quinta-feira, 13 de março de 2014

Individualismo e egoísmo são a essência do sistema capitalista

Publicado no "Avante!" 13/03/14
À comunicação social em Portugal divulga com uma frequência cada vez maior as acusações a membros do Governo que mentem sem qualquer pudor, que fazem o contrário do que anunciaram antes, que usam de esperteza inconcebível para extrair do pouco que os trabalhadores, pensionistas e reformados recebem, os recursos para pagar o endividamento criado por uma política submissa ao fortalecimento do poder financeiro globalizado que tem sido aplicado contra os princípios da Constituição de Abril. Se formos nomear os causadores da miserabilização de Portugal, da destruição das bases criadas com a Revolução dos Cravos em 1974 para o desenvolvimento nacional e a implantação de um sistema de Justiça Social, a lista é infinda.
A condenação de cada culpado, responsável pela destruição da força produtiva de Portugal, não resolveria o problema de fundo: um sistema económico, social e político que é essencialmente desumano, anti-democrático, antagónico à solidariedade e ao respeito pelo ser humano.
Importante é reconhecer que o capitalismo deriva de ações individualistas, portanto egoístas, que os líderes assumem e apregoam como modelo ideal de conduta da cultura moderna. Todas as orientações são escolhidas com critérios financeiros de custo/benefício favorecendo uma elite que detém o poder e nele quer permanecer. Para isto sacrifica o povo, o social, a parte humana e histórica do País.
A Constituição aprovada por todos os partidos, à exceção do CDS, em 1976 afirmava no seu preâmbulo que:
«A 25 de Abril de 1974, o Movimento das Forças Armadas, coroando a longa resistência do povo português e interpretando os seus sentimentos profundos, derrubou o regime fascista.
«Libertar Portugal da ditadura, da opressão e do colonialismo representou uma transformação revolucionária e o início de uma viragem histórica da sociedade portuguesa.
«A Revolução restituiu aos portugueses os direitos e liberdades, os legítimos representantes do povo reúnem-se para elaborar uma Constituição que corresponde às aspirações do país.
«A Assembleia Constituinte afirma a decisão do povo português de defender a independência nacional, de garantir os direitos fundamentais dos cidadãos, de assegurar e estabelecer os princípios basilares da democracia, de assegurar o primado do Estado de Direito democrático e de abrir caminho para uma sociedade socialista, no respeito da vontade do povo português, tendo em vista a construção de um país mais livre, mais justo e mais fraterno.
«A Assembleia Constituinte, reunida na sessão plenária de 2 de Abril de 1976, aprova e decreta a
seguinte Constituição da República Portuguesa».
Este é um texto histórico indesmentível, oficial e reconhecido pelas instituições jurídicas nacionais, que corresponde a um facto verdadeiro registado mundialmente. Torna clara a necessidades dos políticos individualistas e egoístas, que só valorizam o custo/benefício que move o capitalismo (agora em crise profunda e global) de desejarem destruir esta grande conquista portuguesa que por si constitui a base de todos os programas de desenvolvimento nacional e de um Estado Social humanizado e capaz de subsistir com os seus recursos bem geridos com objetivos patrióticos. 
A luta pela democracia 
Em defesa dos Direitos Humanos e das conquistas até hoje alcançadas pelos trabalhadores (legislação do trabalho e direito ao emprego remunerado, apoio às formas de produção nacional), por suas famílias (condições de vida, assistência social para deficientes, idosos, crianças, segurança social), pelas mulheres (igualdade de direitos, protecção à maternidade), pelos jovens (ensino e formação profissional, formação cultural e ética através dos meios de comunicação social, oferta de empregos), pela população patriótica (instituições que organizam o Estado, assegurem a defesa do património, a segurança pública e a independência nacional), em linhas gerais acompanham a evolução da humanidade e desde o século XVIII delineou estruturas e conceitos para que cada povo definisse os seus próprios caminhos de acordo com a história e as características culturais que definem Nações.
Um dos elementos em toda esta riqueza que pertence à humanidade e a cada povo, é o instrumento económico – recursos produtivos, organização da produção com o preparo da mão de obra e garantias de condições elevadas de vida familiar, relacionamento internacional equilibrado para participar do mercado mundial. Estas questões são tão vastas e profundas que envolvem todo o saber – filosófico, científico, artístico – que permitem as múltiplas atividades que enriquecem as sociedades desenvolvendo talentos e aptidões criativas que se expandem pelo planeta.
A redução desta perspectiva de desenvolvimento com justiça social, no cálculo financeiro de custo/benefício que domina o sistema capitalista (e o pensamento dos que hoje detêm o poder na União Europeia e na potência imperialista) empobrece a inteligência e a capacidade criativa dos seres humanos. É a volta ao fantasma do poder medieval onde os agiotas, donos das moedas, conduziam monarquias a fazerem guerras expansionistas e deixarem que as doenças e a fome dizimassem as populações escravizadas.
Manifestemos unidos a força popular em defesa de um mundo aberto ao esforço e à criatividade dos seres humanos livres e fraternos.


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