sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Imperialismo manipula instituições secretas




Artigo divulgado em OLadoOculto 28/12/18

A história do sistema capitalista repete-se, nas várias regiões do planeta, variando em função das diferenças estruturais entre os países. Dialéticamente produz os anti-corpos com que as nações se defendem da submissão ao imperialismo - a forma superior do capitalismo - fortalecendo o seu próprio desenvolvimento social e econômico e afirmando a soberania nacional no contexto mundial.

No chamado "terceiro mundo" (quando não havia a preocupação em disfarçar com uma  máscara  de desenvolvimento que envolvia a elite nacional como se fosse uma semente a ser "democratizada" com a "evolução" do povo), o controle imperialista agia despudoradamente aplicando as decisões tomadas nos países mais ricos como imposições às nações que "por serem pobres" cumpriam obedientes. Viviam como "colonias" ou "agregados", conforme os termos assinados pelas respectivas elites que detinham o poder.

Depois da Grande Guerra, pacificada graças à necessária aliança dos países ricos capitalistas com a recém-formada URSS - União das Repúblicas Socialistas Soviéticas - que vencera o exercito de Hitler com o apoio do seu povo revolucionário e a força militar do Exército Vermelho, a linguagem política foi alterada para evitar os preconceitos utilizados relativos à dependência dos "pobres", ou "subdesenvolvidos", como se fosse uma fatalidade. Com uma substituição de títulos, o "terceiro mundo" passou a ser considerado "em via de desenvolvimento" e a "democracia" (privilégio da burguesia rica) passou a escoar como esmolas para as classes trabalhadoras, em pílulas cosméticas traduzidas em leis laborais.

A ONU, definida com base nos princípios dos Direitos Humanos e da Igualdade entre todos os povos, desenvolveu as suas funções no sentido do reconhecimento das lutas nacionais contra o domínio colonizador e a presença estrangeira que impunha medidas aos governantes subalternos. Com o apoio do sistema socialista muitos povos puderam organizar os movimentos de libertação nacional e expulsaram os seus colonizadores criando governos autonomos que a ONU reconheceu. O vocabulário político mudou, sendo banidos os termos "colonia", "subdesenvolvido" e "terceiro mundo", assim como "imperialismo" (este sendo considerado um "chavão" dos comunistas) e os governantes dos países ricos viram-se obrigados a apertar as mãos dos seus antigos "colonizados", como seus iguais, de várias etnias reveladas pelas vestes e pelos idiomas.

Só as palavras mudaram
Porém, a realidade do domínio e opressão continuou.
Mas, a maneira de poder intervir na vida de cada país - que continuava a lutar pela sua independência e soberania nacional desenvolvendo as suas forças produtivas que permaneciam oprimidas nas relações com o mercado externo e as taxas relativas a transporte, utilização de portos, sistema cambial etc., pertencentes aos países ricos - tornou-se apenas mais discreta para o imperialismo.

Em 1986, na Europa, foram divulgados os processos jurídicos, que se multiplicaram na Itália, a partir do sequestro e assassinato de Aldo Moro. Desvendaram uma teia complicadíssima do relacionamento entre forças imperialistas que se introduziram na Loja Maçonica dos Estados Unidos, na OPUS DEI (vinculada ao Vaticano) e na Máfia Italiana, manipulando destacados membros de cada uma dessas instituições para penetrar nas estruturas governativas e impedir qualquer tipo de aliança com forças de esquerda.()

Todas essas instituições têm em comum o "secretismo" imposto aos seus membros e uma função "protetora dos que trabalham pelo bem comum na sociedade". Esta imagem humanista e generosa reconhecida nas sociedades através dos tempos era o aval de uma conduta sempre positiva e respeitável, independente das oscilações políticas ocasionais  causadas históricamente. Nada melhor para o imperialismo que utilizar as estruturas seculares de tais organizações espalhadas pelo mundo, introduzindo através de novos participantes que transmitiam objetivos de ação política junto a competentes membros (mediante convencimento ideológico e aporte financeiro), que garantiam o secretismo mesmo dentro da instituição e escolhiam os executantes contratados para atuarem no interior da estrutura dos Estados.

Jornalismo com coragem
O autor de "O Labirinto da Conspiração" (1) explicita que os textos tratados são sobre política porque as seitas referidas (a maçonaria norte-americana à qual pertencem destacados quadros das empresas multinacionais, a Logia Propaganda Due P-2 que foi desmantelada na Itália, a tentacular Opus Dei liderada pelo padre José Maria Escrivá de Balaguer, e a Máfia) foram objeto de apurados estudos jurídicos na Itália que fundamentaram processos onde foi revelada a interligação entre elas para forjar caminhos aparentemennte legais na prática dos serviços públicos ou eliminar físicamente os quadros que ousaram opor-se a eles.

Aquele trabalho não contém um ataque a instituições como a Igreja Católica ou à Maçonaria: "Limita-se a denunciar as organizações e as pessoas que se aproveitam do prestígio dessas entidades para tentarem atingir objectivos que nada têm a ver com a religião ou a procura de uma maior justiça social". O que denuncia é a constituição de um sistema supra-nacional que as articulou e manipulou com recursos internacionais de uma rede subversiva secreta.

"As seitas secretas inserem-se transversalmente na sociedade, ignorando partidos e fronteiras. Os interesses aglutinadores são os do grande capital e a imposição de soluções políticas conservadoras que assegurem o afastamento das forças progressistas das áreas do poder".

Os Tribunais registaram
Na sequência de inúmeros escândalos financeiros com aparentes vínculos com assassinatos de personalidades como o dirigente democrata cristão Aldo Moro em 1978  e o do juiz Emílio Alessandrini que apurou irregularidades no Banco Ambrosiano em 1979, seguido por vários assassinatos de quem investigava as irregularidades de Michele Sindona, (entre outros o juiz Giorgio Ambrosoli) que comprara a Banca Privata Finanziaria em 1964 tornando-a a base de todo o sistema financeiro.

É longa a lista de processos, prisões, assassinatos e falências bancárias que culmina em Fevereiro de 1986 em Palermo, com o julgamento de 467 réus da Máfia. Em Março Michele Sindona é condenado à prisão perpétua por envolvimento no assassinato do juiz Giorgio Ambrosoli, sendo envenenado quatro dias depois com cianeto.

"As seitas de que aqui se fala fazem parte de um todo, são instrumentos mais ou menos coordenados de um sistema de opressão que, sentindo-se ameaçado, cria exércitos na sombra, preparados para eventualidades possíveis e prováveis (...) Os homens da velha ordem recorrem a tudo para deter a marcha inexorável do tempo porque sabem não lhes pertencer o futuro. De tal modo se enredam nas suas próprias teias que os seus enredos acabam por ser conhecidos", afirma o jornalista de "o diário", Villaverde Cabral.

Entretanto, diante da crise do sistema capitalista, essa forma de manipulação de instituições que de alguma maneira preservam a sua independência dentro do chamado Estado de Direito prossegue, como no Chile de Allende com a infiltração nas forças armadas que executaram o golpe de Pinochet, e agora no Brasil com a manipulação da Igreja Evangélica Pentecostal, o domínio incontestável do sistema judicial, para não falar no controle global dos meios de informação e comunicação social.

Servindo-se das redes sociais expandidas pela internet, conforme o plano de Steve Bannon assessor de Trump, levaram a sua falsa mensagem de combate à corrupção promovendo uma figura de valentão e torturador como lider dos cidadãos que sofrem a opressão do sistema. E conseguem formar um governo que pretente destruir todas as conquistas sociais alcançadas sob a orientação de Lula (não sendo improvável encontrar os mesmos intervenientes imperialistas do processo italiano, no golpe e no resultado eleitoral ocorrido agora no Brasil).


1) Em 1986 o jornal "o diário" criado por Miguel Urbano Rodrigues em Portugal divulgou, segundo o depoimento do jornalista A.Villaverde Cabral "uma série de reportagens-dossier(…) em "o diário", por certo o único jornal português com coragem para o fazer". Foi a base da edição de "O Labirinto da Conspiração" de J.M.Goulão.



Zillah Branco
29/12/18

domingo, 16 de dezembro de 2018

Ha melhores caminhos para a humanidade



Publicado no O Lado Oculto
15/12/18

A humanidade tem sofrido as consequências da crise do sistema capitalista que estrebucha no mundo inteiro, agravando a miséria que derivou da ganância criminosa das elites imperialistas. Novamente ressurgem grupos fascistas que agravam as situações caóticas com o seu habitual vandalismo, utilizando as manifestações pacíficas das populações que reivindicam os seus direitos já consignados (nem sempre cumpridos pelos Governos) nas Constituições nacionais e nos Princípios da ONU. O grande exemplo, recente, explode agora em Paris, em plena época natalícia, quando o comércio exibe a beleza luminosa das suas convidativas promoções como incentivo ao descontrolado consumismo.

É a época do caos que lembra Nero na decadência do Império Romano. Os fugitivos de regiões mantidas na miséria pelas políticas colonialistas, somam milhões de cidadãos expulsos dos seus países assaltados por invasores organizados em exércitos ou grupos terroristas (armados pelo imperialismo) que além de matarem impiedosamente, provocam o aumento imparável das condições de miséria impostas a países que perderam a sua soberania e são escravizados por um poder estrangeiro que pretende ser unipolar.

Os atos de agressões são "justificados" pela mídia global com base em farta documentação que segue o modelo das leis, com extensas análises jurídicas e fundamentações em linguagem científica, forjadas por burocratas altamente remunerados para defenderem as elites e condenarem os trabalhadores. E, dessa forma, divulgam os desígnios dos que promovem a comercialização dos produtos de maneira a obterem lucros com os sistemas de extração das riquezas do subsolo, compra e venda do produto bruto, transporte, embalagem, promoções, autorizações e proibições que regulam a dependência de nações pobres e o domínio por grandes empresas acima da soberania de qualquer pátria. E formam a opinião pública treinada  como papagaios.

A missão da ONU

Mas, afinal, este desgoverno quase planetário, tem uma organização criada depois da Grande Guerra - a ONU - para manter o equilíbrio multipolar. Com a paciência proverbial dos orientais foi um embaixador da China no Reino Unido, Liu Xiaoming, quem divulgou a mensagem lúcida: "O Grupo dos Vinte (G20) deve enviar uma mensagem clara de defesa do multilateralismo para conduzir a globalização econômica pela direção correta", disse antes da cúpula do G20 na Argentina em um recente artigo, assinado, publicado pela revista britânica “First”.

Liu disse que o G20 é um “importante campo de batalha” para proteger o multilateralismo por ser um local importante para que os países desenvolvidos e em desenvolvimento participem de consultas e tomem decisões em pé de igualdade sobre assuntos de desenvolvimento e governança global. Chama a atenção para que a ONU "defenda o espírito de associação, reforce a confiança global e trabalhe por um crescimento econômico mundial robusto, sustentável, equilibrado e inclusivo".

Ao indicar que a metade dos membros do G20 é constituída por países em desenvolvimento, Liu comentou: (o G20) “tem a obrigação de criar mais oportunidades para eles, promovendo o crescimento econômico mundial, e lhes oferecer mais apoio com o impulso da cooperação internacional para o desenvolvimento”. Ao referir a necessidade dos países conquistarem a sua soberania mediante a organização dos seus próprios planos internos com base no "desenvolvimento sustentável e estabelecendo políticas associativas preferenciais", o embaixador Liu revela: "Na China, 40 anos de reforma e abertura não só criaram um milagre de desenvolvimento mas também oportunidades enormes para o mundo”.

O Presidente da China, Xi Jinping, no encontro do G20, observou a necessidade de promover condições de crescimento da produtividade e de associativismo para todas as nações em desenvolvimento com vistas ao futuro das relações de produção. "Neste processo, os países estão se tornando cada dia mais, uma comunidade com interesses compartilhados, responsabilidades compartilhadas e um futuro compartilhado", observou Xi, enfatizando que "a cooperação de ganhos recíprocos será a única escolha no futuro."

As pontas de lança do imperialismo

Enquanto a ONU promove debates no G20 onde a preocupação com a paz e a possibilidade de desenvolver as forças produtivas dos países por meio da colaboração global, o ideólogo de Trump, Steve Banon, forma um instituto universitário na Itália para formar especialistas em tecnicas digitais para invadirem as redes sociais consideradas "alternativas" à mídia hegemônica e apoiarem a direita fascista no assalto ao poder até agora ocupado pela social-democracia. As suas experiências expandem-se pelas nações europeias, como se assiste em Paris, e ameaça outras capitais, depois de terem sido iniciadas na América Latina contra as forças progressistas que, ha duas décadas, formaram governos e promoveram associações regionais que abriram caminho para a recuperação da soberania nacional e a promoção do desenvolvimento das respectivas forças produtivas nacionais.

Este novo caminho para um futuro de liberdade e democracia, que surgira no Brasil com a eleição de Lula - como na Venezuela, Nicaragua, Argentina, Bolívia, Uruguai, Paraguai - foi cortado brutalmente pelo processo fascizante de Trump e Banon, conjugado com a iniciativa de promover o golpe através de Temer e sua camarilha (com apoio das forças da ditadura militar adormecidas desde 1985) para eleger Bolsonaro. Antes mesmo da sua posse no governo, este fantoche do moderno fascismo promove um encontro com os seus colegas reacionários em uma Cúpula Conservadora das Américas,"a primeira do gênero, uma iniciativa bolsonarista que tentará aproximar reacionários do continente para ações políticas conjuntas. A “fauna” a se reunir no dia 8/12 em Foz do Iguaçu, no Paraná, será variada e terá como estrela bolsonarista o filho caçula do ex-capitão, Eduardo, uma espécie de chanceler paralelo do futuro governo do pai.

Com ele estarão: um presidenciável chileno admirador de Augusto Pinochet, um exilado cubano acusado de terrorismo nos anos 1980 e uma senadora colombiana que nega ter havido um fato histórico reconhecido por historiadores de seu país, a matança de mil e oitocentos camponeses grevistas em 1928. Também da Colômbia, falará, mas por videoconferência, um ex-presidente que renunciou ao Senado neste ano por acusação de suborno e fraude e depois voltou atrás na renúncia, embora o processo contra ele siga na Suprema Corte. Trata-se de Álvaro Uribe, presidente de 2002 a 2010, que participará de debate sobre segurança, um dos quatro temas do evento."(como revela a mídia 'alternativa', canal 247, no Brasil).

E a mídia global, amarrada aos financiamentos do sistema imperialista, prossegue nos "fakes news" habituais que repudiam as nações que ousam defender o caminho da democracia e da soberania dos povos, ocultando as revelações dos chineses que apoiam a reforma necessária da Organização Mundial do Comércio, e acreditam que "é crucial defender os valores essenciais e princípios fundamentais da OMC como abertura, abrangência e não discriminação, e garantir os interesses de desenvolvimento e espaço de política dos países em desenvolvimento", como frisou o presidente chinês.

É importante ressaltar o esforço de um país dirigido pelo Partido Comunista (e, por esta razão ser alvo de ataques preconceituosos pela forças retrógradas que orientam a mídia global) que defende "as três ferramentas definidas pelo sistema capitalista para o organismo internacional: políticas fiscais, monetárias e reforma estrutural, a serem aplicadas de modo holístico para garantir um crescimento forte, equilibrado, sustentável e inclusivo da economia mundial," como disse Xi Jinping pedindo que  "esteja comprometido com a cooperação de ganhos recíprocos para promover o desenvolvimento mundial inclusivo."

Êxitos de governos progressistas

É importante acompanhar os êxitos de governos progressistas, como os da Venezuela e da Bolívia, que marcaram as suas trajetórias no combate sem tréguas ao neoliberalismo e fortaleceram a política governamental voltados para as características dos seus povos e traçando planos para satisfazer as necessidades prementes de sobrevivência e desenvolvimento. Os projetos desses governos priorizam o crescimento forte, equilibrado, sustentável e inclusivo da sua população, além de participar da troca de produtos e de experiências com os demais, a nível tegional e internacional. Aplicam os princípios que foram teorizados pela ONU, tornando-os uma realidade humanista, além de política.

Apesar das falsidades que a mídia global despeja sobre o mundo, a Venezuela constrói desde 1998 o caminho traçado por Hugo Chaves na defesa dos Direitos Humanos, com liberdade de expressão, melhor distribuição de rendas, redução do analfabetismo, ensino e saúde gratuitos, democracia participativa que inclui o referendo revogatório para leis nacionais. São análises internacionais (International Consulting) que registam 80,9% de apoio popular ao Presidente  Maduro, 85,4% condenam os atos de violência e 80% da mídia no país é privada. Enquanto Trump ameaça invadir a Venezuela e estimula a fuga de uma burguesia que lamenta a impossibilidade de explorar os trabalhadores naquela nação, o governo de Nicolas Maduro promoveu, dia 9/12, uma eleição da estrutura de poder local que abrange 2.489 cargos municipais, alcançando o apoio de 92,8% dos resultados para o Grande Polo Patriótico que reune várias organizações, o que comprova a realidade de um povo que continua a ser soberano.

A Bolívia era um dos países mais pobres da América Latina quando as suas riquezas minerais - gás, petróleo e estanho - eram exportadas em bruto por empresas multinacionais associadas às velhas famílias oligárquicas do país. Com a eleição de Evo Morales, líder indígena, que formou um governo disposto a combater o neo-liberalismo e estabelecer um equilíbrio plurinacional com reconhecimento das identidades indígenas, estatizou as empresas de exportação e passou a ter um crescimento anual do PIB em 5%. Assumiu o controle das terras e redistribuiu em propriedades privadas pequenas e médias, estabelecendo um controle sobre a cadeia produtiva de modo a garantir o auto-abastecimento alimentar. Esta experiência que tem permitido o reconhecimento internacional dos seus êxitos abre importante campo de estudo antropológico da riquesa cultural indígena, a começar pela capacidade de organização comunitária para assegurar a sobrevivência com recursos limitados em condições climáticas adversas, devido ás elevadas altitudes e baixas temperaturas, e pelo uso de produtos naturais com qualidades medicinais. O primeiro exemplo é o da folha verde de coca - que não deve ser confundida com a branca, da cocaina, utilizada pelo narco-tráfico combatido na Bolívia.

Com a preocupação de "superar 500 anos de desprezo, ódio, escravidão e exterminio pelos colonialistas", como disse Evo Morales na Assembleia da ONU, traçaram um caminho de "refundação" do Estado, de modo a priorizar os serviço públicos sociais para eliminar as carências e taxaram as grandes fortunas e os elevados lucros para manterem alianças apenas com empresas privadas adequadas. A Constituição de 2009 estabelece que os serviços públicos devem ser considerados como Direitos Humanos. Para a sua plena aplicação, reduzem contínuamente os preços da água, do gás e da energia elétrica. Já foi eliminado o analfabetismo e feitos investimentos em centros culturais e desportivos, construídas estradas e teleféricos, e promovida a construção de um porto no Perú para atender ao movimento de importação e exportação boliviano. O gráu de pobreza que era de 63% da população em 2004 foi reduzido para 39% em 2015. É um processo gradual, principalmente pelas pressões do imperialismo e da mídia hegemônica, mas que tem evoluido permanentemente, segundo as avaliações da ONU.

E, no mesmo caminho aberto pela Venezuela e Bolívia, agora surge o México que elegeu Lopez Obrador - incentivador, em 2012, do Movimiento de Regeneración Nacional que promoveu a coligação das forças de esquerda. A sua vitória ficou assinalada pelas fortes palavras com que definiu o programa de governo "contra a corrupção e os abusos de privatização que constituem a marca do neoliberalismo". Anunciou o corte dos mais elevados salários do Estado, a começar pelo seu, como Presidente, o aumento em 100% do salário mínimo nacional e a cobrança de impostos sobre fortunas e rendimentos de grandes empresas.

Nesta fase crítica do capitalismo, os conceitos teóricos que sempre fizeram parte da definição de princípios da ONU e dos discursos populistas utilizado para conquistar o apoio eleitoral das populações - direitos humanos, democracia, previdência social, saúde universal, educação gratúita para todos, solidariedade com povos vitimados por catástrofes - com as promessas de criação de Estados Sociais e de laços de amizade sem discriminações face às diferenças econômicas e culturais, assumem uma condição única e urgente para a superação do caos que envolve também o continente europeu e os países mais ricos de outras áreas geográficas. Exige-se discernimento e coragem cívica para dignificar os altos cargos das estruturas políticas a nível nacional e internacional. É o momento da unidade com respeito pelas nações soberanas em um mundo multipolar.

Zillah Branco




sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Uma história mal contada pelas elites


O caos que hoje se alastra pelo mundo, abalando ricas cidades, como Paris, e ameaça outras nações europeias,  é alimentado pelos que destroem os valores fundamentais dos seres humanos. A confiança nos governantes, nos Estados dito de "direito", nas instituições internacionais e regionais do sistema capitalista, tem desaparecido ao longo dos anos desde a Segunda Grande Guerra que foi mascarada pelos "aliados do imperialismo" para disfarçar o seu interesse principal contra a Revolução Socialista.

A ONU foi criada como um laço fraterno para levar para os países mais pobres o caminho para o desenvolvimento e a segurança, alcançado pelas nações mais ricas da Europa e da América do Norte, enquanto foi desencadeada, sorrateiramente, a Guerra Fria. O objetivo era minar a experiência da primeira potência socialista - URSS - e destruir as condições de êxito revolucionário na China, Cuba, Vietnam, Coreia e Laos que, suportando as condições de subdesenvolvimento, não preocupavam os poderosos do sistema contrário, que desconhecem as capacidades de auto-sustentabilidade de povos unidos na luta pela sobrevivência com democracia e soberania. Predominou uma versão social-democrata centrista no pretenso governo mundial, capitalista. Foi criado o Estado Social nos paises mais ricos, dando um desafogo financeiro à classe média que se serve dos emigrantes das ex-colonias ou dos países invadidos pelo imperialismo, nos trabalhos mais pesados e sem garantias trabalhistas.

O poder financeiro imperialista afectou a percepção racional da elite ocidental que desdenhou, desde o fim da Grande Guerra, a importância da dignidade e da ética nos seus líderes nacionais e internacionais. É visível a decadência que se seguiu no comportamento dos chefes dos principais governos capitalistas, mais preocupados com a promoção da imagem de poder absoluto que o exemplo de integridade e honestidade que lhes poderia grangear a admiração popular. Confiaram nas conquistas de meios financeiros que, combinados com o desenvolvimento tecnológico, científico e militar das estruturas governamentais, criaram uma distância social em relação ao povo subalternizado, dividido em trabalhadores e classe média. As polícias, assim como os setores da inteligência e da fiscalidade, passaram a proteger com maior autoridade e violência, os governantes e seus parceiros da elite financeira. A imagem é a do capital que tudo compra, e na violência com que se protege, tal e qual os antigos monarcas absolutistas.

A personificação do "poder absoluto", autoritário e bem armado, não supõe contradições passíveis de diferentes interpretações. Não devem existir outros pontos de vista. A primeira degradação na estrutura do Estado ocorreu no âmbito da Justiça, que subordinou as leis às conveniências da elite para encontrar soluções (ilegais, porém possiveis) para os múltiplos crimes cometidos pelos governantes e seus amigos. Foi necessária a criação de uma rede de compromissos entre sectores judiciários, de segurança pública e de informação, aliada à elite política e financeira. E, a partir dessa rede, outra ligada aos setores privados, que assumiu a função de preparar as eleições com caracter democrático, fazendo uso da comunicação social e promovendo alianças com os diferentes partidos, além de utilizar grupos terroristas para instaurar o medo às oposições.

A figura central, de Presidente, tornou-se apenas um boneco com a aparência de compreensivo com os infortúnios humanos, responsável pelas aparências de boa gestão dos recursos nacionais, e promotor das conquistas científicas e tecnológicas alcançadas pelos institutos privados a nível universitário internacional. A complexa administração do país e o relacionamento internacional conta com "assessores" especialistas formados pelo sistema, que é global e está acima das "insignificantes" realidades históricas em que o povo vive. Uma farsa, logo se vê! Ao compararmos a sequência de governantes das nações mais ricas, desde o final da guerra, vemos claramente o esmaecer dos traços reveladores de personalidade, de integridade, de coragem, de solidariedade, de grandeza interior. E, hoje, quando se assiste ao fim do modelo cultural que prezava a ética e a solidariedade humana, fica a dúvida, a começar diante do Presidente da potência imperialista: "Confiar em quem?"
Os objetivos da elite política do capitalismo, para os quais foi montado o complicado sistema burocrático de leis e normas institucionais, é para obter maiores lucros com a exploração do trabalho e com a utilização descontrolada dos recursos naturais. Calculam, para os que trabalham, o mínimo necessário para que produzam para o mercado, e estimulam o consumismo de inutilidades para que as moedas circulem. Isto é o mesmo que a escravidão, teóricamente  abolida há duzentos anos! Mas, as conquistas dos que lutaram nesses duzentos anos gerou leis trabalhistas, segurança social, saúde universal, escolas públicas, conceitos de higiene e habitação condigna. E, esse processo, que é reconhecido nas organizações internacionais foi assinado por todas as nações para ser adotado mundialmente! Os seus responsáveis eleitos pelos países mais ricos, nem sempre cumprem... ( o que explica também a própria decadência innstitucional).

Mas a luta continua
Ao contrário da regressão visível nas nações mais ricas, surgem nos países que conservam os princípios socialistas ou nos que têm a coragem de definir caminhos progressistas, personalidades respeitáveis que dão prioridade à implantação da democracia que garante o desenvolvimento das forças produtivas nacionais e do povo trabalhador e impõem a soberania patriótica. Surgem as imagens dos governantes que inspiram o respeito humano e a confiança, capazes de liderar os que resistem aos destruidores do valor humano.

A chama que alimentou processos revolucionários reacendem, e buscam caminhos pacíficos para construir a liberdade, a democracia real, a soberania nacional. Neste trajeto exigem o apoio efetivo da ONU e  suas Organizações: da Agricultura, Mundial de Saúde, Internacional do Trabalho, a Proteção das Crianças, a Defesa da Cultura, a definição dos Direitos Humanos e a atualização das Comissões de Nações (G7 e G20) que devem ser atualizadas para  representarem os reais interesses dos povos em um mundo multipolar.

O debate sobre os preconceitos mantidos como contra-peso da cultura imposta, através dos meios de comunicação global sob o controle imperial, desvenda hoje a ignorância que limitou a igualdade entre povos de etnias diferentes, entre gêneros, entre opções diferentes de crenças, ideologias, sexos. Os preconceitos, apresentados como verdades históricamente fundamentadas, foram formas de manipulação das consciências em formação para impedir a união dos mais pobres em defesa dos seus direitos. As condições de igualdade hoje reconhecidas mundialmente, desmistifica falsos poderes e expõe a insensatez dos exploradores e dos submissos. É um passo significativo para a liberdade humana.

Junto com os preconceitos caem também dogmas que engessavam grupos que lutavam por modelos utópicos e desaproveitavam avanços estratégicos que as condições históricas, diferentes em cada país, permitiam como passos no caminho do socialismo. Todo o último século de lutas, foi de grande maturidade na consciência dos povos, sobretudo no convívio entre nações que se desconheciam, não só entre o Oriente e Ocidente, mas com o conhecimento da realidade em que sobrevivem e despertam etnias com soluções de vida enriquecedoras para toda a humanidade. O mundo tornou-se menor, devido aos meios de comunicação e transporte, mas muito mais profundo na área do conhecimento e da revalorização dos princípios éticos e o entrosamento com a natureza.

No entanto, o poder militar do imperialismo existe como uma ameaça contra as contestações ao seu domínio, e recebe o apoio das nações mais ricas do sistema que assistem impotentes o desboroar das suas políticas neo-liberais e os protestos cada vez mais frequentes das populações exploradas. Quando tentam satisfazer parte das reivindicações do seu povo, o terrorismo é insuflado pela extrema-direita para que a coleira imperial os contenha. Assim tem ocorrido em paises da América Latina e agora ameaçam grandes capitais europeias, obrigando as elites do sistema capitalista, fantasiadas de democratas, a recusarem a construção de soluções que só existem com a integração de todo o povo em um mesmo padrão de vida e desenvolvimento. Confiemos na luta popular!
Zillah Branco (7/12/18)



sexta-feira, 30 de novembro de 2018




A meta da resistência é 

Democracia e Soberania


"Não podemos aceitar que os vícios do sistema capitalista que permitiram o golpe e a eleição de um agente do imperialismo à Presidência do país, se introduzam como virus da traição no processo que vai gerar uma aliança ética entre classes, incluindo vários setores da sociedade que será capaz de reconstruir um Brasil democrático e emergente no plano internacional".

O sistema capitalista formou a consciência pública com os valores fundamentais à multiplicação do capital para assegurar o poder aos seus detentores. Tornou-se um vício irracional a preocupação em alcançar lucros mesmo à custa da exploração dos mais fragilizados na sociedade, de vender bens alheios (portanto roubando), de escravisar e fazer uso de pessoas em troca de alimentação, de corromper pessoas com poder no Estado para obter vantagens políticas. As leis vão sendo adaptadas para aceitarem como válidas estas ladroagens. Assim se chegou, por exemplo, agora em Portugal, à cobrança de dois impostos estaduais sobre as contas de energia elétrica que acrescentam 55% do custo da parcela consumida.

Outros vícios implantados pelo sistema capitalista, através da cultura formada pela comunicação social, é a aceitação de preconceitos, assim como de mentiras ou "fake news", que condena a serem pobres todos os que são privados do acesso às escolas, à saúde, às condições essenciais de vida humana, como se isto fosse uma fatalidade ou causado por culpa dos mesmos pobres. O sistema capitalista esconde a ladroagem que sempre usa, desde que uma elite se apossou das terras e dos bens por meio de invasões e muita violência, há séculos atrás, quando se formou a burguesia que definiu o Estado moderno e teve início a produção industrial na Europa expandindo-se por outros continentes que sofreram a colonização e foram dominados pela mesma elite burguesa.

A história é antiga e hoje tornou-se conhecida devido à luta dos povos contra a escravidão e os abusos de poder da elite, obrigando-a a disfarçar-se de "democrata" e a criar uma versão do Estado "de direito". O Brasil teve, no governo de Getúlio, a introdução dos princípios de independência econômica - para afirmar a soberania nacional perante a cobiça do neo-colonialistas - e o reconhecimento de direitos trabalhistas que definiam como classe social os pobres; mas foi com Lula na Presidência da República, que o Estado implantou os recursos sociais para elevar as condições de vida da classe trabalhadora para que se beneficiasse das condições de desenvolvimento como cidadãos de pleno direito. Como esta mudança só poderia ter sido feita impedindo alguma ladroagem do sistema capitalista - para melhor dividir a renda nacional - , alguns políticos anti-pátria, como Temer e sua quadrilha, abriram as portas ao golpe com o apoio do imperialismo norte-americano.

Agora, diante da instauração de um governo composto por emissários do imperialismo, cabe ao povo criar uma Frente de Luta, constituida pela classe trabalhadora e todas as organizações de massa formadas para defender a igualdade democrática e a liberdade de desenvolvimento cidadão, contra os opressores que ocuparam o governo e o Estado tornado "de exceção".

Certamente não será fácil limar as diferenças entre organizações que têm histórias próprias, desenvolvidas em momentos históricos diferentes. Serão necessários muitos debates e diálogos para compreender os problemas e adaptarem-se ao objetivo comum de vencer os invasores que agem como ditadores e retiram as liberdades que o povo conquistara. Mas, o que não se poderá aceitar é que tenham objetivos, pessoais ou de grupo, que contrariem o objetivo de todo o povo, enfraquecendo o caminho e a confiança na luta que os une. Esta é uma condição básica para garantir a estratégia da resistência nacional. Não podemos aceitar que os vícios do sistema capitalista, como vimos acima, que permitiram o golpe e a eleição de um agente do imperialismo à Presidência do país, se introduzam como virus da traição no processo que vai gerar uma aliança ética entre classes, incluindo vários setores da sociedade que será capaz de reconstruir um Brasil democrático e emergente no plano internacional.

sábado, 17 de novembro de 2018

O Imperialismo vai nú


Zillah Branco
Publicado em OLado Oculto


O Imperialismo serviu-se, primeiro, da nação norte-americana. Ai forjava-se a democracia entrosada com o desenvolvimento industrial. Mas, a expansão do sistema capitalista privilegiou a propriedade privada dos bens de produção e do capital, o domínio da organização social para favorecer uma elite e explorar os trabalhadores, e o mercado interno e internacional para acumular os lucros.

Durante todo o século XX, confundiu-se o Império com a nação que tem o nome globalizante do continente, Estados Unidos da América - EUA. A partir da Grande Guerra, o Império pretendeu englobar sob o seu controle os países da Europa. Foram os encontros em Bilderberg onde o FMI "assessorou" o que veio a ser a Comunidade Econômica Europeia - CEE.

Mas, já existia um bloco socialista, a União Soviética, que era contrário aos princípios individualistas do poder e da apropriação capitalista dos recursos sociais que deveriam beneficiar democraticamente todo o povo. Diante da ameaça expansionista da Alemanha fascista, os "aliados" europeus e os EUA viram-se forçados a recorrer ao exército Vermelho, da URSS, para vencer o inimigo, o que bloqueou a expansão imperialista que já se iniciara por via das relações financeiras e do mercado externo.

A partir de então os europeus decidiram criar uma organização dos Estados Unidos da Europa, a União Europeia - UE - capaz de defender os países capitalistas do continente diante da cobiça dos EUA enquanto império. Estavam unidos pelo mesmo sistema capitalista, mas independentes. Eram aliados e, para combater o socialismo que atraia todos os povos que se viam explorados e colonizados, e as forças de esquerda nos países europeus que despertavam o interesse dos que defendiam a classe oprimida nas suas nações, deram início à guerra fria para minar o sistema socialista. Consolidaram os laços que os unia ideológicamente contra o inimigo comum, mantendo-se independentes (com o FMI colado à Troika e ao Banco Central).

Conseguiram na década de 90, fazendo uso das modernas tecnologias aplicadas à comunicação social exercer uma forte pressão sobre o comportamento e a formação mental das populações que acreditaram ter um sistema de ensino, saúde e previdência social justo, como preconizava o socialismo da URSS, além de uma legislação do trabalho, sem perceberem que tudo isso estava sob o controle do Estado com os orçamentos que a elite aprovava segundo os seus próprios interesses de classe.

A comunicação social, servindo-se das palavras religiosas medievais que impunham a
submissão dos mais pobres aos mais ricos, dos menos instruidos aos que podem fazer cursos superiores, convenceram os povos de que deveriam aceitar o comando das elites e as restrições impostas pelo Estado por ela dirigido, como uma fatalidade, recebendo os
benefícios de um incipiente serviço social acompanhado por leis relativas ao trabalho, mas sempre e quando os patrões aprovavam

Durante todo o século XX, os partidos de esquerda lutaram por conquistas graduais de benefícios sociais e as elites foram mudando a sua linguagem autoritária de "donos do poder" para parecerem democráticos e humanistas através de pequenas concessões que aliviam a miséria da classe explorada mas não permitem a sua ascenção social e económica de acordo com a sua capacidade de produção.

Cresceram as diferenças entre os povos de países ricos e pobres, e dos considerados desenvolvidos e os subdesenvolvidos (que passaram a ser referidos como "em desenvolvimento", para disfarçar a miséria real). No entanto, tais cedências, mesmo pequenas, reduzem os lucros e ameaçam o poder que o sistema capitalista quer aumentado. E sem alcançar os lucros pretendidos, o sistema capitalista entrou em crise, os bancos quebraram, as empresas financeiras decretaram falência levando de roldão as poupanças que uma classe média, de pequenos proprietários, perdesse o que guardara para a velhice.

A contradição de um sistema planeado para aumentar o capital nas mãos de uma elite com uma distribuição de rendimentos democrática, para promover o desenvolvimento das nações e satisfazer as necessidades do povo, é insuperável. Os Impérios passaram a usar a força para destruir os Estados democráticos ou as forças políticas que resistem para que a crise não atinja os trabalhadores e suas famílias.

Organizam não apenas uma mídia hegemónica para divulgar mentiras que convençam a população a se sacrificar pelo país, mas forças militares e policiais para invadirem nações e provocarem o exodo de milhões de refugiados (como foi feito pela NATO no Oriente Médio e na África, e agora na América Latina - AL) ou, como tem ocorrido nos países latino-americanos e africanos, ou da Indonésia, invadirem residências, escolas, manifestações populares. Financiam e estimulam a formação de grupos terroristas para desestabilizarem sociedades tranquilas e exercerem a prática de crimes, distribuição de drogas, exploração sexual, pedofilia, corrupção de funcionários do Estado e das empresas de serviços públicos. Criam uma cultura perniciosa que fomenta o egoismo e a alienação social, multiplicam os filmes e shows com cenas de violência e falta de pudor que corrompem a educação familiar.

Mais recentemente, passaram a implantar departamentos junto aos governos para "assessorar o planeamento económico e social", "formar os responsáveis pela segurança pública" e "estabelecer as condições para recuperar as finanças à custa da austeridade popular", abrindo às portas para a privatização da saude e do ensino, enquanto reduzem os orçamentos dos sistema públicos, provocando desemprego, cortes salariais, de modo a minar as instituições democráticas responsáveis pelo Estado Social e o sistema judicial e de segurança nas nações que, assim, perdem a sua soberania e são desorganizadas por um caos social incontrolável.

Minam as instituições democráticas que ainda existem para poderem eleger como Presidentes pessoas incapazes e perversas que acabam com a justiça e impõem a ordem ditatorial correspondendo ao desejo desesperado de eleitores insatisfeitos com a vida caótica que é fomentado pelas "fake news" repetidas através da moderna tecnologia virtual manipulada pela mídia global e religiões medievalistas.

Hoje o Imperialismo norte-americano utiliza abertamente as forças militares e de inteligência fiscal dos EUA, nesses departamentos de "assessoria" aos governos fracos, ou envolvem os militares da Europa através da NATO e de acordos com os países que pertencem a UE, para invadir países do Oriente Médio e da África, e provoca distúrbios nos vários continentes vitimados pelo subdesenvolvimento resultante da velha colonização europeia.  Começa a oferecer até aos governos de nações europeias o sistema, (usado junto aos paises em desenvolvimento) de "assessoria" a partir do FBI, CIA, DEA, que ficam implantados como virus dentro dos Estados. A missão desses "assessores", dos apregoados "empreendedores", além de invadirem o sistema nacional é de produzirem planos de desenvolvimento económico e social que imponha a dependência em relação ao Império que vai usufruir da decadência implantada às nações de todo o mundo. Este é o pretendido remédio para a crise de um sistema falido - o caos globalizado.

Este quadro foi desvendado no Brasil onde um governo democrático como o do PT (Partido dos Trabalhadores), fez grandes transformações benéficas ao povo e ao desenvolvimento nacional criando condições para o seu fortalecimento a nível internacional, mas foi minado pelas "assessorias" norte-americanas que se infiltraram como células cancerígenas destruindo o tecido político do país,

O modelo de Presidente para servir a este nefasto papel de destruidor dos Estados modernos é o de uma personalidade paranóica, com ambição de poder absoluto, sem qualquer princípio ético e humanista, frio e calculador, servidor de um comando como o dos bonecos de ventríloquos, absolutamente desumanizado. Assim é Trump nos EUA e Bolsonaro no Brasil, e outros que vão a caminho mas ainda têm algum antídoto europeu.

***
O LADO OCULTO
ANTÍDOTO PARA A PROPAGANDA GOBAL
   

O IMPERIALISMO VAI NU

 2018-11-16
Sem palavras
Zillah Branco, especial para O Lado Oculto
O Imperialismo serviu-se, primeiro, da nação norte-americana. Ai forjava-se a democracia
entrosada com o desenvolvimento industrial. Mas a expansão do sistema capitalista
privilegiou a propriedade privada dos bens de produção e do capital, o domínio da
organização social para favorecer uma elite e explorar os trabalhadores, e o mercado
interno e internacional para acumular os lucros.
Durante todo o século XX confundiu-se o Império com a nação que tem o nome
globalizante do continente, Estados Unidos da América - EUA. A partir da Segunda Grande Guerra,
o Império pretendeu englobar sob o seu controlo os países da Europa. Foram os
encontros em Bilderberg, onde o FMI "assessorou" o que veio a ser a Comunidade
Económica Europeia - CEE.
Mas já existia um bloco socialista, a União Soviética, que era contrário aos princípios
individualistas do poder e da apropriação capitalista dos recursos sociais, que deveriam
beneficiar democraticamente todo o povo. Diante da ameaça expansionista da Alemanha
fascista, os "aliados" europeus e os EUA viram-se forçados a recorrer ao Exército
Vermelho da URSS para vencer o inimigo, o que bloqueou a expansão imperialista que
já se iniciara por via das relações financeiras e do mercado externo.
A partir de então, os europeus decidiram criar uma organização dos Estados Unidos da
Europa, a União Europeia - UE - capaz de defender os países capitalistas do continente
diante da cobiça dos EUA enquanto império. Estavam unidos pelo mesmo sistema
capitalista, mas independentes. Eram aliados e, para combater o socialismo que atraía
todos os povos que se viam explorados e colonizados, e as forças de esquerda nos
países europeus que despertavam o interesse dos que defendiam a classe oprimida nas
suas nações, deram início à guerra fria para minar o sistema socialista. Consolidaram os
laços que os unia ideologicamente contra o inimigo comum, mantendo-se independentes.
O comando das elites
Conseguiram na década de 90, fazendo uso das modernas tecnologias aplicadas à
comunicação social, exercer uma forte pressão sobre o comportamento e a formação
mental das populações que acreditaram ter um sistema de ensino, saúde e previdência
social justo, como preconizava o socialismo da URSS, além de uma legislação do
trabalho, sem perceberem que tudo isso estava sob o controle do Estado com os
orçamentos que a elite aprovava segundo os seus próprios interesses de classe.
A comunicação social, servindo-se das palavras religiosas medievais que impunham a
submissão dos mais pobres aos mais ricos, dos menos instruídos aos que podem fazer
cursos superiores, convenceram os povos de que deveriam aceitar o comando das elites
e as restrições impostas pelo Estado por elas dirigido, como uma fatalidade, recebendo os
benefícios de um incipiente serviço social acompanhado por leis relativas ao trabalho,
mas sempre e quando os patrões aprovavam
Durante todo o século XX, os partidos de esquerda lutaram por conquistas graduais de
benefícios sociais e as elites foram mudando a sua linguagem autoritária de "donos do
poder" para parecerem democráticos e humanistas através de pequenas concessões que
aliviam a miséria da classe explorada mas não permitem a sua ascensão social e
económica de acordo com a sua capacidade de produção.
Cresceram as diferenças entre os povos de países ricos e pobres, e dos considerados
desenvolvidos e os subdesenvolvidos (que passaram a ser referidos como "em
desenvolvimento", para disfarçar a miséria real). No entanto, tais cedências, mesmo
pequenas, reduzem os lucros e ameaçam o poder que o sistema capitalista quer
aumentado. E sem alcançar os lucros pretendidos, o sistema capitalista entrou em crise,
os bancos faliram, as empresas financeiras decretaram falência levando de roldão as
poupanças, fazendo com que uma classe média, de pequenos proprietários, perdesse o que guardara
para a velhice.
Comunicação social e militarização
A contradição de um sistema planeado para aumentar o capital nas mãos de uma elite
com uma distribuição de rendimentos democrática, para promover o desenvolvimento das
nações e satisfazer as necessidades do povo, é insuperável. Os impérios passaram a
usar a força para destruir os Estados democráticos ou as forças políticas que resistem
para que a crise não atinja os trabalhadores e suas famílias.
Organizam não apenas os media hegemónicos para divulgar mentiras que convençam a
população a  sacrificar-se pelo país, mas forças militares e policiais para invadirem nações
e provocarem o êxodo de milhões de refugiados (como foi feito pela NATO no Médio Oriente, em África e agora na América Latina - AL); ou, como tem acontecido nos países
latino-americanos e africanos, ou na Indonésia, para invadirem residências, escolas, reprimirem
manifestações populares. Financiam e estimulam a formação de grupos terroristas para
desestabilizarem sociedades tranquilas e exercerem a prática de crimes, distribuição de
drogas, exploração sexual, pedofilia, corrupção de funcionários do Estado e das
empresas de serviços públicos. Criam uma cultura perniciosa que fomenta o egoísmo e a
alienação social, multiplicam os filmes e shows com cenas de violência e falta de pudor
que corrompem a educação familiar.
Mais recentemente, passaram a implantar departamentos junto dos governos para
assessorar o planeamento económico e social, formar os responsáveis pela
segurança pública e estabelecer as condições para recuperar as finanças à custa
da austeridade popular, abrindo às portas para a privatização da saúde e do ensino,
enquanto reduzem os orçamentos dos sistema públicos, provocando desemprego, cortes
salariais, de modo a minar as instituições democráticas responsáveis pelo Estado Social e
o sistema judicial e de segurança nas nações que, assim, perdem a sua soberania e são
desorganizadas por um caos social incontrolável.
"Assessorias" do FMI
Minam as instituições democráticas que ainda existem para poderem eleger, como
presidentes, pessoas incapazes e perversas que acabam com a justiça e impõem a ordem
ditatorial, correspondendo ao desejo desesperado de eleitores insatisfeitos com a vida
caótica, que é fomentado pelas "fake news" repetidas através da moderna tecnologia
virtual manipulada pelos media globais e por religiões medievalistas.
Hoje o imperialismo norte-americano utiliza abertamente as forças militares e de
inteligência fiscal dos EUA nesses departamentos de "assessoria" aos governos fracos,
ou envolvem os militares da Europa, através da NATO e de acordos com os países que
pertencem à UE, para invadir países do Médio Oriente e de África; e provoca distúrbios
nos vários continentes vitimados pelo subdesenvolvimento resultante da velha
colonização europeia. Começa a oferecer, até aos governos de nações europeias, o
sistema (usado junto aos países em desenvolvimento) de "assessoria" a partir do FBI,
CIA, DEA, que ficam implantados como virus dentro dos Estados. A missão desses
"assessores", dos apregoados "empreendedores", além de invadirem o sistema
nacional é a de produzirem planos de desenvolvimento económico e social que imponham a
dependência em relação ao Império, que vai usufruir da decadência implantada às nações
de todo o mundo. Este é o pretendido remédio para a crise de um sistema falido - o caos
globalizado.
Este quadro foi desvendado no Brasil, onde um governo democrático como o do PT
(Partido dos Trabalhadores), fez grandes transformações benéficas ao povo e ao
desenvolvimento nacional criando condições para o seu fortalecimento a nível
internacional, mas foi minado pelas "assessorias" norte-americanas que se infiltraram,
como células cancerígenas, destruindo o tecido político do país,
O modelo de presidente para servir a este nefasto papel de destruidor dos Estados
modernos é o de uma personalidade paranóica, com ambição de poder absoluto, sem
qualquer princípio ético e humanista, frio e calculista, servidor de um comando como bonecos de ventríloquos, absolutamente desumanizado. Assim são Trump nos EUA e
Bolsonaro no Brasil, e outros que vão a caminho mas ainda têm algum antídoto europeu.

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Separar o joio do trigo



Este velho ditado popular não perde atualidade. No calor da luta, nos debates, até na conversa do dia-dia, a emoção tende a superar a razão e quebra um relacionamento saudável. Respiramos fundo para recuperar a objetividade da razão e aguentar a desrazão de alguns.

Agora vamos levantando provas de manipulações de consciências através da mídia ou de uma elite política imperial especialista em "fake news" e denúncias arbitrárias sem qualquer fundamentação científica e histórica.

Porquê foi difundido o anti-comunismo, se foi o exército soviético, portanto de paises comunistas, que destruiu a ameaça fascista de Hitler que esmagava a Europa?

Porquê sequestrar Lula que deu a sua vida sofrida e heróica para implantar a democracia no Brasil, um país rico e com um dos maiores índices de desigualdade social do mundo?

Porquê generalizar para a Igreja Evangélica e todos seus membros, a ação de uma linha política que foi criada nos Estados Unidos para manipular a informação e a técnica discursiva de pastores que alimentam o ódio e não o amor ao falarem de Jesús?

Bolsonaro cuida, ele mesmo, da sua imagem onde aparece mais joio que trigo: quando sorrindo ameaça com armas a multidão, quando diz "eu não te estupro porque você não merece", quando diz que os 30 mil presos políticos torturados durante o período de ditadura militar no Brasil deviam ter sido mortos", quando elogia o monstro torturador -Ustra - como se fosse uma pessoa respeitável -, quando usa e abusa das "fake news" até ser proibido pelo Tribunal Eleitoral por falsear a campanha eleitoral, quando ensina uma criancinha a pegar na arma para matar, quando condena todos os que têm diferentes opções sexuais, quando se opõe à liberdade de expressão e à democracia que permitirá a igualdade de condições de vida para todos os cidadãos no Brasil, quando ameaça fechar o STF se não o obedecer. É, visivelmente, um desequilibrado violento.

Não ha nada de respeitável, de sinal de dignidade, na história divulgada sobre a vida de Bolsonaro. A mídia brasileira já divulgou esta triste verdade de quem ha 20 anos é deputado federal no Congresso e apresentou dois únicos projetos até hoje. Foi um deputado inútil para o Brasil, que ocupou um lugar no poder e aproveitou para colocar os seus filhos e amigos em lugares semelhantes, como se o Estado fosse um cabide de empregos. Portanto foi e continua sendo, pela manipulação eleitoral denunciada pela Folha de São Paulo, um corrupto.

Mas, a propósito da Igreja Evangélica existem muitas contradições, algumas de apoio aos desempregados e desesperados como missão cristã, outras de utilização da confiança e da fé dos seus membros para organizar movimentos políticos e promover a propaganda de Bolsonaro que - sendo desequilibrado e violento, como tem mostrado em público - levaria o Brasil ao atraso, à miséria, à servidão e à perda da independência nacional.

Há pastores que defendem a Igreja e condenam o mau uso que estão fazendo dela, mas ainda não conseguiram impor a palavra de Deus como modelo pastoral. A história da Igreja Evangélica deve ser estudada em todas as suas faces históricas e explicadas as diferenças entre os vários nomes com que aparece por todo o mundo, para que as que estão sob o controle político que foi estabelecido nos Estados Unidos para "usar" os seus adeptos como "robôs" de uma mensagem falsa e interesseira, não poluam as demais.

A pergunta que fica é: qual a Igreja do Bispo Macedo, dono da rádio Record e Bandeirantes, o mesmo que explicou na TV em Portugal que exigia aos seus genros que "fossem esterilizados antes do casamento, para não correrem o risco de produzirem filhos com problemas estéticos ou de saúde". Dessa forma, ele explicou publicamente, que foram a Portugal buscar crianças no orfanato para serem seus netos (como se os comprasse no supermercado, o que deu início a um processo criminal na justiça portuguesa). Nem procurou saber se as crianças tinham ou não as suas mães ainda vivas e sem recursos para os educar os filhos em suas casa. Um crime hediondo, desumano, semelhante ao do tráfico de crianças que se difundiu pelo mundo com objetivos de comércio de pequenos escravos ou de órgãos. Ou qual é a Igreja de Silas Malafaia, e a de José Wellington Costa, que também como o Bispo Macedo, seguidores do pastor Billy Graham que criou o "Internet Evangelism Coalition" em 1999 e colaborou para eleger Trump nos Estados Unidos?

Certamente há muitas perguntas a serem feitas sobre os pastores que destilam ódio com palavras bíblicas ou em nome de Jesús, mas isto deverá ser feito pelos membros de cada Igreja para que não permita que manipulem as suas consciências em nome de Deus. Hoje está provada a campanha que distribui "fake news" através de canais da internet e "watts App", responsável pela eleição de Trump como Presidente dos Estados Unidos e aplicada através de Bolsonaro para alterar a eleição a seu favor. Utilizaram parte da Igreja Evangélica assim como de associações, de grupos ou mesmo de famílias, para conduzír o eleitos como se fosse gado. Abusaram da confiança ingênua, de boa fé, dos seguidores da palavra de Jesús. Isto é perdoável?

Uma das medidas tomadas no Governo Lula foi a criação de Universidades e o apoio à todas as crianças para que tivessem acesso às escolas, desde o curso primário até o universitário. Para isso promoveu a alimentação escolar e passou a conceder bolsas de estudo para os alunos que quisessem seguir os cursos superiores. O caminho foi aberto por Haddad quando Ministro da Educação para que todo o cidadão brasileiro pudesse desenvolver os conhecimentos e a consciência para não ser tratado como ignorante pelos autores de "fake news" e ameaçados com autoritarismo em nome de Deus. Este é o melhor caminho para afastar os maus elementos que usam o poder ou a imagem de "pastores" para impor a sua vontade às "ovelhas".

A democracia verdadeira respeita a liberdade de expressão e de crença dos cidadãos. Sejam donos da própria consciência para não se tornarem escravos de oportunistas.

Zillah Branco