quinta-feira, 20 de junho de 2013

Alternativa para desenvolver a Nação



Publicado no  "Avante!"
20/06/2013

Com a queda do Muro de Berlim e a implosão da URSS, comemoradas pelos donos do poder capitalista no mundo como «o fim da História», as informações mediáticas formadoras de opinião pública foram direcionadas no sentido de esquecer o passado e dar início ao novo milénioapenas com a história do sistema capitalista. Até mesmo a figura e alguns trechos da análise que Marx e Engels fizeram, foram preservados para servirem de sugestão aos atuais pensadores políticos para «corrigirem» aspetos do sistema capitalista que despertam os protestos populares mais profundos. Nessa adaptação, adotaram como seus os princípios democráticos e uma liberdade «controlada» para que a humanidade possa respirar e sobreviver para produzir e consumir.
Mesmo com o poder de impor o esquecimento da história da humanidade, da ideologia formadora de um caminho revolucionário (que é a essência da obra de Marx e Engels), de transformarem os conceitos de democracia e liberdade em instrumentos de publicidade do sistema capitalista e de aperfeiçoarem os programas de gestão da política económica mundial centralizando-a, a elite dominante entrou numa espiral de ganâncias pessoais de lucro e poder social que mergulhou na crise que hoje o planeta mal suporta. Por ambição e individualismo, os comandantes desse processo abriram a fissura da contradição que sempre existiu entre a meta capitalista e as ambições dos seus defensores. Uma perna foi enrolada na outra.
Com o esquecimento das velhas e centenárias lutas dos trabalhadores, cujas origens registadas datam de dois milénios quando Spartacus liderou os escravos em batalhas contra o império romano, as populações modernas passaram a uma condição de vítimas órfãs dos desmandos criminosos que hoje assistimos. Sob o domínio da União Europeia, todo um continente em que as conquistas sociais já estavam consolidadas em instituições sociais e jurídicas está a ser destroçado pelo desemprego, pelo corte de salários e reformas, pelo aumento de impostos, pela destruição do Estado Social existente.
Esta destruição da humanidade na Europa, soma-se a outras formas mais sangrentas impostas pelos donos do dinheiro que se situam em pontos estratégicos mundiais – Estados Unidos da América, Israel no Oriente Médio e governos subalternos espalhados pelo planeta e ajudam a promover discórdias civis que atraem as guerras «pacificadoras» e a fome nas regiões mais pobres (que mata maior número de pessoas sem o uso de armas). 
A alternativa existe 
Diante da crise que auto-destrói o sistema capitalista, impõe-se à humanidade restaurar a memória das suas lutas que sempre tiveram por meta a liberdade, a fraternidade, a igualdade – da Revolução Francesa –, o respeito humano e a proteção da natureza que assegura a vida planetária, a autonomia política de cada nação, a legislação do trabalho contra a exploração e a escravização, melhor aplicação das riquezas nacionais na criação de serviços públicos (de saúde, ensino, previdência, acesso à cultura, infraestruturas e informação), para evitar as formas de discriminação dos mais pobres – da Revolução Socialista – a defesa dos Direitos Humanos, da Organização Mundial da Saúde, da Organização Internacional do Trabalho, para a Educação Ciência e Cultura, para o Alimento e a Agricultura, – organismos da ONU para implantar mundialmente os recursos necessários ao desenvolvimento das Nações e manter a Paz.
Cabe aos cidadãos de cada país restaurar a sua autonomia patriótica e a estabilidade antes assegurada por um Estado de Direito que hoje se encontra desgovernado e aviltado.
A quebra da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas foi a derrota de uma grande potência que, adotando o sistema socialista, competia com os Estados Unidos da América apoiado pelos países mais desenvolvidos no mundo capitalista. A experiência na implantação de um sistema alternativo, o socialista, no entanto, sobrevive com êxitos na China, Laos, Coreia do Norte, Vietname e Cuba que contam com o apoio de povos (que continuam a lutar pela sua independência dentro do capitalismo) e de organizações de esquerda existentes em todas as nações do planeta, inclusive nos Estados Unidos da América e seus aliados em todo o mundo. A defesa dos princípios socialistas prossegue no plano político da luta de massas e no trabalho intelectual com a elaboração das ideias orientadas pelo método de análise científica criado por Marx e Engels, enriquecendo-o permanentemente com a evolução do conhecimento da realidade social no mundo.
Nesses dois séculos houve derrotas políticas impostas pelo poder capitalista aos povos em luta, mas as vitórias alcançadas obrigaram o sistema a aceitar e instituir conquistas que traduzem os direitos de cidadania legislados mundialmente. São contra estas conquistas, que definem um sistema socialista de vida, que hoje a troika e o FMI querem destruir na Europa.
As manifestações populares se sucedem em defesa do bem estar dos seus povos e congregam trabalhadores de diferentes organizações sindicais, partidos políticos de diferentes tendências ideológicas, igrejas de diferentes religiões, gerações de diferentes formas de comportamento social, o que enriquece o caminhar dos povos libertos de preconceitos e das trelas impostas por uma elite que controla o poder financeiro mas sucumbe diante da sua própria incompetência alimentada pelo seu egoísmo absoluto.

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