Escrevo, comento, opino, analiso em busca de uma linguagem mais simples e direta, mais compreensível. Assumo as minhas idéias e gosto de discuti-las. Aceito as diferenças e recuso os preconceitos e o autoritarismo. Respeito a vida, a natureza, a humanidade, as culturas e as filosofias coerentes com a paz.
quinta-feira, 1 de agosto de 2019
A presença visível dos militantes de esquerda
Para quem vive na Europa é muito difícil acompanhar os sacrifícios crescentes a que ficou sujeito o povo brasileiro a partir do golpe de Temer - que agora se percebe como a espoleta de uma destruição da Justiça e da Segurança no Estado Brasileiro que germinava ha alguns anos sob a cobertura de uma tênue manta democrática. A mídia hegemônica, departamento do império norte-americano que cobre também a Europa, "fakea" historiazinhas pontuais que desvirtuam completamente a realidade que podemos conhecer através do Vermelho e outros jornais de esquerda e com os videos da mídia alternativa, progressista, que tem mantido um trabalho incansável e cada vez mais aprofundado sobre a realidade nacional e seus vínculos com o setor internacional (tanto o predador colonizante, como as demonstrações de solidariedade com a luta de esquerda).
O somatório dessa mídia progressista e revolucionária, representa uma ponta de lança que se consolida contra os invasores e os traidores da Pátria (covardes e corruptos) que aponta a necessidade da Frente Ampla que se forma em torno do conhecimento da história econômica e social do Brasil que sempre permaneceu dependente da estrutura capitalista global que na crise concentra o poder imperialista. Como bem aponta Lula, o grande passo dado com a aplicação do seu plano de emancipação econômica do Estado e aplicação de benefícios sociais para o pleno desenvolvimento dos cidadãos, não teve o tempo necessário para se completar. Podemos acrescentar que não chegou a superar a dependência que ficou contaminando a economia financeira e o sistema jurídico do país.
Estas entrevistas na mídia de esquerda, alternativa à hegemônica, com especialistas de vários ramos da ciência social, com jornalistas que têm boa técnica para revelar aspectos da realidade, com políticos de esquerda que participam da luta nacional, com líderes populares, de sindicatos ou associações específicas de setores sociais ou religiosos, constitui um verdadeiro curso de nível superior aberto a quem se soldariza com a luta contra a invasão imperialista e a destruição do Estado de Direito no Brasil. Merecem louvores especiais os que, como a nossa Vanessa e Lindberg, ex-senadores, assumiram a função de jornalistas contribuindo com a especialidade adquirida no Parlamento. E, na ausência de um e outro, militantes do PCdoB e do PT ocupam o posto enriquecendo com as suas experiências pessoais. Ficaria demasiado longo o texto se fossemos lembrar cada um dos valiosos canais e blogues que compõem esta universidade virtual.
Como atingir o povo marginalizado
A partir da divulgação pela internet, com a criação de textos sintéticos tipo cartilha, os militantes poderão promover outras formas de divulgação que chegue a toda a população nos contactos habituais com moradores. Onde se formam grupos poderão ser projetados videos que provocam debates - em bares populares, nos jardins públicos, etc. De alguma maneira poderemos combater a destruição do plano de formação iniciado por Lula, criando pequenos cursos participados por todo o país que serão sementes de uma nova consciência.
A coordenação pelos partidos a que pertencem os militantes que reproduzem a informação da universidade virtual, permitirá, por seu lado, a absorção do conhecimento da realidade e sua transformação dinâmica que vai alimentar a participação popular nas manifestações e o aprofundamento do conhecimento básico necessário à coesão da Frente Ampla em torno de projetos de ação e planos de governo. Só assim superamos a herança do pêso oligárquico da História nacional e a tendência a nomear a personalidade mais competente para conduzir o país, e os múltiplos preconceitos que dividem a população, as classes, até as famílias.
O modelo de escolas do MST, a pedagogia para alfabetização cubana, as idéias libertadoras de Paulo Freire e a experiência da universidade digital, constituem esteios para abrirmos o caminho da participação popular e do desenvolvimento de uma consciência socialista de Estado.
Zillah Branco
sábado, 27 de julho de 2019
A pedagogia revolucionária e os enganos da caridadezinha
O confronto entre o poder imperialista liderado pelo governo dos Estados Unidos e o da China - que afirma como meta a construção de uma sociedade comunista - exige uma conjugação das forças políticas de esquerda e democráticas na árdua tarefa de difundir uma pedagogia revolucionária de baixo para cima, coletivista e aplicada aos problemas sociais concretos, para unir a participação complementar das camadas que detêm os conhecimentos (intelectuais, científicos, técnicos, ideológicos, artísticos), na consolidação de planos de ação política, com a classe trabalhadora urbana e rural.
Na rica Europa a direita desenvolve uma política mistificadora para atrair os jovens e os ingênuos. Fazem "concessões" para aceitarem o fim do racismo e a liberdade da mulher
(que já não podem escravizar) promovendo a "beleza e o talento" de alguns e distribuindo "afeto ou sopa dos pobres" para os demais. Propositalmente confundem a caridade (esmolas dos superiores) com a solidariedade que só existe entre "iguais".
O caminho ilusionista da "proteção dos ricos" usa fartamente a natureza para sensibilizar os que são por eles explorados (crianças, jovens, idosos, pessoas com carências de todo tipo). Assim nasceu um partido PAN - pessoas, animais e natureza - que, depois de eleger representantes nos Parlamentos de Portugal e da União Europeia e defender os direitos de cães e gatos (que suprem as carências afetivas das populações da classe média e consomem produtos alimentares e tratamentos de saúde que faltam à população mais pobre), agora propõe a criação de Tribunais Especiais - que a Constituição democrática do 25 de Abril proibe - para combater a corrupção.
Vemos, assim, ser reproduzido em Portugal o mesmo caminho de destruição do sistema judiciário sofrido pelo Brasil. Os ricos corrompem e roubam fartamente e, com o poder pessoal, desviam-se das punições legais, e agora querem controlar Tribunais Especiais para combater a oposição política que é social e explorada por pertencer à classe trabalhadora.
O modelo vem da Idade Média com a criação dos Tribunais da Inquisição que condenaram tantos cientístas e filósofos que divergiam dos estreitos limites do conhecimento, imposto pelos poderosos, que mantinham os povos na ignorância e na ingenuidade. Vão condenar como corruptos os que se viram obrigados a roubar para alimentar ou tratar a saúde dos filhos, ou os que usam terras férteis abandonadas para plantar hortaliças, ou os que estudando a História Social defendem a distribuição das rendas por toda a população. No Brasil este Tribunal Especial foi instituido, sem título, pelo juiz Moro (hoje conhecido como criminoso pelas revelações do Vaza Jato) para prender o herói Lula que implantou a reforma democrática nacional.
As espertezas do jogo político imperialista têm pouca imaginação. Conseguiram enganar os eleitores ingênuos que confiaram nas "fake news" que a mídia, corrompida pelo sistema capitalista, inoculou como se os Governos fossem merecedores de fé por serem honestos. Da mesma maneira deixam que caiba aos cães e gatos fazerem companhia aos humanos que estão abandonados pelos serviços sociais do Estado. Agora querem criar Tribunais Especiais, fora do sistema judiciário constitucional.
Este poder de persuasão para manter a população alheia ao desenvolvimento social e político mundial, foi elaborado durante a Guerra Fria para combater as idéias revolucionárias divulgadas pela União Soviética e demais países socialistas que combateram a exploração dos pobres por aqueles que acumularam o capital produzido socialmente. As iniciativas revolucionárias entusiasmam qualquer pessoa que trabalha e luta pela subsistência familiar, que é garantida pelo Estado socialista. A direita tudo fez, com a difusão do preconceito anti-comunista para impedir que os povos vissem a realidade socialista que é o direito à habitação, ao emprego e ao transporte, além da educação, saúde e segurança social, para todos.
Vencida a desinformação que impede a liberdade de cada um pensar por si, com liberdade, os poderes de direita entraram em crise ao mesmo tempo em que o sistema financeiro entrou em colapso. Daí a mudança de imagem da direita que passa a ser "caridosa e beijoqueira" com os que dormem nas ruas e as idéias de permitir que os cães frequentem restaurantes e transportes coletivos com os mesmos direitos das crianças pobres (com a devida "coleira" do adulto que o leva).
Apesar de quase um século de campanhas anti-comunistas e de perseguições mortíferas aos revolucionários que se organizam em todas as nações, a luta permanente e o aprofundamento do conhecimento das ciências sociais alastrou a defesa de uma consciência livre que clarifica as idéias dos povos superando as ingenuidades. A falta de acesso às escolas e a subordinação ao patronato explorador, tem impedido que todos pensem com a própria cabeça e deixem de obedecer cegamemente aos poderosos que invadem as suas casas pelos noticiários e a televisão.
Quando perceberem que o tempo que gastam passeando animais podia ser dedicado à população carente reduzindo os seus sofrimentos e que o custo de manutenção de cães e gatos é maior do que a maioria das crianças pobres consome, verão que estão a colaborar com a política do "consumismo" que enriquece os ricos e os mantêm no poder. A questão que precisa ser debatida é a integração social dos cidadãos face à alienação que envolve cada um tornando-o individualista e egoista com o seu semelhante. Nada temos contra cães e gatos, lutamos pela distribuição igualitária dos recursos existentes na sociedade que deve ser implantada como base de uma sociedade democrática com um Estado de Direito.
Os problemas de miséria estão em todo o mundo, mesmo nos países ricos que fecham as portas aos imigrantes pobres. Nos Estados Unidos, por exemplo, "40 milhões de pobres, 2 milhões de presos, 27,4 milhões de pessoas sem seguro de saúde, cerca de 4,2 milhões de crianças e jovens sem-abrigo, incluindo os que vivem na rua e em albergues, e os que estão temporariamente em casa de terceiros por não terem o seu próprio alojamento". O país sofre um "colapso financeiro e do dólar, com um dívida impagável de 22,4 milhões de milhões de dólares que aumenta 1 milhão de milhões por ano , 105% do PIB, uma dívida privada (empresas e famílias) 73 milhões de milhões incluindo 1,6 milhões de milhões de dívida estudantil". "Cada vez mais o império só consegue dirigentes incompetentes, corruptos, mentirosos, criminosos. Democratas e patriotas são ou tentam que sejam substituídos por vassalos daquele tipo que criam Estados disfuncionais.
Os EUA podem ameaçar, tornar o mundo mais instável, retrair a economia, promover a riqueza das camadas oligárquicas, mas não podem pelas suas próprias contradições, tornar o mundo mais seguro e mais feliz e além do mais, já não podem ultrapassar certos limites sem que eles próprios corram riscos da sua própria destruição.
Os EUA não conseguem resolver nenhum dos seus problemas e contradições sem uma “mudança de regime”, neste caso o seu, passando de, como afirma Stiglitz, do sistema de “um dólar um voto”, isto é, uma oligarquia, para um sistema efetivamente democrático e progressista ao serviço do seu povo e não do domínio mundial a favor da oligarquia transnacional. (cit. Daniel de Carvalho - Junho/2019 - https://www.dn.pt/lusa/interior/mais-de-quatro-milhoes-de-jovens-norte-americanos-sem-abrigo---estudo-8920151.html"
E, na Europa, os países desenvolvidos vão pelo mesmo caminho. Agarrados ao capital financeiro destruiram as suas indústrias e agricultura expulsando os trabalhadores para outras funções, outros países, ou para o desespero que multiplica os casos de assassinatos familiares e suicídios. Abrem caminho para uma extrema direita fascista como o exemplo de Mussoline e Hitler.
A maioria da população que vive no planeta é pobre, com elevada percentagem vivendo na mais profunda miséria. A minoria rica explora o trabalhador e despreza as suas famílias deixando-as sofrerem carências por puro egoismo, por se sentirem superiores, porque rouba permanentemente o produto do trabalho e a terra, a água e o ar puro, que é da humanidade em geral. A ignorância é imposta aos pobres para que não lutem pelos seus direitos e continuem subordinados aos exploradores.
Zillah Branco
27/07/19
terça-feira, 9 de julho de 2019
Lula Livre para solucionar a crise mundial
Lula Livre
para solucionar a crise do capitalismo
O ex-Presidente Lula, ao ser preso pelos brasileiros mais covardes, pelos traidores da Pátria, pelos juristas criminosos, por determinação do poder arbitrário imperialista que ameaça os países mais debilitados e já destruiu tantas nações na Africa, no Oriente Médio e na América Latina;
Lula, o operário que passou fome e se desenvolveu a pulso até chegar a lider sindical;
Lula que manteve a sua linguagem popular tão bem compreendida por mais de duzentos miliões de brasileiros;
Lula que traçou o seu plano de governo com objetivos concretos de alimentar todo o povo e dar-lhe condições de habitação, transporte, educação e saúde;
este Lula que unificou a sociedade brasileira em torno de um projecto de desenvolvimento que fortaleceu as empresas estatais e permitiu o crescimento de iniciativas privadas mínimas ou grandes;
hoje é, inegavelmente um simbolo de modelo de governação para o Brasil, para a América Latina e todos os países em desenvolvimento.
Ao ser levado à prisão na sequência de um processo manipulado por criminosos ainda impunes por ocuparem postos de juizes e procuradores que levam o sistema judicial brasileiro à falência, Lula teve a grandeza de dizer: "Eu agora sou um pensamento, uma idéia".
Nem mesmo ele poderia imaginar que o seu desapego da função heróica de continuar a conduzir a luta de todo o povo brasileiro, deixando a sua missão entregue aos seus defensores que se empenham, na resistência permanente e crescente da soberania nacional, permitiu que aquele "pensamento" voasse pelo mundo, traduzido em todos os idiomas como uma semente revolucionária que penetrou nas mentes mais humanistas - desde o Papa, os líderes da ONU, vários governantes, milhares de intelectuais especialistas em desenvolvimento e planificação, aos membros de Igrejas humanistas, aos jovens (que assistem aos descalabros que estão por toda a parte destruindo escola e universidades, serviços universais de saúde, a segurança pública, as condições essenciais de uma vida saudável, a própria sobrevivência da natureza no planeta) até mesmo aos que eram defensores do sistema capitalista e não haviam despertado para a possibilidade de serem solidários com os que sofrem as causas da pobreza que os enriquece inutilmente.
A humanidade vem sendo esclarecida pela ação de Lula que sempre soube descomplicar as teorias apontando os fatos, os recursos concretos, os benefícios indispensáves que a Justiça e o Estado de Direito devem priorizar:
Os planos de governança e desenvolvimento devem partir sempre do fortalecimento da pessoa que trabalha e sua família e do tratamento adequado da riqueza natural existente, para depois ser avaliado o seu valor de troca no mercado nacional e internacional.
Riqueza individual forma uma elite egoista e ambiciosa que mina a vida saudável da humanidade.
Lula Livre! Com aplausos planetários e agradecimentos que se prolongarão através dos séculos!
Zillah Branco
para solucionar a crise do capitalismo
O ex-Presidente Lula, ao ser preso pelos brasileiros mais covardes, pelos traidores da Pátria, pelos juristas criminosos, por determinação do poder arbitrário imperialista que ameaça os países mais debilitados e já destruiu tantas nações na Africa, no Oriente Médio e na América Latina;
Lula, o operário que passou fome e se desenvolveu a pulso até chegar a lider sindical;
Lula que manteve a sua linguagem popular tão bem compreendida por mais de duzentos miliões de brasileiros;
Lula que traçou o seu plano de governo com objetivos concretos de alimentar todo o povo e dar-lhe condições de habitação, transporte, educação e saúde;
este Lula que unificou a sociedade brasileira em torno de um projecto de desenvolvimento que fortaleceu as empresas estatais e permitiu o crescimento de iniciativas privadas mínimas ou grandes;
hoje é, inegavelmente um simbolo de modelo de governação para o Brasil, para a América Latina e todos os países em desenvolvimento.
Ao ser levado à prisão na sequência de um processo manipulado por criminosos ainda impunes por ocuparem postos de juizes e procuradores que levam o sistema judicial brasileiro à falência, Lula teve a grandeza de dizer: "Eu agora sou um pensamento, uma idéia".
Nem mesmo ele poderia imaginar que o seu desapego da função heróica de continuar a conduzir a luta de todo o povo brasileiro, deixando a sua missão entregue aos seus defensores que se empenham, na resistência permanente e crescente da soberania nacional, permitiu que aquele "pensamento" voasse pelo mundo, traduzido em todos os idiomas como uma semente revolucionária que penetrou nas mentes mais humanistas - desde o Papa, os líderes da ONU, vários governantes, milhares de intelectuais especialistas em desenvolvimento e planificação, aos membros de Igrejas humanistas, aos jovens (que assistem aos descalabros que estão por toda a parte destruindo escola e universidades, serviços universais de saúde, a segurança pública, as condições essenciais de uma vida saudável, a própria sobrevivência da natureza no planeta) até mesmo aos que eram defensores do sistema capitalista e não haviam despertado para a possibilidade de serem solidários com os que sofrem as causas da pobreza que os enriquece inutilmente.
A humanidade vem sendo esclarecida pela ação de Lula que sempre soube descomplicar as teorias apontando os fatos, os recursos concretos, os benefícios indispensáves que a Justiça e o Estado de Direito devem priorizar:
Os planos de governança e desenvolvimento devem partir sempre do fortalecimento da pessoa que trabalha e sua família e do tratamento adequado da riqueza natural existente, para depois ser avaliado o seu valor de troca no mercado nacional e internacional.
Riqueza individual forma uma elite egoista e ambiciosa que mina a vida saudável da humanidade.
Lula Livre! Com aplausos planetários e agradecimentos que se prolongarão através dos séculos!
Zillah Branco
quinta-feira, 20 de junho de 2019
O jovem Marx
Os disfarces subtis da escravidão moderna
Vivemos um tempo de afirmação do domínio capitalista com a imposição de formas de exploração
que reduzem os trabalhadores à condição de escravos. Os Estados ditos democráticos jogam
com as leis de modo a solapar os direitos antes alcançados por movimentos sindicais e
manipulam as informações através da média que divulga as "fake news" como verdades sempre
convenientes à elite no poder. Para aprimorar a (de)formação da consciência dos cidadãos,
justificam a redução dos recursos para salários e prestação de serviços sociais alegando o "dever
de honra" do país saldar as dívidas contraídas com os bancos credores!. Além das mentiras que
ocultam o desvio dos recursos nacionais (capitalizados como lucros por uma minoria), criam uma
"falsa moral" que vai completar a ignorância da realidade, transformada em educação social que
aliena a consciência dos indivíduos.
A semente transformadora do sentimento humano radica no incentivo ao egoísmo para que, ao
ficar alienado da sua condição gregária natural, a pessoa deixe de se preocupar com o bem-estar
dos que compõem a sociedade, apenas cuidando da forma de relacionamento para utilizar os
serviços que lhe prestam como escravos, clientes ou protetores. Teoricamente o Estado
capitalista deve assegurar essas condições de bem-estar aos cidadãos (egoístas ou não), mas as
instituições oficiais tendem sempre a considerar apenas os privilegiados da classe dominante que
pagam ou mandam.
Em campanha eleitoral a elite social-democrata e demais partidos de direita vestem-se de
democratas ou de generosos irmãos de caridade e repetem discursos sobre o Estado de
Direito, a igualdade entre cidadãos e o respeito pelas diferenças étnicas, de género, de opções
religiosas, políticas ou sexuais, enquanto anunciam grandes projetos de desenvolvimento dos
serviços sociais de saúde, ensino, previdência, transporte e habitação social, para os quais
precisam de investidores para privatizar os serviços que o Estado tem a obrigação de oferecer a
todos os cidadãos. Tratam as questões sociais como negócios que fazem crescer as dívidas que
o povo terá de pagar submetido a um regime de austeridade.
A história evolui e transforma
No século XVIII, como resultado do desenvolvimento filosófico e científico na Europa, germinava o
pensamento humanista em busca da justiça social (esteve na base da Revolução Francesa que
condenou as aristocracias governantes e delineou o Estado democrático), assim como na origem
das várias correntes religiosas que orientavam as investigações filosóficas e a formação cultural
dos povos.
Naquele século os trabalhadores e os pensadores humanizados despertaram para a descoberta
de que a exploração que escravizava uma maioria de seres e enriquecia uma camada privilegiada
não poderia continuar a ser uma fatalidade imposta por lei divina. As correntes religiosas
confrontavam-se e as observações metódicas da natureza por estudiosos, desenvolvia a
curiosidade científica libertada das proibições clericais e do medo de assumirem a condução do
próprio pensamento. O século XIX leva os estudiosos a recuperarem o conhecimento e as
indagações feitas na antiguidade para serem aplicadas aos novos tempos, e os trabalhadores a
serem colectivizados na nascente indústria e nas cidades onde ficam amontoados ao serem
expulsos do campo. O diálogo impõe-se como compensação e revela identidades e diferenças
que suscitam interpretaçōes racionais e gestos afetivos de solidariedade.
A guilhotina era insuficiente para acabar com os donos do poder político, económico e social, e a
miséria agravada nas casas insalubres das cidades exigia soluções científicas e técnicas. O
sistema capitalista era organizado de modo a deixar o trabalhador sobreviver para produzir nas
suas fábricas, manter em ordem as cidades, servir nos exércitos e junto às famílias de classe mais
elevada, deixando os poderosos acumularem a riqueza e gozar a vida prazerosamente.
Os objectivos da Revolução Francesa apontavam caminhos para libertarem os cidadãos das
misérias e da ignorância que constituíam as peias do seu desenvolvimento. A promoção dos
princípios de Liberdade, Igualdade e Fraternidade exigia a superação do egoísmo naqueles que
tinham privilégios de vida e de formação.
Os contestatários criam associações
O autor do filme "O Jovem Karl Marx", Raoul Peck (que fora premiado em 1993 ao apresentar o
filme sobre Lumumba "Eu não sou o seu negro"), nasceu no Haiti, onde foi Ministro da Cultura,
migrou para o Congo e estudou nos EUA, na França e na Alemanha. Neste novo filme
desenvolveu um projeto para apresentar o lado humano de quem hoje é conhecido como um
gênio intelectual e criador de uma doutrina imbatível sobre o sistema capitalista - o marxismo -
que é estudada até pelos seus oponentes por expor minuciosamente os fundamentos da
organização capitalista que domina o relacionamento internacional mundial mesmo com países
socialistas ou que mantêm um regime feudal.
Procurou destacar na história pessoal - de Marx, Jenny, Engels e Mary Burns - o caminho seguido
por jovens imbuídos do desejo de transformar o mundo com a superação da ignorância e das
injustiças, revoltados mas firmes nas suas ideias, sem medo de enfrentar os debates, que não
medem palavras mas ouvem o outro, abertos à discussão, que radicalizam mas fazem a sua auto-
crítica ao conhecerem a realidade em que vive a humanidade. Apresenta as semelhanças com
outros jovens que a história vai produzindo, com idêntica responsabilidade social e princípios
éticos, que desenvolvem a capacidade de pensar e conhecer a realidade do seu
tempo para participar na luta pela transformação mundial. Destaca os traços de caracter e de
formação ideológica de quem foi tornado mito por muitos, que existe na realidade vivida pela
humanidade desde os seus primórdios nas variadas condições históricas produzindo líderes e
gênios intelectuais, como um exemplo a ser conhecido e seguido.
O primeiro texto reflexivo de Marx, aos 18 anos, é sobre a escolha do caminho profissional que
"exige uma ponderação sobre os objetivos do próprio desenvolvimento que assegure o respeito
pelos princípios com que foi formado e o interesse maior de realização, sem incorrer em decisões
apressadas, entusiasmos fugazes, ambições mesquinhas e egoístas". Busca a essência da sua
própria definição como membro da humanidade e investiga a realidade e a história da sua
formação. Chega a uma primeira conclusão: de que pretende forjar em si um lutador competente
para transformar a sociedade de modo a que todos sintam o bem-estar necessário ao
desenvolvimento de cada um.
Nessa altura, ainda recém saído da adolescência, revela ter na sua consciência a crença no divino
e os princípios morais fundamentais das religiões cristãs, herdada da cultura de seu pai - um
advogado judeu tornado protestante, estudioso da filosofia francesa na época dominada por
correntes humanistas em busca de caminhos abertos pela Revolução Francesa e pelas ações
renovadoras de Napoleão (até ser derrotado em 1815 pela Santa Aliança encabeçada pelo Czar
da Rússia e o Governo da Prússia). Neste contexto o jovem revela a aspiração de: formar-se
para ser útil à humanidade. "Como podemos reconhecer essa ilusão sem rastrear a fonte
da própria inspiração?"escreveu Marx em 1836.(1)
Descobre no idealismo de Hegel e no conceito de dialética, reforço para assumir convicções
ideológicas de esquerda ao serviço da emancipação social da humanidade, abrindo caminho para
a compreensão de teorias não religiosas e revolucionárias que vão ser aprofundadas quando
conhece, em 1843, a obra de L.Feuerbach sobre "A essência do Cristianismo" onde a crítica à
teologia conduz ao materialismo.
À medida em que o estudioso jovem consolida a sua percepção intelectual teórica, vai
descobrindo divergências com os grandes professores em que se baseia, quando mergulha no
conhecimento da realidade em que vive a classe trabalhadora. Ao mesmo tempo que analisa as
suas próprias características culturais, que têm consonância com os autores que admira, percebe
que não correspondem às condições de vida e formação da classe trabalhadora e dá um passo à
frente criticando as raízes das divergências. Está sempre preocupado em não seguir um
"entusiasmo repentino" sem conhecer as causas. "Nós não analisamos, não consideramos os
seus encargos totais, a grande responsabilidade que nos impõe, a vimos apenas a uma
grande distância; e a distância é algo enganoso."
Com tais princípios, Marx aceita como natural os sacrifícios do seu bem-estar para estar junto aos
"seus iguais", e aponta os erros do socialismo utópico, assim como dos anarquistas de esquerda,
que formam associações onde realizam debates intelectuais sem agir pela transformação
concreta da sociedade que só seria possível pela ação dos próprios trabalhadores contra
os que exploram e detêm o poder.
O filme "O Jovem Marx" mostra a evolução dos jovens comunistas
Utilizando a correspondência pessoal entre Marx e seus amigos, para além de estudar a extensa
obra teórica posteriormente escrita, Raoul Peck abre ao espectador uma via que lhe permite
mergulhar nas figuras humanas que enfrentaram as suas próprias contradições na vida para
debaterem conceitos teóricos confrontados com os detalhes da realidade que os cerca.
Os diálogos entre Marx e Jenny revelam a cumplicidade e o amor profundo que os uniu, sendo ela
herdeira de uma família aristocrática ligada ao governo da Prússia. Colega de Marx na escola e
também humanista e rebelde, reflete o crescente movimento feminista na Europa. Casa-se com "o
judeu converso", como referia rindo a opinião do seu irmão ligado ao governo da Prússia, e
enfrenta uma vida difícil, com frequente miséria, para alimentar e tratar da saúde dos filhos sem
abandonar a participação política. Juntos suportam as perseguições desencadeadas pelas elites
governantes, e participam de acalorados debates ideológicos com pensadores da esquerda
burguesa e socialistas utópicos na França, na Bélgica e em Londres, depois de terem sido
expulsos da Alemanha.
Com o entusiasmo de jovens que dão a vida por uma causa em benefício de toda a humanidade,
vão deixando de lado as crenças abstratas, os privilégios de classe, a vaidade egoísta, a noção de
superioridade herdada de uma elite econômica e intelectual, os objetivos individualistas. Estudam
a realidade social com recursos da ciência para evitarem os erros de interpretação, buscam a
linguagem simples e direta dos trabalhadores e incentivam a participação deles nas reuniões para
ficarem integrados no movimento de ideias e ação transformadora.
Junto a eles, como grande amigo, segue Engels, filho de um rico proprietário de indústria em
Londres, onde trabalha junto à administração. Mary Burns - operária na sua empresa, lidera uma
greve em defesa da colega que perdeu os dedos na máquina têxtil, e é demitida pelo patrão.
Engels protesta e é admoestado pelo pai. Sai e vai ao "gueto" dos trabalhadores nos subúrbios de
Londres onde descobre e se apaixona por Mary. Assim detona o precário equilíbrio da familia
patronal.
O jovem Engels já era um estudioso da economia e autor de um texto sobre a exploração da mão
de obra de mulheres e crianças tornados escravos na indústria nascente na Inglaterra, que Marx
já havia lido com admiração. Passam a estudar juntos e, com o apoio de Jenny e de Mary que
participam na discussão sobre as realidades opostas da aristocracia e da classe trabalhadora,
constroem as bases teóricas da luta de classes que é sintetizado no "Manifesto Comunista",
publicado em 1848, escrito em linguagem simples e objetiva.
A dinâmica geradora do "homem novo"
Os debates provocados por Marx e Engels com os intelectuais humanistas, utópicos ou
anarquistas, que representavam a esquerda na época e promoviam as associações para onde
afluía o proletariado que buscava formação teórica para a sua consciência espontânea de rebeldia
contra a classe exploradora, propunham uma visão objetiva da realidade sem a versão caritativa
e protetora dos que defendiam a igualdade entre todos "porque somos irmãos". Aí residia o
problema que dava origem ao conceito social-democrata, proposto como oferta de condições de
vida para a classe trabalhadora sobreviver e ser explorada por uma elite intelectual detentora do
poder político e económico a que chamavam "democracia".
Marx e Engels lutavam pela classe trabalhadora dos "nossos iguais", para que partilhassem a
renda nacional distribuída pela sociedade como estrutura de saúde, escolas, seguridade social,
transportes, habitações, empregos, ou seja um Estado Democrático efetivamente, socialista.
Com tais argumentos conquistaram a chamada "Liga dos Justos" transformando-a em "Movimento
Comunista". A visão romântica dos humanistas era substituída pelo materialismo científico.(2
Este foi o primeiro passo para dar início ao propósito revolucionário da Revolução Soviética que
disseminou a luta mundial pelo socialismo e a formação do que Che Guevara chamou "homem
novo", reconhecendo que a Revolução em Cuba criara condições para que viesse a existir em
um futuro mais próximo. Portanto um ideal a ser trabalhado pelos povos de todo o planeta.(3
A evolução do pensamento revolucionário que sempre existiu entre os homens e mulheres desde
os primórdios da História da Humanidade, deu o passo científico ha 200 anos com os trabalhos de
Marx e Engels e seguiu com o desencadear de processos revolucionários que ficaram assinalados
pela Revolução Russa em 1917 e a formação de países que conservaram o sistema socialista -
China, Vietnam, Laos, Coreia do Norte e Cuba - e têm suportado as arremetidas permanentes do
imperialismo a partir dos Estados Unidos, Israel e os países da Europa que se uniram em torno da
NATO e invadem países que tentam alcançar a soberania nacional através do desenvolvimento
das riquezas dos seus territórios inclusive com a formação técnica e social do seu povo.
Cada povo tem a sua história e absorveu uma cultura específica, que definem as condições de
luta que o processo revolucionário exige face à permanente pressão do sistema capitalista e da
agressão imperialista. As novas gerações têm um árduo trabalho de formação para contribuírem
com o lado honrado da história. Os seus pais e avós têm o dever de manter as condições éticas
da educação familiar e social evitando e denunciando a perversão imposta pelo imperialismo
aos órgãos de comunicação social que tentam, de todas as maneiras, alienar as populações para
que se tornem egoístas e defensores de privilégios individuais que sustentam uma elite
exploradora, perversa e criminosa como a que se vê hoje liderada por chefes de governo como
Trump, Nathanyahu e Bolsonaro.
Zillah Branco
02/02/2019
Notas:
1 cit. in Buonicore, A., "Uma redação do estudante Karl Marx", (Portal Vermelho, 05/05/2018)
2 Lenine, V.I. "Breve nota biográfica" (portal Vermelho13/05/1918)
3 Guevara, Ernesto, in "El socialismo y el hombre en Cuba" (1965)
(Publicado no Portal Vermelho)
Vivemos um tempo de afirmação do domínio capitalista com a imposição de formas de exploração
que reduzem os trabalhadores à condição de escravos. Os Estados ditos democráticos jogam
com as leis de modo a solapar os direitos antes alcançados por movimentos sindicais e
manipulam as informações através da média que divulga as "fake news" como verdades sempre
convenientes à elite no poder. Para aprimorar a (de)formação da consciência dos cidadãos,
justificam a redução dos recursos para salários e prestação de serviços sociais alegando o "dever
de honra" do país saldar as dívidas contraídas com os bancos credores!. Além das mentiras que
ocultam o desvio dos recursos nacionais (capitalizados como lucros por uma minoria), criam uma
"falsa moral" que vai completar a ignorância da realidade, transformada em educação social que
aliena a consciência dos indivíduos.
A semente transformadora do sentimento humano radica no incentivo ao egoísmo para que, ao
ficar alienado da sua condição gregária natural, a pessoa deixe de se preocupar com o bem-estar
dos que compõem a sociedade, apenas cuidando da forma de relacionamento para utilizar os
serviços que lhe prestam como escravos, clientes ou protetores. Teoricamente o Estado
capitalista deve assegurar essas condições de bem-estar aos cidadãos (egoístas ou não), mas as
instituições oficiais tendem sempre a considerar apenas os privilegiados da classe dominante que
pagam ou mandam.
Em campanha eleitoral a elite social-democrata e demais partidos de direita vestem-se de
democratas ou de generosos irmãos de caridade e repetem discursos sobre o Estado de
Direito, a igualdade entre cidadãos e o respeito pelas diferenças étnicas, de género, de opções
religiosas, políticas ou sexuais, enquanto anunciam grandes projetos de desenvolvimento dos
serviços sociais de saúde, ensino, previdência, transporte e habitação social, para os quais
precisam de investidores para privatizar os serviços que o Estado tem a obrigação de oferecer a
todos os cidadãos. Tratam as questões sociais como negócios que fazem crescer as dívidas que
o povo terá de pagar submetido a um regime de austeridade.
A história evolui e transforma
No século XVIII, como resultado do desenvolvimento filosófico e científico na Europa, germinava o
pensamento humanista em busca da justiça social (esteve na base da Revolução Francesa que
condenou as aristocracias governantes e delineou o Estado democrático), assim como na origem
das várias correntes religiosas que orientavam as investigações filosóficas e a formação cultural
dos povos.
Naquele século os trabalhadores e os pensadores humanizados despertaram para a descoberta
de que a exploração que escravizava uma maioria de seres e enriquecia uma camada privilegiada
não poderia continuar a ser uma fatalidade imposta por lei divina. As correntes religiosas
confrontavam-se e as observações metódicas da natureza por estudiosos, desenvolvia a
curiosidade científica libertada das proibições clericais e do medo de assumirem a condução do
próprio pensamento. O século XIX leva os estudiosos a recuperarem o conhecimento e as
indagações feitas na antiguidade para serem aplicadas aos novos tempos, e os trabalhadores a
serem colectivizados na nascente indústria e nas cidades onde ficam amontoados ao serem
expulsos do campo. O diálogo impõe-se como compensação e revela identidades e diferenças
que suscitam interpretaçōes racionais e gestos afetivos de solidariedade.
A guilhotina era insuficiente para acabar com os donos do poder político, económico e social, e a
miséria agravada nas casas insalubres das cidades exigia soluções científicas e técnicas. O
sistema capitalista era organizado de modo a deixar o trabalhador sobreviver para produzir nas
suas fábricas, manter em ordem as cidades, servir nos exércitos e junto às famílias de classe mais
elevada, deixando os poderosos acumularem a riqueza e gozar a vida prazerosamente.
Os objectivos da Revolução Francesa apontavam caminhos para libertarem os cidadãos das
misérias e da ignorância que constituíam as peias do seu desenvolvimento. A promoção dos
princípios de Liberdade, Igualdade e Fraternidade exigia a superação do egoísmo naqueles que
tinham privilégios de vida e de formação.
Os contestatários criam associações
O autor do filme "O Jovem Karl Marx", Raoul Peck (que fora premiado em 1993 ao apresentar o
filme sobre Lumumba "Eu não sou o seu negro"), nasceu no Haiti, onde foi Ministro da Cultura,
migrou para o Congo e estudou nos EUA, na França e na Alemanha. Neste novo filme
desenvolveu um projeto para apresentar o lado humano de quem hoje é conhecido como um
gênio intelectual e criador de uma doutrina imbatível sobre o sistema capitalista - o marxismo -
que é estudada até pelos seus oponentes por expor minuciosamente os fundamentos da
organização capitalista que domina o relacionamento internacional mundial mesmo com países
socialistas ou que mantêm um regime feudal.
Procurou destacar na história pessoal - de Marx, Jenny, Engels e Mary Burns - o caminho seguido
por jovens imbuídos do desejo de transformar o mundo com a superação da ignorância e das
injustiças, revoltados mas firmes nas suas ideias, sem medo de enfrentar os debates, que não
medem palavras mas ouvem o outro, abertos à discussão, que radicalizam mas fazem a sua auto-
crítica ao conhecerem a realidade em que vive a humanidade. Apresenta as semelhanças com
outros jovens que a história vai produzindo, com idêntica responsabilidade social e princípios
éticos, que desenvolvem a capacidade de pensar e conhecer a realidade do seu
tempo para participar na luta pela transformação mundial. Destaca os traços de caracter e de
formação ideológica de quem foi tornado mito por muitos, que existe na realidade vivida pela
humanidade desde os seus primórdios nas variadas condições históricas produzindo líderes e
gênios intelectuais, como um exemplo a ser conhecido e seguido.
O primeiro texto reflexivo de Marx, aos 18 anos, é sobre a escolha do caminho profissional que
"exige uma ponderação sobre os objetivos do próprio desenvolvimento que assegure o respeito
pelos princípios com que foi formado e o interesse maior de realização, sem incorrer em decisões
apressadas, entusiasmos fugazes, ambições mesquinhas e egoístas". Busca a essência da sua
própria definição como membro da humanidade e investiga a realidade e a história da sua
formação. Chega a uma primeira conclusão: de que pretende forjar em si um lutador competente
para transformar a sociedade de modo a que todos sintam o bem-estar necessário ao
desenvolvimento de cada um.
Nessa altura, ainda recém saído da adolescência, revela ter na sua consciência a crença no divino
e os princípios morais fundamentais das religiões cristãs, herdada da cultura de seu pai - um
advogado judeu tornado protestante, estudioso da filosofia francesa na época dominada por
correntes humanistas em busca de caminhos abertos pela Revolução Francesa e pelas ações
renovadoras de Napoleão (até ser derrotado em 1815 pela Santa Aliança encabeçada pelo Czar
da Rússia e o Governo da Prússia). Neste contexto o jovem revela a aspiração de: formar-se
para ser útil à humanidade. "Como podemos reconhecer essa ilusão sem rastrear a fonte
da própria inspiração?"escreveu Marx em 1836.(1)
Descobre no idealismo de Hegel e no conceito de dialética, reforço para assumir convicções
ideológicas de esquerda ao serviço da emancipação social da humanidade, abrindo caminho para
a compreensão de teorias não religiosas e revolucionárias que vão ser aprofundadas quando
conhece, em 1843, a obra de L.Feuerbach sobre "A essência do Cristianismo" onde a crítica à
teologia conduz ao materialismo.
À medida em que o estudioso jovem consolida a sua percepção intelectual teórica, vai
descobrindo divergências com os grandes professores em que se baseia, quando mergulha no
conhecimento da realidade em que vive a classe trabalhadora. Ao mesmo tempo que analisa as
suas próprias características culturais, que têm consonância com os autores que admira, percebe
que não correspondem às condições de vida e formação da classe trabalhadora e dá um passo à
frente criticando as raízes das divergências. Está sempre preocupado em não seguir um
"entusiasmo repentino" sem conhecer as causas. "Nós não analisamos, não consideramos os
seus encargos totais, a grande responsabilidade que nos impõe, a vimos apenas a uma
grande distância; e a distância é algo enganoso."
Com tais princípios, Marx aceita como natural os sacrifícios do seu bem-estar para estar junto aos
"seus iguais", e aponta os erros do socialismo utópico, assim como dos anarquistas de esquerda,
que formam associações onde realizam debates intelectuais sem agir pela transformação
concreta da sociedade que só seria possível pela ação dos próprios trabalhadores contra
os que exploram e detêm o poder.
O filme "O Jovem Marx" mostra a evolução dos jovens comunistas
Utilizando a correspondência pessoal entre Marx e seus amigos, para além de estudar a extensa
obra teórica posteriormente escrita, Raoul Peck abre ao espectador uma via que lhe permite
mergulhar nas figuras humanas que enfrentaram as suas próprias contradições na vida para
debaterem conceitos teóricos confrontados com os detalhes da realidade que os cerca.
Os diálogos entre Marx e Jenny revelam a cumplicidade e o amor profundo que os uniu, sendo ela
herdeira de uma família aristocrática ligada ao governo da Prússia. Colega de Marx na escola e
também humanista e rebelde, reflete o crescente movimento feminista na Europa. Casa-se com "o
judeu converso", como referia rindo a opinião do seu irmão ligado ao governo da Prússia, e
enfrenta uma vida difícil, com frequente miséria, para alimentar e tratar da saúde dos filhos sem
abandonar a participação política. Juntos suportam as perseguições desencadeadas pelas elites
governantes, e participam de acalorados debates ideológicos com pensadores da esquerda
burguesa e socialistas utópicos na França, na Bélgica e em Londres, depois de terem sido
expulsos da Alemanha.
Com o entusiasmo de jovens que dão a vida por uma causa em benefício de toda a humanidade,
vão deixando de lado as crenças abstratas, os privilégios de classe, a vaidade egoísta, a noção de
superioridade herdada de uma elite econômica e intelectual, os objetivos individualistas. Estudam
a realidade social com recursos da ciência para evitarem os erros de interpretação, buscam a
linguagem simples e direta dos trabalhadores e incentivam a participação deles nas reuniões para
ficarem integrados no movimento de ideias e ação transformadora.
Junto a eles, como grande amigo, segue Engels, filho de um rico proprietário de indústria em
Londres, onde trabalha junto à administração. Mary Burns - operária na sua empresa, lidera uma
greve em defesa da colega que perdeu os dedos na máquina têxtil, e é demitida pelo patrão.
Engels protesta e é admoestado pelo pai. Sai e vai ao "gueto" dos trabalhadores nos subúrbios de
Londres onde descobre e se apaixona por Mary. Assim detona o precário equilíbrio da familia
patronal.
O jovem Engels já era um estudioso da economia e autor de um texto sobre a exploração da mão
de obra de mulheres e crianças tornados escravos na indústria nascente na Inglaterra, que Marx
já havia lido com admiração. Passam a estudar juntos e, com o apoio de Jenny e de Mary que
participam na discussão sobre as realidades opostas da aristocracia e da classe trabalhadora,
constroem as bases teóricas da luta de classes que é sintetizado no "Manifesto Comunista",
publicado em 1848, escrito em linguagem simples e objetiva.
A dinâmica geradora do "homem novo"
Os debates provocados por Marx e Engels com os intelectuais humanistas, utópicos ou
anarquistas, que representavam a esquerda na época e promoviam as associações para onde
afluía o proletariado que buscava formação teórica para a sua consciência espontânea de rebeldia
contra a classe exploradora, propunham uma visão objetiva da realidade sem a versão caritativa
e protetora dos que defendiam a igualdade entre todos "porque somos irmãos". Aí residia o
problema que dava origem ao conceito social-democrata, proposto como oferta de condições de
vida para a classe trabalhadora sobreviver e ser explorada por uma elite intelectual detentora do
poder político e económico a que chamavam "democracia".
Marx e Engels lutavam pela classe trabalhadora dos "nossos iguais", para que partilhassem a
renda nacional distribuída pela sociedade como estrutura de saúde, escolas, seguridade social,
transportes, habitações, empregos, ou seja um Estado Democrático efetivamente, socialista.
Com tais argumentos conquistaram a chamada "Liga dos Justos" transformando-a em "Movimento
Comunista". A visão romântica dos humanistas era substituída pelo materialismo científico.(2
Este foi o primeiro passo para dar início ao propósito revolucionário da Revolução Soviética que
disseminou a luta mundial pelo socialismo e a formação do que Che Guevara chamou "homem
novo", reconhecendo que a Revolução em Cuba criara condições para que viesse a existir em
um futuro mais próximo. Portanto um ideal a ser trabalhado pelos povos de todo o planeta.(3
A evolução do pensamento revolucionário que sempre existiu entre os homens e mulheres desde
os primórdios da História da Humanidade, deu o passo científico ha 200 anos com os trabalhos de
Marx e Engels e seguiu com o desencadear de processos revolucionários que ficaram assinalados
pela Revolução Russa em 1917 e a formação de países que conservaram o sistema socialista -
China, Vietnam, Laos, Coreia do Norte e Cuba - e têm suportado as arremetidas permanentes do
imperialismo a partir dos Estados Unidos, Israel e os países da Europa que se uniram em torno da
NATO e invadem países que tentam alcançar a soberania nacional através do desenvolvimento
das riquezas dos seus territórios inclusive com a formação técnica e social do seu povo.
Cada povo tem a sua história e absorveu uma cultura específica, que definem as condições de
luta que o processo revolucionário exige face à permanente pressão do sistema capitalista e da
agressão imperialista. As novas gerações têm um árduo trabalho de formação para contribuírem
com o lado honrado da história. Os seus pais e avós têm o dever de manter as condições éticas
da educação familiar e social evitando e denunciando a perversão imposta pelo imperialismo
aos órgãos de comunicação social que tentam, de todas as maneiras, alienar as populações para
que se tornem egoístas e defensores de privilégios individuais que sustentam uma elite
exploradora, perversa e criminosa como a que se vê hoje liderada por chefes de governo como
Trump, Nathanyahu e Bolsonaro.
Zillah Branco
02/02/2019
Notas:
1 cit. in Buonicore, A., "Uma redação do estudante Karl Marx", (Portal Vermelho, 05/05/2018)
2 Lenine, V.I. "Breve nota biográfica" (portal Vermelho13/05/1918)
3 Guevara, Ernesto, in "El socialismo y el hombre en Cuba" (1965)
terça-feira, 4 de junho de 2019
O povo brasileiro sempre lutou pela justiça e a democracia
As aulas sobre os muitos heróis que surgiram ao longo da história do Brasil, organizando Quilombos, promovendo greves nas Forças Armadas, e enfrentando como guerrilheiros os militares armados do exército das oligarquias (sobretudo quando nasceu a República ainda em mãos dos grandes proprietários rurais), são formadoras de uma consciência nacional necessária hoje para orientar a luta nacional. É fundamental conhecer a história brasileira para compreender os seus problemas e a sua orientação popular que tem sido desvirtuada pela elite poderosa.
Os temas das lutas repetem-se ao longo de vários séculos e a consciência popular é a mesma, com variações de interpretação cultural e de linguagem que correspondem ao conhecimento da época. Mas, para prejuizo da nação brasileira, foi promovida uma versão elitista que não deu o devido valor às lutas populares afogadas em sangue pelas forças militares dos governantes colonialistas ou mesmo republicanos. A resistência contra a opressão sempre foi considerada um crime pelos governos opressores. Assim também o anti-comunismo foi fomentado para impedir que as idéias revolucionárias fossem divulgadas livremente. O Brasil continua dominado por uma elite de base oligárquica e até os livros que divulgam hoje a história omitem as raízes da escravidão permanente mantida pelo sistema capitalista dependente que impede o desenvolvimento dos brasileiros e dos meios de produção para defender a soberania nacional.
A história caminha devagar enquadrada pelo poder imperialista que é mundial. Mesmo durante os 15 anos de governo do PT com o apoio de partidos de esquerda, não foi possível ultrapassar os limites impostos pelo neo-liberalismo que travou o desenvolvimento social privilegiando a acumulação do capital e a divulgação de uma cultura alienante. A infiltração no Estado dos subordinados ao comando golpista irradiado dos Estados Unidos minou a ação dos governos progressistas e abriu as portas do poder institucional a pessoas covardes e corruptas que paralisaram a justiça e a defesa do patrimônio econômico fortalecido pela produção nacional, as exportações, as explorações do Pré-sal, a bolsa-família, a integração dos cidadãos vitimados por preconceitos nas escolas e nos direitos humanos assegurados pela Constituição.
Importante é conhecer os objetivos que Lula pretendeu implantar no seu governo sem conseguir o apoio suficiente do conjunto de membros ou que foram impossibilitados pela ação do imperialismo na imposição de condições de funcionamento do sistema capitalista. A vontade e a orientação de Lula foram suficientemente fortes para fundamentar um Estado Social que combatesse a fome e to integrasse a população mais pobre nos direitos de cidadania; que ampliasse as instituições de ensino e os serviços médicos com soluções para a plena integração do povo independente das características de gênero, etnia e opções sexuais; que priorizasse o desenvolvimento das forças produtivas e a industrialização nacionais; que reduzisse drásticamente a dependência financeira e garantisse a soberania da Nação integrada no conjunto latino-americano e relacionado com África, Oriente Médio e Ásia, participante do G8 e do G20. Provou que é possivel ao Brasil atender às necessidades vitais e de desenvolvimento do seu povo.
Mas, é verdade que tendo conseguido exercer os princípios democratizantes na sociedade, não se chegou à instituir as linhas mestras como definição do Estado, permanecendo dependente dos poderes judicial e parlamentar que se opuseram claramente à democratização da sociedade. Hoje vemos que o Estado permaneceu como interessa à elite, um desenho alheio ao país real. Foi idealizada e criada uma superestrutura que não criou raizes porque, de fato, o povo não pode assumir os seus direitos com as garantias de proteção pelo próprio Estado e a Constituição. Faltou a participação popular que virá com a consciência de cidadania como força política.
Combate aos preconceitos
Evoluiu em todo o mundo, e no Brasil durante os governos de Lula e Dilma, o combate aos preconceitos contra as mulheres, as diferentes etnias, as pessoas com diferentes opções de sexo. É a defesa da igualdade de direitos cidadãos, o fim das discriminações, das diferenças salariais, o direito a participarem sem restrições de todos os benefícios sociais. Mas, em muitos setores da vida nacional, principalmente nas empresas privadas, tais preconceitos prosseguiram através de salários inferiores ou ofertas de empregos temporários sem a aplicação da legislação laboral. A luta pela igualdade de direitos dos cidadãos - de emprego, de salário e de carreira profissional - fortalece o combate aos preconceitos que derivam de uma cultura elitista e colonialista, e que é contra os mais pobres.
Na Europa e em países ricos de outros continentes multiplicaram-se os movimentos em defesa dos indivíduos discriminados mas sem integrá-los como classe explorada. Grandes investidores mundiais têm promovido a inclusão de elementos representativos desses movimentos como belezas folclóricas na imagem de uma burguesia rica e moderna servindo-se da mídia especializada em fake news. Vemos nos desfiles da grande moda, no uso de carros de luxo, nas atividades artísticas e intelectuais promovidas por setores privados da cultura. Mas não vemos na vida dos trabalhadores, no acolhimento aos emigrantes, nas escolas privadas, no atendimento médico social, na habitação urbana, na ação da polícia que mantém a ordem pública.
Aos poucos surge uma consciência, nos paises mais pobres, de que são usados como folclore para distrair os ricos. E esta percepção atrai os que, sendo conservadores, têm um resto de dignidade humana. A direita tradicional está estilhaçada por dentro. Começam a surgir "resistentes defensores da ética" dentro da bolha reacionária que usufrue egoísticamente os lucros do sistema. Ha quem confesse ter descoberto que "é bom ser rico, ter uma carreira garantida, mas é melhor participar de uma comunidade igualitária que, mesmo pobre, é mais humana e feliz". Vemos atitudes animadoras de rebeldia contra o domínio neo-colonialista, como a do governo das Filipinas que devolveu as toneladas de lixo enviadas pelo Canadá, o que animou a Malásia a fazer o mesmo. O prestígio da riqueza como forma de poder começa a cair. Ser pobre é um valor, não uma vergonha.
No Brasil e em outros países em desenvolvimento, esses movimentos sociais de combate às discriminações agregam-se à luta de classes, popular e de esquerda, por perceberem que as nações sub-desenvolvidas são também discriminadas. Os preconceitos são uma arma dos exploradores contra os dependentes, pessoas, coletivos e nações. Mas, os exploradores que armazenam o capital, são minoria perante a humanidade escravizada e não podem ser os "donos do poder". O programa de governo que Lula criou de estímulo à participação de todos na educação para a classe trabalhadora seguir as carreiras profissionais e universitárias integrados na nação soberana, é o modelo universal a ser adotado.
O mundo hoje vê que Lula foi preso porque o imperialismo tem medo que o seu exemplo seja expandido por todos os continentes. O Papa o defende e em todos os países da Europa rica surgem movimentos que acusam o governo debochado que é mantido no Brasil por Bolsonaro que não passa de um boneco ao serviço de Trump. Mesmo a direita conservadora não aceita a desmoralização de um Estado com as suas instituições judiciárias que é enxovalhado por um grupo de delinquentes traidores da pátria. A crise do imperialismo chegou a um impasse criminoso e até mesmo os ratos querem saltar do barco da elite exploradora.
Os povos do mundo perceberam que a maioria, entre os biliões de pessoas que povoam o planeta, são pobres. Olham para as suas burguesias e sentem que, mesmo os defensores do sistema capitalista (que ainda acreditam nos Direitos Humanos), começam a temer o cáos que o imperialismo gera para manter uma elite corrupta agarrada ao dinheiro e aderem à criação de soluções sociais para a sobrevivência da humanidade. É hora de unir esforços para salvar o Brasil, a América Latina, o Terceiro Mundo, o planeta.
Zillah Branco
segunda-feira, 13 de maio de 2019
Os heróis ns história do Brasil contra o domínio do imperialismo
Lula é o herói que hoje é apoiado pelo povo brasileiro porque a ele pertence. A sua cultura tem as mesmas raízes que germinaram na construção do Arraial de Belo Monte no final do século XIX - refletem a formação humanista cristã e recusam a escravidão imposta por quem quer que seja: o dono das terras, os seus jagunços, a elite no governo, as estruturas que comandam as Igrejas como hierarquias políticas. Mas Lula absorveu a cultura do século XX quando se realizou a grande Revolução Socialista expandindo as mais valiosas conquistas da humanidade na formação da consciência dos trabalhadores e trabalhadoras. A sua proposta enfrenta a degradação do capitalismo.
Com a evolução política ocorrida mundialmente no século XX (com o aprofundamento do conhecimento científico e a luta pelos Direitos Humanos) no Brasil dominado ainda pelo atraso colonial e pela violência ditatorial, foi possível a criação de um Partido dos Trabalhadores que uniu várias correntes de esquerda, a que se aliaram empresários nacionalistas neo-liberais. Em 2002 elegeu, pela primeira vez, um operário para a Presidência da República. Lula, com a experiência adquirida na luta sindical que passou a ser organizada a partir das bases nas fábricas, desenvolveu e aprofundou os seus conhecimentos políticos no convívio estreito com intelectuais militantes de esquerda e aplicando a sua inteligência e sensibilidade na recolha de imagens da realidade vivida em todo o território pelo seu povo despossuido no Brasil.
No governo, as suas grandes obras logo iniciadas foram contra a Fome e pela Saúde e a Educação de todos os cidadãos. Com dificuldades pela presença de defensores do neo-liberalismo no seu governo, lutou pela formação dos trabalhadores, melhor remuneração para darem uma vida condigna ás suas famílias e pelo desenvolvimento da produção interna nacional. Elevou a capacidade econômica do Brasil que foi parceiro de outros países da América Latina, Africa e Ásia, impondo a sua presença nos organismos internacionais e expandiu o patrimônio econômico brasileiro com o fortalecimento de empresas nacionais, principalmente da Petrobrás com a descoberta do Pré-Sal, mas também o BNDE através do qual investia na produção nacional e no desenvolvimento das forças produtivas. Criava as condições de um Brasil soberano.
A existência do núcleo responsável pela ditadura militar que ocupou o governo de 1964 a 1985, fora do poder governamental e ocultada da vida pública por um acordo realizado com as forças mundiais da social-democracia (representadas por Mário Soares em 1979, Presidente de Portugal, em visita ao general Geisel, que ocupava a Presidência no Brasil), encolheu as garras para permitir que uma eleição democrática, "sob vigilância", tranquilizasse a população oprimida e perseguida durante 21 anos fosse levada a reduzir a sua capacidade de resistência civil.
O PT, coligado com outros partidos, governou durante quatro mandatos criando um caminho para que o Estado de Direito se tornasse uma realidade. As contradições existentes permitiu, no entanto, que o imperialismo aplicasse o seu sistema de corrupção para quebrar alguns poucos quadros políticos inconsequentes e muitos funcionários destacados no Estado e com poder nas hostes empresariais com ligações ao poder financeiro, midiático e judicial.
Predominou o regime neo-liberal, à sombra de uma aparente redemocratização, que abriu caminho ao golpe de 2016 com a decorrente eleição de Bolsonaro - um capitão do exército ligado às torturas perpetradas pela Ditadura Militar, lacaio do imperialismo e sem qualificação para qualquer função política, o que o tornam um títere ao serviço da invasão estrangeira.
Em 2018 Lula foi sequestrado com a conivência de responsáveis pelo poder judicial e sua prisão determinada por um Juiz de Primeira instância - Sérgio Moro - ao serviço da CIA e de Trump, para não poder ser reeleito pelo povo que nele acredita e por ele luta. Ficou claro que um Estado de Direito garantiria a instauração de uma verdadeira democracia - que garantiria melhores condições de vida para todo o povo, sem preconceitos de gênero, de etnia, de opções sexuais, e a possibilidade de acesso à educação em todos os níveis incluindo as especializações pós-universitárias - o que provocou a adesão de uma classe média com alguns privilégios à direita de tradição oligárquica que se submeteu ao poder imperialista para combater o que lhes parecia o "socialismo" no Brasil. Tornaram-se "vendem pátrias" sem qualquer escrupulos pessoais e cívicos, negando a própria dignidade e a noção de independência nacional. Multiplicaram-se os traidores a partir da onda de corrupção e do apoio prestado pela fração da Igreja Evangélica Pentecostal preparada nos Estados Unidos dentro do programa de invasão subliminar elaborado pelos assessores de Trump.
Surgem novos heróis
Diante de tais traições aos princípios elementares de Justiça e às conquistas democráticas que permitiram ao povo ser integrado como cidadão com igualdade de direitos à sociedade, a esquerda nacional passou a trabalhar arduamente pela sua unidade organizativa e de apoio aos movimentos sindicais e sociais. Com o objetivo de manter o povo informado sobre a realidade dos golpistas e sabujos do imperialismo que estão destruindo as conquista democráticas implantadas nos serviços públicos, entregando o patrimônio nacional aos Estados Unidos e apoiando as iniciativas do imperialismo contra outros povos latino-americanos, foi implementada a mídia progressista com a união de vários canais de qualidade profissional e técnica que faz o trabalho a que se recusa a mídia hegemônica, e desfaz os fake news que circulam mundialmente em defesa do imperialismo.
Com entusiasmo e criatividade os vários canais assumiram a função de informar o povo para vencer este desastre histórico que levou o Brasil a perder a sua riqueza e a soberania política.
Unem-se em torno da campanha Lula Livre e seguem a sua proposta de promover a educação como arma para salvar o Brasil deste tsuname imperialista que faz parte da grande crise do sistema capitalista. Com diferentes tendências - espirituais, musicais, filosóficas, ativistas, investigadores universitários - fazem bom jornalismo para entrevistar políticos, professores, representantes de movimentos sociais e sindicais, dão aulas de história moderna e divulgam a história das lutas do povo brasileiro no passado. Criaram uma escola que se expande através de videos para muitos paises onde estão os brasileiros emigrantes.
Este acervo de educação e conscientização pode servir a todos os municípios que já têm um núcleo em defesa de Lula Livre se os videos forem projetados em um telão para os que não têm internet. Assim esta mídia progressista servirá como escola popular pelo Brasil afora. É a ação dos novos heróis formando uma população que limpará a Pátria dessa corja de bandidos mercenários subalternos ao imperialismo que invadiu o Estado Brasileiro.
Zillah Branco
13/05/19
terça-feira, 30 de abril de 2019
Lula é o Brasil, que se quer LIVRE e soberano !
Publicado no Portal Vermelho
30/04/19
O mundo acompanhou emocionado a entrevista do ex-Presidente Lula, sequestrado pelos golpistas que se curvam ao poder imperialista dos Estados Unidos. Cresceu o respeito e a admiração pelo operário que se tornou o mais importante Presidente da República do Brasil, que com a sua maneira de ser dá um exemplo de HONRA, DIGNIDADE e INTEGRIDADE a todo e qualquer ser humano.
Ele sofre as injustiças, ele chora a morte dos seus entes queridos, ele se indigna com os traidores da pátria que martirizam o povo trabalhador, ele recusa o ódio e busca nos que dele se afastam um resquício de respeito humano para poder dialogar. Nesta entrevista à Folha de S.Paulo e ao El País da Espanha divulgada mundialmente, assim como na que foi divulgada pela mídia progressista gravada em 1981 no início da sua trajetória política, Lula revela a mesma essência que orgulhosamente mantém 38 anos depois. De quem fez uma carreira de lutador sindicalista à Presidente do país com imenso exito nos contactos internacionais do mais alto nível político, solidário com outros povos em luta aos quais transmitia o seu plano para a recuperação econômica e a superação da miséria e da fome de milhões de brasileiros a partir dos investimentos sociais para promover os trabalhadores e a produção interna. Segue os conceitos desenvolvimentistas alimentados pelos cursos da CEPAL na década de 60 mas atualizados à luz das experiências socialistas de Cuba e outros países latino-americanos independentes da ganância do império norte-americano.
Os seus estudos são feitos sem livros, ouvindo explanações de quem estuda, fazendo perguntas, observando a realidade. Confessa ter preguiça de ler. Com a inteligência viva e metódica que tem utiliza a intuição como baliza do conhecimento. Mantem-se como todo o povo na formação da consciência, e utiliza a mesma linguagem para ser melhor compreendido.
Lula se revê nas lutas populares que fizeram a história do Brasil. É mais um herói como os que foram vencidos através dos séculos passados. A diferença é que chegou a ser Presidente da República durante 8 anos de governo e apoiou mais 8 anos da presidenta Dilma. A diferença é que com a evolução histórica, o herói popular assumiu o merecido lugar no governo e pode afirmar a soberania nacional perante o mundo, retirar da fome 40 milhões de pessoas, legalizar 6 milhões de micro-empresas, entregar 20 milhões de novas carteiras de trabalho assinadas, fortalecer a investigação científica e criar universidades que permitiram integrar os estudantes mais pobres e os cidadãos discriminado por preconceitos racistas, de gênero ou opção sexual, fortalecer empresas públicas de grande importância internacional, participar de reuniões mundiais e levar o Brasil a uma projeção nunca antes alcançada no mundo. Com os recursos criados internamente pagou a dívida com o FMI criada por governos anteriores e elevou a riqueza nacional fazendo do Brasil uma potência em desenvolvimento.
Além de criar condições para a independência do Brasil, Lula conquistou amizades em muitas regiões do planeta, sendo sempre solidário com os que lutam pela soberania dos seus países e pela criação de melhores condições de vida para todo o povo. Tal como Mandela na Africa do Sul, despertou a admiração de politicos conservadores que reconheceram o valor da luta popular para vencer os obstáculos que as elites levantam por egoismo e crueldade. A grandeza interior de Lula, como ser humano, potencializa os seus planos de ação política sempre a favor das camadas mais desprotegidas da sociedade.
Caracteriza-se pela busca da unidade de esforços mesmo que a maneira de pensar e agir dos governantes seja diferentes da sua. Assim também procura o diálogo com os que são contrários a ele. Confia na justiça, na lógica da realidade, com auto-suficiência. Se reconhecer que o outro erra por fragilidade pessoal, fica com pena. Como diz de Palocci: "ele não tinha o direito de destruir a sua própria vida, como fez". E lembra o valor da mãe de Palocci, "que amassou barro para construir o PT em Sorocaba". A sua visão cristã da mãe se sobrepõe para revelar a profundidade da dor pelo ato do ex-companheiro de lutas. O humanismo de Lula é determinante na sua conduta e impõe o respeito pela pessoa do "outro". Isto o leva a não recusar nunca o diálogo, a considerar que para governar um país deverá ouvir e dar espaço aos que lhe são contrários.
Sequestrado e preso por razões meramente políticas, quer dialogar com seus algozes para provar o erro deles e, talvez, convencê-los - como tem a certeza de que ocorrerá "na hora da extrema-unção". Quer dialogar com os membros do poder judicial, com os militares, com os empresários, com os que antes o aceitaram como Presidente e receberam apoio às suas reivindicações.
Sobretudo Lula quer dialogar com o povo que foi traido por Temer e por todos os entreguistas que são lacaios do imperialismo! Para isso tem incentivado a união de todos os brasileiros em uma frente progressista para lutar pela vitória de um programa que fortaleça o povo e retome o caminho do desenvolvimente nacional.
Que a força da personalidade de Lula estimule todas as organizações partidárias e dos movimentos sociais a seguirem o seu exemplo de dignidade pela reconquista da soberania nacional e da defesa dos direitos humanos e de cidadania para todos os brasileiros.
Zillah Branco
Assinar:
Postagens (Atom)