domingo, 10 de setembro de 2017

Furacões provocam o cáos nas sociedades colonizadas




A mídia internacional promove o medo junto às populações afetadas pelos furacões, reproduzem entrevistas com pessoas desesperadas, vão somando os mortos e exibindo imagens catastróficas. Os cálculos são dos mil milhões necessários para os novos investimentos. Quem morreu, morreu, coitados.

Para surpresa dos que vêm nos Estados Unidos uma nação mais rica que domina recursos e técnicas ainda inexistentes nos países sob a tutela colonialista - nas ilhas S.Martim e Barbuda, República Dominicana, Porto Rico e Haiti - assiste ao desespero das populações resolvendo por si os problemas de segurança e abastecimento enquanto as autoridades dão conselhos e tentam à última hora organizar centros de acolhimento. As imagens revelam a comercialização frenética de supermercados, as estradas repletas de foragidos, as cidades invadidas por águas e ventos destruidores que acumulam casas e carros destroçados, o preço das passagens de avião passam de centenas a milhares de dolares para escapar do Estado ameaçado. Realmente é um caos pavoroso!

O Presidente Trump repete com decisão uma dúzia de adjetivos (fantástico!!!) para elogiar os que lutam para sobreviver, como se o seu reconhecimento fosse uma espécie de proteção divina, e sua esposa, com as mangas arregaçadas e roupas desportivas, entrega pacotinhos de alimentos aos desabastecidos como prova da sua intenção democrática. O Presidente da França, Macron, com ar de urubú enxarcado, faz um discurso de luto ao descobrir que as remotas ilhas das Caraíbas pertencem à nação que governa, onde a população estava a lutar sozinha sem a suposta proteção colonialista. Trump manifesta os seus sentimentos a Macron e, juntos, comparam os milhões a serem investidos para a recuperação dos equipamentos destruidos nas respectivas nações. Lamentam as mortes.

Diferente é revelado pela TV de Cuba durante os mesmos dias em que o mundo acompanha a trajetória mortífera dos tufões. Ali as autoridades informam sobre as medidas que desde o anúncio dos fenomenos foram tomadas para proteger as populações e as estruturas de produção nacional. Ao lado das autoridades que distribuem meticulosas informações indicando como agirem para garantir a segurança de todos levados para lugares de acolhimento prèviamente preparados e abastecidos pelas comunidades organizadas. A unidade entre populações e autoridades no enfrentamento conjunto permite maior esperança de sobrevivência que os discursos adjetivados ou chorados de governos que controlam a vida financeira das nações. O tufão torna-se conhecido através das explicações científicas e é acompanhado com interesse para incomodar menos. Não há desespero nem medo quando a população integra um plano nacional de defesa. Assim age um governo revolucionário em regime socialista.

A televisão cubana consegue dar informações científicas e técnicas, a partir das fotos da NASA sobre os olhos dos furacões, mas também mostrar os pontos geográficos a serem protegidos, as produções de energia, água, recursos naturais para a indústria, agricultura e pescas, educação e saúde, transporte, locais de proteção, e percorre todos os serviços do Estado e das comunidades que informam sobre a situação real existente e os planos de ação que integra os populares. É uma defesa conjunta, do país e do povo, dispensa falsos elogios e lágrimas de crocodilo.

O saldo deixado na Ilha Comunista pela devastação dos furacões foi causado pelas altas ondas marítimas que invadiram estradas e atingiram casas, onde os seus moradores haviam prevenido a segurança dos seus bens e de suas vidas, árvores e postes de eletricidade foram partidos pelo vento, alguns prédios antigos cujas paredes não resistiram ao ímpeto dos elementos. Não há mortes a lastimar, apenas alguns acidentes que resultaram em traumatismos logo tratados nos postos de saúde organizados em locais seguros.

Enquanto que nos Estados Unidos e nos paises dependentes do sistema capitalista as pessoas correm atrás de produtos para sobreviverem enfrentando filas e preços elevados nos supermercados, cada um por si e contra o outro, em Cuba o Estado, ligado às autarquias locais e associações de moradores, preparou locais seguros, com equipes médicas e abastecimento para receber as populações das respectivas regiões. Todos se empenham na defesa nacional, ninguém pensa no lucro individual com a desgraça alheia. O cáos não se instala. A solidariedade impera. Foi feito um Plano de ação administrativa com base em um Prognóstico científico desde a formação dos furacões. A ONU saudou a capacidade impar de Cuba na defesa da sua gente e da economia nacional.

Aliás, todos sabem que o agravamento desses fenomenos climáticos se deve ao maior aquecimento da atmosfera, à destruição da natureza no planeta. E os Estados Unidos não participam nas conferências mundiais para assumirem a sua responsabilidade e controlar o desvario das suas empresas em alcançar o maior lucro com o sacrifício dos humanos. E, depois de ter lançado as primeiras bombas atômicas sobre a população civil do Japão que perdera a guerra, agora levanta arrogantemente a cabeça do Presidente para enfrentar a ameaça do seu homônimo coreano como se a humanidade fosse secundária nesta competição irresponsável e criminosa.

Zillah Branco

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

frente ampla, popular e de esquerda!




Com o fim da segunda Grande Guerra - que deu início à Guerra Fria promovida pelos "aliados" sob a orientação da chefia imperial dos Estados Unidos que usaram as bombas atômicas para ficarem como heróis da vitória soviética incontestável - tornou-se claro para os revolucionários que a luta por um sistema alternativo ao capitalismo deveria integrar todos os cidadãos que tivessem consciência de que, em primeiro lugar, interessa defender o desenvolvimento do ser humano, a sua integridade física e mental para, com o trabalho, criar maiores recursos para as sociedades em paz.

Os artifícios políticos para estigmatizar as conquistas do socialismo na URSS (seguidos dos processos revolucionários na China, na Coreia do Norte, no Laos, em Cuba e no Vietnam), destruiram os caminhos abertos pela brilhante intelectualidade que nos Estados Unidos produziram literatura, cinema, música, ciência, que teriam enriquecido o patrimônio mundial não fosse o famigerado "macartismo" que minou as novas instituições universitárias e midiáticas que zelavam pela democracia e o humanismo. Com o poder do ódio irracional foi introduzida a marca fascista e autoritária no conceito capitalista de "democracia".

Como rastilho de pólvora, da grande potência capitalista irradiou a perseguição sem tréguas contra os comunistas e revolucionários em geral. Ao mesmo tempo em que eram intimidados os democratas com os riscos de discriminação social que limitavam carreiras profissionais e participação nos benefícios do desenvolvimento social, foi criada e divulgada amplamente uma "cultura anti-comunista e anti-revolucionária" que preparou as novas gerações para demonizarem as naturais tendências de solidariedade humana e de respeito social como a negação de todo o progresso traduzido em acumulação de riqueza e de promoção de uma elite dirigente.

Incutia-se subtilmente o desprezo pelos mais pobres, pelos desvalidos, pelos mais simples, com os mesmos critérios do mundo medieval, mas adoçados pela compreensão caritativa dos que distribuem esmolas, e justificavam os projetos colonialistas "que levavam o desenvolvimento possível ao terceiro mundo", "a paz e o progresso" aos vizinhos latino-americanos, enquanto as empresas transnacionais se instalavam em países alheios para explorar as riquezas naturais que o seu povo "inculto" não saberia fazer. O racismo consolidava-se como "princípio científico" que facilitava a escravidão disfarçada  imposta às etnias que emigravam para o mundo "dos brancos".

Assim como durante a revolução industrial os camponeses dos países mais ricos da Europa deixaram as suas pátrias e emigraram para colonizar as nações indígenas do terceiro mundo e manter a subordinação cultural (e institucional) aos países de origem, na Europa foram importados trabalhadores de outras etnias para suportarem as discriminações sociais que limitam a frágil democracia da moderna burguesia em ascensão. As elites dominaram facilmente a política fantasiada de "democrática" (onde analfabetos ou sem rendimentos não votam e o Estado contrata funcionários nas famílias dos poderosos) e o povo mistura-se à paisagem enevoada como uma necessária "abstração". Situação semelhante é vivenciada presentemente no Brasil.

Como o conceito de "cultura" passou a ser confundido com o de "formação escolar", e o de "inteligência" com "nível intelectual", a elite levantou o seu muro em torno dos seus postos de comando e os "sem escola" acreditaram estar fora do âmbito da "democracia ilustrada". Mas, o processo revolucionário prosseguiu na sua meta de ganhar entre os democratas os que são coerentes com a própria noção de dignidade humana e de integridade como cidadão. Com as inúmeras falhas do sistema capitalista - as ambições desmedidas de lucro que se confundem com roubo, as grandes espertezas que atropelam os valores elementares da decência, o descuido dos super-poderosos que revelam ignorâncias crassas (lembrar Bush, Temer, Trump...), a prepotência dos que não avaliam a inteligência dos ingênuos ou dos simples - foram acentuando os abusos da elite, as injustiças, os crimes da elite mandante e esclarecendo os que seguiam os seus caminhos distraidos com as conquistas individualistas sem olhar para o lado social. Cresceu o número dos que reconhecem a necessidade de mudanças na estrutura política que nāo se resolve mudando apenas o representante do comando, mas o comando em si. Hoje é visível o descrédito geral em relação aos que comandam o sistema capitalista irresponsável no risco de guerra atômica e nas chacinas sobre populações civis desesperadas.

Surge hoje na América Latina, com peso determinante, a manifestação popular que se organiza em função das estruturas de trabalho e de lutas específicas pelos seus direitos, despertam camadas sociais com privilégios de formação escolar para o reconhecimento da justiça que orienta as reivindicações populares, grandes especialistas nos conhecimentos da administração do Estado e na defesa da soberania nacional levantam as suas vozes com modéstia revolucionária junto à do povo, organizam-se os partidos de esquerda assim como as religiões tradicionais para promover a unidade entre todos estes patriotas formando uma Frente Popular Ampla de Esquerda!

Os partidos de esquerda enfrentam os seus problemas internos que refletem os da própria sociedade, eliminam os individualismos que bloqueiam as ações coletivas da grande maioria da população e os medos acumulados com a experiência sofrida de seguidas derrotas parciais sob um sistema adverso, fortalecem a compreensão fraternal que está acima dos preconceitos de classe cristalizados na linguagem elitista e ressalta os pricípios que são o seu patrimônio ideológico de uma luta secular. Este será o eixo de uma nova composição ampla com os que são capazes de acompanhar as conquistas da esquerda, dos humanistas, dos desvalidos, sobre o poder do capital e do enquistamento conservador das velhas elites, contra os que vendem a Pátria e a soberania da Nação e a dignidade dos cidadãos.

O Brasil será vitorioso! A América Latina será fortalecida! Os povos construirão as suas vidas!

Zillah Branco

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

O "povo abstrato" e o Estado social "supermercado"



Reprovado nas pesquisas e nas ruas com 94% de condenação popular, o governo de Michel Temer vê aumentar o número de manifestações nas ruas do Brasil que combatem as propostas de reforma da Previdência, de redução dos direitos trabalhistas e as desigualdades que acentuam a distância entre quem trabalha para sobreviver e os que detém o capital e o poder político.

Desemprego, corte nas Bolsas Família, venda das empresas nacionais ao desbarato, perseguição aos manifestantes nas ruas e líderes de movimentos sociais, destruição das conquistas educacionais e de atendimento médico alcançadas pelos governos Lula, assassinatos de líderes camponeses, asfixiamento do setor produtivo, delapidação do patrimônio nacional, tentativa de destruição do Mercosul e da Alba, traição aos países latino-americanos em luta pela soberania nacional, submissão à política imperialista expansionista e criminosa que ameaça a humanidade e a natureza no Planeta - o governo golpista transforma o Estado Social em um "Supermercado SA" que vende os produtos com farta publicidade enganosa e não atende às necessidades reais da população consumidora. O povo não manda no seu país, existe como parte da paisagem.

Marx, no Manifesto Comunista refere esta condição da organização do Estado, disfarçada pela retórica ficcional da classe dominante que valoriza a aparência em detrimento da essência, com a frase: “Um comitê para gerir os negócios da burguesia” em lugar da representação popular.

O Governador do Maranhão, Flávio Dino,  recomenda: "Cabe a quem governa não se perder no cipoal de burocracia, normas e contas. É preciso lembrar que cada decisão de Governo tem repercussões na vida de seres humanos, que são a parte mais importante da “contabilidade pública”.

Mas os fantoches golpistas não estão interessados nos seres humanos, apenas nos altos cargos que ocupam e na multiplicação das suas fortunas. Estão no poder mas são efêmeros, enquanto que a humanidade continua a sua evolução alcançada sempre com o trabalho e a transformação da realidade no sentido do progresso.

Quando o presidente Truman, dos Estados Unidos, determinou o uso da bomba atômica contra Hiroshima e Nagazaki no Japão para afirmar o seu poder depois da vitória soviética na segunda guerra mundial, os cientistas que tinham descoberto o uso pacífico da teoria atômica em benefício da humanidade, protestaram recebendo o apoio de milhões de defensores da Paz espalhados por todos os continentes. Hoje são os japoneses a proporem a paz a Trump, que sucede e faz recordar Truman há sete décadas atrás quando mandou matar mais de 200 mil civis japoneses em represália ao inimigo já vencido. Um chefe do governo imperial anti-ético e desequilibrado.

Ultrapassada esta fase de retrocesso no Brasil, o povo está com o conhecimento das suas necessidades para exigir um Estado soberano com organização das forças produtivas nacionais e condições de desenvolvimento social do povo trabalhador e dos técnicos e cientístas com os valores patrióticos que se requer. Um programa de governação realmente brasileiro, que respeite a soberania e a independência nacional, integrado na Comunidade latino-americana em luta, a partir do conhecimento objetivo da realidade humana, social e económica para escolher brasileiros com caracter e competência para enfrentar responsavelmente a tarefa governamental e de transformação do atual estado/supermercado em Estado Social e Institucional.

Cada setor do Estado exige a defesa econômica e política para melhor aproveitar a riqueza do território e do conhecimento técnico para a produção - de energia, de transportes, de habitações, de infraestruturas, de saúde, de ensino, de segurança social, de segurança pública, de controle fiscal, de administração pública, de legislação e justiça, de organização do trabalho, de formação cultural e artística, da proteção ao ambiente, da produção agrícola e pastoril, etc. - e ainda a prestação de serviços à população com a qualidade que existiu em tempo de democracia - lembremos os debates sobre a escola pública, as manifestações sobre o "petróleo é nosso", a defesa das nacionalizações, a exigência da Reforma Agrária, a defesa da "Amazônia", a industrialização, e tantos outros projetos que apontavam a elevação do nível de capacidades de trabalho e de conhecimento científico e político adquirido para fundamentar o desenvolvimento nacional. O Brasil tem um patrimônio científico, técnico, cultural de alto nível capaz de colaborar com um programa de luta social, sindical e popular.

É urgente organizar a visão global do Estado através de estudos particulares sobre cada área de produção e de prestação de serviços públicos para que as instituições do Estado Brasileiro sejam conhecidas no seu conteúdo, no valor econômico e político, e também no exercício dos serviços prestados quanto à meta de atendimento social e não apenas "consumo de um produto" de mercado. Um aspecto a ter presente é o papel dos servidores diretos ao público que, apoiados por sindicatos podem agir solidariamente com o cliente popular apesar das pressões impostas pela hierarquia das chefias subordinadas a comportamentos muitas vezes contrários aos objetivos patrióticos.

Um exemplo de erros acumulados na produção e distribuição de recursos nacionais temos na história da energia elétrica no Brasil, que hoje está nas mãos de empresas privadas quando deveria constituir importante área do Estado na produção de energia e defesa da soberania nacional, estabelecendo a clara relação entre a função econômica e técnica de um Estado com a prestação de serviços à população (o Estado Social).

Ao serem contratadas empresas estrangeiras monopolistas em meados do século passado - como a Light e outras - o Estado perdeu a sua soberania e o Estado Social foi transformado em um balcão comercial ao serviço das multinacionais. O povo ficou à margem, apenas comprador do produto, e o país sofreu uma degradação política que se verifica até hoje. Decisões que alteraram a geografia e o ambiente nacional, como foram as de retificação do leito do rio Tietê e a inversão da corrente do rio Pinheiros em São Paulo, foram tomadas por engenheiros do Canadá e dos Estados Unidos à revelia dos moradores das suas margens, dos pescadores e navegantes, da população pobre e trabalhadora do grande e rico território do Estado de São Paulo que, na sua maioria, desconhece esta imposição estrangeira ao curso das águas brasileiras. E este é apenas um exemplo visível, fotografado, registrado, do desrespeito pela soberania nacional.

Este mesmo abandono da função social do Estado hoje ameaça a escola pública dos três importantes níveis de ensino responsáveis pela formação dos cidadãos brasileiros de cuja inteligência e trabalho depende o progresso nacional. Para não falar da destruição do SUS em benefício de empresas privadas e laboratórios multinacionais; ou da Segurança Social que desconhece os acordos internacionais para que o trabalhador emigrante possa somar os benefícios adquiridos nos dois ou mais países onde trabalhou e descontou para o serviço previdenciário; ou da Agricultura que aceita a agro-indústria imposta pelas empresas estrangeiras de fertilizantes químicos e sementes transgênicas nocivos à saúde, etc... A lista de crimes de "lesa a pátria" é imensa e agrava-se com o colapso jurídico nacional e os cortes orçamentais que abrem caminho à miséria do povo em um país de território rico.

A definição de um programa reconhecido e apoiado pelo povo e fundamentado por cidadãos  competentes ao nível da administração pública que já deram provas do seu saber e das suas convicções éticas e humanistas - portanto patriótas e democratas - é o que o Brasil hoje tem urgência em implantar.

Zillah Branco

domingo, 20 de agosto de 2017

A origem do terrorismo actual



As nações europeias que, atravez da Nato participaram nas agressões promovidas pelos Estados Unidos aos países do Oriente Médio, do Norte da Àfrica, passaram a receber os milhões de foragidos tornados emigrantes como recurso à sobrevivência. A questão foi vista como humanitária até que a avalanche de problemas de acolhimento começou a ser entendida como econômica e financeira pelas nações mais ricas - Alemanha, Inglaterra  e França. A Grécia e a Itália, apesar de mais pobres, sofrem como portos os primeiros impactos da chegada dos que sobrevivem aos afogamentos no mar Mediterraneo e no Egeu e defendem nas praias a sua economia, criando campos de refugiados que lhes permitem esquecer a sensibilidade ao apelo humanitário daquele quadro de horrores, deixando-os abandonados aos assaltos criminosos.

A partir de 2016 todo o território da União Europeia assumiu esta farsa de solidariedade com os que fogem aos problemas das guerras por eles criados em submissão à política imperialista norte-americana. A criação do grupo terrorista "Estado Islâmico" (cujo nascimento é atribuido aos Estados Unidos) passou a actuar directamente sobre as sociedades mais ricas que exibem a sua liberdade no enriquecido sistema turístico que disfarça os problemas das suas populações empobrecidas com festivais grandiosos, programas milionários de férias, exibição de falsa alegria promovida por sons ensurdecedores e uma cultura imposta pela mídia para ocultar a realidade sob a imagem mentirosa e degradante da felicidade de cada um acima das possibilidades de sobrevivência dos humanos trucidados.

Este filme, que mascara uma criminosa verdade, visível para quem observa com os próprios sentidos e julga éticamente, atraiu o ódio de adolescentes que se tornaram terrorista formados pela escola imperialista. São muitos, das sociedades destruidas por mísseis, mas também os das que os recebem, alheios à realidade tenebrosa, transformados em alegres robôs de uma falsa cultura. Os atentados se multiplicam em Paris, Londres, Madri, agora em Barcelona, matando inocentes, que são vitimados como as populações inocentes dos países ricos em petróleo que atraíram a cobiça imperialista.

Por outro lado, em Portugal, consumido pelos fogos devastadores da sua floresta transformada em eucaliptos para exportação por governos de direita que tentaram destruir a revolução de 1974, são detidos mais de 70 criminosos que atearam as chamas por razões várias de "mente fragilizada", confessadas ou não. Os loucos foram produzidos pelo sistema do capital que transforma a vida social numa venda de produtos, as leis em normas contabilísticas, os cidadãos em números, as mentes em depósito de ilusões. Os fogos ocorrem devido à secura do ar, aos ventos oscilantes, às pontas de cigarros dos distraídos ou loucos ou prestadores de serviços aos terroristas que querem derrotar nas próximas eleições quem hoje governa com preocupações democráticas e os que lutam ao lado dos bombeiros.

As notícias que a mídia internacional oculta, circula pelas redes de comunicação na internet traduzindo as mentiras e filmes de um turismo feliz que enriquece os donos do capital, para uma população que no mundo inteiro quer preservar as futuras gerações da alienação forjada pela "polícia do planeta", para que cresça consciente da necessidade de salvar a humanidade. Lemos no blog Opera Mundi, com informações da ANSA:

"De acordo com dados compilados pelo Nation Institute e pelo Center for Investigative Reporting e publicados em 22 de junho, simpatizantes da extrema-direita cometeram quase o dobro de ataques em solo norte-americano do que extremistas islâmicos entre os anos de 2008 e 2016.

O relatório contabilizou um total de 201 incidentes terroristas domésticos no período, sendo que 115 deles foram cometidos por seguidores de ideologias de direita, tanto os chamados defensores da "supremacia branca" quanto militantes patrióticos e neonazistas.

Outros 63 foram motivados por ideologia política teocrática aventada por grupos como o Estado Islâmico (EI). Dezenove casos registrados no período foram cometidos por organizações que seriam de extrema-esquerda, incluindo ativistas do meio ambiente, de direitos humanos e anarquistas.

Esses atos da extrema-direita são, em sua maioria, episódios de violência e agressão, que geram mortos ou feridos, e vandalismo de propriedades públicas ou privadas. Dos 63 episódios de terrorismo islâmico identificados pela pesquisa, 75% deles foram frustados pela polícia, ou seja, não ocorreram, e 13% provocaram mortes. Entre os casos de ataques da extrema-direita, apenas 35% conseguiram ser prevenidos, o que totaliza 79 mortes no período (índice de fatalidade em 30%) e comprova uma falta de atenção do sistema de segurança para este problema.

Nos atentados islâmicos, o balanço é de 90 vítimas - número maior apenas devido ao tiroteio em Fort Hood, no Texas, que deixou 13 mortos e 32 feridos em 2009.

"Os EUA são a pátria do fundamentalismo, que nasceu no território americano no século 20 e se espalhou pelo mundo, inclusive para o Oriente Médio. Mas, nos EUA, esse fundamentalismo criou uma ponte ideológica-política", disse o historiador e especialista em Relações Internacionais Sidney Ferreira Leite, da Faculdades Belas Artes.

"Usualmente, vemos homens brancos que começam a atirar contra as pessoas na rua, ou grandes atentados como o de Oklahoma", afirmou, referindo-se ao ataque de 1995 cometido pelo ex-soldado neonazista Timothy McVeigh que deixou 168 mortos e 850 feridos.
Organizações

A ONG Southern Poverty Law Center (SPLC), que monitora grupos de ódio nos EUA, contabiliza 917 organizações extremistas em atividade hoje no país. Elas se dividem em vários níveis e segmentos, como os supremacistas brancos (que acreditam na superioridade da raça branca e são xenófobos), a Ku Klux Klan (que ficara famosa no século 19 e é extremamente racista) e os neonazistas (que tentam resgatar a ideologia nazista da raça ariana, do antissemitismo, da xenofobia e da homofobia). Dos 917 grupos de ódio em atividade nos EUA, 130 seguem a KKK, 99 são neonazistas, 100 são nacionalistas e 43, neoconfederados.

"Trump tem um novo problema dentro do conjunto de prolemas que ele mesmo ajudou a criar. Ele instiga essas ações de violência, que já existiam, mas que agora são como uma bolha que estoura", disse o analista de Relações Internacionais. " (reproduzido pelo Portal Vermelho 20/08/17).

Antes que desliguem a internet temos de formar grupos de discussão, associações comunitárias e de classe,  sobre os caminhos de luta e  a verdadeira vida planetária, internacional, nacional, da nossa classe social, familiar, para resistirmos às formas de poder dos que acumulam o capital e divulgam mentiras para promover falsas festas que transforman os seres humanos em imbecís e loucos.

Zillah Branco






sábado, 12 de agosto de 2017

A mistificação do sistema capitalista




Temos hoje uma uma visão geral dos problemas de impotência das instituições democráticas e da luta de classes não só na Venezuela mas em toda a América Latina, diante das condições herdadas da colonização ha 500 anos e da neocolonização posterior que manteve um sistema oligárquico de poder. A ambição permanente dos países desenvolvidos e a ação imperialista assumida pelos Estados Unidos ha mais de um século, como ponta de lança do expansionismo capitalista, tem sido um entrave ao desenvolvimento das forças produtivas e de uma consciência de classe na defesa da soberania das nações.

Vivemos um momento difícil em que, para participar em alianças políticas vemos desaparecerem os princípios éticos que são a base da realização de um processo revolucionário capaz de impor o socialismo como sistema. Como na inesquecível novela "O casarão", de 1976 na Globo, em que o velho fazendeiro Atilio, representado por Mário Lago, "misturava com uma varinha os excrementos de galinha em uma banheira para produzir ouro", estamos sempre acreditando nas mentiras que os traidores da pátria dizem e deixando o povo à margem, afogando a sua decepção e consciência de luta na miséria crescente que é física e mental. Temos de sair deste círculo vicioso e rediscutir os princípios essenciais de que a nossa luta depende, temos de unir uma juventude ainda saudável e traçar novos caminhos para não sucumbir nesta fase que deve ser de extertores do capitalismo com os lideres boçais eleitos ou golpistas (Trump, Temer e tantos outros pelo mundo).

De pouco servirá comemorar o centenário da Revolução Soviética promovendo apenas uma recordação respeitosa de um passado de luta e heroísmo, que deve ser atualizado para ser devidamente honrado. Nesta sociedade de robôs serão liquidados os sindicatos, as uniões, os partidos democráticos, se continuarem amarrados às leis criadas pelo "poder judiciário capitalista" que é mais forte que os eleitos no processo de "faz de conta" como se escolhidos pelo povo.

Hoje falam em 27 milhões de escravos no mundo moderno, reconhecidos na classe dos despossuidos, e todas as semanas morrem afogados levas de foragidos das guerras no oriente médio e norte da África nos mar Mediterrâneo e mar Egeu, para não falar nos famélicos abandonados em precários campos de refugiados que a ONU não consegue manter. Agora no Brasil, com os cortes ás bolsas famílias, a miséria invade um país reconhecidamente ríco. Os que sobrevivem são assaltados pelos comerciantes de sexo, de escravos, de órgãos humanos, protegidos pelo sistema capitalista que alimenta a destruição da humanidade e da natureza planetária.

Devemos acrescentar os muitos milhões de cidadãos da classe média a caminho de uma forma de escravização mental, que consideram como profissões: a prostituição (de bordel e de casamentos oportunistas), as barrigas de aluguel sem protecção institucional e de assistência médica, os jogadores de futebol e de outros esportes que são vendidos aos clubes como um "produto", e outras situações juridicamente contraditórias de subordinação da liberdade pessoal aos compradores de direitos dos cidadãos, visivelmente a moderna escravidão humana.

Devemos denunciar a midia e outras instituições que fazem a divulgação promocional desses crimes, assim como dos empregadores que não respeitam as leis laborais e mantêm o sistema precário de emprego, sem garantias, que esvaziam os sindicatos e oprimem duplamente os trabalhadores, os traficantes de seres humanos e os divulgadores de uma cultura de subserviência que modela negativamente as gerações mais jovens e leva as populações à depressão mental por ausência de esperança na dignidade e na vida.

A democracia tornou-se um falso cenário adaptado aos interesses do capitalismo. É uma cópia mal feita e estática, fora do seu processo de desenvolvimento, das conquistas dos trabalhadores reconhecidas e adotadas plenamente apenas pelo sistema socialista implantado pela Revolução de Outubro de 1917. Com este arremedos de social democracia foram minados os conhecimentos científicos, como por exemplo nas áreas do atendimento médico e de assistência social, de forma a ser priorizada a ação comercial e a circulação do capital em benefício das instituiçōes privadas (laboratórios e clínicas que produzem industrialmente e em sistema competitivo), gerem a recolha de impostos e a entrega de pensões e aposentadorias por idade ou carência física. A produção de medicamentos tornou-se uma das maiores indústrias químicas do planeta que visa a competição entre as marcas promovidas pela mídia e a simulação de tratamentos que podem atenuar os problemas físicos dos utentes e criar novos problemas que exigirão novos tratamentos e drogas. A recolha de impostos para atenderem as situações de desemprego, velhice ou incapacidades para o trabalho, é gerida como capital a ser investido para a obtenção de lucros bancários e sofre os riscos de perda de valor conforme as crises sistêmicas determinarem. Objetivamente a proteção do ser humano não se impōe como o fator fundamental que justificaria as instituições criadas. O médico deixou de ser um cientista, sequer tem condições de conhecer o cliente, e repete as cartilhas dos laboratórios adotadas pelo país mediante acordos políticos.

O mesmo ocorre com outras instituições do Estado como transportes, segurança, educação, obras públicas, agricultura e produção animal, pescas, higiene pública e recolha de lixos, distribuição de água e energia, e o sistema judiciário que defende os interesses dos setores privilegiados manipulando as leis votadas pelos Parlamentos e penalizando a população trabalhadora e os desvalidos. A única ajuda que o cidadão pode ter depende da capacidade e dedicação pessoal de funcionários dotados de formação humanísticame coragem para enfrentar as condições impostas pelo serviço público ou privado.

Da mesma forma como são manipulados os produtos farmacêuticos que afetam a saúde humana e os químicos que alteram a natureza, as leis são condicionadas às formulas políticas que sustentam o domínio da sociedade por uma elite privilegiada. O pobre é criminalizado e perde a liberdade por um pequeno delito para poder sobreviver e o rico desvia milhões em oprações fraudulentas do sistema bancário com defesa jurídica capaz de isentá-lo de culpas. Tal impunidade tem agravado as crises sistêmicas e desmoralizado a idoneidade das instituições do Estado dito "democrático". Por um lado o sistema político perde credibilidade e só encontra líderes cada vez mais adaptados à prática da desonestidade e do autoritarismo boçal, e os cidadãos tornam-se órfãos dos valores de cidadania e do respeito humano. Qual será o futuro das populações abandonadas? Como repor os princípios éticos de um processo revolucionário?

Zillah Branco














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sexta-feira, 14 de julho de 2017

Lula é um herói na história do Brasil




As nações em fase de colonização têm o povo no papel de heróis. A justiça, a liberdade, a fraternidade, a honra, permanecem na base empobrecida da sociedade acalentada pela capacidade de sobreviver sem apoios e manter a esperança para os seus filhos.

Lula, galgou os degráus do poder demonstrando ao mundo que o caminho da emancipação nacional tem início na superação da fome e da miséria em que foi atolada a grande maioria das famílias dos trabalhadores. Seguiu um caminho que, na história da humanidade, foi criado por cristãos e comunistas primitivos.  Hoje é um exemplo admirado por todas as nações representadas na ONU.

Ao ser eleito Presidente da República, implantou um programa de Governo comprometido com o desenvolvimento das forças produtivas nacionais levando à todos os brasileiros as condições de cidadania: bolsa família - com a alimentação necessária; escolas em todo o Brasil profundo; saúde - em sistema universal; previdência social - com o reconhecimento de todas as funções profissionais; legislação do trabalho democrática; habitação com água e luz; estradas, caminhos, ruas transitáveis; segurança pública com respeito social; diálogo aberto com o empresariado nacional para que agissem como patriótas. Assim exerceu dois mandados dos quais saiu conservando mais de 80% do apoio popular.

Foi uma obra heróica realizada por um filho do povo brasileiro, reconhecida por mais de 50 milhões de eleitores. Despertou uma população adormecida durante 500 anos, vítimas de dominação colonialista seguida de poderes oligárquicos servís à forças estrangeiras. Tentou unificar pobres e ricos sob o compromisso da solidariedade, da justiça, da fraternidade, da honra de ser brasileiro. Elevou o conceito de patriotismo, de defesa do patrimônio nacional, de nação capaz de trabalhar ao lado das mais antigas e ricas do planeta, merecedora de respeito nos organismos internacionais, sem esquecer o seu papel solidário com todos os países latino-americanos e com os de outros continentes igualmente colonizados. Lula tornou-se um herói para todos os povos que lutam pela independências das suas nações!

Por isso foi condenado agora, sem provas, pelos esbirros golpistas que ocuparam o Governo e o Estado como assaltantes armados por um poder externo!

Ninguém governa sozinho um país! Lula recebeu a colaboração de muitos que se ocuparam da condução do sistema capitalista que domina o mundo ocidental e condiciona todo o mercado mundial. Na sua boa fé, Lula confiou aos lobos a defesa da economia nacional. E foi traído. Recebeu de braços abertos um Meirelles, conhecedor do sistema financeiro formado nos Estados Unidos, e depois foi seguido por vários colegas especializados em bancos na função de Ministros da Fazenda. Aceitou com entusiásmo a colaboração empenhada de um PMDB que durante a ditadura militar destacou-se na batalha pela democracia.

Foi ingênuo? Foi, mas isto é fruto da sua origem popular brasileira, de quem conheceu a tortura da fome e não pode estudar porque muito cedo foi trabalhar para o sustento familiar. Não é crime! Crime é a traição à Pátria, cometida pelos ilustres doutores que o apoiaram por ambição mesquinha e oportunista! Crime, é inverter o papel da Justiça que paga para que um ladrão denuncie um opositor político, que condena um herói da história brasileira para manter um golpista corrupto na posse do mais alto cargo do Governo.

Crime, é manter os invasores do Brasil distribuindo a riqueza nacional entre os seus amigos externos e destruindo a democracia que elevara o povo à condição de cidadania!
Crime, é fazer da política um jogo perverso de cartas viciadas que condena o Brasil à ser novamente colonizado e ter o seu povo escravo!

Diretas, Já! Para salvar a Pátria!

Zillah Branco

segunda-feira, 10 de julho de 2017

As ratoeiras do sistema capitalista

A luta contínua, permanente

Zillah Branco *

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Muitos acreditam na democratização do sistema capitalista vestido com suas fantasias populares. É verdade que ensaiam o sistema universal de saúde ou de escolas para todos. Vão atamancando soluções aparentemente copiadas do atendimento à elite mas sem recursos para atender todo o povo. Nomeiam profissionais de renome e atraem em número crescente os que aceitam as condições do serviço público, com menor remuneração e pior condição de trabalho, para estender democráticamente os benefícios do trabalho de médico ou professor.

No entanto, diante da avalanche de trabalho por profissional, reduzem o tempo de atendimento médico e aumentam o tamanho das salas de aula para o professor falar a dezenas de estudantes ao mesmo tempo. É claro que o cidadão não consegue transmitir as suas queixas em resumo para informar o médico nos escassos minutos disponíveis. Nem os alunos conseguem levantar dúvidas para penetrarem a matéria ensinada. Por melhor que seja o médico ele só poderá receitar diante dos exames que o cidadão vai fazer ao longo de meses de espera, porque também os equipamentos estão assoberbados de trabalho. Por melhor que seja o professor, ele não consegue conhecer os alunos para adaptar as suas aulas aos ouvintes e vai se esfalfar para ler as provas de centenas de alunos desconhecidos.

Evidentemente cai a qualidade dos trabalhos, cansam o povo nas filas de espera e os alunos sem orientação pedagógica. Os profissionais dedicados ao atendimento "democrático" vêm-se como robôs diante de um tapete rolante por onde passam velozmente criaturas necessitadas que não têm tempo para conhecer. Os clientes morrem sem tratamento, os alunos mal se alfabetizam.

Então começam a surgir clínicas privadas de luxo e escolas particulares com ofertas de cursos complementares atraentes, que cobram caríssimo mas fazem algum desconto para o Estado (que lhes facilitou o terreno e perdoou impostos para que alí se fixassem) poder usar os seus serviços suprindo as carências dos serviços sociais públicos. É a resposta dos grandes grupos que comandam o capital, ao que se pretendeu ser um apoio social democrático. Fica claro o jogo político em que o Estado, que vai buscar nos constribuintes os financiamentos dados aos grandes grupos, e com as conquistas populares que terão de ser reconquistadas com movimentos populares unidos nas ruas.

As contradições no sistema capitalista, entre o desenvolvimento das forças produtivas que inclui a formação culturam e a defesa da saúde dos cidadãos, contra a ambição de acumulação de riquezas pela elite poderosa, são insuperáveis. A luta social permanente dos trabalhadores pelos seus direitos assegura um relativo equilíbrio entre exploradores e explorados que formam a sua consciência de classe e superam as suas carências com o apoio das estruturas sindicais e partidárias. É uma longa caminhada para não se deixar vencer pela minoria patronal.

As duas classes mantêm a esperança na vitória que será alcançada com o fim dos abusos pelo poder instituido e o uso da força militar, e pela consciência humanista de solidariedade que se clarifica.

As contradições no sistema capitalista são imensas! Por exemplo, no futebol é comum ouvir-se um técnico afirmar que formou um bom jogador para ser "vendido" por seu clube para quem paga milhões e garante um salário milionário para o jogador em outro país, o que engrandece o seu país de origem. Mas existe uma legislação para evitar o tráfico de humanos!

Assim, com a manipulação das leis, exportam capitais para paraisos fiscais, corrompem funcionários do Estado para desviar recursos, destroem empresas nacionais para favorecer concorrentes estrangeiros, controla o sistema judiciário para favorecer amigos e culpar inimigos políticos. Quem manda e detem o poder financeiro faz da pátria o que quiser, inclusive destruí-la. Não existe maior contradição quando uma elite empurra o Estado contra os cidadãos!

Mas o povo pensa, e na medida em que se fortalece pela união e conhece os seus direitos de cidadania, sabe que a Pátria lhe pertence. Então luta, por ela e pelos seus!

Fora Temer e sua quadrilha! Diretas, Já!

Zillah Branco

domingo, 2 de julho de 2017

O capitalismo fantasia-se de socialismo



Inegável o êxito da Revolução Socialista de 1917, que institucionalizou grandes conquistas da humanidade - liberdade de pensamento; igualdade de direitos para gêneros, etnias, opções religiosas, classes sociais; condições de habitação, ensino, saúde, previdência social; combate à exploração humana; defesa dos direitos de cidadania; associação sindical - definindo um Estado democrático.

O sistema capitalista, durante o século XX foi adotando os títulos das conquistas em grandes cartazes propagandisticos e em textos legislativos, mas sem levar à prática os princípios enunciados. A democracia de fachada só era semi-atendida quando os protestos organizados por partidos de esquerda e os sindicatos exigiam através de grandes mobilizações populares e greves que paralizam a produção. A diferença essencial entre os dois sistemas é que o socialismo revolucionário atende os interesses dos povos e a independência nacional, enquanto que o capitalismo só vê as vantagens dos lucros e do poder financeiro entregues à propriedade privada.

Com a queda da União Soviética, que se tornou uma potência cultural, científica e econômica, capaz de competir com os Estados Unidos que dominava políticamente todos os países capitalistas, os povos em luta perderam o apoio para defenderem os seus direitos nacionais e de cidadania. Surgiu, com a globalização, o poder financeiro unificado para acumular capital, manter elites nas sociedades e impor a austeridade às populações trabalhadoras.

Esta unificação do poder financeiro deu origem a governos nacionais incapazes de defender o desenvolvimento nacional e de seus povos, por incompetência ou subordinação ao comando externo. Proliferaram as invasões de países independentes onde havia grandes reservas de minérios e petróleo cobiçadas pela liderança capitalista que fomenta a indústria da guerra, de armas e químicos. Com os programas de austeridade impostos pelo FMI no âmbito do neoliberalismo que destrói as economias nacionais e fomentando o turísmo e os impostos em lugar das forças produtivas desempregadas, foram empobrecidas as nações servindo de palco para as elites circularem como magestades servidas por profissionais empobrecidos e robotizados.

A robotização dos cidadãos empobrecidos, manipulada por uma cultura midiática imbecilizante, retira-lhes a independência, o pensamento próprio, a coragem de lutar coletivamente, tornando-o um escravo passivo da exploração sistêmica.

O grande incêndio em Portugal, em Pedrógão Grande em Junho de 2017, revelou que na Europa, onde o Estado existe há mil anos, ocorre o mesmo que se repete nos Estados Unidos, anos após anos devido a tufões, cheias ou incêndios, que matam ou expulsam as populações de várias regiões: o Estado não protege devidamente a sua população, com o mesmo empenho com que defende o capital dos bancos e dos seus gestores ou o pagamento da dívida externa contraída em nome do povo. Da mesma maneira o cáos gerado pelo golpe de Fora Temer empobreceu o Brasil e leva o país e seu povo à ruina, apesar de existir uma Constituição e leis para os defenderem. Fica tudo no papel porque os responsáveis não se movem.

A perda de confiança nas instituições, nos serviços do Estado, generaliza-se somando o que ocorre por meio da corrupção organizada pelo imperialismo para destruir a nascente democracia que desponta em países do terceiro mundo, onde os poderes legislativos, executivos e judiciário, perdem a confiança do povo empobrecido, desempregado, sem recursos para tratar a saúde e estudar, morando em favelas ou nas ruas, cercado por gangues do crime organizado.

Os governos produzem legislações e comissões de estudo, e a acção fica no papel como se a gestão da vida nacional pudesse ser apenas literária. Diante de um acidente natural ou uma acção criminosa chega tarde sempre, decide com contradições no terreno, desconhece a realidade dos que vivem e sofrem. Enterra os mortos. Depois faz a contabilidade dos prejuizos, reformula os orçamentos para compensar o desastre material, é apenas o Tio Patinhas no poder. Desconhece a razão da vida humana.

Como disse Daniel Jadue, alcaide em Recoleta, no Chile, a nível municipal podemos fazer um governo comunal com a participação dos cidadãos. O Estado, como aparelho que é da classe dominante, não chega ali onde o índice per cápita é 1/10 do índice nacional.

Esta experiência existiu no Brasil durante a ditadura militar, em Boa Esperança no (ES), Piracicaba (SP), Anastácia (MG), Atibaia (SP), Brotas (SP), Cabo Frio (RJ), Campina Grande (PB), Cassilândia (MS), Criciúma (SC), Curitiba (PR) , Ilhéus (BA), Itabuna (BA), Itajaí (SC), Itú (SP), Jundiaí (SP), Juiz de Fora (MG), Matão (SP), Oeiras (PI), Olinda (PE),  Osasco (SP), Pelotas (RS), Penápolis (SP), Petrópolis (RJ), Rio Claro (SP), Rondonópolis (MT), Salto (SP), São Felix do Araguaia (MT), São Carlos (SP), São João da Boa Vista (SP), São Roque (SP), Tietê (SP), Toledo (PR), Uberlândia (MG), Vila Velha (ES), Viçosa (AL), e, na Europa (em várias nações) e, após a queda da ditadura de Salazar, nos Municipios e Freguesias no sul de Portugal no bojo do movimento revolucionário decorrente da Reforma Agrária de 1974/5.

O Estado capitalista não corresponde às suas bandeiras sociais porque não as aplica, é só propaganda de uma democracia de fachada. A defesa da população fica a cargo das famílias (responsabilizadas pela educação e saúde dos familiares), das acções de solidariedade (ou caridade) por associações religiosas ou populares e do movimento sindical ou político. As instituições sociais do Estado são pressionadas para exercerem as suas funções, pela participação da população em lutas lideradas por organismos políticos e sociais independentes.

Com a evolução histórica assinalada por movimentos revolucionários, o conhecimento objetivo que os povos adquirem da sua dependência em relação ao Estado, permite aos setores sociais libertos da miséria material e cultural, que a participação popular - através do voto, mas sempre atenta para exigir ações concretas - é determinante na construção de soluções para os problemas reais. Gradualmente caem as máscaras usadas pela elite dominante, dissolvem-se as falsas imagens atribuídas às instituições e leis inertes, desvendam-se os políticos como usurpadores ou representantes efetivos dos interesses do povo. O povo descobre que os cidadãos unidos na participação política são os agentes dinamizadores do desenvolvimento. O capital e as empresas serão os instrumentos, assim como o sistema de ensino e formação profissional.

A crise que hoje o Brasil enfrenta demonstra claramente que, para evitar o colapso político, social e econômico nacional, só a presença de todo o povo, unido, nas ruas à exigir "diretas, já!" Poderá salvar a pátria esquartejada pelos irresponsáveis do governo "Fora Temer" e camarilha.

Zillah Branco

quarta-feira, 14 de junho de 2017

P'ra Frente, pessoal!





Enquanto os chimpanzés no Uganda aprendem, com outros exemplares da sua cultura, a molhar
uma esponja de algas para beber agua de um poço em lugar de recolher com uma folha o líquido
que vai derramando, os "inteligentes" humanos que comandam o sistema capitalista seguem as
idéias de idiotas como Temer,Trump et catærva, que pretendem fazer girar a roda da história
cultural da humanidade para trás. Qualquer dia a mídia subalterna divulga as vantagens em beber
água nas folhas e os chimpanzés darão gargalhadas geniais.

Quando 35 milhões de trabalhadores no Brasil fazem greve acompanhados nas ruas por
desempregados, trabalhadores rurais, professores e estudantes, representantes de todos os
credos religiosos, negros, indios, imigrantes europeus, asiáticos, africanos, militantes de esquerda
e democratas honrados, tem-se a prova de que o programa de Lula para alimentar os cinquenta
milhões de brasileiros famélicos e levá-los a descobrir os direitos de cidadania com a ajuda dos
professores das escolas primárias, dos estudantes e professores das universidades, das equipes
médicas e dos servidores públicos que se dispuseram a integrar aqueles conterrâneos (que nem a
certidão de nascimento tinham) nas estatísticas nacionais para alcançarem os direitos sociais
mínimos, este gesto histórico e coletivo abriu caminho para que o Brasil se tornasse uma nação
soberana. Os brasileiros descobriram que a dignidade lhes pertence.

Agora, é caminhar para a frente varrendo a poeira deixada por séculos de atraso oligárquico e de
reformas fundiárias e bancárias que só interessam a uma elite apátrida. Chega de discussões
estéreis, de mesuras vexatórias a um patronato estrangeiro, de submissão a comandos que
desconhecem as leis nacionais e os princípios éticos em que se baseiam, dessa dissolução dos
costumes em que se atolam os mandatários, esta pouca vergonha de mentiras e corrupções que
mancha a história pátria e destrói o Estado brasileiro.

Este troca-troca de discursos e de consciências já demonstraram que nunca vão aprender a tomar
água pela esponja porque estão sempre olhando os parceiros vestidos de luxo que a televisão
apresenta como os donos do mundo tomando whisky em copos de cristal. Não nos servem, não
sabem pensar por si nem como pensam e fazem os brasileiros, não sabem trabalhar pelo coletvo,
não sabem sambar, nunca amaram, não pertencem a este povo valoroso que ha 500 anos contrói
uma nação apesar dos invasores que se multiplicam.

A luta dos brasileiros não está isolada. Em todo o mundo, apesar do boicote midiático e das elites,
os povos de todo o mundo em manifestações do Primeiro de Maio, saudaram a grandiosidade de
um povo, o brasileiro, que se une como classe trabalhadora diante de um governo espúrio que foi
assaltado por crápulas, para ditar o seu Plano de Desenvolvimento Social e Econômico que não
aceita as exigências da elite mesquinha que só pensa em crescimento e lucro dos poderosos.

A Europa está diante de uma crise que se arrasta sangrando os trabalhadores e os setores mais
desprotegidos das sociedades. A perversidade do sistema imposto pela Troika imperial abriu
caminho para que a Inglaterra saltasse para fora do barco enquanto os grupos fascistas dominam
os eleitorados em desespero. A Russia encontra apoio na China para não se subordinar à União
Europeia casada com os Estados Unidos. O cheiro à polvora, que traz a memória da Segunda
Guerra, polui a humanidade. São os trabalhadores organizados nos seus Sindicatos que se unem
nas ruas de todas as capitais mundiais como um exército internacional que abre caminho com
idênticas palavras de ordem atraindo uma juventude que não vislumbra um futuro no presente.

A "crise econômica" badalada pela elite financeira não cortou os orçamentos da indústria de
armamentos, dos salários dos banqueiros, dos criadores de modas e de uma cultura predadora e
violenta que forma robôs imbecilizados. Os pobres ficaram mais pobres, os doentes tornaram-se
cobaias das indústrias farmacêutica e química que poluem e aniquilam a natureza. Os jovens
perderam a esperança de construirem a própria vida. Os paises mais pobres exportam produtos primários e mão-de-obra para desenvolverem as nações mais ricas. Aprendem a receber com
desvelo os turistas que querem respirar ar puro e relembrar a humanidade que vai sendo extinta
nas megalópolis. Dinheiro não falta para manter a injustiça social que sustenta o capitalismo.

P'ra frente Brasil! Viva a América Latina livre do imperialismo!

Com a consciência de classe e as bençãos religiosas dos que acompanham a luta dos povos!
F

Diretas, Já! Chega de remendos!


Diretas Já! Chega de remendos!


O Estado Brasileiro foi minado pelo neo-liberalismo desde que Meirelles foi apresentado
ao Lula como "grande economista que, apesar de pertenter às hostes do tucanato,
aceitava o programa de desenvolvimento nacional proposto pelo governo PT e iria
assumir a Presidência do Banco Central do Brasil". Logo, o "colaborador que aderiu à
política de esquerda traçada para acabar com a miséria e defender a soberania nacional"
exigiu que o Banco do Brasil se tornasse independente.

Independente do Brasil, do governo popular de Lula, para ser manobrado pelos seus
patrões imperiais da holding norte americana J&F (dona da JBS). Começaram então as
manobras de corrupção que se alastraram como cancer através do Estado e do poder
financeiro produzindo traidores de vários naipes que contaminaram o tecido executivo
nacional até chegar aos dias de hoje, com o usurpador Temer na Presidência da
República (e Meirelles no Ministério da Fazenda) que envergonham os brasileiros de boa
fé e de consciência cidadã.

Esta podridão avassaladora foi percebida pelos trabalhadores e suas famílias em todo o
país, cidades e campos, velhos e jovens, provocando o surgimento de uma Frente
Popular de esquerda, unida e disposta a limpar todas as instituições nacionais das
metásteses provocadas pela doença destruidora.

Diz Luiz Bernardo Pericás: "Será possível construirmos uma frente democrática e popular
de esquerda, com movimentos sociais, partidos e organizações com pautas progressistas,
uma frente que vá além do “Fora Temer” ou “Diretas Já”, por exemplo. O fato é que não
se pode viver de calendário eleitoral. Qualquer um que for eleito pelas normas atuais, seja
quem for, vai fazer coalizões, negociações, acordos. Gostando ou não do Hugo Chávez,
temos de concordar que ele soube aproveitar o momento, utilizando-se de todos os
recursos democráticos reconhecidos internacionalmente, para mudar a constituição,
construir um judiciário e um Supremo, reconstituir e transformar profundamente as forças
armadas. Aqui não se fez nada disso. Sem tirar os méritos de muitas políticas sociais do
PT, os governos petistas beneficiaram a população mais pobre, mas também, ao mesmo
tempo, os bancos, o agronegócio, o sistema financeiro: tentaram agradar a todos. Ou,
pelo menos, as duas pontas: os mais pobres e os mais ricos. Conciliação de classes não
funciona. Está aí algo a aprender com Lênin e a Revolução Russa: não se pode confiar
nos seus inimigos. " (Almanaque Urupês, 28/05/17, reproduzido no Portal Vermelho
28/05/17 por Célia Demarchi).

Marx definiu sem meias palavras, no Manifesto Comunista, que esse sistema dominante
torna o Estado "um comitê para gerir os negócios da burguesia". É o que estamos
assistindo com os roubos e formas de corrupção bilionária e com a destruição das
conquistas populares iniciadas pela campanha Fome Zero, com a integração da
população nas condições de cidadania, com o desenvolvimento da saúde e da educação,
com a aplicação das Leis Trabalhistas, com a confiança nas instituições.
Os bispos da CNBB apontam a falta de ética nos governantes e apoiam as

manifestações, os homens e mulheres ainda conservadores que recordam o retrocesso
civilizatório causado por 21 anos de ditadura exigem democracia, o povo constrói a
unidade entre todas as associações que o representam superando divergências tornadas
secundárias diante da destruição da soberania nacional e do Estado social. As manifestações de protesto nas ruas e a grande greve de Maio reuniram perto de 40
milhões de brasileiros coordenados por lideranças políticas que nascem da luta
empenhados em evitar confitos e desmandos que os provocadores provocam.

A situação agrava-se com a prática da violência policial (somada à violência do
desemprego, dos programas de corte no sistema previdenciário e no desbarato do
patrimônio nacional com a venda da Petrobrás e das terras agrícolas) que a direita impõe
tornando inviável qualquer diálogo.

 O povo unificado define um Plano de Reconstrução
econômico, Social e Político onde não existirão privilégios de elite nem poderes paralelos.

Está preparado para escolher quem os represente. Diretas já!

terça-feira, 13 de junho de 2017

A disseminação do ódio



Hoje está fartamente comprovado, através da comunicação social, que o incentivo ao terrorismo tem sido feito pelo imperialismo liderado pelos Estados Unidos e com o apoio de Israel e União Europeia além de nações subordinadas como Arábia Saudita, Qatar e outras que se entusiasmaram com as invasões realizadas pela NATO contra Iraque, Egito, Libia e agora a Síria que tem resistido heróicamente. A mídia serviu de instrumento para culpar "grupos étnicos ou religiosos" aos quais foram entregues armamentos e apoio financeiro pelos paises ricos, mas hoje vê-se obrigada a revelar a estratégia assassina dos poderosos que ocuparam (e ocupam) os papéis de Presidentes daqueles paises.

Trump, na exibição da sua truculência, tem ajudado a revelar todo este crime organizado contra a humanidade na medida em que procura assumir a liderança absoluta do império capitalista. É desbocado, agressivo, temperamental, bruto e autoritário, ao falar com os seus parceiros despertando animosidades pessoais. Juncquer, em nome da União Europeia tentou minimizar a crispação produzida com as ordens dadas por Trump aos governantes das nações associadas, referindo Trump com um mentecápto a quem falaram "devagar e com frases curtas para que pudesse entender", sobre a necessidade de cumprir o Acordo de Paris sobre o clima planetário em perigo. Nada falou sobre a responsabilidade imperial sobre a expansão do terrorismo que hoje invade o território europeu que mantém a NATO, apesar de Trump ter reclamado que a UE não tem pago a manutenção desta ponta de lança do imperialismo. O Clube de Bildemberg convidou seus membros para estudar secretamente uma solução globalizante.

Até a mídia subalterna deixou visível que, para não tocarem no tema principal - a promoção do terrorismo que destruiu várias nações no Oriente Médio e Norte da Africa provocando milhões de mortes e o problema insolúvel da migração desesperada de milhões de foragidos pelo mundo afora - surgiu uma desavença entre a liderança norte-americana e a UE, que foi situada na questão do Acordo de Paris sobre os efeitos da poluição sobre o clima planetário. Este desentendimento permite aos poderosos da UE fazerem campanhas de aparência democrárica que favorecem os sentimentos populares. E, além dessa percepção para os que não se deixam comover com as "boas maneiras e beijinhos a torto e a direito distribuidos às populações europeias", as grandes notícias midiáticas (que superam até o negócio futebolístico) passaram a ser os actos terroristas que se sucedem na França, Bélgica, Inglaterra e Alemanha.

Só não vê a relação entre os financiadores de terrorismo e a vingança dos seus "alunos" sobre as populações europeias (principalmente com a criação do auto proclamado Estado Islâmico, que foi o gato com rabo de fora, depois do Al Qaeda dos amigos de Busch), que a fábrica de terror é o imperialismo não só com os incentivos bélicos e financeiros, mas com a criação de uma psicologia social baseada no ódio e na volúpia patológica dos assassinatos e suicídios. 

Basta percorrer os vários canais com filmes norte-americanos em maioria, a internet, os livros, revistas e jornais, as propagandas em roupas e brinquedos para crianças e jovens, para se ter uma imagem tenebrosa da cultura midiática e publicitária que ha anos domina as sociedades alimentando o ódio, a esperteza dos agressores, o medo dos que permanecem pacíficos, o oportunismo dos que se aliam aos fortes. Será necessário "falar devagar e com frases curtas" (como ensina Juncquer ao tratar com um governante estúpido) com todos os governantes da Europa e dos Estados Unidos? Serão todos mentecáptos ou coniventes com o grave plano assassino imposto à humanidade?

Putim criou uma legislação para punir os que "incentivam o suicídio". É um bom começo mas não resolve a raiz do problema da formação mental negativa que paira sobre a Terra.

O movimento de massas no Brasil tem explicado que na luta social "não existe discurso de ódio, mas sim o discurso da luta de classes". É também o que ocorre em outros países em que os protestos dos trabalhadores, assim como de grupos discriminados - de gênero, étnicos, etc.- se multiplicam e integram-se nas manifestações sindicais que unem os trabalhadores de todas as profissões, incluindo estudantes, professores, médicos, artistas, policiais, que vêm os seus direitos trabalhistas negados e as suas carreiras cortadas. 

Combatem a injustiça social que os governantes não têm capacidade de resolver por se submeterem às contingências criadas pela política financeira e pelos planos neo-capitalistas de domínio multinacional. Protestam contra a destruição dos serviços públicos de carácter social, como a saúde, a previdência, a saúde, a cultura: tornando a educação uma mercadoria, que  visa o vestibular ou um tipo de trabalho servil, uma educação sem perspectivas sociais e que não tem como objetivo oferecer aos jovens uma compreensão mais lúcida e complexa da realidade; criando uma medicina para vender produtos da indústria farmaceutica sem questionar o consumo de alimentos nocivos e as pressões psicológicas que oprimem os cidadãos produzindo doenças; reduzindo as pensões de velhice e aumentando o tempo de trabalho que impedem os idosos de usufruirem de uma velhice desafogada com as merecidas alegrias do descanso e convívio social; criando eventos culturais com objectivos comerciais, de baixa qualidade cultural e dominado pelos sons e luzes que esmagam a sensibilidade humana.

As metas dos governos capitalistas são de teor bancário, nada tem a ver com o desenvolvimento do ser humano. Tudo conflui para o domínio e manipulação dos cidadãos estupidificando-os sob a liderança de uma elite que não tem pejo em aparecer como imbecil, como ladrão, como prepotente, ditadora e criminosa. A margem deixada para os que sobrevivem sem enlouquecer é o medo ou o ódio.

Gratificante é o levantamento dos protestos populares cada vez mais organizados, sobretudo na América Latina onde os povos resistem ao terrorismo-golpista imperial na longa luta de Cuba, da  Venezuela e do Brasil, desde 2002 com Lula, e agora com a exigência de "Diretas Já!" 

Zillah Branco



segunda-feira, 27 de março de 2017

O mau uso da palavra PAZ



O sistema capitalista, para não reconhecer a crise que o despedaça em frações nacionais vitimadas pela promoção irresponsável do individualismo, da competição à procura de lucro e do desprezo pela tendência humana à solidariedade fraterna, comemora o Tratado de Roma que há 60 anos combateu a guerra entre Alemanha e França.

Assim, dizem orgulhar-se da paz criada entre duas nações que se tornaram aliadas através do poder financeiro e militar. Assim ocultam  que, para fortalecer uma Europa rica, destruiram a URSS pela guerra fria, e através da NATO e seus bombardeios, a Líbia, o Egito, a Siria, o Iraque, a Jugoslávia, a Ucrânia, e vários povos do norte da África, para além de realizarem os programas terroristas dos Estados Unidos que semeiam discórdias internas em paises alheios, em todo o Oriente médio e norte europeu, em todo o mundo. A verdadeira Paz, que só existirá com a independência dos povos a caminho do próprio desenvolvimento, desapareceu até mesmo dos sonhos dos modernos governantes.

Os discursos são desonestos ao fazerem uso de termos esvaziados dos seus verdadeiros conteúdos éticos: democracia, solidariedade, estado social, respeito humano, direitos sociais, paz, soberania, independência, justiça social. Quem comemorou a queda da URSS provocada pela guerra fria que abriu caminho para as ações internacionais mais inexcrupulosas - corrupção, crimes acobertados oficialmente, banditismo generalizado, informações falsas, violações de compromissos oficiais, promoção de anti-cultura nos órgãos de comunicação social, etc - não é capaz de aceitar o direito da humanidade de optar por outro sistema sócio econômico. Impõe os seus interesses mesquinhos de elite privilegiada fazendo uso da mesma falta de excrupulos para iludir os seus seguidores. Instituiram a negação dos princípios éticos liminarmente.

Não é por acaso que um alto funcionário da União Europeia refere os países mais pobres da Europa como irresponsáveis e dissolutos, que usam os apoios financeiros "com mulheres e copos", como diria um inquisidor medieval ou calvinista fanático. Ele está preocupado em descobrir o caminho das suas moedas dentro dos limites da sua falsa moral, não o benefício social alcançado por um povo que constrói a sua independência. A sua imaginação viciosa não alcança para além do que vê na sua roda de amigos de elite. Que sabe êle da produção nacional? Da educação e da saúde social? Da vida dos trabalhadores em miséria?

Os trabalhadores que aguentam os programas de austeridade é que têm fundamentos éticos para criticar os devassos das instituições financeiras que usam pessoalmente os recursos de todo um povo e jogam e roubam o que deverá ser pago por quem trabalha duramente e vive em péssimas condições. Mas o calvinista inquisidor Presidente do Eurogrupo não tem discernimento para tanto.
Os seus valores são apenas os sonantes. Ética está fora do mercado.

Portugal, país pobre e honrado

Em Portugal, o golpe militar que derrubou a ditadura de Salazar/Marcelo Caetano em 1974 contou com duas intenções opostas: a de realizar a justiça social dando condições ao povo para criar as bases do desenvolvimento social que tornariam Portugal independente (tese da esquerda civil e militar) e a que pretendia substituir uma fórmula política esclerosada de ditadura por outra versão moderna idealizada pela Europa e Estados Unidos (tese da direita, do PSD e do PS e Internacional Socialista).

O PCP trabalhara clandestinamente, durante quarenta anos, junto aos trabalhadores rurais e urbanos de todo o país pela consciência do seu papel condutor na transformação nacional e os militares de esquerda apoiaram o Movimeno das Forças Armadas e o seu líder Coronel Vasco Gonçalves que foi Primeiro Ministro durante um ano e meio em que levou à prática as principais medidas soberanas: fim da guerra colonial e libertação das colonias; nacionalização da banca e instituições financeiras; criação do salário mínimo nacional e da legislação do trabalho; fim do latifúndio e Reforma Agrária através de Unidades Coletivas de Produção e Cooperativas geridas pelos trabalhadores sob supervisão do Estado que assumia as propriedades e garantia os contratos de trabalho; nacionalização das empresas de interesse do Estado; criação de sistemas nacionais de saúde, educação e segurança social.

Com a ameaça de guerra civil pela direita, o coronel Vasco Gonçalves foi substituido por Mário Soares que legislou para destruir todo o programa de esquerda. Restou a Constituição que fora assinada por todos os partidos, de esquerda e de direita (exceto o CDS) como unico traço jurídico do que fora a utopia popular e da esquerda comunista e democrática formada na luta contra 50 anos de ditadura.

Até 2016 os governos eleitos alteraram PS e PSD, ambos comprometidos com as políticas determinadas pela União Europeia que foi injectando financiamentos para que Portugal tivesse estradas suficientes e de qualidade para a circulação de mercadorias recebidas nos seus portos, e grandes superfíceis comerciais estrangeiras contruiram os seus armazens modernos que venceram facilmente o antigo comércio logista do país, agora só presente em pequenos centros urbanos. A produção de vinho foi reorganizada, também para serem criadas grandes empresas que absorvem as boas castas de pequenas produções. Muitas produções de uvas e de laranjas foram destruidas por serem inadequadas ao padrão comercial da CEE apesar de serem deliciosas.

Portugal assumia a posição de marginal à economia europeia e aceitava a condição de dependência que os ricos paises da Europa impuseram através dos investimentos que geraram uma dívida incomportável para o seu PIB (gerida por bancos nacionais e estrangeiros que desviaram grandes quantias para paraisos fiscais e corrupção de funcionários do Estado) e o controle da Troika que limitou ao mínimo as despesas com o desenvolvimento social. O ultimo Primeiro Ministro do PSD, Passos Coelho, recomendou à juventude formada em Portugal que emigrasse. Foi o que fizeram, levando o benefício da formação portuguesa para outros paises que os contrataram. Mas este foi também o caminho de milhares de desempregados e de tecnicos conceituados a quem mal pagavam no seu país. Foi desertificado o patrimônio construtor do desenvolvimento nacional.

Falsa riqueza desperta consciências

Diante da austeridade insuportável, da fome que levou o pais a ter que criar a distribuição de alimentos sob a forma de caridade que humilha a população trabalhadora, a subalimentação das crianças e idosos, os casos de suicídio e doenças agravados pela miséria, a população seguiu a liderança do PCP, dos Verdes, da Intersindical, do Bloco de Esquerda, de várias Associações democráticas e de esquerda, e encheu as ruas de protestos que abalaram algumas consciências até mesmo conservadoras. A eleição em 2016 alterou a composição das forças políticas do Parlamento elegendo uma maioria de esquerda. Apesar de o PSD ter obtido o maior número de votos porque se coligara com o CDS de direita, a maioria parlamentar indigitou o candidato do PS para Primeiro Ministro. Venceu a maioria de esquerda que fez a Revolução dos Cravos, dentro de uma Europa amordaçada.

Toda esta mudança foi proposta pelo Secretário Geral do PCP em diálogo com as demais forças políticas de esquerda para surpresa até mesmo do PS (ou da direita socialista eternamente anticomunista). Mas prevaleceu e encontrou uma nova camada socialista que recomendava ao PS que "fizesse a sua autocrítica" () e assumisse uma postura coerente com os princípios democráticos que diferiam dos da UE. A direita, demorou a aceitar a realidade, que o Poder Judiciário precisou comprovar como válida a opção do Parlamento onde foi constituida uma aliança da esquerda com o PS, deixando a direita como oposição. Os radicais da direita deram o nome de "geringonça" que combinava o que eles pensavam ser esquerda e direita.

A realidade é outra, mais profunda, que supõe a necessidade do PS de não se deixar engolir pela UE que está dominada pelos EU e vendida ao poder financeiro mundial em crise. Supõe, por outro lado a dialética que abre oportunidades a novas maneiras de ver o processo político que, tal como está, pode escorregar para o caos planetário. Muita gente percebe que a ganância impede o equilíbrio entre a classe trabalhadora e os empregadores que gostam de ser ricos, mas em uma sociedade equilibrada onde a elite inútil e esbanjadora não agrada a ninguém. É uma mentalidade mais objetiva e empreendedora, que conserva a ética como princípio no relacionamento humano.
O desafio para eles é tentar cumprir todos os compromissos com a esquerda, sem perder o apoio dos sociais democratas na UE. Não é fácil, mas para quem acredita na luta, não é impossivel.

Até agora a chamada "geringonça" tem sido uma aliança crítica porém cautelosa para dar tempo às mudanças que poderão ocorrer entre os conservadores, graças à dialética. Não se pode esquecer que a UE está em crise, que a Inglaterra se afastou da União Europeia, que o pagamento das dívidas têm levado os países à miséria e à perda da soberania (como foi o caso da Grécia), que o problema dos refugiados das guerras é crescente e ameaçador para o fraco equilíbrio social, que o corte aos orçamentos de serviços sociais agrava as tensões internas em todos os países e acentua as carências, que o aumento das grandes fortunas beneficiadas por tráfico de capitais mal fiscalizados levanta uma onda de justa indignação e a queda da credibilidade das instituições financeiras e de justiça nacionais na UE, que a eleição de Trump tornou inseguro o equilibrio entre a UE e os EU e ameaça a criação de um ambiente de paz mundial.

Paulo Portas, ex-Presidente do CDS, da direita radical, escolheu um nome (que lhe pareceu pejorativo) de "geringonça" para o que lhe parecia uma aliança entre um PS - da direita social democrata europeia - com a esquerda comunista somada aos Verdes, e ao Bloco de Esquerda (que reune ex-radicais de esquerda e dissidentes do PCP).

Acontece que o termo "geringonça" explica uma realidade muito comum a quem pensa, cria, luta e vence, sem recorrer aos financiamentos que impõem condições ultrajantes ou a teorias escritas em economês que poucos digerem. Corresponde à realidade de um país pobre, de rica história passada, que fez uma revolução de meta socialista em 1974 e construiu uma reforma agrária estudada e admirada internacionalmente, inclusive pela FAO, produzindo a Constituição Nacional mais avançada da Europa. Deixou uma população com consciência de classe, que foi traida pela direita (de vários partidos), a qual vendeu a Pátria por milhões de euros que voaram para não se sabe onde, deixando-a sem produção própria e curvada à vassalagem dos ricos paises que financiam boas estalagens para aqui gozarem férias com boa comida e muito vinho.

Este quadro transformou o próprio PS, sobretudo uma juventude honesta que ali cresceu valorizando os conceitos de socialismo, democracia, justiça social, e conhecendo o vigor da população no 25 de Abril e o sofrimento depois de traida e tornada vítima da dívida bancária cobrada pela UE. Não se sentiram diminuidos por participarem da "geringonça" que defende os trabalhadores que não deixam de lutar pelos seus direitos, os estudantes que exigem melhores condições de ensino, os idosos que reclamam o apoio da Previdência e um sistema de saúde para todos.

A "geringonça" funciona porque à esquerda existe ética e as palavras não falseiam o conteúdo para efeito eleitoral. Não há oportunismo como é hábito da direita gananciosa. Importante é a admiração desta fórmula por outros países para impedirem a eleição de fascistas nas próximas eleições.

Zillah Branco

O mau uso da palavra PAZ



O sistema capitalista, para não reconhecer a crise que o despedaça em frações nacionais vitimadas pela promoção irresponsável do individualismo, da competição à procura de lucro e do desprezo pela tendência humana à solidariedade fraterna, comemora o Tratado de Roma que há 60 anos combateu a guerra entre Alemanha e França.

Assim, dizem orgulhar-se da paz criada entre duas nações que se tornaram aliadas através do poder financeiro e militar. Assim ocultam  que, para fortalecer uma Europa rica, destruiram a URSS pela guerra fria, e através da NATO e seus bombardeios, a Líbia, o Egito, a Siria, o Iraque, a Jugoslávia, a Ucrânia, e vários povos do norte da África, para além de realizarem os programas terroristas dos Estados Unidos que semeiam discórdias internas em paises alheios, em todo o Oriente médio e norte europeu, em todo o mundo. A verdadeira Paz, que só existirá com a independência dos povos a caminho do próprio desenvolvimento, desapareceu até mesmo dos sonhos dos modernos governantes.

Os discursos são desonestos ao fazerem uso de termos esvaziados dos seus verdadeiros conteúdos éticos: democracia, solidariedade, estado social, respeito humano, direitos sociais, paz, soberania, independência, justiça social. Quem comemorou a queda da URSS provocada pela guerra fria que abriu caminho para as ações internacionais mais inexcrupulosas - corrupção, crimes acobertados oficialmente, banditismo generalizado, informações falsas, violações de compromissos oficiais, promoção de anti-cultura nos órgãos de comunicação social, etc - não é capaz de aceitar o direito da humanidade de optar por outro sistema sócio econômico. Impõe os seus interesses mesquinhos de elite privilegiada fazendo uso da mesma falta de excrupulos para iludir os seus seguidores. Instituiram a negação dos princípios éticos liminarmente.

Não é por acaso que um alto funcionário da União Europeia refere os países mais pobres da Europa como irresponsáveis e dissolutos, que usam os apoios financeiros "com mulheres e copos", como diria um inquisidor medieval ou calvinista fanático. Ele está preocupado em descobrir o caminho das suas moedas dentro dos limites da sua falsa moral, não o benefício social alcançado por um povo que constrói a sua independência. A sua imaginação viciosa não alcança para além do que vê na sua roda de amigos de elite. Que sabe êle da produção nacional? Da educação e da saúde social? Da vida dos trabalhadores em miséria?

Os trabalhadores que aguentam os programas de austeridade é que têm fundamentos éticos para criticar os devassos das instituições financeiras que usam pessoalmente os recursos de todo um povo e jogam e roubam o que deverá ser pago por quem trabalha duramente e vive em péssimas condições. Mas o calvinista inquisidor Presidente do Eurogrupo não tem discernimento para tanto.
Os seus valores são apenas os sonantes. Ética está fora do mercado.

Portugal, país pobre e honrado

Em Portugal, o golpe militar que derrubou a ditadura de Salazar/Marcelo Caetano em 1974 contou com duas intenções opostas: a de realizar a justiça social dando condições ao povo para criar as bases do desenvolvimento social que tornariam Portugal independente (tese da esquerda civil e militar) e a que pretendia substituir uma fórmula política esclerosada de ditadura por outra versão moderna idealizada pela Europa e Estados Unidos (tese da direita, do PSD e do PS e Internacional Socialista).

O PCP trabalhara clandestinamente, durante quarenta anos, junto aos trabalhadores rurais e urbanos de todo o país pela consciência do seu papel condutor na transformação nacional e os militares de esquerda apoiaram o Movimeno das Forças Armadas e o seu líder Coronel Vasco Gonçalves que foi Primeiro Ministro durante um ano e meio em que levou à prática as principais medidas soberanas: fim da guerra colonial e libertação das colonias; nacionalização da banca e instituições financeiras; criação do salário mínimo nacional e da legislação do trabalho; fim do latifúndio e Reforma Agrária através de Unidades Coletivas de Produção e Cooperativas geridas pelos trabalhadores sob supervisão do Estado que assumia as propriedades e garantia os contratos de trabalho; nacionalização das empresas de interesse do Estado; criação de sistemas nacionais de saúde, educação e segurança social.

Com a ameaça de guerra civil pela direita, o coronel Vasco Gonçalves foi substituido por Mário Soares que legislou para destruir todo o programa de esquerda. Restou a Constituição que fora assinada por todos os partidos, de esquerda e de direita, como unico traço jurídico do que fora a utopia popular e da esquerda comunista e democrática formada na luta contra 50 anos de ditadura.

Até 2016 os governos eleitos alteraram PS e PSD, ambos comprometidos com as políticas determinadas pela União Europeia que foi injectando financiamentos para que Portugal tivesse estradas suficientes e de qualidade para a circulação de mercadorias recebidas nos seus portos, e grandes superfíceis comerciais estrangeiras contruiram os seus armazens modernos que venceram facilmente o antigo comércio logista do país, agora só presente em pequenos centros urbanos. A produção de vinho foi reorganizada, também para serem criadas grandes empresas que absorvem as boas castas de pequenas produções. Muitas produções de uvas e de laranjas foram destruidas por serem inadequadas ao padrão comercial da CEE apesar de serem deliciosas.

Portugal assumia a posição de marginal à economia europeia e aceitava a condição de dependência que os ricos paises da Europa impuseram através dos investimentos que geraram uma dívida incomportável para o seu PIB (gerida por bancos nacionais e estrangeiros que desviaram grandes quantias para paraisos fiscais e corrupção de funcionários do Estado) e o controle da Troika que limitou ao mínimo as despesas com o desenvolvimento social. O ultimo Primeiro Ministro do PSD, Passos Coelho, recomendou à juventude formada em Portugal que emigrasse. Foi o que fizeram, levando o benefício da formação portuguesa para outros paises que os contrataram. Mas este foi também o caminho de milhares de desempregados e de tecnicos conceituados a quem mal pagavam no seu país. Foi desertificado o patrimônio construtor do desenvolvimento nacional.

Falsa riqueza desperta consciências

Diante da austeridade insuportável, da fome que levou o pais a ter que criar a distribuição de alimentos sob a forma de caridade que humilha a população trabalhadora, a subalimentação das crianças e idosos, os casos de suicídio e doenças agravados pela miséria, a população seguiu a liderança do PCP, dos Verdes, da Intersindical, do Bloco de Esquerda, de várias Associações democráticas e de esquerda, e encheu as ruas de protestos que abalaram algumas consciências até mesmo conservadoras. A eleição em 2016 alterou a composição das forças políticas do Parlamento elegendo uma maioria de esquerda. Apesar de o PSD ter obtido o maior número de votos porque se coligara com o CDS de direita, a maioria parlamentar indigitou o candidato do PS para Primeiro Ministro. Venceu a maioria de esquerda que fez a Revolução dos Cravos, dentro de uma Europa amordaçada.

Toda esta mudança foi proposta pelo Secretário Geral do PCP em diálogo com as demais forças políticas de esquerda para surpresa até mesmo do PS (ou da direita socialista eternamente anticomunista). Mas prevaleceu e encontrou uma nova camada socialista que recomendava ao PS que "fizesse a sua autocrítica" () e assumisse uma postura coerente com os princípios democráticos que diferiam dos da UE. A direita, demorou a aceitar a realidade, que o Poder Judiciário precisou comprovar como válida a opção do Parlamento onde foi constituida uma aliança da esquerda com o PS, deixando a direita como oposição. Os radicais da direita deram o nome de "geringonça" que combinava o que eles pensavam ser esquerda e direita.

A realidade é outra, mais profunda, que supõe a necessidade do PS de não se deixar engolir pela UE que está dominada pelos EU e vendida ao poder financeiro mundial em crise. Supõe, por outro lado a dialética que abre oportunidades a novas maneiras de ver o processo político que, tal como está, pode escorregar para o caos planetário. Muita gente percebe que a ganância impede o equilíbrio entre a classe trabalhadora e os empregadores que gostam de ser ricos, mas em uma sociedade equilibrada onde a elite inútil e esbanjadora não agrada a ninguém. É uma mentalidade mais objetiva e empreendedora, que conserva a ética como princípio no relacionamento humano.
O desafio para eles é tentar cumprir todos os compromissos com a esquerda, sem perder o apoio dos sociais democratas na UE. Não é fácil, mas para quem acredita na luta, não é impossivel.

Até agora a chamada "geringonça" tem sido uma aliança crítica porém cautelosa para dar tempo às mudanças que poderão ocorrer entre os conservadores, graças à dialética. Não se pode esquecer que a UE está em crise, que a Inglaterra se afastou da União Europeia, que o pagamento das dívidas têm levado os países à miséria e à perda da soberania (como foi o caso da Grécia), que o problema dos refugiados das guerras é crescente e ameaçador para o fraco equilíbrio social, que o corte aos orçamentos de serviços sociais agrava as tensões internas em todos os países e acentua as carências, que o aumento das grandes fortunas beneficiadas por tráfico de capitais mal fiscalizados levanta uma onda de justa indignação e a queda da credibilidade das instituições financeiras e de justiça nacionais na UE, que a eleição de Trump tornou inseguro o equilibrio entre a UE e os EU e ameaça a criação de um ambiente de paz mundial.

Paulo Portas, ex-Presidente do CDS, da direita radical, escolheu um nome (que lhe pareceu pejorativo) de "geringonça" para o que lhe parecia uma aliança entre um PS - da direita social democrata europeia - com a esquerda comunista somada aos Verdes, e ao Bloco de Esquerda (que reune ex-radicais de esquerda e dissidentes do PCP).

Acontece que o termo "geringonça" explica uma realidade muito comum a quem pensa, cria, luta e vence, sem recorrer aos financiamentos que impõem condições ultrajantes ou a teorias escritas em economês que poucos digerem. Corresponde à realidade de um país pobre, de rica história passada, que fez uma revolução de meta socialista em 1974 e construiu uma reforma agrária estudada e admirada internacionalmente, inclusive pela FAO, produzindo a Constituição Nacional mais avançada da Europa. Deixou uma população com consciência de classe, que foi traida pela direita (de vários partidos), a qual vendeu a Pátria por milhões de euros que voaram para não se sabe onde, deixando-a sem produção própria e curvada à vassalagem dos ricos paises que financiam boas estalagens para aqui gozarem férias com boa comida e muito vinho.

Este quadro transformou o próprio PS, sobretudo uma juventude honesta que ali cresceu valorizando os conceitos de socialismo, democracia, justiça social, e conhecendo o vigor da população no 25 de Abril e o sofrimento depois de traida e tornada vítima da dívida bancária cobrada pela UE. Não se sentiram diminuidos por participarem da "geringonça" que defende os trabalhadores que não deixam de lutar pelos seus direitos, os estudantes que exigem melhores condições de ensino, os idosos que reclamam o apoio da Previdência e um sistema de saúde para todos.

A "geringonça" funciona porque à esquerda existe ética e as palavras não falseiam o conteúdo para efeito eleitoral. Não há oportunismo como é hábito da direita gananciosa. Importante é a admiração desta fórmula por outros países para impedirem a eleição de fascistas nas próximas eleições.

Zillah Branco

terça-feira, 7 de março de 2017

Do sentimento de discriminação à consciência de classe




Ao contrário do processo de despolitização que a direita promove junto aos grupos sociais que protestam contra a discriminação social e o preconceito cultural que impede a sua livre participação na sociedade por razões etnicas, de gênero, de opções sexuais, religiosas ou ideológicas, professoras universitárias dos Estados Unidos lançaram um manifesto baseado em aprofundados estudos da história e da filosofia do movimento feminista mundial, propondo a organização de um movimento fortalecido pela consciência de cidadania e de classe.

Só quando os movimentos sociais forem estruturados em função dos seus objetivos de luta poderão impor os seus direitos ao Estado com a participação em todos os níveis do poder saindo da fase de angariação de proteção paternalista à elite dominante que sempre está sujeita à manipulação política e às chantagens oportunistas que caracterizam o sistema.

Os problemas da violência contra todos os que lutam por mudanças na sociedade, pelo respeito à justiça e aos direitos humano, tem-se agravado especialmente contra as mulheres que suportam as tarefas domésticas e o trabalho remunerado para a sobrevivência familiar. Os estupros, as violações, os espancamentos em casa, o desprezo e humilhações de todo o tipo, são hoje moeda corrente em todos os países e servem de pasto à exploração midiática e ao comércio sexual de milhões de empresas dos mais diversos níveis sócio economicos sem que os responsáveis pelos governos ponham fim a estes flagelos. Combater tais crimes é uma necessidade urgente das mulheres, mas também de todos os que defendem a possibilidade de organização das famílias, da formação elevada das crianças, do apoio aos carentes e idosos, de sociedades civilizadas e saudáveis.

O texto amplamente divulgado atraves da net (Revista Jacobin de São Paulo 03/03/17 e blog Junho, Boletim Opera Mundi 04/03/17) que apoiam a convocação de uma greve internacional militante das mulheres para o próximo dia 8 de março de 2017, é da autoria de Cinzia Arruzza, professora adjunta de filosofia na New School e de Tithi Bhattacharya, professora associada de história na Purdue University. Ambas assinam, junto com Angela Davis, Keeanga-Yamahtta Taylor, Linda Martín Alcoff, Nancy Fraser e Rasmea Yousef Odeh, o manifesto que originalmente convocou “Por uma greve internacional militante no 8 de março“.

"Organizações feministas, populares e socialistas de todo o mundo convocaram uma greve internacional das mulheres no 8 de março para defender os direitos reprodutivos e contra a violência, entendida como a violência econômica, institucional e interpessoal.

A greve ocorrerá em pelo menos quarenta países e será o primeiro dia internacionalmente coordenado de protesto em escala tão grande depois de anos. Em termos de tamanho e diversidade de organizações e países envolvidos, será comparável às manifestações internacionais contra o ataque imperialista ao Iraque, em 2003, e os protestos internacionais coordenados sob a bandeira do Fórum Social Mundial e do movimento de justiça global no início dos anos 2000. Greve indica possibilidade concreta de um movimento feminista novo, poderoso, anticapitalista e internacionalista".


No outono de 2016, as ativistas polonesas adotaram a estratégia e a mensagem da greve das mulheres de Islândia em 1975 e organizaram uma greve massiva de mulheres para impedir a aprovação de um projeto de lei no parlamento que proibisse o aborto. Ativistas argentinas fizeram o mesmo em outubro passado para protestar contra a violência masculina contra as mulheres.

Esses eventos – que estimularam a ideia de uma greve maior no Dia da Mulher – demonstram como uma greve de mulheres é diferente de uma greve geral. A greve das mulheres surge da reflexão política e teórica sobre as formas concretas do trabalho feminino nas sociedades capitalistas.

No capitalismo, o trabalho das mulheres no mercado formal é apenas uma parte do trabalho que realizam. As mulheres são também as principais realizadoras do trabalho reprodutivo – trabalho não remunerado que é igualmente importante para a reprodução da sociedade e das relações sociais capitalistas. A greve das mulheres destina-se a tornar este trabalho não remunerado visível e enfatizar que a reprodução social é também um local de luta.

Além disso, devido à divisão sexual do trabalho no mercado formal, um grande número de mulheres ocupam postos de trabalho precários, não têm direitos trabalhistas, estão desempregadas ou são trabalhadoras sem documentos. As mulheres que trabalham no mercado formal e informal e na esfera social não reprodutiva são todas trabalhadoras. Essa consideração deve ser central para qualquer discussão sobre a reconstrução de um movimento operário não só nos Estados Unidos, mas também globalmente.

Enfatizar a unidade entre o local de trabalho e o lar é fundamental, e um princípio organizador central para a greve de 8 de março. Uma política que leve a sério o trabalho das mulheres deve incluir não só as greves no local de trabalho, mas também as greves do trabalho reprodutivo social não remunerado, as greves de tempo parcial, os chamados para redução do tempo de trabalho e outras formas de protesto que reconhecem a natureza de gênero das relações sociais.

Os Estados Unidos têm talvez as piores leis trabalhistas entre as democracias liberais. As greves gerais e as greves políticas são proibidas, as permitidas estão ligadas a exigências econômicas restritas dirigidas aos empregadores e os contratos têm frequentemente cláusulas explícitas anti-greves, cuja violação pode fazer com que o trabalhador perca o emprego e acarretar multas pesadas para o sindicato que organiza-las. Além disso, vários estados, como Nova York, têm leis que proíbem explicitamente funcionários públicos de entrar em greve.

A discussão sobre como reverter esta situação e empoderar os trabalhadores tem sido a principal preocupação estratégica da esquerda dos Estados Unidos nas últimas décadas. No entanto, um dos perigos desta discussão é o de reduzir a luta de classes apenas à luta econômica e de unir as relações sociais capitalistas com a economia formal em sentido restrito.

A transformação das relações de trabalho nos Estados Unidos requer não apenas uma ativação da classe trabalhadora com base em demandas econômicas no local de trabalho, mas sua politização e radicalização – a capacidade de realizar uma luta política dirigida à totalidade das relações de poder, instituições e formas de exploração em vigor.

Isto não pode ser alcançado apenas melhorando e expandindo a organização do trabalho de base no local de trabalho. Um dos problemas centrais que o trabalho político radical enfrenta é seu isolamento e invisibilidade. Estabelecer as bases para a revitalização do poder operário exigirá operar em diferentes níveis – criando grandes coalizões sociais, agindo dentro e fora dos locais de trabalho e estabelecendo laços de solidariedade e confiança entre organizadores e ativistas trabalhistas, antirracistas, feministas, estudantes e anti-imperialistas. Também significa aproveitar a imaginação social através de intervenções criativas, intelectuais e teóricas, além da experimentação com novas práticas e linguagens.

Em vez de um foco estreito sobre as lutas no local de trabalho, precisamos conectar movimentos baseados em gênero, raça, etnia e sexualidade, em conjunto com a organização do trabalho e o ativismo ambientalista. Somente criando essa totalidade coletiva seremos capazes de abordar a complexidade das questões e demandas apresentadas pelas diversas formas de mobilização.

Este é o caminho que a greve internacional das mulheres está perseguindo com sua plataforma política expansiva e inclusiva. O 8 de março não será uma greve geral. Mas será um passo importante para um novo ciclo de legitimação do direito de greve contra as degradações do capitalismo sentidas em todas as esferas da vida por todos os povos."


Podemos acrescentar que o movimento pelos direitos das Mulheres, que existe desde o século 19 e foi desenvolvido mundialmente com a Revolução Soviética, ao conseguir criar uma estrutura política combativa que permitirá aprofundar os conhecimentos relativos aos direitos de cidadania, dará um salto de qualidade assumindo a consciência de classe a partir do sentimento de discriminação social.

*****

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Os pobres na mira

Os pobres são considerados como "o grande inimigo" do sistema capitalista. Desde que criaram os robôs para enfrentarem o trabalho pesado e sujo, consideraram que os pobres estão a mais.


Ocupam um espaço que poderia ficar disponível para embelezarr as cidades e não para as favelas, precisam ser alimentados pelo Estado que não tem vocação para a caridade, criam necessidades especiais de educação, saúde e assistência social que oneram os orçamentos, e estão sujeitos a serem manipulados por gangues que perturbam a segurança social. Assim pensam os "donos do poder do capital, com o seu egoísmo próprio, convencidos de serem os "donos do mundo".

Senão, vejamos.

As alterações climáticas, se não forem acompanhadas pelos governantes, poderão determinar a necessidade de emigração das populações vitimadas pelas secas ou pelas enchentes provocadas naturalmente. Se os governantes forem responsáveis, procurarão com as informações científicas que precedem os desastres cíclicos, desviar rios, fazer obras de rega para alimentar casas e plantios, criar proteções para as populações locais, que amenizam e até alteram os fenómenos climáticos evitando as migrações forçadas e a fome que as acompanha. O despovoamento provoca alterações sociais e económicas destruidoras da cultura e das tradições que enriquecem os povos.

Mas, continuamos a ver em pleno século 20 situações de miséria no chamado Terceiro Mundo que "teóricamente" deixou de ser colonizado, como o era há mais de 500 anos. E então o apoio internacional é do tipo "caridoso" com a organização da "campos de refugiados" e doação de alimentos e pouco mais, que mantém uma "miséria controlada" como Deus quiser. Entretanto os polícias do mundo, (em função imperialista de interesse das nações ricas que permanecem como abutres de olho nas riquezas naturais que não são exploradas pelos atrasados países da região), provocam antigas rivalidades tribais, de caracter étnico ou religioso, que matam tanto como a miséria. Portanto vemos o aproveitamento político e financeiro dos desastres ambientais, que se tornam também cíclicos como as alterações climáticas e mais perversos que ela. Assim "fabricam" pobres aos milhões e ajudam o morticínio deles a curto e longo prazo.

Em alguns lugares surgiram soluções pontuais que os cientistas e técnicos - da produção agrícola, da defesa sanitária e de saúde, do desenvolvimento social e político, do aproveitamento racional da água e da criação de novas formas de utilização das fontes naturais de energia - defendem como soluções inteligentes e possíveis para garantir melhores condições de vida para os povos.

Este foi o caso, por exemplo, da reforma agrária em Portugal a partir de 1975, processo que provocou aumento de produção e produtividade de alimentos, criação de milhares de empregos fixos com remuneração controlada pela legislação laboral, equipamentos sociais como creches, centros de dia para idosos, escolas e centros de saúde, abertura de caminhos, estradas, serviços de regadio, construção de reservatórios de água etc., e que foi interrompido pelos governantes com o pretexto de que a direita (até então uma "maioria silenciosa") ameaçava com uma guerra civil se o processo não fosse destruido e impossibilitado jurídicamente. Essa direita eram os antigos latifundiários que queriam manter as suas terras improdutivas para servirem ao ócio familiar,às caçadas com amigos, o poder das propriedades. Era uma minoria de ricos que, com o controle da informação social e do Estado que negava a sua responsabilidade social, controlava uma "maioria silenciosa" habituada pela ditadura anterior a obedecer as ordens dos patrões.

Mais recentemente foi o caso de um Brasil democratizado que, graças a Lula e quem o apoiou, retirou mais de 40 milhões de brasileiros da condição de miséria, que abriu caminhos para que os mais pobres pudessem estudar e atingirem carreiras de nível universitário, para que as regiões secas fossem irrigadas, para que os excluidos das cidades recebessem cuidados médicos e apoio institucional do Estado, que criou empregos e desenvolveu a indústria de petróleo, o banco de desenvolvimento, uma política externa que integrou o antigo país colonizado nos meios internacionais mais desenvolvidos, e ... provocou a "minoria silenciosa golpista" que com a ajuda do imperialismo sabotou o desenvolvimento nacional com o controle da política financeira e de informação social, e comprou antigos "democratas" que trairam o povo que os elegeu e venderam a pátria como Judas vendeu Cristo. Os pobres ameaçavam o conforto e os privilégios dos ricos que têm cifrões na pupila e nenhuma dignidade humana.

Os métodos de trabalho político dessa "minoria silenciosa e perversa" é sempre o mesmo. Financiam gangues criminosas para desestabilizarem a sociedade criando insegurança, divulgam mentiras e apregoam violências para intimidar os que têm consciência dos seus direitos de cidadão, compram os desonestos que têm postos no Estado para boicotarem o atendimento social, alimentam as dissenções na sociedade, ameaçam com desastres naturais, sociais e religiosos, inventam falsidades para justificar um golpe que cala os funcionários mais bem pagos que parasitam o Estado, assistem com ar compungido os acidentes de avionetas que eliminam vozes contrárias, cortam as conquistas sociais, empobrecem o país, vendem as riquezas nacionais aos sócios estrangeiros, aumentam o desemprego. Esperam que os pobres, e quem os defendem, morram de fome, de doença, de acidente ou de crime.

Lemos nos jornais : "Um estudo sobre 1,7 milhão de pessoas, publicado pela revista médica The Lancet, traz de volta esse problema negligenciado: a pobreza encurta a vida quase tanto quanto o sedentarismo e muito mais do que a obesidade, a hipertensão e o consumo excessivo de álcool.
O estudo é uma crítica às políticas da Organização Mundial da Saúde (OMS), que não incluiu em sua agenda este fator determinante da saúde — tão importante ou mais do que outros que fazem parte de seus objetivos e recomendações."

“O baixo nível socioeconômico é um dos mais fortes indicadores de morbidade e mortalidade prematura em todo o mundo. No entanto, as estratégias de saúde global não consideram as circunstâncias socioeconômicas pobres como fatores de risco modificáveis”, dizem os autores do estudo publicado pela The Lancet, cerca de trinta especialistas de instituições de prestígio como a Universidade de Columbia, o King’s College de Londres, a Escola de Saúde Pública de Harvard e o Imperial College de Londres."

São notícias de uma Europa rica que financiou, com os Estados Unidos, a Otan para invadir países do Oriente Médio e do Norte da África, destruindo antiquíssimas sociedades organizadas (que têm muita riqueza natural cobiçada), de onde há anos partem milhares de pessoas que fogem às guerras, à fome, à desordem introduzida nas suas vidas antes equilibradas, em busca de um lugar para sobreviverem. Tornaram-se pobres e vão enfrentando pelo caminho as várias formas criada pelos ricos para que morram: enchem navios que são deixados em alto mar sem controle, sem alimentos, e que naufragam. Ou chegam à costa europeia e ficam presos em "campos de refugiados" com um arremedo internacional de apoio. Ou saem tentando chegar às cidades mas encontram muros improvizados com arame farpado protegidos por soldados armados. Constituem uma massa humana miserável de emigrantes repudiados pelos paises mais ricos ( os países mais pobres recebem os refugiados que sabem que ali vão encontrar os problemas que os povos pobres já sofrem).

Nos países pobres ou ricos da Europa, o conceito de Segurança Social é muito discutível pois mal oferece recursos de assistência social à grande maioria dos mais pobres para não falar no valor das pensões de velhice que só dão para uma (também pobre) alimentação, uma habitação (?) em vão de escada, e pouco ou nada para tratamentos e alguma atividade cultural (gratuita em que se gasta com transporte). Os países mais pobres têm a vantagem, que não exige investimentos financeiros, de ser cultivado o esoírito fraternal da solidariedade.

E os Estados Unidos elegeram para Presidente um milionário que pensa o país como se fosse um "boteco do Farwest" e expulsa o emigrante como se fosse criminoso formado na escola de terrorismo (que os ricos criaram e financiaram), e não a sua primeira vítima. País de origem emigrante, com uma bela história inicial de pioneiros, que se transformou em abutre das nações vizinhas avançando as suas fronteiras descaradamente sobre o território mexicano onde hoje constrói um muro para impedir que os pobres usurpados entrem nos Estados Unidos transformado em ameba mundial.

No entanto, Cuba, que foi isolada durante 60 anos pelos Estados Unidos com um bloqueio internacional, não tem um caso de subnutrição, a mortalidade infantil é das mais baixas do mundo, não há analfabetos, tem uma escola de medicina que forma médicos para os países que precisarem, defende o seu povo com muito êxito dos mesmos tufões que matam nos Estados Unidos.

Qual a diferença entre aquela pequena ilha com este "mundo cão" em que vivemos?

Lá são todos igualmente pobres, desenvolvem os projetos necessários para produzir alimentos, a saúde e o ensino são gratuitos e de boa qualidade, os "vende pátrias" não alcançam o poder no Estado, a população em peso chorou a morte de quem dirigiu o Governo por quase meio século. É socialista, fez a sua Revolução.