quinta-feira, 24 de outubro de 2013

A decomposição do poder governamental

 
  • Zillah Branco 

A decomposição do poder governamental
Destacados economistas, incluindo alguns com Prémio Nobel, tanto com formação marxista como também conservadora ou social-democrata, têm divulgado as suas análises sobre as crise do sistema capitalista que atingiram de forma dramática os Estados Unidos provocando a recessão de 1929 e se repetiram ao longo do século XX sacrificando vários países até expandir os seus efeitos devastadores em função da globalização ao iniciar o século XXI.
As causas apontadas têm em comum a classificação de uma crise sistémica decorrente da financeirização da economia que criou um super poder do sistema bancário sombra(shadow banking system) que abrange várias empresas financeiras que ficam fora de qualquer regulamentação pelos Bancos Centrais dos respectivos países.
Grandes bancos – Lehman Brothers nos Estados Unidos em 2007, Barclays na Inglaterra entre 2005 e 2009 com envolvimento de operadores de bancos franceses Société Génerale e Credit Agricole, do alemão Deutsche Bank e do britânico HSBC (segundo reportagem do site Financial Times de 18/07/2012) enfrentaram falências, casos de corrupção escandalosa, demissões de executivos de grandes corporações, roubalheiras explícitas e desmoralizadas publicamente, punidos pela justiça ou não.
Trata-se, como explica Sérgio Barroso, numa série de artigos divulgados pelo Portal Vermelho (PCdoB, Brasil) «de um processo que alia formas de ganância capitalistas nunca vistas, de braços dados à ideologia do darwinismo social; somados à gestão do Estado e da grande finança inteiramente a serviço do capital sem quaisquer veleidades». Ou seja, a implantação da lei da selva onde vence o mais forte, com a anulação de todas as conquistas da humanidade que a diferenciam do reino animal.
Esta situação de ganância absoluta e desprezo pelo seres humanos, que hoje faz uso das invasões militares e de espionagem para promover conflitos que desestabilizam as sociedades destruindo as estruturas produtivas e as populações civis, como bárbaros modernos ou bandidos vulgares, abriu um caminho de entendimento entre políticos que ainda exigem os antigos princípios humanos de dignidade, respeito, solidariedade para a sobrevivência das Nações. O comportamento submisso de governos manipulados pela troika na Europa e pelo poder militar imperial nas áreas mais pobres do planeta, envergonham os que, independentemente da ideologia que professam, assistem à degradação da história nacional e dos valores patrióticos.
As divergências teóricas e ideológicas entre os especialistas em economia que condenam a financeirização conduzida pelas empresas que detêm o poder globalizado acima de qualquer regulamentação institucional, nacional e internacional, situam-se na meta estabelecida para a organização de programas de desenvolvimento e distribuição de renda, capitalista ou socialista.
Discutem orçamentos, impostos, salários mínimos e pensões de sobrevivência e a estrutura de um «Estado Social», numa vã tentativa de salvar a Nação à beira da miséria. Mas recorrem ao crédito que os donos do poder financeiro oferecem com juros altíssimos sem exercerem o dever constitucional de regulamentarem as empresas que sobre-acumularam, por processos nem sempre lícitos, o dinheiro dos contribuintes. Para demonstrarem a sua noção de dignidade e patriotismo, explicam a necessidade moral de aplicar as condições de austeridade (que se traduz em desemprego, cortes salariais, privatização da saúde, da educação e de bancos nacionais, com o sacrifício exclusivo das camadas mais pobres da população e a destruição das empresas familiares de produção) sem referirem o dever ético de distribuir a renda nacional de forma equilibrada para assegurar a vida do seu povo e a dignidade de uma nação independente.
Diante dessa farsa política, não poderá haver acordo entre os partidos de esquerda e de direita, nem mesmo entre militantes da direita que conservam a noção de respeito pelos seres humanos e de que a riqueza nacional deve ser investida na produção e nas condições de vida do povo para garantir a integridade patriótica e a independência nacional.
O atual dirigente do PS gastou uma semana (que agravou o prejuízo financeiro do país e a credibilidade dos organismos responsáveis pela sua condução política) no falso cenário da «salvação nacional», com os lideres birrentos dos partidos de direita que competem entre si pelo beneplácito da troika.
Velhos socialistas ameaçaram sair do PS acompanhados por uma juventude que entende o socialismo para o crescimento económico em benefício da população, não da subordinação vergonhosa à «financeirização» dos agiotas. Adriano Moreira, antigo líder do CDS, denominou o termo «salvação nacional» de «esdrúxulo» nesta situação em que não há acordo possível no entendimento do caminho para evitar a derrocada do País entre pessoas com ambições pessoais opostas.
O bom senso começa a criar uma aproximação de antigos adversários com a proposta de esquerda (no Parlamento e em manifestações populares por todo o país) que vem sendo repetida desde o início da subordinação ao comando da troika, de que o programa do Governo está errado desde o seu nascimento (como confessou o seu ex-ministro das Finanças) por não levar em consideração a vida dos trabalhadores que produzem a salvação e a independência nacionais e só agir como agiota autoritário.
Qualquer criança é capaz de compreender que os governantes devem ser escolhidos pela maioria da populaçãose estiverem decididos e capacitados para organizar o trabalho produtivo que garante emprego para a população ativa, assegurar o funcionamento das escolas, dos serviços de saúde, as reformas para quem já não está em condições de trabalhar. E mais, defender a independência de Portugal que não será colónia de nenhum poder externo. Esta é a alternativa patriótica capaz de unir os portugueses que conservam o bom senso e o ato eleitoral é urgente.

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