terça-feira, 19 de agosto de 2014

Costumes e hábitos modelam a cultura

Historicamente os costumes tradicionais no comportamento social são marcados pelo autoritarismo dos "senhores", feudais ou modernos, que determinam a submissão dos mais fracos. Numa escala determinada pelo poder do chefe da família, os dependentes, e especialmente as mulheres, nada decidiam em relação à própria vida. Sobre os que trabalhavam na produção do feudo o domínio era exercido por qualquer membro da família senhorial, inclusive pelas mulheres "donas".

Em cada família de trabalhadores reproduzia-se o mesmo escalonamento a partir do homem "chefe", relativo à propriedade de bens e direitos individuais.

O Estado também obedecia aos poderosos que nomeavam os responsáveis administrativos para que, por sua vez, impusessem com autoridade os seus próprios interesses e o da elite poderosa. O cidadão era o último a ter, ou não, os seus direitos atendidos.

Tal situação permaneceu como modelo cultural até os tempos modernos, traduzindo a submissão como modelo de "educação social", ou seja, comportamento "civilizado". É com orgulho que os mais frágeis mostram a sua "boa educação" de "respeito pelos seus superiores". Este modelo facilita em muito a imposição de uma disciplina ditada pelo poder, tanto a nível pessoal como de classe. Ditatorial.

Não é por acaso que hoje o sistema capitalista estabelece padrão de roupas, modos de comportamento social, linguagem, músicas, hábitos de vida, medicamentos, profissões, através da publicidade, para todos os cantos do planeta. O canal de escoamento dos produtos, o mercado, e o financeiro para a recolha do dinheiro, os bancos, têm mão única. As novas gerações vão sendo aperfeiçoadas como carneiros dóceis. As drogas corrigem os que parecem desobedientes. Os medicamentos produzem epidemias para reduzir o excesso de populações marginais. As guerras e invasões abrem caminho para que as riquezas nacionais entrem para o tesouro imperial. É uma ditadura mundial, mas tem os seus pés de barro que animam os que conservam a esperança e lutam pela mudança de sistema.

Estratos sociais dependentes

Nas sociedades sempre germinou a defesa da liberdade como reação à violência e a opressão exercidas contra o indivíduo, e, em segundo lugar,
contra o grupo social até chegar, no século 19, ao conhecimento da "classe explorada". As lutas pontuais se sucederam através dos séculos e as vitórias obtidas estimularam novas lutas em diferentes pontos do mundo. 

As formas de rebeldia foram sendo aplicadas para substituirem os chefes das sociedades, mas não a condição de dominação sobre os membros mais frágeis que sempre desconheciam a liberdade dentro das comunidades. A defesa individual impedia a compreensão de que só uma mudança na estrutura de poder poderia propiciar a liberdade coletiva. 

Os graves crimes cometidos pela elite contra pessoas, individualmente, despertaram o pensamento para filosofias humanitárias que estabeleciam normas de convívio social. As filosofias humanistas dão maior peso aos sacrifícios pessoais, alimentando a visão do sofrimento dos indivíduos e à sua defesa pessoal ou familiar, e não à necessária estratégia política de direitos das camadas sociais trabalhadoras que são sempre as mais pobres. 

O sistema capitalista prefere destacar as questões individuais - que não afetam o coletivo social - e adapta soluções precárias de previdência social ou sopa dos pobres que, em fase de crise social, mascaram as enormes diferenças de rendimento entre as classes fundamentais, permitindo que os desprotegidos sobrevivam e possam ainda dinamizar o mercado de consumo de onde são extraídos os lucros, sem deixar a sua condição social de pobreza relativa na sociedade e de dependência das concessões financeiras do Estado. 

Esta mesma precariedade vê-se na "suspensão de conflitos por razões humanitárias", mas deixando afastada a discussão sobre a validade dos propósitos que deram início às agressões. É apenas uma busca de caminhos diplomáticos para que o mais poderoso vença.

A prática da violência

A violência contra a mulher e as crianças, assim como contra os que são mais frágeis fisicamente, tem origem na Idade da Pedra. As culturas adotaram filosofias que definiram funções sociais tornando as mulheres apenas valorizadas como objeto e mão de obra braçal, merecedoras de proteção enquanto dependentes e escravizadas na família ou na sociedade em geral.

A luta pela igualdade de direitos da mulher e do homem tem sofrido distorções alimentadas pelo sistema capitalista que "paga mais pela função do objeto-mulher" e menos como trabalhadora profissional. Quem alimenta a cultura machista não são apenas os homens. Há interesses (conscientes ou inconscientes) de mulheres em manter a dependência em relação aos homens. Os velhos hábitos nem sempre são questionados e perpetuam através da formação cultural as discriminações que se pretende combater.

Estão presentes na educação familiar e no comportamento social costumes rígidos de subordinação ao "provedor de recursos" que impõe a sua vontade como lei. Mesmo quando a mulher consegue argumentar com o chefe da família e mostrar a conveniência de alterar a gestão e o relacionamento familiar, o porta-voz da nova conduta será sempre o homem para manter a disciplina formal do sistema de poder. O mesmo ocorre entre os governantes da sociedade e os seus conselheiros. 

Os abusos e crimes praticados contra as mulheres até o nosso tempo derivam da brutalidade, que é aceita no homem - devidos aos "direitos de posse" sobre pessoas e bens materiais que detém - e da cultura de "submissão" em que são formadas as mulheres. Também o mesmo ocorre a nível social onde os crimes são perdoados quando cometidos por importantes membros da elite.

Os poderosos sempre são julgados com benevolência. Um grande banqueiro em Portugal, que desviou grossas quantias de dinheiro dos depositantes para enriquecer a sua família, o que levou o Estado capitalista a fazer empréstimos para repor o que foi "roubado", foi considerado " imprudente na gestão" e "pouco ortodoxo" nas decisões. Se aplicassem os mesmos conceitos aos ladrões menores as prisões do país esvaziavam.

Crises sistêmicas e evolução da consciência social

As crises acentuam o processo de deterioração da democracia e acentuam o desespero das pessoas que sentem a "redução dos direitos de cidadania", devido ao enfraquecimento do Estado social. Ocorre o desequilíbrio social que só pode ser superado se os princípios do sistema socialista - igualdade, solidariedade, liberdade - forem mantidos como o caminho de luta permanente na formação cultural, educação familiar, direitos trabalhistas, serviço de saúde e ensino igual para todos.

A identificação entre o sistema dominante e o Estado, leva as populações a reconhecerem-se na dependência dos serviços e benefícios públicos para sobreviverem como se não houvesse outro caminho na vida. A privação dos meios de sobrevivência conduz ao desejo de fugir ao prolongado sofrimento causado pelas carências, seja através das drogas que entorpecem a consciência ou mesmo o suicídio.

O século 20 apresentou a alternativa do sistema socialista alcançada pela via revolucionária em 1917 na Rússia. As propostas teóricas formuladas no século anterior, de liberdade dos cidadãos e de substituição da elite governativa pela classe trabalhadora no poder deram origem ao modelo soviético que foi atacado de todas as maneiras pelos defensores do capitalismo. Das falsas informações veiculadas pelos meios de informação, incluindo a produção de livros escolares e teses universitárias, à perseguição cruel dos adeptos que se multiplicavam por todos os países e às duas grandes guerras mundiais iniciadas com o propósito de varrerem do planeta a ideia de uma sociedade socialista que respeitava a igualdade, a liberdade e a fraternidade dos seres humanos, teve início uma luta permanente liderada pela potência norte-americana. 

A elite capitalista elaborou pensamentos alternativos, como o da social-democracia humanizada, e elevou o nível de vida dos cidadãos nas sociedades mais ricas mantendo o domínio ditatorial dos donos do capital, para simular o ideal socialista sem revolução e sem guerras. Para vencer a iniciativa de Hitler na conquista da Europa, os aliados capitalistas precisaram pedir o apoio da Rússia socialista que perdeu 40 milhões de vidas até obter a vitória. Criaram a "cortina de ferro" entre os dois sistemas e mantiveram a espionagem e os ataques permanentes contra a URSS e os Partidos Comunistas criados em todo o mundo, demonizando-os através de todos os meios de informação social para modelar a consciência dos submissos. 

Neste processo sem tréguas minaram o poder soviético que ruiu, depois de ter apoiado a humanidade nas iniciativas de conquistar a autonomia de suas nações e a consciência de cidadania livre de todos os povos durante oito décadas. A sobrevivência das nações socialistas - China, Cuba, Vietnã, Coreia Popular e Laos - e dos Partidos Comunistas, guardou a semente de um sistema que obriga a elite capitalista poderosa no planeta a cumprir princípios humanistas estabelecidos como Direitos Humanos pela ONU para sobreviver às crises internas e manter algum equilíbrio com as populações oprimidas. A história mundial mostra que a consciência de cidadania, que deriva da compreensão dos direitos de liberdade, igualdade e fraternidade de todos os seres humanos, que cabe aos Estados assegurar, alastra-se sobretudo pelas regiões em processo de desenvolvimento ou luta pela autonomia nacional. 

Este processo é imparável e conquista povos em luta no mundo sub-desenvolvido e estudiosos honestos nos países ricos. A globalização que favorece o domínio econômico e político do sistema capitalista tem a sua face oposta, de intercâmbio de conhecimento com os que praticam os verdadeiros princípios socialistas e lutam pelo desenvolvimento contra a exploração capitalista. 

A publicidade de uma versão demoníaca de um processo revolucionário que liberta os cidadãos começa a ser ridícula para os que, defendendo o capitalismo, se preocupam em conhecer a realidade do mundo atual. Mesmo pessoas de formação conservadora capitalista não querem hoje parecer coniventes com os crimes praticados pelas elites que desviam os recursos públicos para satisfazerem as suas mesquinhas ambições e a sua incompetência na gestão financeira condenando o povo aos sofrimentos e à morte.

Os lideres nacionais escolhidos pelo poder imperialista têm sido preparados para parecerem democratas. Obama, por ser negro e falar como um democrata atraiu grande parte da população mundial que conserva a esperança de transformação social. Desmoralizou-se ao deixar cair a máscara diante do Prêmio Nobel da Paz, com a sua declaração de "guerra justa". O mesmo aconteceu com lideres trabalhistas na Inglaterra e sociais-democratas em várias nações europeias, como Mário Soares em Portugal, ao revelarem que são conduzidos pelos cordelinhos norte-americanos. Até o Vaticano teve necessidade de eleger um Papa capaz de denunciar as injustiças do sistema capitalista que os comunistas sempre denunciaram. 

A balança capitalista vai pendendo para a esquerda e obriga a direita a fazer concessões, pelo menos na linguagem, que apontam as medidas socialistas como as mais corretas. Mentem, na maioria das vezes, deixando a filosofia humanista para os discursos enquanto legislam e cortam os salários do povo como os velhos ditadores fascistas. Não se preocupam com a triste figura de indignidade humana que representam nos altos cargos nacionais e internacionais. São bem pagos para isso, e basta. Mas, devagar, a história abre caminho para os que lutam e enfrentam sacrifícios para dignificar a vida humana liderarem a revolução necessária.

O sistema capitalista impõe o modelo que convém à sua perpetuação

A implantação de um sistema socialista como foi o soviético durante oito décadas difundiu os princípios de liberdade dos seres humanos e das nações. O poder capitalista foi obrigado a adaptar-se concedendo autonomia aos povos que lutaram pela independência nacional e aos setores sociais que levantaram as bandeiras de luta por direitos trabalhistas e de cidadania. A cedência aos direitos humanos e dos trabalhadores é definida através das leis e das instituições sociais dos Estados (que podem vir a ser suspensos se o povo não exigir).

Como ocorre na suspensão de conflitos que ameaçam o poder pessoal, nacional ou do sistema mais forte, novos caminhos de afirmação foram encontrados pela elite capitalista, como o da informação global controlada e da formação cultural que molda a conduta das novas gerações. Gradualmente os meios de comunicação foram sendo transformados em agentes do sistema para fomentar novas mentalidades passivas diante das ofertas tanto de produtos como de idéias. 

Outra forma de manipulação foi a adaptação ao gosto tradicional popular - futebol ou outros jogos, músicas, literatura etc. - simplificados ou mesmo empobrecidos e repetitivos, investindo em modelos e formas de dependência que limitam a criatividade das pessoas forçadas a um nível subalterno considerado como "opinião pública". Os grandes eventos mundiais tornaram-se palcos de um sistema de mega-corrupção que corresponde aos encontros dos líderes do imperialismo exibindo uma cascata de dinheiro na apresentação visual e um mar de lama mental.

Faz parte do funcionamento do sistema capitalista a corrupção que elimina a força dos princípios éticos, que estão na base da consciência de cidadania e do sistema socialista relativos à liberdade e ao desenvolvimento da classe trabalhadora construtora da produção e do crescimento da economia nacional em beneficio de toda a sociedade e não só de uma elite governante. Promovem o enriquecimento dos que de alguma forma demonstram capacidade para inovar ou liderar na vida social e política separando-os da sua classe. Esta é a situação da nova classe média que, apesar da falta de preparo profissional, vai sendo absorvida no setor de serviços para escapar ao trabalho indiferenciado que é braçal. Logo se comportam e vestem segundo o modelo dos chefes e abandonam os hábitos dos operários.

Qualquer máscara sobreposta à realidade social impede a união dos cidadãos em defesa dos interesses coletivos e nacionais. E o resultado será sempre em benefício da perpetuação do poder de uma elite exploradora e ditatorial.Publicado nos portais: Vermelho do Brasil, e Liberdade da Galiza



Historicamente os costumes tradicionais no comportamento social são marcados pelo autoritarismo dos "senhores", feudais ou modernos, que determinam a submissão dos mais fracos. Numa escala determinada pelo poder do chefe da família, os dependentes, e especialmente as mulheres, nada decidiam em relação à própria vida. Sobre os que trabalhavam na produção do feudo o domínio era exercido por qualquer membro da família senhorial, inclusive pelas mulheres "donas".

Em cada família de trabalhadores reproduzia-se o mesmo escalonamento a partir do homem "chefe", relativo à propriedade de bens e direitos individuais.

O Estado também obedecia aos poderosos que nomeavam os responsáveis administrativos para que, por sua vez, impusessem com autoridade os seus próprios interesses e o da elite poderosa. O cidadão era o último a ter, ou não, os seus direitos atendidos.

Tal situação permaneceu como modelo cultural até os tempos modernos, traduzindo a submissão como modelo de "educação social", ou seja, comportamento "civilizado". É com orgulho que os mais frágeis mostram a sua "boa educação" de "respeito pelos seus superiores". Este modelo facilita em muito a imposição de uma disciplina ditada pelo poder, tanto a nível pessoal como de classe. Ditatorial.

Não é por acaso que hoje o sistema capitalista estabelece padrão de roupas, modos de comportamento social, linguagem, músicas, hábitos de vida, medicamentos, profissões, através da publicidade, para todos os cantos do planeta. O canal de escoamento dos produtos, o mercado, e o financeiro para a recolha do dinheiro, os bancos, têm mão única. As novas gerações vão sendo aperfeiçoadas como carneiros dóceis. As drogas corrigem os que parecem desobedientes. Os medicamentos produzem epidemias para reduzir o excesso de populações marginais. As guerras e invasões abrem caminho para que as riquezas nacionais entrem para o tesouro imperial. É uma ditadura mundial, mas tem os seus pés de barro que animam os que conservam a esperança e lutam pela mudança de sistema.

Estratos sociais dependentes

Nas sociedades sempre germinou a defesa da liberdade como reação à violência e a opressão exercidas contra o indivíduo, e, em segundo lugar,
contra o grupo social até chegar, no século 19, ao conhecimento da "classe explorada". As lutas pontuais se sucederam através dos séculos e as vitórias obtidas estimularam novas lutas em diferentes pontos do mundo. 

As formas de rebeldia foram sendo aplicadas para substituirem os chefes das sociedades, mas não a condição de dominação sobre os membros mais frágeis que sempre desconheciam a liberdade dentro das comunidades. A defesa individual impedia a compreensão de que só uma mudança na estrutura de poder poderia propiciar a liberdade coletiva. 

Os graves crimes cometidos pela elite contra pessoas, individualmente, despertaram o pensamento para filosofias humanitárias que estabeleciam normas de convívio social. As filosofias humanistas dão maior peso aos sacrifícios pessoais, alimentando a visão do sofrimento dos indivíduos e à sua defesa pessoal ou familiar, e não à necessária estratégia política de direitos das camadas sociais trabalhadoras que são sempre as mais pobres. 

O sistema capitalista prefere destacar as questões individuais - que não afetam o coletivo social - e adapta soluções precárias de previdência social ou sopa dos pobres que, em fase de crise social, mascaram as enormes diferenças de rendimento entre as classes fundamentais, permitindo que os desprotegidos sobrevivam e possam ainda dinamizar o mercado de consumo de onde são extraídos os lucros, sem deixar a sua condição social de pobreza relativa na sociedade e de dependência das concessões financeiras do Estado. 

Esta mesma precariedade vê-se na "suspensão de conflitos por razões humanitárias", mas deixando afastada a discussão sobre a validade dos propósitos que deram início às agressões. É apenas uma busca de caminhos diplomáticos para que o mais poderoso vença.

A prática da violência

A violência contra a mulher e as crianças, assim como contra os que são mais frágeis fisicamente, tem origem na Idade da Pedra. As culturas adotaram filosofias que definiram funções sociais tornando as mulheres apenas valorizadas como objeto e mão de obra braçal, merecedoras de proteção enquanto dependentes e escravizadas na família ou na sociedade em geral.

A luta pela igualdade de direitos da mulher e do homem tem sofrido distorções alimentadas pelo sistema capitalista que "paga mais pela função do objeto-mulher" e menos como trabalhadora profissional. Quem alimenta a cultura machista não são apenas os homens. Há interesses (conscientes ou inconscientes) de mulheres em manter a dependência em relação aos homens. Os velhos hábitos nem sempre são questionados e perpetuam através da formação cultural as discriminações que se pretende combater.

Estão presentes na educação familiar e no comportamento social costumes rígidos de subordinação ao "provedor de recursos" que impõe a sua vontade como lei. Mesmo quando a mulher consegue argumentar com o chefe da família e mostrar a conveniência de alterar a gestão e o relacionamento familiar, o porta-voz da nova conduta será sempre o homem para manter a disciplina formal do sistema de poder. O mesmo ocorre entre os governantes da sociedade e os seus conselheiros. 

Os abusos e crimes praticados contra as mulheres até o nosso tempo derivam da brutalidade, que é aceita no homem - devidos aos "direitos de posse" sobre pessoas e bens materiais que detém - e da cultura de "submissão" em que são formadas as mulheres. Também o mesmo ocorre a nível social onde os crimes são perdoados quando cometidos por importantes membros da elite.

Os poderosos sempre são julgados com benevolência. Um grande banqueiro em Portugal, que desviou grossas quantias de dinheiro dos depositantes para enriquecer a sua família, o que levou o Estado capitalista a fazer empréstimos para repor o que foi "roubado", foi considerado " imprudente na gestão" e "pouco ortodoxo" nas decisões. Se aplicassem os mesmos conceitos aos ladrões menores as prisões do país esvaziavam.

Crises sistêmicas e evolução da consciência social

As crises acentuam o processo de deterioração da democracia e acentuam o desespero das pessoas que sentem a "redução dos direitos de cidadania", devido ao enfraquecimento do Estado social. Ocorre o desequilíbrio social que só pode ser superado se os princípios do sistema socialista - igualdade, solidariedade, liberdade - forem mantidos como o caminho de luta permanente na formação cultural, educação familiar, direitos trabalhistas, serviço de saúde e ensino igual para todos.

A identificação entre o sistema dominante e o Estado, leva as populações a reconhecerem-se na dependência dos serviços e benefícios públicos para sobreviverem como se não houvesse outro caminho na vida. A privação dos meios de sobrevivência conduz ao desejo de fugir ao prolongado sofrimento causado pelas carências, seja através das drogas que entorpecem a consciência ou mesmo o suicídio.

O século 20 apresentou a alternativa do sistema socialista alcançada pela via revolucionária em 1917 na Rússia. As propostas teóricas formuladas no século anterior, de liberdade dos cidadãos e de substituição da elite governativa pela classe trabalhadora no poder deram origem ao modelo soviético que foi atacado de todas as maneiras pelos defensores do capitalismo. Das falsas informações veiculadas pelos meios de informação, incluindo a produção de livros escolares e teses universitárias, à perseguição cruel dos adeptos que se multiplicavam por todos os países e às duas grandes guerras mundiais iniciadas com o propósito de varrerem do planeta a ideia de uma sociedade socialista que respeitava a igualdade, a liberdade e a fraternidade dos seres humanos, teve início uma luta permanente liderada pela potência norte-americana. 

A elite capitalista elaborou pensamentos alternativos, como o da social-democracia humanizada, e elevou o nível de vida dos cidadãos nas sociedades mais ricas mantendo o domínio ditatorial dos donos do capital, para simular o ideal socialista sem revolução e sem guerras. Para vencer a iniciativa de Hitler na conquista da Europa, os aliados capitalistas precisaram pedir o apoio da Rússia socialista que perdeu 40 milhões de vidas até obter a vitória. Criaram a "cortina de ferro" entre os dois sistemas e mantiveram a espionagem e os ataques permanentes contra a URSS e os Partidos Comunistas criados em todo o mundo, demonizando-os através de todos os meios de informação social para modelar a consciência dos submissos. 

Neste processo sem tréguas minaram o poder soviético que ruiu, depois de ter apoiado a humanidade nas iniciativas de conquistar a autonomia de suas nações e a consciência de cidadania livre de todos os povos durante oito décadas. A sobrevivência das nações socialistas - China, Cuba, Vietnã, Coreia Popular e Laos - e dos Partidos Comunistas, guardou a semente de um sistema que obriga a elite capitalista poderosa no planeta a cumprir princípios humanistas estabelecidos como Direitos Humanos pela ONU para sobreviver às crises internas e manter algum equilíbrio com as populações oprimidas. A história mundial mostra que a consciência de cidadania, que deriva da compreensão dos direitos de liberdade, igualdade e fraternidade de todos os seres humanos, que cabe aos Estados assegurar, alastra-se sobretudo pelas regiões em processo de desenvolvimento ou luta pela autonomia nacional. 

Este processo é imparável e conquista povos em luta no mundo sub-desenvolvido e estudiosos honestos nos países ricos. A globalização que favorece o domínio econômico e político do sistema capitalista tem a sua face oposta, de intercâmbio de conhecimento com os que praticam os verdadeiros princípios socialistas e lutam pelo desenvolvimento contra a exploração capitalista. 

A publicidade de uma versão demoníaca de um processo revolucionário que liberta os cidadãos começa a ser ridícula para os que, defendendo o capitalismo, se preocupam em conhecer a realidade do mundo atual. Mesmo pessoas de formação conservadora capitalista não querem hoje parecer coniventes com os crimes praticados pelas elites que desviam os recursos públicos para satisfazerem as suas mesquinhas ambições e a sua incompetência na gestão financeira condenando o povo aos sofrimentos e à morte.

Os lideres nacionais escolhidos pelo poder imperialista têm sido preparados para parecerem democratas. Obama, por ser negro e falar como um democrata atraiu grande parte da população mundial que conserva a esperança de transformação social. Desmoralizou-se ao deixar cair a máscara diante do Prêmio Nobel da Paz, com a sua declaração de "guerra justa". O mesmo aconteceu com lideres trabalhistas na Inglaterra e sociais-democratas em várias nações europeias, como Mário Soares em Portugal, ao revelarem que são conduzidos pelos cordelinhos norte-americanos. Até o Vaticano teve necessidade de eleger um Papa capaz de denunciar as injustiças do sistema capitalista que os comunistas sempre denunciaram. 

A balança capitalista vai pendendo para a esquerda e obriga a direita a fazer concessões, pelo menos na linguagem, que apontam as medidas socialistas como as mais corretas. Mentem, na maioria das vezes, deixando a filosofia humanista para os discursos enquanto legislam e cortam os salários do povo como os velhos ditadores fascistas. Não se preocupam com a triste figura de indignidade humana que representam nos altos cargos nacionais e internacionais. São bem pagos para isso, e basta. Mas, devagar, a história abre caminho para os que lutam e enfrentam sacrifícios para dignificar a vida humana liderarem a revolução necessária.

O sistema capitalista impõe o modelo que convém à sua perpetuação

A implantação de um sistema socialista como foi o soviético durante oito décadas difundiu os princípios de liberdade dos seres humanos e das nações. O poder capitalista foi obrigado a adaptar-se concedendo autonomia aos povos que lutaram pela independência nacional e aos setores sociais que levantaram as bandeiras de luta por direitos trabalhistas e de cidadania. A cedência aos direitos humanos e dos trabalhadores é definida através das leis e das instituições sociais dos Estados (que podem vir a ser suspensos se o povo não exigir).

Como ocorre na suspensão de conflitos que ameaçam o poder pessoal, nacional ou do sistema mais forte, novos caminhos de afirmação foram encontrados pela elite capitalista, como o da informação global controlada e da formação cultural que molda a conduta das novas gerações. Gradualmente os meios de comunicação foram sendo transformados em agentes do sistema para fomentar novas mentalidades passivas diante das ofertas tanto de produtos como de idéias. 

Outra forma de manipulação foi a adaptação ao gosto tradicional popular - futebol ou outros jogos, músicas, literatura etc. - simplificados ou mesmo empobrecidos e repetitivos, investindo em modelos e formas de dependência que limitam a criatividade das pessoas forçadas a um nível subalterno considerado como "opinião pública". Os grandes eventos mundiais tornaram-se palcos de um sistema de mega-corrupção que corresponde aos encontros dos líderes do imperialismo exibindo uma cascata de dinheiro na apresentação visual e um mar de lama mental.

Faz parte do funcionamento do sistema capitalista a corrupção que elimina a força dos princípios éticos, que estão na base da consciência de cidadania e do sistema socialista relativos à liberdade e ao desenvolvimento da classe trabalhadora construtora da produção e do crescimento da economia nacional em beneficio de toda a sociedade e não só de uma elite governante. Promovem o enriquecimento dos que de alguma forma demonstram capacidade para inovar ou liderar na vida social e política separando-os da sua classe. Esta é a situação da nova classe média que, apesar da falta de preparo profissional, vai sendo absorvida no setor de serviços para escapar ao trabalho indiferenciado que é braçal. Logo se comportam e vestem segundo o modelo dos chefes e abandonam os hábitos dos operários.

Qualquer máscara sobreposta à realidade social impede a união dos cidadãos em defesa dos interesses coletivos e nacionais. E o resultado será sempre em benefício da perpetuação do poder de uma elite exploradora e ditatorial.

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