sábado, 10 de setembro de 2011

As contradições da Globo News

Publicado no Portal Vermelho
                                                                                            08/09/2011

No mesmo dia (5 de Setembro de 2011) este importante canal de comunicação social, que deve ter uma conduta honesta e confiável, apresenta dois programas que se contradizem: 1º, a denúncia de um soldado norte-americano, que se tornou pacifista depois de descobrir na guerra do Iraque em 2007 que o terrorismo não era produzido pelos árabes mas sim era praticado pelos norte-americanos, iludidos pelo seu Governo com palavras patrióticas e de falsa solidariedade humana, e 2º, o habitual Painel semanal conduzido por William Waack que propõe a falsa questão: “os árabes poderão ter a democracia que existe no Ocidente?”.

Se o erudito grupo de convidados tivesse assistido ao programa de Gineton Morais, com a entrevista ao soldado pacifista norte-americano, poderia (com informações da mesma TV Globo) pôr em dúvida a existência de uma democracia ocidental.

O soldado revela que foi deformado culturalmente, como os demais cidadãos norte-americanos, para que a sua boa fé fosse utilizada transformando-os em terroristas e agressores dos países árabes que têm petróleo (Afeganistão, Iraque, Líbia, e outros que se seguirão nesta escalada imperialista). As ordens militares obrigam o soldado a abandonar crianças feridas “porque a sua função é matar”, o soldado que se rebela contra as ordens terroristas dadas pelos oficiais do exército norte-americano “é imediatamente preso”. O veterano torturado pelo sentimento de culpa por ter matado inocentes árabes “é considerado louco e recebe ameaças de morte dos seus filhos quando se torna pacifista e pede perdão ao povo iraquiano”.

Onde existe democracia ocidental se não é permitido aos cidadãos pensarem humanamente e recusarem um comando terrorista? Na nação que se considera democrática e modelo para as nações ocidentais?

Pode-se supor que a Globo adote uma postura de dupla face, habitual no mercado “livre” acendendo uma vela a Deus e outra ao Diabo (apresentando os dois lados da realidade dos Estados Unidos que a Weekleaks desvendou pela internet). Éticamente não se pode aceitar tal oportunismo em uma instituição responsável pela comunicação social que forma culturalmente os cidadãos brasileiros, justamente em um momento histórico em que o Governo no Brasil se identifica com a defesa da democracia e combate às discriminações.

Por que os árabes são menos capazes de construir um regime democrático que os ocidentais que convivem com o terrorismo dentro de casa, aplicado pelos imperialistas? Por que os muçulmanos não serão capazes de separar a religião da administração política democrática, como o fizeram os cristãos? Onde está a superioridade ocidental do caminho cristão que passou pela idade média com todo o peso do obscurantismo e da barbárie e, teoricamente, atingiu uma racionalidade imparcial e democrática?

Afinal, de que lado está a Globo quanto aos crimes cometidos pelos Estados Unidos contra os povos agredidos e os seus cidadãos enganados? Liberdade de imprensa é colocar um pé em cada lado do muro? Não se envergonham de “formar uma opinião” covarde e alienada em relação ao que se passa com a humanidade?

A responsabilidade dos que comunicam é enorme, basta ver o que o soldado pacifista dos EUA revela sobre a sua formação social deformada para ir invadir e matar em outros países. Ele conta que o número de suicídios de veteranos das guerras contra o Iraque (onde morreram 4.000 norte-americanos e mais de cem mil iraquianos) é colossal e outros nunca mais se recuperam dos traumas de consciência ao se descobrirem enganados pelo seu “país democrático”.

Não se trata apenas do que já passou, mas do futuro também. Na escalada imperialista pelo domínio das fontes de petróleo as “hienas”aliadas dos EUA (Sarkosy, Cameron, Merkel e Berlusconi), babam só de planejar invadir também a Siria depois de ter acampado no Bahrein com a Quinta Frota dos EUA.

Já que a Globo teve coragem para reproduzir as revelações secretas do wheekleaks (cujo responsável é perseguido pela “justiça imperial”) conte também o resto, por exemplo as ações da CIA em todo o mundo árabe para promover manifestações internas que ameacem os seus governos. A famosa “primavera árabe” tem a mãozinha “ciática” que nem sempre consegue controlar as rédeas dos manifestantes que, mais que aos seus próprios ditadores, odeiam os imperialistas com o seu séquito de urubus de olho no petróleo.

Liberdade de imprensa serve para informar sobre a realidade árabe, como tentaram fazer os debatedores convocados pelo Painel da Globonews, (Salem Nasser, Jayme Pinsky e Creomar Lima de Sousa) explicando que existe no mundo árabe uma cultura diferente da ocidental que forma os seus cidadãos com dignidade, solidariedade e humanismo.

E, acrescento eu, no mundo ocidental há uma pregação social contrária a estes valores baseada na ideia de que o mundo islâmico ainda vive o obscurantismo medieval que nega aos povos o direito de pensar com liberdade. Além de ignorante esta afirmação é tacanha porque quem a faz imagina que aqui também os que sofrem a pressão dos meios de comunicação embrutecedores não conseguem conhecer a realidade humana. Há outras fontes, limpas, de informação social que respeitam a liberdade e divulgam a realidade objetiva da vida humana no planeta.

A Globo tem bons profissionais e poderia ser uma empresa confiável, mas o poder que tem de cometer desvios na formação cultural é ainda um acidente de percurso na história do desenvolvimento brasileiro.

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