quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Qual é a lógica do capitalismo?

Zillah Branco *

Esta pergunta está na mente da humanidade, da maioria dos seres humanos que não se beneficiam da acumulação do capital nem dos privilégios do acesso à riqueza, nem mesmo da proteção do sistema judiciário institucionalizado. A maioria dos seres humanos hoje está na periferia do sistema.


Se a democracia realmente fosse aplicada no mundo, não seria possível assistirmos os despropósitos declamados pelo Presidente dos Estados Unidos no Japão sugerindo que aquele povo fosse amistoso com ele porque no passado a inimizade não deu bom resultado. Referia-se monstruosamente às duas bombas atômicas que mataram centenas de milhares de civis em Hiroshima e Nagasaki? E ninguém o levou para um manicômio? Nem protestou? O consolo que o mundo tem é ouvir programas divertidos criticando com ironia o Presidente, os políticos norte-americanos a discordarem das grosserias do Presidente, mas que continua a ser "O Presidente" de uma nação que se diz democrática. E que ameaça o mundo com a sua violência e prepotência.

Se a justiça social fosse aplicada de acordo com os princípios democráticos, o golpista Temer, e toda a corja que o apoia, não teria conseguido empobrecer o Brasil vendendo as riquezas patrimoniais como saldo aos amigos oportunistas, e cortado a bolsa família e as leis trabalhistas, além de congelar os orçamentos da saúde, da educação, da segurança social, destruindo a vida e as esperanças dos brasileiros que povoam esta nação!

Se a ética fosse respeitada dignificando os governantes poderosos do mundo desenvolvido, não continuavam a morrer afogados no Mediterrâneo ou no mar Egeu os milhares ou milhões de foragidos dos seus países invadidos pelos terroristas armados pelos imperialistas norte-americanos e europeus que abriram caminho com a OTAN em busca das jazidas de petróleo.

Se a solidariedade não fosse rejeitada como um princípio fora de moda, os milhões de africanos perseguidos por terroristas insuflados pela política capitalista não continuavam a morrer de fome arrastando a sua miséria pelos campos improvizados pela ONU.

Se houvesse no mínimo pudor, vergonha na cara, os monarcas britânicos não aplicavam milhões de euros nos bancos do Panamá e outros paraisos fiscais para fugir ao fisco no país que os sustenta. Nem o rei da república (?) espanhola colaborava com o sucessor de Franco na prisão de quem luta pelo respeito à autonomia da Catalunia! Afinal, reis e rainhas só deviam existir no baralho, pois saem mais caro que um orçamento de serviços sociais para atender as familias dos que trabalham.

Se a força e o poder do sistema capitalista só persiste matando e escravizando a maior parte da humanidade, roubando os Estados para lavar o dinheiro de drogas e corruptos, depravando a cultura tradicional para transformar em robôs as novas gerações, porque assistimos calados e coniventes sem capacidade de unir os povos para abrir o caminho para o socialismo?

Há um século os soviéticos provaram que existe uma alternativa real ao sistema capitalista que só busca a ganância e o poder explorador. É possivel, como provou Cuba, desenvolver com pobreza um povo culto, trabalhador e solidário, exemplo na formação de médicos que ajudam todos os países que necessitam apoio. É possivel, como provou o Vietnam ao vencer na guerra de extermínio a potência norte-americana super armada e com agentes químicos. É possivel, como prova a populosa China que tirou da miséria 400 milhões de camponeses e desenvolve o país que supera os limites da produção capitalista.

A Revolução Soviética, que criou escolas para formar militantes dos movimentos de libertação de todos os continentes e desenvolveu a ciência para chegar à Lua antes dos países ricos, aguentou quase 80 anos sob a pressão constante da Guerra Fria mantida pelos inimigos, ditos democráticos, que hoje exibem a sua crueldade, para quem quiser ver, na destruição dos seres humanos, da natureza, das noções de dignidade e de respeito humano, para quê? Para juntar dinheiro sujo e impor o seu poder nefasto.

Deixemos as diferenças e as vaidadezinhas que hoje são mesquinhas face à luta principal. A nossa união com os povos sacrificados é a única alternativa contra a barbárie que assola a humanidade, o único caminho da esperança de reconquistar as qualidades civilizatórias, criando as bases de um Estado social que garanta a vida de todos.

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

A manipulação jurídica substitui as armas

Zillah Branco *

O sistema capitalista tenta superar a sua crise final mascarando a realidade com a ficção da democracia e do respeito pelo Estado de Direito.


Ao contrário dos inúmeros golpes militares que chacinaram sanguinariamente populações em todo o mundo, hoje fazem uso das leis para matarem as populações mais pobres pela fome e a miséria social, destruirem as riquezas que garantem soberania nacional, adoecerem as novas gerações pela promoção das drogas e de uma cultura anti-ética que as torna alienadas, e pela corrupção financeira que elimina figuras públicas que poderiam atuar construtivamente na transição da sociedade para uma melhor distribuição dos rendimentos a caminho do socialismo. Assim, os golpistas aparentemente não mancham as mãos com o sangue, e a consciência com o peso da traição à pátria e à humanidade. Pensam poder passar por "pessoas respeitáveis", eternizando a sua posição na elite dominante.

Para que isto seja possível, tentam idiotizar as populações com mega-shows que esbanjam a riqueza roubada aos sistemas públicos de saúde, de educação e segurança social, dando a impressão de que a população tem acesso a espetáculos de gente rica e é feliz; promovem campanhas de apoio alimentar e de roupas para os que perderam a sua casa e trabalho, da qual desviam grandes negócios paralelos de venda de produtos usados ou fora de validade e aplicam impostos sobre as esmolas entregues às vitimas; vendem produtos inùteis com imagens de "alta moda" e material de baixa qualidade para que os que têm algum salário o gaste em quinquilharias perecíveis e não no próprio desenvolvimento cultural; divulgam processos judiciais contra algumas figuras dispensáveis depois dos crimes e fraudes com o capital, para convenceremm a opinião pública de que a justiça atinge a todos da mesma maneira; enfim, de mil maneiras tentam transformar os trabalhadores em burros de carga e a população miserabilizada em paisagem exótica, para além de uma classe média manipulável para manter o mercado interno e a política de submissão aos interesses financeiros.

No entanto o povo é inteligente e desenvolve a sua consciência de classe explorada. Conta com pessoas que têm o privilégio da formação escolar e de uma saudável base cultural e ética que os apoia formando escolas, divulgando em música, filmes e depoimentos escritos as informações sobre a necessidade de organizar os trabalhadores e toda a sociedade para transformá-la em benefício da maioria e do desenvolvimento da produção.

As formas de associação popular têm sido alteradas pela conquista de novos conhecimentos que eliminam velhos preconceitos e ignorâncias convenientes à elite dominante. A linguagem compreensível para a maioria vence o formalismo acadêmico redutor e os preconceitos culturais. A compreensão da análise dialética permite distinguir na ação política a identidade de propósitos de tradições aparentemente opostas. Novas alianças serão feitas para abranger diferentes grupos que necessariamente compartem com honestidade os objetivos éticos e revolucionários. Não ha contratos com promessas improvizadas. Os princípios que deram origem a leis não se confundem com as rebuscadas interpretações de um pretenso "dono do saber jurídico". A realidade da vida popular condiciona os principais interesses de luta social, adequada ao caminho histórico da sua formação cultural.

A primeira condição é a coragem de pensar e agir com liberdade. A segunda é a formação de um coletivo atento aos possíveis enganos e capaz de, no debate, defender as melhores condições de luta. Não ha submissão oportunista ao comando elitista, mas sim debate exaustivo para escolher o passo revolucionário que todo povo pode dar desde que unido.

Recusa terminante à corrupção; às prisões arbitrárias; às multas milionàrias para manter a liberdade condicional; à chacina dos líderes populares; às torturas psicológicas impostas aos defensores do povo marginalizado; às perseguições aos que defendem o ensino de qualidade e os direitos dos trabalhadores; aos abusos de poder praticados por funcionários e agentes do Estado; à pratica de salários dezenas ou centenas de vezes maiores que o salário mínimo.

Unidos, venceremos!

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Individualismo, egoismo, alienação




O sistema capitalista vem trabalhando ha mais de um século para destruir a cordialidade entre as pessoas, a solidariedade natural que fortalece o convívio, para despertar o individualismo que se sobrepõe à qualquer partilha comum aos afetos. O objetivo é vencer e ultrapassar todos, ser admirado e até invejado pelas suas conquistas, pela segurança com que fala de cima para baixo, pela capacidade de usar o seu poder em qualquer lugar e ver o medo em quem o serve. O mundo está aos seus pés, a humanidade vive para serví-lo e para isto deve ser útil e prestável.

A quem serve esta postura autoritária e de superioridade em relação aos que se subordinam? Certamente a quem já detém um poder: económico, político, social ou militar. Ou seja, a quem tem o privilégio de mandar nos cidadãos que dele dependem. A dependência de uns (a maioria dos cidadãos) por outros (uma elite que concentra o poder), devido à desigual distribuição das riquezas, da formação, da saúde, das condições de vida e trabalho. Portanto, a inexistência de um regime democrático.

Os psicologos e psiquiatras deviam divulgar os males causados pela formação  individualista, que tem sido globalmente manipulada pelos "donos do poder" através dos meios de comunicação social e variadas formas de publicidade enganosa. As maiores vítimas de tal pressão social são as crianças e adolescentes, mas também adultos que cresceram com medo dos seus "superiores" e ainda os idosos e pessoas com carências orgânicas que reduzem a capacidade de se defenderem dos abusos dos prepotentes.

Por um lado, esta idéia de "superioridade" deforma o caracter da pessoa afastando-a do relacionamento normal com o outro que é considerado "inferior" por não ter tido os mesmos privilégios na sua formação; por outro lado, o conceito de superioridade deriva da sobrevalorização da riqueza ou da força, desconhecendo os valores éticos e filosóficos do outro. Quem se considera "superior" torna-se egoista, para não ajudar os demais que pretende dominar ou simplesmente despreza.

Em torno do egoista surgirão os mais débeis (que aceitam a proteção de um "superior", e os falsos amigos que o vão bajular para receber esmolas), mas dele se afastarão os que defendendem os seus direitos e a sua dignidade humana. É o quadro que as sociedades modernas hoje apresentam com maior visibilidade.

Esta é a imagem do próprio sistema capitalista que pretendeu abrandar a violência do comando anterior, medieval, de reis e chefes de Estado que condenavam à morte quem ousasse contrariar o seu poder ou à miséria os que não eram úteis às suas pretensões. Foi desenhada uma imagem com traços de democracia e de humanismo para permitir que os "inferiores" sobrevivessem com algum recurso financeiro para movimentar o mercado que alimenta o poder instituido. Em lugar da solidariedade que une os humanos por afeto, foi generalizada a "caridade" que distribui esmolas e promove o doador, mais uma vez definindo o "superior" que doa e o "inferior" que recebe. A violência física anterior foi substituida pela aparente benevolência dos poderosos, com a força da ilusão do respeito humano.

À medida em que o sistema capitalista aperfeiçoa a sua falsa imagem democrática, os individualistas fechados no seu egoismo alienam-se da capacidade de relacionamento afetivo. Muitos passam a sofrer do medo de se humanizarem, reconhecendo aí o seu ponto frágil para desmoronar aquela fortaleza aparente criada pelo seu ego e pelo poder que sabe exercer. Na verdade sabem que não construiram a auto-estima que só é sólida quando fazem parte de um coletivo que mantém laços de afeto e respeito mútuo - a família ou o grupo com que convive em igualdade de condições.

Se analisarmos os líderes populares que despontaram no mundo no último século e os Chefes de Governos que têm sido eleitos nas repúblicas de todos os continentes, vemos que o sistema capitalista sempre perseguiu e sacrificou os que assumiram valores humanistas e defenderam o caminho democrático e, ao contrário, tem apoiado um modelo perverso de Chefe de Estado, capaz de renunciar aos seus valores éticos e representar o papel de fantoche manipulado por um poder oculto, para esmagar o humano e promover o capital. O resultado tem sido traduzido na "austeridade" do povo trabalhador e no enriquecimento de alguns bilionários, com ar de mecenas para salvar náufragos, e de uma elite que domina as finanças controladoras da produção e da vida nacional.

É natural que os Presidentes ou Chefes de Governo eleitos ou golpistas sejam, cada vez mais, carentes de valores humanos essenciais (Bush, Temer, Trump, Rajoy, Theresa May, e tantos outros) para cumprirem o que o super-poder imperialista determine sem qualquer interferência de inteligência natural ou emoção humana. São "papagaios" que repetem o que lhes mandam dizer e evitam pensar para não sairem da linha. Burrificam-se e pensam que o povo é como eles, estupido também. O problema é que impõem decisões estúpidas que destroem as sociedades, provocam guerras, matam os mais pobres de fome, doenças e os crimes que divulgam como tema principal dos meios de comunicação.

Zillah Branco


sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Independência, condição de soberania



A história da humanidade apresenta, ao longo dos milênios, várias formas de luta pela liberdade dos indivíduos quando estão ameaçados por um domínio explorador que não respeita a integridade e os direitos naturais dos seres humanos. Para o seu fortalecimento  agrupam-se a partir da família a outros com que tenham afinidades. O idioma é um forte laço que permite o entendimento e a troca de informações, que vão levar a reflexões sobre questões práticas ou abstratas e ao estabelecimento de princípios éticos e planos de defesa da comunidade.

No confronto com inimigos lutam e defendem os "seus". Vencidos e escravizados, a sua coesão sofre fraturas.  Ao surgirem momentos de libertação, voltam a unir-se aos que são capazes de restaurar a antiga comunidade. Procuram outras comunidades em condições de vida semelhantes às quais se associam dando origem a povos que aceitam normas de convívio e de organização social comuns.

Ao surgir um povo agressor, dotado de recursos e conhecimentos superiores à capacidade de defesa existente naquelas comunidades, lutam e sucumbem frequentemente. São escravizados para prestarem os serviços que interessarem aos dominadores. As formas de uso do poder corresponde ao estágio de desenvolvimento alcançado pela sociedade que se estabelece como "dominante", desde a definição do escravo como "animal" para suprir todas as necessidades do seu "dono", até o convívio social em que os vencidos vão constituir classes inferiores diferentes.

Toda a história do colonialismo explica a formação de Estados dominados pelas nações dominantes. Surpreende-nos que a literatura do início do século XX revele a "descoberta tardia" de que os seres humanos dominados quando ainda viviam em comunidades dispersas não eram "animais". Tal "crença" foi alimentada por correntes religiosas que defendiam o sistema da colonização, apesar de existir uma discussão intelectual, fechada entre os eruditos, que a contestasse há, aproximadamente, quatro séculos. Assim foi estruturado o preconceito racial, vigente nos dias de hoje, que sempre favorece o sistema de exploração social e econômico.

Com o evoluir do conhecimento científico e as conquistas dos trabalhadores de seus direitos humanos e sociais, o domínio sobre povos considerados "subdesenvolvidos" ou do "Terceiro Mundo" passou a ser contestado por correntes filosóficas, religiosas e políticas que se expandiram pelas sociedades através do sistema de ensino universitário, da comunicação social e da formação de partidos e movimentos sociais. Durante o século XIX proliferaram as ações revolucionárias tanto na Europa como em Estados colonizados que introduziram o conceito institucional de soberania ligado à condição de independência a ser desenvolvida como um processo gradual de criação de estruturas jurídicas, econômicas e políticas.

Na sequência da revolução industrial e da disseminação do movimento republicano e da libertação dos escravos nas nações europeias e suas colônias, ocorrem as duas grandes guerras que definem um novo desenho das nações soberanas e da correlação de forças entre elas. Como instrumento de equilíbrio e diálogo é definida em 1945 uma Carta das Nações e a Organização das Nações Unidas, com os vários serviços específicos para atender e promover as conquistas da humanidade. Idealmente estabelecia-se a igualdade de direitos nacionais e individuais para todos os povos.

Somos já três gerações adultas a acompanhar o exercício desta instituição internacional que afirma o direito dos povos de viverem em harmonia graças ao respeito pelos direitos democráticos dos Estados existentes e de igualdade das suas populações. O conhecimento da vigência da ONU em mais de sete décadas, mostra-nos a necessidade  dos povos - em especial as classes trabalhadoras, mas também de estudiosos vários que defendem os princípios de igualdade dos cidadãos e de democracia do sistema social, econômico e político nos países, - manterem uma luta permanente para contrariar a tendência das elites poderosas de explorarem de todas as formas os trabalhadores e privarem as suas famílias das condições necessárias de sobrevivência com acesso à defesa da saúde, à formação escolar, à habitação condigna, à segurança social, que existe para os estratos sociais mais abastados na sua sociedade. A igualdade de direitos é prometida a nível judiciário mas, comprovadamente, não existe na vida real. Ou seja as leis existem, mas não são aplicadas a favor de qualquer cidadão. O mesmo ocorre com a democracia - depende da vontade da elite poder. É uma característica do sistema onde domina o capital.

Os direitos de cada cidadão são avaliados à luz dos preconceitos com que a elite poderosa que comanda o sistema defende o seu poder: de classe, de raça, de idade (as crianças e os idosos são desprezados), de gênero, de opção ideológica e religiosa. no entanto existem leis sobre a igualdade entre todos.

Também existem desigualdades "justificadas pelo sistema" decorrentes da condição do Estado em relação à metrópole que o coloniza ou do acordo firmado com uma Federação ou União. De modo geral a Nação gere as relações dos seus Estados, autônomos ou não, com as demais nações, e recolhe uma percentagem da economia para manter um equilíbrio entre todos e garantir a defesa geral.

Na América Latina temos assistido os efeitos catastróficos dos tufões e outros acidentes climáticos que destroem as habitações, as infra-estruturas sociais e dizimam as populações (colonizadas por ricas nações europeias ou pelos Estados Unidos), e depois recebem das metrópoles uma ajuda como outros paises oferecem a título de solidariedade. Se alargarmos a vista, veremos que o mesmo ocorre em outros continentes (ainda "subdesenvolvidos") da mesma maneira senão pior. Na rica nação dos Estados Unidos os fenômenos climáticos devastam sempre os Estados onde vivem os imigrantes africanos e latino-americanos, sendo um território retirado ao México em tempos passados.

As lutas pela independência são cada dia mais difíceis diante da concentração dos poderes internacionais nas mãos de uma elite internacional que resultou da formação da ONU sob a liderança dos Estados Unidos. Mas existem vários Estados europeus que conseguiram um estatuto de autonomia que lhes permite manter algumas características próprias relacionadas com o idioma e alguns aspectos da cultura originária. Neles o povo passa a vida vigiando para não ser prejudicado pelo governo central federal que, de modo geral, mantém o preconceito contra o "irmão" que afirma com orgulho as suas diferenças.

Este foi o caso da Catalunha, Estado autonomo e fonte de riqueza da Espanha. Com história passada de lutas e vitórias, fortaleceu-se durante o período em que a Espanha adotou o regime republicano, promovendo a industrialização. A ditadura de Franco instituiu um regime parlamentar com o rei indicando o Presidente e aboliu as instituições criadas pela Catalunha - segurança, saúde, ensino, cultura - e proibiu o uso do idioma catalão. Com o fim da ditadura,1975/89, todas estas instituições foram recuperadas criando-se um novo estatuto de autonomia.

Em 2006 o governo de direita de Mariano Rajóy declarou não válidos alguns artigos, gerando uma relação considerada de discriminação contra os catalães que defendiam o seu idioma e cultura como "nacionais" e a organização política republicana e autônoma.

Para solucionar o problema tratado pelas instância jurídicas do governo espanhol, o Presidente do governo catalão convocou em 2017 um referendo popular com mais de 2 milhões de eleitores obtendo 90% a favor da constituição de um Estado independente. O governo central enviou forças policiais que invadiram os locais, levaram urnas e feriram centenas de eleitores. Para conduzir um diálogo com o governo da Espanha, o governador da Catalunha apelou para que a população respeite a paz social e colabore com as suas opiniões sobre os passos de um processo para serem criadas as condições para a independência.

Não é fácil introduzir nos debates políticos que ocorrem sob as regras autoritárias do sistema capitalista, a idéia de que as decisões de mudanças de relação entre Estados evoluem como um processo que recebe a participação popular. A república de Cuba, revolucionária e independente, reconhece a importância de atos como o da libertação dos escravos pelo proprietário rural Céspedes no século XIX desencadeando um movimento histórico que deu início ao processo revolucionário que levou à conquista do socialismo.

Também não é fácil o diálogo entre os que consideram a independência uma necessidade para impedir a imposição autoritária de medidas que eliminam a liberdade de um povo e os que veem a independência de um Estado dominado como a perda econômica e política de parte do seu poder.

Zillah Branco

domingo, 10 de setembro de 2017

Furacões provocam o cáos nas sociedades colonizadas




A mídia internacional promove o medo junto às populações afetadas pelos furacões, reproduzem entrevistas com pessoas desesperadas, vão somando os mortos e exibindo imagens catastróficas. Os cálculos são dos mil milhões necessários para os novos investimentos. Quem morreu, morreu, coitados.

Para surpresa dos que vêm nos Estados Unidos uma nação mais rica que domina recursos e técnicas ainda inexistentes nos países sob a tutela colonialista - nas ilhas S.Martim e Barbuda, República Dominicana, Porto Rico e Haiti - assiste ao desespero das populações resolvendo por si os problemas de segurança e abastecimento enquanto as autoridades dão conselhos e tentam à última hora organizar centros de acolhimento. As imagens revelam a comercialização frenética de supermercados, as estradas repletas de foragidos, as cidades invadidas por águas e ventos destruidores que acumulam casas e carros destroçados, o preço das passagens de avião passam de centenas a milhares de dolares para escapar do Estado ameaçado. Realmente é um caos pavoroso!

O Presidente Trump repete com decisão uma dúzia de adjetivos (fantástico!!!) para elogiar os que lutam para sobreviver, como se o seu reconhecimento fosse uma espécie de proteção divina, e sua esposa, com as mangas arregaçadas e roupas desportivas, entrega pacotinhos de alimentos aos desabastecidos como prova da sua intenção democrática. O Presidente da França, Macron, com ar de urubú enxarcado, faz um discurso de luto ao descobrir que as remotas ilhas das Caraíbas pertencem à nação que governa, onde a população estava a lutar sozinha sem a suposta proteção colonialista. Trump manifesta os seus sentimentos a Macron e, juntos, comparam os milhões a serem investidos para a recuperação dos equipamentos destruidos nas respectivas nações. Lamentam as mortes.

Diferente é revelado pela TV de Cuba durante os mesmos dias em que o mundo acompanha a trajetória mortífera dos tufões. Ali as autoridades informam sobre as medidas que desde o anúncio dos fenomenos foram tomadas para proteger as populações e as estruturas de produção nacional. Ao lado das autoridades que distribuem meticulosas informações indicando como agirem para garantir a segurança de todos levados para lugares de acolhimento prèviamente preparados e abastecidos pelas comunidades organizadas. A unidade entre populações e autoridades no enfrentamento conjunto permite maior esperança de sobrevivência que os discursos adjetivados ou chorados de governos que controlam a vida financeira das nações. O tufão torna-se conhecido através das explicações científicas e é acompanhado com interesse para incomodar menos. Não há desespero nem medo quando a população integra um plano nacional de defesa. Assim age um governo revolucionário em regime socialista.

A televisão cubana consegue dar informações científicas e técnicas, a partir das fotos da NASA sobre os olhos dos furacões, mas também mostrar os pontos geográficos a serem protegidos, as produções de energia, água, recursos naturais para a indústria, agricultura e pescas, educação e saúde, transporte, locais de proteção, e percorre todos os serviços do Estado e das comunidades que informam sobre a situação real existente e os planos de ação que integra os populares. É uma defesa conjunta, do país e do povo, dispensa falsos elogios e lágrimas de crocodilo.

O saldo deixado na Ilha Comunista pela devastação dos furacões foi causado pelas altas ondas marítimas que invadiram estradas e atingiram casas, onde os seus moradores haviam prevenido a segurança dos seus bens e de suas vidas, árvores e postes de eletricidade foram partidos pelo vento, alguns prédios antigos cujas paredes não resistiram ao ímpeto dos elementos. Não há mortes a lastimar, apenas alguns acidentes que resultaram em traumatismos logo tratados nos postos de saúde organizados em locais seguros.

Enquanto que nos Estados Unidos e nos paises dependentes do sistema capitalista as pessoas correm atrás de produtos para sobreviverem enfrentando filas e preços elevados nos supermercados, cada um por si e contra o outro, em Cuba o Estado, ligado às autarquias locais e associações de moradores, preparou locais seguros, com equipes médicas e abastecimento para receber as populações das respectivas regiões. Todos se empenham na defesa nacional, ninguém pensa no lucro individual com a desgraça alheia. O cáos não se instala. A solidariedade impera. Foi feito um Plano de ação administrativa com base em um Prognóstico científico desde a formação dos furacões. A ONU saudou a capacidade impar de Cuba na defesa da sua gente e da economia nacional.

Aliás, todos sabem que o agravamento desses fenomenos climáticos se deve ao maior aquecimento da atmosfera, à destruição da natureza no planeta. E os Estados Unidos não participam nas conferências mundiais para assumirem a sua responsabilidade e controlar o desvario das suas empresas em alcançar o maior lucro com o sacrifício dos humanos. E, depois de ter lançado as primeiras bombas atômicas sobre a população civil do Japão que perdera a guerra, agora levanta arrogantemente a cabeça do Presidente para enfrentar a ameaça do seu homônimo coreano como se a humanidade fosse secundária nesta competição irresponsável e criminosa.

Zillah Branco

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

frente ampla, popular e de esquerda!




Com o fim da segunda Grande Guerra - que deu início à Guerra Fria promovida pelos "aliados" sob a orientação da chefia imperial dos Estados Unidos que usaram as bombas atômicas para ficarem como heróis da vitória soviética incontestável - tornou-se claro para os revolucionários que a luta por um sistema alternativo ao capitalismo deveria integrar todos os cidadãos que tivessem consciência de que, em primeiro lugar, interessa defender o desenvolvimento do ser humano, a sua integridade física e mental para, com o trabalho, criar maiores recursos para as sociedades em paz.

Os artifícios políticos para estigmatizar as conquistas do socialismo na URSS (seguidos dos processos revolucionários na China, na Coreia do Norte, no Laos, em Cuba e no Vietnam), destruiram os caminhos abertos pela brilhante intelectualidade que nos Estados Unidos produziram literatura, cinema, música, ciência, que teriam enriquecido o patrimônio mundial não fosse o famigerado "macartismo" que minou as novas instituições universitárias e midiáticas que zelavam pela democracia e o humanismo. Com o poder do ódio irracional foi introduzida a marca fascista e autoritária no conceito capitalista de "democracia".

Como rastilho de pólvora, da grande potência capitalista irradiou a perseguição sem tréguas contra os comunistas e revolucionários em geral. Ao mesmo tempo em que eram intimidados os democratas com os riscos de discriminação social que limitavam carreiras profissionais e participação nos benefícios do desenvolvimento social, foi criada e divulgada amplamente uma "cultura anti-comunista e anti-revolucionária" que preparou as novas gerações para demonizarem as naturais tendências de solidariedade humana e de respeito social como a negação de todo o progresso traduzido em acumulação de riqueza e de promoção de uma elite dirigente.

Incutia-se subtilmente o desprezo pelos mais pobres, pelos desvalidos, pelos mais simples, com os mesmos critérios do mundo medieval, mas adoçados pela compreensão caritativa dos que distribuem esmolas, e justificavam os projetos colonialistas "que levavam o desenvolvimento possível ao terceiro mundo", "a paz e o progresso" aos vizinhos latino-americanos, enquanto as empresas transnacionais se instalavam em países alheios para explorar as riquezas naturais que o seu povo "inculto" não saberia fazer. O racismo consolidava-se como "princípio científico" que facilitava a escravidão disfarçada  imposta às etnias que emigravam para o mundo "dos brancos".

Assim como durante a revolução industrial os camponeses dos países mais ricos da Europa deixaram as suas pátrias e emigraram para colonizar as nações indígenas do terceiro mundo e manter a subordinação cultural (e institucional) aos países de origem, na Europa foram importados trabalhadores de outras etnias para suportarem as discriminações sociais que limitam a frágil democracia da moderna burguesia em ascensão. As elites dominaram facilmente a política fantasiada de "democrática" (onde analfabetos ou sem rendimentos não votam e o Estado contrata funcionários nas famílias dos poderosos) e o povo mistura-se à paisagem enevoada como uma necessária "abstração". Situação semelhante é vivenciada presentemente no Brasil.

Como o conceito de "cultura" passou a ser confundido com o de "formação escolar", e o de "inteligência" com "nível intelectual", a elite levantou o seu muro em torno dos seus postos de comando e os "sem escola" acreditaram estar fora do âmbito da "democracia ilustrada". Mas, o processo revolucionário prosseguiu na sua meta de ganhar entre os democratas os que são coerentes com a própria noção de dignidade humana e de integridade como cidadão. Com as inúmeras falhas do sistema capitalista - as ambições desmedidas de lucro que se confundem com roubo, as grandes espertezas que atropelam os valores elementares da decência, o descuido dos super-poderosos que revelam ignorâncias crassas (lembrar Bush, Temer, Trump...), a prepotência dos que não avaliam a inteligência dos ingênuos ou dos simples - foram acentuando os abusos da elite, as injustiças, os crimes da elite mandante e esclarecendo os que seguiam os seus caminhos distraidos com as conquistas individualistas sem olhar para o lado social. Cresceu o número dos que reconhecem a necessidade de mudanças na estrutura política que nāo se resolve mudando apenas o representante do comando, mas o comando em si. Hoje é visível o descrédito geral em relação aos que comandam o sistema capitalista irresponsável no risco de guerra atômica e nas chacinas sobre populações civis desesperadas.

Surge hoje na América Latina, com peso determinante, a manifestação popular que se organiza em função das estruturas de trabalho e de lutas específicas pelos seus direitos, despertam camadas sociais com privilégios de formação escolar para o reconhecimento da justiça que orienta as reivindicações populares, grandes especialistas nos conhecimentos da administração do Estado e na defesa da soberania nacional levantam as suas vozes com modéstia revolucionária junto à do povo, organizam-se os partidos de esquerda assim como as religiões tradicionais para promover a unidade entre todos estes patriotas formando uma Frente Popular Ampla de Esquerda!

Os partidos de esquerda enfrentam os seus problemas internos que refletem os da própria sociedade, eliminam os individualismos que bloqueiam as ações coletivas da grande maioria da população e os medos acumulados com a experiência sofrida de seguidas derrotas parciais sob um sistema adverso, fortalecem a compreensão fraternal que está acima dos preconceitos de classe cristalizados na linguagem elitista e ressalta os pricípios que são o seu patrimônio ideológico de uma luta secular. Este será o eixo de uma nova composição ampla com os que são capazes de acompanhar as conquistas da esquerda, dos humanistas, dos desvalidos, sobre o poder do capital e do enquistamento conservador das velhas elites, contra os que vendem a Pátria e a soberania da Nação e a dignidade dos cidadãos.

O Brasil será vitorioso! A América Latina será fortalecida! Os povos construirão as suas vidas!

Zillah Branco

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

O "povo abstrato" e o Estado social "supermercado"



Reprovado nas pesquisas e nas ruas com 94% de condenação popular, o governo de Michel Temer vê aumentar o número de manifestações nas ruas do Brasil que combatem as propostas de reforma da Previdência, de redução dos direitos trabalhistas e as desigualdades que acentuam a distância entre quem trabalha para sobreviver e os que detém o capital e o poder político.

Desemprego, corte nas Bolsas Família, venda das empresas nacionais ao desbarato, perseguição aos manifestantes nas ruas e líderes de movimentos sociais, destruição das conquistas educacionais e de atendimento médico alcançadas pelos governos Lula, assassinatos de líderes camponeses, asfixiamento do setor produtivo, delapidação do patrimônio nacional, tentativa de destruição do Mercosul e da Alba, traição aos países latino-americanos em luta pela soberania nacional, submissão à política imperialista expansionista e criminosa que ameaça a humanidade e a natureza no Planeta - o governo golpista transforma o Estado Social em um "Supermercado SA" que vende os produtos com farta publicidade enganosa e não atende às necessidades reais da população consumidora. O povo não manda no seu país, existe como parte da paisagem.

Marx, no Manifesto Comunista refere esta condição da organização do Estado, disfarçada pela retórica ficcional da classe dominante que valoriza a aparência em detrimento da essência, com a frase: “Um comitê para gerir os negócios da burguesia” em lugar da representação popular.

O Governador do Maranhão, Flávio Dino,  recomenda: "Cabe a quem governa não se perder no cipoal de burocracia, normas e contas. É preciso lembrar que cada decisão de Governo tem repercussões na vida de seres humanos, que são a parte mais importante da “contabilidade pública”.

Mas os fantoches golpistas não estão interessados nos seres humanos, apenas nos altos cargos que ocupam e na multiplicação das suas fortunas. Estão no poder mas são efêmeros, enquanto que a humanidade continua a sua evolução alcançada sempre com o trabalho e a transformação da realidade no sentido do progresso.

Quando o presidente Truman, dos Estados Unidos, determinou o uso da bomba atômica contra Hiroshima e Nagazaki no Japão para afirmar o seu poder depois da vitória soviética na segunda guerra mundial, os cientistas que tinham descoberto o uso pacífico da teoria atômica em benefício da humanidade, protestaram recebendo o apoio de milhões de defensores da Paz espalhados por todos os continentes. Hoje são os japoneses a proporem a paz a Trump, que sucede e faz recordar Truman há sete décadas atrás quando mandou matar mais de 200 mil civis japoneses em represália ao inimigo já vencido. Um chefe do governo imperial anti-ético e desequilibrado.

Ultrapassada esta fase de retrocesso no Brasil, o povo está com o conhecimento das suas necessidades para exigir um Estado soberano com organização das forças produtivas nacionais e condições de desenvolvimento social do povo trabalhador e dos técnicos e cientístas com os valores patrióticos que se requer. Um programa de governação realmente brasileiro, que respeite a soberania e a independência nacional, integrado na Comunidade latino-americana em luta, a partir do conhecimento objetivo da realidade humana, social e económica para escolher brasileiros com caracter e competência para enfrentar responsavelmente a tarefa governamental e de transformação do atual estado/supermercado em Estado Social e Institucional.

Cada setor do Estado exige a defesa econômica e política para melhor aproveitar a riqueza do território e do conhecimento técnico para a produção - de energia, de transportes, de habitações, de infraestruturas, de saúde, de ensino, de segurança social, de segurança pública, de controle fiscal, de administração pública, de legislação e justiça, de organização do trabalho, de formação cultural e artística, da proteção ao ambiente, da produção agrícola e pastoril, etc. - e ainda a prestação de serviços à população com a qualidade que existiu em tempo de democracia - lembremos os debates sobre a escola pública, as manifestações sobre o "petróleo é nosso", a defesa das nacionalizações, a exigência da Reforma Agrária, a defesa da "Amazônia", a industrialização, e tantos outros projetos que apontavam a elevação do nível de capacidades de trabalho e de conhecimento científico e político adquirido para fundamentar o desenvolvimento nacional. O Brasil tem um patrimônio científico, técnico, cultural de alto nível capaz de colaborar com um programa de luta social, sindical e popular.

É urgente organizar a visão global do Estado através de estudos particulares sobre cada área de produção e de prestação de serviços públicos para que as instituições do Estado Brasileiro sejam conhecidas no seu conteúdo, no valor econômico e político, e também no exercício dos serviços prestados quanto à meta de atendimento social e não apenas "consumo de um produto" de mercado. Um aspecto a ter presente é o papel dos servidores diretos ao público que, apoiados por sindicatos podem agir solidariamente com o cliente popular apesar das pressões impostas pela hierarquia das chefias subordinadas a comportamentos muitas vezes contrários aos objetivos patrióticos.

Um exemplo de erros acumulados na produção e distribuição de recursos nacionais temos na história da energia elétrica no Brasil, que hoje está nas mãos de empresas privadas quando deveria constituir importante área do Estado na produção de energia e defesa da soberania nacional, estabelecendo a clara relação entre a função econômica e técnica de um Estado com a prestação de serviços à população (o Estado Social).

Ao serem contratadas empresas estrangeiras monopolistas em meados do século passado - como a Light e outras - o Estado perdeu a sua soberania e o Estado Social foi transformado em um balcão comercial ao serviço das multinacionais. O povo ficou à margem, apenas comprador do produto, e o país sofreu uma degradação política que se verifica até hoje. Decisões que alteraram a geografia e o ambiente nacional, como foram as de retificação do leito do rio Tietê e a inversão da corrente do rio Pinheiros em São Paulo, foram tomadas por engenheiros do Canadá e dos Estados Unidos à revelia dos moradores das suas margens, dos pescadores e navegantes, da população pobre e trabalhadora do grande e rico território do Estado de São Paulo que, na sua maioria, desconhece esta imposição estrangeira ao curso das águas brasileiras. E este é apenas um exemplo visível, fotografado, registrado, do desrespeito pela soberania nacional.

Este mesmo abandono da função social do Estado hoje ameaça a escola pública dos três importantes níveis de ensino responsáveis pela formação dos cidadãos brasileiros de cuja inteligência e trabalho depende o progresso nacional. Para não falar da destruição do SUS em benefício de empresas privadas e laboratórios multinacionais; ou da Segurança Social que desconhece os acordos internacionais para que o trabalhador emigrante possa somar os benefícios adquiridos nos dois ou mais países onde trabalhou e descontou para o serviço previdenciário; ou da Agricultura que aceita a agro-indústria imposta pelas empresas estrangeiras de fertilizantes químicos e sementes transgênicas nocivos à saúde, etc... A lista de crimes de "lesa a pátria" é imensa e agrava-se com o colapso jurídico nacional e os cortes orçamentais que abrem caminho à miséria do povo em um país de território rico.

A definição de um programa reconhecido e apoiado pelo povo e fundamentado por cidadãos  competentes ao nível da administração pública que já deram provas do seu saber e das suas convicções éticas e humanistas - portanto patriótas e democratas - é o que o Brasil hoje tem urgência em implantar.

Zillah Branco