terça-feira, 14 de agosto de 2018

A Vitória da Unidade

A vitória da unidade


Vencer no primeiro turno é o alvo primordial de uma campanha histórica pela unidade em defesa dos trabalhadores e suas famílias e do Brasil pujante que Lula levantou. Temos assistido a um processo revolucionário que abriu as portas à participação massiva do povo brasileiro e ao esclarecimento de milhões de cidadãos que foram massacrados pela cultura de pacotilha difundida pela mídia reacionária com as teorias oligárquicas, mas com a esquerda depois de 2003 conheceram os seus direitos de cidadania. O povo descobriu que merece respeito e, unido, tem força para traçar um futuro de dignidade e saúde para todos.

Ainda restam, em alguns políticos, vaidades pessoais e sonhos de aliança com simpáticas figuras do antigamente que usaram e abusaram do poder no século 20. As ilusões levam seu tempo para os que se mantêm alheios ao caminho histórico. Mas, assim como o século terminou, a página da submissão ao imperialismo findou. O lixo mantido por excrescências ditatoriais que a Constituição ainda mantém apesar de introduzir devagar os princípios da democracia, foi revelado pelo golpe como o virus a ser combatido para higienizar a política nacional.

Este momento vivido pelos que lutam no Brasil pela unidade com confiança na dignidade dos que percebem que a fome eliminada pela Bolsa Família, o analfabetismo que negava as condições de cidadania, o machismo que reduzia a força das mulheres, o racismo que segregava as etnias, os preconceitos que impediam a participação democrática na vida nacional, o poder dos ricos que distanciava a maioria dos brasileiros do usofruto das riquezas nacionais, o modelo imperial que tolhia a participação de todo o povo na condução do projecto de desenvolvimento nacional, hoje está sendo acompanhado com admiração pelo mundo inteiro como um sol que ilumina o caminho da liberdade para a humanidade.

Dentro e fora do Brasil, diante do retrógrado caminho imposto pelo mercado "livre" - tornado Deus para as elites do sistema capitalista falido - ocorre uma mudança da consciência dos seres que pensam e querem viver sem amarras. A unidade das esquerdas, assim como o encontro das religiões, permite compreender que há uma escala de prioridades na construção de sociedades saudáveis para o ser humano: a começar nas eleições dos órgão governativos - Presidência, Senado, Câmaras - e na definição do sistema judicial, policial e administrativo do Estado de modo a seguir um único plano de desenvolvimento do país independente e de sua população soberana. Alcançada esta vitória fundamental ficará mais fácil modelar os passos a serem seguidos para a consolidação de um caminho seguro que contribua para o equilíbrio internacional e a Paz.

Bem dizia Jack London no início do século 20, no livro "O povo do Abismo", que "a miséria mata mais que as guerras"...( ) "Na Inglaterra , todos os anos, 500.000 homens, mulheres e crianças, são mortos, ficam inválidos ou são atingidos pelas doenças e estropiados para o resto dos seus dias". Esta é a decorrência da miséria em qualquer país. Vamos permitir que o Brasil, onde 40 milhões de brasileros foram salvos da miséria voltem para ela? A ONU avisa que o Brasil volta para o mapa de Fome

Hoje assistimos a este tipo de matança, pela miséria, vendo os refugiados das guerras provocadas pelo imperialismo circulando como fantasmas em busca de apoio. Temer consegue condenar os milhões de famílias que haviam saido da Fome a voltar para ela. Assim colabora com a política de extermínio que Trump anuncia com as ameaças de guerra e de criação de poder militar de terra, mar, ar e no espaço com naves.

É urgente abrir novo horizonte para recuperar o Brasil elegendo os que demonstram coragem na defesa do povo e da dignidade da Pátria brasileira.

Zillah Branco

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

A verdade da História ilumina a mídia alternativa!




Uma revolução está ocorrendo na interpretação da História no Brasil através dos videos da mídia alternativa que cresce, nascida para suprir a carência de informações verdadeiras sobre a vida dos brasileiros esmagados pelo golpe de Temer e sua gangue e pelos "fake news" da mídia oficial. Troquem a TV pelo computador e aproveitem a oportunidade de fazer um curso de nível superior dado em linguagem popular, que corrige carências, ignorâncias (que ainda habitam as tradicionais escolas), superam preconceitos herdados do domínio elitista da cultura, explicam como as instituições são destruidas quando se desligam da dinâmica que promove o desenvolvimento social, abrem os vários caminhos para conhecermos a realidade da vida e do pensamento dos mais de 200 milhões de brasileiros, levanta a pesada cortina opressiva que desde 1964 cobriu as leis e as funções do Estado tornando-o um rochedo empedernido que tapa o sol da liberdade e da soberania nacional.

O termo "revolução" - tão mal aplicado à ditadura militar (que se encolheu para vestir a fantasia da democracia), deixou uma semente que foi alargada pelo povo quaando elegeu Lula em 2002. Agora volta a ter lugar na linguagem dos que lutam pacífica e alegremente para eliminar os tóxicos mantidos por uma direita sorrateira que mantinha o ar inócuo de Centrão, sempre sorrindo cavalheirescamente para um lado ou outro, até destruir totalmente o Parlamento como representante do povo. A revolução está na consciência brasileira da realidade, e na possibilidade de transformar o destino cinzento traçado por Temer e os desajuizados donos dos poderes anti-democráticos que se consideram eternos.

Eterna é a necessidade do povo trabalhador de conquistar os seus direitos, eterna é a coragem dos que lutam para superar diferenças ocasionais e criar uma unidade patriótica!

Em poucos meses até os mais conservadores aprenderam que o machismo é retrógrado, que o racismo é uma burrice, que todo o ser humano tem o direito de definir sua condição na vida, que todos os preconceitos só favorecem os que usurpam o poder e escravisam os que se submetem.

Os oprimidos de sempre, hoje sabem quem poderá representá-los no governo e estarão unidos para orientar os órgãos de poder que não evoluiram ainda. A campanha eleitoral será feita com o povo para que o governo possa continuar a receber o apoio concreto, lúcido, corajoso, do povo revolucionário e forte. Governar para o povo (generosidade de elite), ficou para trás.

A rede de boletins e videos - Opera Mundi, Nocaute, Barão de Itararé, Voz Ativa e tantas outras criadas por movimentos sociais como os Sem Terra, os Sem Teto, e todos os que dão voz às etnias segregadas das condições de cidadania, às mulheres desprezadas na sua dignidade, aos estudantes, aos desempregados, aos vitimados pelo mercado da droga e da prostituição, etc.- mostram a pujança dos que lutam e a imensidão dos problemas que até agora permaneciam como paisagem, mal conhecida, de raras interpretações intelectuais condicionadas pela formatação das suas instituições. E, cada vez fica mais claro que todas as instituições estão amordaçadas por leis, regras, ameaças, falsas denúncias, velhas histórias mal contadas, que as distancia do povo que pensa, fala, ensina o que é a realidade. Cai na real!

O MST, com seus 40 anos de luta, a partir dos analfabetos que conquistaram o direito ao trabalho na terra, construiu um plano econômico, um sistema social, uma formação cultural que partiu das creches e alfabetização e chegou à universidade (sempre lutando, e com mais de 1500 líderes assassinados). Mas hoje é conhecido em toda América, em toda Europa, África e Ásia, como modelo de organização, de formação profissional e de produção sem os venenos que as poderosas indústrias imperialistas de agro-tóxicos e medicamentos (para combater o câncer decorrente) impõem globalmente. É um exemplo e está aqui, no Brasil.

Acorda Brasil! Assim como o MST é brasileiro, também é brasileiro o Pré-Sal, a Petrobrás, a Embraer, e tantas outras empresas que exploram o sub-solo, além de cientistas, técnicos, artistas, professores, militantes de esquerda, apoiantes democratas, jovens entusiastas, um imenso patrimônio material e imaterial, é tudo nosso, de quem lutou no passado e quem luta agora. Lutemos unidos para que esta corja golpista não entregue de mão beijada aos seus patrões imperiais o que estão roubando desavergonhadamente.

Zillah Branco

quarta-feira, 25 de julho de 2018

No centro da unidade está o povo

O Brasil evoluiu no profundo debate para criar uma aliança de esquerda e derrotar o golpismo. As alianças não são entre pessoas dirigentes, são as convergências de todos os grupamentos da esquerda para atender ás necessidades dos 200 milhões de brasileiras e brasileiros.

A proposta de Governo terá metas claras e objetivos concretos para garantir a independência e a soberania nacionais para proporcionar o desenvolvimento cidadão e sócio-econômico.

Manuela D'Avila tem desenvolvido uma maratona de contactos com o maior número de representações populares de várias gerações, gêneros, etnias, profissões, de onde extrai a sua sabedoria e firmeza para afirmar: "O tema da unidade é um tema central. As virtuais divergências que a gente tem são inferiores à unidade que a gente tem que ter para reconstruir o Brasil”.

Este comportamento político supera o antigo hábito de discutir primeiro em torno da mesa redonda para depois levar a proposta às ruas. Vemos que Boulos faz trabalho popular semelhante em outros lados, Lula com a força da sua dignidade conquista eleitores mesmo sequestrado, e Ciro procura ouvintes em áreas mais resistentes à mudança. Em poucos meses o território brasileiro tem sido sacudido com um levantamento de questões concretas que exigem soluções urgentes através de uma plataforma única."O centro sempre foi a ampliação da nossa unidade”, explica a nossa Manú com a sua jovialidade inteligente e modesta de revolucionária.

A campanha nessas eleições ganha novo ímpeto com a criatividade da nova geração que se define como militante. É uma nova dinâmica que permite à geração anterior, de homens e mulheres de Estado contribuir entusiásticamente com as suas experiências através da nova comunicação social que denuncia a mídia global que se transformou em realejo do imperialismo. 

Celso Amorim explica como a figura estapafúrdia de Trump "desconstrói a ordem mundial" criada pelo seu próprio time. E a desordem criada pela crise sistêmica insolúvel, abre brechas por onde o Brasil poderá entrar quando recuperar a sua integridade. Refere a recente eleição no Mexico que deixou a velha direita no chão depois de décadas estacionada no poder. Requião analisa o cenário político voltado para a necessidade de fortalecer o Senado com a sua experiência democrática de raiz histórica, ou de se propor a governar o Paraná para repor uma meta que, imaginamos, seja parceira da que segue o Maranhão.

Enquanto as esquerdas se unificam na nova dinâmica, a direita vai perdendo os antigos pretendentes que não querem meter o pé em arapucas do processo ditatorial em decadência. O que os animava era um rio de dinheiro transbordante que começa a secar ou desviar seu curso para lados menos conhecidos, deixando a lama do fundo à vista de toda a gente. Até juizes recebem puxões de orelha em público por não saberem o que é a justiça. De outras nações chegam críticas à destruição da Justça no Brasil.

Mudou o vento! Nasceu uma nova consciência popular! 

"O tema da unidade é um tema central. As virtuais divergências que a gente tem são inferiores à unidade que a gente tem que ter para reconstruir o Brasil”.

quinta-feira, 19 de julho de 2018

Independência e Soberania Nacional

Independência e Soberania Nacional

O Estado oligarca que serve aos interesses da sua burguesia brasileira evolui com uma lentidão aflitiva. Ha séculos delegou a responsabilidade de fazer avançar uma engrenagem, para afastar a monarquia colonialista, ao patriarca da independência - José Bonifácio de Andrada e Silva - promovendo o grito do Ipiranga por D.Pedro I. Assumiu o papel de preparar o futuro Imperador instruindo-o para desenvolver obras culturais e acolher os emigrantes europeus, e a Princesa Isabel para assinar a Libertação dos Escravos. A oligarquia, à sombra do poder político alimentado pelo sistema financeiro e comercial da Inglaterra, traçou os seus caminhos de enriquecimento e opressão do povo que ficou livre, mas sem emprego.

Uma frase habitual, quando o brasileiro não estava para se apoquentar na busca de solução para um problema trabalhoso, era "ficou por conta do Bonifácio". Era a saida irresponsável para quem tinha um lugarzinho no Estado. Com o tempo, e a preguiça, deixaram de relacionar o Bonifácio que havia de resolver a questão, com o Patriarca da Independência, que fez os seus trabalhos ha duzentos anos. Mas a mesma engrenagem existe hoje, cheia de cracas e pedras coladas ás roldanas que movem o Estado apesar das modernas tecnologias e os títulos científicos dos que comandam as atividades. Comparado com as empresas privadas fica como peça de museu.

Nunca foi posto ao serviço do povo que, entretanto, formou-se como operário, frequentou a escola pública onde desenvolveu a sua criatividade e chegou ás universidades com o grande impulso dado por Lula a partir de 2003. A História produziu heróis que foram criando as funções de um Estado para servir ao desenvolvimento nacional com o povo integrado: com a escola pública, o Serviço Universal de Saúde, a Previdência Social, e o desenvolvimento de estradas, transportes públicos. Mas a elite dominante, obrigada a aceitar as instituições sociais, sempre ameaçou de privatizar os serviços mais rentáveis para enriquecer as empresas vinculadas às multinacionais. Para o povo, mantinha a idéia bucólica de subir no coqueiro para tirar côco fresco, como se apenas fizesse parte da paisagem tropical que encanta os turistas.

Lula inverteu este filme. A partir da Bolsa Família, integrou a população nas condições de cidadania, apoiou os estudantes com bolsas para cursarem as universidades, abriu o caminho para acabar com os preconceitos étnicos, apesar de permitir o fortalecimento do poder financeiro que permaneceu enriquecendo a velha elite acobertada pelo setor produtivo do empresariado.

O que impressiona é que o golpe de Temer veio exatamente para destruir a modernização do Estado em benefício da Nação - na produção de minérios e energia - deixando o Brasil empobrecido com seu povo miserabilizado. Na verdade, o que parece é que a oligarquia que apoiou a ditadura de 64, aceitou a aparente democratização gerida por Sarney e depois FHC e voltou, pela mão de Temer, para evitar que as mudanças democráticas de Lula transformasse o Estado emperrado e mínimo (que convém a quem serve os interessas imperialistas), abrindo as portas à verdadeira independência nacional e patriótica.

Só que o povo agora não está em cima do coqueiro nem chama de "virundú" o "grito do ipiranga". Basta ver as suas organizações onde os oligarcas não entram, as escolas de formação e as unidades produtivas de alimentos sem veneno do MST, as associações de combate aos preconceitos racistas ou machistas, que se relacionam com as congêneres de todo o mundo, a participação entusiástica nos comícios de esquerda onde Manuela do PCdoB, Boulos do PSOL, João Paulo ex-"sem terrinha" do MST, debatem os problemas nacionais que deverão fundamentar um futuro Governo a sério para o Brasil e recuperar as suas riquezas que foram enriquecer os patrões dos oligarcas. Deste despertar de consciência sairá uma plataforma popular e brasileira para a defesa de um Estado realmente democrático.

Zillah Branco

domingo, 15 de julho de 2018

Enriquecer os ricos e matar os pobres





A crise do sistema capitalista fecha e abre bancos, onde os clientes de classe média pensam guardar em segurança a suada poupança de uma vida. Descobrem que os governos perdoam impostos para que o capital cresça nos cofres. 

Mas os rendimentos de pequenas contas ficam retidos por meio de embrulhadas exigências jurídicas que constituem o trabalho burocrático bancário para que grandes investimentos e prêmios circulem enquanto o pequeno cliente aguarda a libertação do seu depósito que só ocorre quando a sua moeda for desvalorizada frente ao dólar e o euro que comandam o mercado mundial.

É fácil compreender a mágica do enriquecimento dos que manejam o capital para quem observou o sistema de pagamento nos latifúndios ou nas minas, que é feito no mercado interno da empresa, através dos produtos alimentares e das ferramentas que sobem de preço antes do dia em que o magro salário seria pago.

Os trabalhadores que não chegam a criar uma poupança com os salários congelados para que a empresa que os contrata não vá à falência, "coitados dos patrões", não podem reivindicar a aplicação das leis laborais por causa da "crise sistêmica" que afeta o país, "coitados dos banqueiros". Devem ser solidários com os "honrados" governantes que pagam as dívidas "nacionais" contraídas com os generosos bancos, aqueles mesmos que promovem as oscilações do valor das moedas no mercado financeiro. Nesta questão os governantes lembram os bons princípios morais ensinados ao povo, mas não à elite. Como hoje diz o Primeiro Ministro em Portugal ao reconhecer que os professores tiveram os salários congelados durante nove anos impedindo a sua evolução na carreira: "vou descongelar três anos porque o Estado não tem recursos para mais", e reforça os capitais dos bancos para poderem emprestar com juros altos.

A história é a mesma de um século atrás, mas agora toca a vez da classe média "pagar o pato" baixando o nível de vida, ao mesmo tempo que o operário conhece o peso da fome em sua casa. Os governantes com ar compungido explicam que "sentem muito" mas a realidade "é que o dinheiro do Estado escasseia". Parece lógico, a quem não pensar com a própria cabeça. "Coitados dos governantes" tão bem intencionados... Gastam tanto promovendo eventos ruidosos para desenvolver "culturalmente" o povo tão embrutecido!

Jack London, escritor norte-americano cresceu na pobreza dos trabalhadores, mas ficou estarrecido com a miséria que foi conhecer em Londres no início do século XX. No país colonizador e criador do sistema bancário mundial, em pleno centro da cidade frequentada por ricos de todos os países, encontrou no East End uma pocilga mais infecta que muitas favelas do Terceiro Mundo. Para aí convergiam os que abandonavam a dura vida do trabalhador no campo para viver com toda a família em um quarto, sem cozinha e condições de asseio. O escritor explicava que a primeira geração que aí se instalava gozava ainda de saúde e arranjava emprego que mal dava para o aluguel do quarto e a alimentação. Os seus filhos mirravam sem espaço e respirando a famosa poluição de Londres, não tinham forças para serem rentáveis no trabalho pesado e decaíam na espécie humana até morrerem embrutecidos pelo alcool. Os que sobreviviam na terceira geração, iam para a bandidagem e a prostituição. Essa era a escola para enriquecer o sistema capitalista.

Certamente não chegavam a preocupar os dirigentes, como os idosos de hoje que preocupam Cristine Lagard na chefia do FMI "devido ao aumento da esperança de vida". Morriam cedo, sem criar problemas para os ricos no seu afã de lucro fácil.

Para limpar a cidade de Londres foi fácil também. Os empresários compraram os imóveis e subiram as rendas, como hoje ocorre em Lisboa que recebe moradores de maior categoria (como a cantora Madona a quem a Câmara empresta um terreno com muros e portões para os seus 15 carros de uso doméstico) em pleno centro da cidade.

Os estudiosos da economia capitalista explicam que são engendradas políticas habilidosas para superar as crises do sistema com uma relativa cedência às reivindicações populares. São as fórmulas social-democratas que evitam a morte dos trabalhadores animando o que chamam de Estado Social com escolas e saúde públicas e a enganosa "segurança" social. De certa forma investem parte dos lucros do capital para tirar as famílias dos trabalhadores da ignorância e da mortalidade por fome e permitindo que doentes ou idosos possam sobreviver sem recorrer às esmolas degradantes.

Mas esta aparente generosidade tem outro objetivo: cria uma nova camada social capaz de consumir o que a sociedade produz fazendo o capital circular para crescer. Foi o que ocorreu nos Estados Unidos dirigido por Roosevelt para enfrentar as crise de 1929 realizando uma reforma no capitalismo sob a orientação de Keynes. Conseguiu criar milhões de empregos para abrir estradas e fazer usinas hidroelétricas que modernizaram o país tornando-o atrativo para emigrantes de todos os continentes que levaram os seus conhecimentos como mão de obra barata para enriquecer o país.

Mas o sistema capitalista prosseguiu o seu desenvolvimento inevitável enveredando pelo caminho neo-liberal que cria a hegemonia do capital financeiro sobre o capital produtivo transformando o Estado na ditadura do grande capital. O Consenso de Whashington na década de 1990, segundo explica o professor Avelãs Nunes (¹) "permitiu ao grande capital financeiro recuperar a liberdade de movimentos que gozara nos anos 1920 e que conduziu à Grande Depressão. Graças às políticas neoliberais, o proclamado capitalismo sem crises deu lugar ao capitalismo do risco sistêmico"..."desmantelando as estruturas e mecanismos de regulação e controle da atividade financeira que vinham do tempo do combate dos anos 1930".

Em 1981 Beltram Gross escreveu um livro sobre o "fascismo amigável". Mais tarde outros autores, como Amartya Sen e Paul Krugman avisavam o mundo de que "a concentração extrema do rendimento significa uma democracia apenas no nome, incompatível com a democracia real" - é a ditadura do grande capital financeiro aplicada por um estado forte e, como escreveu A.Gamble, "um estado capaz de restaurar a autoridade a todos os níveis da sociedade e dar combate aos inimigos externos e aos inimigos internos".

Bertie Sanders tentou recuperar o apoio de massas que permitiu a Roosevelt conter a violência do sistema que havia impedido Obama de realizar algumas medidas democráticas enquanto Presidente, por exemplo na questão da saúde pública. Foi o próprio partido Democrata que o dissuadiu da eleição. O Estado foi entregue ao republicano Trump que exibe a sua violência dentro e fora dos limites do seu país.

A esperança não morre, pois há diferentes conjunturas em que o povo manifesta a sua força reivindicativa e impõe novos caminhos. Obrador foi eleito com maioria absoluta no México reunindo diversas tendências da burguesia com a decisão do povo unido. Trump arrota violência mas faz conversas amigáveis. Mesmo na Europa, que está com a espinha curvada pela social-democracia, não alcança tudo o que pretende. Os povos levantam-se por todo o lado e não vão mais em conversas de "fascismo amigável".

sábado, 7 de julho de 2018

"Um montão de gente"

A sabedoria de um trabalhador

Cassiano, era caseiro em Itanhaém quando eu era adolescente. Morava em um quarto com banheiro e cozinha no fundo de amplo quintal de uma casa de veraneio e fazia bem todo o tipo de trabalho: marceneiro, pedreiro, pintor. Era "pau para toda obra", sempre com um sorriso de ternura para as crianças. Gostava de conversar e fazia perguntas sobre o que aprendiamos na escola "porque não pudera estudar além do segundo ano primário". Ao saber que eu estava no curso de Ciências Sociais deu-me um forte aperto de mãos pedindo que sempre lhe passasse alguma coisa para que pudesse entender a sociedade brasileira. Ficamos muito amigos ao longo dos anos. Ao vir de Portugal em 1996 fui visitá-lo. Estava bastante debilitado, com o coração enfraquecido, e mal saia da cama. Para se entreter havia feito um suporte em madeira para ler a Bíblia que já não aguentava nos braços. Não era religioso, lia como quem estuda a história passada. Substituiu-a pela biografia do Mandela que lhe trouxe.

Fez-me muitas perguntas sobre os movimentos políticos mundiais de que tinha notícias por uma pequena televisão. Dizia- se surpreendido com grandes manifestações sindicais na Europa, notando que os trabalhadores se uniam por profissões, vindos de várias partes dos países e até de outras nações. Tanto eram operários, como professores ou médicos. Perguntava: "será que no Brasil teremos organizações assim?" E concluiu com tristeza: "Eu acho que o Brasil não tem um povo. Tem é um "mundão de gente".

Impressionou-me o seu pensamento. Revelava uma observação profunda feita durante toda a sua vida, de filho de escravos, menino de rua, biscateiro, ajudante de quem trabalhava aprendendo as várias profissões, tomando conta da propriedade de quem gozava do conforto de classe média procurando conhecer o que era ensinado nas universidades e ocorria no mundo.

De fato o colonialismo no Brasil destroçou o povo nativo, trouxe escravos separando as famílias e tribos para evitar que as identidades gerassem resistência, não transpôs comunidades portuguesas mas sim elementos esparsos que eram colhidos para compor o pessoal das caravelas, importou meninas de orfanatos franceses para formarem famílias, e com o Império organizado vieram imigrantes de vários países europeus a quem entregaram terras para formarem as suas comunidades. Diferentes todos, nas culturas e nas situações sociais, sem uma estrutura nacional para produzir e para formar uma cultura que os unisse.

Com a implantação do sistema capitalista cada região recebeu de fora o seu comando. Os Estados desenvolveram-se como puderam, dependentes do latifúndio ou de impulsos industriais diversos. São Paulo foi enriquecido pelas instituições financeiras necessárias a todos e distribuidas desde a Inglaterra e os EU. Fez-se a capital econômica e polo de poder. A capital Federal ficava mais próxima do latifúndio e administrava de longe o país. O extenso Maranhão só recentemente, com o governo de Flávio Dino, deixou de ser um domínio oligárquico para integrar a nação e sair do atraso.

Getúlio vislumbrou a necessidade de estruturar a nação em torno das grandes empresas nacionais. Sem poder para enfrentar os donos da dinâmica nacional deixou o projeto como testamento. A inspiração chegara depois da grande guerra, da experiência socialista da URSS e do despertar do ensino universitário integrado por organismos internacionais como a CEPAL, da ONU. Chegou também a ditadura militar repressora de movimentos sociais e políticos para evitar a emancipação nacional.

No bojo deste despertar da identidade nacional afogada em crimes até hoje não desvendados surgiram das oligarquias e das universidades políticos capazes de exercerem lideranças conservadoras ou sociais-democratas inspiradas desde os países mais desenvolvidos. A esquerda perseguida sempre semeou a luta popular e os objetivos revolucionários sem conseguir uma estrutura sindical na falta de uma organização da produção nacional. O modelo também era externo, de culturas completamente diferentes do nosso "montão de gente".

Foi Lula quem abriu o caminho, primeiro na luta sindical que se espalhou pela indústria das grandes empresas estrangeiras em S.Bernardo. Inspirou a burguesia nacional que viu a oportunidade de superar as oligarquias e aglutinar as esquerdas no PT. Lula eleito abriu um projeto nacional para o desenvolvimento levando a Bolsa Família, a água e energia elétrica para abastecimento doméstico e irrigação das culturas, saúde e escolas para todos. A inexistência de uma estrutura de classe trabalhadora, de uma política consequente que fizesse o uso da riqueza depender dos passos de desenvolvimento das forças produtivas nos centros urbanos e com a reforma agrária no latifúndio, permitiu que as antigas lideranças oligárquicas tirassem proveito dos altos cargos ocupados pela elite no Estado e nos Parlamentos.

Hoje este problema é debatido amplamente. Deve ser aprofundado pois a compreensão dos enganos causados por ignorância de conceitos políticos - socialismo não é social democracia que segue neo-liberalismo, democracia não depende da autorização da elite, generosidade não é solidariedade, etc.-  continua permitindo que um ilustre oligarca de raiz se transforme em simpático às transformações revolucionárias. Como os que sairam do ARENA para o MDB, do PMDB para o PSDB, ou de uma juventude anti-ditadura para a promoção do golpe para vender o Brasil na feira internacional.

Com todas as experiências hoje estrutura-se um "povo" como reclamava o Cassiano. As escolas públicas produziram cientístas, profissionais, artistas e líderes. Os sindicatos descobrem que unidos defenderão uma legislação trabalhista. Os petroleiros defendem a empresa estatal, os sem-terra provam que só eles, unidos, defendem uma alimentação sem venenos. As mulheres impõem o seu valor, as etnias expulsam os preconceitos. Os cidadão defendem todos os seus direitos. Unem-se pelas suas características de vida, de trabalho, definidas as identidades que superam fronteiras geográficas e estruturam o povo. Este povo é que apoiará uma plataforma governamental e votará um Referendo para revogar todas as vendas ilícitas do patrimônio nacional.

Zillah Branco

sábado, 30 de junho de 2018

O principal objetivo da luta

O principal objetivo da luta


O mundo apresenta hoje um cenário de guerra, com as contínuas ameaças feitas pelo imperialismo a várias nações, de invasão territorial ou apropriação pela via econômica e política, das riquezas naturais e da capacidade produtiva da sua população explorada e escravizada. Os que fogem em busca de sobrevivência e paz, enfrentam os grupos organizados como terroristas, traficantes, agentes de organizações criminosas da prostituição e da venda de órgãos ou de escravos (instrumentos do imperialismo).

A emigração forçada vai deixando um rasto de morte por afogamento nos mares em que transitam em barcos improvizados por esses agentes do imperialismo e chegam miserabilizados, como se fossem gado, às barreiras criadas pelos países mais ricos (cercas de arame farpado, forças policiais, muros, recusa alfandegária, armas apontadas). As discussões políticas governamentais, instigadas pelos movimentos rascistas, xenófobos, elitistas, economicistas, dos seus partidos conservadores, apresentam argumentos numéricos para restringir a entrada possível de mão de obra barata na sociedade organizada para servir a sua elite.

O tema "humanismo" não existe, a não ser como recurso demagógico em certos momentos de confronto com a opinião pública nacional ou internacional para manter o poder estruturado como previa a ONU. E, em consequência, os valores éticos e princípios relativos ao respeito humano, à honestidade, à fraternidade, à igualdade e à liberdade, ficam excluídos no cálculo aritmético dos interesses políticos.

É um regime fascista imperante. E, em função dos seus objetivos de poder, a mídia é organizada para formar uma consciência robotizada nas novas gerações com a cultura da desumanização que será aplicada nos serviços públicos privatizados. Alteram os conceitos de pedagogia nas escolas, de tratamento nos serviços médicos, de remuneração na legislação do trabalho, de previdência na segurança social, com repercussão na construção de cidades, de transportes, de habitações, de condição de vida e lazer. Quem é escravo não necessita o mesmo que a elite. Quem é gado sobrevive para ser escravo.

O Brasil caminha a passos largos para este modelo desde o golpe encabeçado por Temer em 2016. A herança democrática e os recursos econômicos deixados pelos governos de Lula estão sendo destruídos enquanto o Estado vai deixando escoar a justiça pelo ralo do direito instituido como terceiro poder. As forças de segurança agem com a mesma independência outorgada ao sistema judicial. O cidadão brasileiro não tem a quem recorrer. A literatura sobre a instauração do fascismo na Alemanha de Hitler explica em detalhes uma situação semelhante à que os brasileiros hoje suportam.

Uma amostra desta degradação institucional e política do regime atual, foi dada pelo programa midiático da TVCultura, Roda-Viva, ao entrevistar Manuela D'Avila pré-candidata à Presidência da República, na noite de 25/06/18. Utilizaram todos os recursos da baixeza depravada como técnica "profissional" para montar um circo com grande visibilidade e impedir que Manuela fosse ouvida e vista na sua grandeza pessoal e política. Falharam, para os que ainda conservam a sensibilidade de quem conhece a liberdade e o sentido humano. Graças a uma mídia paralela pode-se estender esta compreensão saudável e humanista ao povo que tem a consciência de luta desperta.

Esta lamentável e degradande exibição da TVCultura terá ferido a integridade de alguns profissionais e de personalidades que tenham um pensamento conservador? Serão considerados heróis pelos golpistas e seus seguidores?

Nesse processo fascizante que se alastra mundialmente muitas consciências despertam quando percebem onde leva esta escada rolante da dissolução dos princípios fundamentais da ética, da justiça, do humanismo, da solidariedade, da fraternidade, do respeito pela vida social e pela natureza, pela liberdade, pela democracia.

O povo brasileiro tem acordado com os vários sustos que se tornaram mais visíveis desde a ditadura militar de 1964. Depois de um período promissor liderado por Lula, em que conheceu algumas medidas de alívio à miséria e à discriminação social, étnica e de gênero, já somou as centenas de mortes dos seus líderes e as prisões sem provas, portanto arbitrárias, de quem lutou a seu favor dentro do Governo.

Este povo - trabalhadores, estudantes, professores, profissionais liberais, artistas, e suas famílias - há de definir uma plataforma de governo e impor um referendo revogatório de todas as medidas criminosas praticadas contra o patrimônio nacional. Com o desenvolvimento da consciência dos objetivos principais da luta vai estar unido em torno de quem o possa representar dignamente na chefia do Governo.

Zillah Branco