domingo, 15 de novembro de 2015

A metade de um Presidente



Portugal ficou abismado ao perceber que tinha apenas a metade, com um corte vertical,
do Presidente da República. E pior, a metade desprovida de coração, já que é
exclusivamente de direita, e todos sabem que aquele órgão que responde pela
sensibilidade humana fica do lado esquerdo.

Já o povo tinha esta impressão ao ouvir as suas consideraçōes expostas em público há
tantos anos, enquanto a nação empobrecia e a miséria dos trabalhadores aumentava
enquanto o número de milionários aumentava.

Mas agora foi afirmado pelo próprio Presidente, cujo conceito de democracia não admite a
voz da esquerda. É verdade que ele também não revela conhecer a existência de um
Parlamento que tem a função de aprovar ou não um governo de acordo com os votos de
direita e, já está, somados aos de esquerda. Parece confundir os tempos e decide como
se fosse um Imperador sem coroa mas com gravata, como manda a moda.

Se fosse só o Presidente, já era grave.  Mas todos os governantes empossados por
desejo do Presidente, raciocinam da mesma maneira, pela metade vertical. Esta
descoberta é de tal maneira inesperada que muitos dos que se consideram "de direita",
sem negar que existem os "de esquerda", desvinculam-se publicamente dos que
assumem a sua metade orgulhosamente como se lhes bastasse. Afinal, ter coração
sempre foi uma necessidade física e mentalmente imprescindível aos seres humanos,
especialmente aos que assumem funções de responsabilidade na liderança dos povos.Temos visto que esta condição, que assolou a governação do país tem, alguns seguidores
que distraidamente andavam junto aos que, sendo normais, optam agora pela esquerda
que representa a maioria da população. Quem, depois de constatar que Portugal está no
plano inclinado, em vias de perder a sua independência e ver a sua dignidade
espezinhada pelos que só têm uma metade, na vertical, a direita, não escolhe o caminho
que sempre foi seguido pela esquerda?

Trata-se de uma epidemia? Há cura para tão estranha patologia? Urge combater esta
perversão do género humano, antes que seja tarde.

Zillah Branco

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