terça-feira, 11 de setembro de 2012

Datas marcadas pelas forças do imperialismo



Estava com meus filhos em Santiago do Chile há 39 anos atrás, quando o navio norte-americano que transportava uma "orquestra militar" e aportara em Valparaiso, revelou-se como base da CIA que apoiava o golpe de Pinochet. A primavera chilena, que era anunciada pelo florescimento das amendoeiras em toda a cidade, foi abafada por um dia cinzento fechando as suas flores. A população chilena, que  construía a democracia com Allende, teve as suas esperanças esmagadas.

Sob o cruzamento de bombas descarregadas sobre o Palácio de la Moneda e a residência de Allende, agarrei-me aos meus filhos com a força do instinto materno diante da perda do socorro humano. A violência da invasão terrorista daquela sociedade humanista e valorosa assemelhou-se ao grande terremoto que um ano antes nos havia deixado com a mesma sensação de desamparo absoluto. Uma criança de 10 anos perguntou: "Matam a esquerda na América Latina?" Respondi como educadora apesar de estar gelada de medo: "Não, meu filho, os povos latino-americanos vão expulsar o imperialismo".

A luta continua, agregando novos contingentes sociais. A destruição de populações que sobrevivem à miséria com a esperança de militantes dos movimentos pela paz e pela liberdade do ser humano espalhou-se por todo o mundo condenando à morte a natureza planetária. Hoje, a defesa da democracia, assim como da natureza, penetra a consciência política de setores mais ricos da sociedade que percebem a necessidade de dividir os seus lucros empresariais com a salvação e educação da humanidade trabalhadora.

Em outro dia 11 de Setembro, no ano de 2001, as forças terroristas do Império usaram como alvo da sua escalada as Torres Gêmeas de Nova Yorque. O objetivo seria destruir o caminho democrático que penetrou na consciência da nova geração de empresários que acordam para a necessidade de respeito pelo planeta e pela humanidade?  Se foi, não conseguiu impedir que as crises do sistema continuassem a esclarecer a elite que começa a perceber que se a sua classe continuar como parasita na sociedade estará condenada a afundar no desastre planetário sem utilizar os seus recursos acumulados e o seu conhecimento para criar soluções para a humanidade da qual faz parte.

A evolução do pensamento da elite passa pela subordinação cultural que têm em relação ao mercado e às ferramentas que alteram o seu comportamento - como, por exemplo, a publicidade e a grande mídia. É diferente da maneira como os trabalhadores vêm o caminho do desenvolvimento a partir da produção e a formação que liberta a inteligência e a criatividade.

 A elite mais progressista hoje usa modelos que "impactam" a sociedade de modo global. As formulas que os idealistas, filósofos e revolucionários sempre incentivaram - solidariedade, trabalho voluntário, cooperação, criação de recursos de vida saudável para os mais pobres - passam a ser considerados como não prejudiciais aos princípios do lucro empresarial. É um grande passo para um estrato social anteriormente parasita e predador do planeta com a sua humanidade.
                                                             

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