terça-feira, 10 de março de 2015

O lado certo da luta no Brasil e na Europa

Portal Vermelho

Zillah Branco *

O império capitalista estrebucha e os movimentos sociais de trabalhadores e juventudes estudantis vão para manifestações de protesto nas ruas pelo muito que já foram roubados. Enquanto isso os ricos, agarrados às suas propriedades e às voláteis ações bancárias, organizam golpes anti-democráticos e fomentam terrorismo que atrai psicopatas amigos.


Estes cenários ocorrem hoje no Brasil, Argentina e Venezuela, contra a integração revolucionária da América Latina pela independência dos povos e nos países pobres da Europa - Grécia, Portugal, Espanha, Irlanda, Itália - esmagados pela austeridade para pagar o crédito da Troika agiota, da União Europeia e FMI, com seus paraísos fiscais na falência.

Mia Couto, o grande escritor e pensador moçambicano, exprime com arte:

"Pobres dos Nossos Ricos"

A maior desgraça de uma nação pobre é que em vez de produzir riqueza, produz ricos. Mas ricos sem riqueza. Na realidade, melhor seria chamá-los não de ricos mas de endinheirados.
Rico é quem possui meios de produção. Rico é quem gera dinheiro e dá emprego.

Endinheirado é quem simplesmente tem dinheiro, ou que pensa que tem. Porque, na realidade, o dinheiro é que o tem a ele.

A verdade é esta: são demasiados pobres os nossos "ricos". Aquilo que têm, não detêm.
Pior: aquilo que exibem como seu, é propriedade de outros. É produto de roubo e de negociatas. Não podem, porém, estes nossos endinheirados usufruir em tranquilidade de tudo quanto roubaram.

Vivem na obsessão de poderem ser roubados. Necessitavam de forças policiais à altura. Mas forças policiais à altura acabariam por lançá-los a eles próprios na cadeia. Necessitavam de uma ordem social em que houvesse poucas razões para a criminalidade. Mas se eles enriqueceram foi graças a essa mesma desordem (...)"

A dialética promove um grande passo na História separando os exploradores - agarrados ao passado de fartura e privilégios - dos trabalhadores e jovens que hoje escolhem o lado certo da luta para construir um Estado Social onde a democracia será consolidada.

São dias de turbulência com as provocações histéricas como as que conhecemos em 1964 quando os militares no Brasil foram empurrados pelos fantoches do imperialismo a mancharem a função de defesa nacional com um golpe por ambição de poder que sacrificou milhares de heróis brasileiros; que ocorreu em 1973 quando mataram Allende que introduzia a Unidade Popular como esteio da democracia no Chile; que bloqueou Cuba dificultando o seu desenvolvimento econômico por 60 anos sem, no entanto, limitar a sua pujante Revolução que produziu conquistas sociais hoje louvadas pelos organismos internacionais pela solidariedade levada aos países pobres com a sua superior medicina e pedagogia que salva povos oprimidos nos vários continentes; que empobreceu e colonizou o continente Europeu que foi o berço da cultura e do progresso científico do mundo ocidental, desviando as riquezas nacionais transformadas em moedas de Tio Patinhas que perderam valor na crise financeira do sistema capitalista.

Os que sabem viver na pobreza sem deixar de trabalhar pela subsistência da família e que enfrentam dificuldades diárias para cultivarem o conhecimento da realidade e abrirem caminhos profissionais, permanecem no lado certo da luta pelo desenvolvimento nacional. Não se desviam por ambições mesquinhas e consumismos de inutilidades, não vão nas conversas falsas
de uma comunicação social vendida aos interesses do mercado, não sucumbem ao medo das ameaças e agressões de golpistas torturadores.

Uma nova geração se levanta para recuperar os princípios éticos e os valores humanos de integridade e dignidade ao lado de familiares e amigos que sobreviveram às discriminações do passado com o império do capital e o poder de oligarquias herdeiras de regimes coloniais. Não há conflitos de geração, mas há de classes, entre privilegiados e escravizados.

Os governos de Lula e de Dilma desbravaram o Brasil levando os benefícios de infra-estruturas e conhecimento ao interior de todo o território nacional, trouxeram para a vida moderna a maioria da população que vivia e morria na miséria, demonstrou o que significa democracia e respeito humano, abriram aos 200 milhões de brasileiros a possibilidade de refazerem o sistema político nacional com justiça e melhor distribuição de renda, com sistemas de saúde, educação e previdência social sem os privilégios que uma elite antes poderosa reservava apenas para os seus apaniguados.

Agora é a hora de realizar o programa democrático e calar os opositores com os seus ranços de um passado de escravidão. Os tempos mudaram e exigem força popular para prosseguir a caminhada libertadora com a união dos povos e o despertar da consciência de cidadãos de pleno direito no Brasil, na Grécia, em todos os países onde os povos defendem a soberania nacional e a verdadeira democracia.


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