sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Os pobres na mira

Os pobres são considerados como "o grande inimigo" do sistema capitalista. Desde que criaram os robôs para enfrentarem o trabalho pesado e sujo, consideraram que os pobres estão a mais.


Ocupam um espaço que poderia ficar disponível para embelezarr as cidades e não para as favelas, precisam ser alimentados pelo Estado que não tem vocação para a caridade, criam necessidades especiais de educação, saúde e assistência social que oneram os orçamentos, e estão sujeitos a serem manipulados por gangues que perturbam a segurança social. Assim pensam os "donos do poder do capital, com o seu egoísmo próprio, convencidos de serem os "donos do mundo".

Senão, vejamos.

As alterações climáticas, se não forem acompanhadas pelos governantes, poderão determinar a necessidade de emigração das populações vitimadas pelas secas ou pelas enchentes provocadas naturalmente. Se os governantes forem responsáveis, procurarão com as informações científicas que precedem os desastres cíclicos, desviar rios, fazer obras de rega para alimentar casas e plantios, criar proteções para as populações locais, que amenizam e até alteram os fenómenos climáticos evitando as migrações forçadas e a fome que as acompanha. O despovoamento provoca alterações sociais e económicas destruidoras da cultura e das tradições que enriquecem os povos.

Mas, continuamos a ver em pleno século 20 situações de miséria no chamado Terceiro Mundo que "teóricamente" deixou de ser colonizado, como o era há mais de 500 anos. E então o apoio internacional é do tipo "caridoso" com a organização da "campos de refugiados" e doação de alimentos e pouco mais, que mantém uma "miséria controlada" como Deus quiser. Entretanto os polícias do mundo, (em função imperialista de interesse das nações ricas que permanecem como abutres de olho nas riquezas naturais que não são exploradas pelos atrasados países da região), provocam antigas rivalidades tribais, de caracter étnico ou religioso, que matam tanto como a miséria. Portanto vemos o aproveitamento político e financeiro dos desastres ambientais, que se tornam também cíclicos como as alterações climáticas e mais perversos que ela. Assim "fabricam" pobres aos milhões e ajudam o morticínio deles a curto e longo prazo.

Em alguns lugares surgiram soluções pontuais que os cientistas e técnicos - da produção agrícola, da defesa sanitária e de saúde, do desenvolvimento social e político, do aproveitamento racional da água e da criação de novas formas de utilização das fontes naturais de energia - defendem como soluções inteligentes e possíveis para garantir melhores condições de vida para os povos.

Este foi o caso, por exemplo, da reforma agrária em Portugal a partir de 1975, processo que provocou aumento de produção e produtividade de alimentos, criação de milhares de empregos fixos com remuneração controlada pela legislação laboral, equipamentos sociais como creches, centros de dia para idosos, escolas e centros de saúde, abertura de caminhos, estradas, serviços de regadio, construção de reservatórios de água etc., e que foi interrompido pelos governantes com o pretexto de que a direita (até então uma "maioria silenciosa") ameaçava com uma guerra civil se o processo não fosse destruido e impossibilitado jurídicamente. Essa direita eram os antigos latifundiários que queriam manter as suas terras improdutivas para servirem ao ócio familiar,às caçadas com amigos, o poder das propriedades. Era uma minoria de ricos que, com o controle da informação social e do Estado que negava a sua responsabilidade social, controlava uma "maioria silenciosa" habituada pela ditadura anterior a obedecer as ordens dos patrões.

Mais recentemente foi o caso de um Brasil democratizado que, graças a Lula e quem o apoiou, retirou mais de 40 milhões de brasileiros da condição de miséria, que abriu caminhos para que os mais pobres pudessem estudar e atingirem carreiras de nível universitário, para que as regiões secas fossem irrigadas, para que os excluidos das cidades recebessem cuidados médicos e apoio institucional do Estado, que criou empregos e desenvolveu a indústria de petróleo, o banco de desenvolvimento, uma política externa que integrou o antigo país colonizado nos meios internacionais mais desenvolvidos, e ... provocou a "minoria silenciosa golpista" que com a ajuda do imperialismo sabotou o desenvolvimento nacional com o controle da política financeira e de informação social, e comprou antigos "democratas" que trairam o povo que os elegeu e venderam a pátria como Judas vendeu Cristo. Os pobres ameaçavam o conforto e os privilégios dos ricos que têm cifrões na pupila e nenhuma dignidade humana.

Os métodos de trabalho político dessa "minoria silenciosa e perversa" é sempre o mesmo. Financiam gangues criminosas para desestabilizarem a sociedade criando insegurança, divulgam mentiras e apregoam violências para intimidar os que têm consciência dos seus direitos de cidadão, compram os desonestos que têm postos no Estado para boicotarem o atendimento social, alimentam as dissenções na sociedade, ameaçam com desastres naturais, sociais e religiosos, inventam falsidades para justificar um golpe que cala os funcionários mais bem pagos que parasitam o Estado, assistem com ar compungido os acidentes de avionetas que eliminam vozes contrárias, cortam as conquistas sociais, empobrecem o país, vendem as riquezas nacionais aos sócios estrangeiros, aumentam o desemprego. Esperam que os pobres, e quem os defendem, morram de fome, de doença, de acidente ou de crime.

Lemos nos jornais : "Um estudo sobre 1,7 milhão de pessoas, publicado pela revista médica The Lancet, traz de volta esse problema negligenciado: a pobreza encurta a vida quase tanto quanto o sedentarismo e muito mais do que a obesidade, a hipertensão e o consumo excessivo de álcool.
O estudo é uma crítica às políticas da Organização Mundial da Saúde (OMS), que não incluiu em sua agenda este fator determinante da saúde — tão importante ou mais do que outros que fazem parte de seus objetivos e recomendações."

“O baixo nível socioeconômico é um dos mais fortes indicadores de morbidade e mortalidade prematura em todo o mundo. No entanto, as estratégias de saúde global não consideram as circunstâncias socioeconômicas pobres como fatores de risco modificáveis”, dizem os autores do estudo publicado pela The Lancet, cerca de trinta especialistas de instituições de prestígio como a Universidade de Columbia, o King’s College de Londres, a Escola de Saúde Pública de Harvard e o Imperial College de Londres."

São notícias de uma Europa rica que financiou, com os Estados Unidos, a Otan para invadir países do Oriente Médio e do Norte da África, destruindo antiquíssimas sociedades organizadas (que têm muita riqueza natural cobiçada), de onde há anos partem milhares de pessoas que fogem às guerras, à fome, à desordem introduzida nas suas vidas antes equilibradas, em busca de um lugar para sobreviverem. Tornaram-se pobres e vão enfrentando pelo caminho as várias formas criada pelos ricos para que morram: enchem navios que são deixados em alto mar sem controle, sem alimentos, e que naufragam. Ou chegam à costa europeia e ficam presos em "campos de refugiados" com um arremedo internacional de apoio. Ou saem tentando chegar às cidades mas encontram muros improvizados com arame farpado protegidos por soldados armados. Constituem uma massa humana miserável de emigrantes repudiados pelos paises mais ricos ( os países mais pobres recebem os refugiados que sabem que ali vão encontrar os problemas que os povos pobres já sofrem).

Nos países pobres ou ricos da Europa, o conceito de Segurança Social é muito discutível pois mal oferece recursos de assistência social à grande maioria dos mais pobres para não falar no valor das pensões de velhice que só dão para uma (também pobre) alimentação, uma habitação (?) em vão de escada, e pouco ou nada para tratamentos e alguma atividade cultural (gratuita em que se gasta com transporte). Os países mais pobres têm a vantagem, que não exige investimentos financeiros, de ser cultivado o esoírito fraternal da solidariedade.

E os Estados Unidos elegeram para Presidente um milionário que pensa o país como se fosse um "boteco do Farwest" e expulsa o emigrante como se fosse criminoso formado na escola de terrorismo (que os ricos criaram e financiaram), e não a sua primeira vítima. País de origem emigrante, com uma bela história inicial de pioneiros, que se transformou em abutre das nações vizinhas avançando as suas fronteiras descaradamente sobre o território mexicano onde hoje constrói um muro para impedir que os pobres usurpados entrem nos Estados Unidos transformado em ameba mundial.

No entanto, Cuba, que foi isolada durante 60 anos pelos Estados Unidos com um bloqueio internacional, não tem um caso de subnutrição, a mortalidade infantil é das mais baixas do mundo, não há analfabetos, tem uma escola de medicina que forma médicos para os países que precisarem, defende o seu povo com muito êxito dos mesmos tufões que matam nos Estados Unidos.

Qual a diferença entre aquela pequena ilha com este "mundo cão" em que vivemos?

Lá são todos igualmente pobres, desenvolvem os projetos necessários para produzir alimentos, a saúde e o ensino são gratuitos e de boa qualidade, os "vende pátrias" não alcançam o poder no Estado, a população em peso chorou a morte de quem dirigiu o Governo por quase meio século. É socialista, fez a sua Revolução.

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