sábado, 24 de setembro de 2016

Tirar o Estado da lama



O Brasil é um extenso e rico país com uma população de mais de duzentos milhões de habitantes herdeiros de DNA das mais variadas etnias que compõem a humanidade. Absurdamente tem um Estado Mínimo e é dirigido por uma oligarquia. Realmente a democracia passa ao largo. Mas é pior, tem um governo golpista que só não cai porque os dirigentes do sistema judicial não aplicam a Constituição e agem como coniventes e irresponsáveis contra as seguidas manifestações populares. Não sou só eu quem diz isto, tenho o prazer de secundar o eminente jurista Fábio Comparato que fez uma honrada declaração pública e o ex-presidente da OAB do Rio de Janeiro, hoje deputado federal, Wadih Damous que põe a defesa da Justiça e da dignidade acima do mar de lama que invadiu a administração do pobre e mínimo Estado brasileiro.

É difícil conter a indigação, para eles e para nós, depois do espetáculo midiático organizado para denunciar fraudulentamente o ex-Presidente Lula com base em "convicções" e "acho que" de um bando de delinquentes que representaram o MPF impunemente. Uma vergonha nacional comentada em todo o planeta que só não atinge os milhões de brasileiros que vão trazer Lula ao seu lugar de "melhor Presidente da história do Brasil" em 2018. Conseguimos conter a indignação para tranquilamente organizar as formas de participação popular na recontrução de um Estado Social, que não será "Mínimo" como gosta a elite oligárquica.

Um Estado que não é subserviente ao mercado dirigido pelo império capitalista, que investe na produção nacional e nos trabalhadores do Brasil, que equilibra a distribuição de renda para acabar com a miséria e também com o enriquecimento ilícito, que defende a Justiça que emana da Constituição, que não aceita ser representado por bandidos e covardes, que garante os Direitos humanos e de cidadania, que é solidário com os povos em luta contra a exploração e o fascismo.

Temos a "convicção" de que as ações de Fora Temer, de mister Meirelles e do eterno ex-candidato Serra, somadas ao retumbante fracasso de Eduardo Cunha e a bruxa Janaina que o defendia, mais o "atentado fascista" perpretado em nome do MPF, foram um tiro-no-pé da quadrilha e reforçaram a consciência popular de que só alguem com as qualidades heróicas e patrióticas de Lula poderá retomar a condução do Brasil democrático que queremos. E será dado um passo adiante com a participação permanente do povo na defesa das conquistas democráticas e da defesa da dignidade nacional.

Hoje está claro que a raiz histórica dos problemas administrativos do país está no poder de uma oligarquia que mina 500 anos de história do Brasil. Os seus agentes simulam defender o povo e a democracia mas escamoteiam as verdadeiras intenções que são ditadas pelos seus chefes internacionais que só raciocinam em função do capital que circula pelos seus bancos e nos altos juros obtidos com as transações. Os partidos que usam a democracia no seu nome devem extirpar os maus elementos que se revelaram golpistas e reciclar os que se acovardaram e pretendem vir a ser democratas. É uma questão de honra.

Os brasileiros têm condições de impor um regime democrático depois de quatro governos com um programa de Fome Zero, Minha Casa Minha Vida, Luz para Todos, defesa da saúde pública, melhoria da educação, combate ao desemprego, apoio à investigação científica e à produção cultural, infra-estruturas para o desenvolvimento do Brasil profundo, integração latino-americana, participação na política internacional e agora o impulsionamento das Cidades Humanizadas. O Estado Mínimo, um "faz de conta" para o povo e instrumento de poder para a elite submissa às exigência do imperialismo, contraria a democratização da sociedade que reduz o fosso das desigualdades entre classes e impede o desenvolvimento nacional independente.

Não queremos que o modelo imposto na Europa - pela União Europeia casada com o FMI - que afundou os países na austeridade que poupa no desenvolvimento nacional e na vida dos trabalhadores para enriquecer milionários. A crise europeia está à vista de todos e sem solução enquanto os "golpistas de lá" se defrontam com o perigo de fazer ressurgir o fantasma da guerra e do fascismo que só foi derrotado em 1945 porque havia um Estado Socialista para agir em defesa da humanidade.

O programa de Fora Temer e sua quadrilha é a fotocópia do que foi implantado pela União Europeia para empobrecer os países que trocaram a independência por créditos mal aplicados, com um ajuste fiscal que congela os orçamentos das áreas sociais, altera a legislação laboral retirando direitos dos trabalhadores, reduz a segurança estabelecida na Previdência Social e abre caminho para um regime de exceção que é ditatorial. Ainda está presente no Brasil os efeitos de 21 anos de ditadura com o rol de crimes ainda por punir. Também não foram apagadas as ações positivas de democratas como Ulisses Guimarães e Tancredo Neves, que dirigiam o antigo MDB e morreram cedo deixando espaço para que os atuais dirigentes dos partidos herdeiros emporcalhem a sua memória.

Vamos retomar o rumo aberto por Lula e limpar a estrutura administrativa do Estado que abriu caminho para o golpe que subalterniza o Brasil.

Zillah Branco

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