quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Quem não tem consciência de cidadania?


Basta consultar as informações sobre as organizações populares que existem no Brasil há décadas resistindo aos abusos da ditadura militar e dos governos que deram inicio a um processo de democratização nacional, para saber que em todo o território brasileiro existem líderes trabalhando com as comunidades para formar a consciência de cidadania. O maior valor dessas iniciativas é que não ficam nos conceitos intelectuais e nas boas intenções, vão à realidade e constroem os caminhos possíveis para alcançar objetivos concretos. O povo trabalhador é bom aluno porque nasce com a intuição democrática.

O número de teses dos que estudam o assunto por dentro é imenso e riquíssimo. São comissões de moradores organizando cooperativas de produção, professores criando escolas de música, de esporte, de comunicação social, de onde saem destacados profissionais de núcleos de população antes marginalizados, indígenas, quilombolas, mulheres, pescadores, coletores de frutos, artesãos espalhados pelo Brasil rural onde ainda faltam as infra-estruturas para o desenvolvimento. É um processo dinâmico que, com o apoio de um conhecedor das conquistas intelectuais da humanidade, evolui sólidamente de baixo para cima na sociedade. Aqueles brasileiros abandonados pelas oligarquias desde a colonização do país, adquirem a consciência de que são cidadãos de pleno direito no Brasil. E passam a lutar pela igualdade social, pela integração, pela participação política democrática e pelo desenvolvimento pessoal e nacional.

Os governos de Lula desbravaram o mesmo caminho da cidadania de cima para baixo e o da Presidenta Dilma assumiu a difícil tarefa de implantar e gerenciar através das instituições do Estado os meios para que a consciência de cidadania encontre os recursos de que a sociedade brasileira dispõe para um pleno desenvolvimento. O caminho é espinhoso, cheio de obstáculos, levantados pela oposição ao processo democrático, e a falta de vontade de funcionários privilegiados que ocupam postos importantes na estrutura do Estado. É aí que falta a consciência de cidadania somada à falta de solidariedade humana e de patriotismo.

Esta minha afirmação tem provas fartas nos noticiários diários sobre a vida nacional em que são desvendadas as corrupções continuadas que minam o poder público (antes e agora) e os abusivos privilégios de importantes figurões que brandem as leis para justificar o injustificável permanecendo com cara de probos e exemplos de cidadania. A permanência no poder dos que desrespeitam as leis em benefício próprio indica o pior caminho para os cidadãos que precisam resolver os seus problemas. Sem privilégios procuram as armas criminosas.

 Por outro lado, tenho experiência própria por ter escorregado da classe média, onde sempre me mantive por apoio familiar e esforço próprio, indo parar (por culpa do INSS que há 9 anos nega o meu direito à uma aposentadoria com registros de mais de 200 meses, e agora me oferece como brinde 213, 12 reais por mês) lá em baixo da escala social onde a realidade pode ser vista a olho nú. A única vantagem (porque tenho bom humor e casa própria) é que de intelectual universitária passei a cidadã real desempregada conhecendo os serviços públicos de baixo para cima ao mesmo tempo que analiso, pelo noticiário e ouvindo os debates, de cima para baixo. Falo sobre as dificuldades do cidadão brasileiro com a necessária consciência e de cátedra. Não é falta de modéstia conferir-me este diploma, se bem que dele tenha orgulho.

Voltando ao que interessa. As valiosas mudanças anunciadas pelos poderes que nos governam são necessárias e bem propostas. Mas não conseguem ser implantadas porque a estrutura do Estado tem entupimentos vários: boicotes deliberados, inércia e má vontade, ausência de efetivo gerênciamento de chefias intermédias. Por outras palavras há bons planos e até bons programas para que os serviços funcionem mas faltam as adaptações às realidades culturais dos que deveriam executar as funções.

Alguns serviços têm sido melhorados pelo comprometimento entre o impulso federal e a responsabilidade estadual. Este é o caso ocorrido em Pernambuco, recentemente divulgado, que casou a verba destinada pelo Governo Federal com a eficácia do Estado ao apresentar projetos de construção para infra-estruturas. Lamentavelmente foi o que não aconteceu na região serrana do Rio de Janeiro que, pelo segundo ano sofreu com a catástrofe provocada pelas chuvas de verão sem ter terminado os estudos do necessário projeto de proteção à população  local.

Um outro caso interessante de êxito gerencial foi o que ocorreu na área da saúde em São Paulo com a construção para o SUS de clinicas especializadas resultante do esforço casado do Governo Federal e o Estadual. Vê-se que a “vontade política” (ou consciência de cidadania) não exige que a linha partidária propicie o casamento entre governantes. Graças à qualidade gerencial da Presidenta Dilma, os cidadãos são todos brasileiros, mesmo sendo oposição.

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