segunda-feira, 4 de março de 2013

O assalto às instituições



No decorrer dos anos 1950, com a política Salazarista, em que reinava a pobreza nacional, dona Branca, "a banqueira do povo", torna-se numa pseudo-bancária ao iniciar um sistema de agiotagem bem sucedido por mais de 30 anos, recolhendo o dinheiro de trabalhadores com pagamento de juros baixos e emprestando com taxas bem maiores. Fazia, por eles, a poupança austera.

Por Zillah Branco*, especial para o Vermelho


Foi acusada pelo Ministério Público, juntamente com 68 arguidos, por associação criminosa, burla agravada, falsificação e abuso de confiança, tendo sido iniciado o julgamento em 1988 no Tribunal da Boa-Hora, que teve a duração de um ano. Resultado do julgamento: pena de prisão de 10 anos para a D. Branca por crime de burla agravada e 24 dos arguidos foram absolvidos"( cit.Wikipédia ).

Portugal processou e condenou a "banqueira do povo", dona Branca, porque ela fazia exatamente o que a Troika faz agora às escancaras. Agiotagem é o crime de quem recebe dos bancos mediante uma taxa de juros baixa para emprestar com um valor superior. A Justiça mudou para favorecer os que exploram a boa fé popular, e manejam a sua poupança, em nome da União Europeia (UE). Pior, quem pede o empréstimo é o governo subalterno à UE, mas quem paga é a população sacrificada com o pretexto da austeridade.

Portugal vai pagar um total de 34,4 milhões de euros em juros pelo empréstimo de 78 mil milhões do programa de ajuda da "troika". Segundo dados do governo, quase metade do que é emprestado pela Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional (FMI) é para pagar à "troika", mas por este mesmo empréstimo a Troika pagou muito menos e ficou com o troko.

Este tipo de comportamento político (antes qualificado judicialmente como crime e abuso), com características de molecagem esperta, escapa ao institucional a que o mundo está habituado. Não foi a Justiça que mudou, a instituição judicial é que foi amordaçada. 

Ao que parece, o poder global subiu à cabeça de uma geração de moleques que não se preocupam nem mesmo com as instituições como estrutura de suporte para os seus desmandos, assim como não respeitam os princípios mais elementares do comportamento social. Eles são a fachada de quem comanda na sombra, e não assumem responsabilidade pelos seus atos em nome de um Governo. Corresponde ao caminho aberto pelos Estados Unidos ao eleger um Bush, modelo dessa geração autista social, que surge nos governos da Europa? Trata-se da priorização da forma sobre o conteúdo, como ocorre na publicidade que é o motor dos negócios.

Já não surpreende que a UE mande uma vice-presidente do Conselho Europeu tentar agitar a opinião pública portuguesa ensinando um b-a-ba rastaquera do controle da Troika e do FMI sobre os governos nacionais "para ajudar a gerir as finanças com austeridade agora, para melhorar depois", Como disse. Como uma madame ilustre da UE não percebe que está fazendo uma triste figura internacional, supondo que os portugueses são tontos como ela?

Até os portugueses mais conservadores não aguentam mais. A divisão deixa de ser ideológica para ser contra os moleques irresponsáveis que, além de acabarem com a estrutura de produção e os serviços sociais (que o histórico Estado Social manteve desde a Revolução de Abril), desmontam as forças armadas nacionais e corrompem as instituições.

Na Itália, depois de um erro político crasso da UE (que só então descobriu que não tem nem 10% dos eleitores), instala-se um caos com personalidades que entram no jogo político para arrebentar, seja com humor ou com corrupção declarada. É sinal de que a estrutura do poder não tem base, os moleques andam a brincar de políticos dirigidos por outros na sombra, o dinheiro dos povos jorra para bancos e entidades de burla, abre-se o caminho à anarquia inspirada no desespero. É hora das organizações sociais do trabalho e da política assumirem um papel sério para evitar o desastre maior.

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