quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Crise de solidariedade e de responsabilidade

O Secretário Geral da ONU descobriu agora que a crise principal que assola o planeta é de solidariedade. Esqueceu-se de referir que para haver solidariedade é imprescindível existir a consciência de responsabilidade social.


O drama dos fugitivos das guerras não é de hoje. Há mais de um ano são reveladas estatísticas dos que pagam um elevado preço às máfias que fazem o tráfico clandestino de seres humanos em busca de paz para sobreviverem. Se há estatísticas, inclusive dos que foram metidos em barcos e abandonados no Mediterrâneo, é sinal de que o crime de tráfico humano é bem mais antigo. Mas, durante este tempo uma letargia imperdoável dominou os mais altos mandatários de organismos internacionais e nacionais que só começam a despertar com o ruído das próximas eleições ou o protesto das populações que se tornaram miseráveis sob o peso da austeridade programados e impostos pela ditadura da União Europeia e FMI.

Não recordam a criação do programa belicista de Bush em 2001, "Liberdade Duradoura" para se vingar de um terrorismo, atribuído ao seu ex-amigo Bin Laden, que teria originado o "eixo do Mal" e os "Estados Bandidos". Em 2003 estabelece-se a "nova ordem" que se inicia com a invasão do Iraque pelos Estados Unidos e Inglaterra com o falso pretexto de buscarem armas químicas.

Agora querem demonstrar que os povos têm de ser solidários e que os governantes devem oferecer recursos para manter os campos de refugiados. E a responsabilidade de quem tem usado e abusado do poder político (bem remunerado) durante este sono profundo que não os deixou perceber que a Terceira Grande Guerra estava em curso no Médio Oriente e Norte da África desde que os Estados Unidos decidiram que o "eixo do mal" estava naquela região?

Mesmo durante o sono os governos Europeus, norte-americano e de Israel enviaram armas e soldados para darem apoio aos bombardeios executados pela NATO e ajudaram a promover e divulgar os distúrbios internos chamados de Primavera Árabe ou com nome de flores nas antigas repúblicas socialistas. Será que por mera incompetência administrativa não pensaram que os habitantes que não morreram nos ataques militares procurariam fugir para o apregoado paraíso enfeitado para os turistas? E a ONU, que acompanhou tudo expondo à morte os seus soldados e funcionários, também sofre dessa ignorância crassa?

E as polícias secretas, que brilham nos filmes e livros de detetives, a famosa CIA e o FBI que há tantos anos descobrem agulha em palheiro e conseguem matar terroristas em casa com uma perícia admirável para parecer morte natural, e que se especializaram em promover distúrbios entre seitas religiosas ou grupos políticos para criarem revoltas civis que justificam bombardeios, não conhecem as máfias que fazem o tráfico humano? Pensam que os povos são parvos ou distraídos para não perceberem que estão todos igualmente comprometidos na Terceira Guerra e nos crimes secretos que a humanidade suporta apavorada e impotente? O imperialismo existe e massacra globalmente o planeta. Ainda há quem duvide de tal evidência?

O assunto mais divulgado é o dinheiro nos bancos e no mercado. Nas ruas o povo reclama contra o desemprego e os cortes nos salários, o aumento de impostos e o calote de bancos que usaram indevidamente os créditos que eram para o Estado Social. Nas campanhas eleitorais os que "responsáveis" pelas crises, ou seja os que não sabiam que estavam desencadeando uma Terceira Guerra, aparecem com falas mansas de caridosos que recomendam à população que seja solidária com os foragidos.

Além das cenas de terror que a TV mostra todos os dias, de afogados no Mediterrâneo ou mortos por asfixia em camiões de congelados quando tentavam chegar aos campos de refugiados, a indignação causada pelo cinismo dos governantes mundiais e nacionais destrói a resistência mental dos humanos que prezam a dignidade e a responsabilidade. Caem em depressão, sofrem de angústia e desespero, acabam medicados com os medicamentos que enriquecem a indústria farmacêutica, ou cometem atos de loucura inspirados nos mercenários e terroristas criados pelo imperialismo no Médio Oriente.

Até onde vai continuar esta fraude globalizada que chacina milhões de pessoas, como se nada fosse, e desespera os povos que ainda querem conservar a esperança de construir a paz?

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