sexta-feira, 14 de julho de 2017

Lula é um herói na história do Brasil




As nações em fase de colonização têm o povo no papel de heróis. A justiça, a liberdade, a fraternidade, a honra, permanecem na base empobrecida da sociedade acalentada pela capacidade de sobreviver sem apoios e manter a esperança para os seus filhos.

Lula, galgou os degráus do poder demonstrando ao mundo que o caminho da emancipação nacional tem início na superação da fome e da miséria em que foi atolada a grande maioria das famílias dos trabalhadores. Seguiu um caminho que, na história da humanidade, foi criado por cristãos e comunistas primitivos.  Hoje é um exemplo admirado por todas as nações representadas na ONU.

Ao ser eleito Presidente da República, implantou um programa de Governo comprometido com o desenvolvimento das forças produtivas nacionais levando à todos os brasileiros as condições de cidadania: bolsa família - com a alimentação necessária; escolas em todo o Brasil profundo; saúde - em sistema universal; previdência social - com o reconhecimento de todas as funções profissionais; legislação do trabalho democrática; habitação com água e luz; estradas, caminhos, ruas transitáveis; segurança pública com respeito social; diálogo aberto com o empresariado nacional para que agissem como patriótas. Assim exerceu dois mandados dos quais saiu conservando mais de 80% do apoio popular.

Foi uma obra heróica realizada por um filho do povo brasileiro, reconhecida por mais de 50 milhões de eleitores. Despertou uma população adormecida durante 500 anos, vítimas de dominação colonialista seguida de poderes oligárquicos servís à forças estrangeiras. Tentou unificar pobres e ricos sob o compromisso da solidariedade, da justiça, da fraternidade, da honra de ser brasileiro. Elevou o conceito de patriotismo, de defesa do patrimônio nacional, de nação capaz de trabalhar ao lado das mais antigas e ricas do planeta, merecedora de respeito nos organismos internacionais, sem esquecer o seu papel solidário com todos os países latino-americanos e com os de outros continentes igualmente colonizados. Lula tornou-se um herói para todos os povos que lutam pela independências das suas nações!

Por isso foi condenado agora, sem provas, pelos esbirros golpistas que ocuparam o Governo e o Estado como assaltantes armados por um poder externo!

Ninguém governa sozinho um país! Lula recebeu a colaboração de muitos que se ocuparam da condução do sistema capitalista que domina o mundo ocidental e condiciona todo o mercado mundial. Na sua boa fé, Lula confiou aos lobos a defesa da economia nacional. E foi traído. Recebeu de braços abertos um Meirelles, conhecedor do sistema financeiro formado nos Estados Unidos, e depois foi seguido por vários colegas especializados em bancos na função de Ministros da Fazenda. Aceitou com entusiásmo a colaboração empenhada de um PMDB que durante a ditadura militar destacou-se na batalha pela democracia.

Foi ingênuo? Foi, mas isto é fruto da sua origem popular brasileira, de quem conheceu a tortura da fome e não pode estudar porque muito cedo foi trabalhar para o sustento familiar. Não é crime! Crime é a traição à Pátria, cometida pelos ilustres doutores que o apoiaram por ambição mesquinha e oportunista! Crime, é inverter o papel da Justiça que paga para que um ladrão denuncie um opositor político, que condena um herói da história brasileira para manter um golpista corrupto na posse do mais alto cargo do Governo.

Crime, é manter os invasores do Brasil distribuindo a riqueza nacional entre os seus amigos externos e destruindo a democracia que elevara o povo à condição de cidadania!
Crime, é fazer da política um jogo perverso de cartas viciadas que condena o Brasil à ser novamente colonizado e ter o seu povo escravo!

Diretas, Já! Para salvar a Pátria!

Zillah Branco

segunda-feira, 10 de julho de 2017

As ratoeiras do sistema capitalista

A luta contínua, permanente

Zillah Branco *

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Muitos acreditam na democratização do sistema capitalista vestido com suas fantasias populares. É verdade que ensaiam o sistema universal de saúde ou de escolas para todos. Vão atamancando soluções aparentemente copiadas do atendimento à elite mas sem recursos para atender todo o povo. Nomeiam profissionais de renome e atraem em número crescente os que aceitam as condições do serviço público, com menor remuneração e pior condição de trabalho, para estender democráticamente os benefícios do trabalho de médico ou professor.

No entanto, diante da avalanche de trabalho por profissional, reduzem o tempo de atendimento médico e aumentam o tamanho das salas de aula para o professor falar a dezenas de estudantes ao mesmo tempo. É claro que o cidadão não consegue transmitir as suas queixas em resumo para informar o médico nos escassos minutos disponíveis. Nem os alunos conseguem levantar dúvidas para penetrarem a matéria ensinada. Por melhor que seja o médico ele só poderá receitar diante dos exames que o cidadão vai fazer ao longo de meses de espera, porque também os equipamentos estão assoberbados de trabalho. Por melhor que seja o professor, ele não consegue conhecer os alunos para adaptar as suas aulas aos ouvintes e vai se esfalfar para ler as provas de centenas de alunos desconhecidos.

Evidentemente cai a qualidade dos trabalhos, cansam o povo nas filas de espera e os alunos sem orientação pedagógica. Os profissionais dedicados ao atendimento "democrático" vêm-se como robôs diante de um tapete rolante por onde passam velozmente criaturas necessitadas que não têm tempo para conhecer. Os clientes morrem sem tratamento, os alunos mal se alfabetizam.

Então começam a surgir clínicas privadas de luxo e escolas particulares com ofertas de cursos complementares atraentes, que cobram caríssimo mas fazem algum desconto para o Estado (que lhes facilitou o terreno e perdoou impostos para que alí se fixassem) poder usar os seus serviços suprindo as carências dos serviços sociais públicos. É a resposta dos grandes grupos que comandam o capital, ao que se pretendeu ser um apoio social democrático. Fica claro o jogo político em que o Estado, que vai buscar nos constribuintes os financiamentos dados aos grandes grupos, e com as conquistas populares que terão de ser reconquistadas com movimentos populares unidos nas ruas.

As contradições no sistema capitalista, entre o desenvolvimento das forças produtivas que inclui a formação culturam e a defesa da saúde dos cidadãos, contra a ambição de acumulação de riquezas pela elite poderosa, são insuperáveis. A luta social permanente dos trabalhadores pelos seus direitos assegura um relativo equilíbrio entre exploradores e explorados que formam a sua consciência de classe e superam as suas carências com o apoio das estruturas sindicais e partidárias. É uma longa caminhada para não se deixar vencer pela minoria patronal.

As duas classes mantêm a esperança na vitória que será alcançada com o fim dos abusos pelo poder instituido e o uso da força militar, e pela consciência humanista de solidariedade que se clarifica.

As contradições no sistema capitalista são imensas! Por exemplo, no futebol é comum ouvir-se um técnico afirmar que formou um bom jogador para ser "vendido" por seu clube para quem paga milhões e garante um salário milionário para o jogador em outro país, o que engrandece o seu país de origem. Mas existe uma legislação para evitar o tráfico de humanos!

Assim, com a manipulação das leis, exportam capitais para paraisos fiscais, corrompem funcionários do Estado para desviar recursos, destroem empresas nacionais para favorecer concorrentes estrangeiros, controla o sistema judiciário para favorecer amigos e culpar inimigos políticos. Quem manda e detem o poder financeiro faz da pátria o que quiser, inclusive destruí-la. Não existe maior contradição quando uma elite empurra o Estado contra os cidadãos!

Mas o povo pensa, e na medida em que se fortalece pela união e conhece os seus direitos de cidadania, sabe que a Pátria lhe pertence. Então luta, por ela e pelos seus!

Fora Temer e sua quadrilha! Diretas, Já!

Zillah Branco

domingo, 2 de julho de 2017

O capitalismo fantasia-se de socialismo



Inegável o êxito da Revolução Socialista de 1917, que institucionalizou grandes conquistas da humanidade - liberdade de pensamento; igualdade de direitos para gêneros, etnias, opções religiosas, classes sociais; condições de habitação, ensino, saúde, previdência social; combate à exploração humana; defesa dos direitos de cidadania; associação sindical - definindo um Estado democrático.

O sistema capitalista, durante o século XX foi adotando os títulos das conquistas em grandes cartazes propagandisticos e em textos legislativos, mas sem levar à prática os princípios enunciados. A democracia de fachada só era semi-atendida quando os protestos organizados por partidos de esquerda e os sindicatos exigiam através de grandes mobilizações populares e greves que paralizam a produção. A diferença essencial entre os dois sistemas é que o socialismo revolucionário atende os interesses dos povos e a independência nacional, enquanto que o capitalismo só vê as vantagens dos lucros e do poder financeiro entregues à propriedade privada.

Com a queda da União Soviética, que se tornou uma potência cultural, científica e econômica, capaz de competir com os Estados Unidos que dominava políticamente todos os países capitalistas, os povos em luta perderam o apoio para defenderem os seus direitos nacionais e de cidadania. Surgiu, com a globalização, o poder financeiro unificado para acumular capital, manter elites nas sociedades e impor a austeridade às populações trabalhadoras.

Esta unificação do poder financeiro deu origem a governos nacionais incapazes de defender o desenvolvimento nacional e de seus povos, por incompetência ou subordinação ao comando externo. Proliferaram as invasões de países independentes onde havia grandes reservas de minérios e petróleo cobiçadas pela liderança capitalista que fomenta a indústria da guerra, de armas e químicos. Com os programas de austeridade impostos pelo FMI no âmbito do neoliberalismo que destrói as economias nacionais e fomentando o turísmo e os impostos em lugar das forças produtivas desempregadas, foram empobrecidas as nações servindo de palco para as elites circularem como magestades servidas por profissionais empobrecidos e robotizados.

A robotização dos cidadãos empobrecidos, manipulada por uma cultura midiática imbecilizante, retira-lhes a independência, o pensamento próprio, a coragem de lutar coletivamente, tornando-o um escravo passivo da exploração sistêmica.

O grande incêndio em Portugal, em Pedrógão Grande em Junho de 2017, revelou que na Europa, onde o Estado existe há mil anos, ocorre o mesmo que se repete nos Estados Unidos, anos após anos devido a tufões, cheias ou incêndios, que matam ou expulsam as populações de várias regiões: o Estado não protege devidamente a sua população, com o mesmo empenho com que defende o capital dos bancos e dos seus gestores ou o pagamento da dívida externa contraída em nome do povo. Da mesma maneira o cáos gerado pelo golpe de Fora Temer empobreceu o Brasil e leva o país e seu povo à ruina, apesar de existir uma Constituição e leis para os defenderem. Fica tudo no papel porque os responsáveis não se movem.

A perda de confiança nas instituições, nos serviços do Estado, generaliza-se somando o que ocorre por meio da corrupção organizada pelo imperialismo para destruir a nascente democracia que desponta em países do terceiro mundo, onde os poderes legislativos, executivos e judiciário, perdem a confiança do povo empobrecido, desempregado, sem recursos para tratar a saúde e estudar, morando em favelas ou nas ruas, cercado por gangues do crime organizado.

Os governos produzem legislações e comissões de estudo, e a acção fica no papel como se a gestão da vida nacional pudesse ser apenas literária. Diante de um acidente natural ou uma acção criminosa chega tarde sempre, decide com contradições no terreno, desconhece a realidade dos que vivem e sofrem. Enterra os mortos. Depois faz a contabilidade dos prejuizos, reformula os orçamentos para compensar o desastre material, é apenas o Tio Patinhas no poder. Desconhece a razão da vida humana.

Como disse Daniel Jadue, alcaide em Recoleta, no Chile, a nível municipal podemos fazer um governo comunal com a participação dos cidadãos. O Estado, como aparelho que é da classe dominante, não chega ali onde o índice per cápita é 1/10 do índice nacional.

Esta experiência existiu no Brasil durante a ditadura militar, em Boa Esperança no (ES), Piracicaba (SP), Anastácia (MG), Atibaia (SP), Brotas (SP), Cabo Frio (RJ), Campina Grande (PB), Cassilândia (MS), Criciúma (SC), Curitiba (PR) , Ilhéus (BA), Itabuna (BA), Itajaí (SC), Itú (SP), Jundiaí (SP), Juiz de Fora (MG), Matão (SP), Oeiras (PI), Olinda (PE),  Osasco (SP), Pelotas (RS), Penápolis (SP), Petrópolis (RJ), Rio Claro (SP), Rondonópolis (MT), Salto (SP), São Felix do Araguaia (MT), São Carlos (SP), São João da Boa Vista (SP), São Roque (SP), Tietê (SP), Toledo (PR), Uberlândia (MG), Vila Velha (ES), Viçosa (AL), e, na Europa (em várias nações) e, após a queda da ditadura de Salazar, nos Municipios e Freguesias no sul de Portugal no bojo do movimento revolucionário decorrente da Reforma Agrária de 1974/5.

O Estado capitalista não corresponde às suas bandeiras sociais porque não as aplica, é só propaganda de uma democracia de fachada. A defesa da população fica a cargo das famílias (responsabilizadas pela educação e saúde dos familiares), das acções de solidariedade (ou caridade) por associações religiosas ou populares e do movimento sindical ou político. As instituições sociais do Estado são pressionadas para exercerem as suas funções, pela participação da população em lutas lideradas por organismos políticos e sociais independentes.

Com a evolução histórica assinalada por movimentos revolucionários, o conhecimento objetivo que os povos adquirem da sua dependência em relação ao Estado, permite aos setores sociais libertos da miséria material e cultural, que a participação popular - através do voto, mas sempre atenta para exigir ações concretas - é determinante na construção de soluções para os problemas reais. Gradualmente caem as máscaras usadas pela elite dominante, dissolvem-se as falsas imagens atribuídas às instituições e leis inertes, desvendam-se os políticos como usurpadores ou representantes efetivos dos interesses do povo. O povo descobre que os cidadãos unidos na participação política são os agentes dinamizadores do desenvolvimento. O capital e as empresas serão os instrumentos, assim como o sistema de ensino e formação profissional.

A crise que hoje o Brasil enfrenta demonstra claramente que, para evitar o colapso político, social e econômico nacional, só a presença de todo o povo, unido, nas ruas à exigir "diretas, já!" Poderá salvar a pátria esquartejada pelos irresponsáveis do governo "Fora Temer" e camarilha.

Zillah Branco

quarta-feira, 14 de junho de 2017

P'ra Frente, pessoal!





Enquanto os chimpanzés no Uganda aprendem, com outros exemplares da sua cultura, a molhar
uma esponja de algas para beber agua de um poço em lugar de recolher com uma folha o líquido
que vai derramando, os "inteligentes" humanos que comandam o sistema capitalista seguem as
idéias de idiotas como Temer,Trump et catærva, que pretendem fazer girar a roda da história
cultural da humanidade para trás. Qualquer dia a mídia subalterna divulga as vantagens em beber
água nas folhas e os chimpanzés darão gargalhadas geniais.

Quando 35 milhões de trabalhadores no Brasil fazem greve acompanhados nas ruas por
desempregados, trabalhadores rurais, professores e estudantes, representantes de todos os
credos religiosos, negros, indios, imigrantes europeus, asiáticos, africanos, militantes de esquerda
e democratas honrados, tem-se a prova de que o programa de Lula para alimentar os cinquenta
milhões de brasileiros famélicos e levá-los a descobrir os direitos de cidadania com a ajuda dos
professores das escolas primárias, dos estudantes e professores das universidades, das equipes
médicas e dos servidores públicos que se dispuseram a integrar aqueles conterrâneos (que nem a
certidão de nascimento tinham) nas estatísticas nacionais para alcançarem os direitos sociais
mínimos, este gesto histórico e coletivo abriu caminho para que o Brasil se tornasse uma nação
soberana. Os brasileiros descobriram que a dignidade lhes pertence.

Agora, é caminhar para a frente varrendo a poeira deixada por séculos de atraso oligárquico e de
reformas fundiárias e bancárias que só interessam a uma elite apátrida. Chega de discussões
estéreis, de mesuras vexatórias a um patronato estrangeiro, de submissão a comandos que
desconhecem as leis nacionais e os princípios éticos em que se baseiam, dessa dissolução dos
costumes em que se atolam os mandatários, esta pouca vergonha de mentiras e corrupções que
mancha a história pátria e destrói o Estado brasileiro.

Este troca-troca de discursos e de consciências já demonstraram que nunca vão aprender a tomar
água pela esponja porque estão sempre olhando os parceiros vestidos de luxo que a televisão
apresenta como os donos do mundo tomando whisky em copos de cristal. Não nos servem, não
sabem pensar por si nem como pensam e fazem os brasileiros, não sabem trabalhar pelo coletvo,
não sabem sambar, nunca amaram, não pertencem a este povo valoroso que ha 500 anos contrói
uma nação apesar dos invasores que se multiplicam.

A luta dos brasileiros não está isolada. Em todo o mundo, apesar do boicote midiático e das elites,
os povos de todo o mundo em manifestações do Primeiro de Maio, saudaram a grandiosidade de
um povo, o brasileiro, que se une como classe trabalhadora diante de um governo espúrio que foi
assaltado por crápulas, para ditar o seu Plano de Desenvolvimento Social e Econômico que não
aceita as exigências da elite mesquinha que só pensa em crescimento e lucro dos poderosos.

A Europa está diante de uma crise que se arrasta sangrando os trabalhadores e os setores mais
desprotegidos das sociedades. A perversidade do sistema imposto pela Troika imperial abriu
caminho para que a Inglaterra saltasse para fora do barco enquanto os grupos fascistas dominam
os eleitorados em desespero. A Russia encontra apoio na China para não se subordinar à União
Europeia casada com os Estados Unidos. O cheiro à polvora, que traz a memória da Segunda
Guerra, polui a humanidade. São os trabalhadores organizados nos seus Sindicatos que se unem
nas ruas de todas as capitais mundiais como um exército internacional que abre caminho com
idênticas palavras de ordem atraindo uma juventude que não vislumbra um futuro no presente.

A "crise econômica" badalada pela elite financeira não cortou os orçamentos da indústria de
armamentos, dos salários dos banqueiros, dos criadores de modas e de uma cultura predadora e
violenta que forma robôs imbecilizados. Os pobres ficaram mais pobres, os doentes tornaram-se
cobaias das indústrias farmacêutica e química que poluem e aniquilam a natureza. Os jovens
perderam a esperança de construirem a própria vida. Os paises mais pobres exportam produtos primários e mão-de-obra para desenvolverem as nações mais ricas. Aprendem a receber com
desvelo os turistas que querem respirar ar puro e relembrar a humanidade que vai sendo extinta
nas megalópolis. Dinheiro não falta para manter a injustiça social que sustenta o capitalismo.

P'ra frente Brasil! Viva a América Latina livre do imperialismo!

Com a consciência de classe e as bençãos religiosas dos que acompanham a luta dos povos!
F

Diretas, Já! Chega de remendos!


Diretas Já! Chega de remendos!


O Estado Brasileiro foi minado pelo neo-liberalismo desde que Meirelles foi apresentado
ao Lula como "grande economista que, apesar de pertenter às hostes do tucanato,
aceitava o programa de desenvolvimento nacional proposto pelo governo PT e iria
assumir a Presidência do Banco Central do Brasil". Logo, o "colaborador que aderiu à
política de esquerda traçada para acabar com a miséria e defender a soberania nacional"
exigiu que o Banco do Brasil se tornasse independente.

Independente do Brasil, do governo popular de Lula, para ser manobrado pelos seus
patrões imperiais da holding norte americana J&F (dona da JBS). Começaram então as
manobras de corrupção que se alastraram como cancer através do Estado e do poder
financeiro produzindo traidores de vários naipes que contaminaram o tecido executivo
nacional até chegar aos dias de hoje, com o usurpador Temer na Presidência da
República (e Meirelles no Ministério da Fazenda) que envergonham os brasileiros de boa
fé e de consciência cidadã.

Esta podridão avassaladora foi percebida pelos trabalhadores e suas famílias em todo o
país, cidades e campos, velhos e jovens, provocando o surgimento de uma Frente
Popular de esquerda, unida e disposta a limpar todas as instituições nacionais das
metásteses provocadas pela doença destruidora.

Diz Luiz Bernardo Pericás: "Será possível construirmos uma frente democrática e popular
de esquerda, com movimentos sociais, partidos e organizações com pautas progressistas,
uma frente que vá além do “Fora Temer” ou “Diretas Já”, por exemplo. O fato é que não
se pode viver de calendário eleitoral. Qualquer um que for eleito pelas normas atuais, seja
quem for, vai fazer coalizões, negociações, acordos. Gostando ou não do Hugo Chávez,
temos de concordar que ele soube aproveitar o momento, utilizando-se de todos os
recursos democráticos reconhecidos internacionalmente, para mudar a constituição,
construir um judiciário e um Supremo, reconstituir e transformar profundamente as forças
armadas. Aqui não se fez nada disso. Sem tirar os méritos de muitas políticas sociais do
PT, os governos petistas beneficiaram a população mais pobre, mas também, ao mesmo
tempo, os bancos, o agronegócio, o sistema financeiro: tentaram agradar a todos. Ou,
pelo menos, as duas pontas: os mais pobres e os mais ricos. Conciliação de classes não
funciona. Está aí algo a aprender com Lênin e a Revolução Russa: não se pode confiar
nos seus inimigos. " (Almanaque Urupês, 28/05/17, reproduzido no Portal Vermelho
28/05/17 por Célia Demarchi).

Marx definiu sem meias palavras, no Manifesto Comunista, que esse sistema dominante
torna o Estado "um comitê para gerir os negócios da burguesia". É o que estamos
assistindo com os roubos e formas de corrupção bilionária e com a destruição das
conquistas populares iniciadas pela campanha Fome Zero, com a integração da
população nas condições de cidadania, com o desenvolvimento da saúde e da educação,
com a aplicação das Leis Trabalhistas, com a confiança nas instituições.
Os bispos da CNBB apontam a falta de ética nos governantes e apoiam as

manifestações, os homens e mulheres ainda conservadores que recordam o retrocesso
civilizatório causado por 21 anos de ditadura exigem democracia, o povo constrói a
unidade entre todas as associações que o representam superando divergências tornadas
secundárias diante da destruição da soberania nacional e do Estado social. As manifestações de protesto nas ruas e a grande greve de Maio reuniram perto de 40
milhões de brasileiros coordenados por lideranças políticas que nascem da luta
empenhados em evitar confitos e desmandos que os provocadores provocam.

A situação agrava-se com a prática da violência policial (somada à violência do
desemprego, dos programas de corte no sistema previdenciário e no desbarato do
patrimônio nacional com a venda da Petrobrás e das terras agrícolas) que a direita impõe
tornando inviável qualquer diálogo.

 O povo unificado define um Plano de Reconstrução
econômico, Social e Político onde não existirão privilégios de elite nem poderes paralelos.

Está preparado para escolher quem os represente. Diretas já!

terça-feira, 13 de junho de 2017

A disseminação do ódio



Hoje está fartamente comprovado, através da comunicação social, que o incentivo ao terrorismo tem sido feito pelo imperialismo liderado pelos Estados Unidos e com o apoio de Israel e União Europeia além de nações subordinadas como Arábia Saudita, Qatar e outras que se entusiasmaram com as invasões realizadas pela NATO contra Iraque, Egito, Libia e agora a Síria que tem resistido heróicamente. A mídia serviu de instrumento para culpar "grupos étnicos ou religiosos" aos quais foram entregues armamentos e apoio financeiro pelos paises ricos, mas hoje vê-se obrigada a revelar a estratégia assassina dos poderosos que ocuparam (e ocupam) os papéis de Presidentes daqueles paises.

Trump, na exibição da sua truculência, tem ajudado a revelar todo este crime organizado contra a humanidade na medida em que procura assumir a liderança absoluta do império capitalista. É desbocado, agressivo, temperamental, bruto e autoritário, ao falar com os seus parceiros despertando animosidades pessoais. Juncquer, em nome da União Europeia tentou minimizar a crispação produzida com as ordens dadas por Trump aos governantes das nações associadas, referindo Trump com um mentecápto a quem falaram "devagar e com frases curtas para que pudesse entender", sobre a necessidade de cumprir o Acordo de Paris sobre o clima planetário em perigo. Nada falou sobre a responsabilidade imperial sobre a expansão do terrorismo que hoje invade o território europeu que mantém a NATO, apesar de Trump ter reclamado que a UE não tem pago a manutenção desta ponta de lança do imperialismo. O Clube de Bildemberg convidou seus membros para estudar secretamente uma solução globalizante.

Até a mídia subalterna deixou visível que, para não tocarem no tema principal - a promoção do terrorismo que destruiu várias nações no Oriente Médio e Norte da Africa provocando milhões de mortes e o problema insolúvel da migração desesperada de milhões de foragidos pelo mundo afora - surgiu uma desavença entre a liderança norte-americana e a UE, que foi situada na questão do Acordo de Paris sobre os efeitos da poluição sobre o clima planetário. Este desentendimento permite aos poderosos da UE fazerem campanhas de aparência democrárica que favorecem os sentimentos populares. E, além dessa percepção para os que não se deixam comover com as "boas maneiras e beijinhos a torto e a direito distribuidos às populações europeias", as grandes notícias midiáticas (que superam até o negócio futebolístico) passaram a ser os actos terroristas que se sucedem na França, Bélgica, Inglaterra e Alemanha.

Só não vê a relação entre os financiadores de terrorismo e a vingança dos seus "alunos" sobre as populações europeias (principalmente com a criação do auto proclamado Estado Islâmico, que foi o gato com rabo de fora, depois do Al Qaeda dos amigos de Busch), que a fábrica de terror é o imperialismo não só com os incentivos bélicos e financeiros, mas com a criação de uma psicologia social baseada no ódio e na volúpia patológica dos assassinatos e suicídios. 

Basta percorrer os vários canais com filmes norte-americanos em maioria, a internet, os livros, revistas e jornais, as propagandas em roupas e brinquedos para crianças e jovens, para se ter uma imagem tenebrosa da cultura midiática e publicitária que ha anos domina as sociedades alimentando o ódio, a esperteza dos agressores, o medo dos que permanecem pacíficos, o oportunismo dos que se aliam aos fortes. Será necessário "falar devagar e com frases curtas" (como ensina Juncquer ao tratar com um governante estúpido) com todos os governantes da Europa e dos Estados Unidos? Serão todos mentecáptos ou coniventes com o grave plano assassino imposto à humanidade?

Putim criou uma legislação para punir os que "incentivam o suicídio". É um bom começo mas não resolve a raiz do problema da formação mental negativa que paira sobre a Terra.

O movimento de massas no Brasil tem explicado que na luta social "não existe discurso de ódio, mas sim o discurso da luta de classes". É também o que ocorre em outros países em que os protestos dos trabalhadores, assim como de grupos discriminados - de gênero, étnicos, etc.- se multiplicam e integram-se nas manifestações sindicais que unem os trabalhadores de todas as profissões, incluindo estudantes, professores, médicos, artistas, policiais, que vêm os seus direitos trabalhistas negados e as suas carreiras cortadas. 

Combatem a injustiça social que os governantes não têm capacidade de resolver por se submeterem às contingências criadas pela política financeira e pelos planos neo-capitalistas de domínio multinacional. Protestam contra a destruição dos serviços públicos de carácter social, como a saúde, a previdência, a saúde, a cultura: tornando a educação uma mercadoria, que  visa o vestibular ou um tipo de trabalho servil, uma educação sem perspectivas sociais e que não tem como objetivo oferecer aos jovens uma compreensão mais lúcida e complexa da realidade; criando uma medicina para vender produtos da indústria farmaceutica sem questionar o consumo de alimentos nocivos e as pressões psicológicas que oprimem os cidadãos produzindo doenças; reduzindo as pensões de velhice e aumentando o tempo de trabalho que impedem os idosos de usufruirem de uma velhice desafogada com as merecidas alegrias do descanso e convívio social; criando eventos culturais com objectivos comerciais, de baixa qualidade cultural e dominado pelos sons e luzes que esmagam a sensibilidade humana.

As metas dos governos capitalistas são de teor bancário, nada tem a ver com o desenvolvimento do ser humano. Tudo conflui para o domínio e manipulação dos cidadãos estupidificando-os sob a liderança de uma elite que não tem pejo em aparecer como imbecil, como ladrão, como prepotente, ditadora e criminosa. A margem deixada para os que sobrevivem sem enlouquecer é o medo ou o ódio.

Gratificante é o levantamento dos protestos populares cada vez mais organizados, sobretudo na América Latina onde os povos resistem ao terrorismo-golpista imperial na longa luta de Cuba, da  Venezuela e do Brasil, desde 2002 com Lula, e agora com a exigência de "Diretas Já!" 

Zillah Branco



segunda-feira, 27 de março de 2017

O mau uso da palavra PAZ



O sistema capitalista, para não reconhecer a crise que o despedaça em frações nacionais vitimadas pela promoção irresponsável do individualismo, da competição à procura de lucro e do desprezo pela tendência humana à solidariedade fraterna, comemora o Tratado de Roma que há 60 anos combateu a guerra entre Alemanha e França.

Assim, dizem orgulhar-se da paz criada entre duas nações que se tornaram aliadas através do poder financeiro e militar. Assim ocultam  que, para fortalecer uma Europa rica, destruiram a URSS pela guerra fria, e através da NATO e seus bombardeios, a Líbia, o Egito, a Siria, o Iraque, a Jugoslávia, a Ucrânia, e vários povos do norte da África, para além de realizarem os programas terroristas dos Estados Unidos que semeiam discórdias internas em paises alheios, em todo o Oriente médio e norte europeu, em todo o mundo. A verdadeira Paz, que só existirá com a independência dos povos a caminho do próprio desenvolvimento, desapareceu até mesmo dos sonhos dos modernos governantes.

Os discursos são desonestos ao fazerem uso de termos esvaziados dos seus verdadeiros conteúdos éticos: democracia, solidariedade, estado social, respeito humano, direitos sociais, paz, soberania, independência, justiça social. Quem comemorou a queda da URSS provocada pela guerra fria que abriu caminho para as ações internacionais mais inexcrupulosas - corrupção, crimes acobertados oficialmente, banditismo generalizado, informações falsas, violações de compromissos oficiais, promoção de anti-cultura nos órgãos de comunicação social, etc - não é capaz de aceitar o direito da humanidade de optar por outro sistema sócio econômico. Impõe os seus interesses mesquinhos de elite privilegiada fazendo uso da mesma falta de excrupulos para iludir os seus seguidores. Instituiram a negação dos princípios éticos liminarmente.

Não é por acaso que um alto funcionário da União Europeia refere os países mais pobres da Europa como irresponsáveis e dissolutos, que usam os apoios financeiros "com mulheres e copos", como diria um inquisidor medieval ou calvinista fanático. Ele está preocupado em descobrir o caminho das suas moedas dentro dos limites da sua falsa moral, não o benefício social alcançado por um povo que constrói a sua independência. A sua imaginação viciosa não alcança para além do que vê na sua roda de amigos de elite. Que sabe êle da produção nacional? Da educação e da saúde social? Da vida dos trabalhadores em miséria?

Os trabalhadores que aguentam os programas de austeridade é que têm fundamentos éticos para criticar os devassos das instituições financeiras que usam pessoalmente os recursos de todo um povo e jogam e roubam o que deverá ser pago por quem trabalha duramente e vive em péssimas condições. Mas o calvinista inquisidor Presidente do Eurogrupo não tem discernimento para tanto.
Os seus valores são apenas os sonantes. Ética está fora do mercado.

Portugal, país pobre e honrado

Em Portugal, o golpe militar que derrubou a ditadura de Salazar/Marcelo Caetano em 1974 contou com duas intenções opostas: a de realizar a justiça social dando condições ao povo para criar as bases do desenvolvimento social que tornariam Portugal independente (tese da esquerda civil e militar) e a que pretendia substituir uma fórmula política esclerosada de ditadura por outra versão moderna idealizada pela Europa e Estados Unidos (tese da direita, do PSD e do PS e Internacional Socialista).

O PCP trabalhara clandestinamente, durante quarenta anos, junto aos trabalhadores rurais e urbanos de todo o país pela consciência do seu papel condutor na transformação nacional e os militares de esquerda apoiaram o Movimeno das Forças Armadas e o seu líder Coronel Vasco Gonçalves que foi Primeiro Ministro durante um ano e meio em que levou à prática as principais medidas soberanas: fim da guerra colonial e libertação das colonias; nacionalização da banca e instituições financeiras; criação do salário mínimo nacional e da legislação do trabalho; fim do latifúndio e Reforma Agrária através de Unidades Coletivas de Produção e Cooperativas geridas pelos trabalhadores sob supervisão do Estado que assumia as propriedades e garantia os contratos de trabalho; nacionalização das empresas de interesse do Estado; criação de sistemas nacionais de saúde, educação e segurança social.

Com a ameaça de guerra civil pela direita, o coronel Vasco Gonçalves foi substituido por Mário Soares que legislou para destruir todo o programa de esquerda. Restou a Constituição que fora assinada por todos os partidos, de esquerda e de direita (exceto o CDS) como unico traço jurídico do que fora a utopia popular e da esquerda comunista e democrática formada na luta contra 50 anos de ditadura.

Até 2016 os governos eleitos alteraram PS e PSD, ambos comprometidos com as políticas determinadas pela União Europeia que foi injectando financiamentos para que Portugal tivesse estradas suficientes e de qualidade para a circulação de mercadorias recebidas nos seus portos, e grandes superfíceis comerciais estrangeiras contruiram os seus armazens modernos que venceram facilmente o antigo comércio logista do país, agora só presente em pequenos centros urbanos. A produção de vinho foi reorganizada, também para serem criadas grandes empresas que absorvem as boas castas de pequenas produções. Muitas produções de uvas e de laranjas foram destruidas por serem inadequadas ao padrão comercial da CEE apesar de serem deliciosas.

Portugal assumia a posição de marginal à economia europeia e aceitava a condição de dependência que os ricos paises da Europa impuseram através dos investimentos que geraram uma dívida incomportável para o seu PIB (gerida por bancos nacionais e estrangeiros que desviaram grandes quantias para paraisos fiscais e corrupção de funcionários do Estado) e o controle da Troika que limitou ao mínimo as despesas com o desenvolvimento social. O ultimo Primeiro Ministro do PSD, Passos Coelho, recomendou à juventude formada em Portugal que emigrasse. Foi o que fizeram, levando o benefício da formação portuguesa para outros paises que os contrataram. Mas este foi também o caminho de milhares de desempregados e de tecnicos conceituados a quem mal pagavam no seu país. Foi desertificado o patrimônio construtor do desenvolvimento nacional.

Falsa riqueza desperta consciências

Diante da austeridade insuportável, da fome que levou o pais a ter que criar a distribuição de alimentos sob a forma de caridade que humilha a população trabalhadora, a subalimentação das crianças e idosos, os casos de suicídio e doenças agravados pela miséria, a população seguiu a liderança do PCP, dos Verdes, da Intersindical, do Bloco de Esquerda, de várias Associações democráticas e de esquerda, e encheu as ruas de protestos que abalaram algumas consciências até mesmo conservadoras. A eleição em 2016 alterou a composição das forças políticas do Parlamento elegendo uma maioria de esquerda. Apesar de o PSD ter obtido o maior número de votos porque se coligara com o CDS de direita, a maioria parlamentar indigitou o candidato do PS para Primeiro Ministro. Venceu a maioria de esquerda que fez a Revolução dos Cravos, dentro de uma Europa amordaçada.

Toda esta mudança foi proposta pelo Secretário Geral do PCP em diálogo com as demais forças políticas de esquerda para surpresa até mesmo do PS (ou da direita socialista eternamente anticomunista). Mas prevaleceu e encontrou uma nova camada socialista que recomendava ao PS que "fizesse a sua autocrítica" () e assumisse uma postura coerente com os princípios democráticos que diferiam dos da UE. A direita, demorou a aceitar a realidade, que o Poder Judiciário precisou comprovar como válida a opção do Parlamento onde foi constituida uma aliança da esquerda com o PS, deixando a direita como oposição. Os radicais da direita deram o nome de "geringonça" que combinava o que eles pensavam ser esquerda e direita.

A realidade é outra, mais profunda, que supõe a necessidade do PS de não se deixar engolir pela UE que está dominada pelos EU e vendida ao poder financeiro mundial em crise. Supõe, por outro lado a dialética que abre oportunidades a novas maneiras de ver o processo político que, tal como está, pode escorregar para o caos planetário. Muita gente percebe que a ganância impede o equilíbrio entre a classe trabalhadora e os empregadores que gostam de ser ricos, mas em uma sociedade equilibrada onde a elite inútil e esbanjadora não agrada a ninguém. É uma mentalidade mais objetiva e empreendedora, que conserva a ética como princípio no relacionamento humano.
O desafio para eles é tentar cumprir todos os compromissos com a esquerda, sem perder o apoio dos sociais democratas na UE. Não é fácil, mas para quem acredita na luta, não é impossivel.

Até agora a chamada "geringonça" tem sido uma aliança crítica porém cautelosa para dar tempo às mudanças que poderão ocorrer entre os conservadores, graças à dialética. Não se pode esquecer que a UE está em crise, que a Inglaterra se afastou da União Europeia, que o pagamento das dívidas têm levado os países à miséria e à perda da soberania (como foi o caso da Grécia), que o problema dos refugiados das guerras é crescente e ameaçador para o fraco equilíbrio social, que o corte aos orçamentos de serviços sociais agrava as tensões internas em todos os países e acentua as carências, que o aumento das grandes fortunas beneficiadas por tráfico de capitais mal fiscalizados levanta uma onda de justa indignação e a queda da credibilidade das instituições financeiras e de justiça nacionais na UE, que a eleição de Trump tornou inseguro o equilibrio entre a UE e os EU e ameaça a criação de um ambiente de paz mundial.

Paulo Portas, ex-Presidente do CDS, da direita radical, escolheu um nome (que lhe pareceu pejorativo) de "geringonça" para o que lhe parecia uma aliança entre um PS - da direita social democrata europeia - com a esquerda comunista somada aos Verdes, e ao Bloco de Esquerda (que reune ex-radicais de esquerda e dissidentes do PCP).

Acontece que o termo "geringonça" explica uma realidade muito comum a quem pensa, cria, luta e vence, sem recorrer aos financiamentos que impõem condições ultrajantes ou a teorias escritas em economês que poucos digerem. Corresponde à realidade de um país pobre, de rica história passada, que fez uma revolução de meta socialista em 1974 e construiu uma reforma agrária estudada e admirada internacionalmente, inclusive pela FAO, produzindo a Constituição Nacional mais avançada da Europa. Deixou uma população com consciência de classe, que foi traida pela direita (de vários partidos), a qual vendeu a Pátria por milhões de euros que voaram para não se sabe onde, deixando-a sem produção própria e curvada à vassalagem dos ricos paises que financiam boas estalagens para aqui gozarem férias com boa comida e muito vinho.

Este quadro transformou o próprio PS, sobretudo uma juventude honesta que ali cresceu valorizando os conceitos de socialismo, democracia, justiça social, e conhecendo o vigor da população no 25 de Abril e o sofrimento depois de traida e tornada vítima da dívida bancária cobrada pela UE. Não se sentiram diminuidos por participarem da "geringonça" que defende os trabalhadores que não deixam de lutar pelos seus direitos, os estudantes que exigem melhores condições de ensino, os idosos que reclamam o apoio da Previdência e um sistema de saúde para todos.

A "geringonça" funciona porque à esquerda existe ética e as palavras não falseiam o conteúdo para efeito eleitoral. Não há oportunismo como é hábito da direita gananciosa. Importante é a admiração desta fórmula por outros países para impedirem a eleição de fascistas nas próximas eleições.

Zillah Branco