antes alcançada no mundo. Com os recursos criados internamente pagou a dívida com o FMI criada por governos anteriores e elevou a riqueza nacional fazendo do Brasil uma potência em desenvolvimento.

Além de criar condições para a independência do Brasil, Lula conquistou amizades em muitas regiões do planeta, sendo sempre solidário com os que lutam pela soberania dos seus países e pela criação de melhores condições de vida para todo o povo. Tal como Mandela na Africa do Sul, despertou a admiração de politicos conservadores que reconheceram o valor da luta popular para vencer os obstáculos que as elites levantam por egoismo e crueldade. A grandeza interior de Lula, como ser humano, potencializa os seus planos de ação política sempre a favor das camadas mais desprotegidas da sociedade.

Caracteriza-se pela busca da unidade de esforços mesmo que a maneira de pensar e agir dos governantes seja diferentes da sua. Assim também procura o diálogo com os que são contrários a ele. Confia na justiça, na lógica da realidade, com auto-suficiência. Se reconhecer que o outro erra por fragilidade pessoal, fica com pena. Como diz de Palocci: "ele não tinha o direito de destruir a sua própria vida, como fez". E lembra o valor da mãe de Palocci, "que amassou barro para construir o PT em Sorocaba". A sua visão cristã da mãe se sobrepõe para revelar a profundidade da dor pelo ato do ex-companheiro de lutas. O humanismo de Lula é determinante na sua conduta e impõe o respeito pela pessoa do "outro". Isto o leva a não recusar nunca o diálogo, a considerar que para governar um país deverá ouvir e dar espaço aos que lhe são contrários.

Sequestrado e preso por razões meramente políticas, quer dialogar com seus algozes para provar o erro deles e, talvez, convencê-los - como tem a certeza de que ocorrerá "na hora da extrema-unção". Quer dialogar com os membros do poder judicial, com os militares, com os empresários, com os que antes o aceitaram como Presidente e receberam apoio às suas reivindicações.

Sobretudo Lula quer dialogar com o povo que foi traido por Temer e por todos os entreguistas que são lacaios do imperialismo! Para isso tem incentivado a união de todos os brasileiros em uma frente progressista para lutar pela vitória de um programa que fortaleça o povo e retome o caminho do desenvolvimente nacional.

Que a força da personalidade de Lula estimule todas as organizações partidárias e dos movimentos sociais a seguirem o seu exemplo de dignidade pela reconquista da soberania nacional e da defesa dos direitos humanos e de cidadania para todos os brasileiros.

Zillah Branco

quarta-feira, 10 de abril de 2019

A libertação da consciência popular

Artigo publicado nos portais
Resistência e  Vermelho
10/04/19


O mundo vive um momento alto da emancipação popular que coincide com o agravamento da crise sistémica e a maior, e mais pérfida, agressão do imperialismo. São os polos opostos do confronto entre os explorados e os exploradores.

As migrações forçadas em busca de melhores condiçōes de vida, que sempre existiram ao longo da história da humanidade em função de catástrofes naturais que provocavam a fome e a morte, ou de agressões de grupos mais fortes em busca de escravos ou de territórios mais ricos. Com o surgimento de conceitos "civilizacionais" foram sendo definidas as castas e classes dominantes dentro de impérios e Estados que deram origem a instituições que atribuiam o poder (com alegações religiosas e de superioridade cultural)   imposto como uma fatalidade (garantida pela violência armada) aos povos trabalhadores privados das condições de desenvolvimento físico e cultural. Eram os nobres ricos que tinham o direito de escravizar os que precisavam serví-los para sobreviver.

Para reforçar a distância que separavam ricos de pobres, foi afirmada como indiscutível a superioridade com que nasciam os nobres em relação aos seus subordinados. Foram milênios de imposição desta fraude que só pode ser contestada a partir do desenvolvimento científico. Vamos encontrar "descobertas", louváveis na época e "óbvias" hoje, nas primeiras décadas do século XX, de observadores europeus, portanto brancos, de que os povos negros da África, ou os "amarelos" do Oriente, ou os "escuros" da Índia, da Polinésia e os indígenas dos países do Terceiro Mundo eram tão humanos como os brancos. Lentamente a ciência foi comprovando que todos têm as mesmas aptidões e capacidades para o desenvolvimento mental e físico desde que respeitadas as suas condições de vida e compreendidas as suas respectivas culturas, que eram destruídas nos processos de colonização.

As ciências foram multiplicando as provas da igualdade entre os seres humanos, mas os preconceitos raciais, de gênero, de opção sexual, e de opinião contestatária, foram cristalizados pelos "donos" do poder assegurado pela estrutura de propriedade e de acumulação das riquezas do sistema capitalista. Foi a partir da Revolução Soviética - que levou à criação de uma potência mundial a partir de sociedades que adotaram o sistema socialista de vida para os seus povos - que ficou patente a fraude dos preconceitos que são usados pelo capitalismo como armas segregacionistas. Surgiram os movimentos feministas e anti-racistas, fortaleceu-se o sindicalismo operário, inspirando o associativismo estudantil, de artistas, de profissões liberais, de moradores, para a defesa dos seus direitos usurpados pelo corporativismo de elite colado ao poder.

A história do colonialismo transformou a escravização (de africanos, asiáticos e os povos  nativos do continente americano, da Austrália e outras regiões isoladas) em uma forma mercantil, assim como as injustiças inerentes do sistema desenvolveram a mercantilização do sexo pela prostituição imposta às jovens de origem pobre, e outros comércios de jovens competidores em lutas consideradas esportivas, ou tornados criminosos a serviço de patrões (jagunços, seguranças pessoais e gangues criminosas até chegar aos "terroristas" que são utilizados nas guerras modernas como mercenários que substituem exércitos regulares de países invasores).



Emigrantes ou fugitivos do caos social?

Com o surgimento do neo-liberalismo a migração interna nos países mais pobres foi dinamizada pela rápida projeção de alguns centros urbanos em sociedades mais ricas tornadas polos de um desenvolvimento de serviços onde proliferam pequenas indústrias têxteis e a valorização de imagens exóticas integradas nas artes populares. Grande número de jovens nativos de regiões onde a população indígena não encontra trabalhos fora da agricultura, emigra para zonas urbanizadas mais modernas dos países vizinhos onde enfrentam duras condições de trabalho sem regulamentação (que se assemelham à escravidão) e procuram evoluir com a apresentação das formas de arte dos seus ancestrais que, além de enriquecerem e diversificarem os núcleos artísticos populares, fortalecem uma identidade nacional que os ajuda no processo de identidade a suportarem os preconceitos que os  obriga à submissão nas relações de trabalho e no confronto com os demais trabalhadores de origens nacionais diversas concorrentes no mercado de mão de obra barata.

Os estudos antropológicos nas universidades promovem um elo entre os estudiosos com os trabalhadores de origens étnicas variadas, promovendo a valorização da consciência nacional e étnica desses trabalhadores e suas famílias e combatendo o preconceito que é a arma maior da exploração patronal.

As contradições do sistema capitalista, agravadas com a sobre-exploração dos trabalhadores pela não aplicação da legislação trabalhista que destrói a segurança contratual, são o grande incentivo para que as forças partidárias de esquerda, os sindicatos e as associações solidárias com os setores marginalizados, divulguem os protestos contra todos os preconceito tornados ferramentas discriminatórias para o exercício da exploração patronal.

Ameaça global

O agravamento da expansão imperialista com o uso da OTAN para invadir países com reservas de petróleo e outros minerais de alto valor, para derrubar governos que aplicam os princípios democráticos de tipo socialista visando um maior equilíbrio da renda nacional e o desenvolvimento das alavancas sociais para tirar o povo do atraso herdado da exploração centenária do colonialismo e do neo-liberalismo (dando-lhe um sistema universal de saúde, ensino em todos os níveis, emprego e previdência social, transporte e habitação condigna), ao provocar genocídios e destruição de cidades que horrorizam o mundo, destrói as instituições jurídicas em defesa dos Direitos Humanos criadas a nível nacional e internacional, tem despertado um panorama favorável ao desenvolvimento da consciência cidadã de esquerda. As pessoas que não sucumbem ao desespero da aparente impotência diante do poder nefasto descobrem caminhos de união para salvar a civilização.

A eleição de uma figura grotesca e pre-potente como Trump nos Estados Unidos e outra como Bolsonaro (que não tem as condições mínimas para ser dirigente de coisa nenhuma e foi feito Presidente do Brasil), provocam o despertar até mesmo de uma burguesia que não foi totalmente engolida pelo egoísmo desumano para a necessidade de impedir que o planeta seja destruído pela ganância diabólica de uma elite criminosa.

O exemplo dado por Lula - que estoicamente aguentou uma perseguição sem tréguas e sem justiça, estando há um ano em prisão política por ter colocado o Brasil ao lado dos grandes países por sua grandeza econômica e capacidade de superar o atraso herdado historicamente, que introduziu serviços sociais que salvaram 40 milhões de brasileiros da fome e criaram universidades e instituições técnicas e científicas para formar os profissionais capazes de aproveitar as jazidas de petróleo do Pré-sal, a Amazonia, as bases científicas de Alcantara e toda a inteligência brasileira para afirmar a soberania nacional e as melhores condições de vida para mais de 200 milhões de cidadãos - há de semear a unidade de todo o povo com o apoio mundial para reverter o desastre que o imperialismo norte-americano introduziu pelas mãos dos traidores da pátria que forjaram uma eleição graças ao desespero em que os eleitores se viram afundados iludidos por fake news veiculados pela mídia hegemônica e uma falsa igreja pentecostal.

É um novo caminho a ser construído a partir da realidade em que vivem os 220 milhões de brasileiros, com 40 milhões de volta à fome, 46 milhões de desempregados, estudantes sem escola, doentes sem médicos, o rico patrimônio nacional entregue ao usurpador imperial, o crime e a violência incentivados por um governo submisso e vendido ao capital estrangeiro, um Estado com os serviços institucionais destroçados e a Justiça violada por profissionais acovardados.

Lula Livre! Um comité de luta em cada município, uma célula familiar em cada casa para unir as gerações! O povo unido jamais será vencido!

Zillah Branco

segunda-feira, 1 de abril de 2019

A ONU ainda funciona como mediadora nos conflitos internacionais?



Zillah Branco
01/04/2019 
Pubicado pelo  Portal Resistência 

Como é possível que a ONU - criada para manter o mundo em equilíbrio político - não impõe um paradeiro à exibição de poder supranacional liderado pelos Estados Unidos, governo que promove o roubo das riquezas nacionais e a indignidade dos traidores da pátria eleitos por processos fraudulentos com base em fake news e corrupção, aprisionando os heróis dos povos e exterminando a justiça institucionalizada que os povos tinham?

Como os povos - que acreditam no Estado de Direito - podem se defender da sanha criminosa dos bandidos que ocuparam o poder no sistema capitalista?

Vamos continuar a enumerar, impotentes, os continuados atos de prepotência e violência praticados pela elite financeira e militar do sistema, sem receber o apoio solidário da ONU que foi criada e mantida exatamente para equilibrar as forças globais?

De falas mansas e sentimentos generosos o mundo está farto! De debates jurídicos sobre leis que ficam escritas e não são aplicadas estamos todos cansados! Indignados!

É preciso que cada responsável - por organismos internacionais e nacionais - para garantirem a integridade das nações assumam as suas responsabilidades (pessoais e dos cargos que ocupam), ao nível dos heróis que têm enfrentado a opressão e a morte pela defesa da humanidade e dos princípios morais e éticos que ela conserva há pelo menos dois mil anos. Está em causa a Civilização e a Natureza no planeta Terra!

Desliguem os programas da mídia hegemônica, que são novelas para turistas e rentistas dependentes da Bolsa, e acompanhem a realidade através dos canais de informação que revelam os sofrimentos reais dos povos mas também a capacidade de resistência que inspiram apoiados na militância política e social e na solidariedade internacionalista. Todas as associações se manifestam, até os idosos e os adolescentes, dispostos a impedir o avanço dos criminosos que poluem a humanidade e destrõem o solo e até o clima, para não falar no patrimônio resultante da criatividade científica, artística e filosófica nos últimos dois mil anos de história.

Quando se vê que o império britânico entrega ilhas inteiras, como forma de transação financeira, para servirem de bases estratégicas no arquipélago de Chagos, situado no oceano Índico (pertencente às Ilhas Maurício que são independentes desde 1968) aos Estados Unidos e expulsa milhares de habitantes nativos para as favelas das grandes cidades; que o fantoche Bolsonaro dá como prenda a Trump a base militar e científica de Alcantara além de prometer as jazidas de petróleo do Brasil; que o jornalista Julian Assange está fechado e ameaçado de prisão ha 7 anos na embaixada do Equador em Londres, por ter divulgado notícias verdadeiras para informar os povos; que a destruição militar de países no oriente médio e norte da África que têm petróleo, produziu milhões de emigrantes que circulam pelos mares para se tornarem mão de obra barata em países  organizados; que os povos que enfrentam a miséria para serem independentes sofrem ataques com armas, venenos ou energia cibernética (como ocorreu com a Siria e agora com a Venezuela); e tudo isso é realizado pelo imperialismo norte-americano às claras e com divulgação midiática, com a submissão de escroques de vários países latino-americanos e da Europa rica, além da complascência dos organismos internacionais. Esperam que os humanos que sobreviverem aguardem a proteção divina?

Pergunta ingênua

Coloquei as perguntas que qualquer pessoa indignada com os acontecimentos mundiais poderá fazer por desespero. Já há muitos casos de suicídio ou de refúgio na alienação como recurso para aguentar o absurdo de toda a humanidade depender de fascinoras, covardes ou cúmplices corruptos.

Mas, ao analisar a história do imperialismo, que já é antiga e passou pela utilização do fascismo e do nazismo, que foram registados como iniciativas de loucos como Mussoline e Hitler, sem revelar o poder imperial que os utilizou como ponta de lança para quebrar as resistências, que centralizou a política financeira para manipular os rumos do sistema capitalista no mundo, e cautelosamente estimulou a comunicação social para dirigir os interesses das nações e a cultura das populações de modo a se deixarem escravizar pela ambição de poder que tanto enferma os indivíduos como os setores políticos esvaziando-os dos princípios humanistas. Um vasto plano maquiavélico de construção de sociedades onde a ambição de lucro e poder social substituiu a fé no divino. Isto ocorreu nos anos 30 e 40 do século XX.

Foram criados cursos universitários aparentemente abertos para colher todas as idéias e capacidades dos estudantes e pesquisadores de ciência, tecnologia e arte, foram investidos os dolares necessários em bolsas de estudo, equipamentos, publicações de teses e livros de divulgação, foram estimulados todos os conhecimentos - de armas a medicamentos, de filosofia a manuais de treinamento físico e mental, de levantamento das realidades da vida à criação de modas de vestuário e de objetos de consumo, de energias à produção de carros, iluminação pública e doméstica à produção de bombas e misseis, enfim tudo o que se desenvolveu rápidamente no século XX permitindo que fosse atenuada a miséria dos trabalhadores nas cidades e a classe explorada fosse dividida em degráus de desenvolvimento onde vê, no topo o modelo cobiçado de luxo e poder. Restaram os muito pobres que foram considerados "os miseráveis" que por escolha própria ou inércia se conservam como os "indígenas" que devem representar a face folclórica das sociedades organizadas.

E este mito só começou a ser quebrado pela experiência vitoriosa da revolução soviética, e as demais que seguiram o seu exemplo, onde se conservou o respeito pelo humanismo e a ética como parâmetros fundamentais da humanidade.

Para interromper o caminho desvairado de violência e maldades que caracterizaram os governos fascistas que cultivam os dotes psicológicos mais negativos, o imperialismo salvou os sionistas ricos e empreendedores que aceitaram integrar o poder econômico e cultural dos Estados Unidos deixando milhões de judeus e de civis de várias origens e de esquerda serem dizimados nos campos de concentração e nas guerras enfrentadas pelos "aliados" que se viram forçados a pedirem socorro ao exército criado pela União Soviética que venceu militarmente aquele governo cruel e anti-humano no seu território e fora dele até alcançar a vitória esmagando o poder fascista em Berlim. Isto criou um sério problema para o comando imperialista que teve de "engolir" a solidariedade dos defensores de um sistema socialista oposto ao capitalismo de que depende o seu poder.

A divisão da humanidade para facilitar o domínio fascista

Com o ressurgimento da figura fascista criada pelo imperialismo, reascendem os preconceitos que sempre foram utilizados para opor grupos classificados racialmente, ideológicamente ou pelas opções de vida, apregoados fartamente pela mídia bem remunerada. O anti-semitismo só existe insuflado por motivos políticos e mantido pelo Estado de Israel que para este fim foi criado pelos paises "aliados" ao império liderado pelos Estados Unidos.

A manutenção dos conceitos de raça pura superior é aplicada apenas pela elite conservadora pois os povos convivem como iguais em todo o mundo no contexto do trabalho e da sobrevivência. Mas, depois que Trump dobrou a espinha dorsal da União Europeia com a questão de abrir embaixadas em Jerusalém para impedir que os Palestinos sejam respeitados, então a mídia francesa promove os baderneiros "coletes amarelos" que detonaram críticas várias a Macron, a anti-semitas. E voltam à mitologia do anti-semitismo para dar ao rascismo um papel provocador de conflitos que oculta as razões de exploração dos pobres pelos ricos.

Os protestos de rua estão multiplicados por todos os países contra a política social-democrata imposta pela UE que disfarça a defesa dos bancos com falsos orçamentos para destruir as conquistas dos direitos trabalhistas. Pintando de anti-semitismo os protestos populares serão mais facilmente reprimidos pelos governos já comprometidos com o fascismo coordenado por Trump.

Guerra fria em curso

A marcha do imperialismo para preparar o domínio fascista sob a sua tutela repete a situação vivida no século passado. Em relação à esquerda retomam o anti-comunismo nas formas insidiosas dos preconceitos culturais que a mídia hegemónica introduz nas suas informações, o que muitas vezes é repetido inconscientemente nos canais de internet e mesmo em artigos de autores progressistas. Analisam situações históricas a partir da "simpatia" pelos governantes e caem em julgamentos superficiais acerca dos que defendem territórios ameaçados pelas invasões "pacificadoras" do imperialismo.

É claro que a ONU deveria agir para evitar a catástrofe anunciada! Mas, os seus responsáveis estarão com o "rabo preso", assim como os da União Europeia, nas tramas do mercado e da política financeira do sistema capitalista em crise?

Poderemos esperar que os princípios humanistas e o conhecimento dos crimes imperdoáveis ocorridos nas Grandes Guerras a partir de um quadro semelhante ao que agora se desenha, darão coragem e dignidade aos atuais responsáveis pelo equilíbrio das forças no mundo?

Até agora, ao que parece, vários governantes no Conselho da Europa assumiram a covardia aos olhos do mundo deixando que o imperialismo destruisse povos e paises em benefício do capital que é gerido pela elite financeira; que os Estados Unidos impedissem o cumprimento das regras de mercado mundial com países como Cuba e Venezuela; que fosse imposta através dos seus emissários terroristas a sabotagem nos centros de energia e nomeassem um traidor como "presidente auto-proclamado" para provocar conflitos entre os venezuelanos; apoiaram Netanyhau para vencer as eleições em Israel apesar de acusado internamente por corrupção; façam campanha internacional contra a Siria - que reivindica as colinas do Golã a que tem direito - depois de terem tentado destruir o país por meio de ações terroristas causando milhões de mortos e feridos além de um problema mundial de migração massiva.

O exemplo do Papa Francisco na defesa da Paz e da dignidade das instituições nacionais e internacionais, que tem obtido apoio das demais organizações religiosas e a adesão de milhões de pessoas mesmo sem crenças metafísicas, não é suficiente para despertar o sentido da integridade nos altos escalões da política internacional?

O desenvolvimento cultural dos povos que hoje se solidarizam pelos laços humanistas aceitando as diferenças de opção como características históricas, não promove o respeito pela elite dominante?

O caminho é a resistência de todos os que vivem pelo fortalecimento da humanidade dignificada!

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terça-feira, 19 de março de 2019

Luta permanente pelo
desenvolvimento democrático

Zillah Branco
19/03/19

"Todas as sugestões serão benvindas, nunca a ingerência", como referiu Wang Yi, Ministro das Relações Externas da China ao apresentar plano para solucionar políticamente os conflitos. Na tradição do pensamento milenar oriental, esta afirmação deve ser adotada como um ditado popular e filosófico.

O cidadão que enfrenta a vida de pobre e sobrevive com ânimo para buscar novos conhecimentos que sirvam como alavanca para progredir e transmitir aos seus filhos e companheiros de luta, compreende e enriquece a sabedoria milenar. Precisa é ser respeitado pelo coletivo que empreende as ações de organização e desenvolvimento nacional, tendo por base a das forças produtivas - materiais e humanas.

A tarefa solidária desempenhada por quem teve o privilégio de estudar e aprender a organizar um plano de luta gradual que atraia todo o povo trabalhador e a juventude em formação para reconstruir o Estado democrático, é reunir todas as sugestões que não abram caminho às ingerências inimigas.

O egoísmo é uma doença anti-social

Vivemos um momento caótico de egoismo desesperado de uma elite política selvagem e cruel, que não tem saída para o caminho truculento e criminoso que pretende manter o poder sobre a humanidade. Não satisfeita com o monopólio sobre as riquezas naturais utilizadas para o seu conforto, destrói as conquistas dos trabalhadores e populações pobres de todo o mundo que criaram as condições mínimas de sobrevivência baseadas em leis e conhecimentos fundamentais para manterem a evolução da civilização no planeta.

Diante do poder ocupado por vândalos desequilibrados como Trump, Bolsonaro e tantos outros que a eles se submetem entregando as riquezas nacionais e os conhecimentos técnicos e científicos expoliados aos povos, é urgente a criação de um plano de ação para salvar a civilização com as suas características nacionais e históricas que traduzem os valores mentais, éticos e patrimoniais da humanidade no seu conjunto.

Basta de mentiras e fórmulas especiais de "democracia privada" oferecida como solução pré-eleitoral para evitar que os pobres morram e desapareça o necessário mercado interno de consumo de bens essenciais. O ser humano não é rico nem pobre, é um ser capaz de sobreviver, criar soluções para o desenvolvimento, defender os direitos de cidadania, valorizar o meio ambiente, aplicar a inteligência natural no progresso da civilização.

Inteligência artificial para escravização cultural

Através da internet está sendo criada uma "inteligência artificial" que é recolhida e processada por robôs sob a condução da elite dirigente do imperialismo. Ou seja, através do conhecimento das pessoas que utilizam whatzap, face book ou instagram, os "donos do mundo" constroem um pensamento com as características dos grupos que se intercomunicam, o qual vai aparecer como uma "conclusão" ou "modelo inteligente" a ser seguido. Criam, portanto uma "fórmula" para bitolar o pensamento humano excluindo a sua dinâmica natural que é evolutiva.

A partir desse modelo, revelado por pessoas e grupos com determinadas características históricas, sociais e políticas, os donos dos robôs vão vender às empresas que criam produtos atrativos para os grupos ou classes definidos. Isto significa que a inteligência de cada um fica amarrada, sem vontade própria, à resposta oferecida pelo produto oferecido comercialmente ou políticamente. Assim agiram os promotores das campanhas eleitorais para convencerem os eleitores de Trump, de Bolsonaro, dos apoiantes de Guaidó. Transformaram os eleitores em uma "manada" irracional conduzida por um "inteligente criminoso".

Além, dessa mesma elite imperialista, roubar as propriedades nacionais que são a base do trabalho produtivo - as terras, as ferramentas, as máquinas, o conhecimento profissional, etc. - dos povos, agora destroem o sistema judicial de defesa dos cidadãos e impõem limites ao tratamento da saúde, à formação escolar, à previdência social, às descobertas tecnológicas e científicas que existem em cada nação e passam a controlar a inteligência das pessoas como se fossem débeis mentais para que cumpram dentro de normas aparentemente "democráticas" um falso papel de "liberdade de escolha" dos governantes que vão impor um regime adequado aos objetivos do imperialismo expoliador.

O imperialismo, através de magnatas (como Soros e outros) e grandes empresas que dão prêmios estimulantes aos jovens que se dedicam à humanidade - na defesa da natureza, no amor aos cães domésticos, na informação social, na divulgação dos problesmas graves em que os pobres tropeçam - desde que façam a apologia do indivíduo como vítima e não da classe trabalhadora e expoliada que representa. Preconiza a superação das ideologias, de esquerda e direita, promovendo a dúbia social-democracia que se equilibra sobre o muro com o olhar enevoado por falsas informações para não distinguir o óbvio: rico no poder e pobre na miséria = direita e esquerda.

Assistimos desalentados ou desesperados à uma crise completa de valores que nega, em primeiro lugar a inteligência das elites mais poderosas que inventaram uma "democracia" privada a ser distribuida de acordo com o gráu de submissão que os grupos ou classes humanas revelam. É sabido, para quem estuda a história dos povos, que a escravidão destrói com violência e crueldade a capacidade de defesa do ser humano. Como recurso de sobrevivência ele foge ou passa a defender os seus "donos" tornando-se corrupto e oportunista.

Mas a Antiguidade revelou casos de confronto na defesa da dignidade humana de quem foi dominado pela força e as armas por uma elite. As elites, assim confrontadas, são vencidas e têm de fugir ou submeter-se aos lutadores. Essas foram as sementes revolucionárias que a história acumulou para definir as condições necessárias para que os trabalhadores oprimidos não sucumbam diante do uso da força e do poder econômico contra as populaçôes mantidas na miséria, sem assistência médica e acesso à formação profissional. A condição inicial é o sentimento de solidariedade e respeito humano,  sem preconceitos divisionistas, seguido da capacidade de organização e ação coletiva em defesa de direitos sociais e econômicos que criam condições para atingirem uma representação política - sindical, partidária, intelectual, parlamentar até chegar ao governo e à administração do Estado.

O socialismo define o regime que deriva deste percurso da classe trabalhadora contra o domínio de uma elite que utiliza o sistema capitalista para impor a sua força derivada do acúmulo do capital privado e do controle das forças armadas e do mercado nacional e internacional. Até o recente movimento de adolescentes que se levanta no mundo (com apoio controverso, como é moda hoje na ação social-democrata) a partir da projeção da jovem suéca Greta Thumberg, reconhece que é preciso mudar os parâmetros da vida política e também "o sistema" que os condiciona. Com a inteligência natural, o espírito de solidariedade, a força de vontade, a saúde e o conhecimento da história de vida, a humanidade afirma a sua condição revolucionária e supera a manipulação dos retrógrados imperialistas. Organizam-se os que lutam pela Paz e expulsam a elite opressora que ocupa o poder.

A repulsa do imperialismo aos revolucionários

A elite do sistema atribuiu à jovem Greta Thunberg um "sindroma de autismo" para explicar a excepcionalidade da sua análise objetiva, lúcida e revolucionária do sistema capitalista falido. Não querem aceitar que a lógica de uma humanidade sadia leva ao conhecimento da ciência da vida que permite a todos sobreviverem e desenvolverem as suas capacidades mentais e físicas em benefício de todos os que não pretendem usar o poder ccom o egoísmo expoliador.

Com firmeza e paciência, sem perder a coerência do objetivo revolucionário, este caos criado pelas crises cíclicas do sistema capitalista será superado por um sistema democrático e responsável pela defesa da natureza e da humanidade no planeta.

Na América Latina a velha batalha dos povos contra a dominação colonial que se foi transformando em imperialista, tem dado provas do esforço dos seus povos na criação de nações independentes. Cuba fez a sua revolução com o apoio histórico da União Soviética, descobriu o seu próprio caminho de desenvolvimento socialista e suportou seis décadas de embargos impostos pelos Estados Unidos na liderança do império capitalista globalizado. A presença desta semente revolucionária demonstrou o caminho para a libertação de um povo capaz de organizar a sua luta, a sua sobrevivência e desenvolver as suas capacidades. Inspirou outros povos a lutarem contra a opressão.

O Chile de Allende, na década de setenta, deu um paço gigantesco que trouxe a esperança ao mundo do capitalismo globalizado. Foi cruelmente destroçado depois de três anos de luta em que abriu caminhos inovadores de fusão popular de populações nativas e imigradas da Europa que se irmanaram como chilenos revolucionários. Ficou o exemplo da firmeza de Allende e milhares de líderes revolucionários assassinados por não abandonarem a dignidade e a defesa revolucionária da sua nação.

Outras experiências se sucederam na América Central - Nicarágua, São Salvador - que sofreram a pressão imperial dos Estados Unidos. No entanto, na Ásia o exercito imperialista foi vencido no Vietnam de onde foi expulso pelo povo liderado por Ho Chi Minh que deixou importantes ensinamentos sobre a organização da resistência popular que foram divulgados pelo mundo em luta. Na Africa do Sul o férreo combate ao "appartheid" racista superou a força dos antigos dominadores que impunham a "superioridade racial dos brancos" e elegeu o herói Mandela como o primeiro Presidente negro no país.
Apesar dos vários governos de orientação neo-capitalista que o imperialismo apoiou na América Latina e das ditaduras militares que foram impostas para vencer a resistência popular, o século XXI assistiu à redemocratização de vários países latino-americanos que se expandiram através de organismos de convívio político e trocas comerciais: ALBA substituiu a OEA unindo o continente com exceção dos Estados Unidos e Canadá que representavam o império ameaçador. A Venezuela, liderada pelo presidente Chaves e apoiada por Cuba foi a grande força revolucionária de apoio aos governos democráticos eleitos no Brasil, Argentina, Bolívia, Uruguai, Paraguai, Chile, Nicarágua. Cada nação seguiu as suas condições históricas e os caminhos adotados por seus líderes.

Os Estados Unidos também sofrem a ebulição interna de sua população que acordou sobretudo na derrota militar no Vietnam e que, explorada nas várias crises financeiras do sistema, entendeu a necessidade de mudança para alcançar a verdadeira democracia e a identidade com os demais povos em luta pela independência. Dentro do espaço nacional mantém a contradição entre o poder imperialista e o governo nacional que reflete os anseios populares. O poder supra-nacional escolheu Trump como fantoche para ocupar o Governo e comandar os ataques externos. Assiste às manifestações internas de solidariedade com a Venezuela, com os imigrantes que chegam de outros continentes vitimados pela ação imperial, com o Brasil onde a submissão do traidor Temer e agora do fantoche Bolsonaro destroem o património e o desenvolvimento alcançados pelos governos de Lula, com as lutas mundias contra o machismo, o racismo, os direitos de opção sexual e a liberdade de pensamento.

O momento é de resistência e de solidariedade internacionalista. O apoio é trazido pela China socialista que em aliança com a Russia e outros países que compõem uma força geopolítica antagônica à do bloco capitalista dirigido pelo imperialismo. Em causa está a sobrevivência do planeta - natureza e humanidade - ameaçada pelo aquecimento global , as armas atômicas e a tecnologia aplicada pela "inteligência artificial" na deformação da cultura divulgada pelos meios de comunicação social.

A campanha por Lula Livre unifica a esquerda brasileira em torno do programa em benefício do povo e não da política financeira que apenas enriquece uma elite traidora e desumana. Ela repercute em todos os países que sofrem a destruição imposta pelo imperialismo catastrófico e ensina as novas gerações a defenderem o seu futuro que é o dos povos livres.


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