terça-feira, 19 de março de 2019

Luta permanente pelo
desenvolvimento democrático

Zillah Branco
19/03/19

"Todas as sugestões serão benvindas, nunca a ingerência", como referiu Wang Yi, Ministro das Relações Externas da China ao apresentar plano para solucionar políticamente os conflitos. Na tradição do pensamento milenar oriental, esta afirmação deve ser adotada como um ditado popular e filosófico.

O cidadão que enfrenta a vida de pobre e sobrevive com ânimo para buscar novos conhecimentos que sirvam como alavanca para progredir e transmitir aos seus filhos e companheiros de luta, compreende e enriquece a sabedoria milenar. Precisa é ser respeitado pelo coletivo que empreende as ações de organização e desenvolvimento nacional, tendo por base a das forças produtivas - materiais e humanas.

A tarefa solidária desempenhada por quem teve o privilégio de estudar e aprender a organizar um plano de luta gradual que atraia todo o povo trabalhador e a juventude em formação para reconstruir o Estado democrático, é reunir todas as sugestões que não abram caminho às ingerências inimigas.

O egoísmo é uma doença anti-social

Vivemos um momento caótico de egoismo desesperado de uma elite política selvagem e cruel, que não tem saída para o caminho truculento e criminoso que pretende manter o poder sobre a humanidade. Não satisfeita com o monopólio sobre as riquezas naturais utilizadas para o seu conforto, destrói as conquistas dos trabalhadores e populações pobres de todo o mundo que criaram as condições mínimas de sobrevivência baseadas em leis e conhecimentos fundamentais para manterem a evolução da civilização no planeta.

Diante do poder ocupado por vândalos desequilibrados como Trump, Bolsonaro e tantos outros que a eles se submetem entregando as riquezas nacionais e os conhecimentos técnicos e científicos expoliados aos povos, é urgente a criação de um plano de ação para salvar a civilização com as suas características nacionais e históricas que traduzem os valores mentais, éticos e patrimoniais da humanidade no seu conjunto.

Basta de mentiras e fórmulas especiais de "democracia privada" oferecida como solução pré-eleitoral para evitar que os pobres morram e desapareça o necessário mercado interno de consumo de bens essenciais. O ser humano não é rico nem pobre, é um ser capaz de sobreviver, criar soluções para o desenvolvimento, defender os direitos de cidadania, valorizar o meio ambiente, aplicar a inteligência natural no progresso da civilização.

Inteligência artificial para escravização cultural

Através da internet está sendo criada uma "inteligência artificial" que é recolhida e processada por robôs sob a condução da elite dirigente do imperialismo. Ou seja, através do conhecimento das pessoas que utilizam whatzap, face book ou instagram, os "donos do mundo" constroem um pensamento com as características dos grupos que se intercomunicam, o qual vai aparecer como uma "conclusão" ou "modelo inteligente" a ser seguido. Criam, portanto uma "fórmula" para bitolar o pensamento humano excluindo a sua dinâmica natural que é evolutiva.

A partir desse modelo, revelado por pessoas e grupos com determinadas características históricas, sociais e políticas, os donos dos robôs vão vender às empresas que criam produtos atrativos para os grupos ou classes definidos. Isto significa que a inteligência de cada um fica amarrada, sem vontade própria, à resposta oferecida pelo produto oferecido comercialmente ou políticamente. Assim agiram os promotores das campanhas eleitorais para convencerem os eleitores de Trump, de Bolsonaro, dos apoiantes de Guaidó. Transformaram os eleitores em uma "manada" irracional conduzida por um "inteligente criminoso".

Além, dessa mesma elite imperialista, roubar as propriedades nacionais que são a base do trabalho produtivo - as terras, as ferramentas, as máquinas, o conhecimento profissional, etc. - dos povos, agora destroem o sistema judicial de defesa dos cidadãos e impõem limites ao tratamento da saúde, à formação escolar, à previdência social, às descobertas tecnológicas e científicas que existem em cada nação e passam a controlar a inteligência das pessoas como se fossem débeis mentais para que cumpram dentro de normas aparentemente "democráticas" um falso papel de "liberdade de escolha" dos governantes que vão impor um regime adequado aos objetivos do imperialismo expoliador.

O imperialismo, através de magnatas (como Soros e outros) e grandes empresas que dão prêmios estimulantes aos jovens que se dedicam à humanidade - na defesa da natureza, no amor aos cães domésticos, na informação social, na divulgação dos problesmas graves em que os pobres tropeçam - desde que façam a apologia do indivíduo como vítima e não da classe trabalhadora e expoliada que representa. Preconiza a superação das ideologias, de esquerda e direita, promovendo a dúbia social-democracia que se equilibra sobre o muro com o olhar enevoado por falsas informações para não distinguir o óbvio: rico no poder e pobre na miséria = direita e esquerda.

Assistimos desalentados ou desesperados à uma crise completa de valores que nega, em primeiro lugar a inteligência das elites mais poderosas que inventaram uma "democracia" privada a ser distribuida de acordo com o gráu de submissão que os grupos ou classes humanas revelam. É sabido, para quem estuda a história dos povos, que a escravidão destrói com violência e crueldade a capacidade de defesa do ser humano. Como recurso de sobrevivência ele foge ou passa a defender os seus "donos" tornando-se corrupto e oportunista.

Mas a Antiguidade revelou casos de confronto na defesa da dignidade humana de quem foi dominado pela força e as armas por uma elite. As elites, assim confrontadas, são vencidas e têm de fugir ou submeter-se aos lutadores. Essas foram as sementes revolucionárias que a história acumulou para definir as condições necessárias para que os trabalhadores oprimidos não sucumbam diante do uso da força e do poder econômico contra as populaçôes mantidas na miséria, sem assistência médica e acesso à formação profissional. A condição inicial é o sentimento de solidariedade e respeito humano,  sem preconceitos divisionistas, seguido da capacidade de organização e ação coletiva em defesa de direitos sociais e econômicos que criam condições para atingirem uma representação política - sindical, partidária, intelectual, parlamentar até chegar ao governo e à administração do Estado.

O socialismo define o regime que deriva deste percurso da classe trabalhadora contra o domínio de uma elite que utiliza o sistema capitalista para impor a sua força derivada do acúmulo do capital privado e do controle das forças armadas e do mercado nacional e internacional. Até o recente movimento de adolescentes que se levanta no mundo (com apoio controverso, como é moda hoje na ação social-democrata) a partir da projeção da jovem suéca Greta Thumberg, reconhece que é preciso mudar os parâmetros da vida política e também "o sistema" que os condiciona. Com a inteligência natural, o espírito de solidariedade, a força de vontade, a saúde e o conhecimento da história de vida, a humanidade afirma a sua condição revolucionária e supera a manipulação dos retrógrados imperialistas. Organizam-se os que lutam pela Paz e expulsam a elite opressora que ocupa o poder.

A repulsa do imperialismo aos revolucionários

A elite do sistema atribuiu à jovem Greta Thunberg um "sindroma de autismo" para explicar a excepcionalidade da sua análise objetiva, lúcida e revolucionária do sistema capitalista falido. Não querem aceitar que a lógica de uma humanidade sadia leva ao conhecimento da ciência da vida que permite a todos sobreviverem e desenvolverem as suas capacidades mentais e físicas em benefício de todos os que não pretendem usar o poder ccom o egoísmo expoliador.

Com firmeza e paciência, sem perder a coerência do objetivo revolucionário, este caos criado pelas crises cíclicas do sistema capitalista será superado por um sistema democrático e responsável pela defesa da natureza e da humanidade no planeta.

Na América Latina a velha batalha dos povos contra a dominação colonial que se foi transformando em imperialista, tem dado provas do esforço dos seus povos na criação de nações independentes. Cuba fez a sua revolução com o apoio histórico da União Soviética, descobriu o seu próprio caminho de desenvolvimento socialista e suportou seis décadas de embargos impostos pelos Estados Unidos na liderança do império capitalista globalizado. A presença desta semente revolucionária demonstrou o caminho para a libertação de um povo capaz de organizar a sua luta, a sua sobrevivência e desenvolver as suas capacidades. Inspirou outros povos a lutarem contra a opressão.

O Chile de Allende, na década de setenta, deu um paço gigantesco que trouxe a esperança ao mundo do capitalismo globalizado. Foi cruelmente destroçado depois de três anos de luta em que abriu caminhos inovadores de fusão popular de populações nativas e imigradas da Europa que se irmanaram como chilenos revolucionários. Ficou o exemplo da firmeza de Allende e milhares de líderes revolucionários assassinados por não abandonarem a dignidade e a defesa revolucionária da sua nação.

Outras experiências se sucederam na América Central - Nicarágua, São Salvador - que sofreram a pressão imperial dos Estados Unidos. No entanto, na Ásia o exercito imperialista foi vencido no Vietnam de onde foi expulso pelo povo liderado por Ho Chi Minh que deixou importantes ensinamentos sobre a organização da resistência popular que foram divulgados pelo mundo em luta. Na Africa do Sul o férreo combate ao "appartheid" racista superou a força dos antigos dominadores que impunham a "superioridade racial dos brancos" e elegeu o herói Mandela como o primeiro Presidente negro no país.
Apesar dos vários governos de orientação neo-capitalista que o imperialismo apoiou na América Latina e das ditaduras militares que foram impostas para vencer a resistência popular, o século XXI assistiu à redemocratização de vários países latino-americanos que se expandiram através de organismos de convívio político e trocas comerciais: ALBA substituiu a OEA unindo o continente com exceção dos Estados Unidos e Canadá que representavam o império ameaçador. A Venezuela, liderada pelo presidente Chaves e apoiada por Cuba foi a grande força revolucionária de apoio aos governos democráticos eleitos no Brasil, Argentina, Bolívia, Uruguai, Paraguai, Chile, Nicarágua. Cada nação seguiu as suas condições históricas e os caminhos adotados por seus líderes.

Os Estados Unidos também sofrem a ebulição interna de sua população que acordou sobretudo na derrota militar no Vietnam e que, explorada nas várias crises financeiras do sistema, entendeu a necessidade de mudança para alcançar a verdadeira democracia e a identidade com os demais povos em luta pela independência. Dentro do espaço nacional mantém a contradição entre o poder imperialista e o governo nacional que reflete os anseios populares. O poder supra-nacional escolheu Trump como fantoche para ocupar o Governo e comandar os ataques externos. Assiste às manifestações internas de solidariedade com a Venezuela, com os imigrantes que chegam de outros continentes vitimados pela ação imperial, com o Brasil onde a submissão do traidor Temer e agora do fantoche Bolsonaro destroem o património e o desenvolvimento alcançados pelos governos de Lula, com as lutas mundias contra o machismo, o racismo, os direitos de opção sexual e a liberdade de pensamento.

O momento é de resistência e de solidariedade internacionalista. O apoio é trazido pela China socialista que em aliança com a Russia e outros países que compõem uma força geopolítica antagônica à do bloco capitalista dirigido pelo imperialismo. Em causa está a sobrevivência do planeta - natureza e humanidade - ameaçada pelo aquecimento global , as armas atômicas e a tecnologia aplicada pela "inteligência artificial" na deformação da cultura divulgada pelos meios de comunicação social.

A campanha por Lula Livre unifica a esquerda brasileira em torno do programa em benefício do povo e não da política financeira que apenas enriquece uma elite traidora e desumana. Ela repercute em todos os países que sofrem a destruição imposta pelo imperialismo catastrófico e ensina as novas gerações a defenderem o seu futuro que é o dos povos livres.


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quarta-feira, 13 de março de 2019

A decadência dos governos submissos

Império do mau carater

Zillah Branco
08/03/19

Assim como nos séculos XVIII e XIX houve uma valorização na percepção da classe trabalhadora explorada pelas elites por filósofos humanistas com pensamentos religiosos ou ateus que defendiam os princípios éticos e valorizavam a dignidade, apesar de divergirem na ação social generosa em lugar da solidáriedade, no século XX o sistema capitalista fortaleceu-se com a imposição de ações falsas vestidas de princípios democráticos e humanistas. Para alcançarem o poder político em cada nação passaram a escolher pessoas que aceitaram a corrupção para representarem o papel dúbio de "democratas" condicionados aos interesses do sistema financeiro que prioriza claramente o fortalecimento da elite exploradora, que tem acesso a todos os privilégios, em detrimento do povo que inclui desempregados, trabalhadores braçais e os com formação profissional média.

A ética foi banida e substituida pela generosidade pontual em casos extremos, com o título de "democracia social". Com a supremacia dos Estados Unidos da América como potência econômica capaz de gerir a fase imperialista mundial, concentrando o capital no controle do sistema financeiro e do mercado externo, que se tornou um poder acima do governo naquela nação, deu início à escolha de presidentes que aceitavam qualquer imposição da lógica capitalista que feria os básicos princípios de idoneidade. Foi o caso de Trumam que se responsabilizou pelo bombardeamento de Dresde, quando a Alemanha já havia sido vencida, e de Hiroshima e Nagazaki, com bombas atômicas quando o Japão já reconhecera a derrota. Só mesmo um homem capaz de executar atos de traição às populações civis para demonstrar o poder militar do imperialismo, ou seja, despido de qualquer dose de sentimento humano e de respeito pelos povos, poderia desempenhar este nefasto papel. Estava lançado o modelo de presidente nacional susceptível de controle superior.

Aos poucos foi sendo aperfeiçoado este modelo ideal, que era vinculado aos partidos de direita, deixando a máquina do governo sem espaço para alternativas que os de centro -  que se diziam democratas - tentavam quando eleitos. E, se insistiam, sofriam atentados, como ocorreu com Kennedy. O nível mental dos presidentes entrou em declinio tanto nos EUA como nos países mais ricos da Europa algumas vezes substituidos por mulheres com melhor formação mas que sofriam os preconceitos machistas somados às restrições criadas pelas super-estruturas imperialistas.

O mundo foi surpreendido pela visível ignorância de Bush, mas acabou por se acostumar com o que também via nos "ingênuos" democratas tipo Clinton, ou no esperto mas máu carater, Tony Blair na Inglaterra, ou no pasmado François Hollande da França. Foi então que surgiu o indefensável Trump que aceita fazer qualquer papel, mesmo contraditório com o que afirma, e depois Bolsonaro que é visivelmente um boneco de ventríloquo. São os presidentes "uteis" ao imperialismo que, por trás do governo formal, altera leis, desmonta instituições do Estado, controla as forças policiais treinadas a utilizarem recursos de bandidos com isenção de responsabilidade pessoal, vende o patrimônio nacional a preço de feira. A corrupção resolve tudo e qualquer problema.

Diante dessa falência humana no poder nacional as ditaduras militares surgem como defensoras do território e do equilíbrio social mantido com armas e muita violência, pois também foram formadosela moda anti-ética do imperialismo.

Formação cultural massificada

Paralelamente a este processo que impede a realização de governos realmente democratas, a mídia hegemônica semeia o combate aos princípios éticos como "superados históricamente" e promove a "esperteza nos jogos políticos" em lugar da inteligência criadora aplicada em liberdade. Este caminho da formação mental das novas gerações invadiu organismos universitários, igrejas e instituições sociais criadas para defenderem os povos das ambições políticas dos poderosos corrompidos. Como refere J.M. Goulão no livro "O Labirinto da Conspiração" (editora Caminho, 1986, Lisboa) os tentáculos do imperialismo norte-americano invadiram a Máfia, a Opus Dei e a Loja Maçônica (o que ficou comprovado no fim da década de 1970 e até 1986 no rumoroso caso relativo ao assassinato do juiz italiano Aldo Moro), instituições com prestígio na ação religiosa e política em defesa de maior justiça social.

Hoje ocorre a denúncia contra a Igreja Evangélica Pentecostal que tem uma ramificação invadida pelo imperialismo com aparente "democracia" nos costumes e age ligada à emigração, ao tráfico de crianças órfãs, ao abastecimento de mão de obra para trabalhos domésticos ou eventuais, e que promoveu a eleição de Bolsonaro de acordo com o projeto de Steve Bannon, assessor de Trump.

A CIA passou a exportar gabinetes de assessorias para qualquer matéria administrativa para atender organismos do Estado. Foi a moda da terceirização que substituiu os funcionários públicos que iam para a prateleira por terem opinião própria inconveniente aos comandos externos, ou foram despedidos por não terem contrato. Estes assessores entram em toda a estrutura institucional do Estado e do próprio Governo e orgãos de soberania como "piolho por costura". Isto forma uma mentalidade que nega os princípios éticos e de responsabilidade social como "questões fora de moda". O moderno, para eles, é ser "egoista" e "esperto" para enganar Deus e o mundo.

O mau funcionamento do sistema jurídico, com processos que caducam deixando o infrator privilegiado sem penalidades ou livres graças às interpretações pessoais de juizes "amigos do réu", alimentaram os "espertos" (sem princípios morais e éticos) a também criarem gabinetes de "consultoria" para fiscalizarem administrações públicas. É corrente a explicação de que ao descobrirem falhas pedem parte do prejuizo causado para darem o aval de que está correto. Se não, denunciam o erro ou crime. Assim, forma-se uma mentalidade venal que se alastra pela sociedade ligando a elite a uma camada social capaz de eleger Trumps e Bolsonaros, que manobra as leis e usa a corrupção como ponta de lança para qualquer negócio ou jogada política.

Este apagamento de princípios baseados na dignidade e na solidariedade instrumentaliza a dissolução dos costumes e das instituições que devem ser pilares do Estado. Com a privatização de serviços de utilidade pública - saúde, educação, segurança social, transportes - e das empresas públicas que além de constituirem um patrimônio nacional gerem a comunicação e o mercado - correios, produção de energia e petróleo, rádio e televisão, indústria farmaceutica e alimentar, que asseguram a capacidade de manter a democracia interna e a soberania nacional.

A quebra dos princípios éticos e morais desarma a população que aceitará fácilmente a imbecilização transmitida pelas propagandas através de jogos, vídeos, sons que perturbam o equilíbrio nervoso, velocidades alucinantes e drogas de todo tipo que são incluidas em pastilhas e liquidos que distraem sobretudo as crianças e jovens, nos esquemas de corrupção e do crime organizado que foram criados de fora para dentro para destruir a democracia social que se desenvolvia no Brasil projetando-o a nível mundial.

Resistência e luta popular

Resistir à esta demolição demoníaca exige uma decisão bem pensada, balanceada com o conhecimento da história da nossa civilização, sobretudo no que toca à formação da boa gente brasileira com as suas diferenças na forma de caminhar pela vida sempre em busca de solução para os mil problemas da vida, sobretudo a dos outros mais abandonados. A responsabilidade dos que recomendam a resistência a este caos programado pelo imperialismo é imensa, não pode resvalar em aparentes facilidades, em oportunidades que parecem cair do céu. Resistir exige a tarefa de construir uma sólida estrutura de sentimentos patrióticos, éticos, humanistas, que despertem o entusiásmo nos que têm os mesmos anseios e que ainda têm medo de se expor nesta selva que envolve a humanidade proibindo a justiça e vendendo a alma. Para isso é preciso aprender com o povo como sobreviver sem aceitar a escravidão, como manter a dignidade e conservar a idéia própria para ensinar aos filhos o caminho da solidariedade e da busca do saber.

A resistência popular exige a definição da meta social e o compromisso de todos na construção de uma nova sociedade fraterna e igualitária, sem privilégios, sem preconceitos, com lideranças sem patrões. Ainda temos uma Constituição que prevê a realização de novas eleições diante do fracasso do atual governo que comprovou em dois meses ser absolutamente incompetente para dirigir o país e manter a sua soberania política e econômica ameaçada pelo imperialismo norte-americano. 0s eleitores de Bolsonaro têm a oportunidade de corrigirem o erro cometido sob a pressão dos traidores submissos ao imperialismo, e de somarem aos milhões que querem defender a dignidade do Brasil e os direitos democráticos do povo trabalhador!

Sigamos o exemplo de Lula na sua vida, da fome à luta sindical, do trabalho operário à Presidência da República com o apoio popular e o aplauso internacional, herói do povo brasileiro e da Paz mundial!

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sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Imperialismo manipula instituições secretas




Artigo divulgado em OLadoOculto 28/12/18

A história do sistema capitalista repete-se, nas várias regiões do planeta, variando em função das diferenças estruturais entre os países. Dialéticamente produz os anti-corpos com que as nações se defendem da submissão ao imperialismo - a forma superior do capitalismo - fortalecendo o seu próprio desenvolvimento social e econômico e afirmando a soberania nacional no contexto mundial.

No chamado "terceiro mundo" (quando não havia a preocupação em disfarçar com uma  máscara  de desenvolvimento que envolvia a elite nacional como se fosse uma semente a ser "democratizada" com a "evolução" do povo), o controle imperialista agia despudoradamente aplicando as decisões tomadas nos países mais ricos como imposições às nações que "por serem pobres" cumpriam obedientes. Viviam como "colonias" ou "agregados", conforme os termos assinados pelas respectivas elites que detinham o poder.

Depois da Grande Guerra, pacificada graças à necessária aliança dos países ricos capitalistas com a recém-formada URSS - União das Repúblicas Socialistas Soviéticas - que vencera o exercito de Hitler com o apoio do seu povo revolucionário e a força militar do Exército Vermelho, a linguagem política foi alterada para evitar os preconceitos utilizados relativos à dependência dos "pobres", ou "subdesenvolvidos", como se fosse uma fatalidade. Com uma substituição de títulos, o "terceiro mundo" passou a ser considerado "em via de desenvolvimento" e a "democracia" (privilégio da burguesia rica) passou a escoar como esmolas para as classes trabalhadoras, em pílulas cosméticas traduzidas em leis laborais.

A ONU, definida com base nos princípios dos Direitos Humanos e da Igualdade entre todos os povos, desenvolveu as suas funções no sentido do reconhecimento das lutas nacionais contra o domínio colonizador e a presença estrangeira que impunha medidas aos governantes subalternos. Com o apoio do sistema socialista muitos povos puderam organizar os movimentos de libertação nacional e expulsaram os seus colonizadores criando governos autonomos que a ONU reconheceu. O vocabulário político mudou, sendo banidos os termos "colonia", "subdesenvolvido" e "terceiro mundo", assim como "imperialismo" (este sendo considerado um "chavão" dos comunistas) e os governantes dos países ricos viram-se obrigados a apertar as mãos dos seus antigos "colonizados", como seus iguais, de várias etnias reveladas pelas vestes e pelos idiomas.

Só as palavras mudaram
Porém, a realidade do domínio e opressão continuou.
Mas, a maneira de poder intervir na vida de cada país - que continuava a lutar pela sua independência e soberania nacional desenvolvendo as suas forças produtivas que permaneciam oprimidas nas relações com o mercado externo e as taxas relativas a transporte, utilização de portos, sistema cambial etc., pertencentes aos países ricos - tornou-se apenas mais discreta para o imperialismo.

Em 1986, na Europa, foram divulgados os processos jurídicos, que se multiplicaram na Itália, a partir do sequestro e assassinato de Aldo Moro. Desvendaram uma teia complicadíssima do relacionamento entre forças imperialistas que se introduziram na Loja Maçonica dos Estados Unidos, na OPUS DEI (vinculada ao Vaticano) e na Máfia Italiana, manipulando destacados membros de cada uma dessas instituições para penetrar nas estruturas governativas e impedir qualquer tipo de aliança com forças de esquerda.()

Todas essas instituições têm em comum o "secretismo" imposto aos seus membros e uma função "protetora dos que trabalham pelo bem comum na sociedade". Esta imagem humanista e generosa reconhecida nas sociedades através dos tempos era o aval de uma conduta sempre positiva e respeitável, independente das oscilações políticas ocasionais  causadas históricamente. Nada melhor para o imperialismo que utilizar as estruturas seculares de tais organizações espalhadas pelo mundo, introduzindo através de novos participantes que transmitiam objetivos de ação política junto a competentes membros (mediante convencimento ideológico e aporte financeiro), que garantiam o secretismo mesmo dentro da instituição e escolhiam os executantes contratados para atuarem no interior da estrutura dos Estados.

Jornalismo com coragem
O autor de "O Labirinto da Conspiração" (1) explicita que os textos tratados são sobre política porque as seitas referidas (a maçonaria norte-americana à qual pertencem destacados quadros das empresas multinacionais, a Logia Propaganda Due P-2 que foi desmantelada na Itália, a tentacular Opus Dei liderada pelo padre José Maria Escrivá de Balaguer, e a Máfia) foram objeto de apurados estudos jurídicos na Itália que fundamentaram processos onde foi revelada a interligação entre elas para forjar caminhos aparentemennte legais na prática dos serviços públicos ou eliminar físicamente os quadros que ousaram opor-se a eles.

Aquele trabalho não contém um ataque a instituições como a Igreja Católica ou à Maçonaria: "Limita-se a denunciar as organizações e as pessoas que se aproveitam do prestígio dessas entidades para tentarem atingir objectivos que nada têm a ver com a religião ou a procura de uma maior justiça social". O que denuncia é a constituição de um sistema supra-nacional que as articulou e manipulou com recursos internacionais de uma rede subversiva secreta.

"As seitas secretas inserem-se transversalmente na sociedade, ignorando partidos e fronteiras. Os interesses aglutinadores são os do grande capital e a imposição de soluções políticas conservadoras que assegurem o afastamento das forças progressistas das áreas do poder".

Os Tribunais registaram
Na sequência de inúmeros escândalos financeiros com aparentes vínculos com assassinatos de personalidades como o dirigente democrata cristão Aldo Moro em 1978  e o do juiz Emílio Alessandrini que apurou irregularidades no Banco Ambrosiano em 1979, seguido por vários assassinatos de quem investigava as irregularidades de Michele Sindona, (entre outros o juiz Giorgio Ambrosoli) que comprara a Banca Privata Finanziaria em 1964 tornando-a a base de todo o sistema financeiro.

É longa a lista de processos, prisões, assassinatos e falências bancárias que culmina em Fevereiro de 1986 em Palermo, com o julgamento de 467 réus da Máfia. Em Março Michele Sindona é condenado à prisão perpétua por envolvimento no assassinato do juiz Giorgio Ambrosoli, sendo envenenado quatro dias depois com cianeto.

"As seitas de que aqui se fala fazem parte de um todo, são instrumentos mais ou menos coordenados de um sistema de opressão que, sentindo-se ameaçado, cria exércitos na sombra, preparados para eventualidades possíveis e prováveis (...) Os homens da velha ordem recorrem a tudo para deter a marcha inexorável do tempo porque sabem não lhes pertencer o futuro. De tal modo se enredam nas suas próprias teias que os seus enredos acabam por ser conhecidos", afirma o jornalista de "o diário", Villaverde Cabral.

Entretanto, diante da crise do sistema capitalista, essa forma de manipulação de instituições que de alguma maneira preservam a sua independência dentro do chamado Estado de Direito prossegue, como no Chile de Allende com a infiltração nas forças armadas que executaram o golpe de Pinochet, e agora no Brasil com a manipulação da Igreja Evangélica Pentecostal, o domínio incontestável do sistema judicial, para não falar no controle global dos meios de informação e comunicação social.

Servindo-se das redes sociais expandidas pela internet, conforme o plano de Steve Bannon assessor de Trump, levaram a sua falsa mensagem de combate à corrupção promovendo uma figura de valentão e torturador como lider dos cidadãos que sofrem a opressão do sistema. E conseguem formar um governo que pretente destruir todas as conquistas sociais alcançadas sob a orientação de Lula (não sendo improvável encontrar os mesmos intervenientes imperialistas do processo italiano, no golpe e no resultado eleitoral ocorrido agora no Brasil).


1) Em 1986 o jornal "o diário" criado por Miguel Urbano Rodrigues em Portugal divulgou, segundo o depoimento do jornalista A.Villaverde Cabral "uma série de reportagens-dossier(…) em "o diário", por certo o único jornal português com coragem para o fazer". Foi a base da edição de "O Labirinto da Conspiração" de J.M.Goulão.



Zillah Branco
29/12/18

domingo, 16 de dezembro de 2018

Ha melhores caminhos para a humanidade



Publicado no O Lado Oculto
15/12/18

A humanidade tem sofrido as consequências da crise do sistema capitalista que estrebucha no mundo inteiro, agravando a miséria que derivou da ganância criminosa das elites imperialistas. Novamente ressurgem grupos fascistas que agravam as situações caóticas com o seu habitual vandalismo, utilizando as manifestações pacíficas das populações que reivindicam os seus direitos já consignados (nem sempre cumpridos pelos Governos) nas Constituições nacionais e nos Princípios da ONU. O grande exemplo, recente, explode agora em Paris, em plena época natalícia, quando o comércio exibe a beleza luminosa das suas convidativas promoções como incentivo ao descontrolado consumismo.

É a época do caos que lembra Nero na decadência do Império Romano. Os fugitivos de regiões mantidas na miséria pelas políticas colonialistas, somam milhões de cidadãos expulsos dos seus países assaltados por invasores organizados em exércitos ou grupos terroristas (armados pelo imperialismo) que além de matarem impiedosamente, provocam o aumento imparável das condições de miséria impostas a países que perderam a sua soberania e são escravizados por um poder estrangeiro que pretende ser unipolar.

Os atos de agressões são "justificados" pela mídia global com base em farta documentação que segue o modelo das leis, com extensas análises jurídicas e fundamentações em linguagem científica, forjadas por burocratas altamente remunerados para defenderem as elites e condenarem os trabalhadores. E, dessa forma, divulgam os desígnios dos que promovem a comercialização dos produtos de maneira a obterem lucros com os sistemas de extração das riquezas do subsolo, compra e venda do produto bruto, transporte, embalagem, promoções, autorizações e proibições que regulam a dependência de nações pobres e o domínio por grandes empresas acima da soberania de qualquer pátria. E formam a opinião pública treinada  como papagaios.

A missão da ONU

Mas, afinal, este desgoverno quase planetário, tem uma organização criada depois da Grande Guerra - a ONU - para manter o equilíbrio multipolar. Com a paciência proverbial dos orientais foi um embaixador da China no Reino Unido, Liu Xiaoming, quem divulgou a mensagem lúcida: "O Grupo dos Vinte (G20) deve enviar uma mensagem clara de defesa do multilateralismo para conduzir a globalização econômica pela direção correta", disse antes da cúpula do G20 na Argentina em um recente artigo, assinado, publicado pela revista britânica “First”.

Liu disse que o G20 é um “importante campo de batalha” para proteger o multilateralismo por ser um local importante para que os países desenvolvidos e em desenvolvimento participem de consultas e tomem decisões em pé de igualdade sobre assuntos de desenvolvimento e governança global. Chama a atenção para que a ONU "defenda o espírito de associação, reforce a confiança global e trabalhe por um crescimento econômico mundial robusto, sustentável, equilibrado e inclusivo".

Ao indicar que a metade dos membros do G20 é constituída por países em desenvolvimento, Liu comentou: (o G20) “tem a obrigação de criar mais oportunidades para eles, promovendo o crescimento econômico mundial, e lhes oferecer mais apoio com o impulso da cooperação internacional para o desenvolvimento”. Ao referir a necessidade dos países conquistarem a sua soberania mediante a organização dos seus próprios planos internos com base no "desenvolvimento sustentável e estabelecendo políticas associativas preferenciais", o embaixador Liu revela: "Na China, 40 anos de reforma e abertura não só criaram um milagre de desenvolvimento mas também oportunidades enormes para o mundo”.

O Presidente da China, Xi Jinping, no encontro do G20, observou a necessidade de promover condições de crescimento da produtividade e de associativismo para todas as nações em desenvolvimento com vistas ao futuro das relações de produção. "Neste processo, os países estão se tornando cada dia mais, uma comunidade com interesses compartilhados, responsabilidades compartilhadas e um futuro compartilhado", observou Xi, enfatizando que "a cooperação de ganhos recíprocos será a única escolha no futuro."

As pontas de lança do imperialismo

Enquanto a ONU promove debates no G20 onde a preocupação com a paz e a possibilidade de desenvolver as forças produtivas dos países por meio da colaboração global, o ideólogo de Trump, Steve Banon, forma um instituto universitário na Itália para formar especialistas em tecnicas digitais para invadirem as redes sociais consideradas "alternativas" à mídia hegemônica e apoiarem a direita fascista no assalto ao poder até agora ocupado pela social-democracia. As suas experiências expandem-se pelas nações europeias, como se assiste em Paris, e ameaça outras capitais, depois de terem sido iniciadas na América Latina contra as forças progressistas que, ha duas décadas, formaram governos e promoveram associações regionais que abriram caminho para a recuperação da soberania nacional e a promoção do desenvolvimento das respectivas forças produtivas nacionais.

Este novo caminho para um futuro de liberdade e democracia, que surgira no Brasil com a eleição de Lula - como na Venezuela, Nicaragua, Argentina, Bolívia, Uruguai, Paraguai - foi cortado brutalmente pelo processo fascizante de Trump e Banon, conjugado com a iniciativa de promover o golpe através de Temer e sua camarilha (com apoio das forças da ditadura militar adormecidas desde 1985) para eleger Bolsonaro. Antes mesmo da sua posse no governo, este fantoche do moderno fascismo promove um encontro com os seus colegas reacionários em uma Cúpula Conservadora das Américas,"a primeira do gênero, uma iniciativa bolsonarista que tentará aproximar reacionários do continente para ações políticas conjuntas. A “fauna” a se reunir no dia 8/12 em Foz do Iguaçu, no Paraná, será variada e terá como estrela bolsonarista o filho caçula do ex-capitão, Eduardo, uma espécie de chanceler paralelo do futuro governo do pai.

Com ele estarão: um presidenciável chileno admirador de Augusto Pinochet, um exilado cubano acusado de terrorismo nos anos 1980 e uma senadora colombiana que nega ter havido um fato histórico reconhecido por historiadores de seu país, a matança de mil e oitocentos camponeses grevistas em 1928. Também da Colômbia, falará, mas por videoconferência, um ex-presidente que renunciou ao Senado neste ano por acusação de suborno e fraude e depois voltou atrás na renúncia, embora o processo contra ele siga na Suprema Corte. Trata-se de Álvaro Uribe, presidente de 2002 a 2010, que participará de debate sobre segurança, um dos quatro temas do evento."(como revela a mídia 'alternativa', canal 247, no Brasil).

E a mídia global, amarrada aos financiamentos do sistema imperialista, prossegue nos "fakes news" habituais que repudiam as nações que ousam defender o caminho da democracia e da soberania dos povos, ocultando as revelações dos chineses que apoiam a reforma necessária da Organização Mundial do Comércio, e acreditam que "é crucial defender os valores essenciais e princípios fundamentais da OMC como abertura, abrangência e não discriminação, e garantir os interesses de desenvolvimento e espaço de política dos países em desenvolvimento", como frisou o presidente chinês.

É importante ressaltar o esforço de um país dirigido pelo Partido Comunista (e, por esta razão ser alvo de ataques preconceituosos pela forças retrógradas que orientam a mídia global) que defende "as três ferramentas definidas pelo sistema capitalista para o organismo internacional: políticas fiscais, monetárias e reforma estrutural, a serem aplicadas de modo holístico para garantir um crescimento forte, equilibrado, sustentável e inclusivo da economia mundial," como disse Xi Jinping pedindo que  "esteja comprometido com a cooperação de ganhos recíprocos para promover o desenvolvimento mundial inclusivo."

Êxitos de governos progressistas

É importante acompanhar os êxitos de governos progressistas, como os da Venezuela e da Bolívia, que marcaram as suas trajetórias no combate sem tréguas ao neoliberalismo e fortaleceram a política governamental voltados para as características dos seus povos e traçando planos para satisfazer as necessidades prementes de sobrevivência e desenvolvimento. Os projetos desses governos priorizam o crescimento forte, equilibrado, sustentável e inclusivo da sua população, além de participar da troca de produtos e de experiências com os demais, a nível tegional e internacional. Aplicam os princípios que foram teorizados pela ONU, tornando-os uma realidade humanista, além de política.

Apesar das falsidades que a mídia global despeja sobre o mundo, a Venezuela constrói desde 1998 o caminho traçado por Hugo Chaves na defesa dos Direitos Humanos, com liberdade de expressão, melhor distribuição de rendas, redução do analfabetismo, ensino e saúde gratuitos, democracia participativa que inclui o referendo revogatório para leis nacionais. São análises internacionais (International Consulting) que registam 80,9% de apoio popular ao Presidente  Maduro, 85,4% condenam os atos de violência e 80% da mídia no país é privada. Enquanto Trump ameaça invadir a Venezuela e estimula a fuga de uma burguesia que lamenta a impossibilidade de explorar os trabalhadores naquela nação, o governo de Nicolas Maduro promoveu, dia 9/12, uma eleição da estrutura de poder local que abrange 2.489 cargos municipais, alcançando o apoio de 92,8% dos resultados para o Grande Polo Patriótico que reune várias organizações, o que comprova a realidade de um povo que continua a ser soberano.

A Bolívia era um dos países mais pobres da América Latina quando as suas riquezas minerais - gás, petróleo e estanho - eram exportadas em bruto por empresas multinacionais associadas às velhas famílias oligárquicas do país. Com a eleição de Evo Morales, líder indígena, que formou um governo disposto a combater o neo-liberalismo e estabelecer um equilíbrio plurinacional com reconhecimento das identidades indígenas, estatizou as empresas de exportação e passou a ter um crescimento anual do PIB em 5%. Assumiu o controle das terras e redistribuiu em propriedades privadas pequenas e médias, estabelecendo um controle sobre a cadeia produtiva de modo a garantir o auto-abastecimento alimentar. Esta experiência que tem permitido o reconhecimento internacional dos seus êxitos abre importante campo de estudo antropológico da riquesa cultural indígena, a começar pela capacidade de organização comunitária para assegurar a sobrevivência com recursos limitados em condições climáticas adversas, devido ás elevadas altitudes e baixas temperaturas, e pelo uso de produtos naturais com qualidades medicinais. O primeiro exemplo é o da folha verde de coca - que não deve ser confundida com a branca, da cocaina, utilizada pelo narco-tráfico combatido na Bolívia.

Com a preocupação de "superar 500 anos de desprezo, ódio, escravidão e exterminio pelos colonialistas", como disse Evo Morales na Assembleia da ONU, traçaram um caminho de "refundação" do Estado, de modo a priorizar os serviço públicos sociais para eliminar as carências e taxaram as grandes fortunas e os elevados lucros para manterem alianças apenas com empresas privadas adequadas. A Constituição de 2009 estabelece que os serviços públicos devem ser considerados como Direitos Humanos. Para a sua plena aplicação, reduzem contínuamente os preços da água, do gás e da energia elétrica. Já foi eliminado o analfabetismo e feitos investimentos em centros culturais e desportivos, construídas estradas e teleféricos, e promovida a construção de um porto no Perú para atender ao movimento de importação e exportação boliviano. O gráu de pobreza que era de 63% da população em 2004 foi reduzido para 39% em 2015. É um processo gradual, principalmente pelas pressões do imperialismo e da mídia hegemônica, mas que tem evoluido permanentemente, segundo as avaliações da ONU.

E, no mesmo caminho aberto pela Venezuela e Bolívia, agora surge o México que elegeu Lopez Obrador - incentivador, em 2012, do Movimiento de Regeneración Nacional que promoveu a coligação das forças de esquerda. A sua vitória ficou assinalada pelas fortes palavras com que definiu o programa de governo "contra a corrupção e os abusos de privatização que constituem a marca do neoliberalismo". Anunciou o corte dos mais elevados salários do Estado, a começar pelo seu, como Presidente, o aumento em 100% do salário mínimo nacional e a cobrança de impostos sobre fortunas e rendimentos de grandes empresas.

Nesta fase crítica do capitalismo, os conceitos teóricos que sempre fizeram parte da definição de princípios da ONU e dos discursos populistas utilizado para conquistar o apoio eleitoral das populações - direitos humanos, democracia, previdência social, saúde universal, educação gratúita para todos, solidariedade com povos vitimados por catástrofes - com as promessas de criação de Estados Sociais e de laços de amizade sem discriminações face às diferenças econômicas e culturais, assumem uma condição única e urgente para a superação do caos que envolve também o continente europeu e os países mais ricos de outras áreas geográficas. Exige-se discernimento e coragem cívica para dignificar os altos cargos das estruturas políticas a nível nacional e internacional. É o momento da unidade com respeito pelas nações soberanas em um mundo multipolar.

Zillah Branco




sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Uma história mal contada pelas elites


O caos que hoje se alastra pelo mundo, abalando ricas cidades, como Paris, e ameaça outras nações europeias,  é alimentado pelos que destroem os valores fundamentais dos seres humanos. A confiança nos governantes, nos Estados dito de "direito", nas instituições internacionais e regionais do sistema capitalista, tem desaparecido ao longo dos anos desde a Segunda Grande Guerra que foi mascarada pelos "aliados do imperialismo" para disfarçar o seu interesse principal contra a Revolução Socialista.

A ONU foi criada como um laço fraterno para levar para os países mais pobres o caminho para o desenvolvimento e a segurança, alcançado pelas nações mais ricas da Europa e da América do Norte, enquanto foi desencadeada, sorrateiramente, a Guerra Fria. O objetivo era minar a experiência da primeira potência socialista - URSS - e destruir as condições de êxito revolucionário na China, Cuba, Vietnam, Coreia e Laos que, suportando as condições de subdesenvolvimento, não preocupavam os poderosos do sistema contrário, que desconhecem as capacidades de auto-sustentabilidade de povos unidos na luta pela sobrevivência com democracia e soberania. Predominou uma versão social-democrata centrista no pretenso governo mundial, capitalista. Foi criado o Estado Social nos paises mais ricos, dando um desafogo financeiro à classe média que se serve dos emigrantes das ex-colonias ou dos países invadidos pelo imperialismo, nos trabalhos mais pesados e sem garantias trabalhistas.

O poder financeiro imperialista afectou a percepção racional da elite ocidental que desdenhou, desde o fim da Grande Guerra, a importância da dignidade e da ética nos seus líderes nacionais e internacionais. É visível a decadência que se seguiu no comportamento dos chefes dos principais governos capitalistas, mais preocupados com a promoção da imagem de poder absoluto que o exemplo de integridade e honestidade que lhes poderia grangear a admiração popular. Confiaram nas conquistas de meios financeiros que, combinados com o desenvolvimento tecnológico, científico e militar das estruturas governamentais, criaram uma distância social em relação ao povo subalternizado, dividido em trabalhadores e classe média. As polícias, assim como os setores da inteligência e da fiscalidade, passaram a proteger com maior autoridade e violência, os governantes e seus parceiros da elite financeira. A imagem é a do capital que tudo compra, e na violência com que se protege, tal e qual os antigos monarcas absolutistas.

A personificação do "poder absoluto", autoritário e bem armado, não supõe contradições passíveis de diferentes interpretações. Não devem existir outros pontos de vista. A primeira degradação na estrutura do Estado ocorreu no âmbito da Justiça, que subordinou as leis às conveniências da elite para encontrar soluções (ilegais, porém possiveis) para os múltiplos crimes cometidos pelos governantes e seus amigos. Foi necessária a criação de uma rede de compromissos entre sectores judiciários, de segurança pública e de informação, aliada à elite política e financeira. E, a partir dessa rede, outra ligada aos setores privados, que assumiu a função de preparar as eleições com caracter democrático, fazendo uso da comunicação social e promovendo alianças com os diferentes partidos, além de utilizar grupos terroristas para instaurar o medo às oposições.

A figura central, de Presidente, tornou-se apenas um boneco com a aparência de compreensivo com os infortúnios humanos, responsável pelas aparências de boa gestão dos recursos nacionais, e promotor das conquistas científicas e tecnológicas alcançadas pelos institutos privados a nível universitário internacional. A complexa administração do país e o relacionamento internacional conta com "assessores" especialistas formados pelo sistema, que é global e está acima das "insignificantes" realidades históricas em que o povo vive. Uma farsa, logo se vê! Ao compararmos a sequência de governantes das nações mais ricas, desde o final da guerra, vemos claramente o esmaecer dos traços reveladores de personalidade, de integridade, de coragem, de solidariedade, de grandeza interior. E, hoje, quando se assiste ao fim do modelo cultural que prezava a ética e a solidariedade humana, fica a dúvida, a começar diante do Presidente da potência imperialista: "Confiar em quem?"
Os objetivos da elite política do capitalismo, para os quais foi montado o complicado sistema burocrático de leis e normas institucionais, é para obter maiores lucros com a exploração do trabalho e com a utilização descontrolada dos recursos naturais. Calculam, para os que trabalham, o mínimo necessário para que produzam para o mercado, e estimulam o consumismo de inutilidades para que as moedas circulem. Isto é o mesmo que a escravidão, teóricamente  abolida há duzentos anos! Mas, as conquistas dos que lutaram nesses duzentos anos gerou leis trabalhistas, segurança social, saúde universal, escolas públicas, conceitos de higiene e habitação condigna. E, esse processo, que é reconhecido nas organizações internacionais foi assinado por todas as nações para ser adotado mundialmente! Os seus responsáveis eleitos pelos países mais ricos, nem sempre cumprem... ( o que explica também a própria decadência innstitucional).

Mas a luta continua
Ao contrário da regressão visível nas nações mais ricas, surgem nos países que conservam os princípios socialistas ou nos que têm a coragem de definir caminhos progressistas, personalidades respeitáveis que dão prioridade à implantação da democracia que garante o desenvolvimento das forças produtivas nacionais e do povo trabalhador e impõem a soberania patriótica. Surgem as imagens dos governantes que inspiram o respeito humano e a confiança, capazes de liderar os que resistem aos destruidores do valor humano.

A chama que alimentou processos revolucionários reacendem, e buscam caminhos pacíficos para construir a liberdade, a democracia real, a soberania nacional. Neste trajeto exigem o apoio efetivo da ONU e  suas Organizações: da Agricultura, Mundial de Saúde, Internacional do Trabalho, a Proteção das Crianças, a Defesa da Cultura, a definição dos Direitos Humanos e a atualização das Comissões de Nações (G7 e G20) que devem ser atualizadas para  representarem os reais interesses dos povos em um mundo multipolar.

O debate sobre os preconceitos mantidos como contra-peso da cultura imposta, através dos meios de comunicação global sob o controle imperial, desvenda hoje a ignorância que limitou a igualdade entre povos de etnias diferentes, entre gêneros, entre opções diferentes de crenças, ideologias, sexos. Os preconceitos, apresentados como verdades históricamente fundamentadas, foram formas de manipulação das consciências em formação para impedir a união dos mais pobres em defesa dos seus direitos. As condições de igualdade hoje reconhecidas mundialmente, desmistifica falsos poderes e expõe a insensatez dos exploradores e dos submissos. É um passo significativo para a liberdade humana.

Junto com os preconceitos caem também dogmas que engessavam grupos que lutavam por modelos utópicos e desaproveitavam avanços estratégicos que as condições históricas, diferentes em cada país, permitiam como passos no caminho do socialismo. Todo o último século de lutas, foi de grande maturidade na consciência dos povos, sobretudo no convívio entre nações que se desconheciam, não só entre o Oriente e Ocidente, mas com o conhecimento da realidade em que sobrevivem e despertam etnias com soluções de vida enriquecedoras para toda a humanidade. O mundo tornou-se menor, devido aos meios de comunicação e transporte, mas muito mais profundo na área do conhecimento e da revalorização dos princípios éticos e o entrosamento com a natureza.

No entanto, o poder militar do imperialismo existe como uma ameaça contra as contestações ao seu domínio, e recebe o apoio das nações mais ricas do sistema que assistem impotentes o desboroar das suas políticas neo-liberais e os protestos cada vez mais frequentes das populações exploradas. Quando tentam satisfazer parte das reivindicações do seu povo, o terrorismo é insuflado pela extrema-direita para que a coleira imperial os contenha. Assim tem ocorrido em paises da América Latina e agora ameaçam grandes capitais europeias, obrigando as elites do sistema capitalista, fantasiadas de democratas, a recusarem a construção de soluções que só existem com a integração de todo o povo em um mesmo padrão de vida e desenvolvimento. Confiemos na luta popular!
Zillah Branco (7/12/18)



sexta-feira, 30 de novembro de 2018




A meta da resistência é 

Democracia e Soberania


"Não podemos aceitar que os vícios do sistema capitalista que permitiram o golpe e a eleição de um agente do imperialismo à Presidência do país, se introduzam como virus da traição no processo que vai gerar uma aliança ética entre classes, incluindo vários setores da sociedade que será capaz de reconstruir um Brasil democrático e emergente no plano internacional".

O sistema capitalista formou a consciência pública com os valores fundamentais à multiplicação do capital para assegurar o poder aos seus detentores. Tornou-se um vício irracional a preocupação em alcançar lucros mesmo à custa da exploração dos mais fragilizados na sociedade, de vender bens alheios (portanto roubando), de escravisar e fazer uso de pessoas em troca de alimentação, de corromper pessoas com poder no Estado para obter vantagens políticas. As leis vão sendo adaptadas para aceitarem como válidas estas ladroagens. Assim se chegou, por exemplo, agora em Portugal, à cobrança de dois impostos estaduais sobre as contas de energia elétrica que acrescentam 55% do custo da parcela consumida.

Outros vícios implantados pelo sistema capitalista, através da cultura formada pela comunicação social, é a aceitação de preconceitos, assim como de mentiras ou "fake news", que condena a serem pobres todos os que são privados do acesso às escolas, à saúde, às condições essenciais de vida humana, como se isto fosse uma fatalidade ou causado por culpa dos mesmos pobres. O sistema capitalista esconde a ladroagem que sempre usa, desde que uma elite se apossou das terras e dos bens por meio de invasões e muita violência, há séculos atrás, quando se formou a burguesia que definiu o Estado moderno e teve início a produção industrial na Europa expandindo-se por outros continentes que sofreram a colonização e foram dominados pela mesma elite burguesa.

A história é antiga e hoje tornou-se conhecida devido à luta dos povos contra a escravidão e os abusos de poder da elite, obrigando-a a disfarçar-se de "democrata" e a criar uma versão do Estado "de direito". O Brasil teve, no governo de Getúlio, a introdução dos princípios de independência econômica - para afirmar a soberania nacional perante a cobiça do neo-colonialistas - e o reconhecimento de direitos trabalhistas que definiam como classe social os pobres; mas foi com Lula na Presidência da República, que o Estado implantou os recursos sociais para elevar as condições de vida da classe trabalhadora para que se beneficiasse das condições de desenvolvimento como cidadãos de pleno direito. Como esta mudança só poderia ter sido feita impedindo alguma ladroagem do sistema capitalista - para melhor dividir a renda nacional - , alguns políticos anti-pátria, como Temer e sua quadrilha, abriram as portas ao golpe com o apoio do imperialismo norte-americano.

Agora, diante da instauração de um governo composto por emissários do imperialismo, cabe ao povo criar uma Frente de Luta, constituida pela classe trabalhadora e todas as organizações de massa formadas para defender a igualdade democrática e a liberdade de desenvolvimento cidadão, contra os opressores que ocuparam o governo e o Estado tornado "de exceção".

Certamente não será fácil limar as diferenças entre organizações que têm histórias próprias, desenvolvidas em momentos históricos diferentes. Serão necessários muitos debates e diálogos para compreender os problemas e adaptarem-se ao objetivo comum de vencer os invasores que agem como ditadores e retiram as liberdades que o povo conquistara. Mas, o que não se poderá aceitar é que tenham objetivos, pessoais ou de grupo, que contrariem o objetivo de todo o povo, enfraquecendo o caminho e a confiança na luta que os une. Esta é uma condição básica para garantir a estratégia da resistência nacional. Não podemos aceitar que os vícios do sistema capitalista, como vimos acima, que permitiram o golpe e a eleição de um agente do imperialismo à Presidência do país, se introduzam como virus da traição no processo que vai gerar uma aliança ética entre classes, incluindo vários setores da sociedade que será capaz de reconstruir um Brasil democrático e emergente no plano internacional.

sábado, 17 de novembro de 2018

O Imperialismo vai nú


Zillah Branco
Publicado em OLado Oculto


O Imperialismo serviu-se, primeiro, da nação norte-americana. Ai forjava-se a democracia entrosada com o desenvolvimento industrial. Mas, a expansão do sistema capitalista privilegiou a propriedade privada dos bens de produção e do capital, o domínio da organização social para favorecer uma elite e explorar os trabalhadores, e o mercado interno e internacional para acumular os lucros.

Durante todo o século XX, confundiu-se o Império com a nação que tem o nome globalizante do continente, Estados Unidos da América - EUA. A partir da Grande Guerra, o Império pretendeu englobar sob o seu controle os países da Europa. Foram os encontros em Bilderberg onde o FMI "assessorou" o que veio a ser a Comunidade Econômica Europeia - CEE.

Mas, já existia um bloco socialista, a União Soviética, que era contrário aos princípios individualistas do poder e da apropriação capitalista dos recursos sociais que deveriam beneficiar democraticamente todo o povo. Diante da ameaça expansionista da Alemanha fascista, os "aliados" europeus e os EUA viram-se forçados a recorrer ao exército Vermelho, da URSS, para vencer o inimigo, o que bloqueou a expansão imperialista que já se iniciara por via das relações financeiras e do mercado externo.

A partir de então os europeus decidiram criar uma organização dos Estados Unidos da Europa, a União Europeia - UE - capaz de defender os países capitalistas do continente diante da cobiça dos EUA enquanto império. Estavam unidos pelo mesmo sistema capitalista, mas independentes. Eram aliados e, para combater o socialismo que atraia todos os povos que se viam explorados e colonizados, e as forças de esquerda nos países europeus que despertavam o interesse dos que defendiam a classe oprimida nas suas nações, deram início à guerra fria para minar o sistema socialista. Consolidaram os laços que os unia ideológicamente contra o inimigo comum, mantendo-se independentes (com o FMI colado à Troika e ao Banco Central).

Conseguiram na década de 90, fazendo uso das modernas tecnologias aplicadas à comunicação social exercer uma forte pressão sobre o comportamento e a formação mental das populações que acreditaram ter um sistema de ensino, saúde e previdência social justo, como preconizava o socialismo da URSS, além de uma legislação do trabalho, sem perceberem que tudo isso estava sob o controle do Estado com os orçamentos que a elite aprovava segundo os seus próprios interesses de classe.

A comunicação social, servindo-se das palavras religiosas medievais que impunham a
submissão dos mais pobres aos mais ricos, dos menos instruidos aos que podem fazer cursos superiores, convenceram os povos de que deveriam aceitar o comando das elites e as restrições impostas pelo Estado por ela dirigido, como uma fatalidade, recebendo os
benefícios de um incipiente serviço social acompanhado por leis relativas ao trabalho, mas sempre e quando os patrões aprovavam

Durante todo o século XX, os partidos de esquerda lutaram por conquistas graduais de benefícios sociais e as elites foram mudando a sua linguagem autoritária de "donos do poder" para parecerem democráticos e humanistas através de pequenas concessões que aliviam a miséria da classe explorada mas não permitem a sua ascenção social e económica de acordo com a sua capacidade de produção.

Cresceram as diferenças entre os povos de países ricos e pobres, e dos considerados desenvolvidos e os subdesenvolvidos (que passaram a ser referidos como "em desenvolvimento", para disfarçar a miséria real). No entanto, tais cedências, mesmo pequenas, reduzem os lucros e ameaçam o poder que o sistema capitalista quer aumentado. E sem alcançar os lucros pretendidos, o sistema capitalista entrou em crise, os bancos quebraram, as empresas financeiras decretaram falência levando de roldão as poupanças que uma classe média, de pequenos proprietários, perdesse o que guardara para a velhice.

A contradição de um sistema planeado para aumentar o capital nas mãos de uma elite com uma distribuição de rendimentos democrática, para promover o desenvolvimento das nações e satisfazer as necessidades do povo, é insuperável. Os Impérios passaram a usar a força para destruir os Estados democráticos ou as forças políticas que resistem para que a crise não atinja os trabalhadores e suas famílias.

Organizam não apenas uma mídia hegemónica para divulgar mentiras que convençam a população a se sacrificar pelo país, mas forças militares e policiais para invadirem nações e provocarem o exodo de milhões de refugiados (como foi feito pela NATO no Oriente Médio e na África, e agora na América Latina - AL) ou, como tem ocorrido nos países latino-americanos e africanos, ou da Indonésia, invadirem residências, escolas, manifestações populares. Financiam e estimulam a formação de grupos terroristas para desestabilizarem sociedades tranquilas e exercerem a prática de crimes, distribuição de drogas, exploração sexual, pedofilia, corrupção de funcionários do Estado e das empresas de serviços públicos. Criam uma cultura perniciosa que fomenta o egoismo e a alienação social, multiplicam os filmes e shows com cenas de violência e falta de pudor que corrompem a educação familiar.

Mais recentemente, passaram a implantar departamentos junto aos governos para "assessorar o planeamento económico e social", "formar os responsáveis pela segurança pública" e "estabelecer as condições para recuperar as finanças à custa da austeridade popular", abrindo às portas para a privatização da saude e do ensino, enquanto reduzem os orçamentos dos sistema públicos, provocando desemprego, cortes salariais, de modo a minar as instituições democráticas responsáveis pelo Estado Social e o sistema judicial e de segurança nas nações que, assim, perdem a sua soberania e são desorganizadas por um caos social incontrolável.

Minam as instituições democráticas que ainda existem para poderem eleger como Presidentes pessoas incapazes e perversas que acabam com a justiça e impõem a ordem ditatorial correspondendo ao desejo desesperado de eleitores insatisfeitos com a vida caótica que é fomentado pelas "fake news" repetidas através da moderna tecnologia virtual manipulada pela mídia global e religiões medievalistas.

Hoje o Imperialismo norte-americano utiliza abertamente as forças militares e de inteligência fiscal dos EUA, nesses departamentos de "assessoria" aos governos fracos, ou envolvem os militares da Europa através da NATO e de acordos com os países que pertencem a UE, para invadir países do Oriente Médio e da África, e provoca distúrbios nos vários continentes vitimados pelo subdesenvolvimento resultante da velha colonização europeia.  Começa a oferecer até aos governos de nações europeias o sistema, (usado junto aos paises em desenvolvimento) de "assessoria" a partir do FBI, CIA, DEA, que ficam implantados como virus dentro dos Estados. A missão desses "assessores", dos apregoados "empreendedores", além de invadirem o sistema nacional é de produzirem planos de desenvolvimento económico e social que imponha a dependência em relação ao Império que vai usufruir da decadência implantada às nações de todo o mundo. Este é o pretendido remédio para a crise de um sistema falido - o caos globalizado.

Este quadro foi desvendado no Brasil onde um governo democrático como o do PT (Partido dos Trabalhadores), fez grandes transformações benéficas ao povo e ao desenvolvimento nacional criando condições para o seu fortalecimento a nível internacional, mas foi minado pelas "assessorias" norte-americanas que se infiltraram como células cancerígenas destruindo o tecido político do país,

O modelo de Presidente para servir a este nefasto papel de destruidor dos Estados modernos é o de uma personalidade paranóica, com ambição de poder absoluto, sem qualquer princípio ético e humanista, frio e calculador, servidor de um comando como o dos bonecos de ventríloquos, absolutamente desumanizado. Assim é Trump nos EUA e Bolsonaro no Brasil, e outros que vão a caminho mas ainda têm algum antídoto europeu.

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