quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Brecht sempre presente!

Como diria Bertolt Brecht: Não queres continuar a trabalhar conosco
Segue abaixo um poema atualíssimo de Bertolt Brecht. Penso no Brasil, na Venezuela, em Cuba, na China, em todas as nações que lutam hoje contra o imperialismo, mesmo no povo norte-americano, no inglês, no francês, no alemão que, como os do Oriente Médio e demais territórios deste vasto mundo, vivem a crise insolúvel dos sistemas nacionais do capitalismo.

Não queres continuar a trabalhar conosco

"Ouvimos dizer: não queres continuar a trabalhar conosco.
Estás arrasado. Já não podes andar de cá para lá.
Estás muito cansado. Já não és capaz de aprender.
Estás liquidado.
Não se pode exigir de ti que faças mais.

Pois fica sabendo:
Nós o exigimos.

Se estiveres cansado e adormeceres
Ninguém te acordará nem dirá:
Levanta-te, está aqui a comida.
Porque é que a comida havia de estar alí?
Se não podes andar de cá para lá
Ficarás estendido. Ninguém
Te irá buscar e dizer:
Houve uma revolução. As fábricas
Esperam por ti.
Porque é que havia de haver uma revolução?
Quando estiveres morto, virão enterrar-te
Quer tu sejas ou não culpado da tua morte.

Tu dizes
Que já lutaste muito tempo. Que já não podes lutar mais
Pois ouve:
Quer tu tenhas culpa ou não:
Se já não podes lutar mais, serás destruído.

Dizes tu: Que esperaste muito tempo. Que já não podes
ter esperança.
Que esperavas tu?
Que a luta fosse fácil?

Não é esse o caso:
A nossa situação é pior do que julgavas.

É assim:
Se não a levarmos a cabo o sobre-humano

Estamos perdidos.
Se não pudermos fazer o que ninguém de nós pode exigir
Afundar-nos-emos.
Os nossos inimigos só esperam
Que nós nos cansemos.

Quando a luta é mais encarniçada
É que os lutadores estão mais cansados.
Os lutadores que estão cansados demais, perdem a batalha."

Bertolt Brecht

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Deixemos o caos para as elites

Deixemos o caos para as elites


O caos é uma bolha que devemos deixar fora do nosso caminho. Na verdade, hoje coexistem várias bolhas caóticas que atraem diferentes ambições de protagonismo e de poder. A crise do sistema capitalista arrasta-se deixando milhões de mortos e feridos além de arruinar a natureza animal, vegetal, mineral e humana e roubar a liberdade de pensar dos humanos impondo a sua cretinice que convém aos exploradores.

Basta ver o baixo nível mental e ausência total de dignidade dos promotores de guerras, como Trump ou Netanyahu, e os seus lacaios na União Europeia ou nas ditaduras que sobrevivem com o oxigênio financeiro capitalista e o mercado internacional animados pela mídia venal e as habilidades em criar fake news que paralisam os Estados de Direito em vários continentes. Foi criado o caos jurídico e político que serve de apoio às decisões superiores internacionais de invadir países, bombardear cidades, formar terroristas, matar populações civis, promover migrações desesperadas, forjar e divulgar relatos falsos sobre a História, fabricar robôs mascarados para altos cargos políticos a partir de imbecís vaidosos, fraudar eleições nacionais, pintar de dourado a mediocridade cultural para estupidificar e corromper as populações controladas por meios de comunicação dirigidos por predadores. O sistema expele uma droga que entorpece a razão natural do ser humano.

Sem critérios de Dignidade individual e de Justiça social, a prática da guerra militar foi substituida pela ciência que inocula químicos nos alimentos, na pulverização, nos solos agrícolas, e na deformação psicológica causada pelas falsas mensagens culturais e o exacerbar de emoções sob controle tecnológico. O sistema do capital atingiu o seu máximo poder destrutivo depois do fim da Segunda Guerra, lançando a bomba atômica experimentada criminosamente contra as populações civis de Hiroshima e Nagazaki, no Japão que ousou defender-se dos Estados Unidos afundando a esquadra que o ameaçava em Pearl Arbor e construindo a falsa descrição do "anticomunismo".

O preconceito anticomunista foi uma arma criada pela elite capitalista com os demais preconceitos medievais. Sendo uma meta de uma ideologia socialista que defende as populações mais pobres, todas as minorias segregadas como "inferiores", preconizando a responsabilidade do Estado em atender a todas as necessidades essenciais do povo - saúde, educação, formação profissional, emprego, transporte e habitação - ameaça as formas ideológicas de direita que oprimem e exploram para obter lucros que enriqueçam a elite no poder.

O nazismo é consequência da ditadura imperialista

Os países capitalistas mais desenvolvidos precisaram, depois da Revolução Socialista na Rússia, recorrer ao Estado Social para sobreviverem com alguma independência dando melhores condições de formação à população (como os nórdicos ainda hoje conservam e na Inglaterra e França foi destruido pelo liberalismo dos "Chicago boy's"). Com a centralização financeira e militar imposta pelo imperialismo no mundo capitalista globalizado, agora a União Europeia obedece a Trump e enfrenta a acensão do nazismo nacionalista dos seus grupos de direita.

Apesar dos milhões de mentiras divulgadas mundialmente durante 70 anos, para promover os "aliados" como os vencedores de Hitler e omitir a vitória incontestável alcançada pelo Exército Vermelho, comunista, que chegou a Berlim depois de destroçar as forças nazistas, hoje as novas gerações que resistem à cultura midiática imbecilizante, homenageiam o Exército Vermelho e a educação social soviética que formou uma população com princípios éticos e respeito pela ciência e a arte. Os 40 milhões de mortos e feridos, do povo russo e de seu exército, que se sacrificaram nessa epopéia, são recordados todos os anos pelos que sofreram os boicotes e fake news da guerra fria imperialista que destruiu o socialismo na Europa de Leste privando-os de uma vida saudável e de paz.

Os filhos e netos dos que conheceram os benefícios da vida solidária e democrática do sistema socialista, (quando tinham a garantia de habitação, tratamento de saúde, ensino desde a base à universidade, formação cultural, artística e desportiva,) hoje tornados pobres nos seus países vencidos pelo império, ou tendo emigrado para se sujeitarem aos trabalhos braçais e mal remunerados que o sistema capitalista oferece, formam comunidades "soviéticas" para darem aquela formação humanista elevada aos seus filhos. Em muitos países, da Europa aos Estados Unidos, o dia do fim da "Guerra Patriótica" é celebrado por russos, ucranianos e de outras nacionalidades unidas na União Soviética, e com a adesão dos militantes e simpatizantes de esquerda, em festas públicas que reproduzem a imagem dos militares soviéticos em marcha e apresentam espetáculos artísticos daquela época com seus filhos como atores talentosos. O termo "soviético" tornou-se símbolo de um momento histórico mais elevado e humanista.

Dignidade e Justiça são fundamentais

A natureza humana não sobrevive sem o convívio socia, tendo como pilares a dignidade e a justiça. São os princípios que lhe dão confiança para o relacionamento humano e o intercâmbio de experiências e afetos, o desenvolvimento do conhecimento e a criação de soluções de vida, a solidariedade e o respeito, a superação das condições irracionais e o aperfeiçoamento mental, a elaboração e a sensibilidade culturais. Do indivíduo na família ao cidadão na sociedade, do lugar onde vive à nação que é a sua pátria, a sua integridade será definida pela dignidade que preza para si e para o Estado da Nação. Este é o resultado de dois mil anos de História da humanidade.

Chegamos a um tempo que abre um caminho de paz com o fim dos inúmeros preconceitos criados na Idade Média para selecionar a elite poderosa - racista, machista, homofóbica - que a partir da Revolução Socialista difundiu com a mesma perícia medieval o preconceito "anti-comunista". A elite recusa a ideologia que abre caminho para a verdadeira igualdade de condições de vida para os povos, ou seja, que implanta a verdadeira democracia. Para retardar o estabelecimento da Paz, o sistema capitalista ainda mantém o caos para matar populações discriminadas, cultivar a violência, destroçar a dignidade humana e os valores éticos indispensáveis ao desenvolvimento mental e econômico da humanidade.

Assistimos à concentração do capital nas mãos de uma elite que se distancia e desconhece a realidade em que sobrevive a maioria explorada e vítima de um processo de destruição lenta da sua capacidade criativa. Hoje é visivel também a quebra dos valores institucionais básicos nas Nações, tal como ocorre no Brasil mas também desponta nos países da Europa, que elimina o sistema judicial e o da defesa militar para melhor impor os crimes que vão da corrupção aos assassinatos e roubos dos patrimonios criados pelo povo. Forma-se uma elite internacional, sem escrúpulos, enlouquecida pela ganância e sem qualquer sentido humanista. O seu poder impõe o caos que destrói o próprio sistema de produção de que se alimenta financeiramente.

Ao longo da história a humanidade evoluiu a partir dos seus valores éticos e dos conhecimentos adquiridos,  estabelecendo um diálogo com as estruturas responsáveis pela sua formação e com a estrutura administrativa do Estado. A resistência da elite poderosa à evolução histórica do conhecimento impede que o próprio sistema evolua, determinando uma crise insuperável. Passaram a afirmar arbitráriamene o poder protegido pelas armas mercenárias e pela autoridade auto-proclamada. Estagnaram os conceitos jurídicos destruindo a validade das leis transformadas em armas, vazias de significado social.

Respostas crescentes

Diante do caos nascem em todo o mundo, como no Brasil invadido pelo imperialismo e pelos covardes que ocuparam o Governo, as manifestações corajosas de resistência. Partidos e Igrejas revêm a sua história para reorganizarem formas de maior aproximação com os setores mais pobres que foram marginalizados na sociedade. A união entre todos permitirá superar preconceitos e misérias impostos pelas elites exploradoras. Os intelectuais somam os seus conhecimentos para divulgarem noticias verdadeiras que combatem as mentiras de uma mídia corrupta a serviço dos que fraudaram as eleições. A solidariedade internacionalista soma a sua força e pressiona os organismos da ONU para combater o autoritarismo imperial que ameaça o mundo capitalista.

As revelações do Intercept desacreditaram Sérgio Moro e Dalagnol que desqualificaram o sistema judicial brasileiro, perante os povos e as instituições internacionais, que não poderão silenciar diante do descrédito que ameaça as bases jurídicas do sistema capitalista mundial.

O poder centralizador do capitalismo, que dá origem às idéias nazistas, desperta a consciência de todos os que defendem as forças produtivas da sua Pátria e o desenvolvimento econômico e social que garantem a soberania nacional de cada país. A corrupção sistemática, proporcionada pelas elites do sistema capitalista, tem fomentado as vaidades pessoais e o egoísmo dos oportunistas, mas a justiça é o antídoto reclamado pelos povos expoliados e pelos cidadãos com formação ética. Reforcemos a resistência e a unidade com Lula Livre e o Brasil limpo!

Zillah Branco

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

A presença visível dos militantes de esquerda



Para quem vive na Europa é muito difícil acompanhar os sacrifícios crescentes a que ficou sujeito o povo brasileiro a partir do golpe de Temer - que agora se percebe como a espoleta de uma destruição da Justiça e da Segurança no Estado Brasileiro que germinava ha alguns anos sob a cobertura de uma tênue manta democrática. A mídia hegemônica, departamento do império norte-americano que cobre também a Europa, "fakea" historiazinhas pontuais que desvirtuam completamente a realidade que podemos conhecer através do Vermelho e outros jornais de esquerda e com os videos da mídia alternativa, progressista, que tem mantido um trabalho incansável e cada vez mais aprofundado sobre a realidade nacional e seus vínculos com o setor internacional (tanto o predador colonizante, como as demonstrações de solidariedade com a luta de esquerda).

O somatório dessa mídia progressista e revolucionária, representa uma ponta de lança que se consolida contra os invasores e os traidores da Pátria (covardes e corruptos) que aponta a necessidade da Frente Ampla que se forma em torno do conhecimento da história econômica e social do Brasil que sempre permaneceu dependente da estrutura capitalista global que na crise concentra o poder imperialista. Como bem aponta Lula, o grande passo dado com a aplicação do seu plano de emancipação econômica do Estado e aplicação de benefícios sociais para o pleno desenvolvimento dos cidadãos, não teve  o tempo necessário para se completar. Podemos acrescentar que não chegou a superar a dependência que ficou contaminando a economia financeira e o sistema jurídico do país.

Estas entrevistas na mídia de esquerda, alternativa à hegemônica, com especialistas de vários ramos da ciência social, com jornalistas que têm boa técnica para revelar aspectos da realidade, com políticos de esquerda que participam da luta nacional, com líderes populares, de sindicatos ou associações específicas de setores sociais ou religiosos, constitui um verdadeiro curso de nível superior aberto a quem se soldariza com a luta contra a invasão imperialista e a destruição do Estado de Direito no Brasil. Merecem louvores especiais os que, como a nossa Vanessa e Lindberg, ex-senadores, assumiram a função de jornalistas contribuindo com a especialidade adquirida no Parlamento. E, na ausência de um e outro, militantes do PCdoB e do PT ocupam o posto enriquecendo com as suas experiências pessoais. Ficaria demasiado longo o texto se fossemos lembrar cada um dos valiosos canais e blogues que compõem esta universidade virtual.

Como atingir o povo marginalizado

A partir da divulgação pela internet, com a criação de textos sintéticos tipo cartilha, os militantes poderão promover outras formas de divulgação que chegue a toda a população nos contactos habituais com moradores. Onde se formam grupos poderão ser projetados videos que provocam debates - em bares populares, nos jardins públicos, etc. De alguma maneira poderemos combater a destruição do plano de formação iniciado por Lula, criando pequenos cursos participados por todo o país que serão sementes de uma nova consciência.

A coordenação pelos partidos a que pertencem os militantes que reproduzem a informação da universidade virtual, permitirá, por seu lado, a absorção do conhecimento da realidade e sua transformação dinâmica que vai alimentar a participação popular nas manifestações e o aprofundamento do conhecimento básico necessário à coesão da Frente Ampla em torno de projetos de ação e planos de governo. Só assim superamos a herança do pêso oligárquico da História nacional e a tendência a nomear a personalidade mais competente para conduzir o país, e os múltiplos preconceitos que dividem a população, as classes, até as famílias.

O modelo de escolas do MST, a pedagogia para alfabetização cubana, as idéias libertadoras de Paulo Freire e a experiência da universidade digital, constituem esteios para abrirmos o caminho da participação popular e do desenvolvimento de uma consciência socialista de Estado.

Zillah Branco

sábado, 27 de julho de 2019

A pedagogia revolucionária e os enganos da caridadezinha



O confronto entre o poder imperialista liderado pelo governo dos Estados Unidos e o da China - que afirma como meta a construção de uma sociedade comunista - exige uma  conjugação das forças políticas de esquerda e democráticas na árdua tarefa de difundir uma pedagogia revolucionária de baixo para cima, coletivista e aplicada aos problemas sociais concretos, para unir a participação complementar das camadas que detêm os conhecimentos (intelectuais, científicos, técnicos, ideológicos, artísticos), na consolidação de planos de ação política, com a classe trabalhadora urbana e rural.

Na rica Europa a direita desenvolve uma política mistificadora para atrair os jovens e os ingênuos. Fazem "concessões" para aceitarem o fim do racismo e a liberdade da mulher
(que já não podem escravizar) promovendo a "beleza e o talento" de alguns e distribuindo "afeto ou sopa dos pobres" para os demais. Propositalmente confundem a caridade (esmolas dos superiores) com a solidariedade que só existe entre "iguais".

O caminho ilusionista da "proteção dos ricos" usa fartamente a natureza para sensibilizar os que são por eles explorados (crianças, jovens, idosos, pessoas com carências de todo tipo). Assim nasceu um partido PAN - pessoas, animais e natureza - que, depois de eleger representantes nos Parlamentos de Portugal e da União Europeia e defender os direitos de cães e gatos (que suprem as carências afetivas das populações da classe média e consomem produtos alimentares e tratamentos de saúde que faltam à população mais pobre), agora propõe a criação de Tribunais Especiais - que a Constituição democrática do 25 de Abril proibe - para combater a corrupção.

Vemos, assim, ser reproduzido em Portugal o mesmo caminho de destruição do sistema judiciário sofrido pelo Brasil. Os ricos corrompem e roubam fartamente e, com o poder pessoal, desviam-se das punições legais, e agora querem controlar Tribunais Especiais para combater a oposição política que é social e explorada por pertencer à classe trabalhadora.

O modelo vem da Idade Média com a criação dos Tribunais da Inquisição que condenaram tantos cientístas e filósofos que divergiam dos estreitos limites do conhecimento, imposto pelos poderosos, que mantinham os povos na ignorância e na ingenuidade. Vão condenar como corruptos os que se viram obrigados a roubar para alimentar ou tratar a saúde dos filhos, ou os que usam terras férteis abandonadas para plantar hortaliças, ou os que estudando a História Social defendem a distribuição das rendas por toda a população. No Brasil este Tribunal Especial foi instituido, sem título, pelo juiz Moro (hoje conhecido como criminoso pelas revelações do Vaza Jato) para prender o herói Lula que implantou a reforma democrática nacional.

As espertezas do jogo político imperialista têm pouca imaginação. Conseguiram enganar os eleitores ingênuos que confiaram nas "fake news" que a mídia, corrompida pelo sistema capitalista, inoculou como se os Governos fossem merecedores de fé por serem honestos. Da mesma maneira deixam que caiba aos cães e gatos fazerem companhia aos humanos que estão abandonados pelos serviços sociais do Estado. Agora querem criar Tribunais Especiais, fora do sistema judiciário constitucional.

Este poder de persuasão para manter a população alheia ao desenvolvimento social e político mundial, foi elaborado durante a Guerra Fria para combater as idéias revolucionárias divulgadas pela União Soviética e demais países socialistas que combateram a exploração dos pobres por aqueles que acumularam o capital produzido socialmente. As iniciativas revolucionárias entusiasmam qualquer pessoa que trabalha e luta pela subsistência familiar, que é garantida pelo Estado socialista. A direita tudo fez, com a difusão do preconceito anti-comunista para impedir que os povos vissem a realidade socialista que é o direito à habitação, ao emprego e ao transporte, além da educação, saúde e segurança social, para todos.

Vencida a desinformação que impede a liberdade de cada um pensar por si, com liberdade, os poderes de direita entraram em crise ao mesmo tempo em que o sistema financeiro entrou em colapso. Daí a mudança de imagem da direita que passa a ser "caridosa e beijoqueira" com os que dormem nas ruas e as idéias de permitir que os cães frequentem restaurantes e transportes coletivos com os mesmos direitos das crianças pobres (com a devida "coleira" do adulto que o leva).

Apesar de quase um século de campanhas anti-comunistas e de perseguições mortíferas aos revolucionários que se organizam em todas as nações, a luta permanente e o aprofundamento do conhecimento das ciências sociais alastrou a defesa de uma consciência livre que clarifica as idéias dos povos superando as ingenuidades. A falta de acesso às escolas e a subordinação ao patronato explorador, tem impedido que todos pensem com a própria cabeça e deixem de obedecer cegamemente aos poderosos que invadem as suas casas pelos noticiários e a televisão.

Quando perceberem que o tempo que gastam passeando animais podia ser dedicado à população carente reduzindo os seus sofrimentos e que o custo de manutenção de cães e gatos é maior do que a maioria das crianças pobres consome, verão que estão a colaborar com a política do "consumismo" que enriquece os ricos e os mantêm no poder. A questão que precisa ser debatida é a integração social dos cidadãos face à alienação que envolve cada um tornando-o individualista e egoista com o seu semelhante. Nada temos contra cães e gatos, lutamos pela distribuição igualitária dos recursos existentes na sociedade que deve ser implantada como base de uma sociedade democrática com um Estado de Direito.

Os problemas de miséria estão em todo o mundo, mesmo nos países ricos que fecham as portas aos imigrantes pobres. Nos Estados Unidos, por exemplo, "40 milhões de pobres, 2 milhões de presos, 27,4 milhões de pessoas sem seguro de saúde, cerca de 4,2 milhões de crianças e jovens sem-abrigo, incluindo os que vivem na rua e em albergues, e os que estão temporariamente em casa de terceiros por não terem o seu próprio alojamento". O país sofre um "colapso financeiro e do dólar, com um dívida impagável de 22,4 milhões de milhões de dólares que aumenta 1 milhão de milhões por ano , 105% do PIB, uma dívida privada (empresas e famílias) 73 milhões de milhões incluindo 1,6 milhões de milhões de dívida estudantil". "Cada vez mais o império só consegue dirigentes incompetentes, corruptos, mentirosos, criminosos. Democratas e patriotas são ou tentam que sejam substituídos por vassalos daquele tipo que criam Estados disfuncionais.
Os EUA podem ameaçar, tornar o mundo mais instável, retrair a economia, promover a riqueza das camadas oligárquicas, mas não podem pelas suas próprias contradições, tornar o mundo mais seguro e mais feliz e além do mais, já não podem ultrapassar certos limites sem que eles próprios corram riscos da sua própria destruição.
Os EUA não conseguem resolver nenhum dos seus problemas e contradições sem uma “mudança de regime”, neste caso o seu, passando de, como afirma Stiglitz, do sistema de “um dólar um voto”, isto é, uma oligarquia, para um sistema efetivamente democrático e progressista ao serviço do seu povo e não do domínio mundial a favor da oligarquia transnacional. (cit. Daniel de Carvalho - Junho/2019 - https://www.dn.pt/lusa/interior/mais-de-quatro-milhoes-de-jovens-norte-americanos-sem-abrigo---estudo-8920151.html"

E, na Europa, os países desenvolvidos vão pelo mesmo caminho. Agarrados ao capital financeiro destruiram as suas indústrias e agricultura expulsando os trabalhadores para outras funções, outros países, ou para o desespero que multiplica os casos de assassinatos familiares e suicídios. Abrem caminho para uma extrema direita fascista como o exemplo de Mussoline e Hitler.

A maioria da população que vive no planeta é pobre, com elevada percentagem vivendo na mais profunda miséria. A minoria rica explora o trabalhador e despreza as suas famílias deixando-as sofrerem carências por puro egoismo, por se sentirem superiores, porque rouba permanentemente o produto do trabalho e a terra, a água e o ar puro, que é da humanidade em geral. A ignorância é imposta aos pobres para que não lutem pelos seus direitos e continuem subordinados aos exploradores.


Zillah Branco
27/07/19

terça-feira, 9 de julho de 2019

Lula Livre para solucionar a crise mundial

Lula Livre
para solucionar a crise do capitalismo


O ex-Presidente Lula, ao ser preso pelos brasileiros mais covardes, pelos traidores da Pátria, pelos juristas criminosos, por determinação do poder arbitrário imperialista que ameaça os países mais debilitados e já destruiu tantas nações na Africa, no Oriente Médio e na América Latina;
Lula, o operário que passou fome e se desenvolveu a pulso até chegar a lider sindical;
Lula que manteve a sua linguagem popular tão bem compreendida por mais de duzentos miliões de brasileiros;
Lula que traçou o seu plano de governo com objetivos concretos de alimentar todo o povo e dar-lhe condições de habitação, transporte, educação e saúde;
este Lula que unificou a sociedade brasileira em torno de um projecto de desenvolvimento que fortaleceu as empresas estatais e permitiu o crescimento de iniciativas privadas mínimas ou grandes;
hoje é, inegavelmente um simbolo de modelo de governação para o Brasil, para a América Latina e todos os países em desenvolvimento.

Ao ser levado à prisão na sequência de um processo manipulado por criminosos ainda impunes por ocuparem postos de juizes e procuradores que levam o sistema judicial brasileiro à falência, Lula teve a grandeza de dizer: "Eu agora sou um pensamento, uma idéia".

Nem mesmo ele poderia imaginar que o seu desapego da função heróica de continuar a conduzir a luta de todo o povo brasileiro, deixando a sua missão entregue aos seus defensores que se empenham,  na resistência permanente e crescente da soberania nacional, permitiu que aquele "pensamento" voasse pelo mundo, traduzido em todos os idiomas como uma semente revolucionária que penetrou nas mentes mais humanistas - desde o Papa, os líderes da ONU, vários governantes, milhares de intelectuais especialistas em desenvolvimento e planificação, aos membros de Igrejas humanistas, aos jovens (que assistem aos descalabros que estão por toda a parte destruindo escola e universidades, serviços universais de saúde, a segurança pública, as condições essenciais de uma vida saudável, a própria sobrevivência da natureza no planeta) até mesmo aos que eram defensores do sistema capitalista e não haviam despertado para a possibilidade de serem solidários com os que sofrem as causas da pobreza que os enriquece inutilmente.

A humanidade vem sendo esclarecida pela ação de Lula que sempre soube descomplicar as teorias apontando os fatos, os recursos concretos, os benefícios indispensáves que a Justiça e o Estado de Direito devem priorizar:

Os planos de governança e desenvolvimento devem partir sempre do fortalecimento da pessoa que trabalha e sua família e do tratamento adequado da riqueza natural existente, para depois ser avaliado o seu valor de troca no mercado nacional e internacional.

Riqueza individual forma uma elite egoista e ambiciosa que mina a vida saudável da humanidade.

Lula Livre! Com aplausos planetários e agradecimentos que se prolongarão através dos séculos!

Zillah Branco

quinta-feira, 20 de junho de 2019

O jovem Marx

Os disfarces subtis da escravidão moderna

(Publicado no Portal Vermelho)

Vivemos um tempo de afirmação do domínio capitalista com a imposição de formas de exploração
que reduzem os trabalhadores à condição de escravos. Os Estados ditos democráticos jogam
com as leis de modo a solapar os direitos antes alcançados por movimentos sindicais e
manipulam as informações através da média que divulga as "fake news" como verdades sempre
convenientes à elite no poder. Para aprimorar a (de)formação da consciência dos cidadãos,
justificam a redução dos recursos para salários e prestação de serviços sociais alegando o "dever
de honra" do país saldar as dívidas contraídas com os bancos credores!. Além das mentiras que
ocultam o desvio dos recursos nacionais (capitalizados como lucros por uma minoria), criam uma
"falsa moral" que vai completar a ignorância da realidade, transformada em educação social que
aliena a consciência dos indivíduos.
A semente transformadora do sentimento humano radica no incentivo ao egoísmo para que, ao
ficar alienado da sua condição gregária natural, a pessoa deixe de se preocupar com o bem-estar
dos que compõem a sociedade, apenas cuidando da forma de relacionamento para utilizar os
serviços que lhe prestam como escravos, clientes ou protetores. Teoricamente o Estado
capitalista deve assegurar essas condições de bem-estar aos cidadãos (egoístas ou não), mas as
instituições oficiais tendem sempre a considerar apenas os privilegiados da classe dominante que
pagam ou mandam.
Em campanha eleitoral a elite social-democrata e demais partidos de direita vestem-se de
democratas ou de generosos irmãos de caridade e repetem discursos sobre o Estado de
Direito, a igualdade entre cidadãos e o respeito pelas diferenças étnicas, de género, de opções
religiosas, políticas ou sexuais, enquanto anunciam grandes projetos de desenvolvimento dos
serviços sociais de saúde, ensino, previdência, transporte e habitação social, para os quais
precisam de investidores para privatizar os serviços que o Estado tem a obrigação de oferecer a
todos os cidadãos. Tratam as questões sociais como negócios que fazem crescer as dívidas que
o povo terá de pagar submetido a um regime de austeridade.

A história evolui e transforma

No século XVIII, como resultado do desenvolvimento filosófico e científico na Europa, germinava o
pensamento humanista em busca da justiça social (esteve na base da Revolução Francesa que
condenou as aristocracias governantes e delineou o Estado democrático), assim como na origem
das várias correntes religiosas que orientavam as investigações filosóficas e a formação cultural
dos povos.
Naquele século os trabalhadores e os pensadores humanizados despertaram para a descoberta
de que a exploração que escravizava uma maioria de seres e enriquecia uma camada privilegiada
não poderia continuar a ser uma fatalidade imposta por lei divina. As correntes religiosas
confrontavam-se e as observações metódicas da natureza por estudiosos, desenvolvia a
curiosidade científica libertada das proibições clericais e do medo de assumirem a condução do
próprio pensamento. O século XIX leva os estudiosos a recuperarem o conhecimento e as
indagações feitas na antiguidade para serem aplicadas aos novos tempos, e os trabalhadores a
serem colectivizados na nascente indústria e nas cidades onde ficam amontoados ao serem
expulsos do campo. O diálogo impõe-se como compensação e revela identidades e diferenças
que suscitam interpretaçōes racionais e gestos afetivos de solidariedade.
A guilhotina era insuficiente para acabar com os donos do poder político, económico e social, e a
miséria agravada nas casas insalubres das cidades exigia soluções científicas e técnicas. O
sistema capitalista era organizado de modo a deixar o trabalhador sobreviver para produzir nas
suas fábricas, manter em ordem as cidades, servir nos exércitos e junto às famílias de classe mais
elevada, deixando os poderosos acumularem a riqueza e gozar a vida prazerosamente.
Os objectivos da Revolução Francesa apontavam caminhos para libertarem os cidadãos das
misérias e da ignorância que constituíam as peias do seu desenvolvimento. A promoção dos
princípios de Liberdade, Igualdade e Fraternidade exigia a superação do egoísmo naqueles que
tinham privilégios de vida e de formação.

Os contestatários criam associações

O autor do filme "O Jovem Karl Marx", Raoul Peck (que fora premiado em 1993 ao apresentar o
filme sobre Lumumba "Eu não sou o seu negro"), nasceu no Haiti, onde foi Ministro da Cultura,
migrou para o Congo e estudou nos EUA, na França e na Alemanha. Neste novo filme
desenvolveu um projeto para apresentar o lado humano de quem hoje é conhecido como um
gênio intelectual e criador de uma doutrina imbatível sobre o sistema capitalista - o marxismo -
que é estudada até pelos seus oponentes por expor minuciosamente os fundamentos da
organização capitalista que domina o relacionamento internacional mundial mesmo com países
socialistas ou que mantêm um regime feudal.
Procurou destacar na história pessoal - de Marx, Jenny, Engels e Mary Burns - o caminho seguido
por jovens imbuídos do desejo de transformar o mundo com a superação da ignorância e das
injustiças, revoltados mas firmes nas suas ideias, sem medo de enfrentar os debates, que não
medem palavras mas ouvem o outro, abertos à discussão, que radicalizam mas fazem a sua auto-
crítica ao conhecerem a realidade em que vive a humanidade. Apresenta as semelhanças com
outros jovens que a história vai produzindo, com idêntica responsabilidade social e princípios
éticos, que desenvolvem a capacidade de pensar e conhecer a realidade do seu
tempo para participar na luta pela transformação mundial. Destaca os traços de caracter e de
formação ideológica de quem foi tornado mito por muitos, que existe na realidade vivida pela
humanidade desde os seus primórdios nas variadas condições históricas produzindo líderes e
gênios intelectuais, como um exemplo a ser conhecido e seguido.
O primeiro texto reflexivo de Marx, aos 18 anos, é sobre a escolha do caminho profissional que
"exige uma ponderação sobre os objetivos do próprio desenvolvimento que assegure o respeito
pelos princípios com que foi formado e o interesse maior de realização, sem incorrer em decisões
apressadas, entusiasmos fugazes, ambições mesquinhas e egoístas". Busca a essência da sua
própria definição como membro da humanidade e investiga a realidade e a história da sua
formação. Chega a uma primeira conclusão: de que pretende forjar em si um lutador competente
para transformar a sociedade de modo a que todos sintam o bem-estar necessário ao
desenvolvimento de cada um.
Nessa altura, ainda recém saído da adolescência, revela ter na sua consciência a crença no divino
e os princípios morais fundamentais das religiões cristãs, herdada da cultura de seu pai - um
advogado judeu tornado protestante, estudioso da filosofia francesa na época dominada por
correntes humanistas em busca de caminhos abertos pela Revolução Francesa e pelas ações
renovadoras de Napoleão (até ser derrotado em 1815 pela Santa Aliança encabeçada pelo Czar
da Rússia e o Governo da Prússia). Neste contexto o jovem revela a aspiração de: formar-se
para ser útil à humanidade. "Como podemos reconhecer essa ilusão sem rastrear a fonte
da própria inspiração?"escreveu Marx em 1836.(1)
Descobre no idealismo de Hegel e no conceito de dialética, reforço para assumir convicções
ideológicas de esquerda ao serviço da emancipação social da humanidade, abrindo caminho para
a compreensão de teorias não religiosas e revolucionárias que vão ser aprofundadas quando
conhece, em 1843, a obra de L.Feuerbach sobre "A essência do Cristianismo" onde a crítica à
teologia conduz ao materialismo.

À medida em que o estudioso jovem consolida a sua percepção intelectual teórica, vai
descobrindo divergências com os grandes professores em que se baseia, quando mergulha no
conhecimento da realidade em que vive a classe trabalhadora. Ao mesmo tempo que analisa as
suas próprias características culturais, que têm consonância com os autores que admira, percebe
que não correspondem às condições de vida e formação da classe trabalhadora e dá um passo à
frente criticando as raízes das divergências. Está sempre preocupado em não seguir um
"entusiasmo repentino" sem conhecer as causas. "Nós não analisamos, não consideramos os
seus encargos totais, a grande responsabilidade que nos impõe, a vimos apenas a uma
grande distância; e a distância é algo enganoso."
Com tais princípios, Marx aceita como natural os sacrifícios do seu bem-estar para estar junto aos
"seus iguais", e aponta os erros do socialismo utópico, assim como dos anarquistas de esquerda,
que formam associações onde realizam debates intelectuais sem agir pela transformação
concreta da sociedade que só seria possível pela ação dos próprios trabalhadores contra
os que exploram e detêm o poder.

O filme "O Jovem Marx" mostra a evolução dos jovens comunistas

Utilizando a correspondência pessoal entre Marx e seus amigos, para além de estudar a extensa
obra teórica posteriormente escrita, Raoul Peck abre ao espectador uma via que lhe permite
mergulhar nas figuras humanas que enfrentaram as suas próprias contradições na vida para
debaterem conceitos teóricos confrontados com os detalhes da realidade que os cerca.
Os diálogos entre Marx e Jenny revelam a cumplicidade e o amor profundo que os uniu, sendo ela
herdeira de uma família aristocrática ligada ao governo da Prússia. Colega de Marx na escola e
também humanista e rebelde, reflete o crescente movimento feminista na Europa. Casa-se com "o
judeu converso", como referia rindo a opinião do seu irmão ligado ao governo da Prússia, e
enfrenta uma vida difícil, com frequente miséria, para alimentar e tratar da saúde dos filhos sem
abandonar a participação política. Juntos suportam as perseguições desencadeadas pelas elites
governantes, e participam de acalorados debates ideológicos com pensadores da esquerda
burguesa e socialistas utópicos na França, na Bélgica e em Londres, depois de terem sido
expulsos da Alemanha.
Com o entusiasmo de jovens que dão a vida por uma causa em benefício de toda a humanidade,
vão deixando de lado as crenças abstratas, os privilégios de classe, a vaidade egoísta, a noção de
superioridade herdada de uma elite econômica e intelectual, os objetivos individualistas. Estudam
a realidade social com recursos da ciência para evitarem os erros de interpretação, buscam a
linguagem simples e direta dos trabalhadores e incentivam a participação deles nas reuniões para
ficarem integrados no movimento de ideias e ação transformadora.
Junto a eles, como grande amigo, segue Engels, filho de um rico proprietário de indústria em
Londres, onde trabalha junto à administração. Mary Burns - operária na sua empresa, lidera uma
greve em defesa da colega que perdeu os dedos na máquina têxtil, e é demitida pelo patrão.
Engels protesta e é admoestado pelo pai. Sai e vai ao "gueto" dos trabalhadores nos subúrbios de
Londres onde descobre e se apaixona por Mary. Assim detona o precário equilíbrio da familia
patronal.
O jovem Engels já era um estudioso da economia e autor de um texto sobre a exploração da mão
de obra de mulheres e crianças tornados escravos na indústria nascente na Inglaterra, que Marx
já havia lido com admiração. Passam a estudar juntos e, com o apoio de Jenny e de Mary que
participam na discussão sobre as realidades opostas da aristocracia e da classe trabalhadora,
constroem as bases teóricas da luta de classes que é sintetizado no "Manifesto Comunista",
publicado em 1848, escrito em linguagem simples e objetiva.

A dinâmica geradora do "homem novo"

Os debates provocados por Marx e Engels com os intelectuais humanistas, utópicos ou
anarquistas, que representavam a esquerda na época e promoviam as associações para onde
afluía o proletariado que buscava formação teórica para a sua consciência espontânea de rebeldia
contra a classe exploradora, propunham uma visão objetiva da realidade sem a versão caritativa
e protetora dos que defendiam a igualdade entre todos "porque somos irmãos". Aí residia o
problema que dava origem ao conceito social-democrata, proposto como oferta de condições de
vida para a classe trabalhadora sobreviver e ser explorada por uma elite intelectual detentora do
poder político e económico a que chamavam "democracia".
Marx e Engels lutavam pela classe trabalhadora dos "nossos iguais", para que partilhassem a
renda nacional distribuída pela sociedade como estrutura de saúde, escolas, seguridade social,
transportes, habitações, empregos, ou seja um Estado Democrático efetivamente, socialista.
Com tais argumentos conquistaram a chamada "Liga dos Justos" transformando-a em "Movimento
Comunista". A visão romântica dos humanistas era substituída pelo materialismo científico.(2
Este foi o primeiro passo para dar início ao propósito revolucionário da Revolução Soviética que
disseminou a luta mundial pelo socialismo e a formação do que Che Guevara chamou "homem
novo", reconhecendo que a Revolução em Cuba criara condições para que viesse a existir em
um futuro mais próximo. Portanto um ideal a ser trabalhado pelos povos de todo o planeta.(3
A evolução do pensamento revolucionário que sempre existiu entre os homens e mulheres desde
os primórdios da História da Humanidade, deu o passo científico ha 200 anos com os trabalhos de
Marx e Engels e seguiu com o desencadear de processos revolucionários que ficaram assinalados
pela Revolução Russa em 1917 e a formação de países que conservaram o sistema socialista -
China, Vietnam, Laos, Coreia do Norte e Cuba - e têm suportado as arremetidas permanentes do
imperialismo a partir dos Estados Unidos, Israel e os países da Europa que se uniram em torno da
NATO e invadem países que tentam alcançar a soberania nacional através do desenvolvimento
das riquezas dos seus territórios inclusive com a formação técnica e social do seu povo.
Cada povo tem a sua história e absorveu uma cultura específica, que definem as condições de
luta que o processo revolucionário exige face à permanente pressão do sistema capitalista e da
agressão imperialista. As novas gerações têm um árduo trabalho de formação para contribuírem
com o lado honrado da história. Os seus pais e avós têm o dever de manter as condições éticas
da educação familiar e social evitando e denunciando a perversão imposta pelo imperialismo
aos órgãos de comunicação social que tentam, de todas as maneiras, alienar as populações para
que se tornem egoístas e defensores de privilégios individuais que sustentam uma elite
exploradora, perversa e criminosa como a que se vê hoje liderada por chefes de governo como
Trump, Nathanyahu e Bolsonaro.

Zillah Branco
02/02/2019

Notas:
1 cit. in Buonicore, A., "Uma redação do estudante Karl Marx", (Portal Vermelho, 05/05/2018)
2 Lenine, V.I. "Breve nota biográfica" (portal Vermelho13/05/1918)
3 Guevara, Ernesto, in "El socialismo y el hombre en Cuba" (1965)

terça-feira, 4 de junho de 2019

O povo brasileiro sempre lutou pela justiça e a democracia




As aulas sobre os muitos heróis que surgiram ao longo da história do Brasil, organizando Quilombos, promovendo greves nas Forças Armadas, e enfrentando como guerrilheiros os militares armados do exército das oligarquias (sobretudo quando nasceu a República ainda em mãos dos grandes proprietários rurais), são formadoras de uma consciência nacional necessária hoje para orientar a luta nacional. É fundamental conhecer a história brasileira para compreender os seus problemas e a sua orientação popular que tem sido desvirtuada pela elite poderosa.

Os temas das lutas repetem-se ao longo de vários séculos e a consciência popular é a mesma, com variações de interpretação cultural e de linguagem que correspondem ao conhecimento da época. Mas, para prejuizo da nação brasileira, foi promovida uma versão elitista que não deu o devido valor às lutas populares afogadas em sangue pelas forças militares dos governantes colonialistas ou mesmo republicanos. A resistência contra a opressão sempre foi considerada um crime pelos governos opressores. Assim também o anti-comunismo foi fomentado para impedir que as idéias revolucionárias fossem divulgadas livremente. O Brasil continua dominado por uma elite de base oligárquica e até os livros que divulgam hoje a história omitem as raízes da escravidão permanente mantida pelo sistema capitalista dependente que impede o desenvolvimento dos brasileiros e dos meios de produção para defender a soberania nacional.

A história caminha devagar enquadrada pelo poder imperialista que é mundial. Mesmo durante os 15 anos de governo do PT com o apoio de partidos de esquerda, não foi possível ultrapassar os limites impostos pelo neo-liberalismo que travou o desenvolvimento social privilegiando a acumulação do capital e a divulgação de uma cultura alienante. A infiltração no Estado dos subordinados ao comando golpista irradiado dos Estados Unidos minou a ação dos governos progressistas e abriu as portas do poder institucional a pessoas covardes e corruptas que paralisaram a justiça e a defesa do patrimônio econômico fortalecido pela produção nacional, as exportações, as explorações do Pré-sal, a bolsa-família, a integração dos cidadãos vitimados por preconceitos nas escolas e nos direitos humanos assegurados pela Constituição.

Importante é conhecer os objetivos que Lula pretendeu implantar no seu governo sem conseguir o apoio suficiente do conjunto de membros ou que foram impossibilitados pela ação do imperialismo na imposição de condições de funcionamento do sistema capitalista. A vontade e a orientação de Lula foram suficientemente fortes para fundamentar um Estado Social que combatesse a fome e to integrasse a população mais pobre nos direitos de cidadania; que ampliasse as instituições de ensino e os serviços médicos com soluções para a plena integração do povo independente das características de gênero, etnia e opções sexuais; que priorizasse o desenvolvimento das forças produtivas e a industrialização nacionais; que reduzisse drásticamente a dependência financeira e garantisse a soberania da Nação integrada no conjunto latino-americano e relacionado com África, Oriente Médio e Ásia, participante do G8 e do G20. Provou que é possivel ao Brasil atender às necessidades vitais e de desenvolvimento do seu povo.

Mas, é verdade que tendo conseguido exercer  os princípios democratizantes na sociedade, não se chegou à instituir as linhas mestras como definição do Estado, permanecendo dependente dos poderes judicial e parlamentar que se opuseram claramente à democratização da sociedade. Hoje vemos que o Estado permaneceu como interessa à elite, um desenho alheio ao país real. Foi idealizada e criada uma superestrutura que não criou raizes porque, de fato, o povo não pode assumir os seus direitos com as garantias de proteção pelo próprio Estado e a Constituição. Faltou a participação popular que virá com a consciência de cidadania como força política.


Combate aos preconceitos

Evoluiu em todo o mundo, e no Brasil durante os governos de Lula e Dilma, o combate aos preconceitos contra as mulheres, as diferentes etnias, as pessoas com diferentes opções de sexo. É a defesa da igualdade de direitos cidadãos, o fim das discriminações, das diferenças salariais, o direito a participarem sem restrições de todos os benefícios sociais. Mas, em muitos setores da vida nacional, principalmente nas empresas privadas, tais preconceitos prosseguiram através de salários inferiores ou ofertas de empregos temporários sem a aplicação da legislação laboral. A luta pela igualdade de direitos dos cidadãos - de emprego, de salário e de carreira profissional - fortalece o combate aos preconceitos que derivam de uma cultura elitista e colonialista, e que é contra os mais pobres.

Na Europa e em países ricos de outros continentes multiplicaram-se os movimentos em defesa dos indivíduos discriminados mas sem integrá-los como classe explorada. Grandes investidores mundiais têm promovido a inclusão de elementos representativos desses movimentos como belezas folclóricas na imagem de uma burguesia rica e moderna servindo-se da mídia especializada em fake news. Vemos nos desfiles da grande moda, no uso de carros de luxo, nas atividades artísticas e intelectuais promovidas por setores privados da cultura. Mas não vemos na vida dos trabalhadores, no acolhimento aos emigrantes, nas escolas privadas, no atendimento médico social, na habitação urbana, na ação da polícia que mantém a ordem pública.

Aos poucos surge uma consciência, nos paises mais pobres, de que são usados como folclore para distrair os ricos. E esta percepção atrai os que, sendo conservadores, têm um resto de dignidade humana. A direita tradicional está estilhaçada por dentro. Começam a surgir "resistentes defensores da ética" dentro da bolha reacionária que usufrue egoísticamente os lucros do sistema. Ha quem confesse ter descoberto que "é bom ser rico, ter uma carreira garantida, mas é melhor participar de uma comunidade igualitária que, mesmo pobre, é mais humana e feliz". Vemos atitudes animadoras de rebeldia contra o domínio neo-colonialista, como a do governo das Filipinas que devolveu as toneladas de lixo enviadas pelo Canadá, o que animou a Malásia a fazer o mesmo. O prestígio da riqueza como forma de poder começa a cair. Ser pobre é um valor, não uma vergonha.

No Brasil e em outros países em desenvolvimento, esses movimentos sociais de combate às discriminações agregam-se à luta de classes, popular e de esquerda, por perceberem que as nações sub-desenvolvidas são também discriminadas. Os preconceitos são uma arma dos exploradores contra os dependentes, pessoas, coletivos e nações. Mas, os exploradores que armazenam o capital, são minoria perante a humanidade escravizada e não podem ser os "donos do poder". O programa de governo que Lula criou de estímulo à participação de todos na educação para a classe trabalhadora seguir as carreiras profissionais e universitárias integrados na nação soberana, é o modelo universal a ser adotado.

O mundo hoje vê que Lula foi preso porque o imperialismo tem medo que o seu exemplo seja expandido por todos os continentes. O Papa o defende e em todos os países da Europa rica surgem movimentos que acusam o governo debochado que é mantido no Brasil por Bolsonaro que não passa de um boneco ao serviço de Trump. Mesmo a direita conservadora não aceita a desmoralização de um Estado com as suas instituições judiciárias que é enxovalhado por um grupo de delinquentes traidores da pátria. A crise do imperialismo chegou a um impasse criminoso e até mesmo os ratos querem saltar do barco da elite exploradora.

Os povos do mundo perceberam que a maioria, entre os biliões de pessoas que povoam o planeta, são pobres. Olham para as suas burguesias e sentem que, mesmo os defensores do sistema capitalista (que ainda acreditam nos Direitos Humanos), começam a temer o cáos que o imperialismo gera para manter uma elite corrupta agarrada ao dinheiro e aderem à criação de soluções sociais para a sobrevivência da humanidade. É hora de unir esforços para salvar o Brasil, a América Latina, o Terceiro Mundo, o planeta.

Zillah Branco