sábado, 5 de dezembro de 2015

Ressurgimento da Política de esquerda em Portugal




A vitória da esquerda nas eleições para o Parlamento em Outubro de 2015 em Portugal foi uma surpresa para os que se achavam bem instalados no exercício da sua vocação de direita na sociedade. Traduzindo em poucas palavras, aquela acomodação conservadora e anti-democrática que se espalhara, como uma virose, entre os mais bem remunerados que exerciam o poder económico e político com ambição desmedida e a perda total de qualquer sentimento patriótico que lembrasse o povo sacrificado e o desenvolvimento nacional abandonado, terminou para o bem do país. A realidade visível é de que Portugal está no fundo do poço, sem empregos, com as empresas falidas, em permanente sangria da mão de obra jovem, com uma enorme dívida externa (mais privada que pública), sem rumo dentro da desordem em que se transformou a União Europeia. Precisa de governantes com coragem de revelar a verdade para lutar pela sua superação da crise que é real e destruidora do planeta.

A direita, desenhada segundo o modelinho da União Europeia com o seu vezo norte-americano marcado pela NATO, deixou a aparente austeridade dos idos tempos de Salazar e adotou maneiras mais adequadas à moderna geração dos jovens "queques", liberais nos costumes sociais, no vestuário e na linguagem, curvados ao comando superior do mundo globalizado, formados como repetidores das ordens emanadas em inglês do Mercado dito Livre e do setor financeiro. Alçados às funções de governantes passaram a adotar em público um olhar de "peixe morto", que traduzia complacência com os reclamos da plebe ignorante, palavras de respeito humano como as das rezas avoengas, para não entrarem nos temas debatidos e explicarem as decisões tomadas de acordo com a cartilha da Troika. Assim, cercados por uma falsa aura de responsáveis pelo destino da nação, com aparentes princípios humanistas e formação científica ou técnica, representaram mais uma vez o teatro durante os últimos 4 anos.

Nesta alienação, a que se habituaram desde que deram início à destruição das conquistas de Abril, não perceberam que a esquerda perdera uma batalha mas encontrara o caminho do seu fortalecimento no estreito convívio com a dura realidade do país espoliado e do povo sacrificado para manter aquela elite enriquecida, modernizada e inebriada consigo mesma.

Com a certeza da vitória, bem estimulada pelos meios de comunicação na coleira, os partidos de direita formaram o PÀF e ... "PUM!", caíram do cavalo, perdendo 700 mil eleitores que entretanto se esclareceram junto à realidade, como ocorreu também com os mais lúcidos militantes e políticos do PS. A imagem da derrota de Passos Coelho e Paulo Portas não deixa dúvida da total ignorância em que viveu a iludida direita em Portugal.

Apesar do esforço paternal do Presidente da República, contra todas as regras de um sistema constitucional que ainda salva as origens democráticas da nação, o PÁF caiu mesmo. Ficou reduzido no Parlamento à sua minoria, a qual tenderá a aumentar na medida da crescente incapacidade de agir com alguma sobriedade e inteligência dos seus expoentes.

E aí vem a segunda surpresa da velha direita: os deputados de direita defendem o governo derrotado com a sua postura social de "jovens queques", mal educados, grosseiros, birrentos, querendo passar por heróis infantis com um palavreado próprio dos que levaram uma coça em praça pública.

Com este procedimento demonstram a incompetência para participarem do Parlamento que exige decoro e mais, exige que tenham consciência de que a função que exercem é para contribuir com seriedade para o desenvolvimento nacional e o bem estar da população. Ninguém está interessado nas frases agressivas que pretendem ser farpas para impedir o trabalho do Parlamento.

Nem se dão conta de que estão enterrando a velha direita hoje representada pela geração dos "queques". Não restam adultos por aí, no seu meio, para por cobro a esta falência social e política? Teremos de pedir uma ação judicial para que o Parlamento possa trabalhar a sério na defesa de Portugal diante da crise que é avassaladora?

Zillah Branco

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