segunda-feira, 6 de novembro de 2017

A manipulação jurídica substitui as armas

Zillah Branco *

O sistema capitalista tenta superar a sua crise final mascarando a realidade com a ficção da democracia e do respeito pelo Estado de Direito.


Ao contrário dos inúmeros golpes militares que chacinaram sanguinariamente populações em todo o mundo, hoje fazem uso das leis para matarem as populações mais pobres pela fome e a miséria social, destruirem as riquezas que garantem soberania nacional, adoecerem as novas gerações pela promoção das drogas e de uma cultura anti-ética que as torna alienadas, e pela corrupção financeira que elimina figuras públicas que poderiam atuar construtivamente na transição da sociedade para uma melhor distribuição dos rendimentos a caminho do socialismo. Assim, os golpistas aparentemente não mancham as mãos com o sangue, e a consciência com o peso da traição à pátria e à humanidade. Pensam poder passar por "pessoas respeitáveis", eternizando a sua posição na elite dominante.

Para que isto seja possível, tentam idiotizar as populações com mega-shows que esbanjam a riqueza roubada aos sistemas públicos de saúde, de educação e segurança social, dando a impressão de que a população tem acesso a espetáculos de gente rica e é feliz; promovem campanhas de apoio alimentar e de roupas para os que perderam a sua casa e trabalho, da qual desviam grandes negócios paralelos de venda de produtos usados ou fora de validade e aplicam impostos sobre as esmolas entregues às vitimas; vendem produtos inùteis com imagens de "alta moda" e material de baixa qualidade para que os que têm algum salário o gaste em quinquilharias perecíveis e não no próprio desenvolvimento cultural; divulgam processos judiciais contra algumas figuras dispensáveis depois dos crimes e fraudes com o capital, para convenceremm a opinião pública de que a justiça atinge a todos da mesma maneira; enfim, de mil maneiras tentam transformar os trabalhadores em burros de carga e a população miserabilizada em paisagem exótica, para além de uma classe média manipulável para manter o mercado interno e a política de submissão aos interesses financeiros.

No entanto o povo é inteligente e desenvolve a sua consciência de classe explorada. Conta com pessoas que têm o privilégio da formação escolar e de uma saudável base cultural e ética que os apoia formando escolas, divulgando em música, filmes e depoimentos escritos as informações sobre a necessidade de organizar os trabalhadores e toda a sociedade para transformá-la em benefício da maioria e do desenvolvimento da produção.

As formas de associação popular têm sido alteradas pela conquista de novos conhecimentos que eliminam velhos preconceitos e ignorâncias convenientes à elite dominante. A linguagem compreensível para a maioria vence o formalismo acadêmico redutor e os preconceitos culturais. A compreensão da análise dialética permite distinguir na ação política a identidade de propósitos de tradições aparentemente opostas. Novas alianças serão feitas para abranger diferentes grupos que necessariamente compartem com honestidade os objetivos éticos e revolucionários. Não ha contratos com promessas improvizadas. Os princípios que deram origem a leis não se confundem com as rebuscadas interpretações de um pretenso "dono do saber jurídico". A realidade da vida popular condiciona os principais interesses de luta social, adequada ao caminho histórico da sua formação cultural.

A primeira condição é a coragem de pensar e agir com liberdade. A segunda é a formação de um coletivo atento aos possíveis enganos e capaz de, no debate, defender as melhores condições de luta. Não ha submissão oportunista ao comando elitista, mas sim debate exaustivo para escolher o passo revolucionário que todo povo pode dar desde que unido.

Recusa terminante à corrupção; às prisões arbitrárias; às multas milionàrias para manter a liberdade condicional; à chacina dos líderes populares; às torturas psicológicas impostas aos defensores do povo marginalizado; às perseguições aos que defendem o ensino de qualidade e os direitos dos trabalhadores; aos abusos de poder praticados por funcionários e agentes do Estado; à pratica de salários dezenas ou centenas de vezes maiores que o salário mínimo.

Unidos, venceremos!

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